Rebelado desde o dia da recondução de Aníbal, o ‘PSDBdoB’ promete constituir na Câmara uma “bancada paralela”, à revelia do líder.

 

Em entrevista ao blog, Aníbal diz que a intenção do grupo insurreto esbarra no regimento da Câmara, que não prevê senão a existência de bancadas oficiais.

 

Aníbal se diz aberto ao “diálogo”. Só não admite que a legitimidade de sua liderança seja posta em dúvida: “A maioria da bancada decidiu”. Abaixo, a entrevista.

- A dissidência diz que atuará como bancada paralela. O que acha?

Regimentalmente, não existe bancada paralela na Câmara. Não existe nem vai existir.

 

- Não receia que o grupo deixe de seguir a orientação do líder?

Espero que eles sigam a orientação da bancada, que sempre está em sintonia com os interesses do partido.

 

- E se a divergência se materializar em plenário?

Não será algo inédito. Muitas vezes um deputado ou um grupo diz: ‘Olha, não vamos acompanhar a liderança’. Quando não há questão fechada no partido, nenhum problema. Mas a possibilidade formal de fazer isso é pequena.

 

- Por que?  

A presidência da Câmara, na condução dos trabalhos legislativos, se entende com os partidos por meio da liderança. E ponto.

 

- O que diz da tese de que sua reeleição foi casuística?

O estatuto de 97, o único que o PSDB tem, permite uma reeleição do líder numa mesma legislatura. Chegamos a pensar em mudar isso.

 

- Por que não mudou?

Não houve a sensibilização da bancada para uma nova candidatura a líder. Isso levou dois terços da bancada a me pedir para continuar. Puro exercício da democracia.

 

- Algum dissidente o procurou para tratar do armistício?

Não a mim diretamente, mas já houve contatos com outros companheiros nossos.

 

- Como líder, não deveria desfraldar a bandeira branca?

Claro. De minha parte há total disposição para o diálogo. É preciso apenas que eles refreiem um pouco essa agitação.

 

- Às portas de 2010, essa guerra na bancada não é coisa fora de hora?

De fato, chega em péssima hora. Temos que superar isso rapidamente. Pra mim, já é página virada. Espero que logo todos vejam a coisa assim.

 

- Admite uma solução que passe pela troca do líder?

Não, aí não. O processo respeitou o princípio básico da democracia. A maioria da bancada decidiu.