EUA agora 'bisbilhotam' até laptops de viajantes

A paranóia que o “efeito Bin Laden” inoculou no sistema de segurança dos EUA parece não ter fim. Os agentes norte-americanos que trabalham nas alfândegas agora inspecionam até equipamentos eletrônicos dos viajantes. A coisa descambou para a intrusão.
Chega-se mesmo a exigir dos passageiros que abram os seus laptops e forneçam as respectivas senhas, para que os agentes perscrutem os dados arquivados na máquina. A inspeção alcança também câmeras fotográficas e celulares. Os mais azarados têm os equipamentos apreendidos.
Acossada por protestos, o serviço alfandegário dos EUA alega que revista eletrônica não tem caráter racial. Os equipamentos são virados do avesso para que se verifique se guardam dados ligados ao terrorismo, ao narcotráfico, à pornografia infantil e outros crimes.
Embora cada vez menos potente, os EUA continuam sendo uma potência. Uma potência que gosta de recorrer à guerra para exibir o seu poder. Dos onze últimos presidentes norte-americanos, excetuando-se Jimmy Carter, todos espetaram a guerra na biografia. Algumas justificáveis e até festejadas. Outras nem tanto.
A Franklin Roosevelt e Harry Truman coube a Segunda Guerra Mundial. Truman ainda legou a guerra da Coréia ao sucessor Dwight Eisenhower. John Kennedy malogrou no malsucedido desembarque na Baía dos Porcos, em Cuba. Lyndon Johnson e Richard Nixon engancharam-se no vexame do Vietnã. Gerald Ford amargou o Vietnã no seu ocaso.
Fechado o parêntese da exceção Jimmy Carter, sobreveio Ronald Reagan. Prevaleceu contra numa luta desigual contra um adversário fraco: a ilhota caribenha de Granada. , George Bush, o pai, depois de apear Noriega do poder no Panamá, foi à guerra no Golfo, para forçar o Iraque a retirar-se do Kuwait. Sob Bill Clinton, a máquina de guerra dos EUA compôs as tropas internacionais que guerrearam no Kosovo.
George Bush, o filho, foi apresentado ao outro lado da guerra. O 11 de Setembro manchou de sangue o quintal dos EUA. Bush foi às armas no Afeganistão. Mas o escalpo de Bin Laden continua firme sobre o pescoço.
Para não perder viagem, Júnior foi ao Iraque para completar um serviço que o pai deixara pela metade. Mandou Saddam Hussein à cova. E acomodou no próprio colo um Iraque caro e insolúvel.
O império já teve inimigos respeitáveis. O nazismo e Hitler. A Guerra Fria, Stálin e Kruschev. Os bravos vitcongs e Ho Chi Minh. Desde Reagan, os adversários de verdade vêm escasseando. A intervenção no Iraque teve de escorar-se em inexistentes estoques de armas químicas.
No acaso da gestão Bush, sobraram as ameaças reais –a ruína econômica e a recessão, a invasão dos produtos chineses... –e um par de rivais fanfarrões –Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad. De resto, ao esticar as fronteiras de seus interesses estratégicos para localidades tão distantes quanto o Oriente Médio, os EUA colecionaram inimigos anônimos.
O mais nefasto deles é o terror. Trava-se agora uma guerra do MacWorld contra o Jirad. O neo-inimigo dos EUA, invisível e matreiro, refugia-se nos esconderijos mais improváveis. O império caça-o nas cavesnar do Afeganistão e, veja você, até nas estranhas do laptop de um viajante inocente dos aeroportos de Nova York e Miami. A que ponto chegou o império!
