Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Secos & Molhados

Lula entrega uma comenda ao verdadeiro ‘Mão Santa’

Lula entrega uma comenda ao verdadeiro ‘Mão Santa’

Animação sobre fotos de Alan Marques
 

 

O senador Mão Santa (PMDB-PI) é o mais barulhento adversário de Lula. Não há dia que não discurse. Da tribuna, os ataques ao presidente saem-lhe em catadupas.

 

Assim, não é difícil imaginar o prazer que sentiu Lula ao condecorar, nesta terça-feira (29) um outro Mão Santa. O verdadeiro, o autêntico, o Mão Santa escocês, diria Nelson Rodrigues.

 

A santidade das mãos do senador, médico obstetra, é algo de que todo brasileiro não-piauiense desconfia. A divindade das mãos de Oscar Schmidt é coisa de que ninguém duvida. Foi provada dentro de quadra, aos olhos de multidões.

 

Só nas 326 partidas em que vestiu a camiseta da seleção brasileira de basquete, Oscar encestou 7.693 pontos. Um espanto! Daí o apelido. Daí também o mérito que o levou a receber, das mãos do presidente da República, uma comenda do Itamaraty.

 

Com a Ordem de Rio Branco (grau de Oficial) já espetada no paletó, o Mão Santa amistoso retribuiu o reconhecimento com um presente. Deu a Lula uma bola. Bola de basquete.

 

Embora esteja mais afeito à bola de futebol, esporte de sua predileção, Lula tratou a bolona com intimidade inaudita. Natural. Anda inflado o presidente. Traz enterrada na alma uma bola muito mais cheia do que a que recebeu de Oscar.

 

Em condições normais, Lula, um pernambucano atarracado, jamais ousaria desafiar, nem de brincadeira, o gigante brasileiro do basquete. Mas o Lula dos últimos dias, colosso das pesquisas, não é um presidente de havaianas. Não, não. Absolutamente.

 

Até o último final de semana, o presidente desfilava um modesto salto anabella. Depois da pesquisa Sensus, divulgada na véspera do encontro com Oscar, levou aos pés o salto agulha -um perigo.

 

O trançar de braços com Oscar há de ter-lhe adicionado alguns centímetros na popularidade. O bastante para levá-lo a tramar, para 2010, o aniquilamento eleitoral do Mão Santa "inautêntico" do Senado y otras cositas más.

Escrito por Josias de Souza às 04h37

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Brasília faz 48 anos e ingressa na ‘Idade Média’

Brasília faz 48 anos e ingressa na ‘Idade Média’

 

JK

Céu

Ermo

Sonho

Cerrado

Alvoroço

Niemeyer

Dá, não dá

Lúcio Costa

Modernidade

Mexe, remexe

Risca e rabisca

Ah! Plano Piloto

Ou vai ou racha!

Lobbies, trejeitos

Jeitinhos, arranjos

‘Quanto levo nisso?’

Início do novo Brasil

O público privatizado

Desbravamento moral

Canteiro de obras: lama

Máquinas e tratores: lama

Movimentos pesados: lama

Uma cleptocracia emergente

País de inocentes e cúmplices

De repente, o cerrado vira mar

Mar de gente; humilde e ingente

Gente pungente; daqui, dali, d’acolá

Cimento, tijolo, ferro, aço e vidro

Suor, lágrima, ‘concreto amado’

Grita, sussurra, bate e levanta

Horizonte largo, tempo curto

Correria, pressão, algaravia

Avenidas, prédios, euforia

Monumentos curvilíneos

Teatro, eixos, Catedral

Supremo e Congresso

O Palácio do Planalto

Praça dos ‘poderes’

Lá se vão 48 anos

A cidade é duas

A modernidade

A Idade Média

Absenteísmo

Clientelismo

Espertezas

Culpados?

Ora, nós!

O voto

Vesgo

Torto

Cego

Oco

Escrito por Josias de Souza às 03h21

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Algo bem mais divertido do que Alckmin X Kassab

Algo bem mais divertido do que Alckmin X Kassab

 

Mal comparando, dá-se na campanha presidencial dos EUA o mesmo que acontece na refrega eleitoral do município de São Paulo. Lá, os democratas dividem-se entre Obama e Hillary, enquanto o republicano McCain cresce. Aqui, a petista Marta cavalga transforma em trampolim a refrega entre dois supostos aliados: o tucano Alckmin e o 'demo' Kassab. A diferença é que o arranca-rabo norte-americano, além de valer a Casa Branca, é bem divertido.

 

PS.: Vídeo (em língua inglesa, infelizmente) via blog TV Política.

Escrito por Josias de Souza às 07h31

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Gisele, Beauvoir, o nu, o leilão e o inimigo macho

Gisele, Beauvoir, o nu, o leilão e o inimigo macho

  Irving Penn/Efe
No tomo II de “O Segundo Sexo”, Simone de Beauvoir anotou o seguinte: “Foi pelo trabalho que a mulher transpôs, em grande parte, a distância que a separava do macho; é só o trabalho que pode garantir-lhe uma liberdade concreta.” Certo, muito certo, certíssimo.

 

Veja-se o caso de Gisele Bündchen. Trabalhando, permitiu-se posar nua, em 1999, para as lentes de Irving Penn (foto ao lado). Submetido a semelhante imagem, não há macho que não seja tomado pelo fundo desejo de transpor distâncias.

 

A foto de Gisele foi ao martelo na casa de leilões Christie’s, de Nova York. Arremataram-na pela bagatela de US$ 67 mil. Algo como R$ 113 mil. Não se sabe quem comprou. Decerto algum macho ávido por aproximação, ainda que em sonho.

 

Já vai longe o tempo de madame Beauvoir. Hoje, os únicos “machos” inimigos de mulheres como Gisele, são os grandes costureiros. Com seus panos caros, extinguem traços notáveis de feminilidade. E conspiram contra o encurtamento das distâncias.

Escrito por Josias de Souza às 01h42

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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