Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Secos & Molhados

As passarelas do mundo neste comecinho de 2007

As passarelas do mundo neste comecinho de 2007

Vahid Salemi/AP
 

 

Aos pouquinhos, o universo da moda vai tirando vantagem das facilidades proporcionadas pela internet. Os desfiles de alta costura de Paris, por exemplo, sempre foram coisa para privilegiados. Na última semana, Giorgio Armani, mago das agulhas, inovou. Transmitiu ao vivo, pelo msn, o seu concorrido desfile.

 

“A alta costura sempre esteve fechada para poucos e agora podemos democratizá-la por meio da internet”, diz Armani. Quem viu, viu. Quem não viu, não vê mais. O signatário do blog procurou na rede um vídeo com a reprise da exibição dos panos chiques de Armani. A busca foi inglória.

 

Como compensação aos 22 leitores deste recanto virtual, o repórter sugere o desperdício deste resto de noite de sábado numa visita à galeria de fotos organizada pelo sítio espanhol Telecinco. As imagens mostram um apanhado do passeia sobre as passarelas do mundo neste início de 2007.

 

Há trajes únicos, como este exibido acima, captado num desfile em Teerã. Além da capital iraniana, o passeio virtual percorre Barcelona, Milão, Tóquio, Hong Kong e Rio. Não deixe de dar uma olhada. Uma coisa o repórter garante: você verá semblantes bem mais vistosos do que as caras dos personagens que costumam aparecer por aqui. Não há ninguém parecido com Chinaglia, Aldo ou Fruit.

Escrito por Josias de Souza às 19h13

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Formiga vermelha sob risco de extinção na Europa

Formiga vermelha sob risco de extinção na Europa

S.Gschmeissner/Efe
 

 

O Reino Unido vive um drama. A formiga vermelha (na foto, em preto e branco) está ameaçada de extinção. Conhecido cientificamente como “formica rufibarbis”, o inseto costuma freqüentar o subsolo da Europa –de Portugal à Rússia. Alarmada com o risco de sumiço perpétuo, a Sociedade Zoológica de Londres amealhou 75 mil euros numa campanha para tentar salvar a formiga vermelha.

 

No Brasil, há um espécime parecido. Aproxima-se da “formica rufibarbis” pela coloração avermelhada. Sob Lula, a colônia vicejou. Passou a sacudir as antenas, freneticamente, nos subterrâneos do Congresso e da Esplanada dos Ministérios. Diferentemente da formiga britânica, a brasileira não padece o risco de extinção. Bem ao contrário. A colônia nacional está às voltas com um programa de aceleração do crescimento.

Escrito por Josias de Souza às 15h41

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Feliz aniversário, São Paulo!

Feliz aniversário, São Paulo!

Ayrton Vignola/Folha Imagem
 

 

Aos 453 anos, São Paulo não é mais cidade. Virou entidade. A anciã é precedida pela fama. São Paulo é desregrada. Dorme tão tarde e acorda tão cedo que convive com a ilusão de que não pára. São Paulo é soturna. Tem ojetiza a cores vivas. Veste cinza. São Paulo é imprudente. Adora roleta-russa. Às vezes estoura os próprios miolos. Elege o Maluf, o Clodovil... São Paulo é hesitante. Ama o feio e o caótico. É correspondida por ambos. E, enquanto não se decide, deita-se com os dois. São Paulo é medrosa. Prefere passear no shopping, uma cidade onde a cidade não entra. Uma cidade sem os problemas da cidade. E com seguranças na porta. São Paulo é contraditória. Mora na fartura. Mas seus janelões quatrocentões dão vista para a miséria. São Paulo é resignada. Não reage a coisa nenhuma. Quando atacada pelo PCC, corre pra casa. No fundo, no fundo receia gritar por socorro. Pode aparecer a polícia. São Paulo é o elogio do capitalismo à brasileira. Dentro do Mercedes, vidro levantado, metida em roupas chiques. São Paulo é a crítica do fracasso do capitalismo à brasileira. Debaixo do viaduto, mão estendida, farrapos a recobrir-lhe o corpo. São Paulo é inventiva. Encontrou um modo diferente de sair do buraco. Cavou uma cratera bem maior. São Paulo ama a si mesma. Ostenta uma felicidade melancolicamente negativa. Sorri quando não fica encalacrada na Rebouças ou na Faria Lima, quando não morre afogada no Anhangabaú, quando não dá de cara com o revólver no semáforo... São Paulo vive com a mala no bagageiro. São Paulo não resiste a um feriado. Mesmo no seu aniversário, São Paulo não hesita em pôr o pé na estrada. São Paulo foge de si mesma. São Paulo já não se agüenta.

Escrito por Josias de Souza às 12h40

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Sobre dinheiro, felicidade e consolos admiráveis

Sobre dinheiro, felicidade e consolos admiráveis

 

O dinheiro, como se sabe, não traz felicidade. Mas compra consolos admiráveis. É preciso reconhecer: melhor desfrutar da infelicidade no quentinho da lareira do que na rua da amargura.

Você decerto não é um milionário. Muito menos bilionário. Se fosse, não desperdiçaria o seu tempo neste recanto virtual. Já teria voado para Londres. Ali, nos arredores da capital britânica, encontra-se disponível a mais cara mansão à venda na Europa.

Coisa fina. Custa a bagatela de US$ 134 milhões. Foi erguida no século 19, no bosque de Windsor, a sudeste de Londres. Reformada há cerca de 20 anos por um desses príncipes árabes que nadam em petrodólares, o casebre ficou supimpa (leia aqui, em espanhol; e aqui, em inglês).

Entre outros mimos, a propriedade dispõe de seis piscinas, oito dormitórios, jacuzzis,mini-spas, heliporto, cinema privativo, quadra de tênis e até, veja você, um “quarto de pânico, blindado e preparado para proteger os (in)felizes proprietários de ataques terroristas.

Embora o negócio não seja para o seu bico, vale dar uma espiada num filmete que mostra, em detalhes, o que há sob o teto dessa morada de sonhos. As imagens foram captadas por uma emissora da internet. É voltada ao público multimilionário. Mas nada impede que você a visite, ainda que para lamentar a sua falta de pecúnia. Infelizmente a narração é feita em língua inglesa. Antes de chegar à mansão, há uma introdução de um minuto e 40 segundos. Delicie-se.

Escrito por Josias de Souza às 19h18

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Já que proibiram a Cicarelli, veja a Mosquitarelli

Já que proibiram a Cicarelli, veja a Mosquitarelli

O juiz Ênio Santarelli Zuliani, que deixara no escuro cerca de 5,5 milhões de internautas liberou nesta terça (8) o acesso ao YouTube. Mas manteve o veto à divulgação do vídeo em que Daniella Cicarelli troca desavergonhadas carícias com o namorado Renato Malzoni, numa praia da Espanha.

Sugere-se aos navegantes que, enquanto o livre acesso a Cicarelli não é restabelecido, deliciem-se com as estripulias da Mosquitarelli nas águas do Rio Guaíba, de Porto Alegre. A fita (veja acima) foi gravada pela Secretaria de Saúde do governo gaúcho. É tão caliente quanto sua similar. Mas contém uma vantagem: é bem mais instrutiva.

 

O surto de recato que levou a Justiça a tesourar a internet transformou o Brasil em motivo de chacota internacional. A repercussão no estrangeiro foi proporcional ao absurdo da sentença. Logo, logo juízes brasileiros apreenderão algo que os colegas dos EUA e da Grã Bretanha já sabem: a censura na internet é virtualmente impossível de ser feita.

Os navegantes brasileiros tampouco ficaram inertes diante da escuridão que tentaram lhe impor. Foi ao ar um sítio com sugestões de boicote a Cicarelli. Divulgou-se também um vídeo ensinando a burlar o bloqueio judicial.

A MTV, emissora que paga o contra-cheque da “estrela”, recebeu mais de 20 mil e-mails de protesto. Zico Goes, diretor de programação, tratou de esclarecer que nem a emissora nem sua funcionária têm responsabilidade pela encrenca: “Obviamente não temos nada a ver com a história, a Daniela também não tem. Quem processou o YouTube foi o Renato Malzoni Filho, não ela", disse Zico. Cicarelli, como se vê, tem algo em comum com Lula. Ela, veja você, não sabia.

Escrito por Josias de Souza às 16h35

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Cicarelli sonega à internet o que deu sob o Sol

Cicarelli sonega à internet o que deu sob o Sol

A era da informação instantânea deu notoriedade hedionda a um tipo nefasto de ser humano: o “desconhecido íntimo”, também conhecido como “celebridade”. Dedica-se a conspurcar a privacidade alheia. Impõe-se à vida de todos, como se tudo o que lhe ocorre fosse de interesse geral.

Tome-se o exemplo de Daniela Cicarelli. Fez de sua fluida existência um sólido espetáculo. Namorou Ronaldo espetacularmente, casou-se espetacularmente com o jogador, separou-se espetacularmente dele e retomou sua vida de solteira espetacular. Pôs-se a arrumar novos namorados.

 

Com o último deles, Renato Malzoni, meteu-se (ou foi metida) num episódio, de novo, espetacular. A dupla trocou carícias íntimas numa praia. O casal foi, por assim dizer, às vias de fato sob as águas cálidas do mar de Espanha. Gostosamente capturadas pelas lentes de um cinegrafista local, as cenas ganharam a internet.

 

Tomada de um recato tão súbito quanto atrasado, Cicarelli recorreu aos tribunais. Como se houvesse mantido relações sexuais no aconchego de seu quarto, pretextou o direito à privacidade. E requereu da Justiça que proibisse a exibição do vídeo revelador.

 

Há três dias, a Justiça ordenou a provedores brasileiros de internet que vedassem aos o acesso ao vídeo revelador. E os usuários do IG, do IBest e da BR Turbo, algo como 5,5 milhões de internautas, tiveram bloqueado o acesso ao YouTube, o mais popular sítio de imagens do mundo.

 

Pergunte-se: a privacidade de uma personagem que se permite transar sob a luz solar vale a escuridão de 5,5 milhões de internautas? O signatário do blog acha que não. O repórter avalia, de resto, que a providência da Justiça traz o olhinho puxadinho. Em matéria de crescimento econômico, continuamos levando um banho da China. Mas em termos de obscurantismo cibernético, já estamos matando a pau, como se diz.

 

Costuma-se execrar fotógrafos e cinegrafistas que se dedicam à caça de celebridades. E o que dizer das pessoas que invadem a privacidade das lentes? Como qualificar aqueles que não comparecem a nenhuma festa ou restaurante sem certificar-se de que fotógrafos e cinegrafistas estarão por perto? Como classificar os que dão a vida pela oportunidade de invadir os lares alheios como se fossem íntimos de todas as famílias?

 

Mencione-se, por oportuno, que a cópula praieira rendeu a Cicarelli, para além da superexposição, uma providencial valorização do passe. Quem pode garantir que a ação judicial não visa senão o prolongamento de uma polêmica, digamos, tão rentável?

Escrito por Josias de Souza às 01h44

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Assessor do papa rende homenagem a Oscar Wilde

Assessor do papa rende homenagem a Oscar Wilde

Num instante em que o Vaticano se empenha para devolver ao armário os padres que cultivam hábitos sexuais que, aos olhos da Santa Madre Igreja, são heterodoxos, um auxiliar do papa Bento 16 rendeu uma inusitada homenagem ao talento de Oscar Wilde (1854-1900). Frases do escritor irlandês foram incluídas num livro de aforismos organizado por um assessor do papa Bento 16.

O livro acaba de ser editado na Itália. Contém mil frases de cunho moral. Traz na capa um título sugestivo –“Provocações: Aforismos para um Cristianismo Inconformado”. Organizou-o o padre Leonardo Sapienza, chefe do protocolo do Vaticano. Talvez passasse despercebido, não fosse pelo aproveitamento das máximas de Wilde, condenado a dois anos de prisão, em 1895, por “cometer atos imorais com diversos rapazes.”

 

A ousadia do padre Sapienza rendeu a “Provocações” uma generosa publicidade gratuita. O livro ganhou as páginas de alguns dos principais jornais britânicos e italianos. “Vaticano sai do armário e abraça Oscar Wilde”, noticiou The Times.

 

O The Independent dedicou reportagem de duas páginas ao livro, sob o título “O Vaticano enlouquece” (um trocadilho em inglês com o nome do escritor: “The Vatican Goes Wilde”). O diário italiano La Repubblica não conteve o assombro: “Que Surpresa!”, pendurou no alto de uma de suas páginas. “Um ícone homossexual foi aceito pelo Vaticano, escreveu o La

Falando ao The Times, Sapienza, o assessor do papa, disse ter aproveitado frases de Wilde porque “ele foi um escritor que viveu perigosamente e às vezes, escandalosamente, mas nos deixou em suas obras muitas máximas afiadas”. Ele tem razão (veja aqui uma pequena amostra).

“Devemos ser um espinho na carne da sociedade e mover a consciência das pessoas para atacar aquele que é hoje o inimigo número um da religião: a indiferença”, disse ainda o padre Sapienza. É, faz sentido.

Escrito por Josias de Souza às 00h03

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A violência como inspiração da arte

A violência como inspiração da arte

 

Membro da família de Habsburgo, da Áustria, Maximiliano, primo de D. Pedro II, do Brasil, foi convencido por Napoleão III a aceitar, em 1864, a coroa do recém-fundado Império Mexicano. Feito imperador, Maximiliano não tardaria a descobrir que fora enviado a uma arapuca.

O México era-lhe desconhecido. Uma crise política envenenava o império. Mercê da intervenção francesa, Benito Juárez, um líder político de origem índia que se fizera presidente dos mexicanos, vira-se forçado a abandonar a Cidade do México. De cidade em cidade, passara a exercer uma presidência itinerante.

Acossado pela resistência de seguidores de Juárez, Maximiliano ordenou, em 1865, a execução sumária de seguidores do líder. As tropas francesas, que esquentavam as costas do imperador, deixaram o México entre 1866 e 1867.

Maximiliano viu-se compelido a assumir pessoalmente o comando da soldadesca que lhe restara. Em 1867, depois de um cerco em Santiago de Querétaro, o imperador conheceu o seu epílogo. Foi capturado, julgado por uma corte marcial e sentenciado à morte.

Por ordem de Benito Juárez, Maximiliano foi passado nas armas, junto com dois de seus generais –Tomás Mejía e Miguel Miramón—, em 19 de junho de 1867. A notícia chegou à Franca em 1º de julho daquele ano. E, movido pela oposição a Napoleão III, o mestre Edouard Manet viu na tragédia de Maximiliano inspiração para sua arte.

Manet foi aos pincéis quase que imediatamente. Entre 1867 e 1869 produziu uma série de cinco abras retratando a execução de Maximiliano e seus generais. Baseou-se em relatos escritos e em representações gráficas do fuzilamento.

O MoMA acaba de reunir as peças de Manet numa exposição, em Nova York. Assim, juntas, é a primeira vez que as peças são exibidas nos EUA. Graças às maravilhas da internet, você não precisa tomar um avião para admirá-las. Basta clicar na imagem acima. Não perca a oportunidade de aproveitar o primeiro final de semana de 2007 para massagear os seus olhos.

Escrito por Josias de Souza às 20h48

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De buraco em buraco, chega-se à era da cratera

De buraco em buraco, chega-se à era da cratera

Edson Silva/Folha Imagem
 

 

Em estradas geridas por ninguém, só há uma maneira de sair do buraco: cavando outro bem maior. Aos pouquinhos, as chuvas vão exterminando os buracos que atazanam motoristas Brasil afora. As águas abrem crateras. O abismo exposto na foto consome quase toda a pista, no trajeto que liga Cajuru a Altinópolis, no interior de São Paulo. Nesse ritmo, logo, logo não haverá mais estradas. E nem Lula nem os governadores terão de se preocupar com a conservação das vias. Além de contribuir para a resolução do drama das estradas, as chuvas produzem a morte de brasileiros que, por pobres e invisíveis, já não tinham existência formal.

Escrito por Josias de Souza às 14h42

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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