Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Entrevistas

Candidatura Dilma ‘já é favorita’, afirma líder de Lula

Jorge Campos/Ag.Câmara

 

Líder do governo Lula na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirma: Dilma Rousseff (PT) "já é favorita” na disputa contra José Serra (PSDB):

 

“Posso dizer, com base nos elementos que nós temos, que tudo aponta para um favoritismo de Dilma”.

 

Em entrevista ao blog, Vaccarezza disse que, ao atingir índices de pesquisa superiores a 25% em fevereiro, Dilma “superou as expectativas”.

 

O “favoritismo” viria, segundo ele, da combinação de dois fatores: a aprovação de Lula e do governo e o desejo do eleitor de votar num nome “da continuidade”.

 

“Dilma é a candidata da continuidade”, disse Vaccarezza. “O Serra é o candidato da mudança. Ele está tentando se livrar da armadilha, mas não vai conseguir”.

 

Abaixo, a entrevista:

 

 

- O que muda na campanha depois do Congresso do PT?

O Congresso deu um passo adiante. Sem adversários, a Dilma foi aclamada. Na convenção do partido, em junho, a candidatura será confirmada.

- Dilma intensificará a campanha?  

Até 2 de abril ela ainda será ministra. Não pode fazer campanha. Parece formalidade, mas não é. Ela tem obrigações de Estado. A partir da saída do ministério, aí sim.

- Inaugurações e comícios ao lado de Lula não são parte da campanha?

Não. São atos administrativos.

- O que será feito depois que a candidata deixar o ministério?

O PT e os partidos que integram a aliança vão levá-la a vários eventos. Sempre em ambientes fechados, como prevê a lei.

- Dilma subiu nas pesquisas, mas está abaixo dos 30%. Era o esperado?

Ela está superando as expectativas. Não acreditava que chegasse nos índices que atingiu em fevereiro, acima de 25%.

- Quais são as metas do partido?

Não trabalhamos com metas. O que vamos fazer daqui até a convenção é torná-la ainda mais conhecida. Vamos estreitar as relações entre ela e as bases sociais do partido

- Acha que o prestígio de Lula levará à vitória?

As pesquisas mostram uma situação clara: a população quer a continuidade. Esse é o azar do Serra.

- Por que azar?

“Na sucessão de 2002, a população queria mudança. E o Serra foi o candidato da continuidade. Tentou se desvencilhar do Fernando Henrique, mas não conseguiu. Em 2010, a população quer a continuidade. E a Dilma é a candidata da continuidade. O Serra agora é o candidato da mudança. Ele está tentando se livrar da armadilha, mas não vai conseguir.

- O já dá de barato que o rival de Dilma será Serra?

Até dezembro eu não dava. Agora, ele está numa sinuca de bico. Não tem mais como recuar. Sob pena de deixar a oposição sem candidato. A essa altura, não é certo que o Aécio assuma o desafio. Ficou difícil para o Serra não ser candidato.

- Acha que a polarização levará a um resultado apertado?

Qualquer pessoa que fizer previsão será na base do achismo. Mas posso dizer, com base nos elementos que nós temos, que tudo aponta para um favoritismo de Dilma.

- Favoritismo?

Sim, favoritismo. É óbvio que esse favoritismo não se transforma em vitória certa. Isso não existe. O cenário mais provável é o de uma disputa acirrada. Se não cometermos erros e se acertarmos mais do que os adversários, temos condições de aumentar o favoritismo da nossa candidata, que já existe.

- Não acha que a tese do favoritismo soa a já ganhou?

Não partilho do discurso do já ganhou. Pior do que o discurso do já ganhou, só o discurso do já perdeu. Temos de trabalhar para consolidar o favoritismo da Dilma. Ela já é a favorita.

- Não exagera quando diz que Dilma é favorita?

Não. Os elementos de pesquisa dão a ela esse favoritismo. Basta observar o que aconteceu nesse último ano. O Serra só caiu. E a Dilma, à medida que a população foi conhecendo ela, subiu. A aprovação do presidente e do governo, associada ao desejo das pessoas de votarem no candidato que dê continuidade à gestão Lula, vão impulsionar a candidatura da Dilma.

- Não acha que o prestígio de Lula já foi incorporado à candidatura?

Não completamente. Muita gente não sabe ainda que a Dilma é a candidata do Lula. Além disso, é preciso considerar o elevado nível de exposição do Serra. Ele vem de três eleições: prefeitura, governo e, antes, a presidência. O Serra tem um recall de pesquisa que a Dilma não tem.

- Há risco de a aliança com o PMDB não ser fechada?

Risco sempre existe, mas diria que, hoje, as chances de o acordo PT-PMDB ser fechado são de 99%.

- As ambições estaduais do PT não podem comprometer o projeto nacional?

Não, ao contrário, Pela primeira vez, o PT decidiu disputar o governo em poucos Estados, menos da metade das unidades da federação. O PT amadureceu.

- Essa maturidade já chegou a Minas Gerais?

Em Minas, não está resolvido se iremos disputar. O que está resolvido é que iremos discutir –lá para maio, junho— qual o melhor nome para disputar a eleição. Temos três nomes –Helio Costa, pelo PMDB, Fernando Pimentel e Patrus Ananias, pelo PT. Um deles será o nosso candidato.

- Há incômodo do partido com a entrega da vice a Michel Temer?

Tudo se encaminha para Michel Temer ser o vice, sem nenhuma contestação.

- O PT já aceita a tese de que a indicação é prerrogativa do PMDB?

Sou contra o PT escolher vice. Quem tem que escolher é a coligação e a Dilma. A candidata precisa ser ouvida. Mas quem vai indicar é o PMDB.

- O programa aprovado pelo PT será assumido por Dilma?

Nós não aprovamos um programa, mas as diretrizes de programa. Não são as diretrizes da Dilma. São do PT. Desde 1982 que o PT já aprendeu: candidato majoritário a cargos executivos não são porta-vozes do partido. São eleitos por toda a sociedade, num leque mais amplo do que o PT. Portanto, quem decide o programa é o candidato, não o partido. Não estaríamos falando sério se disséssemos que PT não tem a maior influência. Mas quem decide é a Dilma, ouvindo os demais partidos.

- José Dirceu disse que participará da campanha. Não prejudica?

Sou favorável à participação do Dirceu. Mas a Dilma não montou nada ainda. O que ela disse é que todos os dirigentes partidários tetão participação. Não disse que vai montar uma coordenação com a participação do José Dirceu. Isso ainda não foi definido.

Escrito por Josias de Souza às 05h36

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Dilma por Dilma: ‘A realidade mudou, e nós com ela’

  Lula Marques/Folha
Dilma Rousseff, agora candidata oficial do PT, concedeu uma entrevista à revista Veja.

 

Respondeu às perguntas por e-mail, sem conceder o direito à réplica.

 

A certa altura, perguntou-se a ela como o passar do tempo e a experiência de governo modificaram sua concepção do mundo.

 

E Dilma: “O Brasil superou uma ditadura militar e está consolidando sua democracia. A realidade mudou, e nós com ela...

 

“...Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social”.

 

Noutra parte da conversa, Dilma, prestes celebrar um acordo que acomodará o PMDB do seu lado, foi submetida à seguinte indagação:

 

Não é um risco político dar tanto espaço a um partido comandado por Renan Calheiros, José Sarney e Jader Barbalho?

 

E a candidata: “Não se deve governar um país sem alianças e coalizões. Mesmo quando isso é possível, não é desejável...”

 

“...O PMDB é um dos maiores partidos brasileiros, com longa tradição democrática. Queremos o PMDB em nossa aliança”.

 

Vai abaixo a entrevista, disponível aqui para os assinantes de Veja:

 

 

- John Maynard Keynes, que a senhora admira, dizia alguma coisa equivalente a "se a realidade muda, eu mudo minhas convicções". Como sua visão de mundo mudou com o tempo e com a experiência de ajudar a governar um país?

O Brasil superou uma ditadura militar e está consolidando sua democracia. A realidade mudou, e nós com ela. Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social.

- Henry Adams, outro autor que a senhora lê com assiduidade, escreveu que "conhecer a natureza humana é o começo e o fim de toda educação política". A senhora acredita que conhece o bastante da natureza humana, em especial a dos políticos, mesmo sem ter disputado eleições antes?

Conheço bem o pensamento de Henry Adams para saber que nessa citação ele se refere à política no seu sentido amplo. Falando no sentido estritamente eleitoral da sua pergunta, acredito que minha experiência de mais de 40 anos de militância política e gestão pública permite construir um relacionamento equilibrado com as diferentes forças partidárias que participarão desse processo eleitoral.

- Os brasileiros trabalham cinco meses do ano para pagar impostos, cuja carga total beira 40% do PIB. Em uma situação dessas, faz sentido considerar a ampliação do papel do estado na vida das pessoas, como parece ser a sua proposta?

O que defendemos é a recomposição da capacidade do Estado para planejar, gerir e executar políticas e serviços públicos de interesse da população. Os setores produtivos deste país reconhecem a importância da atuação equilibrada e anticíclica do Estado brasileiro na indução do desenvolvimento econômico. Sem a participação do estado, em parceria com o setor privado, não seria possível construir 1 milhão de casas no Brasil.

- Não fosse a necessidade de criar slogans e conceitos de rápida assimilação popular nas campanhas, seria o caso de superar esse debate falso e improdutivo sobre "estado mínimo" e "estado máximo", correto? Afinal, ninguém de carne e osso com cérebro entre as orelhas vive nesses extremos fundamentalistas. Qual o real papel do Estado?

Nos sete anos de nosso governo, ficou demonstrado o papel que vemos para o Estado: induzir o desenvolvimento dos setores produtivos, priorizar os investimentos em infraestrutura em parceria com o setor privado, fortalecer e impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento científico-tecnológico, assegurando ganhos de produtividade em todos os setores econômicos. Modernizar os serviços públicos buscando responder de forma eficaz às demandas da população nas áreas da saúde, educação, segurança pública e demais direitos da cidadania. Chamo atenção para a comprovada eficácia dos programas que criamos. O Bolsa Família, o Luz para Todos, o Programa Minha Casa Minha Vida, as obras de saneamento e drenagem do PAC, entre outros, produziram forte impacto na melhoria de vida da população e resultaram também no fortalecimento do mercado interno. Finalmente, gostaria de destacar o papel do setor público diante da crise recente, o que permitiu que fôssemos os últimos a entrar e os primeiros a sair dela. Garantimos crédito, desoneração fiscal e liquidez para a economia.

- O presidente Lula soube manter aceso o debate ideológico no PT, mas rejeitou todos os avanços dos radicais sobre o governo. Como a senhora vai controlar o fogo dos bolsões sinceros mas radicais do seu partido - em especial a chama da censura à imprensa e do controle estatal da cultura?

Censura à imprensa e controle estatal da cultura estão completamente fora das ações do atual governo, como também de nossas propostas para o futuro.

- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definiu a senhora como uma lua política sem luz própria girando em torno e dependente do carisma ensolarado do presidente Lula. Como a senhora pretende firmar sua própria identidade?

Não considero apropriado discutir luminosidade com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

- A oposição certamente vai bater na tecla da personalidade durante a campanha, explorando situações em que sua versão de determinados fatos soaram como mentiras. Como Otto von Bismarck, o chanceler de ferro da Alemanha, a senhora vê lugar para a mentira na prática política?

Na democracia não vejo nenhum lugar para a mentira. Como já disse em audiência no Congresso Nacional, em situações de arbítrio e regimes de exceção, a omissão da verdade pode ser um recurso de defesa pessoal e de proteção a companheiros.

- Qual o perfil ideal de vice-presidente para compor sua chapa?

Um nome que expresse a força e a diversidade da nossa aliança.

- O presidenciável Ciro Gomes, aliado do seu governo, afirma que a aliança entre o PT e o PMDB é um "roçado de escândalos semeados". A senhora não só defende essa aliança como quer o PMDB indicando o vice em sua chapa. Não é um risco político dar tanto espaço a um partido comandado por Renan Calheiros, José Sarney e Jader Barbalho?

Não se deve governar um país sem alianças e coalizões. Mesmo quando isso é possível, não é desejável. O PMDB é um dos maiores partidos brasileiros, com longa tradição democrática. Queremos o PMDB em nossa aliança.

- O Brasil está cercado de alguns países em franca decomposição institucional, com os quais o presidente Lula manteve boas relações, cuidando, porém, de demarcar as diferenças de estágio civilizatório que os separam do Brasil. Como um eventual governo da senhora vai lidar com governantes como Hugo Chávez ou Evo Morales?

Lidaremos com responsabilidade e equilíbrio com todos os países, respeitando sua soberania e sem ingerência em seus assuntos internos. É esse, também, o tratamento que exigimos de todos os países, em reciprocidade.

 

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Escrito por Josias de Souza às 07h07

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Expulsão de Paulo Octávio do DEM será pedida na 3ª

Wilson Dias/ABr

 

Ameaçado de impechment no Legislativo e de intervenção federal no STF, Paulo Octávio (DEM) ganhou um problema novo.

 

O deputado Ronaldo Caiado e o senador Demóstenes Torres, ambos do DEM de Goiás, formalizarão o pedido de expulsão de Paulo Octávio do partido.

 

A petição será levada à próxima reunião da Executiva nacional do DEM. Ocorreria nesta quinta (18). Mas foi adiada para terça (23) da semana que vem.

 

“Além da expulsão do Paulo Octávio, vamos requerer a destituição do diretório do DEM no DF”, disse Caiado, em entrevista ao blog.

 

A providência pode chegar tarde. No comando do governo do DF desde que José Roberto Arruda foi preso, Paulo Octávio administra o imponderável.

 

Investigado no mesmo inquérito que levou Arruda à ruína política, Paulo Octávio passou a considerar a hipótese de renunciar ao cargo.

 

Com ou sem renúncia, Caiado afirmou, a expulsão “será solicitada de qualquer jeito”. Vai abaixo a entrevista:

 

 

- O pedido de expulsão de Paulo Octávio será formalizado?

Sem nenhuma dúvida. A expulsão dele será efetivamente solicitada. Não tem mais rodeios. Chega.

- O que os levou a essa posição?

Nós não podemos mais ficar sangrando. Não dá mais.

- Quando será apresentado o pedido?

No primeiro momento em que a Executiva do partido se reunir. Seria nesta semana. Mas foi adiado para a próxima terça-feira. Avaiou-se que, na volta do Carnaval, poderia não haver quórum.

- O pedido já foi redigido?

Não há dificuldades para redigir. Já tínhamos elaborado o do Arruda. Não muda grande coisa –nem nos fatos motivadores nem na justificativa.

- Além do sr. e do senador Demóstenes Torres, alguém mais vai subscrever?

Não deixaremos de ouvir os demais integrantes da Executiva. Mas o pedido será formulado de qualquer maneira.

- Acha que Paulo Octávio solicitar o desligamento do partido antes de ser expulso, como fez Arruda?

Acho que pode. Não creio que haja no partido muita gente disposta a pagar essa fatura política. E ele sabe disso.

- Acredita que a Executiva aprova a expulsão?

Creio que sim. Ou encaremos o problema com a responsabilidade que ele exige ou vamos acabar tomando o caminho que o PT tomou no mensalão, salvando todos, fazendo ouvidos moucos para tudo e aderindo ao faz-de-conta. Ou agimos ou vamos ter lidar com a meia verdade, a meia gravidez, coisas que não existem.

- Acha que o DEM errou ao não incluir Paulo Octávio no mesmo processo que levou à escusão de Arruda dos quadros da legenda?

Deveríamos pelo menos ter destituído o diretório de Brasília, presidido pelo Paulo Octávio. E tínhamos de ter exigido, antes da prisão do Arruda, que todos os filiados do partido se desligassem do governo do DF. Não ter tomado essas providências foi um erro.

- Já conversou com o presidente do DEM, Rodrigo Maia?

Ainda não. A última vez que falei com ele foi no dia em que o Arruda foi preso [quinta-feira da semana passada].

- Acha que ele pode se opor ao pedido de expulsão de Paulo Octávio.

Não creio.

- De onde vem a convicção?

Depois que o Arruda foi preso, o partido exigiu que todos os filiados se desvinculem do governo. De repente, o governador, que assumiu o governo por ser o vice, é do DEM. Como podemos conviver com essa situação? Se decidíssemos que ele pode, então todos os demais também poderiam. Não dá. É Absurdo. Seria um tiro n’água.

- E se Paulo Octávio renunciar ao governo?

A expulsão dele será solicitada de qualquer jeito. Além da expulsão do Paulo Octávio, vamos requerer a destituição de todo o diretório do DEM no DF. As medidas que adotamos até agora foram paliativas. Não resolveram o problema integralmente. Temos que curar essa ferida. E não haverá cura enquanto não interrompermos a novela.

- Para ficar claro: qual será o teor da petição à Executiva?

Ponto um: dissolve o diretório de Brasília e desliga todos do governo. Ponto dois: a exclusão do Paulo Octávio dos quadros do partido. Para mim, a eventual renúncia dele ao governo não resolve mais. Ou expulsamos ou seremos todos arrastados para capítulos sucessivos de um enredo que se desenrola em Brasília e que não é nosso. A cada novo desdobramento, vem a menção ao mensalão do DEM. Passou da hora de darmos um basta. O Paulo Octávio não deveria nem ter assumido o governo. E já deveria ter renunciado ao comando do diretório do DF.

- Receia pelos efeitos eleitorais do caso de Brasília?

É evidente que não podemos esquecer que estamos em ano eleitoral. Até por isso, temos que nos diferenciar, tomando medidas duras. Nessa matéria, o DEM não pode fazer o jogo do mais ou menos, como o PT fez. Do contrário, ficaremos eternamente no mundo do faz-de-conta. Esse jogo não pode acabar em empate. Pelo que escuto no partido, a maioria já não suporta o prolongamento da novela.

 

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Escrito por Josias de Souza às 05h46

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Prisão de Arruda não tem prazo, afirma Marco Aurélio

  Sérgio Lima/Folha
Responsável pela decisão que reteve José Roberto Arruda na prisão, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, informa:

 

Não há prazo pré-determinado para que o governador do DF seja posto em liberdade.

 

Em entrevista ao blog, o ministro disse que a detenção de Arruda “pode se projetar um pouco no tempo”.

 

Explicou que, quando a prisão é preventiva, “ela dura enquanto perdurar o quadro que motivou a sua decretação”.

 

No caso de Arruda, a prisão foi decretada para impedir que o governador continuasse a lançar mão de seu poder para atrapalhar as investigações.

 

Segundo Marco Aurélio, “é de estarrecer” o conjunto de evidências reunidas no processo que analisou. Entre elas, a tentativa de subornar uma testemunha.

 

Caberá ao STJ, explicou o ministro, definir em que momento a prisão de Arruda poderá ser relaxada, sem prejuízo do andamento do inquérito do panetonegate.

 

Marco Aurélio disse que o STF, quando submetido a recursos que questionam a duração de prisões preventivas, “tem sido muito flexível”.

 

Lembrou que a 1ª turma do Supremo manteve na prisão um suspeito detido havia dois anos. Disse ter votado contra. “Fui voto vencido”. O ministro ponderou:

 

“É claro que não se pode perpetuar uma prisão preventiva. Há que se chegar a um prazo que se subordine aos critérios da razoabilidade e da proporcionalidade”.

 

Vai abaixo a entrevista do ministro:

 

 

 

- No seu despacho, está escrito que o país vive um momento alvissareiro. Está convencido disso?

Estou convencido.

- Por quê?

O trabalho da Polícia Federal nesse caso foi muito bem feito. A peça subscrita pelo procurador-geral [da República, Roberto Gurgel] e pela doutora Raquel Dodge [subprocuradora-geral da República] está, também, muito bem articulada. Em síntese, as instituições estão funcionando. Isso é importantíssimo no Estado de direito.

- Daí a sua convicção?

Exato. Quando as instituições começam a funcionar e não se varre mais certas mazelas para debaixo do tapete, a tendência é avançarmos. As pessoas ficam mais atentas às regras estabelecidas. E isso inibe certas práticas.

- Jamais se havia mandado à prisão um governador no exercício do mandato. Acha positivo o precedente?

Esse precedente tem uma face muito ruim, que é o desgaste. Mas tem outra face positiva. Mostra que o Estado é de direito. Em casos como esse, cada qual tem que fazer a sua parte. Se queremos deixar um Brasil melhor para os nossos filhos, temos que agir. A apatia não pode ser um mal da época que vivemos.

- É correto dizer que seu despacho denota surpresa em relação ao conteúdo dos autos?

Procede essa impressão. Há o flagrante da corrupção de testemunha. Há também os depoimentos.

- Refere-se ao vídeo que registra o entrega de dinheiro a uma testemunha?

Exatamente. Estou falando da entrega de uma sacola com R$ 200 mil para o jornalista [Edson Sombra]. É de estarrecer. Veja-se a que ponto nós chegamos! O objetivo era exatamente o de tumultuar a investigação.

- O sr. fala em depoimentos. Eles corroboram a tese de envolvimento do governador Arruda?

Sim, sim. O próprio interlocutor [do jornalista Edson Sombra] apontou em depoimento que tudo estaria sendo feito sob a batuta do governador.

- Está falando da pessoa que entregou os R$ 200 mil ao jornalista?

Exato. Refiro-me a um senhor de sobrenome Bento [Antônio Bento da Silva, conselheiro da estatal que administra o metrô de Brasília, filmado pela PF no momento em que repassava o dinheiro a Edson Sombra].

- O sr. é visto como magistrado avesso à prisão de suspeitos antes da sentença de culpa definitiva. O que mudou nesse caso?

Nos julgamentos que se processam na turma de que faço parte no Supremo, se você pegar os precedentes julgados por mim, vai verificar que, quando há atos concretos tentando obstaculizar a sequência de inveetigações criminais, eu confirmo a prisão preventiva. Só não admito, como disse na própria decisão, a capacidade intuitiva. Imaginar-se que o investigado, por estar solto, pode vir a pressionar testemunhas, isso eu não admito. Agora, havendo ato concreto, todos os meus pronunciamentos tem sido nesse sentido de confirmar a prisão.

- No caso que envolve o governador, portanto, as evidências são sólidas.

Claro que sim. Houve a tentativa de corromper a testemunha e também de lograr-se um documento forjado, que seria uma falsa declaração, a falsidade ideológica.

- Por quanto tempo o governador pode ficar preso?

Quando a prisão é temporária, ela é implementada para que se possa investigar. Aí o prazo é de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. Mas na prisão preventiva não vigoram esses prazos. Ela perdura enquanto perdurar o quadro que motivou a sua decretação.

- Pode demorar?

O Supremo tem sido inclusive muito flexível quanto ao excesso de prazo da prisão preventiva. Já tivemos caso na turma que eu integro de uma preventiva que vigorava há dois anos. E a turma, contra o meu voto, manteve o paciente na prisão. Fui voto vencido. Entendi que havia excesso no prazo.

- No caso do governador, a prisão pode ser longeva?

Ela pode se projetar um pouco no tempo. Isso vai depender da avaliação do relator do processo, o ministro Fernando Gonçalves [do STJ]. A qualquer momento, o STJ poderá relaxar essa prisão, levando a decisão, evidentemente, à Corte Especial [do STJ, que aprovou por nove votos a dois a prisão de Arruda].

- Não há, portanto, prazos pré-determinados.

Nesse caso, ainda em fase de inquérito, não. Mas é claro que também não se pode perpetuar uma prisão preventiva. Há que se chegar a um prazo que se subordine aos critérios da razoabilidade e da proporcionalidade.

- Receia que sua decisão possa vir a ser cassada, mediante recurso dos advogados do governador?

Não receio. Pode ser que eles resolvam impetrar um mandado de segurança contra o meu ato. Nesse caso, presumo, evidentemente, que será seguido o rito normal. Não estamos em recesso, mas em feriado. Eu me encontro em Brasília. O certo é que eventual pedido de reconsideração seja dirigido a mim.

 

- PS.: Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 04h46

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PMDB agora exige dividir com PT o plano de governo

Lucio Távora

 

Reeleito presidente do PMDB, Michel Temer traduz em números a coesão do partido. Estima que a unidade atinge, hoje, 93% da legenda.

 

A harmonização de propósitos anima o deputado a declarar: “O PMDB pode ser parceiro num projeto presidencial, mas jamais será subalterno”.

 

Afirma que a aliança com o PT não depende apenas da indicação do vice. Em entrevista ao blog, diz que a aliança PMDB-PT terá de ser precedida da elaboração de um programa de governo.

 

O repórter lembrou a Temer que o PT já aprontou o seu esboço de plano de governo. O deputado respondeu que terá de haver uma “fusão”.

 

E quanto à intenção do PT de tonificar a participação do Estado na economia? “Teremos que encontrar um meio-termo”, diz Temer.

 

Será mesmo o vice de Dilma? “É o que o PMDB fala [...]. Todos falam que eu posso representar adequadamente o partido nessa parceria com o PT”. Vai abaixo a entrevista:

 

 

- Como traduzir em percentual a unidade do PMDB?

Creio que está em torno de 93%.

- Não é um contrasenso que esse PMDB tão forte não tenha seu próprio candidato à Presidência?

A demonstração de unidade nos autoriza a dizer que o PMDB pode ser parceiro num projeto presidencial, mas jamais será subalterno. Parceiro vem de par. Portanto, trabalhamos com a perspectiva de uma parceria entre iguais.

- Refere-se à coligação com o PT?

Exato. O que digo é que tanto podemos ter um candidato próprio como fazer essa parceria entre iguais, para governar juntos.

- Falta um nome ao PMDB para pôr em pé uma candidatura própria?

Talvez falte um nome. Reconheço que a tendência mais forte é a de fazermos a aliança. Mas pode aparecer um nome até junho. A nossa convenção, que teve a participação de mais de mil pessoas de todo país, demonstra que há uma vibração interna no partido.

- Por que a tendência mais forte é pela aliança?

Embora as coalizões sejam típicas dos sistemas parlamentaristas, é interessante notar como é indispensável que haja no Brasil uma coalizão, embora o regime seja presidencialista.

- Em que termos se dará a aliança em torno de Dilma Rousseff?

Digamos que seja feita a aliança. Nesse caso, tem que passar por um programa de governo do qual o PMDB terá de ser parte atuante.

- Mas o PT já tem esboço de programa pronto. Vai aprová-lo num Congresso em 20 de fevereiro.

Em primeiro lugar, trata-se de um esboço. Em segundo lugar, o que há de ser feito é o seguinte: o PT faz o seu programa, o PMDB fará o dele. Outros partidos aliados, eventualmente, farão os seus programas. Depois promoveremos uma junção de programas. Essa é a idéia.

- Qual é o programa do PMDB?

Vou designar uma comissão, já na semana que vem, para elaborar um plano de governo. O documento dirá o que o PMDB pensa sobre o Brasil. Depois, havendo a aliança, nós teremos que fundir esses programas.

- Não será uma fusão esdrúxula? O plano do PT prevê presença maior do Estado na economia. Esse não parece ser o viés predominante no PMDB.

Teremos que encontrar um meio-termo. No instante em que o PMDB tiver o seu projeto, essa aliança terá de levar em conta o programa, não apenas a vice-presidência e a participação no governo.

- Como compatibilizar as diferenças?

 É claro que ambas as partes terão de abrir mão de um ou outro conceito para que, dessa fusão, resulte um conceito único.

- A presença do PMDB na vice de Dilma é coisa líquida e certa?

Não há a menor dúvida. Temos até um pré-compromisso escrito com o PT.

- Passada a convenção, o sr. já se sente à vontade para se apresentar como alternativa à vaga de vice de Dilma?

Prefiro manter aquela fórmula segundo a qual a vice é do PMDB e, no momento certo, nós escolheremos o nome. E veja que digo que nós, do PMDB, escolheremos o vice. É claro que vamos dialogar com a candidata, com o PT, mas a escolha será do PMDB. Não sei se serei eu ou outro. Vai depender das circusntâncias políticas.

- É correto dizer que, hoje, o vosso nome é o mais forte?

É o que o PMDB fala. O partido desejou que eu ficasse na presidência do partido por mais um período de dois anos para manter a unidade. E, evidentemente, todos falam que eu posso representar adequadamente o partido nessa parceria com o PT.

- Causa-lhe incômodo o noticiário que apresenta o presidente do BC, Henrique Meirelles, como nome preferido de Lula para vice de Dilma?

De jeito nenhum. Ele pode ser um dos nomes cogitados. Ele está, hoje, no PMDB. Não sei se o PMDB vai achar que ele é o melhor representante. Haverá um momento em que o PMDB dirá qual é o seu melhor representante.

- A palavra do presidente Lula não terá um peso?

Tomei conhecimento de declarações do Gilberto Carvalho [chefe-de-gabinete de Lula], uma das pessoas mais próximas do presidente, dizendo que não há, em absoluto, veto ao meu nome. Ele declara que o presidente Lula aceitará quem vier do PMDB. Diz que jamais vetaria nenhum nome do PMDB, muito menos o meu.

- Está superado aquele mal-estar gerado pela declaração do presidente de que conviria ao PMDB indicar uma lista tríplice de vices?

Isso está superadíssimo. Não vejo mais como falar nesse assunto.

- Quando se dará a definição do nome?

Creio que os meses de março e abril serão decisivos. Até lá, essas coisas estarão pré-definidas. O mês de abril é, para nós, um marco. Mas, em termos legais, a definição virá com a realização da convenção, em junho.

- As pendências estaduais com o PT estão superadas?

Há o caso de Minas Gerais. E precisamos definir bem como se dará a campanha nos Estados em que já foi aceita a hipótese do palanque duplo. Será necessário definir o que significa isso. O presidente e a candidata vão aos dois palanques, não vão a nenhum... Tudo precisa ficar muito bem delineado.

- Acha possível evoluir para uma candidatura do vice-presidente José Alencar ao governo de Minas Gerais?

Não passou por nós ainda essa articulação. Mas existe a idéia de que o José Alencar possa ser candidato a governador com um vice do PT. O Fernando Pimentel [ex-prefeito petista de Belo Horizonte] viria para a coordenação da campanha da Dilma. E ficaria uma vaga ao Senado para o Hélio Costa [ministro peemedebista das Comunicações].

- Acha essa costura viável?

Como não discutimos o assunto no PMDB, prefiro não opinar. Mas lembro que o Hélio Costa reiterou na nossa convenção o desejo de ser candidato ao governo de Minas.

- A velha divisão entre os grupos do PMDB do Senado e da Câmara acabou?

Não se fala mais em grupo. Agora, fala-se apenas num único PMDB. Isso ficou muito bem definido na convenção.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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