PF muda e adere ao modelo de ‘gestão empresarial’
Felipe Varanda
A Polícia Federal vive uma experiência incomum no serviço público.
Passa por um processo de “reengenharia”. Coisa típica de empresa privada.
Deve-se a novidade ao delegado Luiz Fernando Corrêa.
Nomeado diretor-geral da PF há 11 meses, ele decidiu inovar.
Resume assim os novos rumos:
“Vamos introduzir modelos de gestão empresarial na Polícia Federal.”
Para isso, está contratando consultorias privadas. Rumina planos ambiciosos.
Corrêa deseja dotar a PF de “todos os indicadores que qualquer empresa tem...”
“...De desempenho, de custo, de capacidade de trabalho...”
Ele avisa: “Se houver incapacidade de gestão, haverá substituição.”
Corrêa esmiuçou seus planos numa entrevista à RBS. Vai abaixo um extrato:

- O que muda?
Historicamente, ela [a PF] atuava em modelo reativo de gestão (...). Estamos mudando isso para um modelo com planejamento estratégico de longo prazo, estabelecimento de metas e gestão de projetos. Realizamos um planejamento estratégico até 2022, para dizer que polícia nós queremos e agora estamos na fase de definir como fazer acontecer. Para isso, estamos contratando consultorias renomadas, que vão nos ajudar a introduzir o conceito de gestão (...).
– Gestão empresarial?
Exatamente. No que for possível, adaptando as variáveis ao serviço público, vamos introduzir modelos de gestão empresarial na Polícia Federal.
– Qual será o impacto na rotina de delegados e agentes?
(...) Ele vai trabalhar com retaguarda e não com superação individual. Se tenho uma boa gestão, estou gerando um conforto para aquele trabalhador da Polícia Federal que está lá na ponta. Ele passa a ter a questão orçamentária, o custeio, ele passa a receber a diária antes de viajar. Estávamos pagando diárias com três meses de atraso.
– Que indicadores pretende medir?
(...) Quando se fala em polícia, a gente pensa em indicadores como número de prisões e inquéritos instaurados. São relevantes, mas só eles não me dão dados para a gestão da polícia. Preciso de todos os indicadores que qualquer empresa tem, de desempenho, de custo, de capacidade de trabalho. Estamos introduzindo agora um registro eletrônico de presença, que até gerou um desconforto nos policiais. Isso não é para saber a hora que entrou e que saiu, mas para saber quem está disponível (...).
– Como cobrar resultado dos agentes?
Estamos em um processo de descentralização. Na medida em que tenho dados gerenciais das unidades, posso medir a eficiência das superintendências e das diferentes áreas de especialização. Posso medir o desempenho sobre resultado de investigação e no exercício de gestão. Se houver incapacidade de gestão, haverá substituição.
- A cobrança não resultará em resistências?
Pelo contrário. É o que o pessoal quer, porque crio ferramentas para estabelecer a meritocracia. Tenho indicadores para medir o desempenho. Tenho como medir o mérito (...).
– Ineficiência de gestão prejudica o trabalho policial?
Claro. Se a polícia estava fazendo o que fazia sem gestão, talvez fizéssemos mais operações, com mais qualidade. A novidade é que a gente deixa de agir intuitivamente e passa a ter metas.

Promotor de Justiça licenciado, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) jogou água no chope do Planalto. 