Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Secos & Molhados

Pissssssssssss! Silêncio. Tem deputado trabalhando

Pissssssssssss! Silêncio. Tem deputado trabalhando

Lula Marques/Folha
 

 

Deve-se a Nelson Rodrigues uma definição lapidar de trabalho. Disse o cronista:

 

“Sua muito o sujeito que ganha pouco. E sua pouco o sujeito que ganha muito...”

 

“...Pode parecer um jogo de palavras, mas esta é, vos digo, uma verdade eterna...”

 

“...Há uma relação nítida e taxativa entre a transpiração e o ordenado”.

 

A foto acima resulta de um flagrante captado pelas lentes do repórter Lula Marques na tarde desta quarta (29).

 

Na cena, a faina de um deputado no seu local de “trabalho”, o plenário da Câmara.

 

Ele se chama "Professor Sétimo". Foi eleito pelo PMDB do Maranhão.

 

De volta do recesso branco, como que exausto do próprio ócio, Sétimo há de ter perguntado aos seus botões:

 

Para que fingir que estou trabalhando se isso dá quase tanto trabalho quanto trabalhar?

 

Súbito, o Professor Sétimo decidiu matar o tempo da quarta numa soneca remunerada.

 

Com seu gesto, tonificou a “verdade eterna” de que falara Nelson Rodrigues.

 

De fato, “há uma relação nítida e taxativa entre a transpiração e o ordenado”.

Escrito por Josias de Souza às 04h39

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Brasília registra o dia mais quente de sua história

Brasília registra o dia mais quente de sua história

Lula Marques/Folha
 

 

Brasília esteve literalmente frita nesta terça (28). Não bastassem as labredas da crise, a cidade viveu o dia mais quente de sua história.

 

A temperatura bateu em 35,8º C. Desde que foi criado, em 1961, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) jamais registrara semelhante fornalha.

 

Como se fosse pouco, a umidade relativa do ar declinou a níveis saarianos: 13%. Ai de gente ou bicho que não se adapte ao calorão num dia assim.

 

Melhor não não brigar com o termômetro. De passagem pela Esplanada, o repórter Lula Marques pilhou a esperteza de um pássaro.

 

Pezinhos pousados sobre a grama estorricada, o espertalhão mantinha-se longe da faina. Protegia a carcaça plúmbea sob a copa de uma árvore.

 

Converteu em oásis o que parecia uma apenas nesga de sombra.

Escrito por Josias de Souza às 00h58

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Antes do 'Meio Ambiente', Minc preserva o 'conforto'

Antes do 'Meio Ambiente', Minc preserva o 'conforto'

  Folha
Nesta segunda-feira (20), o ministro Carlos Minc, carioca da gema, protagonizou uma cena tipicamente brasiliense.

 

Almoçou no Oliver, uma fina casa de repasto, assentada no interior do Clube de Golfe de Brasília.

 

Acomodou-se numa mesa que dá para uma imensa parede de vidro. A vista tem o gramado como piso e o céu da Capital como pé-direito.

 

O excesso de luz causou desconforto aos olhos do minisitro. Tentou os óculos escuros. Mas, fotofóbico, terminou trocando de lugar com sua acompanhante.

 

Já de costas para o meio ambiente, com a cara virada para o interior do restaurante, Minc encomendou ao garçom uma refeição leve:

 

Salada verde e robalo. Para acompanhar, uma taça de vinho extraído da uva Tempranillo, originária da Espanha.

 

O nome vem do vocábulo espanhol temprano: cedo. Muito adequado para a Tempranillo, uva de maturação precoce. Produz vinhos de baixa acidez.

 

Exalam aromas vegetais e frutados. São encorpados e de boa pigmentação. Descem redondos. Proporcionam paladar denso e persistente.

 

Enquanto o Minc satisfazia as pulsões do estômago, aguardava-o do lado de fora o motorista do ministério. Estacionara o carro oficial sob a copa de uma árvore.

 

A despeito da sombra, manteve ligados –durante todo o tempo de espera— o motor e o ar-condicionado do veículo.

 

Para evitar que o ministro do Meio Ambiente fosse submetido aos calores da atmosfera abafadiça de Brasília, queimou-se o combustível da Viúva e poluiu-se, além do necessário, o ar seco da Capital.

 

Natural. Antes de preservar o ambiente, é peciso salvar o conforto do ministro, que ninguém é de de ferro.

Escrito por Josias de Souza às 15h25

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Outrora, a falta de inteligência dos EUA era mais sexy

Outrora, a falta de inteligência dos EUA era mais sexy

Fotos: Lawrence Schiller
 

 

Marilyn Monroe morreu de um mal inusitado: a beleza.

 

O mesmo belo que a envernizava por fora lhe carcomia as entranhas.

 

Entediada de seus dons plásticos, exausta da própria beleza, Marilyn matou-se.

 

A economia dos EUA foi à maca graças a uma outra enfermidade insidiosa: o poder.

 

Sob Bush, o poder está para a Casa Branca assim como a beleza está para Marilyn.

 

Exaustos da própria onipotência, os EUA voltaram-se contra si mesmos.

 

Autointoxicaram-se com uma overdose da volúpia financeira sem regulação.

 

Marylin freqüentou a crônica de Hollywood na condição de ‘dumb blond’.

 

Bush desfila pelo noticiário político-econômico como ‘pin-up’ da idiotia.

 

Num instante em que a crise americana percorre o planeta, distribuindo suspiros...

 

...Chega ao Brasil um lote de fotos que, a exemplo da ruína, também rodou o planeta.

 

Exibem poses sensuais de Marilyn, captadas pelo fotógrafo Lawrence Schiller.

 

Compõem uma exposição que começa nesta terça-feira (14) e vai até 1º de novembro.

 

As fotos foram às paredes de um templo do consumo: a galeria de arte da Daslu.

 

Rever Marilyn agora é um bálsamo para os olhos e para a alma.

 

Fica-se com a impressão de que a falta de inteligência nos EUA já foi mais sexy.

Escrito por Josias de Souza às 16h46

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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