Josias de Souza

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Gestão Lula é 2ª mais corrupta, diz pesquisa do PT

Gestão Lula é 2ª mais corrupta, diz pesquisa do PT

Pesquisa nacional realizada pela Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, constatou que o brasileiro considera que o governo Lula (39%) é o que teve mais casos de corrupção depois da gestão de Fernando Collor de Mello (71%). No ranking das administrações vistas como mais corruptas, a de Fernando Henrique (32%) vem em terceiro lugar, seguida dos governos chefiados por José Sarney (17%) e por Itamar Franco (10%).

 

Para 50% das pessoas ouvidas pela fundação petista, Lula sabia que o seu partido deu dinheiro para deputados no Congresso. Só 29% acham que ele não sabia. Outros 19% disseram não ter conhecimento se Lula sabia ou não. Escassos 2% dos entrevistados acreditam que o PT não deu dinheiro a deputados.

 

É expressivo o percentual de pessoas que afirmam estar informadas sobre as denúncias de corrupção: 69%. O levantamento também mostra que não colou a alegação do PT de que dinheiro distribuído a parlamentares era caixa dois para campanhas eleitorais. Só 10% acreditaram nessa versão.

 

A maioria (51%) crê que houve tanto mensalão quanto caixa dois. E não vê diferença entre as duas modalidades de perversão. Outros 25% acham que houve apenas mensalão e que o PT estava mesmo comprando deputados para votar projetos de interesse do governo.

 

Por que, apesar de tantos números negativos para o PT e o governo, Lula desponta em todas as sondagens eleitorais como franco favorito na corrida presidencial? A pesquisa traz várias informações que podem ajudar a decifrar a charada. Eis uma delas: 69% dos entrevistados acham que “tem corrupção em todos os governos, até mais nos governos dos outros partidos”.

 

O capítulo do levantamento dedicado a perscrutar a imagem que eleitores fazem dos partidos traz outros indicadores que ajudam a explicar o favoritismo de Lula. Para 54% dos entrevistados o PT é o partido que “defende mais os pobres”. Só 6% pensam o mesmo do PSDB de Geraldo Alckmin. Para 23%, o PT “faz melhores governos”. Só 11% enxergam a mesma qualidade no PSDB.

 

A pesquisa ouviu 2.379 simpatizantes de todos os partidos em 25 Estados. Foi realizada entre os dias 10 e 16 e março. É um dos mais alentados levantamentos sobre os humores do eleitorado depois da crise do mensalão. Analisando-se os dados (veja você mesmo aqui), percebe-se claramente que a oposição não vai conseguir desbancar Lula adotando o discurso da pancadaria.

 

Só 19% dos entrevistados acham que surgiram mais denúncias de corrupção agora porque o número de malfeitorias aumentou sob Lula. Para a maioria (41%), o nível de corrupção atual é igual ao que havia antes. E outros 31% acham que as revelações ocorrem em maior número agora porque a atual gestão é a que mais combateu a corrupção.

 

A pesquisa também mostra que o eleitor que se dispõe a reeleger Lula no primeiro tem uma noção bem realista acerca do comportamento do PT diante da crise. Somando-se os que não sabem se houve mudanças no PT depois da crise (52%) aos que acreditam que o partido não mudou nada (28%) chega-se ao notável percentual de 80%. Só 17% acham que o PT mudou.

 

Embora 50% avaliem que o PT deveria “escolher melhor” os seus aliados, 47% acham que o partido fez bem ao buscar o apoio de outros partidos para obter maioria no Congresso. A pesquisa traz, de resto, um dado que indica que o eleitorado não estranharia uma eventual guinada de Lula rumo ao populismo. Para 73% das pessoas consultadas, o presidente “não teria ficado tão dependente de acordos com outros partidos se tivesse apostado mais no apoio popular que tinha quando foi eleito”.    

Escrito por Josias de Souza às 01h58

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Além do PT, Receita fiscaliza PSDB, PFL, PMDB e...

Além do PT, Receita fiscaliza PSDB, PFL, PMDB e...

A Receita Federal realiza em segredo uma devassa nas contas dos mais importantes partidos políticos do país. Encontram-se sob auditoria nove agremiações. Entre elas  PSDB, PFL, PT, PMDB, PTB, PL e PP. Busca-se comprovar a prática de caixa dois.

 

A investigação foi aberta a partir de iniciativa do senador José Jorge (PFL-PE), candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin. Em 22 de agosto de 2005, quando Alckmin ainda não era candidato, José Jorge encaminhou um ofício ao secretário da Receita, Jorge Rachid. Seu alvo era o partido de Lula.

 

José Jorge mencionou apenas o PT. Anotou no texto que o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares reconhecera a existência de um caixa dois de R$ 55 milhões no Partido dos Trabalhadores. E pediu providências.

 

O fisco abriu a sindicância em setembro de 2005. Por sua conta, incluiu na lista, conforme já noticiado, outras três legendas envolvidas no mensalão: PTB, PP e PL. A novidade é que, depois, os fiscais detectaram indícios de irregularidades em outras cinco legendas, inclusive na do denunciante. Foi então que, entre outros, PSDB, PFL e PMDB foram postos também sob auditoria fiscal. O procedimento é inédito. O fisco jamais fiscalizara partidos políticos antes. E decidiu agir à grande.

 

Se os indícios detectados pelos fiscais –de movimentações bancárias atípicas a fraudes contáveis—forem caracterizados como delitos fiscais, os partidos perderão a imunidade tributária. E a Receita terá de comunicar os ilícitos à Justiça Eleitoral que, pela lei, é obrigada a cassar os registros que autorizam o funcionamento dos infratores.

 

A Receita baseia a sua ação numa legislação que, até hoje, só havia sido aplicada na parte que beneficia os partidos. A Constituição Federal proíbe, no parágrafo 6º do artigo 150, a cobrança de impostos de organizações de assistência social, templos religiosos, sindicatos e partidos políticos.

 

Mas, para fazer jus à imunidade, tais entidades têm de seguir três regras previstas no artigo 14 do Código Tributário Nacional, uma lei de 1966. São elas: 1) não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas; 2) aplicar os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; 3) manter escrituração de receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.

 

Suspeita-se que os partidos tenham infringido pelo menos a terceira regra. Seus livros contábeis não resistiriam a uma inspeção. A ser verdade, terão de pagar, com multa de 150%, todos os tributos que deixaram de recolher, por força da imunidade constitucional, no período sob investigação: de 2000 a 2005.

 

A auditoria está mais avançada em relação às quatro legendas que começaram a ser investigadas no ano passado: PT, PTB, PL e PP. O PT, inclusive, já foi intimado a dar explicações ao fisco, conforme noticiado aqui há dois dias. Mas, para evitar que seu trabalho seja usado politicamente, a direção da Receita decidiu que o resultado da apuração só será divulgado depois que o trabalho tiver sido esgotado em relação a todos os partidos. O que só irá ocorrer depois das eleições de outubro. Talvez depois da posse do próximo presidente.  

Escrito por Josias de Souza às 00h45

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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