Recém-nomeado cardeal pelo papa Bento 16, dom Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida foi à pré-estreia de um filme.

 

Assistiu à exibição de “Aparecida - O Milagre”. Deu-se num templo do consumo chique, uma sala VIP do Iguatemi, o mais requintado shopping de São Paulo.

 

Voou até a capital paulista de helicóptero. Antes da sessão, serviu-se de um lanche (cerejas, damascos e sanduíche) e falou à coluna de Mônica Bergamo.

 

O resultado da conversa foi às páginas da Folha. A julgar pelo que disse o cardeal, as incursões da Igreja pelo universo pagão da política têm as bênções do Altíssimo:

 

“ A Igreja não deve assumir posição político-partidária, mas também não pode deixar de dar critérios, orientações para o eleitor...”

 

“...A igreja é separada do Estado, mas não é separada da sociedade”. Abaixo, a entrevista:

 

 

- Como recebeu a nomeação como cardeal? Primeiro é a surpresa, um certo temor, evidentemente, um certo sentimento de humildade diante da tarefa a cumprir. Mas ao mesmo tempo tem um sentimento de gratidão a Deus por ter a oportunidade de fazer uma experiência eclesial em âmbito universal. E um sentimento de gratidão também ao Santo Padre, ao papa [Bento 16], por confiar na minha pessoa, uma vez que os cardeais são os colaboradores mais próximos no âmbito do governo da igreja.
- O sr. esteve com o papa logo depois de ele ter dito que os bispos brasileiros deveriam intervir na política brasileira e condenar o aborto. Aquela declaração do Santo Padre evidentemente não foi motivada pela campanha política que se realizava no Brasil naquele momento, entende? O Santo Padre tem se colocado de uma maneira muito firme em defesa da vida, e achou conveniente dirigir essa mensagem. Eu creio também que é um tema de discussão política, porque se trata da vida, e é importante que o eleitor, para exercer de uma maneira livre, responsável, o seu voto, conheça as posições dos candidatos em certas questões, digamos, éticas, morais.
- Houve a interpretação de que a posição favorecia o candidato José Serra. Não, não, não teve propósito nesse sentido. Foi simplesmente a afirmação de uma tese que para nós é fundamental. E inegociável.
- Houve grande envolvimento de parte da igreja na eleição. A igreja não deve assumir posição político-partidária, mas também não pode deixar de dar critérios, orientações para o eleitor. A igreja é separada do Estado, mas não é separada da sociedade.
- Qual a importância de Aparecida para a igreja do país? Aparecida é uma referência. São milhões de romeiros que acorrem diariamente de todas as partes do Brasil, do Norte, Sul, Leste e Oeste. Recebemos pessoas das mais diversas categorias. Sempre digo: temos romeiros de helicóptero, de carro, de ônibus, a cavalo e a pé.

 

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