Relator da CPI diz que Lula não é alvo da apuração
Em entrevista ao blog, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), relator da segunda CPI do aerocaos, disse não estar interessado em participar de uma nova comissão do Fim do Mundo. “Isso não leva a lugar nenhum”. Promotor de Justiça licenciado, ele declara: “Quero resultados”. Afirma também que, em princípio, Lula não pode ser responsabilizado por irregularidades praticadas na Infraero por pessoas que nomeou. “Seria o mesmo que culpar o marceneiro que fez a cama pelo crime de adultério”. Leia abaixo a entrevista:

- Fez alguma exigência para aceitar a relatoria?
Sim. Eu me comprometi a não extrapolar os limites da CPI. Não tenho nenhuma intenção de começar na Infraero e terminar na presidência da República. Mas exigi que não houvesse qualquer obstáculo a que chegássemos à verdade.
- Pretende transformar a CPI numa nova comissão Fim do Mundo?
De jeito nenhum. Já ficou demonstrado que isso não leva a lugar nenhum. Quero resultados. Se houver culpados, serão apontados. Não vamos inventar nada.
- Qual será o foco da investigação?
Investigaremos três coisas: o acidente aéreo e suas causas; as razões do apagão aéreo e as soluções para o problema; e a corrupção dentro da Infraero.
- Lula pode ser responsabilizado por desvios da Infraero?
Em princípio, não. Seria o mesmo que culpar o marceneiro que fez a cama pelo crime de adultério. Pode-se nomear pessoas que, depois, cometem crimes. Se quem nomeou está em parceria com esses crimes, é uma coisa. Do contrário, não se pode incriminar só porque fez a nomeação.
- Pretende servir-se de investigações já realizadas?
Sim. Já falei informalmente com os dirigentes do Ministério Público, do TCU e da Polícia Federal. Pediram apenas que eu formalize a requisição de documentos, assim que assuma as funções de relator. É o que eu farei. Pedi às três instituições que mandem pessoas para acompanhar a CPI. Faremos um trabalho conjunto. Não faz sentido buscar provas que já foram produzidas.
- Os problemas da Infraero estão concentrados em São Paulo?
O Ministério Público me informou que os principais problemas ocorreram em São Paulo. Por isso requisitaremos os documentos. O que nos interessa é concluir o trabalho rapidamente, apontar os eventuais responsáveis e pugnar pela punição.
- Receia que o resultado no Senado seja diferente das conclusões da Câmara?
Pode acontecer. A Câmara parece centrada nas causas do acidente da Gol. No Senado, a investigação da corrupção na Infraero faz parte do cabeçalho do requerimento da CPI. Seria desejável que pudéssemos chegar às mesmas conclusões. Mas as Casas são independentes. E, mesmo nos tribunais, casos análogos às vezes são julgados de forma distinta.

Guindado à condição de presidente da CPI aérea do Senado, o governista Tião Viana (PT-AC) diz confiar na “responsabilidade da oposição”. Acha que é “bem pequeno” o risco de irrupção de uma nova CPI Fim do Mundo. Para evitar “excessos”, pretende guiar-se pelo regimento interno do Senado e pela Constituição. Leia abaixo a entrevista que o senador concedeu ao blog: