Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Reportagens

Filiado ao PSB, Skaf negocia mudança para o PMDB

Antônio Cruz/ABr

Durou pouco o pendor socialista de Paulo Skaff. O presidente da Fiesp, templo do capital industrial de São Paulo, negocia sua transferência do PSB para o PMDB.

Skaff manifestou o desejo de mudar-se para o PMDB numa conversa com o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), apadrinhado de José Sarney na Esplanada.

Os dois conversaram há seis dias, na quarta-feira (19) da semana passada. A pedido de Skaf, Lobão repassou à cúpula do partido o teor do diálogo.

Nas próximas semanas, será agendado um encontro do mandachuva da Fiesp com Michel Temer, vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB.

Skaff tornou-se um pseudosocialista em setembro de 2009. Em 2010, enrolado na bandeira do PSB, protagonizou uma malograda campanha ao governo paulista.

Antes de filiar-se à legenda presidida pelo governador pernambucano Eduardo Campos, Skaf tentou sentar praça no PMDB. Barrou-o Orestes Quércia.

Presidente do PMDB-SP, Quércia estava fechado com o tucanato. Foi às urnas como candidato ao Senado na chapa vitoriosa do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Abalroado por uma recidiva de câncer na próstata, Quércia viu-se compelido a renunciar à candidatura. Em dezembro, foi derrotado pela doença.

Nas pegadas da morte de Quércia, Michel Temer iniciou uma articulação para retomar o controle do partido em São Paulo. Algo que está prestes a se consumar.

Livre da presença de Quércia, Skaf sentiu-se à vontade para retomar o plano original. A caciquia do PMDB mostra-se interessada em abrigá-lo. Porém...

Porém, as boas-vindas a Skaf estão condicionadas agora a uma compatibilização dos interesses do ex-quase-socialista com os planos de Gilberto Kassab.

Prefeito de São Paulo, Kassab programa para abril sua transferência do DEM para o PMDB. Levará consigo o projeto de disputar o governo do Estado em 2014.

Para o PMDB, Kassab tem preferência sobre Skaf. Assim, o presidente da Fiesp teria de rebaixar suas pretensões políticas.

No mais, não há restrições à entrada de Skaf nos quadros do sócio majoritário do PT no consórcio governista.

Em 2007, Skaf liderou, no front empresarial, a batalha que resultou no enterro da CPMF e na maior derrota congressual da gestão Lula.

Desde então, Lula traz o presidente da Fiesp atravessado na traquéia. Dilma Rousseff, porém, já o digeriu.

Na eleição do ano passado, embora apoisasse o petê Aloizio Mercadante, Dilma foi a ato de campanha do então neosocialista Skaf.

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Escrito por Josias de Souza às 04h18

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UnB hesita em punir estudantes por trotes violentos

Luana Lleras/Ag.UnB

A foto acima exibe imagem captada nas dependências da UnB em julho de 2010. Depois de atravessar o stress do vestibular, os calouros foram submetidos ao trote. Deu-se num curral assentado atrás do Centro Acadêmico de Agronomia, sob o comando de estudantes veteranos.

Com as testas encostadas na extremidade superior de cabos de vassoura, os novatos rodaram até ficar tontos. Alguns levaram palmadas. Zonzos, meteram-se numa “piscina” em que se misturavam lama, restos de vegetais, folhas, galhos e lixo.

Foi apenas uma das passagens da temporada de trotes de 2010. Houve mais. As boas-vindas aos calouros oscilaram entre a humilhação e a homofobia. Desde então, a cúpula da UnB discute o que fazer para evitar a reiteração das práticas.

A iminência da inauguração do primeiro semestre letivo de 2011 fez reacender o debate. O tema voltou à mesa, nesta quinta (20), numa reunião do Cepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) da UnB.

Produziu-se uma discussão de contornos inusitados. A coisa foi esmiuçada num texto levado ao portal da universidade na web. Conta-se no relato que, divididos, os conselheiros decidiram nada decidir.

Agendou-se nova reunião para a quinta-feira (27) da semana que vem. No centro da controvérsia, bóia uma pergunta: Punir ou não os responsáveis pelos trotes sujos?

Uma das conselheiras, Andréa Maranhão, do Instituto de Biologia da UnB, invocou seus instintos maternos para defender a punição: “Como mãe, a gente faz isso com os nossos filhos. Existe um vácuo normativo e a gente não tem pelo que se pautar".

Simone Perecmanis, da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, tentou revestir o debate com ossatura antropológica. Disse que a escola tenta civilizar a recepção aos calouros, substituindo o trote por visitas à fazenda e churrascos.

Porém, a própria “calourada” deseja “o rito de passagem”. Como assim? “Eles acham o trote uma coisa normal”, disse Simone. “Um aluno comentou que sua própria mãe o havia amarrado num poste e pintado seu corpo. Esse é um problema cultural”.

Outra conselheira, Marina Flores, que representa o diretório central dos estudantes, tentou afastar a discussão do tacape. Contrária às punições, ela declarou: “Conscientizar é mais importante, principalmente para aqueles que acreditam na educação”.

Interveio Neio de Oliveira, do Centro de Excelência em Turismo da UnB. Injetou no lero-lero uma personagem apropriada: a Mãe Joana. “Precisamos de norma que garanta punição, mas como ainda não temos, essa prática [o trote] ainda segue acontecendo. Aqui não é a casa-da-mãe-Joana”.

Em timbre acomodatício, o vice-reitor da UnB, João Batista, tentou jogar a resolução do problema para um ponto longínquo da folhinha: as calendas. Sugeriu uma parceria com a Secretaria de Educação do DF. Para quê? Para que os futuros alunos da UnB sejam amaciados desde a mais tenra infância:

“Esse assunto é um problema que precisa ser trabalhado com todos, inclusive com os pais, a longo prazo. Eu sou radicalmente contra o trote, mas punição não resolve”.

Um pedaço da reunião foi consumido com a análise de uma cartilha. Verificou-se que Joana, a mãe das casas anarquizadas, pode, sim, ter passado pela UnB. Impressa no ano passado, no rastro das recepções violentas, a cartilha carrega, além de mensagem anti-trote, erros.

“Erros de concordândia e inconsistência conceitual”. Coisas que talvez levassem os autores à reprovação numa prova de redação do Enem. Seria adequado redistribuir a peça aos estudantes? Rachel Nunes, decana de Assuntos Comunitários da universidade, foi ao ponto:

“O problema aqui não é conceitual. Jogar fora é um desperdício de dinheiro público”. Rafael Barroso, assessor do gabinete do reitor, ecoou Rachel. Ele reconheceu os erros, recordou que a cartilha passou pelas mãos de uma revisora de textos da UnB e arrematou: “Não pode ser simplesmente jogada no lixo.”

Denise Bomtempo, decana de Pesquisa e Pós-Graduação, divagou sobre o vexame. Disse que erros de português não ornam com universidade: “É melhor não distribuir”.

Abstendo-se de responsabilidade pelo material tóxico, Hartmut Günther, do Instituto de Psicologia da UnB, sugeriu uma espécie de investigação: “É preciso pesquisar mais sobre o tema, já que estamos na academia, com tantos professores”.

O vaivém transferiu a encrenca da cartilha para a pauta da próxima reunião, aquela que foi agendada para a próxima semana. De concreto, por ora, apenas uma impressão incontornável:

Se fosse feita de vidro, a UnB proporcionaria à platéia espetáculos memoráveis. Quem lê a transcrição das declarações que soaram entre quatro paredes enxerga com nitidez o pano de fundo contra o qual prolifera a má educação que vulgariza os trotes.

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Escrito por Josias de Souza às 06h57

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Palocci se solidifica como principal ministro de Dilma

Fábio Pozzebom/ABr
 

Duas semanas de Dilma Rousseff foi tempo suficiente para consolidar a impressão de que há dois tipos de ministro sob a nova presidente: Antonio Palocci e os demais. Exceto pela própria Dilma, Palocci foi o personagem que mais frequentou o gabinete presidencial desde 3 de janeiro, primeiro dia últil depois da posse.

 

Até aqui, não houve reunião que Dilma convocasse sem que o novo chefe da Casa Civil estivesse entre os participantes. Além das audiências individuais, Palocci participou de despachos da presidente com colegas de Esplanada.

 

Almoçou um par de vezes com Dilma. Afeita ao hábito de alimentar-se no ambiente de trabalho, ela mastiga a comida e os problemas do dia simultaneamente.

 

Entre todos os discursos de posse, o de Palocci foi o mais curto: 14 minutos. Dedicou-se sobretudo a espancar a idéia de que seria um superministro. Em 16 dias, a retórica foi pulverizada pela prática.

 

Palocci foi chamado a opinar sobre tudo –de reforma tributária e câmbio à distribuição de cargos. Aos primeiros sinais de crise, foi acionado para conter os apetites do PMDB. Como o noticiário continuasse eletrificado, Dilma chamou Michel Temer.

 

Na reunião com o vice-presidente, mandachuva licenciado do PMDB, Dilma trazia Palocci a tiracolo. Decidiu-se recobrir a guerra pelo segundo escalão, que opõe o partido de Temer ao PT, com um manto diáfano de silêncio.

 

Palocci parece guiado a ensinamentos de mãe. Chama-se Antonia de Castro Palocci a genitora do ministro. Na intimidade, tratam-na de Toninha. Mora em Ribeirão Preto. É filiada ao PT desde 1980. Jacta-se de ter introduzido o partido no ambiente familiar.

 

Primeiro, Toninha militou numa corrente chamada Convengência Socialista. O filho preferiu a Libelu. Além do discurso de extrema esquerda, as duas alas tinham em comum a devoção às teses revolucionárias do líder russo Leon Trotsky (1879-1940).

 

Depois, Toninha e Palocci migraram para a corrente majoritária do PT, a mesma de Lula. Numa entrevista de fevereiro de 2004, Toninha desenhou o estilo do filho para o repórter Rogério Pagnan. Diferenciou-o de José Dirceu.

 

Nessa época, Palocci era o czar da economia de Lula. Dirceu mandava e, conforme se descobriria no ano seguinte, desmandava na Casa Civil. Ouça-se a Toninha de 2004:

 

"O Palocci é o inverso do José Dirceu. José Dirceu mostra. Palocci é. Quem mostra é porque está inseguro. Há uma insegurança lá dentro [de Dirceu] e, por isso, ele precisa mostrar. O Palocci não, ele é. Não precisa mostrar".

 

No discurso inaugural, Palocci não fez senão distanciar-se do modelo de Dirceu. No gogó, reduziu sua própria importância. Realçou: sob seu comando a Casa Civil seria lipoaspirada. Empilhou os programas e os órgãos transferidos para outras pastas.

 

O PAC e o Minha Casa, Minha Vida foram para o Planejamento. O Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) migrou para a Defesa. O Arquivo Nacional foi ao organograma da Justiça. E a Secretaria de Planejamento foi pendurada na Secretaria-Geral da Presidência.

 

De resto, como que empenhado em esvaziar as manchetes, Palocci declarou que a coordenação política não seria sua atribuição. Segundo ele, a matéria seria da responsabilidade do companheiro Luiz Sérgio (Relações Intitucionais). A prática, de novo, atomizou o discurso.

 

Afora as credenciais que Dilma lhe atribuiu, Palocci é visto pelos congressistas como interlocutor preferencial. “Para tomar cafezinho, o local é a sala do Luiz Sérgio. Para resolver as coisas, o gabinete é o do Palocci”, disse ao repórter um cacique da tribo dos pemedebê.

 

Sob Dirceu, a Casa Civil concentrou poder administrativo e político. Sob Dilma, virou supergerência, sem política. Palocci busca o meio-termo. Livre das atribuições de gerente, opina quando chamado. Nos primeiros dias, foi ouvido sobre tudo e qualquer coisa.

 

Sem o título de coordenador político, move-se no território que mais lhe apraz: os subterrâneos. Cinco anos depois de ter sido apeado da Fazenda pelo ‘Caseirogate’, Palocci está, definitivamente, de volta.

 

Por ironia, foi guindado a uma pasta que traz “Casa” na logomarca. Mal comparando, torna-se, sem alarde, uma espécie de supercaseiro de Dilma, um faz-tudo, pau-pra-toda-obra. Desliza com a mesma desenvoltura entre governistas e oposicionistas. Transita entre empresários.

 

Os mais bem sucedidos chefes da Casa Civil da história estiveram unidos por uma característica comum: a ausência de ambições políticas individuais. Nenhum deles saiu da cadeira de ministro para cargos executivos que exigissem votos, exceto Dilma. Ela ascendeu não porque quisesse, mas porque Lula a quis.

 

Não fosse pela quebra do sigilo do caseiro, um dos raros instantes em que se distanciou dos ensinamentos de Toninha, Palocci poderia estar no lugar de Dilma. A acomodação de um projeto político na Casa Civil converte a outorga de poderes numa experiência desafiadoramente perigosa.

 

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Escrito por Josias de Souza às 06h01

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Bens apreendidos pela Justiça somam R$ 2,2 bilhões

Demora dos processos submete patrimônio à deterioração
CNJ defende projeto que autoriza a 'antecipação da venda' 

Shuttersotck

 

A apreensão de bens de criminosos mediante decisão judicial tornou-se um problema para o Estado brasileiro.

 

Em texto levado à web na madrugada desta sexta (14), o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contabiliza em R$ 2,2 bilhões o patrimônio confiscado da bandidagem.

 

Só em automóveis há nos pátios o equivalente a R$ 1,4 bilhão. Os imóveis somam R$ 422 milhões. Ativos financeiros e cheques totalizam R$ 95,7 milhões.

 

Há ainda aviões, embarcações, armas, explosivos, pedras e metais preciosos. São bens retidos por ordem da Justiça Federal e também da Estadual.

 

Reza a lei que todo esse patrimônio tem de permanecer sob a guarda do Estado até que os processos sejam julgados em última instância.

 

Só depois de esgotadas todas as possibilidades de recurso é que o Estado pode vender os bens, apropriando-se dos recursos.

 

Aguardam julgamento em todo país réus de toda espécie: ladrões, estelionatários, traficantes, sonegadores e um interminável etc.

 

O problema é que a Justiça brasileira é lenta e o Estado é ineficiente. A combinação dos dois flagelos leva à deterioração dos bens.

 

Para solucionar a encrenca, o CNJ defende a aprovação de uma lei que autorize a alienação antecipada dos bens.

 

Hoje, a legislação só permite esse tipo de procedimento nos casos em que o patrimônio é apreendido de traficantes de drogas.

 

O que se deseja é liberar o Estado para passar nos cobres todos os bens retidos por ordem judicial, mesmo com o processo em andamento.

 

O dinheiro seria aplicado no mercado financeiro e renderia dividendos até a conclusão dos julgamentos.

 

Já tramita no Congresso um projeto que regula a matéria. Leva o número 150/2006. Mofa nos escaninhos do Legislativo há quatro anos.

 

Além do CNJ, defende a aprovação da proposta o Ministério da Justiça. Os congressistas, porém, não se dignaram a pôr a coisa para andar.

 

Deve-se o dimensionamento do abacaxi à criação, em 2008, de um banco de dados federal. Chama-se Sistema Nacional de Bens Apreendidos do CNJ.

 

Pela primeira vez, foram armazenas numa única plataforma informatizada as informações sobre o patrimônio retirado das mãos dos bandidos.

 

Conselheiro do CNJ, Paulo Tamburini recorda: “Antes do cadastro, não se sabia o que estava apreendido”.

 

As comarcas ou foros nos quais correm os processos não se comunicavam entre si.

 

Segundo Tamburini, o produto das apreensões, por vezes, sumia. Desapareciam inclusive lotes de entorpecentes.

 

A reunião dos dados expôs o tamanho do problema. Resta saber quanto tempo autoridades e congressistas levarão para resolvê-lo.

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h17

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Sindicalistas deflagram nesta 3ª ‘batalha do mínimo’

PMDB repisa pedido de reunião com o ministro da Fazenda 

Stock Images

 

As centrais sindicais decidiram converter o palavrório em favor da elevação do salário mínimo em mobilização.

 

O tamanho do barulho e o formato da infantaria serão decididos na manhã desta terça (11), numa reunião em São Paulo.

 

Em nota levada à web, a Força Sindical informa que a coisa acontecerá no quarto andar do edifício número  367, na Rua Formosa.

 

Pretende-se organizar um movimento que inclui de “marcha” à Esplanada à “ocupação” do Congresso.

 

Antes mesmo do anúncio da reunião sindical, Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB, previu: a votação do salário mínimo “vai ser uma guerra no plenário”.

 

Em conversa com o repórter, o deputado disse que insistirá numa tese que começou a esgrimir na semana passada.

 

Ele deseja que o ministro Guido Mantega (Fazenda) marque uma audiência com o PMDB e demais partidos do consórcio governista.

 

O projeto do mínimo vai a voto em meados de fevereiro, quando se instalada a nova legislatura.

 

“Estou pedindo, com um mês e meio de antecedência, uma reunião com o ministro da Fazenda do meu governo”, disse Henrique.

 

“Afirmaram que é chantagem. Bobagem. Se fico quieto, chega na hora da discussão, as centrais sindicias entram nas galerias, entopem o salão verde da Câmara...”

 

“...Invadem os gabinetes dos deputados e a discussão ganha contornos emocionais, sujeitando um assunto dessa importância à demagogia”.

 

Sob atmosfera “emocionalizada”, afirma Henrique, “o governo acaba perdendo a votação. É isso que nós queremos evitar”.

 

Contra os R$ 540 propostos por Lula e absorvidos por Dilma Rousseff, as centrais sindicais pedem de R$ 560 (Força Sindical) e R$ 580 (CUT).

 

Nesta segunda (10), a CUT pendurou em seu portal um texto apinhado de declarações de seu secretário-geral, Quintino Severo.

 

“O aumento real do salário mínimo é prerrogativa, condição e princípio para o combate à miséria, elencado como prioridade pelo novo governo”, diz ele.

 

Quintino anuncia que a mobilização não se restringirá ao sindicalismo: “Estamos ampliando as conversas, além das centrais, para os movimentos sociais, pois há muito em jogo nesta batalha”.

 

A certa altura, o mandachuva da CUT soa como se tramasse levar ao Congresso um prato feito.

 

Quintino parece já ter obtido algo que o líder do PMDB ainda não logrou conseguir. Agendou conversas na Esplanada. Assim mesmo, no plural.

 

As primeiras conversas com os ministros acontecerão já nesta semana, informa a CUT.

 

O desejo da central, braço sindical do PT, é o de excluir os congressistas da negociação. Quintino abre o jogo:

 

“Não queremos que um assunto desta importância fique à mercê da chantagem de setores do Congresso...”

 

“...O acertado na mesa de negociação, com o governo federal, deve ser respeitado e aprovado pelo Congresso”.

 

Beleza. Em resposta à chiadeira do PMDB, Mantega cobrou lealdade dos “aliados”. Disse: qualquer cifra acima dos R$ 540 será vetada por Dilma.

 

Simultaneamente, Mantega esquiva-se de uma reunião com a tropa congressual e as portas dos gabinetes se abrem para a cavalaria sindical.

 

Foi assim, negociando diretamente com os sindicatos e ignorando o Congresso, que Lula implantou, em 2006, a sua política de valorização do salário mínimo.

 

Prevê a reposição da inflação, acrescida da variação do PIB dos dois anos anteriores. Espremido pela crise financeira global, o PIB de 2009 foi negativo.

 

Daí a proposta mixuruca do governo, que eleva o mínimo de R$ 510 para R$ 540. Abaixo da inflação, sem aumento real.

 

Ouça-se um pouco mais de Henrique Alves: “Quero que o ministro nos explique o porquê dos R$ 540, para podermos nos mobilizar para a guerra...”

 

“...Quem sabe podemos chegar a um meio-termo. A decisão foi do governo Lula. Agora, o ministro da Fazenda é o mesmo, mas a presidente é outra...

 

“...O que não adianta é chegar na hora da votação e dizer pra minha bancada: é isso porque o governo quer que seja. Ninguém vota desse jeito. Precisa convencer”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h22

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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