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Secos & Molhados
Na China, ‘policiais virtuais’ monitoram internet
Blog do Orlandeli
O governo chinês bolou um plano macabro de monitoramento da rede. Para que os internautas não esqueçam de que o regime os espreita, escritórios do Centro de Vigilância da Internet, um departamento governamental, farão surgir na tela dos “navegadores”, de meia em meia hora, um par de “policiais virtuais”.
A missão dos “policiais” –um “homem” e uma “mulher”— será a de lembrar aos usuários que, na China, há regras de “segurança na Internet”. Os agentes virtuais irromperão no cristal líquido a pé, de moto ou de carro. Começarão a dar as caras já no próximo sábado (1).
Pos trás dos policias animados eletronicamente, há dezenas de milhares de meganhas de carne e osso. A internet experimenta um boom na China. Estima-se que haja no algo como 120 milhões de navegadores. E o governo não lhes dá refresco.
São comuns, por exemplo, as prisões de ativistas políticos. Metem-lhe as algemas sob a acusação de derramar na rede mensagens conta o governo. "É nosso dever tirar a informação que causa dano público e prejudica a ordem social", justifica-se o vice-chefe de vigilância da internet do Escritório Municipal de Segurança Pública de Pequim.
Já imaginaram se a moda pega? No Brasil, o primeiro portal a ser retirado do ar seria o do STF. Há ali uma quantidade hedionda de mensagens ofensivas ao governo e a dignatários do partido do presidente da República. A peça mais vistosa da campanha de destabilização é o voto do subversivo ministro Joaquim Barbosa.
Escrito por Josias de Souza às 15h45
Ares malcheirosos atraem urubu para o Congresso
Fotos:Lula Marques/Folha
A Praça dos Três Poderes reúne os prédios mais importantes esboçados na prancheta de Oscar Niemeyer: O Palácio do Planalto, o STF e o Congresso. Há também na praça o Museu da Cidade, o Panteão da Pátria e três esculturas –“A Justiça”, de Alfredo Cischiatti; “Os Candangos”, de Bruno Giorgi; e o “Pombal”, do próprio Niemeyer.
Atribui-se à ex-primeira-dama Sara Kubitschek a encomenda das aves que deram ao Pombal de Niemeyer a utilização imaginada pelo arquiteto. Multiplicaram-se a mais não poder –viraram praga.
Pois bem, nos últimos dias, os pombos de dona Sara ganharam inusitadas companhias. Rondam o coração de Brasília aves de aparência catartidiforme, cabeças peladas, penas pretas. Tudo leva a crer que são urubus. Sim, exatamente. Urubus (repare no canto superior direito da foto, lá no alto, e no detalhe, ao lado).
De tocaia há vários dias, o repórter Lula Marques flagrou os visitantes, na sexta-feira (10), no exato momento em que sobrevoavam os dois espigões do Congresso nacional –aqueles prédios espetados entre a cuia da Câmara, virada para o alto, e a cuia do Senado, emborcada.
Urubus, como se sabe, não costumam dar ponto sem nó. Farejam carniça a quilômetros. Sua presença é mais um indicativo da atmosfera insuportavelmente malcheirosa que se respira no Congresso. Há ali pelo menos um mandato em avançado estágio de decomposição. Ou a Casa dá um jeito no problema ou logo, logo vai ter congressista que, para disfarçar, começará a chamar urubu de "meu louro".
Escrito por Josias de Souza às 01h58
Uganda lança versão africana do ‘Bolsa Família’
AFP
Lula está fazendo escola: o governo de Uganda anunciou um plano que prevê o repasse de US$ 10 (cerca de R$ 19) mensais aos cidadãos que vivem em situação de pobreza crônica. Dispõe-se a pagar uma mesada adicional de R$ 6 (R$ 11,50) às famílias que cuidem de órfãos e crianças com necessidades especiais.
Trata-se de um esforço para erradicar a pobreza, que infelicita 39% da população do país. O governo ainda não tem clareza quanto aos critérios que vão nortear a escolha dos beneficiários. Aguarda pela conclusão dos estudos.
Inquirido sobre o tema, o ministro Sulaiman Madada, uma espécie de Patrus Ananias de Uganda, disse que o governo cruza estatísticas oficiais com informações advindas de fontes da própria comunidade. Segundo disse, pretende-se levar em conta, por exemplo, as famílias que não têm proteção mínima. Mencionou famílias comandadas por crianças e idosos.
Estima-se que haja em Uganda algo como 1,6 milhão de de pessoas com mais de 60 anos e 2,6 milhões de órfãos. A maioria encontra-se submetida à pobreza –sobrevive com menos de US$ 2 por dia, segundo o critério do Banco Mundial— ou abaixo da linha da pobreza –menos de US$ 1 por dia.
Lá, como cá, a oposição critica a estratégia do governo. O líder do Partido Democrático, Ssebaana Kizito, insinua que o maior entrave ao êxito do progama será a corrupção. A única coisa da qual tem certeza é que o dinheiro sairá dos cofres do Tesouro. Quanto ao destino...
De resto, Kizibo afirma que a melhor maneira de arrancar os ugandenses da pobreza é assegurar-lhes emprego. Sugere também o treinamento de trabalhadores rurais. Algo que os prepare para a utilização de métodos modernos de manejo da terra. Esse senhor Kizibo deve ter seus contatos no Brasil. Seu discurso tem um sotaque tucano-demoníaco.
Escrito por Josias de Souza às 23h13
De aliado, Paquistão torna-se o novo alvo dos EUA
Guarde bem esse nome: Waziristão. Trata-se de uma localidade do Paquistão. Faz fronteira com o Afeganistão. Abriga algo como 800 mil paquistaneses da tribo dos pashtuns. Vivem em aldeias, sob a liderança de diferentes líderes tribais. Muitos são simpatizantes dos talibãs afegãos, que tem vêm, em sua maioria, da mesma tribo.
Pois bem, o Waziristão converteu-se na mais nova dor de cabeça da administração George Bush. Os serviços de inteligência dos EUA sustentam que, nas pegadas das invasões de tropas norte-americanas ao Afeganistão e ao Iraque, a localidade paquistanesa virou refúgio de fanáticos talibãs e de terroristas da Al Qaeda de Osa Bin Laden.
O fenômeno foi mencionado em relatório divulgado no último dia 17 de julho. O documento traz o selo do CNI (Conselho Nacional de Inteligência), que congrega 16 organismos de espionagem do governo dos EUA. Desde então Bush passou a considerar, veja você, a hipótese de autorizar uma operação militar no Paquistão. Um país cujo presidente, o general Pervez Musharraz, um ditador famoso pelo patrocínio a violações dos direitos humanos, é o melhor aliado da Casa Branca na região.
Presidentes norte-americanos que arrostam baixos índices de popularidade, caso de Bush, costumam enxergar na guerra uma ferramenta de marketing. A cruzada anti-terror oferece à Casa branca um pretexto permanente. Assim, não são negligenciáveis as chances de que a nova ameaça acabe virando algo real. O tema foi abordado com maestria pelo poeta argentino Juan Gelman.
O signatário do blog recomenda vivamente a leitura de Gelman. Seu texto foi traduzido pela revista eletrônica Via Política. Se preferir o original, em espanhol, pressione aqui.
Escrito por Josias de Souza às 18h12
‘Casa de Cabeça para Baixo’ faz sucesso na Polônia
Peters Andrews/Reuters
A obra está “assentada” na cidade de Szymbark, na Polônia. Foi idealizada por Daniel Czapiewski. Batizou-a de “Casa de Cabeça para Baixo”. Tornou-se um retumbante sucesso. Formam-se filas de interessados em conhecer o seu interior. Lá dentro, organizou-se uma exposição para realçar as diferenças entre a Polônia de hoje e a da fase comunista.
Em Brasília, hoje sob o domínio de um PT que oscilou do socialismo utópico para o liberalismo à FHC, uma edificação como a da foto seria, decerto, ignorada. Há na cidade um sem-número de prédios de ponta-cabeça: Anac, Infraero, Aeronáutica, Ministério da Defesa, Congresso Nacional, Palácio do Planalto... Nem por isso formam-se filas defronte. Na capital do Brasil, o inusitado já não causa espanto. Banalizou-se.
Escrito por Josias de Souza às 02h44
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