Está pavimentado o caminho que ligará a campanha de Dilma Rousseff (PT) às caixas registradoras das maiores empresas do país.

 

A cúpula do PT estima que as arcas eleitorais de Dilma serão de três a cinco vezes mais robustas que as do rival José Serra, do PSDB.

 

O blog ouviu nas últimas duas semanas dirigentes petistas e tucanos. Detectou, de um lado, certezas e otimismo. Do outro, dúvidas e desânimo.

 

“No passado, quando o PSDB era governo, para cada milhão doado pra eles o PT recebia R$ 200 mil. Agora vai ser o contrário”, vaticinou um grão-petê.

 

Confrontado com a estimativa, um dirigente tucano familiarizado com a coleta de fundos de campanha concordou com o raciocínio.

 

O partido de Serra avalia que, neste ano, a desvantagem monetária em relação ao PT será maior do que a registrada em 2006.

 

Naquele ano, o PSDB levara às urnas o nome de Geraldo Alckmin. Amealhara, no oficial, R$ 62 milhões.

 

Uma cifra insuficiente para cobrir as despesas declaradas da campanha: R$ 81,9 milhões. Restara um passivo de R$ 19,9 milhões.

 

O PT, que comparecera à disputa com o projeto reeleitoral de Lula, arrecadara R$ 94,4 milhões. Despesas: R$ 104,3 milhões. Um vermelho de R$ 9,87 milhões.

 

Na sucessão de 2002 –Serra X Lula— o volume de verbas movimentado por cima da mesa fora quase o mesmo: R$ 33,7 milhões para o PT; R$ 34,4 para o PSDB.

 

Na atual fase de pré-campanha, o petismo atribuiu ao ex-ministro Antonio Palocci a tarefa de achegar-se aos grandes doadores.

 

No tucanato, mercê da demora de José Serra em retirar sua candidatura do armário, a coisa atrasou. Só agora os contatos começam a ser planejados.

 

Um dirigente do PT federal listou para o repórter cinco razões que levam a turma de Dilma a contar com um ovo que a galinha ainda não botou:

 

1. “Se é verdade que os pobres estão satisfeitos com o governo Lula, os muitos ricos também não têm do que reclamar”.

 

2. “A indústria naval brasileira, que estava quebrada, foi reativada graças às encomendas da Petrobras”.

 

3. “Grandes construtoras, que entraram em dificuldades com a crise internacional, tiveram acesso a crédito oficial”.

 

4. “O programa Minha Casa, Minha Vida reativou o setor da construção civil, antes voltado para um filão que agonizava, o de classe média alta”.

 

5. “Os bancos também não têm do que reclamar. Registraram no governo Lula recordes de lucratividade”.

 

Do lado da oposição, um dirigente do PSDB disse que, afora o fato de o PT controlar os grandes cofres da República, há o “fator TSE”.

 

É como se refere à resolução baixada pelo TSE para coibir as chamadas doações ocultas.

 

Dinheiro repassado pelas empresas aos partidos, não aos candidatos. Na prestação de contas, apontava-se como origem da verba a legenda, não a logomarca privada.

 

“A prevalecer o novo entendimento, a empresa que fizer doações para a oposição terá o nome exposto no jornal na semana seguinte”, queixou-se o grão-tucano.

 

E daí? “Nenhuma empresa gosta de ficar exposta à pressão de governo com o qual mantém contratos”.

 

Citou um caso que diz ter ocorrido em 2006. O PSDB precisava de dinheiro para financiar as despesas da convenção que apontaria Alckmin como seu candidato.

 

Contactado, um grande empresário –não quis mencionar o nome— topou custear o evento partidário. Fez a primeira doação numa conta do Banco do Brasil.

 

Segundo o tucano, o governo ficou sabendo. E o doador foi chamado ao Planalto. Pressionado, fechou o bolso.

 

Encerrou o relato com uma pergunta: “Qual é o grande fornecedor da Petrobras que vai correr o risco de fazer doações abertas para a oposição?”

 

PT e PSDB encerraram o ano de 2009 no vermelho. João Vaccari Neto, que assumiu a tesouraria petista há duas semanas, herdou um passivo de cerca de R$ 35 milhões.

 

O buraco é grande. Mas é menor do que o rombo de R$ 55 milhões que o ancetessor Paulo Ferreira, herdara de Delúbio Soares nas pegadas do mensalão.

 

O PSDB, que saíra da campanha de 2006 com uma dívida maior que a do PT, terminou 2009 com passivo bem menor: algo como R$ 4 milhões.

 

Num e noutro caso, o equilíbrio da escrituração partidária depende da coleta que cada legenda for capaz de realizar neste ano eleitoral de 2010.

 

A julgar pelos relatos feitos nos subterrâneos, o PT largou na frente.

 

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