Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Entrevistas

Fruet diz já ter obtido apoio de Serra e Aécio

Fruet diz já ter obtido apoio de Serra e Aécio

  Lúcio Távora/Folha Imagem
Mal sua candidatura foi formalizada pela “terceira via”, Gustavo Fruet (PSDB-PR), o mais novo postulante à presidência da Câmara, pendurou-se ao telefone. Em entrevista que concedeu há pouco ao blog, ele festeja o êxito das primeiras sondagens: “Fiquei surpreso com a receptividade.” Fruet diz ter obtido o apoio inclusive dos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). Leia a entrevista a seguir:

 

- Sua candidatura é problema ou solução para o PSDB?

Minha candidatura é a favor do partido. Já falei com os governadores Serra (SP), Aécio (MG), Cássio Cunha Lima (PB); com os senadores Sérgio Guerra (PE) e Marconi Perillo (GO). Falei também com o nosso próximo líder na Câmara, o Antonio Carlos Pannunzio (SP). São todos favoráveis à candidatura. O discurso de todos vai na linha da defesa da unidade partidária. Alguns me disseram: ‘isso vai salvar e garantir a unidade do PSDB’.

- O governador Serra o apoiou?

Sim.

- Foi enfático?

Foi. Eu prestei solidariedade a ele por conta do problema ocorrido na obra do metrô de São Paulo. E conversamos sobre a questão da Câmara. Ele me disse que não trabalhou pela solução da semana passada [o apoio à candidatura de Arlindo Chinaglia, do PT]. Disse que não tem nenhum tipo de acordo regional, prevendo compensações na Assembléia Legislativa paulista. E elogiou a lealdade do Jutahy [Júnior, o líder tucano que anunciou o apoio a Chinaglia]. Eu concordei com ele.

- Mas o governador Serra disse explicitamente que o apóia?

Disse muita explicitamente que é favorável à minha candidatura.

- O sr. acredita na revisão do apoio ao PT?

Sim. Fiquei surpreso com a receptividade da minha candidatura. Está sendo muito rápido. Comecei a me mexer hoje, depois da decisão. E me surpreendi com a receptividade dentro do partido, que está sendo muito forte.

- E se o PSDB não referendar o seu nome?

Neste caso, eu respeito a decisão do partido, deixo de ser candidato. E o grupo da terceira via vai estudar outra alternativa. Deixei claro nas reuniões de hoje –com parlamentares tucanos e com a terceira via—que meu objetivo é buscar a unidade do PSDB. Não tem sentido ir para a disputa na bancada e depois desrespeitar a decisão.

- Falou com o líder Jutahy Júnior?

Falei pela manhã, antes do lançamento da candidatura. Agora à noite, ainda não consegui falar. Nessa primeira conversa, ele me explicou a situação da semana passada. Eu entendi. Mostrei que não estou articulando contra o partido. Ele falou que respeitaria a decisão que eu viesse a tomar. Foi uma conversa franca, muito boa.

- Acha que tem chances de virar presidente da Câmara?

Se o PSDB aprovar a iniciativa, na reunião de sua bancada marcada para a próxima terça-feira (23), a candidatura se torna competitiva. Algumas liderança já estão conversando com parlamentares de outros partidos. Estou priorizando, por ora, o PSDB. Dono da terceira maior bancada, o partido tem potencial para se transformar no fato novo da Câmara.

- Se for eleito, vai reajustar o salário dos parlamentares?

Meu compromisso é com os sete pontos da terceira via, que ajudei a elaborar. A questão do salário dos parlamentares é um dos pontos da carta. Defendo a correção salarial pela inflação [os contracheques passariam de R$ 12,8 mil para R$ 16,5 mil].

Escrito por Josias de Souza às 20h00

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‘Não sou pró-lula, sou pró-Câmara’, diz Chinaglia

‘Não sou pró-lula, sou pró-Câmara’, diz Chinaglia

  Antônio Cruz/ABr
Em entrevista ao blog, Arlindo Chinaglia, candidato do PT à presidência da Câmara disse que o apoio do PSDB, que acaba de receber na cidade de Vitória (ES), dá à sua candidatura “uma musculatura política e contábil muito forte”. Já ganhou? “Prefiro dizer que não trocaria a minha posição por qualquer outra posição na casa”.
 
Quer o apoio formal de Lula? “Passei um tempão sendo tratado como candidato anti-Lula (...). Quero que a sociedade conclua por si mesma que o presidente nunca se opôs à minha candidatura. Mas não quero ser tachado agora de candidato oficialista. Se eleito não vou representar o Executivo no Legislativo. Serei presidente da Câmara (...). Não serei nem pró nem anti-Lula. Serei pró-Câmara”. Leia a entrevista:

- O que representa o apoio do PSDB?

Não desprezo a questão numérica, embora não a despreze. Mas acho que tem uma importância política. Me permite dizer que, se eleito, serei um presidente que vai representar toda a Câmara, como instituição.

-Como assim?

Esse apoio do PSDB ultrapassa a disputa na Câmara. Passa uma mensagem à sociedade. Partidos que se opõem no campo das idéias de forma dura são capazes de, em nome de valores e princípios –no caso da Câmara a questão da proporcionalidade das bancadas—construir acordos que levam o PSDB a apoiar um candidato como eu, que sou o líder do governo. A população vai se sentir mais esperançosa ao ver gestos dessa natureza no Congresso.

- A posição do PSDB o fortalece junto às legendas governistas?

Já tenho o apoio da ampla maioria da base governista. Algo que se consolidou com a posição adotada pelo PMDB a nosso favor. Mas o PSDB não se orientou por questões de maioria ou minoria. Digo com imenso prazer que o PSDB baseou-se na proporcionalidade, regra básica do parlamento.

- Considera-se favorito?

Não diria isso. Afirmo que que, finalmente, aquilo que eu vinha dizendo há tempos está sendo provado. Dizia-se que a oposição apoiava integralmente o Aldo [Rebelo]. Apanhei calado. Não menosprezo nenhuma disputa, mas tenho convicção de que tenho a maioria, já há algum tempo na base governista. Com o suporte do PSDB, a candidatura ganhou uma musculatura política e contábil muito forte.

- A vitória está assegurada?

É evidente que os apoios me fortalecem. Mas não canto vitória antes do tempo. Prefiro dizer que não trocaria a minha posição por qualquer outra posição na casa.

- Deseja que o Planalto o aponte candidato único da base governista?

Passei um tempão sendo tratado como candidato anti-Lula. Quero que a sociedade conclua por si mesma que o presidente Lula nunca se opôs à minha candidatura. Mas não quero ser tachado agora de candidato oficialista. Se for eleito, não vou representar o Poder Executivo no Legislativo. Serei presidente da Câmara.

- E quanto às suas afinidades com Lula?

Se dissesse que não tenho afinidade com o projeto do governo Lula, estaria mentindo. Mas uma coisa é a afinidade política, filiação partidária e convicção ideológica. Outra coisa é o Legislativo como instituição. Se eleito, não serei nem pró nem anti-Lula. Serei o presidente pró-Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 18h13

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Jungmann diz que 3ª via agrega mais de cem votos

Jungmann diz que 3ª via agrega mais de cem votos

Antônio Cruz/ABr
 

 

Um dos principais articuladores dos “independentes, Raul Jungmann (PPS-PE) diz que o grupo trabalha com a perspectiva de mobilizar mais de cem deputados. Eleger Arlindo Chinaglia, diz ele, seria o mesmo que “acomodar José Dirceu na presidência da Câmara”. Aldo Rebelo (PSdoB), afirma, atua como “auxiliar” de Lula. Daí a busca de uma nova candidatura. Leia abaixo a entrevista:

 

- qual é o poder de fogo do “grupo independente”?

Partimos do PPS, PV e PSOL, com a perspectiva de agregar PSDB e insatisfeitos da base governista, inclusive do PMDB e do PT. Temos potencial para reunir mais de cem deputados. Ganhando densidade, teremos papel decisivo.

- Por que a busca de uma outra candidatura?

Três motivos: 1) nem Arlindo Chinaglia nem Aldo Rebelo representam ruptura com a legislatura que chega ao fim. Significam o prolongamento da pior legislatura de nossa história. 2) nenhum dos dois será capaz de aplicar o choque republicano que a Câmara necessita. 3) ambos irão manter a servidão do Legislativo em relação ao Executivo.

- O que o novo grupo propõe?

A mobilização dentro da Câmara das forças autonomistas e republicanas. É preciso devolver ao Legislativo o seu verdadeiro papel democrático. Há muito por fazer. Por exemplo: reforma do regimento interno, interrupção do império das medidas provisórias, fim de privilégios e reformulação da Corregedoria e do Conselho de Ética, instâncias de julgamento interno, que entraram em colapso.

- Aldo e Chinaglia são iguais?

Vistos isoladamente, são duas pessoas sérias. Mas, considerando-se as forças que os apóiam, não posso colocá-los num mesmo patamar. Em torno de Chinaglia rearticulou-se o que há de mais execrável no aparelho petista –uma associação dos grupos do José Dirceu e da Marta Suplicy. Ele tem o apoio dos mensaleiros e dos sanguessugas. Com Chinaglia, daríamos um salto para trás. Elegê-lo é o mesmo que acomodar José Dirceu na presidência da Câmara, num instante em que Ricardo Berzoini, o chefe dos aloprados, retorna à direção do PT. Votar nele é o mesmo que reforçar o lado negro do PT, responsável pelo esquema que levou o Congresso ao mensalão. Não sou eu que estou dizendo. Tudo isso me foi dito por companheiros petistas do próprio Chinaglia. Há no PT um grupo do bem. Pessoas como José Eduardo Cardozo, Walter Pinheiro, Antonio Carlos Biscaia e o próprio líder Henrique Fontana.

- Por que não votar em Aldo?

No exercício da presidência da Câmara, Aldo portou-se como auxiliar do presidente da República. E derrapou seriamente ao tentar duplicar o salário dos deputados, para fazer aliança com o baixo clero da Casa. Além disso, Aldo está sendo desidratado desrespeitosamente pelas forças governistas. Ele merece todo respeito, mas Lula, com seu comportamento dúbio, o está transformado num pato manco. Na ponta do lápis, ele só conta com o PFL, sem entusiasmo, o PC do B, e, talvez, do PSB. Sua derrota é o fracasso do ministro Tarso Genro como articulador político do governo.

- Os senhores já têm o nome do novo candidato?

Estamos buscando, inicialmente, um nome do PMDB ou do próprio PT. Mas isso não é o mais relevante. O que importa é realçar que essa nova candidatura dará rumo ao processo sucessório, retirando-o das águas turvas do corporativismo parlamentar e construindo pontes com a opinião pública. Divulgaremos uma plataforma para o comando de uma nova Câmara.

Escrito por Josias de Souza às 15h53

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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