Agripino: ‘Permanência de Renan afronta o Senado’
José Agripino Maia (RN), líder do DEM, diz que a permanência de Renan Calheiros (PMDB-AL) no cargo “é uma afronta ao Senado”. Daí a decisão de obstruir as votações. “Se ele não se licenciar [da presidência do Senado], nós vamos licenciá-lo. Não comparecendo às sessões, evitaremos que haja deliberação sob a presidência dele”, afirmou. Leia abaixo a entrevista:

-Renan ainda tem condições de presidir o Senado?
Não. Nesta terça-feira, reuniremos a bancada para deliberar sobre a ausência do partido em todas as sessões presididas por ele.
- Acha que o PSDB também fará obstrução?
A obstrução precisa acontecer junto com o PSDB. A coisa foi articulada. Eles vão fazer uma reunião na mesma hora. Não queremos só marcar posição. Queremos uma atitude gere conseqüência.
- Que conseqüência?
Queremos que Renan se ausente da presidência até que as investigações sejam concluídas.
- Deseja-se forçar o licenciamento do presidente?
Se ele não se licenciar, nós vamos licenciá-lo. Não comparecendo às sessões, evitaremos que haja deliberação sob a presidência dele.
- A obstrução afetará a votação da prorrogação da CPMF e da DRU?
Esse é o maior interesse do governo. As matérias chegam ao Senado em setembro. Nas condições atuais, não há hipótese de votarmos DRU e CPMF.
- O partido fará mesmo nova representação contra Renan?
A representação está praticamente pronta. Darei uma cópia ao PSDB e submerei à bancada.
- Será representação ou pedido de aditamento?
Faremos o que for legal. Apresentar uma coisa para ser refugada como ilegal, não dá.
- A nova denúncia [uso de laranjas na aquisição de um jornal e duas rádios] complica a situação de Renan?
Evidente que sim. A averiguação que está em curso, dos fatos que já eram conhecidos, já pode produzir um voto no sentido da cassação. Mas, para deixar o Senado confortável, é preciso a nova representação.
- Renan perdeu a capacidade de interlocução?
Ele está jogando fora essa capacidade. Poderia ter mantido se tivesse se licenciado. Está jogando fora pelo fato de estar afrontando o plenário e o Senado. Não se trata de confronto ente governo e oposição. A saída dele é um gesto de legítima defesa do Senado.
- O pedido de inquérito do procurador-geral complicou a situação?
Caro. Por uma razão simples. Renan dizia que não sabia do que estava sendo acusado. Pois agora ele já sabe. Meu partido pediu o afastamento dele antes da iniciativa do procurador. Os fatos anteriores já haviam topado no limite.

Na opinião do jurista Fábio Konder Comparato o Congresso não consegue aprovar a reforma política porque padece de “um vício de origem: decide sempre em causa própria, notadamente em matéria eleitoral.” Daí a idéia de introduzir no texto da Constituição o mecanismo das assembléias revisoras. Leia abaixo a entrevista de Comparato:
A adesão da OAB de São Paulo ao “