Divulgação A anormalidade louca de nossa vida normal está desvirtuando a lógica da televisão. A sem-vergonhice política, que abunda, já não cabe só no Jornal Nacional. Transborda para outros horários. Conspurca até, veja você, o universo idealizado das novelas.
Antes, a corrupção servia para dar boa consciência aos congressistas, que fingem combatê-la. A corrupção era útil para preencher o vácuo da reunião de pauta dos jornais. A corrupção era ótima como tema de teses acadêmicas. Agora, a corrupção também serve de matéria-prima para o Gilberto Braga.
A sociedade civil, como se sabe, já não sai às ruas. Prefere ir ao shopping. À noite, exausta da própria ociosidade, repousa na poltrona da sala, à espera das delícias de um Paraíso Tropical. Súbito, a fome de mentira é confrontada com uma porção de verdade. O novelista seleciona Bebel –e a bunda—, para injetar um naco de realidade na ficção.
Bebel, por trambiqueira, poderia ter amargado um final acerbo –o calçadão eterno, a cana dura, até a morte. Mas o telespectador simpatizou-se com a gostosura pitangueira da safada. E o autor do dramalhão das oito viu-se como que compelido a dar a ela aquilo que, nos dias que correm, mais se aproxima do conceito de “se dar bem”: um amante senador.
“Conhecer o senador foi um adianto”, diz Bebel, a certa altura. “Tá me dando situação.” Gilberto Braga cavou para a meretriz uma vaga num assento de CPI. Uma premonitória CPI do biodiesel. Pôs diante dela um Denis Carvalho travestido de senador-torquemada. Inquiriu-a de forma dura.
Jogou na cara da depoente a mesada e o aluguel bancados pelo usineiro amigo do senador corrupto. Perguntou sobre a empresa de fachada que, registrada em nome da puta, servia para a lavagem das propinas. Nada mais surrealista. Nada mais real.
Na pele de celebridade instantânea, Bebel festeja o convite para posar nua na revista. “Excelências, vai ser nu artístico”, ela avisa. “Até porque meu sonho mesmo é ser apresentadora de TV”. Com a sua vocação para o erro permanente, com o seu destino pastelão, o Senado brasileiro virou, veja você, uma fantástica cena de novela (assista). A novidade chega bem no instante em que Lula diz que não faz barganha. Só faz "acordos programáticos". Aos pouquinhos, o Brasil vai virando um imenso programa.
A edição deste ano do VMB (Vídeo Music Brasil), promovido pela MTV, terá um concorrente inusitado: Eduardo Suplicy (PT-SP). O senador concorre na categoria Web Hit. Foi à lista de competidores graças a imagens gravadas numa sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Levadas à internet, as cenas converteram-se num sucesso retumbante.
Deu-se numa sessão em que se discutia o projeto de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Contrário à proposta, Suplicy encontrou um modo inusual de defender o seu ponto de vista. Recitou a letra de “Homem na Estrada”, uma canção do Racionais MCs (assista lá no alto, em versão remix).
A escolha dos vencedores da edição 2007 do VMB está marcada para a próxima quinta-feira (27). Em entrevista ao sítio MTV.com, Suplicy explicou o gesto que lhe rendeu a indicação ao prêmio, comentou os risos que sua performance arrancou dos colegas de Senado e, como bom político, pediu votos.
Além de concorrer ao Web Hit, o senador participará da cerimônia do VMB como convidado. Ao lado do filho Supla, o Suplicy vai apresentar um show da dupla Sandy e Júnior. Não se espante a platéia se, de novo, o senador roubar a cena com mais uma de suas incursões no mundo da música. Ele cogita entoar "Blowin' in the Wind", de Bob Dylan.
Boa educação é essencial aos comentaristas de blog
A professora Doralice Araújo ensina: “Muitos temem expressar opinião sobre a postagem no blog. Seja natural e simples, mas educado. Posso dizer que não gostei de algo, sem agredir. É uma questão de equilíbrio na disposição das idéias”.
Doralice acrescenta: “Não gostar significa não apreciar. Declare que não gostou, mas explique o motivo. Essas duas idéias se justapõem. Lembre-se: as considerações centradas nos aspectos positivos são sempre bem mais fáceis de expressar, enquanto as críticas exigirão argumentos equilibrados, porém nunca agressivos.”
O signatário do blog tomou conhecimento do texto da professora ao visitar o NovoemFolha, conduzido pela repórter Ana Estela de Sousa Pinto, jovem fina e educada. Aproveita para sugerir aos seus 22 leitores que não deixem de correr os olhos pelos valiosos ensinamentos de Doralice.
Retirado do ar há mais de três semanas por ordem do manda-chuva do SBT, Silvio Santos, Ratinho teve, nesta quinta-feira (20) mais uma má notícia. O STJ manteve a decisão judicial que proibira o apresentador de exibir cenas de confronto físico e altercações verbais em seu programa. Proibiu-se também que sejam levadas ao ar imagens em que deficientes físicos são transformados em atração, com “propósito sensacionalista”.
A pedido do Ministério Público de São Paulo, Ratinho já amargara condenações na primeira e na segunda instância do Judiciário. Numa tentativa de reverter as decisões, o apresentador protocolara no STJ um “recurso especial.” Entre outras coisas, alegara que a sentença representava uma “forma oblíqua de censura”.
No instante em que discute com a direção do SBT, a contragosto, a hipótese de tornar-se apresentador de um programa jornalístico popular, Ratinho amarga sua terceira derrota. O ministro Antônio de Pádua Ribeiro indeferiu o recurso da estrela cadente do SBT.
Para o ministro, não houve censura. Entendeu que a Justiça apenas rendeu homenagens ao “princípio da dignidade da pessoa humana.” A seu juízo, não há “vício”, “contradição” ou “omissão” que justifique qualquer tipo de revisão na sentença que condenou Ratinho.
Um brasileiro morreu e foi para o Céu. Foi ter com São Pedro. Viu, atrás dele, uma enorme parede com relógios. Curioso, perguntou:
- O que são todos aqueles relógios?
E São Pedro:
- São relógios da mentira. Todo mundo na Terra tem um. Cada vez que você mente os ponteiros se movem com mais rapidez.
- E de quem é aquele relógio ali? - É o de Madre Teresa. Os ponteiros nunca se moveram,indicando que ela nunca mentiu. - E aquele outro, é de quem? - É o de Abraham Lincoln. Os ponteiros só se moveram duas vezes. Ou seja, ele só mentiu duas vezes em toda a sua vida.
- Só por curiosidade, o senhor tem o relógio do Renan Calheiros?
- Tenho, sim, só que está no meu quarto.
- Ué, por que no quarto?
Aos risos, São Pedro explicou: - É que tem andado abafado por aqui e estou usando o relógio do Renan como ventilador de teto!
Colaboração do Dariano Moraes, da Rádio Minuano FM (Alegrete), via blog Gaúcha Hoje.
O Estado mais rico do país convive com um faroeste. O sangue corre nas periferias de São Paulo como água de bica. Não há mês em que a violência não produza uma chacina. Só em 2007, foram 21. Noves fora os crimes que não chegam ao conhecimento da polícia, foram à cova 85 cadáveres –41 na capital, 32 na grande São Paulo e 12 no interior do Estado.
Um detalhe distingue os defuntos: são todos muito pobres, meio encardidos e completamente rotos. São, por assim dizer, corpos invisíveis. Não freqüentam o horário nobre. Não moram na casa ao lado. São filhos do nada.
A eternização da miséria provoca no brasileiro bem-posto um fenômeno curioso: a cegueira seletiva. Os com-geladeira têm olhos para a elegância, mas não enxergam a inanição à sua volta. Vêem os defuntos da TAM, mas dão de ombros para os corpos que tombam nos matagais ermos e distantes.
Não se diga, por injusto, que o naco desenvolvido das grandes cidades brasileiras estão inertes diante da rotina de violência. Um setor registra sólida reação: a indústria de grades, de porteiros eletrônicos e de alarmes.
Deve-se ao padre Antônio Vieira (1608-1697) um raciocínio que, embora velho de três séculos, continua atual, atualíssimo no Brasil de hoje: ''Não é miserável a República onde há delitos, senão onde falta o castigo deles.''
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