Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Secos & Molhados

Sob era de sombras, Brasília reforma ‘fonte luminosa’

Sérgio Lima/Folha
 

O governo do Distrito Federal reinaugurou a Fonte Luminosa, uma das mais festejadas atrações turísticas da Capital da República.

 

Fica defronte da Torre de Televisão, no coração da cidade. Foi assentada ali nos primórdios de Brasília, em 1967.

 

Desde então, passou por três reformas. Essa última custou R$ 9 milhões. Dinheiro provido por uma empresa estatal: a Eletrobras.

 

Em seu novo formato, a fonte ganhou dispositivos novos. Agora é sonora. Ela “cospe” para o alto 3,5 milhões de litros d’água guiados por notas musicais.

 

Os jatos vão “dançar” conforme a música, emanada de 28 alto-falantes. Tocarão de rock a peças eruditas.

 

Ao “ouvir” as notas agudas, a água ganhará cores “frias”. As notas graves farão disparar um laser de tonalidades “quentes”.

 

Haverá espetáculos diários. Uma hora e meia, a partir de 18h30. Por ironia, a fonte volta a se iluminar na fase mais sombrosa de Brasília.

 

Antes, o brasiliense dispunha de um álibi que o livrava da má fama. Costumava dizer: a corrupção que viceja no pedaço administrativo da cidade é importada.

 

Os malfeitores vinham dos Estados, eleitos por patrícios desatentos. A fogueira do ‘panetonegate’ converteu a desculpa em fumaça.

 

Hoje, além da fonte remodelada, mais luminosa do que nunca, Brasília dispõe de trevas próprias. A Capital se deu conta de que também produz corruptos.

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h33

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Em meio ao ostracismo, Arruda é fotografado na praia

 

A foto acima reproduz uma cena ocorrida há 25 dias. Clicou-a um cidadão brasiliense, durante viagem de férias a Fortaleza (CE).

 

Era segunda-feira, 16 de agosto. Livre da azáfama administrativa, José Roberto Arruda, ex-governador de Brasília, bronzeava-se.

 

Expunha-se aos efeitos dos raios ultravioleta num pedaço de areia de nome sugestivo: “Praia do Futuro”, uma das mais aprazíveis da capital cearense.

 

Na política, o futuro de Arruda chegou com tal velocidade que ficou atrás dele. Parecia radioso. Até para vice de José Serra o cogitavam. Porém...

 

Porém, o passado de perversões levou Arruda aos vídeos do ex-assessor Durval Barbosa. E dali às páginas do inquérito do mensalão do DEM.

 

O presente do “ex-demo”, cada vez mais remoto, inclui a desfiliação partidária, uma passagem de 40 dias pela PF’s Inn e a renúncia ao cargo de governador.

 

A desperito de ter sido apartado do contracheque que recebia das arcas do GDF, Arruda não parece atormentado com a provisão de “panetones”.

 

No “futuro” de Fortaleza, ele exibia, além da cútis amorenada, uma silhueta delgada, diferente da que ostentava ao deixar a hospedaria da Polícia Federal.

 

O ex-governador deve a remodelagem de sua cintura a uma recente passagem pelo spa Sete Voltas, em São Paulo. Coisa de duas semanas.

 

Fica patente que, embora o ontem tenha conspurcado o seu amanhã, Arruda cuida para que o usufruto do ostracismo de hoje lhe seja doce.

 

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Escrito por Josias de Souza às 06h49

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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