Quem dá mais?
Começou a ser exibido nesta semana em Londres o quadro “Dora Maar com um gato”, do mestre Pablo Picasso. A peça vai ao martelo em maio, num leilão que será promovido pela Sothebys em Nova York. O lance inicial será, veja você, de US$ 50 milhões.
Dora Maar foi uma das inúmeras amantes de Picasso, tão conhecido pela habilidade no manejo dos pincéis como pelo desassombro com que dava azo às suas pulsões sexuais. A moça desceu à tela em 1941.
O retrato de Dora Maar encontra-se em mãos privadas desde a década de 60. Se vier mesmo a ser leiloado pelo preço que se lhe atribui, entrará para a galeria dos dez quadros mais caros do mundo.
Aliás, a lista das obras mais valiosas já inclui quatro pinturas de Picasso. Entre elas “Menino com Cachimbo”, leiloado pela mesma Sothebys, há dois anos, em Nova York, pela bagatela de US$ 104 milhões.
Vincent van Gogh, outro mestre das artes universais, espetou na lista dos mais caros três quadros. O mais valioso, “Retrato do Doutor Gachet”, foi arrematado por um colecionador anônimo em 1990 por US$ 82 milhões. Se imaginasse que poderia valer tanto, o autor talvez tivesse passado na lâmina outros apêndices corporais além da orelha.
O que leva uma casa de leilões a orçar uma obra como Dora Maar em US$ 50 milhões?, se perguntam muitos. São os mistérios da subjetividade. Para a maioria, alguém que se disponha a desembolsar tal quantia padece de patologia ótica. Pode ser. Mas fique certo de uma coisa: não há de faltar ao felizardo adquirente anônimo um trocado para pagar a consulta do oftalmologista.