Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Secos & Molhados

Repórter decreta auto-recesso e vai à pré-campanha

Repórter decreta auto-recesso e vai à pré-campanha

Hazir Reka/Reuters
 

 

Uma leitora pergunta ao signatário do blog por que não disputa a presidência da República. Grafomaníca, ela é insistente.

 

Não passa um dia sem que envie um e-mail. Às vezes dois. Assina-os assim: Ana Mabel. Às vezes modifica o sobrenome: Má...Bel.

 

Tem português escorreito. Dedica-se a espinafra o repórter. Contesta-o com pertinácia inaudita. Encerra as mensagens com um arremate invariável:

 

“Dentro de um jornalista tão cheio de opiniões deve haver um presidente da República adormecido...”

 

“...Duvido que, nos seus instantes de reclusão, à frente do espelho, não se imagine dentro dos sapatos do primeiro mandatário. Vá à luta!” O repórter topou o desafio.

 

Vai aproveitar o benefício das férias –concessão da era Vargas que extinguirá depois de eleito—, para preparar o lançamento oficial da candidatura ao Planalto.

 

Percebeu que se trata de um reclamo nacional. Pelo menos na caixa de e-mails e no seio da família.

 

Primeiro, a filiação partidária. Avesso às legendas disponíveis, optou por fundar uma nova agremiação: PP do B. “Partido da Praia (mais) Bela”.

 

Nome sonoro. Luminoso como o PSOL. E igualmente extremista. É a favor da cerveja extremamente gelada e do bolinho de bacalhau extraordinariamente quente.

 

Ao planejar o contato inaugural com as bases, o repórter pensou numa viagem ao estrangeiro. O risco de rejeição seria menor.

 

Mas, para evitar que os rivais o chamem de covarde, optou por uma beira de mar nacional. Deixará o périplo internacional para janeiro de 2011.

 

Já se vê a bordo de um Aerolula rebatizado de Aerosouza. Espaço generoso para as pernas. Cardápio variado. A garrafa de vinho à disposição.

 

Antes de tomar o rumo da praia, o repórter vai ao banco. É preciso cobrir o saldo negativo. Mixaria: R$ 94,15. Mas não se deve dar adversários munição para contestar-lhe as contas.

 

Quando chegar ao destino, entre uma consulta ao camarão e um contato com a lagosta, vai elaborar a lista de ministeriáveis.

 

Por ora, só uma decisão: o Mantega fica na Fazenda. Nada mais prazeroso para um presidente recém-empossado do que poder demitir o Mantega. De chofre.

 

Para vice, Ana, a leitora dos e-mails corrosivos. Nome curto. Palíndromo. Pode ser lido de trás para diante. Vem do hebraico.

 

Daí a grafia Hannah. Como em Hannah Arendt. Significa “cheia de graça”. Tem tudo para emplacar.

 

Por precaução, o repórter vai decorar o improviso com que recusará, em caráter definitivo, sua indicação pelo PP do B.

 

Suponha que o Serra, o Aécio, o Ciro e a Dilma não abram mão da vice. Não restará senão a alternativa de retomar, em duas semanas, a velha rotina do blog.

 

Para desassossego de Má...Bel.

Escrito por Josias de Souza às 02h34

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Prado abre janela para modernidade de Cy Twombly

Prado abre janela para modernidade de Cy Twombly

Cy Twombly
 

 

Templo de Goyas, Velázquez e El Grecos, o Museu do Prado, uma das grandes casas de arte do mundo, decidiu abrir uma janela para a modernidade.

 

Pendurou numa de suas salas, doze grandes telas do artista norte-americano Cy Twombly. Ali permanecerão por três meses, até 28 de setembro.

 

Os quadros contêm a visão do autor sobre a célebre batalha de Lepanto. Foi o maior combate do século 16. Deu-se em 1571. As galés da uma “Liga Cristã” prevaleceram sobre o exército Otomano, em Lepanto, na Grécia.

 

É programa recomendável para quem vai a Madri. Para os que não vão, há um consolo. O Prado levou à rede um vídeo com as peças de Twombly. Está disponível aqui.

 

PS.: Há mais de Twombly na Tate Modern, de Londres.

Escrito por Josias de Souza às 20h11

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Chinaglia defende, em plenário, a ‘queda do Dunga’

Chinaglia defende, em plenário, a ‘queda do Dunga’

  Lula Marques/Folha
A Câmara tenta concluir, nesta quarta-feira (18), o processo de votação do projeto que tonifica o orçamento da Saúde e traz num de seus artigos a CSS.

 

Iniciada pela manhã, a sessão teve de ser suspensa para que o Congresso recepcionasse o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito.

 

Depois de comandar uma sessão solene, com a presença do príncipe, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PR-SP), reabriu os trabalhos ordinários.

 

Os desputados revezam-se na tribuna. Falam contra e a favor da ressurreição da CPMF. Discurso vai, pronunciamento vem Chinaglia saiu-se com essa:

 

“Vamos apressar o passo. Senão não vamos contribuir para a queda do Dunga.” Referia-se ao jogo marcado para a noite desta quarta: Brasil X Argentina, pelas eliminatórias da Copa. Uma partida que ameaça a votação.

 

“Que é isso, presidente, nós vamos ganhar da Argentina!”, redargüiu um deputado.

 

O corintiano Chinaglia não se deu por achado: “E quem disse que ganhar da Argentina é suficiente? Que temor reverencial é esse?”

 

Outro deputado bradou: “Não faça isso, presidente. O Dunga é competente. Ele é da minha terra.”

 

E Chinaglia, em timbre de lamento: “Fiz um teste. Mas parece que o treinador está com prestígio aqui na Casa. Acho que ele não vai cair não.”

 

Travado assim, numa atmosfera aparentemente imprópria, o debate parece extemporâneo. Há, porém, certa coerência. O futebol e a política são igualzinhos: não têm lógica.

Escrito por Josias de Souza às 18h19

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Uma cabeça grande, para acomodar as ‘idéias fixas’

Uma cabeça grande, para acomodar as ‘idéias fixas’

Animação de Ueslei Marcelino sobre fotos de Ricardo Marques
 

 

O cotidiano de um presidente da República é uma sucessão de poses. Se bobear, faz pose até diante do espelho, ao escovar os dentes.

 

Um presidente é a faixa, o paletó, a gravata e a pose. Sempre foi assim. Mas, sob Lula, às vezes, exagera-se na pose. 

 

Em abril, bateu bola com o cestinha Oscar em pleno Itamaraty. Pose. Em maio, experimentou 17 bonés de pilotos de Stock Car, no Planalto. Poses.

 

Nesta sexta (13), Lula abriu o gabinete para Emerson Fittipaldi. O bi-campeão de Fórmula 1, de volta às pistas, agora na categoria GT3, corre no autódromo de Brasília.

 

A certa altura, Lula pôs-se, de novo, a recobrir as idéias fixas que esconde sob os cabelos com bonés de competição.

 

Experimentou um, dois, três. Súbito, levou à cuca o capacete do piloto Pedro Henrique, que acompanhava Fittipaldi. Aperta daqui, espreme dali, não entrou.

 

Com a rapidez que lhe é própria, Fittipaldi estendeu o seu capacete ao anfitrião. Dessa vez entrou. E a pose ergueu um dos bonés como se levantasse um troféu. Ufa, consegui!

Escrito por Josias de Souza às 00h34

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Balas perdidas ou achadas?

Balas perdidas ou achadas?

 

PS.: Via blog do Guto Cassiano.

Escrito por Josias de Souza às 05h50

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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