Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Reportagens

Gallup: Aprovação de Obama caiu 6 pontos no Brasil

Entre 2009 e 2010, o índice sofreu recuo de 61% para 55%

Emmanuel Dunand/AFP

O Gallupp levou à web um estudo sobre o prestígio do presidente dos EUA, Barack Obama, na América Latina.

O trabalho baseia-se no resultado de pesquisas realizadas em 18 países da região entre julho de 2009 e setembro de 2010.

Foram ouvidas 2.000 pessoas em cada país –metade no ano de 2009, a outra metade em 2010.

Verificou-se que Obama desfruta de índices de aprovação expressivos na grossa maioria das nações do hemisfério. Porém...

...Porém, entre um levantamento e outro, as taxas caíram mais de três pontos percentuais em 11 países. Em sete deles a queda foi de dois dígitos.

Neste sábado (19), Obama inicia pelo Brasil uma viagem que inclui no itinerário o Chile e El Salvador.

Entre os brasileiros, informa o Gallup, 55% aprovam o desempenho de Obama na Casa Branca.

O índice embute uma queda de seis pontos percentuais em relação à taxa de 61% que havia sido apurada em 2009.

Os chilenos atribuíram a Obama, em 2010, aprovação de 67%. No ano anterior, era de 72%. Caiu cinco pontos.

Deu-se em El Salvador, terceira escala da viagem de Obama, a maior queda: 23 pontos. A despeito disso, 61% dos salvadorenhos ainda o avaliam positivamente.

O Gallup também perguntou aos entrevistados se acreditam que as relações entre os países da Amércia Latina e os EUA serão intensificadas sob Obama.

Comparando-se os dados de 2009 com os de 2010, verificou-se, de novo, uma queda na taxa de confiança.

Brasileiros, chilenos, salvadorenhos e cidadãos de outros dez países mostraram-se mais céticos quanto às possibilidade de incremento da parceria com os EUA.

No Brasil, a queda da taxa de confiança foi de sete pontos percentuais.

De acordo com o dado mais atualizado, de setembro de 2010, 40% dos brasileiros acreditam que as relações com os EUA serão incrementadas sob Obama.

Outros 26% acham que a coisa ficará como está, sem avanços nem recuos. Escassos 6% crêem que vai piorar. E 28% não quiseram ou não souberam responder.

No Chile, segundo país a ser visitado por Obama, os que acreditam na melhoria das relações com os EUA somam 43%. Um índice 17 pontos abaixo do de 2009.

Em El Salvador, a queda foi novamente a maior verificada nos 18 países pesquisados: 23 pontos. Ali, apenas 27% crêem no azeitamento das relações com os EUA.

O Gallup recorda no estudo, divulgado nesta quinta (17), uma expressão pronunciada por Obama na Conferência das Américas, realizada em 2009.

O presidente americano dissera nesse encontro que sua administração estabeleceria com os países latino-americanos uma “parceria de iguais”.

O documento atribui a queda dos índices à possível percepção dos entrevistados de que a realidade ficou aquém das palavras.

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Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Sob Lula, Brasil abriu 79 representações no exterior

Em 8 anos, criaram-se 57 embaixadas e 22 consulados
No governo FHC, o número fora cinco vezes menor:  16 

 

Divulgação/Governo da Micronésia

A herança que Lula deixou para Dilma Rousseff incluiu uma tarefa entre prosaica e insólita: incrementar as relações diplomáticas do Brasil com a Micronésia.

Você talvez não saiba, mas o país existe. Acredite. É um arquipélago assentado na Oceania. Tem cerca de 700 km2.

Trata-se de um paraíso. Banhado pelo pacífico, oferece paisagens como a da foto lá do alto, tirada em Pohnpei, um dos quatro Estados Federados da Micronésia.

Em 22 de dezembro, dez dias antes de deixar o governo, Lula baixou o decreto 7401, criando a embaixada brasileira em Palikir, capital da Micronésia. Funciona cumulativamente com a de Manila (Filipinas).

Pela lógica, dois fatores determinam a instalação de representações no exterior: 1) o interesse econômico; 2) a presença de grande comunidade de brasileiros no país.

A novíssima representação da Micronésia, por ilógica, foge aos padrões. Difícil achar brasileiros entre seus cerca de 110 mil habitantes.

Dono de um PIB miúdo –pouco mais de US$ 200 milhões— o país tampouco oferece grandes perspectias de parceria comercial.

A força de trabalho da Micronésia soma 20 mil pessoas. Dedicam-se ao atendimento de turistas, à pesca e à agricultura (coco, banana, mandioca, batata doce e castanha).

Essa foi a 79ª representação criada por Lula no estrangeiro –57 embaixadas e 22 consulados. Média de 10 por ano. Quase uma por mês.

Sob FHC, o Itamaraty fora mais comedido. Nos oito anos da Era tucana, inauguraram-se 16 novas representações –12 embaixadas e quatro consulados.

O expansionismo diplomático do Brasil de Lula pautou-se pela flexibilização ideológica e pelo desejo de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

A maleabilidade política resultou em vexame. Abriram-se embaixadas em países notáveis pelo desrespeito aos direitos humanos e pelo desapreço aos valores democráticos.

Entre eles, por exemplo, Guiné Equatorial, Sudão, Mianmar e, veja você, até a Coréia do Norte do companheiro-ditador Kim Jong-Il.

Quanto ao sonho da cadeira permanente no principal conselho da ONU, resultou irrealizado a despeito da proliferação de novos parceiros diplomáticos.

Restou o legado das quase oito dezenas de novas representações. Coisa para Dilma Rousseff administrar.

A fúria inauguratória de Lula levou o Brasil a países pequenos e de relevância diplomática duvidosa.

O grosso das novas embaixadas e consulados foi instalado em nações ex-comunistas, países africanos pobres e ilhas do Pacífico e do Caribe.

Além dos neoparceiros já mencionados, a lista inclui: Albânia, Croácia, Azerbaijão, Casaquistão, Zâmbia, Tanzânia, Benin, Togo, Sri Lanka...

Guiné, Botsuana, Congo, Dominica, Bahamas, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, Dominica e um interminável etc..

Antes de despertar para a abrir a Micronésia, Lula editou o decreto 7376. Datado de 1º de dezembro de 2010, criou a embaixada brasileira em Tarawa, capital do Kiribati. Neste caso, funciona cumulativamente com a de Wellington, na Nova Zelândia. 

Vinte dias antes, em 11 de novembro, o Kiribati havia sido pendurado nas manchetes em posição algo desesperadora.  

Pequeno arquipélago do Pacífico, o país anunciou ao mundo que pode ter de deslocar toda sua população –cerca de 100 mil pessoas— para outra localidade.

Por quê? O aquecimento global faz com que o mar avance sobre o território de Kiribati, encobrindo-o aos poucos.

“Para algumas comunidades, já é tarde demais. Não há como protegê-las”, disse o presidente de Kiribati, Andote Tong.

Gestor de uma ilha vulcânica condenada ao desaparecimento, Tong guindou ao topo de suas prioridades a obtenção de terras onde possa acomodar seu povo.

A representação de Kiribati foi ao bololô da política externa de Lula como uma espécie de cereja. Chama-se Samuel Pinheiro Guimarães o ideólogo da estratégia.

Coisa implementada com o apoio do ex-chanceler Celso Amorim e sob aplausos do assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

Samuel ocupou a secretaria-geral do Itamaraty até 2009. Na fase final do governo Lula, chefiou a Secretaria de Assuntos Estratégicos.

Os dados que recheiam essa notícia foram recolhidos nos arquivos do Senado. Cabe aos senadores aprovar a criação de novas embaixadas e consulados. Aprovou-se tudo o que Lula propôs.

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Escrito por Josias de Souza às 06h53

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Para Fidel, Chávez pode evitar que Líbia vire ‘Iraque’

O ditador cubano Fidel Castro levou à web uma “reflexão” sobre a rebelião que convulsiona a Líbia há duas semanas. No texto, Fidel endossa a iniciativa do presidente venezuelano Hugo Chávez, que se oferece como mediador da crise líbia.

“O presidente bolivariano Hugo Chávez realiza um valente esforço para buscar uma solução sem intervenção [militar] da Otan na Líbia”, escreveu.

“Suas possibilidades de alcançar o objetivo aumentariam se lograsse a proeza de criar um amplo movimento de opinião antes que se produza a intervenção”.

O movimento de apoio à iniciativa de Chávez, acredita Fidel, evitaria a repetição em países como a Líbia da “atroz experiência do Iraque.

“A Guerra Inevitável da Otan”, eis o título do texto de Fidel. Foi pendurado na internet em duas partes. A primeira na sexta (4). A segunda no sábado (5).

Em defesa do ditador Muammar Gaddafi, Fidel recorda que, ao derrotar a monarquia, em 1969, o “coronel do exército líbio”, com “apenas 27 anos”, “aplicou importantes medidas revolucionárias, como a reforma agrária e a nacionalização do petróleo”.

Para Fidel, a crise líbia é diferente da revolta que derrubou as ditaduras da Tunísia e do Egito. Por quê? “A Líbia ocupa o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da África e tem a mais alta expectativa de vida do continente”.

Mais: “A educação e a saúde recebem especial atenção do Estado. O nível cultural de sua população é, sem dúvida, mais alto”. É como se Fidel desejasse transpor para a Líbia argumentos que utiliza em Cuba para justificar a ditadura cinquentenária.

A certa altura, Fidel faz uma concessão à legitimidade da movimento anti-Gaddafi. Curiosamente, referiu-se à revolta com o verbo no passado: “Sem dúvida, os rostos dos jovens que protestavam em Bengasi, homens e mulheres, com véu ou sem véu, expressavam indignação real”.

Atribui a insurreição, porém, à “influência que exerce [na Líbia] o componente tribal [...], que divide gravemente 95% de sua população”. Em meio aos afagos em Chávez e Gaddafi, Fidel investiu contra os EUA de Barack Obama.

Acusa “o império e seus principais aliados” de empregar “os meios mais sofisticados para divulgar informações deformadas” sobre o que se passa na Líbia. Enxerga uma “colossal campanha de mentiras, desencadeada por meios de informação de massa”.

Algo que, para Fidel, deu origem a “uma grande confusão na opinião pública mundial”. Soou hilário ao referir-se à TV estatal da Venezuela: “Emissoras sérias e prestigiosas, como a Telesur, viram-se compelidas a enviar repórteres e cinegrafistas [...] para informar o que realmente ocorria” na Líbia.

Fidel afirma que EUA e a Otan preocupam-se com “a onda revolucionária desencadeada no mundo árabe” por causa do petróleo bombeado na região. “Não podiam deixar de aproveitar o concflito iinterno surgido na Líbia para promover a intervenção militar”, escreveu.

Insinuou que Obama vê na ação armada uma oportunidade de recuperar-se da derrota que sofreu na eleição parlamentar de novembro de 2010. Porém, apesar do “dilúvio de mentiras”, os EUA não conseguiram “arrastar China e a Rússia” para a tese da intervenção armada, que desejam aprovar  no Conselho de Segurança da ONU.

Alteraram-se, então, os planos. Segundo Fidel, optou-se por aprovar a suspensão da Líbia do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Nem por isso Washington abandonou a ideia de intervir militarmente.

Fidel evocou a secretária de Estado Hillary Clinton: “Nenhuma opção está descartada”, teria dito ela. E ele: “O problema que talvez não imaginavam os atores é que os próprios líderes da rebelião” líbia rejeitam a “intervenção militar estrangeira”.

Nesse ponto, ele reproduziu declaração supostamente feita por Abdelhafiz Ghoga, porta-voz do Comitê da Revolução” na Libia: “O que queremos são informações de inteligência, mas, em nenhuma hipótese, que se afete nossa soberania aérea, terrestre e marítima”.

Fidel também mencionou a professora de Ciência Política da Universidade de Bengasi, Abeir Imneina. Ela teria declarado: “Há um sentimento nacional muito forte na Líbia. Além disso, o exemplo do Iraque dá medo ao conjunto do mundo árabe”.

No dizer de Fidel, a tese da invasão da Líbia escora-se no “cinismo” e nas “mentiras”. Realça que, até bem pouco, EUA e países-membros da Otan celebavam Gaddafi e o petróleo que ele provia.

Agora, “acusam-no 24 por dia de disparar contra cidadãos desarmados que protestam”. Fidel pergunta no texto:

“Por que não explicam ao mundo que as armas e todos os equipamentos sofisticados de repressão que possui a Líbia foram fornecidos por EUA, Grã-Bretanha e outros ilustres anfitriões de Gaddafi?”

Na briga do cachorro louco com os cachorros grandes, Fidel aposta no “valente esforço” de Chávez, autoproclamado mediador. Parece desconsiderar que, aos olhos do resto do mundo, ele próprio e Chávez são vistos como candidatos a rebeliões internas, não como mediadores de encrencas alheias.

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Escrito por Josias de Souza às 04h25

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Kassab vai a Paris e adia decisão sobre ‘novo’ partido

ABr

Depois de eletrificar a cena política, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, viaja no próximo sábado (5) para Paris. Viagem oficial, segundo ele.

Só deve retornar ao Brasil no sábado (12) seguinte, quatro dias antes da convenção que conduzirá José Agripino Maia à presidência do DEM.

Agripino almoçou com Kassab nesta segunda (28). Instou-o a permanecer no partido. O prefeito adiou a resposta para depois da volta.

Em diálogo franco, Kassab disse a Agripino que, de fato, considera a hipótese de fundar uma nova agremiação, o PDB (Partido Democrático Brasileiro).

Esmiuçou as negociações que entabulou com PMDB e PSB, duas legendas associadas ao consórcio partidário que dá suporte a Dilma Rousseff.

A despeito de todo o vaivém, o prefeito não descartou (?!?!?!) a alternativa de permanecer no DEM.

Agripino pediu uma definição. Recordou que teve o cuidado de injetar na futura Executiva do DEM dois representantes do grupo de Kassab.

Disse ao prefeito que, prevalecendo a idéia da migração, terá de reformular a chapa. Kassab comprometeu-se a dar uma resposta. Mas só depois da fuga parisiense.

Nesta terça (1º), Jorge Bornhausen, presidente de honra do DEM e principal aliado de Kassab na legenda, reúne sua tropa em Santa Catarina.

Segundo informou a lideranças do partido, Bornhausen e o governador catarinense Raimundo Colombo anunciarão a decisão de permanecer no DEM.

Conforme noticiado aqui, Bornhausen informou a Kassab que não cogita segui-lo no projeto de fundar um partido novo para, depois, fundi-lo ao PSB.

Afora a baixa catarinense, Kassab foi alertado por Agripino acerca das debilidades de seu plano.

Disse que, permanecendo no DEM, terá o apoio incondicional da legenda para a almejada candidatura ao governo de São Paulo, em 2014.

Afirmou que, bandeando-se para a canoa do governo, já apinhada de pré-candidatos, Kassab terá, em vez de apoio, o convívio com a incerteza.

Diante da resposta protelatória de Kassab, não restou ao DEM senão esperar pelo fim da novela, em capítulo pós-parisiense.

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Escrito por Josias de Souza às 05h35

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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