Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Reportagens

Sindicato quer indicar o secretário da Receita Federal

  Fotos: Divulgação e ABr
No próximo dia 17 de setembro, o Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita) realizará em Brasília uma cerimônica de “diplomação”.

 

Serão “diplomados” os três candidatos mais votados numa eleição para o cargo de secretário da Receita Federal. O pleito já ocorreu. Foi concluído, sem alarde, no início de agosto. Votaram cerca de 3.500 auditores fiscais de todo país.

 

Pela ordem, receberam mais votos: Dão Real Pereira dos Santos (20,23%), Luiz Sérgio Fonseca (17,53%) e Henrique Jorge Freitas da Silva (15,79%). Os três têm em comum o fato de terem ocupado postos de mando na gestão da ex-secretária Lina Vieira, demitida após um desentendimento com Dilma Rousseff.

 

Os nomes serão acomodados dos ex-auxiliares de Lina serão acomodados numa lista tríplice, que será encaminhada ao atual secretário do fisco, Otacílio Cartaxo. Depois, o Sindifisco levará o documento ao novo presidente da República, a ser eleito em 3 de outubro, 17 dias depois da “diplomação” dos auditores.

 

A ideia é pressionar o gabinete de transição do sucessor de Lula para que o nome do próximo mandachuva da Receita seja extraído dessa lista. Trata-se de uma reivindicação informal. Quem indica o secretário é o ministro da Fazenda. Pela lei, a nomeação é prerrogativa exclusiva do presidente.

 

A investida do sindicato ocorre num instante em que a gestão Lula e a própria Receita frequentam as manchetes em posição desconfortável. O governo é acusado pela oposição de ter promovido um aparelhamento sindical do Estado nunca antes visto na história do país.

 

A Receita vê-se às voltas com a denúncia de violação do sigilo fiscal de quatro personagens ligados ao PSDB e ao presidenciável José Serra.

 

Chama-se Pedro Delarue (na foto lá do alto) o presidente do Sindifisco. É filiado ao PT desde 2002. O blog ouviu-o sobre a pretensão dos auditores.

 

Acha que o fato de ser filiado ao PT facilita o diálogo com Dilma Rousseff, a favorita nas pesquisas? “Não creio”, respondeu Delarue. “Vai ser difícil em qualquer caso”. Afirma que pretende se fazer ouvir pelo peso do sindicato que preside, não pela filiação partidária.

 

“Nem sei se o PT sabe que eu sou filiado”, diz Delarue. “Não tenho militância partidária, não frequento o diretório”.

 

Não acha que a denúncia de vazamento de dados sigilosos e a sensação de aparalhamento do fisco enfraquecem a reivindicação do sindicato? “Acho justamente o contrário...”

 

“...Se é para aparelhar, fica mais fácil a partir de nomeação do governo, sem a indicação da categoria. A lista tríplice evita o aparelhamento. Onde ele ocorreu foi porque os postos são de livre nomeação, o governo nomeia quem quiser”.

 

Um secretário eleito pela categoria não poderia agir corporativamente em investigações como a que envolve a violação de sigilo de tucanos? “É boa pergunta, mas creio que não”, responde Delarue.

 

“Estamos extremamente preocupados com esse caso. Em nota, pedimos pressa na apuração. O sentimento do corpo funcional da Receita é avesso a esse tipo de prática. Se há culpados, queremos que seham apontados e punidos...”

 

“...Não é a instituição que está envolvida nisso. A apuração aponta para uma ou duas pessoas”.

 

O nome do corregedor-geral da Receita, Antônio Carlos Costa D’Ávila, surgira no início do processo eletivo do sindicato como um dos cotados à lista tríplice. Bem votado na seleção prévia, D’Ávila se retirou da disputa depois que teve de abrir processo administrativo para apurar o caso da quebra de sigilos.

 

No modelo de eleição adotado pelo Sindifisco, não há candidaturas formais. Os nomes brotam de duas votações –uma prévia e outra final. Na primeira rodada, emergira como favorita à primeira colocação da lista a própria Lina Vieira. A exemplo de D’Ávila, a ex-leoa se autoexcluiu do páreo.

 

Em carta dirigida à categoria, Lina agradeceu o apoio. Mas anotou: “[...] Entendo que o caminho deve ser trilhado pelos novos quadros que entraram em cena”. O diabo é que os “novos quadros” são egressos da velha gestão.

 

Dão, o primeiro colocado, chefiou, sob Lina, a 10ª região fiscal, sediada no Rio Grande do Sul. Luiz Sérgio, o segundo, comandou, a partir de São Paulo, a 8ª região fiscal. E Henrique Jorge, o terceiro, foi subsecretário de Fiscalização de Lina.

 

Na improvável hipótese de Serra ser eleito presidente, a hipótese de pinçar o secretário da Receira da lista do Sindifisco é nula. Se Dilma confirmar o favoritismo, parece improvável que opte por um dos três ex-colaborares de Lina.

 

Dilma ainda traz a ex-leoa atravessada na traquéia. Como se recorda, Lina foi ao olho da rua depois de ter acusado a ex-chefe da Casa Civil de pressioná-la para “apressar” uma auditoria que perscrutava a rotina financeira de Fernando Sarney.

 

Como reagirá o Sindifisco se sua lista for ignorada?  “Vamos persistir”, diz Delarue. “É um processo. Não esperamos que lista vá ser acatada de pronto”.

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h21

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Declínio de Serra leva a oposição a priorizar o Senado

Lula Marques/Folha
 

Esboçada em todas as pesquisas de opinião, a perspectiva de vitória de Dilma Rousseff deslocou o foco da oposição.

 

As cúpulas do PSDB e do DEM decidiram voltar suas atenções para a disputa travada nos Estados pelas cadeiras do Senado.

 

A iniciativa da articulação partiu de Fernando Henrique Cardoso. Ele deflagrou o movimento na semana passada.

 

Sem alarde, FHC dividiu suas apreensões com Jorge Bornhausen, presidente de honra do DEM; e Sérgio Guerra, presidente do PSDB.

 

Acha que, confirmando-se o triunfo de Dilma, não restará à oposição senão erguer no Legislativo barricadas contra a “dominação” petista.

 

Dá-se de barato que a maioria governista na Câmara, acachapante sob Lula, tende a ser ainda maior numa eventual gestão Dilma.

 

E tenta-se reproduzir no Senado o quadro que permitiu à oposição impor ao Planalto derrotas como a rejeição da emenda que prorrogava a CPMF.

 

Excluído da campanha tucana de José Serra, que prefere exibir Lula no rádio e na TV, FHC declara-se, em privado, preocupado com os rumos da própria democracia.

 

Revela-se receoso de que a expectativa do poder longevo leve o petismo a tentar mimetizar no Brasil o modelo autocrático do venezuelano Hugo Chávez.

 

Enxerga no Senado a única trincheira na qual a oposição ainda pode se posicionar para deter eventuais "arroubos antidemocráticos”.

 

Ficou combinado que, em entrevistas e artigos de jornal, os líderes da oposição devem ostentar um discurso voltado à classe média.

 

Em essência, vai-se esgrimir a tese segundo a qual o poder do Executivo precisa ser submetido ao contrapeso de um Congresso capaz de vigiá-lo.

 

Candidato ao Senado pelo DEM do Rio de Janeiro, o ex-prefeito Cesar Maia foi o primeiro a levar o discurso aos lábios.

 

Num vídeo que pendurou em sua página na internet, na última sexta (20), Cesar Maia fez referência ao Datafolha.

 

Sem meias palavras, disse que a vantagem de 17 pontos percentuais atribuída a Dilma leva a um deslocamento do “foco para as eleições do Senado”.

 

“Essa é uma questão da maior preocupação de todos nós, que somos amantes da democracia”, disse Cesar Maia.

 

“Queremos evitar que, no Brasil, aconteça o que aconteceu na Venezuela", acrescentou. Para ele, o “jogo” agora é “o controle do Senado”.

 

No centro das apreensões de tucanos e ‘demos’ está um número mágico: 47. É esse o escore necessário à aprovação de uma emenda constitucional no Senado.

 

Hoje, Lula dispõe da maioria dos votos dos 81 senadores. A supremacia é, porém, apenas nominal.

 

Em articulação com dissidentes governistas, a oposição impôs derrotas ao governo até em votações de projetos que exigem a maioria simples de 41 votos.

 

Atento à fragilidade do consórcio que lhe dá suporte no Senado, Lula empenha-se em prover para Dilma um cenário mais confortável.

 

Em público, o presidente pede votos em comícios para sua pupila e também para os candidatos ao Senado alinhados com o governo.

 

Para sensibilizar as platéias, Lula não se cansa de recordar que, ao derrubar a CPMF, a oposição o privou de injetar R$ 40 bilhões na saúde.

 

Entre quatro paredes, Lula afirma aos políticos que o cercam: “Um senador vale mais do que três governadores”.

 

Nas eleições de 2010, estão em jogo 54 dos 81 assentos do Senado. Deve-se ao Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) o estudo mais completo sobre prognósticos.

 

O levantamento carece de atualizações. Mas é, por ora, o que mais se aproxima da guerra travada nos Estados.

 

O documento esboça um quadro pouco alvissareiro para a oposição. Estima que o PMDB deve conservar nas urnas a condição de dono da maior bancada do Senado.

 

Prevê que o PT pode saltar da quarta para a segunda colocação em número de senadores. E vaticina a redução das bancadas oposicionistas.

 

Hoje, PSDB e DEM operam com 14 senadores cada um, atrás do PMDB e à frente do PT.

 

Tomados pelas previsões do Diap os tucanos correm o risco de ser deslocados para a terceira posição. E os ‘demos’ para a quarta. Daí a preocupação de FHC e Cia..

 

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Escrito por Josias de Souza às 04h53

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Pesquisas de Serra apontam FHC como um problema

  Fotos: Folha e AP
A ausência de Fernando Henrique Cardoso na campanha tucana de José Serra tem uma explicação técnica.

 

Pesquisas feitas por encomenda do comitê de campanha de Serra conferem a FHC a incômoda condição de aliado-problema.

 

Repete-se em 2010 um fenômeno que já havia atormentado o tucanato em 2006, quando o presidenciável do PSDB era Geraldo Alckmin.

 

Oito anos depois de ter deixado o poder, FHC é mais associado aos problemas de seu segundo mandato do que às virtudes do primeiro.

 

A maioria do eleitorado vincula-o às crises econômicas que desaguaram no desprestígio do ocaso, em 2002.

 

Pouca gente liga a imagem de FHC à interrupção do ciclo superinflacionário, uma realização de seu primeiro mandato.

 

Perdeu-se no tempo a memória do Plano Real, Um feito que FHC alicerçara como ministro de Itamar Franco, solidificara como presidente e usara para se reeleger.

 

As conclusões saltam de pesquisas qualitativas. Diferem das quantitativas no método e nos objetivos.

 

São feitas em reuniões de pequenos grupos de eleitores. E não visam a obtenção de índices de intenção de voto. Buscam identificar o pensamento médio do eleitor.

 

É como se os pesquisadores enfiassem uma sonda no cérebro dos pesquisados, sugando a percepção de cada um acerca dos temas submetidos a debate.

 

Guiando-se pelas sondagens qualitativas, o QG de Serra mapeou os “pontos fortes” e as “debilidades” da campanha de Serra e da candidatura rival de Dilma Rousseff.

 

- Sobre Serra: Concluiu-se, em essência, que seu principal cacife é a biografia. Curiosamente, a passagem pela Esplanada de FHC obtém especial relevo.

 

Permanecem frescos no imaginário do eleitor os programas que Serra se jacta de ter posto de pé na pasta da Saúde –especialmente a disseminação dos genéricos.

 

O principal flanco do presidenciável tucano são as companhias. Afora o desapreço que o eleitor devota a FHC, também o PSDB é visto com um pé atrás.

 

A legenda de Serra é associada nas pesquisas qualitativas a conceitos “elitistas”.

 

Dito de outro modo: salta dos grupos de discussão a ideia de que o tucanato preocupa-se mais com os “ricos” do que com os “pobres”.

 

- Sobre Dilma: Tomada pelos relatórios que resumem os achados das pesquisas qualitativas do tucanato, Dilma tem em Lula sua principal arma eleitoral.

 

O pedaço do eleitorado simpático à candidata do PT credita a sedução principalmente ao fato de ela ser a escolhida do presidente.

 

O calcanhar de Aquiles de Dilma emerge dos grupos de discussão na forma de pontos de interrogação.

 

Boa parte dos eleitores ainda rumina dúvidas quanto ao passado da candidata e à capacidade de presidir o país e de se impor sobre o PT.

 

Os dados das pesquisas qualitativas ajudam a entender o vaivém dos candidatos na cena sucessória.

 

No último lance, executado na entrevista ao “Jornal Nacional”, Serra levou ao ar uma sucessão de frases emblemáticas.

 

Coisas assim: 1) FHC e Lula “governaram em períodos diferentes, em circunstâncias diferentes”. 2) “O Lula não é candidato a presidente”...

 

...3) “Eu estou focado no futuro”. 4) “Não há presidente que possa governar na garupa, ouvindo terceiros ou sendo monitorado por terceiros”.

 

Em resposta, Dilma, que também é municiada pelas pesquisas de seu comitê, apressou-se em grudar FHC no rival.

 

Disse: 1) "O meu adversário tem um medo enorme da comparação entre o governo dele, que é o do FHC, e do meu, que é do presidente Lula...”

 

...2) “Ele não pode estar na garupa do presidente FHC, porque aí é até uma covardia".

É esse quadro, circunscrito pela moldura das pesquisas, que será levado à propaganda eleitoral a partir da próxima terça-feira (17).

 

Serra, em peças solitárias, tentará realçar a própria biografia. Para atenuar o elitismo atribuído ao PSDB, realçará a preocupação social.

 

Dilma vai à TV com duas preocupações: sugar ao máximo o prestígio de Lula sem permitir que a imnagem do presidente se sobreponha à sua própria figura.

 

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Escrito por Josias de Souza às 06h09

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Filho de tucano leva à web a videobiografia de Serra

A campanha de José Serra ganhou, na internet, uma uma espécie de versão caseira do filme “Lula, o filho do Brasil”.

 

Chama-se “Retratos do Serra, uma biografia em filmes”. Resume, em 12 vídeos, a vida do candidato –do nascimento, em 1942, à candidatura de 2010.

 

Deve-se o trabalho a Guilherme Coelho. Ele conta que a idéia foi de seu pai, o ex-deputado tucano Ronaldo Cezar Coelho (RJ), amigo de Serra.

 

Os filmetes tem boa qualidade técnica. Não são recomendáveis a partidários de Lula e da candidata dele, Dilma Rousseff.

 

Eleitor declarado de Serra, Guilherme, o diretor das peças, não esconde o propósito promocional da obra. “É ativismo político”, ele afirma.

 

Serra colaborou gostosamente na execução do projeto. Deu depoimentos. Cedeu imagens. Numa, o pai e a mãe aparecem dançando em celebração familiar.

 

Salta do trabalho a deliberada intenção de realçar em Serra os laivos de humanidade supostamente escondidos atrás do político sisudo e sem carisma.

 

No segundo vídeo da série (disponível lá no alto), Serra é retratado como aluno barulhento na escola e briguento nas peladas de rua.

 

Jogava na defesa, a locutora informa. Recolheram-se vários depoimentos. Deu-se voz, por exemplo, a uma ex-colega de escola de Serra.

 

“O Zé era muito lindo, isso eu tenho que falar”, ela exagera. “Olhos verdes”, derrete-se. E tinha, à época, “pasmem, muito cabelo!”

 

Conta que não “se atirava” na direção de Serra porque supunha que ele tivesse uma queda por outra menina, a “rainha do colégio”.

 

O vídeo é arrematado com a locutora, em off: “Zé não se lembra, mas há quem diga que, desde criança, ele queria ser presidente do Brasil”.

 

Nos pedaços seguintes, fala-se da passagem de Serra pelo curso de engenharia da USP, a presidência da UNE, a ditadura e o exílio. Chile, EUA...

 

Depois, o retorno ao Brasil, a cátedra na Unicamp, o engajamento na campanha pelas diretas, a elaboração do naco econômico do programa de Tancredo Neves.

 

Deu-se especial destaque à passagem de Serra pela secretaria de Planejamento do governo Montoro.

 

Ouvido, Fernando Henrique Cardoso como que atribui ao ex-secretário ares de governador.

 

Conta que, no Senado, já na condição de ex-governador, Montoro lhe teria dito que quem governava de fato era Serra, não ele.

 

No trecho em que trata do Serra deputado constituinte, a videobiografia repisa a tecla de que foi ele quem viabilizou o financiamento do seguro desemprego.

 

O vídeo que discorre sobre a passagem de Serra pelo governo FHC, empurra para segundíssimo plano a pasta do Planejamento.

 

Deu-se preferência à Saúde, um dos pilares da campanha presidencial de Serra.

 

Fala-se dos medicamentos genéricos sem mencionar o nome do autor do projeto, Jamil Haddad (PSB), ex-ministro de Itamar Franco.

 

Dá-se relevo ao programa de combate à Aids e à quebra das patentes dos remédios. Num trecho, Serra aparece discursando na ONU, em bom inglês.

 

A derrota para Lula, na disputa presidencial de 2002, é citada pela locutora numa escassa frase. Depois, a prefeitura e o governo de São Paulo.

 

No encerramento, a locutora retoma a meada que começara a desfiar no início: o projeto presidencial de Serra.

 

Um projeto que, segundo a videobiografia, ele começara a acalentar na tenra idade: O “Zé não se lembra, mas há quem diga que, desde criança, queria ser presidente”.

 

- Serviço: Aqui, a página em que foram pendurados os 12 vídeos sobre Serra. Aqui, a tentativa do diretor Guilherme Coelho de responder a uma autoindagação: "Por que filmar Serra?"

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h44

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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