‘Acho que negociação não vai dar certo’,diz tucano
O senador Sérgio Guerra (PE), que assumirá a presidência do PSDB em um mês, diz estar “pessimista” em relação às chances de êxito da negociação do tucanato com o governo. Junto com Tasso Jereissati (CE) e Arthur Virgílio (AM) –respectivamente atual presidente e líder do PSDB—, Guerra reúne-se nesta quinta-feira (25) com o ministro Guido Mantega (Fazenda). Chega ao encontro com um pé atrás: “Creio que o governo não quer ceder nada de relevante [...]. Acho que essa negociação não vai dar certo”, disse, e entrevista ao blog. Leia a seguir:

- A maioria dos senadores tucanos é contra a CPMF?
Sim, a maioria é contra.
- Nove dos 13 tucanos querem rejeitar a emenda?
Pode ser até mais do que isso. A maioria quer derrubar.
- Por que, então, negociar com o governo?
Nesse momento, a bancada do PSDB no Senado não está sozinha. A matéria é muito importante. Nosso voto tem que refletir a posição da bancada federal, dos governadores, de todo o partido.
- Com que disposição vão para a negociação?
Se não houver uma proposta sólida, que possamos apresentar como vantajosa para o país, a gente não vai conversar. Vamos votar contra, para ganhar ou para perder.
- O governo já negocia diretamente com os governadores tucanos, não?
Esse festival de especulação não é coisa de quem quer fazer uma coisa correta.
- A que especulação se refere?
Num momento dizem que vão fazer isso, depois dizem que farão aquilo, que alguém já conversou com Aécio, que outro alguém falou não sei o quê com não sei quem. Não dá para trabalhar desse jeito. O que precisa é ter algo concreto, para a gente poder analisar. Até agora, não sabemos o governo tem a oferecer.
- Vai para a negociação otimista?
Eu sou pessimista. Creio que o governo não quer ceder nada de relevante.
- Acha que a negociação vai prosperar?
Acho que essa negociação não vai dar certo. A coisa está muito mal apresentada.
- A que horas será a reunião com o ministro Guido Mantega?
Será um almoço. Não é um bom começo.
- Por que?
Por que não houve preparação. Nem a gente sabe o que vai ouvir nem ele sabe o que esperar de nós.
- O que o governo pode esperar dos tucanos?
Arthur Virgílio já enunciou as nossas bases. A gente quer, entre outras coisas, redução de carga tributária, controle das despesas públicas e aumento do dinheiro para a Saúde. Nossas prioridades são essas. A do governo é arranjar mais dinheiro.
- Os senhores têm prazo para definição?
Quem tem dificuldade com prazos é o governo.
- Depois da reunião com o ministro o PSDB vai dizer se é contra ou a favor?
Seguramente conversaremos entre nós, com os governadores, com os deputados federais... Não tomaremos decisão sem ouvir todo mundo. Também não adianta ficar com isso em aberto por muito tempo.
- O que desejam os governadores do PSDB?
No geral, eles desejam que a bancada negocie. Mas deixam a responsabilidade da decisão integralmente com a bancada. Na reunião de São Paulo, os governadores [José Serra e Aécio Neves] ponderaram uma coisa ou outra coisa, mas disseram: ‘A decisão é de vocês’.
- Como administrar a irritação dos deputados tucanos?
Os deputados estão aborrecidos. Mas precisa considerar que o nosso voto na Câmara não implicava decisão. A gente não tinha chances de ganhar lá. Fizemos o que tínhamos que fazer: ganhar tempo. Agora, a bancada no Senado precisa considerar todo o partido.
- Não receia que a negociação prejudique a identidade do partido como oposição?
Não creio. Há uma evolução entre a Câmara e o Senado. Começamos simétricos e vamos terminar simétricos. Nada será decidido sem conversar com os deputados. Em qualquer hipótese, a bancada do Senado votará unida.


Destituído da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado junto com Pedro Simon (PMDB-RS), o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) prevê que o próximo passo de Renan Calheiros será tentar alterar a composição do Conselho de Ética do Senado, que lhe é desfavorável. “S