Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Entrevistas

Presidente do DEM considera PSD ‘assunto encerrado’

José Cruz/ABr

A depender da opinião do presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), o partido não recorrerá ao STF contra a concessão de registro ao PSD.

Em entrevista ao blog, Agripino disse: “Vou ouvir os líderes. Mas, na minha opinião, este assunto está encerrado”. Abaixo, a entrevista:


- O que achou do julgamento? Julgamento de corte de Justiça não se discute, aceita-se. Cumprimos o nosso papel de mostrar a fraude na formação de um partido. O TSE se manifestou. Cumpra-se. Nós temos os nossos argumentos e os mantemos.

- Esses argumentos serão repisados num recurso ao STF? Vou ouvir os líderes. Mas, na minha opinião, este assunto está encerrado. Encerra-se no julgamento do TSE.

- Que prejuízos políticos o DEM terá? Não foi só o DEM. Vários partidos tiveram ou vão ter prejuízos em seus quadros. Mas quem perde na verdade é o quadro partidário do Brasil, que ganha um partido que não é de centro, nem de direita nem de esquerda. Um partido que surge sob o signo do oportunismo.

- Do ponto de vista prático, considerando-se declarações do presidente da Câmara, o DEM deve perder estrutra física e assessores, não? A entrevista do presidente Marco Maia foi mal interpretada. Não creio que vá se mutilar o regimento da Casa, que fala claramente em bancadas aferidas na data da eleição.

- O cálculo de assessores e o espaço da liderança deve considerar a bancada eleita? É isso o que reza o regimento da Câmara.

- O DEM contempla a hipótese de se coligar ao PSD nas eleições municipais de 2012? Essa decisão vai competir à Executiva do partido. A análise será caso a caso. Mas, pelo que percebo hoje, a posição do partido caminha para o rumo de não fazer coligações com o PSD.

- Imagina que o DEM pode ter um desempenho eleitoral inferior ao do PSD? Não contemplo essa hipótese. Estou rodando o país. Pelas informações que recolho, estou convencido de que o DEM sairá das eleições maior do que é hoje.

- O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 21h49

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Presidente do PSDB: ‘Dilma está suja. Quem a sujou?’

  Antônio Cruz/ABr
Para o presidente do PSDB, o governo Dilma Rousseff  “não vai terminar bem.” Aposta que, em 2014, o candidato do PT será Lula. Provoca: “Terá de explicar o fracasso dela, que tem origem nele. A Dilma está suja, mas quem sujou ela? Não fomos nós." Abaixo, entrevista de Guerra ao blog:

- FHC fala em busca de “convergencias”. Aécio Neves, em pacto pela governabilidade. Roberto Freire vê adesismo. Falta rumo à oposição? Não. A oposição define seus rumos. Falta rumo ao governo. Pode faltar à oposição, numa ou noutra circunstância, senso de oportunidade. O PSDB é recorrente nisso.

- Como assim? Às vezes o partido tem dificuldade de se apropriar das oportunidades.

- Isso ocorre em relação a Dilma? Num primeiro momento, a presidente fez uma intervenção no Ministério dos Transportes. Reagiu à imprensa. Vacilou, mas interveio para melhorar a pasta. Temos tranqulidade para elogiar. Mas o gesto não foi desenvolvido. Não chegou aos outros ministérios. O do Planejamento, por exemplo, tem participação na desordem dos Transportes.

- Refere-se a Paulo Bernardo? O Planejamento, na época em que era gerido por ele, autorizou recursos para aditivos contratuais inexplicáveis ou viciados. Dilma silenciou, protegeu. Ficou claro que não agiria contra o PT. Como não agiu no PMDB. Na Agricultura, o ministro [Wagner Rossi] se deu conta de que não poderia continuar. No Turismo, os desmandos são anteriores ao ministro atual [Pedro Novais]. Dilma não agiu também na pasta das Cidades [gerida por Mário Negromonte, do PP].

- Como explicar, então, as manifestações de FHC e Aécio? Fernando Henrique é movido por inspirações republicanas, não partidárias.

- Retribui as gentilezas de Dilma? A Dilma o reconheceu de forma civilizada. E ele também a reconheceu civilizadamente. Imaginou que Dilma continuaria o que estava fazendo. Fernando Henrique não é Lula, torce por um Brasil decente.

- E quanto a Aécio? O que afirmou não é diferente do que disse a vida toda: se o governo desejar fazer reformas, aprofundar investigações seriamente, estaremos do lado. Ele é construtivo. Mas não vacilou na condenação dos fatos.

- Roberto Freire, então, erra quando fala em adesismo? Totalmente.

- Para onde vai o PSDB? Vamos renovar os nossos atores, abrir o partido, renovar o discurso e ter uma conversa única. Teremos uma nova proposta. Está sendo trabalhada no Instituto Teotônio Vilela, pelo Tasso [Jereissati] e no partido todo.

- Afinal, qual é o rumo da oposição? A gente está numa ação reativa. Esses episódios recentes nos surpreenderam –o avanço e o recuo da Dilma. Mas a questão central é que ela não está governando. Semanas atrás houve uma greve dos aliados dela que paralisou o Congresso. Não há possibilidade de fazer um governo decente com essa base de sustentação. Cabe à oposição ter coerência e tranquilidade. Tucanos pensam e falam. Mas normalmente não falam as mesmas palavras.

- Isso não denota falta de rumo? Rumo, nós todos no Brasil estamos procurando. O PSDB desenvolve um novo caminho. Não sei se outros terão condições de fazer.

- Refere-se ao PT? A desordem no PT é brutal. Toda crise do governo nasce no PT e na base partidária que o rodeia. Impossível governar com essa base pervertida.

- Sob FHC ocorreu coisa semelhante, não? Jader Barbalho deixou digitais na Sudam. Renan Calheiros foi ministro da Justiça... Muitos podem achar que foi mais ou menos. Mas, seguramente, no nosso período foi menos. Bem menos.

- Como evitar o modelo que submete governabilidade à perversão? Se a Dilma tivesse disposição, liderança e coragem, tomava outro rumo.

- Insisto: qual a diferença entre o modelo que vigorou na Era FHC e o atual? O nosso governo era muito mais saudável. O PSDB tinha saúde. O DEM trabalhava de forma adequada. E havia muita gente que contribuía com o governo movido pelo interesse público. De lá pra cá, a política só piorou, graças sobretudo ao Lula, que passou por cima de instituições e confraternizou com malfeitores. Distribuem dinheiro na véspera, para ganhar a votação do dia seguinte. A corrupção explode e dizem que agora tem mais investigação. Balela.

- É mais difícil fazer oposição a Dilma do que a Lula? Não. A Dilma não vai terminar bem o governo dela. Centraliza tudo e decide pouco. Quando decide, age emocionalmente e erra. Não tem liderança. A ideia de que é boa gerente é falsa. Vai naufragar do ponto de vista administrativo e político.

- Acha, então, que Dilma não se reelege? Minha impressão é de que o Lula vai se candidatar. É a principal hipótese. E o Lula terá de explicar o fracasso dela, que tem origem nele. A Dilma está suja, mas quem sujou ela? Não fomos nós.

- Em que se baseia para dizer que a Dilma está suja? Os desmandos que estão aí vem da gestão anterior. Ela era gerente e não gerenciou. Veja o caso dos Transportes. No geral, verbas do PAC. Os aditivos de que Dilma reclama eram autorizados pelo comitê gestor comandado por ela. O próprio [ex-ministro] Alfredo Nascimento, que veio do Lula, disse: tudo passava por esse comitê, operado na Casa Civil da Dilma.

- Se Lula for mesmo candidato, quem irá enfrentá-lo, Serra ou Aécio? Hoje, não há cultura no partido para que impasses prevaleçam.

- Haverá prévia? Se for necessário, sim. É saudável. Esse assunto, se vier a se apresentar, será resolvido da forma mais aberta possível.

- O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 06h24

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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