Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Entrevistas

Stédile: ‘Hoje, ocupação de terra não interessa mais’

  Antônio Cruz/ABr
O MST está na muda. Nas palavras de seu principal mandachuva e ideólogo, João Pedro Stédile, o movimento vive “um momento de reflexão”.

 

Busca “um novo modelo para seguir”. A julgar pelo novo discurso de Stédile, vão escassear as invasões de terra.

 

No lugar da derrubada de cercas, surgirá a abertura de portas que conduzam a alianças com os “trabalhadores da cidade”.

 

Ouça-se Stédile: “Nos anos 70 e 80, bastava ocupar terras e se conseguia apoios que resultavam em pressão política...”

 

“...Hoje, a ocupação de terra não soma aliados. Portanto, não interessa mais...”

 

“...Estamos buscando novas alternativas para fazer aliados. E a que está se mostrando mais compatível é a aliança com trabalhadores da cidade”.

 

Stédile participa do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Foi entrevistado pelo repórter Carlos Wagner.

 

Instado a discorrer sobre 2010, atenuou a importância da eleição. “Não terá influência porque não irá mudar o modelo”.

 

A sucessão se resumirá, segundo ele, a “uma polarização entre Dilma Rousseff e José Serra”. Quem o MST apoia? “Somos contra o Serra”, disse Stédile.

 

Vão abaixo os principais trechos da entrevista:

 

 


– O que mudou no MST?
Não foi o movimento que mudou. Foi a luta pela terra. Nos anos 70 e 80, uma parcela da burguesia nos apoiava porque apostava em um modelo de desenvolvimento industrial que precisava de mercado interno para vender os seus produtos. Cito como prova desse apoio o plano de reforma agrária de Sarney [José Sarney, presidente do Brasil entre 1985 a 1990], que pretendia assentar 1,4 milhão de famílias. Isso mudou com a implantação do modelo neoliberal que consolidou o agronegócio, que depende do capital financeiro e das empresas transnacionais.
– Qual a reflexão desse momento na política interna do MST?
Estamos em um momento de reflexão, pensando em um novo modelo para seguir. Nos anos 70 e 80, bastava ocupar terras e se conseguia apoios que resultavam em pressão política. Hoje, a ocupação de terra não soma aliados. Portanto, não interessa mais. Estamos buscando novas alternativas para fazer aliados. E a que está se mostrando mais compatível é a aliança com trabalhadores da cidade.
– Como fazer alianças se o movimento enfrenta uma onda de antipatia na opinião pública?
É manipulação da mídia. Temos o apoio do povão do interior. Antipatia é de classe. Antes falavam mal do Lula.
– Mas o presidente Lula mudou. É possível que a necessidade de aliança leve o MST a repensar estratégias de luta, hoje consideradas antipáticas pela população, como o fechamento de estradas?
Tudo está sendo repensado com a finalidade de dar prioridade às alianças políticas, para somar forças na luta contra o inimigo atual: o modelo de desenvolvimento.

[...]

– Há uma década o movimento vem incluindo em suas fileiras pessoas de vilas urbanas. Que influência eles têm hoje no MST?
Esse pessoal representa uns 15% do contingente dos sem-terra aqui. Ainda é cedo para fazer uma avaliação.
– Qual a importância da eleição presidencial na arquitetura de alianças que está sendo gestada pelo movimento?
Não terá influência, porque não irá mudar o modelo. Vai ser apenas uma polarização entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).
– Qual candidato o movimento apoia?
Somos contra o Serra.

Escrito por Josias de Souza às 18h17

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Plebiscito visa ‘esconder Dilma’, afirma Sérgio Guerra

  José Cruz/ABr
Em viagem aos EUA, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), tornou-se o centro de uma polêmica que descambou para a troca de ofensas.

 

Chamou Dilma de “mentirosa” e “dissimulada”. Foi chamado de jagunço a serviço de José Serra por dirigentes do PT. Sentiu-se “caluniado”. E vai à Justiça.

 

Em entrevista ao repórter Josué Nogueira, Sérgio fez jus ao sobrenome. Revelou-se pronto para a guerra.

 

Disse que a tática plebiscitária do governo –Lula X FHC— visa, em verdade, “esconder a Dilma”, uma candidata que “não tem sustentação”.

 

Vai abaixo a entrevista:

 

 

- Por que o PSDB reagiu com tanta dureza às declarações de Dilma?
Porque o PT descumpre a lei eleitoral toda hora, todo dia. O próprio presidente, quando diz que não pode se fazer campanha eleitoral rasteira, ele está dizendo que faz campanha eleitoral fora do prazo legal. Isso é proibido. A lei não permite. Rasteiro é o PT.
- A virulência dos ataques cresceu com a nota do PSDB [em que Guerra chamou Dilma de ‘mentirosa]. Esse é o tom que será visto na campanha?
Eu só disse a verdade.
- Não acha que o tom foi agressivo?
Não. Acho que foi impositivo. Ela [Dilma] não pode ficar fazendo campanha em prol dela com esses argumentos. Isso é campanha pura. Como que se vai fazer inauguração de obras para combater a oposição? Isso não é campanha? Ela é candidata?
- O PSDB não está entrando no jogo plebiscitário que o PT tanto quer?
O PT é que está saindo [do debate]. Eles não querem colocar Dilma na discussão.

- Correligionários seus avaliam que o sr. conseguiu, finalmente, chamá-la para o debate...

Eles não querem o debate. Querem é esconder a Dilma.
- Acha que a aspereza observada na nota do PSDB interessa ao eleitor?
Não é questão de eleitor, é questão da lei. Ela não pode fazer campanha agora. Mas é que o tom foi pessoal demais. Foi bem além da questão do PAC... E essa história de dizer que o PSDB quer parar as obras do PAC não é mentira? Nós não queremos desenvolver as obras irregulares. Somente essas. As regulares não têm problema algum.
- Em 2006, o PT afirmava que o PSDB, se vencesse as eleições, iria acabar com o Bolsa Família...

Da outra vez, eles usaram isso no segundo turno, esse terrorismo de que a gente ia acabar com o Bolsa Família e ia privatizar o Banco do Nordeste. Dessa vez, estão usando na pré-campanha.
- Por que, na sua avaliação, o PT está recorrendo a essa prática de novo?
Porque a candidata deles não tem sustentação.
- O PSDB demonstra que vai reagir com dureza sempre que achar que deve. É isso?
É isso mesmo. Teve uma nota deles me chamando de jagunço. Estou entrando na Justiça contra eles. Vamos enfrentar isso desde agora. Eles sempre terão uma resposta à altura.

Escrito por Josias de Souza às 03h53

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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