Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Secos & Molhados

Vendem-se terrenos na Lua!

Vendem-se terrenos na Lua!

No Brasil, quando se deseja enfatizar que alguém foi passado pra trás, é comum dizer-se que o sujeito comprou um terreno na Lua. Pois saiba que há mais otários no mundo do que você pode imaginar.

 

Mais de 2,5 milhões de pessoas de 180 países já compraram glebas na Lua e em Marte, informa o sítio Space. Por US$ 19,99, pode-se “adquirir” um torrão de 4.046 metros quadrados na Lua. Pagando-se US$ 22,49, assegura-se o direito à inscrição do nome do comprador em sua “propriedade”.

 

Chama-se Dennis Hope o espertalhão que está loteando a Lua. Administra o sítio Lunar Embassy (Embaixada Lunar). Ele se autoproclama dono da Lua, de Marte e de todos os demais planetas do Sistema Solar, exceto a Terra.

 

Gestor de uma fraude, Hope assegura que irá plantar na Lua, até o final do ano, a bandeira do “Governo Galáctico”, denominação que escolheu para definir o seu território. Só no ano passado, faturou US$ 1 milhão. As vendas são feitas pela Internet.

 

Afora as dificuldades atmosféricas de plantar um casebre em outro planeta, os compradores desconsideram um detalhe jurídico: o “Tratado do Espaço Exterior”, firmado em 1967 pela ONU, estabelece que nenhum país pode reclamar a soberania dos corpos celestes.

 

Hope argumenta que o tratado foi omisso em relação a empresas privadas. Enviou cartas à ONU e aos governos da Rússia e dos EUA avocando para si o direito de propriedade sobre o Sistema Solar. Como não obteve respostas, considera-se o legítimo dono.

 

A espertalhona Lunar Embassy não está só no promissor negócio da venda de terrenos em outros planetas. Enfrenta a concorrência de outros sítios. Alguns, como lunarregistry, não chegam a se considerar donos do Sistema Solar. Outros, como o Buyuranus, fazem pilhéria. Hope, o embaixador da Lua, acusa a "concorrência" de plágio. Diz já ter gasto US$ 70 mil para defender sua propriedade. E depois ainda dizem que os brasileiros é que são malandros!

Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Imagem de guerra: verdade ou mentira?

Imagem de guerra: verdade ou mentira?

Joe Rosenthal/AP
 

Morreu no último dia 20 de agosto, aos 94 anos, Joe Rosenthal. É dele a foto acima. Chama-se “Raising the Flag on Iwo Jima” (Subindo a Bandeira em Iwo Jima). A serviço da Associated Press, Rosenthal clicou-a em 23 de fevereiro de 1945, em meio à batalha de Iwo Jima, que opôs tropas dos EUA e do Japão na Campanha do Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial.

A foto, sacada no topo do Monte Subirachi, valeu a Rosenthal o Premio Pulitzer daquele ano. E tornou-se o símbolo do triunfo dos marines norte-americanos sobre a soldadesca japonesa. Foi explorada à saciedade como tônico da nacionalidade pelo governo dos EUA.

Neste sábado, o Washington Post publica artigo de Susan D. Moeller. É diretora de um centro de estudo dos meios de comunicação da Universidade de Maryland. Escreveu o livro “Shooting War: Photography and the American Experience of Combat”.

Em seu artigo, Moeller analisa os efeitos que a imagem captada por Rosenthal exerceu sobre a opinião pública dos EUA. Lembrou que, além de transmitir aos americanos uma idéia do que se passava na frente de combate, vendeu-lhes a impressão de que seus soldados estavam vencendo a guerra. Algo conveniente para o governo, que arrostava a contrariedade da sociedade norte-americana.

Moeller realça em seu texto um aspecto importante das guerras. Valia para os conflitos de ontem. Continua valendo para os atuais. Ela reproduz um memorando escrito por Eisenhower antes da invasão da Normandia: “Correspondentes têm numa guerra papel tão essencial quanto os militares. Fundamentalmente, a opinião pública ganha guerras”.

Não foi por outra razão que a foto de Rosenthal tornou-se símbolo de uma campanha publicitária aprovada pessoalmente pelo presidente Roosevelt. Foi reproduzida em adesivos colados em mais de um milhão de vitrines, 200 mil fábricas e 30 mil estações ferroviárias. E ajudou a atenuar a repercussão negativa dos 6.812 marines que voltaram para casa ensacados depois do desfecho da Campanha do Pacífico.    

A autora do artigo passa ao largo de uma polêmica gerada pela foto de Rosenthal. Os americanos convivem até hoje com uma dúvida: a imagem resultou de um instantâneo casual ou de uma armação? Para a ensaísta Susan Sontag, prevalece a segunda versão.

Sontag sustenta que “a célebre fotografia do soerguimento da bandeira americana em Iwo Jima em 23 de fevereiro de 1945 resultou da reconstituição de uma cerimônia matutina de hasteamento da bandeira, que se seguiu à conquista do Monte Suricachi”. O gesto, realizado naquele mesmo dia, foi simplesmente reconstituído, “só que mais tarde e com uma bandeira maior”. Apenas para que Rosenthal produzisse o “flagrante”. Poucas imagens de guerra, acredita Sontag, resistiriam a um confronto com a verdade.

Rosenthal, evidentemente, desceu a cova sustentando versão distinta. Em quem acreditar? Eis uma dúvida que o tempo ainda não foi capaz de eliminar.

Escrito por Josias de Souza às 18h34

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Deus e o Diabo na terra das trevas

Deus e o Diabo na terra das trevas

Alan Marques/Folha Imagem
 

 

Deus, evidentemente, existe. Mas essa história de que Ele está em toda parte é bobagem. No Congresso quem manda é o Diabo. No início da noite desta terça-feira (22/08), dia em que foram abertos os processos contra os sanguessugas, o Todo-Poderoso cuspiu um raio sobre o templo do adversário. Soou como se quisesse brigar pelo território. Fácil. Não se diz que a voz do povo é a voz de Deus? Pois basta Ele mandar o povo consultar um fonoaudiólogo antes das eleições de outubro.

Escrito por Josias de Souza às 22h55

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Google agora avisa internauta sobre sítios espiões

Google agora avisa internauta sobre sítios espiões

Boa notícia para quem gosta de surfar a esmo nas ondas turvas da internet. O Google passou a prestar um novo serviço: avisará aos seus usuários sempre que estiverem prestes a ingressar num sítio que possua programas espiões.

Como quase tudo na rede, os espiões recebem um apelido em inglês: “spyware”. São programas que, uma vez inoculados no seu computador, podem transmitir a terceiros informações que você imagina a salvo da curiosidade alheia –senhas bancárias, por exemplo.

 

No início do ano, várias companhias que operam na internet –Google, Lenovo e Sun, entre elas— associaram-se num projeto destinado a mapear e catalogar os sítios marotos. Deu-se à iniciativa o nome de Stop Badware Coalition.

 

Mercê do avanço do projeto, o Google começou a alertar àqueles que buscam endereços eletrônicos a partir de sua página sempre que o destino estiver equipado com os tais “cavalos de tróia”. O aviso chega por meio de uma janela que se abre no computador do internauta. Como essa que está à sua direita (leia).

 

A novidade é alvissareira. Mas convém moderar a euforia. Quando foi idealizada, a inteligência artificial do computador era isenta de máculas. Submetida, porém, à inteligência natural do homem, incorporou a falta de caráter que inspira todo tipo de fraude. Assim, o outro lado não demora a bolar um modo de anular o antídoto contra os espiões eletrônicos.

Escrito por Josias de Souza às 00h13

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Seja otimista, o PCC voltou a assombrar São Paulo

Seja otimista, o PCC voltou a assombrar São Paulo

De onda, os ataques do PCC em São Paulo vão se convertendo em maremoto. Nesta segunda-feira, o Estado amanheceu sob os efeitos do terceiro ciclo de incursões sísmicas da criminalidade. Não há, porém, razões para leituras pessimistas.

 

Se o crime se organiza é porque o Estado, por desorganizado, permite. Se o crime se organiza mais é sinal de que ainda encontra espaço para avançar sobre a desorganização do Estado.

 

Assim, São Paulo e o resto do Brasil podem manter a calma. Cada novo surto de ataques é uma evidência de que o Estado ainda não se degradou por completo. E o crime ainda tem muito a avançar em termos de organização.

 

Quando começarem a escassear as ações espetaculares do PCC, aí sim haverá motivos para alarme. Será um sinal de que Estado atingiu o ápice da decadência. Até lá, sempre haverá espaço para o exercício do otimismo. E para uma contagem regressiva.

Escrito por Josias de Souza às 12h17

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Enquanto isso, no quintal da Câmara...

Enquanto isso, no quintal da Câmara...

Lula Marques/Folha Imagem

Iniciada a fase eleitoral, os congressistas deram as costas para Brasília. Combinou-se que, de tempos em tempos, dariam as caras, para aprovar projetos pendentes. Nesta semana, a Câmara faria um de seus “esforços concentrados”.

Poder-se-ia desperdiçar o tempo do leitor com um longo texto acerca da falta de esforço e da ausência de concentração. Por sorte, a foto acima, capturada pelo repórter Lula Marques às 17h30 desta quarta-feira, permite a economia de palavras.

 

Na cena, o deputado Josias Quintal (PSB-RJ), exausto do próprio ócio, dorme nos fundões do plenário da Câmara como se desfrutasse da sombra de uma árvore do quintal de casa.

Escrito por Josias de Souza às 21h26

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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