Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Secos & Molhados

Na era dos bits, Dia do Livro passa por data fúnebre

Muita gente nem percebeu. Quem notou, deu pouca ou nenhuma importância à data.

O Dia Internacional do Livro ateou neste 23 de abril um ânimo de cortejo fúnebre.

Na era da web, a palavra escrita acha-se, por assim dizer, sob as garras do novo.

Em mais uma mudança de hábitos, o verbo move-se agora também em pixels e bits.

A tecnologia como que confere ao papel e à tinta ares de coisas antigas, obsoletas.

Estantes ganham aparência de cemitérios, para onde vão os livros depois de mortos.

Na contramaré do ceticismo dos modernos, o signatário do blog recomenda aos seus 22 leitores:

Leiam “A Conturbada História das Bibliotecas”, do americano Matthew Battles.

No Brasil, foi lançado em 2003, pela Editora Planeta. Tem 239 folhas. Fuja da versão digital.

Prefira o papel. Leva uma inestimável vantagem sobre o visor de cristal líquido: não enguiça.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 07h16

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Exposição mostra nacos de flagelos clicados ao redor

O vídeo acima serve um aperitivo de exposição fotográfica inaugurada em ‘La Casa Encendida, um centro cultural assentado em Madri (Espanha).

Clicadas ao redor do mundo, as imagens registram flagrantes de flagelos que assediam o gênero humano —de desumanidades a desastres naturais.

No total, são 40 fotos. Concorreram a um prêmio internacional concedido anualmente pela ONG Médicos do Mundo.

Em 2011, o júri premiou uma série batizada de “Meninos Prisioneiros em Cárceres Africanos”. O autor se chama Fernando Moleres.

Recolheu as imagens em cárceres de Serra Leoa. Se tivesse optado pelo Brasil, encontraria coisa muito parecida.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 18h07

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Não engorde estatística, mexa-se: 63,1% de obesos

- Aqui, os detalhes. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 06h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Idiota? Descobrirão quem eu sou da maneira radical’

O vídeo acima foi divulgado pela Polícia Civil do Rio. Contém imagem extraída do computador do assassino das 12 crianças.

Segundo a polícia, não é possível saber a data da gravação. Sabe-se, porém, que a imagem foi acessada pela última vez em julho de 2010.

Significa dizer que o crime da escola de Realengo vinha sendo planejado desde o ano passado.

Na peça, de 58 segundos, o atirador declara que as pessoas o desrespeitavam. Consideravam-no “um idiota”.

Emenda: “Descobrirão quem eu sou da maneira mais radical, numa ação que farei pelos meus semelhantes, que são humilhados...”

“...Agredidos, desrespeitados em vários locais, principalmente em escolas e colégios, pelo fato de serem diferentes...”

“...De não fazerem parte do grupo dos infiéis, dos desleais, dos falsos, dos corruptos, dos maus. São humilhados por serem bons".

Na Era do Big Brother, época em que todo mundo quer aparecer, a loucura perambulava pelas ruas do subúrbio carioca insuspeitada.

Depois de matar, matou-se. Só então tornou-se visível. Desceu à cova como indigente, sem mãos que se dispusessem a segurar as alças do caixão.

Era ligeiramente introvertido, dizem os familiares. Tinha poucos amigos, testemunham os vizinhos.

Estudara na escola que manchou de sangue, atestam os professores. Em que momento se deu a ruptura?

Tempos implacáveis estes. Ninguém suspeitava que naquele sobrado da rua tranquila morava o satânico germe da violência tresloucada.

Vendo agora os olhos da loucura nas imagens que dão visibilidade tardia ao morto que viveu invisível, todos se perguntam:

Se já não distinguimos o louco do são, o assassino do inofensivo, o bom do mau, como evitar a consumação da ameaça?

Os macabros mistérios do episódio são mesmo desafiadores.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 19h45

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Sarney é melhor que o García Márquez’, diz Requião

Político da família dos viperídeos, Roberto Requião é víbora generosa. Não sonega peçonha a ninguém.

Quando a conversa passa por José Sarney, porém, o veneno de Requião perde a viscosidade.

Se fala do colega de Senado, Requião dedica-lhe veneno fraco.

“Se o Sarney não tivesse determinadas práticas, não seria um senador do Nordeste do Brasil”, diz Requião, egresso de família baiano-sergipana.

Mas é quando olha para o imortal da Academia Brasileira de Letras que a visão viperina de Requião some por completo.

“Como escritor, o Sarney é muito melhor do que o Gabriel García Márquez”, ele declara, chamando o Nobel de literatura colombiano à colação.

“Sarney não é apenas bom, ele é um escritor excepcional”, derrete-se Requião. “Saraminda é uma obra prima”.

Saraminda é o nome de um dos romances do presidente do Senado. Conta a história de um par de peitos dourados que enfeitiçou os garimpos do Amapá no século 19.

No livro, Sarney desenha a personagem assim: "olhos verdes, cabelos lisos que ecorriam nos ombros, a pele cafusa...”

“...Peitos firmes, de cones finos, que pareciam castanheiras eretas, linheiras, que não dobravam na ventania".

Neta de dona de bordel, filha de protituta da Guiana com sargento francês, Saraminda viveu numa época em que as mulheres eram leiloadas.

Levada ao pregão das carnes, Saraminda não foi, porém, vendida. No dizer do autor do livro, “arrematou-se” a um próspero garimpeiro, subjugando-o.

Afora os predicados da forma, a bela da ficção possui uma arma que, por vezes, a fera do Senado utiliza contra os inimigos nas tocaias da política.

Uma navalha de ouro, incrustada com pedras preciosas e adornada com uma esmeralda que faísca como os olhos da dona.

Requião conta que, no usufruto de seu primeiro mandato de senador, entrou numa livraria de aeroporto.

“Comprei Saraminda pra debochar do Sarney na tribuna do Senado. Passei a noite lendo. No dia seguinte tive que fazer elogios ao Sarney. O cara é bom”.

Vivo, Jorge Amado disse certa vez: "José Sarney é um escritor a quem o político José Sarney tem causado graves prejuízos".

Invertendo-se a lógica do raciocínio do mestre baiano, poder-se-ia-a afirmar:

José Sarney é um político a quem a falta de dedicação exclusiva à vocação literária de José Sarney tem causado graves prejuízos... à nação.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 19h49

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

BUSCA NO BLOG


Twitter RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.