Blairo Maggi encontra Lula para negociar apoio
OBritoNews
Filiado ao PPS, partido que apóia o tucano Alckmin, o governador reeleito de Mato Grosso, Blairo Maggi, está com um pé na candidatura petista de Lula. Ele se encontra nesta quarta-feira com Lula, para negociar o seu apoio. Maior plantador de soja do país, Maggi deseja tornar-se interlocutor preferencial do agronegócio com o governo Lula, em caso de reeleição.
Em entrevista ao blog, Maggi disse que, fechado o entendimento com Lula, irá se desfiliar do PPS antes que Roberto Freire, o presidente do partido, o expulse. Com o apoio do governador, Lula finca uma cunha num Estado em que perdeu para Alckmin no primeiro turno. Leia abaixo a entrevista:
- Já se definiu entre Lula e Alckmin?
Meus adversários na eleição estadual foram exatamente PSDB e PT, os dois partidos que disputam a presidência. O PSDB foi muito amargo comigo. Tenho uma dificuldade de andar com esse pessoal aqui no Estado. Estou buscando um entendimento entre o setor da agricultura, que está muito magoado com o Lula, e o presidente. O que me preocupa é o seguinte: todas as lideranças do agronegócio estão voltadas para a candidatura do Alckmin. Se ele vencer as eleições, está cheio de gente para conversar e ser interlocutor. E se o Lula ganhar? Quem desse segmento vai poder conversar com o governo? Eu estou preocupado com isso.
- Já falou com Lula?
Amanhã, vou a Brasília para conversar com o presidente. Quero ver quais são os pontos com os quais ele pode se comprometer para ajudar o setor do agronegócio num segundo mandato.
- Um tapete vermelho o aguarda no Planalto. Pode-se depreender, assim, que o sr. está mais próximo de Lula do que de Alckmin?
Sem dúvida. Como governador de Estado, demorei muito tempo para abrir canais no governo federal. Só nos últimos dois anos as coisas começaram a fluir, os convênios começaram a ser assinados. Suponha que haja uma troca de governo. As pessoas vão chegar, se inteirar das coisas, o país vai parar mais um ano nas relações entre governos. A minha preferência, se conseguir fazer um acordo produtivo para o setor do agronegócio e para o governo do meu Estado, é caminhar pelo caminho da manutenção do atual presidente. Nada de pessoal contra o outro candidato. A gente vai ganhar tempo com isso.
- Não o preocupa a ameaça de Roberto Freire de expulsá-lo do PPS?
Não. Estou mais preocupado com o um segmento econômico vital para o meu Estado e com as coisas do governo de Mato Grosso. Além disso, o partido também está deixando de existir. Não atingiu a cláusula de barreira. Vai ter que se acomodar em outro lugar. E não serei expulso. Se optar por Lula, vou me desfiliar do PPS. Vou informar ao partido e seguir um outro caminho.
- As denúncias que pesam contra o governo Lula tampouco o preocupam?
Claro que preocupam. Se a sociedade entender que o Lula não deva permanecer no governo em função das denúncias, ele terá que responder e estará pagando por isso. Mas acho que culpa no cartório os dois lados têm. É muito ruim, antiético que pessoas tentem comprar um dossiê [contra políticos tucanos]. Mas também é verdade que existe um dossiê, que precisa ser investigado.
- Concorda com a tese de Lula de que a perversão não é exclusividade do PT?
Não é mesmo. E outra coisa: não acredito que o presidente soubesse de uma operação como essa [a tentativa de compra do dossiê].