Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Secos & Molhados

Pela sétima vez, 'afanaram' os óculos de Drummond

Pela sétima vez, 'afanaram' os óculos de Drummond

 

 

No seu “Claro Enigma”, Carlos Drummond de Andrade usou como epígrafe um verso de Paul Valéry: “Lês événements m’ennuient”.

 

Em tradução livre: Os acontecimentos me entediam. Ou, se quiser, me chateiam.

 

Hoje, nada deve aborrecer mais o poeta do que o vandalismo a que vem sendo sistematicamente submetida a estátua de Drummond.

 

Assentada num banco do calçadão de Copacabana, a estátua amarga, pela sétima vez, o furto de seus óculos.

 

Nem sinal dos vândalos. Vai-se repetir a rotina:

 

Empresa contratada pela prefeitura restituirá a armação ao dono.

 

E ela será danificada e subtraída novamente.

 

No dizer de Machado de Assis, o sono é uma forma interina de morrer.

 

Adormecendo, o sujeito se afasta da canseira da vida.

 

Com a vantagem de levar para o leito um bilhete de volta.

 

No caso de Drummond, o sono é definitivo. E o retorno, eterno.

 

O poeta renasce cotidianamente nas dobras da genialidade de seus escritos.

 

A estátua de Copacabana deveria inspirar o respeito dos vivos a um morto que, por imortal, permanece em cena como um personagem insone.

 

Se lhe fosse dado falar, a estátua de Drummond talvez trocasse Paul Valéry por Joaquim Nabuco.

 

Em momento de rara inspiração, Nabuco inventou a Nossa Senhora do Esquecimento.

 

‘Notre Dame de l’Oubli’, como ele preferia dizer, em francês.

 

O Brasil tem fama de país sem memória. Talvez seja mesmo.

 

Só uma sociedade demente é capaz de tratar o seu passado ilustre com tamanha falta de respeito.

Escrito por Josias de Souza às 21h04

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Casamento de filha de Tasso leva o poder ao Ceará

Casamento de filha de Tasso leva o poder ao Ceará

  Balada In
Encontra-se em Fortaleza, neste sábado (8), a nata financeira e política da nação.

 

O poder foi assistir à celebração do casamento de Carla Queiroz Jereissati e Benjamin Holanda de Oliveira (foto).

 

Ela, filha de Renata e do tucano Tasso Jereissati. Ele, filho de um casal de médicos: Tânia e César Oliveira.

 

Convidaram-se cerca de 1.700 pessoas. A lista inclui banqueiros, industriais, magistrados, políticos e um infatigável etc.

 

Há na festa três presidenciáveis. Ciro Gomes (PSB) tanto pode se defrontar com o desafeto José Serra, que o processa, como com Aécio Neves, que o corteja para vice.

 

Um candidato à presidência do Senado já deu as caras: Tião Viana (PT). Seu principal rival, José Sarney (PMDB), embora convidado, ainda não apareceu.

 

Roçam cotovelos na capital cearense políticos de coloração pluripartidária.

 

De governistas inveterados –Renato Casagrande (PSB) e Romero Jucá (PMDB)—a oposicionistas inflamados: José Agripino Maia (DEM) e Arthur Virgílio (PSDB).

 

A cúpula do Judiciário também acorreu a Fortaleza: os presidentes do STF, Gilmar Mendes; e do STJ, César Asfor Rocha. E Ellen Gracie, a ex-presidente do Supremo.

 

As togas se arriscam a cruzar na festa com um passivo que podem vir a julgar: a encrenca da “BrOi”.

 

A supertele está representada no Ceará pela figura bonachona do tio da noiva, Carlos Jereissati, barão telefônico da Oi.

 

Terminou há pouco o pedaço religioso da festa. Deu-se num templo de nome sugestivo: Capela do Pequeno Grande.

 

O ambiente, por exíguo, combina mais com a primeira do que com a segunda parte do nome da capela.

 

A igreja, com capacidade para cerca de 300 pessoas, revelou-se pequena demais para a grande lista de convidados. Muitos, fugindo do relento, prefeririam dirigir-se direto para o cenário pagão do casamento.

 

O jantar, assinado pelo buffet La Maison, ocorre na mansão dos Jereissati, assentada no elegante bairro das Dunas.

 

PS.: Foto via sítio Balada In.

Escrito por Josias de Souza às 20h58

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República ‘estreita inimizades’ em cadeira apertada

República ‘estreita inimizades’ em cadeira apertada

Animação sobre fotos de Lula Marques
 

 

Na política, só existe um amigo verdadeiramente sincero: o amigo do alheio. No mais, não há senão inimigos cordiais.

 

Por um desses caprichos do protocolo, os mandachuvas dos três Poderes viram-se compelidos a estreitar suas inimizades nesta quarta (5).

 

Deu-se na sala de visitas do gabinete da presidência do Senado, nos instantes que antecederam uma sessão convocada para marcar os 20 anos da Constituição de 88.

 

Por sorte, o aperto vitimou políticos e um assemelhado. É gente que, tendo inimigos, trata-os de maneira tal como se em breve tivesse de ser amigo deles.

Escrito por Josias de Souza às 00h26

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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