Sem apuração, Casagrande prevê ‘enterro’ de Renan
José Cruz/ABrConvidado e ‘desconvidado’ para o posto de relator do Conselho de Ética em menos de 24 horas, o governista Renato Casagrande (PSB-ES) diz que não há outro caminho senão o “aprofundamento das investigações”. Do contrário, afirma, “vamos continuar matando o Senado aos pouquinhos” e Renan Calheiros “vai enterrar a vida pública dele”. Leia abaixo a entrevista:

- O que achou do ‘desconvite’?
Chegamos ao limite. Foi muito constrangedor. Não pedi pra se relator. O Leomar [Quintanilha, novo presidente do Conselho de Ética] fez o convite de público. Combinamos de nos encontrar nesta quinta-feira, logo cedo. Eu daria a resposta e íamos tocar a vida. Mas a condução dele foi inadequada, deselegante.
- Como imaginava tocar a vida?
Minha primeira atitude seria encaminhar um ofício ao Paulo Lacerda [diretor da PF], pedindo para concluir a perícia nos documentos. Mandei até redigir o ofício. Ia levar em mãos, para saber quantos dias ele precisava.
- Estava, portanto, decidido a ser o relator?
Sim. Comuniquei a todos que me procuraram: os líderes do PDT, do PMDB, do PT... Disse: fui escolhido relator, decidi aceitar e meu caminho é esse.
- Quando soube que a coisa havia gorado?
Passei o dia tentando falar com o Leomar. Só consegui falar com ele às 17h15.
- Ligava e ele não atendia?
Liguei o dia inteiro pra ele.
- O que acha que aconteceu?
Ele deve ter sido muito pressionado. Quando consegui falar, ele me disse: ‘Olha, Renato, decide fazer primeiro uma consulta à assessoria jurídica do Senado, pra ver quais são as impropriedades que existem no processo. Só depois vou escolher o relator.
- Como reagiu?
- Eu disse a ele: então é isso? Você não escolheu o relator, eu não sou o relator e você vai decidir depois? Então, se voltar a me convidar, faça pessoalmente. Não convide de público, não. Daí, fui dar uma satisfação para a imprensa. Dei as informações e a imprensa foi pra cima do Leomar. Ele, então, disse que não é bem assim, que depois da avaliação da assessoria jurídica vai falar comigo. Agora sou eu que tenho que pensar. Minha relatoria está sobrestada.
- Se o convite for refeito, vai aceitar?
Tenho que avaliar esse documento da assessoria jurídica do Senado. Quero saber se vão me deixar trabalhar, se não vou sofrer a cada dia um novo revés. Imagine se a assessoria jurídica disser que é preciso restringir a apuração. Nesse caso, não tenho nenhuma condição de ser o relator.
- O sr. e os petistas Eduardo Suplicy e Augusto Botelho vão continuar defendendo a continuidade da apuração?
Se tentarem limitar a investigação, é óbvio que o conselho vai reagir. Eu, o Suplicy e o Augusto Botelho temos uma posição conjunta. E vai continuar assim, na linha da defesa do aprofundamento da investigação. Só tem esse caminho. Para o Senado e para o próprio Renan. Ou investigamos e chegamos a alguma conclusão ou vamos continuar matando o Senado aos pouquinhos. Sem uma elucidação cabal, o Renan vai enterrar a vida pública dele.

