Enquanto a imprensa se ocupa de coisas sem importância -a sapatada do repórter iraquiano em Bush, por exemplo-, coisas sérias deixam de ser noticiadas.
A mega-popularidade de Lula e a auto-indulgência do país deixam o brasileiro feliz. Mas algo de muito incomum acontece em Brasília.
Diz-se que nada saiu nos jornais porque as versões sobre uma incipiente conspiração dos sapatos são, por ora, desencontradas.
Não há um consenso sobre o que realmente aconteceu. Suspeita-se que tudo tenha começado no Congresso.
Um senador contou que tirara os sapatos no plenário. Coisa corriqueira. Sempre cultivara o hábito de descansar os pés. Naquela tarde, porém...
Quando foi recalcá-los, não os encontrou. Chegou a pensar em roubo. Mas se deu conta de que os calçados tinham dado no pé ao ouvir o relato de um colega.
Saíra apressado do gabinete. Estava atrasado para a "ordem do dia". Receava perder a votação da emenda que recriou 7.343 vagas de vereador.
Na altura do túnel que dá para o Salão Azul do Senado, um par de sapatos, vindo do corredor das comissões, o atacou.
O pé direito, apontando para ele, dizia para o esquerdo: "Deixa que eu chuto". Conseguira fugir. Mas temia pelo que estava por vir.
Um turista jurou ter visto várias botinas correndo em volta da Praça dos Três Poderes. Pulavam freneticamente. Batiam os calcanhares no ar.
Um assessor de Lula disse que uma gangue de pés de chinelo tentou barrar a entrada do carro dele na garagem do Planalto. Estavam fora de controle.
Um segurança assegurou ter pilhado alguns deles no instante em que cheiravam uma substância estranha. Era cola de sapateiro, supunha.
Um grupo de mocassins ronda a sede do Banco Central. Outro grupo, liderado por um par de tênis, foi visto nos arredores do ministério da Fazenda.
Para evitar o pânico, as autoridades do governo exibem calma simulada. Mas, em segredo, o governo já cogita editar uma medida provisória.
Deve ter dois artigos:
Artigo 1º: É proibido tirar os sapatos em público.
Parágrafo único: Armários e sapateiras devem ser mantidos, obrigatoriamente, na chave.
Artigo 2º: Sapatos, botas, botinas, tênis, mocassins, sapatilhas, alpercatas, sandálias, chinelos e assemelhados, quando pilhados em atos de vandalismo, sujeitam os donos à pena de um a três anos de detenção.
O Brasil, como se sabe, não é o Iraque. Lula não é Bush. Mas o seguro, como se diz, morreu de velho.
PS.: O signatário do blog sugere aos seus 22 leitores que respondam na caixa de comentários: A julgar pelo que fizeram em 2008, em que personagens você daria uma sapatada?