Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Entrevistas

Para Temer, PMDB pode ser opção de Lula em 2010

Para Temer, PMDB pode ser opção de Lula em 2010

Lúcio Távora/Folha Imagem
 

 

O deputado Michel Temer (SP) será reeleito neste domingo presidente do PMDB. Em entrevista ao blog, disse que, nos próximos anos, articulará para que o partido tenha, finalmente, um candidato próprio à sucessão presidencial. Acha que o nome do PMDB “pode vir a ser o candidato da coalizão governamental que agora se formou em torno do presidente Lula.” Leia abaixo a entrevista:

 

- De que maneira  pretende preparar o PMDB para 2008 e 2010?

Vamos preparar o partido para ter o maior número de candidatos a prefeitos, em 2008. E também para eleger o maior número de governadores e o presidente da República, em 2010.

- O PMDB terá um presidenciável próprio em 2010?

Sim. Creio até que o candidato do PMDB, como maior partido, pode vir a ser o candidato da coalizão governamental que agora se formou em torno do presidente Lula. É a minha expectativa.

- Acha que o candidato do PMDB seria apoiado por Lula?

É possível. Estamos fazendo uma aliança governamental. A aliança eleitoral poderá surgir ao longo do tempo.

- Não falta um nome ao PMDB com tônus para brigar pelo Planalto?

Temos nomes de peso. Basta ver os nossos governadores e outras tantas lideranças do partido. Podemos perfeitamente construir uma candidatura.

- Há na praça presidenciáveis vistosos, como os tucanos Serra e Aécio. Acha que um deles –Aécio, por exemplo—, pode filiar-se ao PMDB?

Os nomes que você menciona são respeitáveis. Mas estamos longe da eleição. Sobre esse assunto de filiação de novos quadros, naturalmente, não posso me manifestar. Vai depender da conjuntura futura.

- O sr. acaba de descer do palanque de Geraldo Alckmin (PSDB). O movimento em direção a Lula não lhe causa desconforto?

Na política é preciso, antes de tudo, servir ao Brasil. O convidou-me para uma conversa, que se deu em nível programático. O PMDB, decidiu integrar a coalizão. Repeto uma frase do governador Luiz Henrique (SC): ‘Ao presidente do partido não cabe imprimir nem reprimir, mas exprimir a vontade da maioria. Foi o que eu fiz.           

- Ao aliar-se a Arlindo Chinaglia na briga pela presidência da Câmara, o PMDB obteve do PT o compromisso de apoiar um peemedebista para comandar a Casa no biênio 2009-2010. O sr. vai se apresentar como candidato?

Dois anos em política é uma eternidade. O fato é que o PMDB fez um acordo adequado, de molde a que, daqui a dois anos, a presidência da Câmara seja do PMDB. Quem será o candidato? Só o tempo dirá.

- O sr. se exclui dessa equação?

Não me excluo nem me incluo. O tempo dirá. (Continua abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 02h03

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‘PMDB dará a Lula 80% de seus votos no Congresso’

‘PMDB dará a Lula 80% de seus votos no Congresso’

Uma das aflições mais agudas de Lula é a dúvida que acalenta em relação à fidelidade do PMDB, o partido mais par-ti-do do Brasil. Nas reuniões com dirigentes da legenda, o presidente diz e repete que precisa de “unidade”. Michel Temer diz que Lula terá “mais de 80%” dos votos dos congressistas do PMDB. Admite, porém, que há uma última aresta a ser aparada: os deputados dois ministérios, o mesmo número de pastas que detém o grupo de senadores liderados por Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP). Lula, por ora, só entregou um ministério ao grupo da Câmara.

- Como irá sanar as rusgas remanescentes da pendenga com Nelson Jobim?

Dialogando. São rusgas de pequena monta. Há um ou outro desagrado. Mas de pessoas que têm ótimo nível político e pessoal. O diálogo será fácil.

- Conseguiu recompor a chapa, juntando o grupo de Jobim?

Sim. Retiramos companheiros que estavam na nossa chapa e colocamos outros tantos. Por exemplo: integraram-se seis governadores, mais um representantes do governador Roberto Requião (PR). Também os sete senadores ingressaram depois da desistência do Jobim.

- Diria que obteve uma chapa verdadeiramente de unidade?

Tenho certeza que sim. Traz a quase totalidade dos deputados, sete senadores, os governadores, muitos deputados estaduais, presidentes de assembléias legislativas... É uma chapa de muita representatividade política.

- Essa  unidade resultará em votos para Lula no Congresso?

Diria que se traduzirá em mais de 80% dos votos da bancada. Evidente que teremos uma visão crítico-participativa. Quando houver observação a ser feita, faremos. Mas sempre colaborando com o governo.

- Esse apoio depende da ação de Lula para equiparar a força do PMDB da Câmara ao poder exercido no governo pelo PMDB do Senado?

O PMDB fez uma coalizão em termos programáticos. Ou seja, ajudaremos na formulação de teses para o país. Se ajudamos a formular, é razoável que ajudemos a executar. O que significa estar no Poder Executivo. Teremos um novo encontro com o presidente. Essa equalização de forças entre o grupo da Câmara e o do Senado já está prometida por ele.

- Os deputados do PMDB demandam dois ministérios, em contraposição às duas pastas controladas pelos senadores (Comunicações e Minas e Energia).  Lula terá de confiar ao grupo da Câmara outro ministério além do já prometido a Geddel Vieira Lima (Integração Nacional)?

É fato que a bancada da Câmara postula o mesmo número de ministérios conferido ao Senado. Quando se fala em quatro ministérios, o que está em pauta é o tamanho do PMDB, que tem a maior bancada na Câmara e também no Senado.

- Entende que a nomeação de José Gomes Temporão, o indicado do governador Sérgio Cabral (RJ), para a pasta da Saúde, está fora dessa cota reivindicada pelo PMDB da Câmara?

Este é um assunto que vamos tratar com o presidente. Num dado momento, a bancada da Câmara abriu mão da Saúde, para deixar o governo à vontade. Ao mesmo tempo, postulou os dois ministérios sobre os quais antes se havia conversado.

- Os deputados falam em Turismo ou Agricultura. O sr. endossa?

Isso vai depender do presidente. Ele tem o desenho de seu ministério e sabe o que pode oferecer ao PMDB.

Escrito por Josias de Souza às 01h54

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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