Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Reportagens

Em ano eleitoral, Piauí transforma água em comida

Em ano eleitoral, Piauí transforma água em comida

R$ 2,5 mi destinados a carros-pipa pagam cestas básicas

 

Duke

 

O governador petista do Piauí, Wellington Dias, transformou em comida os R$ 2,5 milhões que recebera do governo companheiro de Lula para financiar a compra de água. Em vez encher carros-pipa para matar a sede das vítimas da seca no Estado mais pobre do país, a verba federal vai rechear a carroceria de caminhões com 50 mil cestas básicas.

 

Nesta quarta-feira (29), o próprio governador piauiense inspecionará o embarque das primeiras 5.000 cestas de alimentos. Serão enviadas a famílias pobres de dez municípios piauienses: 1) Flores do Piauí; 2) Itaueira; 3) Rio Grande do Piauí; 4) Gilbuéis; 5) São Julião; 6) Alegrete; 7) Ipiranga; 8) Redenção do Gurguéia; 9) Monsenhor Hipólito; e 10) Alvorada do Gurguéia.

 

A generosidade paga pelo Tesouro Nacional ocorre no alvorecer de um ano em que os beneficiários das cestas-básicas terão de escolher nas urnas os novos prefeitos e vereadores de suas cidades. E o governo piauiense não se faz de rogado. Esmera-se na divulgação: a distribuição de alimentos foi às páginas da imprensa local e ao sítio da secretaria de Defesa Civil do Estado.

 

A operação que resultou na transferência de R$ 2,5 milhões dos cofres de Brasília para as arcas da administração piauiense constitui um dos mais nítidos retratos da ineficiência do Estado. Deu-se o seguinte:

 

1. Em 28 de maio de 2007, o governo do Piauí enviou ao ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) o ofício número 89. Pedia socorro financeiro para acudir as vítimas da seca. Dos 223 municípios do Estado, 150 arrostavam severa estiagem. O flagelo da falta d’água infelicitava algo cerca de 1 milhão de piauienses;

 

2. Em 6 de julho de 2007, de passagem por Teresina, o ministro Geddel anunciou, diante de cerca de 200 pares de ouvidos que o observavam –entre eles os do governador Wellington—, que o Piauí receberia R$ 2,5 milhões. Graças ao anunciou, suspendeu-se um programa emergencial de fornecimento de água conduzido pelo Exército;

 

3. Em 9 de outubro de 2007, o ministério gerido por Geddel empenhou a verba que prometera ao Piauí: R$ 2.524.635,00. A nota de empenho foi registrada sob o código “2007NE900670”. Empenho, porém, não é sinônimo de liberação. Significa apenas que a reserva do dinheiro para a execução de uma determinada despesa;

 

4. Em novembro, a chuva começou a cair sobre o semi-árido do Piauí. São Pedro foi mais ágil que a burocracia oficial. Quando a verba de Brasília chegou a Teresina, os carros-pipa já não eram mais necessários;

 

5. Em tese, Wellington Dias deveria devolver a verba aos cofres do Tesouro. O empenho da pasta da Integração Regional é muito explícito ao anotar o “objeto” a que se destinavam os recursos: “Programa emergencial de distribuição de água potável, destinado a municípios do semi-árido piauiense, através de carros pipas.”

 

6. O uso do dinheiro para objetivos diversos daquele previsto no empenho não tem amparo na lei. No ano passado, quando os primeiros pingos de chuva começaram a tocar o solo ressequido do Piauí, o secretário da Defesa Civil do Estado, Fernando Monteiro, declarara o seguinte: “Caso o dinheiro não seja liberado antes de a chuva efetivamente chegar, justificaremos o investimento em outras melhorias para combater a seca no Estado, como a construção de cisternas e poços.” Mudou de idéia. Usa o dinheiro para comprar cestas básicas. Alega que a comida será entregue, “prioritariamente”, a famílias que ainda não foram cadastradas em programas sociais do governo.

 

PS.: Ilustração via blog do Duke.

PS.2: Em nota enviada ao repórter, a assessoria do governador Wellington Dias diz lamentar que “a ajuda às vítimas da estiagem no Estado tenha se transformado em mote de insinuação do uso da mesma para fins políticos-eleitorais”. Afirma que os municípios beneficiados com a distribuição de cestas básicas encontram-se em “estado de emergência” desde de maio de 2007. Por isso, “estão habilitados para receber auxílio federal.” Sustenta, de resto, que o ministério da Integração Nacional suspendera a ajuda ao Piauí porque o ano fiscal de 2007 encerrara em 21 de dezembro. O repasse só foi restabelecido na sexta-feira passada (25). O próprio ministério, diz a nota, redirecionou a verba dos carros-pipa para a compra de alimentos, via Conab.

Escrito por Josias de Souza às 18h08

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Brasil é um dos últimos na redução do desemprego

Brasil é um dos últimos na redução do desemprego

No ranking da OIT, índice melhorou em dez países da AL

Brasil é o 8ª colocado, à frente só do Peru e do Equador

Situação melhora no continente pelo 5º ano consecutivo

Só no México o índice de desemprego cresceu em 2007

 

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgou nesta segunda-feira (28), em Lima, capital peruana, a nova edição do “Panorama Laboral”. Refere-se ao ano de 2007. Informa que a taxa de desemprego urbano caiu pelo quinto ano consecutivo na América Latina e no Caribe. Na média, o índice foi reduzido em 0,6% —caiu para 8,5%, contra os 9,1% registrados na região em 2006.

 

O documento baseou-se em dados coletados de janeiro a setembro de 2007 em 15 países, onze latino-americanos e três caribenhos. Verificou-se uma queda generalizada do desemprego. Só no México houve leve crescimento do índice. Tomando-se o naco da América Latina onde houve decréscimo do desemprego, a queda foi maior no Panamá, Argentina, Uruguai, Venezuela, Chile, Colômbia e Costa Rica. E mais modestas no Brasil, Equador e Peru.

 

Eis o ranking apresentado no documento da OIT:

 

1- Panamá - redução de 10.4% para 7.7%

2- Argentina - caiu de 10.7% para 8.8%

3 - Uruguai - foi de 11.9% para 10.0%

4 - Venezuela – de 10.5% para 9.0%

5 - Chile - 8.4% para 7.1%

6 - Colômbia - 13.2% para a 12.0%

7- Costa Rica - 6.0% para 4.8%

8- Brasil - 10.2% para 9.7%

9- Equador - 10.3% para 9.8%

10 - Peru - 8.8% para 8.7%

11- México – a taxa subiu de 3.6% para 3.8%.

 

Na semana passada, o IBGE informara que o desemprego fora de 9,3%, em 2007, nas seis maiores regiões metropolitanas do Brasil. Um índice ligeiramente inferior aos 9,7% anotados no texto da OIT, que manuseou informações relativas aos nove primeiros meses do ano passado. 

 

Entre os países do Caribe mencionados no estudo da OIT, dois registraram quedas na taxa de desemprego superiores às do Brasil –Jamaica (de 11,4% para 10,2%) e Honduras (de 5,2% para 4,1%). Outros dois anotaram índices de redução menores que o brasileiro –Barbados (de 8,7% para 8,9%) e Trinidad Tobago (de 7.0% para 6.3%).

 

Com a redução para 8,5%, a taxa média de desemprego no continente recuou a níveis semelhantes aos registrados na metade dos anos 90. A OIT estima em 17,6 milhões o número de desempregados na América Latina e no Caribe. A melhoria do quadro vem sendo contínua desde 2002, quando o índice de desemprego na região era 11,4%. Em cinco anos, o desemprego recuou 2,9%.  

 

O relatório da OIT anota que, mantendo-se a perspectiva de um crescimento econômico médio de 4,7% ao longo de 2008, o desemprego na América Latina e no Caribe pode cair ainda mais: iria de 8,5% para 7,9%. Jean Maninat, diretor da OIT, lembra, porém, que o mundo vive dias nebulosos: “Haverá uma alta dose de incerteza, gerada pela volatilidade da situação econômica internacional e pelos prognósticos de uma desaceleração e, inclusive, de uma recessão”, puxada pela economia dos EUA.

 

A despeito da melhoria do cenário em 2007, acompanhada de leve melhoria no valor dos salários reais, a OIT anota em seu relatório que há um “déficit de salário decente” na região. Na definição da entidade, é “decente” a ocupação que oferece ao trabalhador: rendimentos dignos, segurança no local de trabalho, proteção social para as famílias, liberdade para expressar opiniões e igualdade de oportunidades para mulheres e homens.

 

Segundo a OIT, persiste no continente a alta incidência de emprego informal. Em alguns países, a informalidade chega a 61,5%. Cerca de 39,2% dos trabalhadores da região ainda não dispõem de proteção de saúde e previdenciária.

 

O relatório ressalta que na região mantém-se um “déficit de trabalho decente”, das quais uma das principais manifestações é a persistência do emprego informal, que, segundo os dados disponíveis, em um grupo de países, afeta cerca de 61,5% dos trabalhadores ocupados urbanos, uma redução de 0,8 pontos percentuais em relação a 2005.

Por outro lado, cerca de 39,2% dos trabalhadores ocupados urbanos não tinham proteção em saúde ou pensões em 2006, uma proporção que aumenta de forma importante para o caso do emprego não assalariado, serviço doméstico e trabalhadores independentes. De resto, a taxa de desocupação é 1,6 vezes maior entre as mulheres. Pressionando aqui, você vai à íntegra do relatório da OIT. São 105 páginas. Infelizmente, só está disponível em espanhol.

Escrito por Josias de Souza às 01h33

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Movimentação de Serra precipita disputa com Aécio

Movimentação de Serra precipita disputa com Aécio

Acabou o armistício entre os 2 presidenciáveis tucanos

Para Aécio, Serra tenta se impor como ‘fato consumado’

‘No atropelo, ninguém ganha eleição’, disse a um amigo

Em resposta, iniciou uma articulação a favor das prévias

Em março, deflagra um cronograma de viagens pelo país

 

  Folha
Há um ano, em fevereiro de 2007, os presidenciáveis tucanos José Serra e Aécio Neves firmaram um armistício. Combinaram que só tratariam de 2010 depois que fossem abertas as urnas de 2008. O cessar-fogo acabou. Nove meses antes do prazo combinado, os governadores de São Paulo e de Minas Gerais voltaram a se bicar.

 

Ainda não foi disparado nenhum tiro em público. Mas Aécio decidiu reforçar o paiol. Iniciou a preparação para a guerra interna. Entre quatro paredes, o governador mineiro mostra-se incomodado com o que chama de “antecipação prematura do processo.” Acha que está em curso uma tentativa de transformar a candidatura presidencial do rival num “fato consumado”. E resolveu enrolar a bandeira branca.

 

A negociação de Serra para transformar Gilberto Kassab (DEM) em candidato à prefeitura paulistana foi o estopim que alvoroçou as plumas do tucanato. Serra tenta rifar Geraldo Alckmin (PSDB), alternativa tucana ao 'demo' Kassab, em troca do compromisso do DEM de apoiá-lo em 2010.

 

Para desassossego de Aécio, Fernando Henrique Cardoso veio ao meio-fio para defender a formalização da aliança tucano-democrata em torno de Kassab. “Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele [Kassab] com o PSDB se mantivesse nas eleições [municipais de 2008], que o Geraldo [Alckmin] pudesse disputar o governo, o que liberaria o Serra para a presidência [da República]”, disse FHC aos repórteres Laura Greenhalgh e Fred Melo Paiva.

 

Privadamente, Aécio tachou as declarações de FHC de “inábeis”, “desastradas” e “extemporâneas.” Acha que as palavras do ex-presidente expressam uma visão equivocada. Diz que, em 2010, o DEM, por pragmático, vai se compor com o PSDB "com ou sem Kassab." Há dois dias, em conversa com um amigo, o governador mineiro afirmou: “Não estou mais em idade de dizer amém a tudo o que acha o Fernando Henrique.” Aécio ressuscitou uma frase que ouvira do avô Tancredo Neves: “Ninguém é paulista na política impunemente.”

 

Aécio falou ao amigo em timbre de desabafo: “Estão tentando passar a idéia de que, resolvido o problema da prefeitura de São Paulo, está decidida a questão nacional. Não aceito imposições. No atropelo ninguém vai ganhar eleição. Se me derrotam no atropelo, não vão ter nenhum voto em Minas.”

 

Aécio pôs-se em movimento. Retomou contatos com partidos como o PMDB e PSB, que flertam com ele há tempos. Como não contempla a hipótese de deixar o PSDB, resolveu abraçar a tese das prévias. Festeja a decisão do senador tucano Arthur Virgílio (AM) de lançar-se como candidato ao Planalto. Acha que, com três postulantes, o partido não terá como se esquivar da prévia.

 

De resto, o governador mineiro elabora um cronograma de viagens pelo país. Começa a voar já em março. Num primeiro momento, priorizará os Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No segundo semestre, subirá em palanques de candidatos tucanos às prefeituras de tantos municípios quantos consiga visitar.

 

Internamente, Aécio leva à mesa argumentos para tentar se contrapor à tese de que, à frente dele nas sondagens eleitorais, Serra é o melhor candidato do partido à sucessão de Lula. “Não estou convencido disso”, diz ele em privado. “Posso até não ser candidato se achar que não é o momento, se julgar que minha candidatura não é a que mais agrega. Mas não posso sair disso derrotado. Tenho que ser convencido, conquistado.”

 

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em dezembro, Aécio amealhou 15% das intenções de voto. É menos da metade do percentual atribuído a Serra –entre 33% e 38%, dependendo do cenário. O governador mineiro argumenta, porém, que o PSDB terá de levar em conta outros fatores.

 

Por exemplo: beneficiado pelo recall, Serra é conhecido por cerca de 90% do eleitorado brasileiro. Com uma taxa de conhecimento que gira ao redor dos 40%, Aécio acha que não pode ser considerado como uma carta excluída do baralho presidencial. Diz que a taxa de rejeição de Serra é maior do que a sua. Julga-se, além disso, em melhores condições de reunir em torno de si uma aliança partidária ampla, incorporando inclusive partidos que hoje gravitam em torno do governo Lula.

 

Por último, Aécio puxa da gaveta uma pesquisa que recebeu do instituto Vox Populi. Apresentou-a a um grão-tucano com quem conversou. O levantamento foi fechado em dezembro. Informa que 86% do eleitorado mineiro acha que ele deve se lançar na briga pelo Planalto.

 

Aécio conclui: “É algo muito sólido, que não posso ignorar, sob pena de ir para o suicídio. Se insistirem nessa tese de que, resolvido São Paulo está resolvido o Brasil, o Serra acaba se consolidando como o candidato anti-Minas. É uma visão míope. Anteciparam o processo de forma desastrada. Não deixaram opção aos aliados: ou aderem ao projeto de São Paulo ou não concordam e encaminham em outra direção. É o que vai acontecer.”

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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Enviado de Marta vai a Quércia e propõe coligação

Enviado de Marta vai a Quércia e propõe coligação

Em público, a ministra Marta Suplicy (Turismo) faz suspense sobre se vai ou não concorrer à prefeitura de São Paulo. Nos subterrâneos, despachou um emissário para negociar com Orestes Quércia uma coligação do seu PT com o PMDB. Deu-se na terça-feira (23), no escritório de Quércia.

 

A conversa teve ares institucionais. Além de controlar o diretório do PMDB na capital paulista, Quércia é o presidente do partido no Estado de São Paulo. Por isso, o petismo escolheu para abrir a negociação o seu presidente estadual, Edinho Silva, prefeito de Araraquara.

 

Segundo apurou o blog, Edinho deixou claro a Quércia que falava autorizado por Marta Suplicy. Disse que a ministra já tomou a decisão dela. Será mesmo candidata à prefeitura paulistana. E deseja formalizar uma coligação com o PMDB.

 

Privadamente, Marta declarou a integrantes de seu agrupamento político que só dará as caras na campanha em maio, em data próxima do limite imposto pela lei para que deixe o ministério. Até lá, tricotará a portas fechadas.

 

O encontro de Edinho com Quércia ocorreu nas pegadas de contatos do mandachuva do PMDB com e o “prefeiturável” Geraldo Alckmin (PSDB). Conforme noticiado aqui, Alckmin e Quércia reuniram-se pelo menos duas vezes.

 

Os aliados da ministra do Turismo invocam a presença do PMDB no consórcio que dá suporte a Lula para argumentar que o mais lógico é que Quércia se acerte com Marta, não com Alckmin. Cortejado, o peemedebista se faz de difícil. Por ora, não fechou com nem com o PT nem com o PSDB.

 

Como de hábito, quer saber qual dos dois lados lhe será mais vantajoso. Além de indicar o candidato a vice, Quércia deseja assegurar vaga para o Senado numa coligação para 2010. De resto, decidiu dar tempo ao tempo.

 

Quércia quer saber se o governador José Serra (PSDB) não vai puxar o tapete de Alckmin. E se Lula não criará obstáculos para as pretensões de Marta. Tenta, de quebra, emplacar afilhados no organograma do governo federal.

 

O último que indicou foi Miguel Colassuono. O nome referendado pela raposa repousa na mesa do Lobão, o novo ministro das Minas e Energia. Há mais: além de PSDB e PT, também o DEM de Gilberto Kassab emite sinais de que gostaria de um entendimento com o PMDB.

 

De concreto, tem-se, por enquanto, apenas uma certeza: o PMDB não terá candidato próprio à prefeitura de São Paulo. Conforme já noticiado aqui, o presidente nacional da legenda, Michel Temer (SP), já reconhece que a tendência é mesmo a de fazer uma coligação.

Escrito por Josias de Souza às 23h25

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DEM se dispõe a apoiar chapa Serra-Aécio em 2010

DEM se dispõe a apoiar chapa Serra-Aécio em 2010

Em troca do apoio a Kassab, partido abre mão da vice

Oferece também apoio a Alckmin na sucessão estadual

 

  Sérgio Lima/Folha
A direção do DEM joga pesado para obter o apoio do PSDB à candidatura de Gilberto Kassab na eleição municipal de 2008. Promete compensar o tucanato paulista com extrema generosidade nas disputas pelo Planalto e governo de São Paulo, em 2010.

 

Para a sucessão de Lula, o DEM se dispõe a apoiar o governador tucano José Serra sem exigir a vaga de vice. Em reserva, os ‘demos’ sugeriram a Serra a formação de uma chapa presidencial “puro sangue”, com o também tucano Aécio Neves na posição de candidato a vice.

 

Na eleição do futuro governador de São Paulo, o DEM promete apoio irrestrito a Geraldo Alckmin (PSDB). Nesta quarta-feira (23), Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, terá um encontro com Alckmin. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura, facilitando a composição em torno de Kassab.

 

Em diálogos que manteve com líderes do DEM, Serra tratou com naturalidade a possibilidade de figurar na cédula de 2010 ao lado de Aécio. Discorreu sobre o tema como se a hipótese já figurasse nos seus planos. Disse que é coisa para ser tratada mais adiante, não agora.

 

No momento, Serra concentra-se na costura de uma aliança tucano-democrata em torno de Kassab. Informou ao DEM que fará o que estiver ao seu alcance para pôr o acerto de pé. Disse, porém, que a evolução do entendimento depende da concordância de Alckmin, com quem planeja conversar depois do Carnaval.

 

Privadamente, lideranças do DEM e do próprio PSDB acham que Serra falhou no seu relacionamento com Alckmin. Em vez de abrir espaço para aliados do ex-governador na administração estadual, fechou as portas e afastou-se dele. Sugere-se que busque uma reaproximação.

 

Ainda que consiga arrancar Alckmin do caminho de Kassab, Serra terá muito a alinhavar se quiser de fato transformar Aécio Neves, hoje tão presidenciável quanto ele, em mero candidato a vice. Por enquanto, o maior aliado do governador de São Paulo, além do DEM e de FHC, é a pesquisa de opinião.  

 

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em 1º de dezembro de 2007, Serra figurava como líder em todos os cenários montados pelo instituto. Ciro Gomes (PSB) aparecia em segundo, sempre à frente dos candidatos do PT. Trocando-se o nome de Serra pelo de Aécio, Ciro assume o primeiro lugar. E o PSDB desce para o terceiro. Aécio fica atrás de Heloísa Helena (PSOL).

 

Montou-se também um cenário em que Serra e Aécio concorrem entre si. Nessa hipótese, que dependeria de uma improvável mudança do governador mineiro para outra legenda, Aécio manteve-se na condição de sub-HH. Serra (33%) lidera; Ciro (19%) permanece em segundo; e HH (15%) fica em terceiro. Só então vem Aécio (11%).

 

Na opinião de dirigentes do DEM, aparentemente compartilhada por Serra, a manutenção desse quadro amoleceria eventuais resistências de Aécio à vice. Não é o que deixa antever a movimentação do governador de Minas. Em São Paulo, Aécio estimula Alckmin a bater o pé. Quanto a Brasília, disse em dezembro, 11 dias depois da divulgação do Datafolha, que se considerava pronto para assumir a candidatura presidencial.

 

De concreto, tem-se, por ora, apenas o seguinte: para as duas principais legendas da oposição a Lula, a eleição municipal de São Paulo converteu-se na ante-sala de 2010. Serra e Aécio firmaram, em meados do ano passado, um armistício.

 

Combinaram de deixar as diferenças no armário até a abertura das urnas municipais, em outubro de 2008. A fricção entre Kassab e Alckmin está como que forçando a porta do armário. Que começa a se abrir antes da hora marcada.

Escrito por Josias de Souza às 03h36

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Em SP, PMDB pende para ‘uma aliança’, diz Temer

Em SP, PMDB pende para ‘uma aliança’, diz Temer

‘Dificilmente teremos candidato’, informa o deputado

Legenda é cortejada por Alckmin (PSDB) e Marta (PT)

 

Lúcio Távora/Folha

 

O PMDB de São Paulo tornou-se uma espécie de namoradinha do município. A legenda está sitiada por um cinturão de mesuras. Cortejam-na o PSDB de Geraldo Alckmin e o PT de Marta Suplicy. Disputam a primazia de uma aliança para a disputa da prefeitura da maior e mais importante cidade do país.

 

“Não há dúvida de que o PMDB está sendo disputado”, afirma o deputado Michel Temer (SP), presidente nacional da agremiação. Recebe a corte com naturalidade: “Dificilmente teremos candidato. E somos uma força significativa. Nossa perspectiva mais sólida é mesmo a de fazer uma aliança.”

 

Com quem? Temer diz que é cedo para dizer. “Até porque não estão definidas ainda as candidaturas.” Afirma, porém, que chegou a “hora de conversar.” Por enquanto, acha “difícil dizer para que lado vai o PMDB”. Estima que só “depois do Carnaval a coisa começa a se consolidar.”

 

Temer qualifica de “preliminares” as conversas realizadas até aqui. “Nada conclusivo.” Ele próprio foi procurado por emissários do PT, partidários da candidatura da ministra Marta Suplicy (Turismo). Manifestaram o interesse de aprofundar o diálogo. O tucano Geraldo Alckmin conversou diretamente com Orestes Quércia, presidente estadual do PMDB.

 

Aliado do governo Lula no plano nacional, o mais lógico seria que o PMDB se acertasse com o PT. Mas Temer não exclui a hipótese de um eventual entendimento com o tucanato. Lembra que, meses atrás, promoveu em sua casa, em Brasília, um jantar com presidentes e líderes de todos os partidos associados ao consórcio lulista.

 

O encontro foi feito por sugestão de Lula. O presidente recomendara que os partidos que gravitam à sua volta fizessem o possível para celebrar alianças “consangüíneas”, de governistas com governistas. “Chegamos a seguinte conclusão: será muito difícil que os partidos da base do governo façam acordos entre si em todos os municpiois”, rememora Temer. Ele resume assim o cenário esboçado no jantar:

 

“Deliberamos que não vamos deixar que as eventuais disputas municipais contaminem a alinaça nacional. É o cuidado que vamos ter. O primeiro ponto será fazer alianças onde for possível. Se não for possível, evitaremos que as questões locais contaminem o convívio federal. Isso ficou muito claro para todos os presidentes e lideres”.

 

No último pleito municipal, em 2004, o PMDB esteve na bica de celebrar um acordo com o PT em São Paulo. O partido de Lula foi à disputa representado pela mesma Marta que ensaia agora uma nova candidatura. O Planalto fazia gosto do casamento. Mas Marta deu para trás. Preferiu levar à cédula uma chapa puro sangue. Escolheu para vice o também petista Rui Falcão.

 

Marta foi batida nas urnas de 2004 por José Serra (PSDB), hoje no Palácio dos Bandeirantes. O PMDB terminou se aliando à malsucedida candidatura de Luiza Erundina (PSB). Restaram rusgas daquele processo. Nada, porém, capaz de inviabilizar um acerto entre PT e PMDB em 2008. “São coisas do passado”, releva Temer. “Em política, isso passa.”

 

Nas próximas semanas, o cerco ao PMDB tende a ser adensado. O prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição com o apoio cada vez menos velado de Serra, revela, em privado, a intenção de buscar, também ele, uma aliança com os peemedebistas.  

 

Afora o assédio de São Paulo, o PMDB começa a debater internamente as eleições no resto do país. Vale para os outros municípios a mesma regra enunciada por Temer: onde for possível, dar-se-á preferência ao acerto com partidos governistas. Onde não der, o PMDB não se furtará ao entendimento com oposicionistas, ora buscando a cabeça de chapa, ora sugerindo candidatos à vice.

 

Em dezembro, antes do início do recesso parlamentar, Temer foi procurado por Sérgio Guerra e Ricardo Berzoini, presidentes respectivamente do PSDB e do PT. Combinaram de conversar depois do Carnaval. É quando, nas palavras de Temer, “a coisa começa a se consolidar.”

Escrito por Josias de Souza às 03h36

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Cúpula do DEM vai a SP para ‘prestigiar’ Kassab

Cúpula do DEM vai a SP para ‘prestigiar’ Kassab

Alto comando da legenda quer candidatura 'irreversível'

 

  Folha
Num instante em que parte do PSDB hesita em apoiar o tucano Geraldo Alckmin, o DEM decidiu avançar uma casa no xadrez em que se converteu a pré-campanha para a prefeitura de São Paulo. O alto comando do DEM irá à capital paulista, na próxima terça-feira (22), para prestigiar o prefeito Gilberto Kassab (foto), candidato à reeleição.

 

Será um encontro do Conselho Político da legenda, integrado por suas principais lideranças –dirigentes, ex-dirigentes, líderes no Congresso e executivos –estaduais e municipais. O pretexto da reunião é a necessidade de fazer uma análise da conjuntura política. Serão discutidos: o cenário nacional pós-extinção da CPMF e a as eleições municipais de 2008.

 

Quanto ao caso de São Paulo, o partido pretende fixar uma posição terminativa. O conselho endossará a candidatura de Kassab e delegará ao próprio prefeito a tarefa de costurar os acordos políticos em torno do nome dele. Uma delegação apenas formal. Na prática, toda a ex-pefelândia está empenhada em pôr de pé a candidatura própria na maior capital do país.

 

Além de Kassab, o ‘demo’ mais envolvido na costura paulistana é Jorge Bornhausen (SC), ex-presidente do DEM. Ele esteve com o governador José Serra, na semana passada, para informar que pretende procurar Geraldo Alckmin. Recebeu sinal verde. Verdíssimo.  

 

Bornhausen planeja avistar-se com Alckmin nos próximos dias. Tentará demovê-lo da idéia de disputar a prefeitura. Vai aconselhá-lo a concorrer o governo de São Paulo, em 2010. Uma equação que interessa a Serra, empenhado em costurar uma aliança tucano-democrata para a sucessão de Lula.

 

Além de Serra, o DEM conta com o apoio de um outro grão-tucano para tirar o ex-governador do caminho: FHC. O problema é que, por ora, Alckmin não emite o menor sinal de que pretenda abrir mão da disputa. Longe disso. Já deflagrou os contatos para erigir uma aliança em torno de si. Conforme noticiado aqui, reuniu-se duas vezes com Orestes Quércia (PMDB).

 

O PT observa a divisão entre ‘demos’ e tucanos com vivo interesse. Torce para que a desavença tenha vida longa. Idealiza um cédula com os nomes de Kassab e de Alckmin. Situação em que sua candidata, a ministra Marta Suplicy, teria a vida simplificada.

 

Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 9 de dezembro, Alckmin obteve 26% das intenções de voto, quatro pontos a menos que os 30% que amealhara na pesquisa anterior, feita quatro meses antes. O ex-governador tucano estava tecnicamente empatado com Marta (25%, um ponto acima dos 24% que alcançara em agosto de 2007). Kassab subiu, em dezembro, de 10% para 13%.

 

Num cenário sem Alckmin, Marta subiria, segundo o Datafolha, de 25% para 28%, tornando-se líder isolada. Mas passaria a ser acossada por Kassab, que, nessa hipótese, subiria de 13% para 20%. Daí a macumba do petismo para que PSDB e DEM se apresentem aos eleitores paulistanos cada um com o seu candidato.

Escrito por Josias de Souza às 02h56

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Alckmin negocia apoio do PMDB de SP com Quércia

Alckmin negocia apoio do PMDB de SP com Quércia

Alheio às conveniências de José Serra e às opiniões de Fernando Henrique Cardoso, o tucano Geraldo Alckmin costura nos subterrâneos uma aliança que dê suporte à sua candidatura à prefeitura de São Paulo. Idealiza uma parceria do seu PSDB com o PMDB de Orestes Quércia.

Alckmin já teve pelo menos duas reuniões com o próprio Quércia, que preside o PMDB no Estado de São Paulo. Esteve também com Bebeto Haddad, presidente do diretório peemedebista na capital paulista.

 

O tucano disse aos dois interlocutores que deseja concorrer à prefeitura paulistana em outubro de 2008. E manifestou o interesse de ter o PMDB do seu lado. Em privado, cogita entregar a um peemedebista a vaga de vice.

 

Nem Quércia nem Bebeto excluíram a hipótese de formalização de um acordo. O diálogo mantém-se, por ora, inconcluso. Será retomado em fevereiro, depois do Carnaval.

 

Alckmin move-se à revelia de Serra. De olho na corrida presidencial, o governador de São Paulo corteja o DEM. E a tribo ‘demo’, sabendo-se essencial para os planos futuros de Serra, condiciona uma eventual parceria em 2010 ao apoio do PSDB à candidatura municipal de Gilberto Kassab.

 

Guindado à prefeitura como vice, Kassab (DEM) tornou-se titular do posto em 2006, quando Serra decidiu rasgar um compromisso que assumira por escrito, trocando a cadeira de prefeito pela poltrona de governador. Kassab tomou gosto pela coisa. E quer porque quer se reeleger.

 

Há uma semana, para irritação de Alckmin, FHC associou-se publicamente aos planos de Serra. Em entrevista aos repórteres Laura Greenhalgh e Fred Melo Paiva, o ex-presidente disse que Alckmin deveria se resguardar para a disputar ao governo de São Paulo, em 2010. Afirmou que Kassab “tem sido bom prefeito”.

 

FHC acrescentou: “Se você pensar estrategicamente, seria ótimo que a aliança dele [Kassab] com o PSDB se mantivesse nas eleições [municipais de 2008], que o Geraldo [Alckmin] pudesse disputar o governo, o que liberaria o Serra para a presidência [da República].” Reservadamente, Alckmin considerou descorteses as palavras de FHC.

 

Na última quarta-feira (16), em reunião com Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, e Arthur Virgílio (AM), líder do tucanato no Senado, Alckmin disse que se submeterá à decisão do partido. Mas mostrou-se muito propenso a concorrer à prefeitura. Sabe que, se bater o pé, o PSDB terá dificuldades para rifá-lo em nome do apoio a Kassab.

 

Observando a encrenca à distância, o governador Aécio Neves (Minas), que mede forças com Serra pela vaga de candidato ao Planalto, estimula Alckmin. Considera inconcebível que o PSDB puxe o tapete de um correligionário que traz na biografia um cacife eleitoral que o conduziu ao segundo turno da eleição presidencial de 2006.

 

Quanto ao PMDB, Quércia já informou aos seus pares que não quer entrar na refrega municipal como candidato. Prefere a formalização de uma boa aliança. No plano federal, o PMDB apóia o governo petista de Lula. É o maior partido do consórcio governista.

 

Porém, a cúpula da legenda avisou ao PT e ao próprio Lula que, em 2008, dará preferência às alianças com partidos da chamada base governista. Não hesitará, porém, em acertar-se com legendas de oposição nos municípios em que o casamento “consangüíneo” se mostrar inviável.

Escrito por Josias de Souza às 01h38

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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