Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Entrevistas

Arthur Virgílio: ‘Não vale a pena ganhar com Sarney’

  Sérgio Lima/Folha
O líder do PSDB, falou ao blog na madrugada deste sábado (31).

Disse que, com o tucanato, Tião Viana passou a ter “boas chances” de prevalecer no Senado.

 

Mas não pareceu preocupado com a hipótese de uma eventual vitória de José Sarney.

 

“Concluímos que não vale a pena ganhar com o Sarney”, afirmou.

 

De resto, disse que, diferentemente do DEM, o PSDB não sofre de “PTfobia”. Abaixo, a entrevista:

 

 

 

- Sarney se disse perplexo. Havia um pré-acordo do PSDB com ele?

As conversas estavam avançadas.

 

- Por que a coisa desandou?

A negociação desandou quando o presidente Sarney foi mais evasivo do que o senador Tião Viana em relação às propostas que levamos para ambos. Percebemos que, ainda que ele assinasse, viraria letra morta.

 

- Por que?

As forças que compõem o entorno do presidente Sarney significam o establishment do Senado, tudo o que a gente quer mudar.

 

- Refere-se a Renan Calheiros?

O Renan e outros personagens, como o senador Gim Argello [PTB-DF]. E mais: a gente percebia que eles faziam pouca distinção entre o nosso partido e outros que não têm o peso simbólico do PSDB. Temos muito orgulho do que somos.

 

- O time de Sarney diz que ele se elege mesmo sem o PSDB.

Essa conversa de dizer que não precisam de nós é sinal de doença psicológica. Então por que negociavam conosco? São masoquistas? Deveriam, agora, estar mais tranquilos. Noto que não estão. Começam a soltar uma certa bílis. Fazem coisas que me estarrecem.

 

- Por exemplo.

O senador Gim Argello foi, como emissário do Sarney, ao Planalto. Não sei se é o melhor interlocutor. O Sarney já foi presidente da República. Deveria ter interlocutores mais consolidados. Eles põem o senador Wellington Salgado [PMDB-MG] pra falar contra nós. Bela pessoa. Liderou a tropa de choque do Renan. Há um método viciado em torno do Sarney. Ele não muda as linhas de direção da Casa. Está comprometido com elas.

 

- Em que momento concluíram que a negociação com Sarney era um equívoco?

A certa altura da conversa com eles eu disse ao Renan: por favor, liberem a gente. Não estamos avançando. Tenho certeza de que eles achavam que estávamos blefando.

 

- Quando fez essa observação?

No final dessa reunião penosa em que nós percebemos que, com Sarney, estaríamos colaborando para a manutenção da mesmice.

 

- Refere-se à reunião de quarta (28), com Sarney, Roseana e Renan?

 Exatamente.

 

- Não o incomoda a divergência que se estabeleceu com DEM?

Todos sabem da relação fraterna que tenho com o Zé Agripino [Maia, líder do DEM]. Vejo ele dizendo que vão ganhar até sem nós.

 

- Lamentou que Agripino tivesse dito isso?

É a primeira vez que a gente diverge. Não tenho nenhuma vontade de ficar revendo os assuntos do Renan, mas o Zé Agripino foi tão duro com ele àquela altura. E percebemos que o Renan está voltando a mandar no Senado. Então, quando ele disse ‘vocês perdem’, me leva à reflexão. Primeiro não sei se perdemos. Segundo, pouco se me dá se perder.

 

- Como assim?

Decidimos que não queremos ganhar com eles. Se vamos ganhar com o Tião Viana é outra história. Acho que temos boas chances. Mas concluímos que não vale a pena ganhar com Sarney. Não queremos ganhar com aquele grupo.

 

- O sr. negociou com Renan por quatro semanas. O que mudou?

Eu me dei conta do equívoco que estávamos cometendo naquela última reunião, quando eu vi todos juntos. Percebi que estavávamos negociando com o establishment, que queríamos mudar. Não foi um sentimento só meu. O Sérgio [Guerra] também ficou incomodado.

 

- Restarão cicatrizes na relação com o DEM?

De minha parte não. Eu não manifestei nenhum incômodo pelo fato de eles terem fechado a negociação antes da gente. Temos muitas afinidades e uma lealdade recíproca. Mas quando há diferenças é preciso explicitá-las. Do contrário, teríamos de fazer uma fusão, o que não é o caso. Nossa aliança tem tudo para ser duradoura. Eles acabaram de ter uma demonstração de apreço do Serra, em São Paulo, na eleição do [Gilberto] Kassab.

 

- O DEM argumenta que não se deve apoiar um inimigo como o PT.

Respeito. Mas não vejo os outros como aliados. Entendo que nossos aliados no PMDB estão mais na Câmara do que no Senado. O que não nos impediu de conversar com o Sarney seriamente. Divergimos. Mas, no que depender de mim, a parceria com o DEM será mantida. Gosto muito deles. Gosto tanto que preferia não vê-los nessa foto. Preferia que estivessem na outra foto, conosco. Creio que, nessa questão do Senado, uma senhora chamada opinião pública não deve estar longe de nós. Mas sei que as contradições que o DEM tem com o PT são viscerais.

 

(A entrevista continua no texto abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 06h19

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

‘Vencemos o preconceito, não sofremos de PTfobia’

Arthur Virgílio disse que, para apoiar Tião Viana, candidato do PT, o PSDB venceu o preconceito que separa as duas legendas.

“Não sofremos de PTfobia”, disse.

 

 

- É fato que Sarney se negou a prover os cargos reivindicados pelo PSDB?

Isso é uma mentira. Eles dariam tudo o que a gente quisesse e mais o resto. Até porque um homem com a idade do presidente Sarney merecia estar dormindo a essa hora. Mas, preocupado, está bem acordado [Virgílio conversou com o repórter à 1h, já na madrugada deste sábado]. Então, isso é uma balela de baixo nível. 

 

- Não negaram ao PSDB a comissão de Relações Exteriores?

Eles estavam buscando todas as fórmulas para nos contemplar. Buscavam uma maneira de não deixar mal o Garibaldi [Alves]. Também acho que ele não deve ficar mal. Foi um grande presidente do Senado. Merece uma comissão importante. Falaram em dar a comissão de Relações Exteriores para o ex-presidente Fernando Collor [PTB-AL]. Acho prematuro. No lugar dele, eu não postularia. Depois de tudo o que houve, a forma como ele deixou a presidência [da República]... Eu teria mais cuidado. Mas creio que não farão. A terceira escolha, pela proporcionalidade, é nossa. E podemos escolher a comissão de Relações Exteriores. Não há pecado em discutirmos quais comissões devem ser nossas. No pau, sem negociação, a gente tem, pelo tamanho da bancada, a terceira escolha. Vale para a Mesa e para as comissões.

 

- Não receia perder espaço com Tião Viana?

O Tião me perguntou: o que você acha que a bancada precisa para ser contemplada. Eu disse: nada. Basta que você cumpra os compromissos assumidos conosco. Nossas posições nós vamos buscar fazendo valer o princípio da proporcionalidade.

 

- Podem ficar sem a comissão de Economia, não?

Eu estava cheio de dedos quando telefonei para o Tasso [Jereissati, candidato do PSDB à comissão de Economia]. Queria dizer a ele que não era a hora de discutirmos a comissão de Economia. O Tasso nem deixou que eu completasse o raciocínio. Ele me disse: ‘Arthur, esse não é o nosso esquema’. O Tasso está constrangido. Tem amizade com o Sarney. Mas foi empurrado para essa negociação por nós. Ele tinha mais simpatia pelo Tião.

 

- Por que a decisão de apoiar Tião Viana foi tomada em Recife?

Havia uma reunião programada do Sérgio [Guerra] com o Tasso, que voltava do exterior. Eles conversariam com o Jarbas Vasconcelos [senador dissidente do PMDB, pró-Tião]. Eu disse ao Tasso, pelo telefone: Dessa vez o Jarbas está certo. E ele: ‘Não me diga que você acha isso! Arthur, a opinião pública deseja que a gente marche com o projeto do Tião’. Eu estava em Brasília. Ele falou: ‘Vem pra cá’. Eu fui. Chegamos a um entendimento em cinco minutos.

 

- Entre os tucanos, o sr. era o mais envolvido coma opção Sarney, não?

É verdade. Eu dizia: não tem lógica, em princípio, a gente apoiar o PT. Só que me convenci de que não dava. O senador Renan é líder do PMDB. Temos de dialogar com ele. Mas me dei conta de que a moldura que ele montou não era a minha. Na reunião com eles, fiquei inquieto. Depois, chego no meu gabinete e encontro uma carta do senador Tião Viana. Uma resposta à nossa pauta de reivindicações. Adorei a resposta. Gostei muito. Demonstrou consideração. Faço o quê? Finjo que não recebi?

 

- O Sarney se negara a subscrever?

Não quis subscrever, embora dissesse que concordava com as linhas gerais.

 

- Como foi o seu contato com a Roseana Sarney?

Liguei pra ela, pra informar da nossa decisão. Disse: Olha, Roseana, já tive problemas de relacionamento com seu pai. Não tenho mais. Falei que a reunião que tivemos com eles foi definitiva pra mim. Disse que eu não era o único que estava amargurado.

 

- Os demais integrantes da bancada foram ouvidos?

Sim. Telefonamos para todos eles. Alguns disseram que iam votar em Sarney contrariados. O senador Álvaro [Dias, PR] discrepou, mas disse que seguirá o partido. O senador Papaleo [Paes, AP], que tem uma situação peculiar no Amapá, também divergiu.

 

- O time de Sarney diz que terá pelo menos quatro votos do PSDB. Procede?

Acho muito difícil ter traição do nosso lado. É melhor eles cuidarem da horta deles. Isso demonstra uma certa preocupação e muita insegurança.

 

- A divergência do senador Papaleo será acatada?

Pra mim ele disse que seguiria o partido. Depois, em público, disse que votará em Sarney. Não gostei do método. Vou buscar os votos da minha bancada. Houve concordância. Quero 12 dos 13 votos. Se puder convencer o Papaleo eu o farei.

 

- Ao optar por Tião Viana, os srs. esqueceram 2010?

Fomos bem entendidos pela bancada. Não houve diferenças.

 

- Serra e Aécio foram consultados?

O Sérgio Guerra havia conversado com eles antes. Mas nós, no Senado, conquistamos uma posição muito boa. Respeitamos os nossos governadores e o presidente Fernando Henrique. Mas a bancada opera com autonomia. Não há hierarquias entre nós. Isso ficou muito claro na votação da CPMF. E os nossos candidatos à sucessão presidencial minimizaram os efeitos eleitorais desse processo do Senado.

 

- Não é contraditório que o PSDB vote num candidato do PT?

Nosso partido tem espírito público. Não quero dizer que outros, como o DEM, não tenham. Digo que nós temos. A ponto de apoiar uma pessoa do PT por entender que é o melhor para o Senado. Talvez o PT possa fazer uma autocrítica sobre a atitude deles em relação a nós. Quem sabe possamos estabelecer um diálogo de nível mais alto. O Tião é meu amigo. Mas não era ele que estava em jogo. Era o PT. Vencemos o preconceito. Não sofremos de PTfobia. No segundo turno contra o Collor, votei no Lula. Teríamos feito composição com Lula em 94 se ele não tivesse cometido a tolice de desancar o Plano Real. O vice dele talvez fosse o Tasso Jereissati. Hoje, divergimos de detalhes da forma como ele governa. O que não nos impede de exercitar nosso espiríto público.  

 

- Acha que Sarney, se eleito, faria mal ao Senado?

Não digo que ele queira fazer mal ao Senado. Ele disse a nós uma frase forte: ‘Não vou enodoar a minha biografia’. Não tenho dúvida de que foi sincero. Mas é preciso analisar as condições: a base dele não quer mudança nenhuma. Que me perdoem eles. Mas essa não é a minha praia. Tentam nos espicaçar. Quanto mais insistirem nessa linha, mais eu irei esmiuçar as razões que nos levaram a pular fora.

Escrito por Josias de Souza às 06h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

'Não aceito tentativa de rolo compressor', diz Aécio

  Folha
A desenvoltura com que José Serra mira em 2010 tonificou em Aécio Neves o desejo de disputar com ele a vaga de presidenciável ofical do PSDB.

Aécio encomendou estudos, prepara-se para correr o país e se diz bem-posto no partido para disputar uma prévia com Serra.

"Estou pronto para ser o candidato, se o caminho for esse. Com a mesma tranquilidade, estou pronto também para não ser, se for o caso".

Só não aceita a tentativa de imposição de um "rolo compressor". Sobre Dilma Rousseff, a candidata de Lula, Aécio diz:

"Não sei se alguém que nunca disputou uma eleição, que tem um temperamento forte como o dela, terá condições de enfrentar uma campanha nacional".

Vai abaixo a entrevista concedida por Aécio ao blog:

- Alguma mudança de planos em relação a 2010? Se houve foi no sentido de firmar uma posição. Quem tiver melhores condições deve ser o candidato do PSDB. E me dou ao direito de achar que devemos esperar até o final do ano.

- Como se dará a decisão? Não pode ser construída no atropelo, em razão exclusivamente dos indicadores de pesquisa, que trazem, claramente, um recall.

- Como recebe a postulação de José Serra? O Serra tem todo o direito de postular. Só que temos de acertar entre nós o momento e a forma da decisão. Além das pesquisas, outras questões têm de ser consideradas.

- Que questões? Por exemplo, a capacidade de aglutinar outras forças políticas.

- Considera-se mais capaz de aglutinar? Acho que eu tenho um diálogo talvez mais natural com partidos que hoje estão confortáveis sob o guarda-chuva do presidente Lula e amanhã podem não estar. Essa costura que fizemos na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte, com o PSB, não é uma coisa à toa. Com o PDT também tenho um bom diálogo...

- De que modo isso interfere na decisão do PSDB? Tomaremos essa decisão num ambiente que é diferente do de hoje. No segundo semestre, sentiremos os efeitos da crise de forma mais profunda. Até lá, as pessoas poderão estar dizendo: 'Olha, precisamos de uma grande convergência, para construir uma agenda nova para o Brasil. Pode ser que haja ambiente para uma solução que aponte para um futuro que não leve em conta apenas o recall de pesquisas. Da mesma forma que respeito a postulação do Serra, quero que respeitem a minha.

- Não valoriza as pesquisas? O que me preocupa são os raciocínios simplistas. Do tipo: Se estamos na frente na pesquisa, já ganhamos a eleição. Uma coisa é o recall da largada eleitoral. Outra coisa é a capacidade de crescimento.

- Acha que pode crescer? Tenho comigo uma pesquisa que mostra o Serra com 40% a 43%, dependendo do cenário, com uma taxa de conhecimento de 90%. Eu apareço com 25%, com uma taxa de conhecimento de 46%. Tem espaço para o meu crescimento. Se vai ocorrer ou não é uma coisa a ser verificada.

- Sérgio Guerra lhe pediu para desistir das prévias?

Ao contrário. Isso não passou nem perto da nossa conversa. Discutimos justamente a o contrário. Tratamos da regulamentação das prévias.

- Então, é certo que haverá prévias? O compromisso da direção do partido é de regulamentar a prévia até março. Serão estabelecidos os prazos, a forma e o formato do colégio eleitoral. Quanto à realização, vai depender da existência ou não de disputa.

- Considera a hipótese de se convencer de que a hora é de Serra? Pode acontecer o inverso também. O Serra, que tem os pés no chão, pode se convencer de que a hora é do Aécio.

- Não lhe parece difícil que Serra abra mão? Acho que a tendência é de que ele vá em frente. Mas, de minha parte, não perco nada em construir a minha trajetória.

- Quais são as chances do PSDB em 2010? Creio que temos uma grande chance. Mas nada é tão simples. Precisamos mostrar para as pessoas por que é melhor votar de novo no PSDB. Não dá para se acomodar achando que, porque estamos na frente nas pesquisas, já ganhamos a eleição.

- Que chances atribui a Dilma Rousseff? Vejo um aspecto positivo na candidatura dela. Teremos uma campanha de alto nível. Pensando no Brasil, seja comigo ou com o Serra, teremos um debate qualificado. O que não sei é se alguém que nunca disputou uma eleição, que tem um temperamento forte como o dela, terá condições de enfrentar uma campanha nacional, com todas as cascas de banana que certamente serão colocadas à sua frente.

- O apoio de Lula não atenua as deficiência? O candidato não será o Lula, mas a Dilma. Entre nós e eles, creio que há muito mais dificuldade do lado de lá.

- Com o peso do governo, Dilma vai ao segundo turno, não? Depende. Nessa eleição, as opções ficaram muito restritas. Não há a perspectiva de termos um grande número de candidatos. Num cenário assim, em que há grande chance de ocorrer uma polarização entre duas candidaturas, pode haver uma espécie de segundo turno no primeiro.

- Quais serão os efeitos da crise no processo sucessório? A crise limita um pouco a influência do presidente. Não falo apenas do Lula. Vale para todos os governantes, inclusive para nós. O presidente sempre terá alguma influência, mas pode ser menor. Isso já ficou demonstrado nas eleições municipais. O sentimento de muitos era o de que Lula seria uma espécie de Midas. Todo candidato tocado por ele viraria ouro. Estão aí os casos de São Paulo, de Natal e outros a demonstrar que não é bem assim.

- O que acha da forma como o governo Lula lida com a crise? Acho que está lidando de forma adequada. Não é do meu feitio criticar apenas porque estou no outro campo. Acho que demoramos um pouco a inverter a lógica dos juros. Fizemos o caminho inverso ao do resto do mundo até essa última reuniao do Copom. Creio que já poderia ter baixado os juros há uns 30 dias, sinalizando com a continuidade dessa inversão. No mais, creio que o governo tem agido.

- O PSDB conseguirá evitar o erro da desunião? Só depende de nós. Todos temos os nossos projetos. Mas também temos espírito público para sair disso unidos. Só não aceito a tentativa de impor o rolo compressor. Não cabe dizer que já está resolvido, que será São Paulo, que São Paulo manda. Esses argumentos não me sensibilizam.

- Que argumentos o sensibilizam? Temos de verificar, no momento da decisão, qual o nome mais apropriado para a conjuntura. Essa coisa de São Paulo, numa eleição nacional, será explorada. Não por nós, mas pelos adversários. Há um certo enfado das soluções paulistas.

- Em caso de prévias, considera-se bem-posto na base do partido? Sim. Do contrário não estaria insistindo nisso. Sinto que há um sentimento de mudança de ciclo, de descontração de poder. Isso joga contra São Paulo e a favor de Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país. A ultima pesquisa Vox Populi feita em minas me dava 83% de aprovação.

- Quais são seus planos? Vou viajar o país. Estou construindo, com um grupo de pessoas, um conjunto de propostas.

- Quando inicia as viagens? Em março, a partir da regulamentação das prévias.

- Já traçou o roteiro? Não. Mas o início será pelo Nordeste. Percebo nas pesquisas que tenho algo como 36% no Sudeste, onde sou mais conhecido, e 17% no Nordeste. É onde meu índice de conhecimento é menor.

- Quantas viagens fará? Farei dois ou três Estados por mês. Sem muita pressa, mas mostrando que o jogo ainda não está definido.

- Quando o PSDB vai escolher o candidato? No final de 2009. O ideal é fazermos as prévias ali por novembro. Seria bom para o nosso partido se entrássemos em 2010 já com essa decisão tomada. Até para que, na hipótese de restar alguma aresta, haja tempo de superar.

- Podem restar arestas? Estaremos juntos sem nenhuma dificuldade. Só quero ter o direito de discutir essa questão à luz da realidade do momento. Sem imposições. Estou pronto para ser o candidato, se o caminho for esse. Com a mesma tranquilidade, estou pronto também para não ser, se for o caso.

Escrito por Josias de Souza às 03h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

'Não tenho receio de disputar com o Sarney', diz Tião

Fábio Pozzebom/ABr

José Sarney (PMDB-AP) ainda não retirou do armário sua candidatura à presidência do Senado. Mas Tião Viana (PT-AC) já o enxerga como adversário.

Assediado pela especulação de que cederia a um pedido de Lula para que se retirasse da disputa, Tião soa peremptório.

Não crê que o presidente lhe faça o fatídico pedido. Mas declara: "Se ele pedir, minha resposta será negativa".

Tião guarda mágoa de Sarney. Ouvira dele, cinco vezes, que não seria candidato. Agora, se diz "triste" por não ter merecido a delicadeza de um telefonema.

"Talvez eu não mereça essa atenção, pela importância política dele", afirma Tião, em entrevista ao blog.

Sarney terá com Lula uma conversa definidora. Tião se diz preparado para tudo. Inclusive para um embate com o morubixaba do PMDB.

"Não tenho o menor receio. Ele é senador como eu. Vamos ao voto". Abaixo, a entrevista:

- Pode desistir da candidatura? A chance de isso acontecer é zero.

- E se Lula pedir? Ainda assim, a hipótese de eu desistir da candidatura é nenhuma.

- Acha que o presidente vai pedir? Não creio. Ele me conhece há mais de 20 anos. Tem respeito por mim. Tenho convicção de que não faria a indagação.

- E se fizer? Se ele pedir, minha resposta será negativa. Hoje, tenho a responsabilidade política de sustentar a indicação de cinco partidos e dos senadores que me apóiam.

- Quantas vezes Sarney lhe disse que não seria candidato? Cinco vezes. Conversei com o senador com a maior consideração e humildade.

- Acha que ele será candidato? Me causa um certo constrangimento saber por terceiros que ele faz um movimento de candidato. Lamento não ter recebido dele um simples telefonema cordial e fraterno. Como foi a nossa relação até agora.

- A que atribui a aversão de Renan Calheiros ao seu nome? Particularizo o caso do senador Renan. Ele foi claro comigo. Disse: 'Trabalharei com todas as forças por uma indicação do PMDB, que represente o partido nessa disputa de poder'. Espero que a disputa cotinue sendo travada em campo aberto e à luz do dia. Claro que temos métodos diferentes. Mas ele, até agora, agiu com clareza.

- Quais são as diferenças de método? São muitas: a maneira de olhar o Parlamento, as relações institucionais, a interface entre o Legislativo e o Executivo, a política regional, as concepções partidárias e programáticas...

- Distingue o comportamento de Renan do de Sarney? Sinto tristeza pela maneira como está sendo deflagrada a candidatuta do senador Sarney. Eu me preocupei em estabelecer com ele uma relação fraterna. E esperava no mínimo um telefonema dele me informando sobre as razões de sua candidatura. Não telefonou. Talvez eu não mereça essa atenção, pela importância política dele.

- Receia disputar com Sarney? Não tenho o menor receio. Ele é senador como eu. Vamos ao voto.

- A conversa de Lula com Sarney pode modificar o processo? Será uma conversa difícil. Depois de ouvir o senador Sarney, o presidente expressou uma expectativa em relação à eleição na Câmara e no Senado. Não havia uma candidatura do senador. Agora, há uma definição de pré-candidatura dele. Não sei qual será o desfecho. Estou preparado para qualquer resultado.

- Não receia que Lula apoie Sarney? Creio que seria muito difícil que, havendo dois candidatos da base governista, o presidente manifestasse preferência por um. Pode haver um distanciamento do presidente Lula do processo. Creio que ele tratará as duas candidaturas com respeito.

- Acha que a disputa deixará feridas? Tenho me relacionado com o senador Garibaldi Alves, que se apresentou como candidato do PMDB, com respeito e responsabilidade. Entrando o senador Sarney, o processo pode ser conduzido do mesmo jeito. A lesão causada ao equilíbrio político-partidário na Casa pode ser pequena, superável.

- Com Sarney, o PT deveria trair Michel Temer na Câmara? Acho que o PT deve cumprir os compromissos com a candidatura do deputado Michel Temer. Ele tem sido correto e sensível à necessidade de preservar o equilíbrio partidário. Trata com muito respeito a minha candidatura.

- Quais serão os reflexos dessa disputa na composição de 2010? Infelizmente, algumas pessoas tratam a disputa no Legislativo com os olhos voltados para 2010. A meu ver, deveríamos priorizar os interesses do Poder Legislativo.

- Sua vitória não beneficiaria Dilma Rousseff? Não posso prestar serviços nem à ministra Dilma nem ao governador José Serra. Tenho certeza de que, com o nível de responsabilidade dos dois, eles querem um Legislativo que reduza fortemente o índice de fisiologismo e faça avançar as reformas de Estado. O contágio de 2010 só prejudica o andamento do processo legislativo nos próximos dois anos.

- Que prejuízo pode haver? Em ambiente de disputa, podemos deixar de votar as reformas de Estado.

- Que reformas? A reforma política, a tributária, a agenda ambiental, a definição de marcos regulatórios importantíssimos. Sob crise, o país precisa de ajustes sólidos e ágeis. As questões eleitorais deveriam ser tratadas a seu tempo.

- Senadores do DEM acham que elegê-lo seria o mesmo que acomodar Lula na cadeira de presidente do Senado. Conseguiria manter-se independente? Sinto que há um preconceito, sobretudo do senador Agripino [Maia, líder do DEM], em relação ao PT. Isso se deve às brigas que ele teve com o presidente Lula durante o último processo eleitoral no Rio Grande do Norte. Vejo essa relação como algo maniqueísta.

- Conseguiria conduzir o Senado com independência? Não tenho dificuldade em afirmar a minha relação histórica com a figura humana e política do presidente Lula. Assim como fizeram Luiz Eduardo Magalhães e Aécio Neves, quando presidiram a Câmara, com Fernando Henrique Cardoso. Tenho também uma relação de respeito com o governador José Serra. Então, me sinto à vontade para defender os interesses do Legislativo. Com a responsabilidade que me cabe caso venha a ser eleito. Sei o que é um governo de coalizão. Mas também valorizo o papel de uma oposição ativa. É possível conduzir o processo legislativo com altivez e independência.

- Acha que vai prevalecer na disputa? Estou confiante. Minha meta é a de obter 52 votos.

- Já dispõe dos 52 votos? Há uma margem sólida de segurança que me permite dizer que estou em torno desta marca de 52 votos [para eleger-se presidente, um senador precisa de 41 votos].

- Sua conta inclui votos do PMDB? Sim. Votos honrosos e importantes. O PMDB tem 20 eleitores. Vários já me declararam apoio. Qualquer que seja o candidato apresentado por eles.

- Contabiliza votos da oposição? Sim. Dentro do DEM também terei votos importantes. E creio que o PSDB está sensível a um diálogo elevado. É hora de pensar no país e não em governo querendo destruir a oposição e vice-versa. Esse caminho só leva ao colo do fisiologismo.

Escrito por Josias de Souza às 04h30

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

BUSCA NO BLOG


Twitter RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.