Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Secos & Molhados

Filme sobre vida de Bush chega junto com a eleição

Filme sobre vida de Bush chega junto com a eleição

Saiu o primeiro trailer de “W.”, um filme de Oliver Stone sobre a trajetória de George Bush.

 

Chega às salas de projeção em novembro, às vésperas do encontro do eleitor americano com as urnas.

 

Em meio à atmosfera de fim de feita vivida na Casa Branca, Stone traça um perfil realista do inquilino que sai.

 

O enredo evolui da juventude de Bush –temperada à base de bebedeiras, detenção e arengas familiares—até a chegada do personagem ao poder.

 

Num dos diálogos, Bush, o filho, é admoestado por outro Bush, o pai: "Quem você pensa que é, um Kennedy? Você é Bush, haja como um!"

 

O filme decerto não ajuda à causa do republicano John McCain. Se bobear, vira peça da campanha “mudancista” do democrata Barack Obama.

 

PS.: A quem interessar possa há aqui um texto com a opinião do repórter sobre a era Bush.

Escrito por Josias de Souza às 20h52

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Ora, meninas, não há dúvida: Capitu traiu Bentinho!

Ora, meninas, não há dúvida: Capitu traiu Bentinho!

A faina diuturna impede o repórter de ver TV como gostaria. Um noticiário aqui. Um especial ali. Algo da programação a cabo acolá. E fica nisso.

 

Numa dessas incursões esporádicas, o signatário do blog deu de cara com uma discussão sobre Dom Casmurro. Foi capturado pelo tema.

 

As meninas do “Saia Justa”, do canal GNT, encontraram no centenário de Machado de Assis pretexto para visitar –ou revisitar— a obra-prima do mestre.

 

Grande idéia. Uma maneira de instilar na platéia uma ponta de desejo pelo que há de mais belo na literatura brasileira.

 

Primeiro, a conversa gravitou em torno dos “olhos de ressaca” de Capitu. Lero vai, lero vem surgiu a pergunta: afinal, a personagem traiu ou não Bentinho?

 

A indagação ficou boiando no ar. Nenhuma consideração peremptória. Quem acompanhou até o fim saiu da frente da TV com a pulga a saltitar atrás da orelha.

 

Pois bem. O repórter, por enxerido, decidiu meter sua colher no debate. É relevante demais para ser abandonado assim, envolto numa bruma de dúvidas.

 

O adultério de Capitu é incontroverso, eis o que se deseja realçar. Traiu Bentinho com seu melhor amigo. Bem verdade que Machado não chegou a pintar no livro uma cena de alcova.

 

O flagrante seria grosseiro demais para o mestre das entrelinhas. Mas as evidências da traição saltam das páginas de Dom Casmurro com uma limpidez de água de bica.

 

No capítulo 106 –“Dez libras esterlinas”— Capitu fala dos encontros que mantivera, às escondidas, com Escobar. No 113 –“Embargos de Terceiros”—, é impossível não ver o adultério.

 

De resto, não se deve perder de vista que Bentinho, do modo como o concebeu Machado, é estéril. No capítulo 99 —“O filho é a cara do pai”—, a avó, dona Glória, rejeita o neto “torto”.

 

Portanto, meninas, não há margem para dúvidas: Capitu traiu Bentinho! Creiam em Machado de Assis.

 

Discussão bizantina? Não, não. Absolutamente. Maitê Proença, a certa altura, lembrou que o debate girava em torno de personagens de uma ficção. Erro.

 

Nada mais palpável, nada mais real do que a ficção de Machado de Assis. E viva a liberdade de trair. E de ser fiel, quando valer a pena.

Escrito por Josias de Souza às 18h42

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Notícia recria ambiente típico da velha Guerra Fria

Notícia recria ambiente típico da velha Guerra Fria

Guardian
 

 

A coisa começou na última segunda-feira (21). Citando fonte bem-posta, o jornal russo Izvestia veiculou uma notícia cabeluda.

 

Informou-se que Moscou cogita usar instalações assentadas na ilha de Cuba para reabastecer aviões militares.

 

Aeronaves de um tipo estratégico: os bombardeiros Tupolev-160 (foto no alto). São conhecidos como “cisnes brancos”. Transportam ogivas nucleares.

 

Seria uma reação de Moscou aos planos dos EUA de instalar uma espécie de escudo antimísseis norte-americano no Leste Europeu.

 

O governo russo desmentiu a notícia. Havana, porém, guardou obsequioso silêncio. O presidente Raul Castro, irmão e sucessor de Fidel, não disse palavra.

 

E a notícia continuou ecoando pelo mundo. Nesta quinta (24), por exemplo, foi às páginas do diário britânico The Guardian.

 

Na última terça (22), indicado para comandar a Força Aérea dos EUA, o brigadeiro Norton Schwartz falou a uma comissão do Senado norte-americano.

 

Cavalgando a notícia do Izvestia, ele disse: a hipótese de reabastecimento de aviões russos em Cuba "é algo que cruza um limite, cruza uma linha vermelha para os EUA".

 

Em reação às palavras do brigadeiro, Fidel Castro animou-se a levar à rede um artigo de timbre provocativo. Saiu nesta quarta (23), no sítio Cuba Debate.

 

Fidel festeja o travar de mandíbulas do irmão: "Raúl fez muito bem em manter um silêncio digno (...). Não é preciso dar explicações nem pedir desculpas ou perdão.”

 

Aproveita para desancar o barulho do brigadeiro Schwartz. Disse que os comentários do novo comandante da Força Aérea dos EUA compõem a estratégia anti-Cuba.

 

Uma "estratégia maquiavélica (...). Se você disser que sim, eu te mato. Se disser que não, dá na mesma, te mato do mesmo jeito."

 

O caso traz do fundo para as beiradas do baú da memória o episódio da crise dos mísseis. Deu-se, como se recorda, em 1962.

 

Um ano em que os EUA e a velha União Soviética estiveram na bica de deflagrar a Terceira Guerra Mundial.

 

Sob Nikita Khurschov, os soviéticos plantaram mísseis em Cuba, que fica a escassos 170 km da Flórida.

 

O pedaço mais radical da administração John Kennedy defendia uma resposta drástica de Washington. O presidente deu ouvidos ao bom senso.

 

Arrancou-se de Khurschov o compromisso de retirar os mísseis de Cuba. Em troca, os EUA removeram os mísseis que haviam posicionado na Turquia.

 

Torça-se para que o desmentido de Moscou seja sincero. O mundo não merece reviver atmosfera tão fora de moda.

Escrito por Josias de Souza às 18h15

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Poesia

Poesia

O nome é Otário

Apelido: contribuinte

É ídolo do salafrário

O velho e o seguinte

 

Desvio, superfaturamento

Roubo, formação de quadrilha

Emendas ao Orçamento

Tesouro submetido à matilha

 

A grana do besta é suada

Salário menor que o mês

Não merecia a patacoada

De patrão, virou freguês

 

Da Viúva só conhece o apetite

Sonha tocar-lhe os seios

Por ora, obteve uma gastrite

Paga os fins e, meu Deus, os meios

 

Anda agitado, tomado de aflição

Todo mês a mesma displasia

Arrecadação, mais arrecadação

Já sem prosa, refugia-se na poesia

Escrito por Josias de Souza às 15h00

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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