Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Secos & Molhados

‘A Última Ceia’, de da Vinci, ganha versão digital

‘A Última Ceia’, de da Vinci, ganha versão digital

A Última Ceia/Leonardo da Vinci
 

 

Você é uma pessoa de sorte. Graças aos modernos recursos da informática, já não é preciso viajar até Milão para examinar de perto o afresco mais celebrado de Leonardo da Vinci (1452-1519). “A Última Ceia” chegou à Internet em versão digital. Uma versão de altíssima precisão, resultado da junção de 1.677 imagens (16.945.790.099 pixels), captadas em cerca de nove horas de sessões fotográficas, com os melhores equipamentos que a alta tecnologia é capaz de prover.

 

Para chegar ao quindim tecnológico, pressione aqui. Repare nas ferramentas que lhe são oferecidas no pé da página. Pressionando-as, você pode grudar os olhos em cada centímetro do mural de da Vinci, numa proximidade só facultada aos restauradores. Nada mal. Sobretudo se considerarmos que a grandiosidade da obra não é medida apenas pelo valor artístico, mas também por suas dimensões físicas: mede 4,6 metros de altura por 8,8 metros de largura.  

 

A cada ano, perto de 350 mil turistas fazem fila defronte da porta do refeitório do antigo convento Santa Maria delle Grazie, no centro de Milão, para admirar, por exíguos 15 minutos, “A Santa Ceia”. São cerca de mil pessoas por dia. Ingressam no recinto em grupos de 25. Conectado ao computador, em casa ou no escritório, você desfrutará de um tempo ilimitado de “visitação”.

 

Filho ilegítimo de um tabelião do vilarejo de Vinci, próximo de Florença, Leonardo da Vinci não teve educação formal. Num de seus famosos cadernos de anotações que conseguiram sobreviver ao tempo, ele anotou, com uma ponta de inquietude: "Dirão que eu, não tendo formação literária, não posso expressar em palavras, de forma adequada, o que desejo tratar. Mas não sabem que meus temas devem ser tratados mais pela experiência do que pelas palavras."

 

O gênio de Leonardo da Vinci, de fato, se revelaria em cada uma das áreas em que atuou. Destacou-se como engenheiro, escritor, cientista, músico, arquiteto, escultor e pintor. "Ele foi como um homem que acordou cedo demais na escuridão, enquanto os outros continuavam a dormir", diria, mais tarde, Sigmund Freud, o pai da psicanálise. No campo das artes, da Vinci competiu com dois contemporâneos de Renascimento mais jovens e bem mais produtivos: Rafael e Michelangelo. Derrotado na quantidade, imortalizou-se pela qualidade.

 

Na ponta do lápis, há menos de 15 pinturas cuja autoria é atribuída, de maneira incontroversa, a Leonardo Da Vinci. Numa delas, a “Mona Lisa”, logrou converter uma dona-de-casa florentina relativamente feia numa peça que atravessa o tempo como o rosto mais conhecido do planeta. Cercada de claros e escuros, circundada de um sfumato precioso, a velha senhora é, hoje, a face mais requisitada do Museu do Louvre.

 

A despeito da genialidade, Leonardo da Vinci, por humano, não estava imune aos equívocos. Em “A Última Ceia”, pintada entre os anos de 1494 e 1498, fez experimentos que se revelariam desastrosos. Usou uma mistura de tintas inadequadas ao afresco.

 

Submetido à poluição ambiental, o mural encontra-se agora em estado precário de conservação. O que leva os responsáveis por sua conservação a considerar a hipótese de interromper a visitação pública por algumas temporadas. Nesse cenário, a versão digital levada agora à internet transforma-se num valioso lenitivo para os amantes da arte.

Escrito por Josias de Souza às 17h33

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Lula ‘festeja’ 62 com amigos e aliados no Alvorada

Lula ‘festeja’ 62 com amigos e aliados no Alvorada

Sérgio Lima/Folha
 

 

Lula faz aniversário neste sábado (27). Mas recepcionou os convidados já na noite da véspera. A julgar pelo que disse mais cedo, o presidente não sabe se comemora mais um ano de vida ou se lamenta menos um.

 

"Por um lado, é bom a gente fazer 62 anos de idade, porque a gente vai acumulando experiência. Por outro lado, eu gostaria de estar fazendo 30, mas eu já fiz e não tinha a consciência política que tenho hoje. Possivelmente, eu não tenha aproveitado os 30 como hoje eu penso que aproveitaria."

 

Lula parece viver aquela fase em que o sujeito, depois de descobrir que as horas passam, cuida de aproveitar os minutos. Se tiver juízo, aproveita a experiência que diz ter acumulado para afastar a macumba da re-reeleição. Na contagem regressiva de 2014, terá 69. Ou seja, ainda pode acomodar o ferro em cima da faixa e esperar que o tempo passe.

Escrito por Josias de Souza às 02h04

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Alemanha usa a beleza para ‘rejuvenescer’ o campo

Alemanha usa a beleza para ‘rejuvenescer’ o campo

 

Uma associação de jovens fazendeiros da Baviera valeu-se de um recurso estético para tentar atrair jovens para o trabalho no campo. Convenceu doze belas “fazendeiras” a posar para fotos sensuais, expostas num calendário.

 

"Muitos donos de fazendas têm entre 55 e 65 anos de idade, e não há jovens suficientes para substituí-los", justificou-se o presidente da associação, Gerd Sonnleitner. Vários fazendeiros já não encontram parceiras para constituir famílias nas áreas rurais.

 

A tática não é nova. É a segunda vez que calendário do gênero é publicado na Alemanha. Coisa semelhante já vem sendo feita na Áustria desde 2001.

Escrito por Josias de Souza às 15h49

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Anselm Kiefer planta girassóis na parede do Louvre

Anselm Kiefer planta girassóis na parede do Louvre

  Anselm Kiefer
O artista plástico alemão Anselm Kiefer logrou um feito notável. Acomodou sua arte nas paredes de um dos maiores museus do mundo, o Louvre, de Paris. Ele criou uma instalação que passará a ornar as escadarias que dão acesso à seção dedicada às antiguidades egípcias. A obra será inaugurada na próxima quinta-feira (25).

O novo trabalho de Kiefer, baseado nas constelações e nos ritos funerários, torna-se, assim, parte da decoração permanente do Louvre. Não é para qualquer um. O último a merecer tal honraria fora George Braque, convidado, em 1953, a pintar o teto da antecâmara de Henri II, outro recanto do museu parisiense.

 

Parte da instalação de Kiefer, por grandiosa, exigiu aparato especial de montagem. Plantado num super-nicho aberto na parede, um conjunto de doze girassóis, feitos em alumínio, teve de ser cuidadosamente içado com a ajuda de andaime e guindaste. A instalação é completada por uma grande tela e por duas esculturas.

 

A chegada de Kiefer ao Louvre é resultado de uma estratégia adotada em 2003 pelo atual presidente do museu, Henri Loyrette. Ele decidiu incorporar o trabalho de artistas contemporâneos à decoração do prédio.

 

Depois de Kiefer, serão admitidos no Louvre mais três artistas até 2010. O próximo trabalho foi encomendado a Cy Twombly, dos EUA. A seguir, virá François Morellet, da França. O terceiro deveria ser o italiano Luciano Fabro. Mas ele morreu quatro meses atrás. E o Louvre ainda está à procura de um substituto.

Escrito por Josias de Souza às 18h27

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Assessora de Renan adere às cores da interinidade

Assessora de Renan adere às cores da interinidade

Lula Marques/Folha
 

 

A moda, a exemplo da biografia de certos políticos, vão e vêm. Estão em constante mutação. Só a esperteza é permanente. Veja-se o caso de Cláudia Lyra, secretária-geral da Mesa do Senado. Até ontem, era acusada de usurpar as suas funções para socorrer a biografia de Renan Calheiros. Hoje, compareceu ao Senado envergando um modelito com as cores do PT, o partido do interino Tião Viana. A roupa, obviamente, não leva a lugar nenhum. É o comportamento de quem a veste que leva.

Escrito por Josias de Souza às 16h40

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Depois de atingir o cume da Glória, Autran subiu

Depois de atingir o cume da Glória, Autran subiu

 

Em todas as sociedades, como se sabe, há um pouco de tudo. Deseja-se um santo? Há um santo. Procura-se um corrupto? Há uma penca de corruptos. Busca-se um gênio? Bem, o gênio, por um desses azares do destino, não é tão encontradiço. E o Brasil perdeu, nesta sexta-feira (12), aos 85 anos, Paulo Autran –um operário do teatro que, por genial, colecionou uma legião de desconhecidos íntimos. Vai acima, em homenagem à excelência, a voz de Autran recitando Carlos Drummond de Andrade, outro gênio que, como ele, depois de atingir o cume da glória, subiu.

Escrito por Josias de Souza às 17h17

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Vândalos danificam tela de Monet em museu francês

Vândalos danificam tela de Monet em museu francês

Le Pont D'Argenteuil/Claude Monet
 

 

O homem, como se sabe, é o resultado da evolução da espécie. E a evolução andou cometendo muitos equívocos até chegar ao nascimento da Camila Pitanga, exemplo bem acabado de homem –em sentido genérico, claro.

 

Por exemplo: facultou-se a todos a oportunidade de andar sobre dois pés. Mas sonegou-se a alguns o discernimento para saber o que fazer com as mãos. Claude Monet usou as suas para pintar, entre outras maravilhas, Le Pont D'Argenteuil (imagem acima). Neste domingo, um grupo de vândalos usou os seus segmentos terminais dos membros superiores para socar a tela de Monet, abrindo um rombo de 10 cm.

 

Deu-se no Museu D'Orsay, em Paris. Embora filmados, nenhum dos quatro ou cinco idiotas foi preso até o momento. De 1874, ano em que Monet concluiu o quadro, a 2007, passaram-se 133 anos. Tempo bastante para notar que certos bípedes, como que decididos a desmentir Darwin, ainda não venceram a fase do macaco.

Escrito por Josias de Souza às 22h52

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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