Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Entrevistas

Para Cristovam, Lula pode ceder ao populismo

Para Cristovam, Lula pode ceder ao populismo

Ex-petista e ex-ministro do governo do PT, o senador Cristovam Buarque acha que, se eleito em primeiro turno, Lula vai sofrer uma “forte tentação autoritária”. Pode governar valendo-se de um misto de “populismo e chavismo”, referência ao estilo do presidente venezuelano Hugo Chávez.

 

Cristovam ostenta algo como 1% nas pesquisas. Em manifesto, 12 deputados e três senadores do PDT posicionaram-se contra sua candidatura. Ainda assim, Cristovam diz que não vai desistir. O embate será resolvido na convenção nacional do PDT, marcada para segunda-feira. Leia abaixo a entrevista do senador ao blog:

 

- Vai retirar a candidatura?

Não há hipótese.

- E quanto ao manifesto contrário?

A candidatura própria não atrapalha o cumprimento da cláusula de barreira. A direção do partido acha que nossa bancada vai aumentar de 21 deputados para 30.

- O manifesto não o preocupa?

Ao contrário. Estou aliviado. O debate vai levar à reflexão. E os convencionais tomarão uma decisão amadurecida.

- Por que disputar se as pesquisas indicam que não vai vencer?

Um partido só se consolida nacionalmente se tiver um programa nacional. Se desistirmos da candidatura, abrimos mão de seis minutos diários de televisão.

- E o que dizer na TV?

Alckmin e Lula não vão propor nenhuma mudança. Vão propor mais crescimento, mais infra-estrutura, continuar essa melhorazinha na educação. Nenhuma ruptura. A minha ruptura vai ser na educação.

- Mas as chances de vitória do PDT são próximas de zero.

Se tivermos poucos candidatos –só Alckmin, Lula, Heloisa Helena e Zé Maria Eymael—não tem segundo turno. E tenho uma preocupação.

- Que preocupação?

Se Lula ganha no primeiro turno, com expressiva maioria, tendo minoria no Congresso, vai sofrer forte tentação autoritária. Alguém que chega ao governo com 60 milhões de votos e fica com 60 deputados ou menos na Câmara, qual é a tentação dele? Convocar plebiscitos, convocar uma nova constituinte.

- Refere-se a um populismo à Hugo Chávez?

Sim, populismo e chavismo juntos. Lula terá um grande aliado, que é a desmoralização do Congresso. Se ele propuser um plebiscito para cancelar os mandatos dos deputados e fazer outra eleição, vai passar.

-Acha que Lula seria capaz?

Não creio que ele esteja arquitetando isso, como fez o Chávez. Mas não tenho dúvida de que ele cederia à tentação. O PT tentou controlar a imprensa e o Ministério Público.

- Parte do PDT o acusa de neoliberal. O que acha?

Veja a contradição. Alguns que não querem a minha candidatura falam contra o consenso de Washington. E querem se aliar ao PSDB nos Estados! Vou continuar defendendo a responsabilidade fiscal. O neoliberalismo provocou um retrocesso tão grande que, hoje, estou mais próximo de Joaquim Nabuco do que de Carlos Prestes. Meu líder hoje é Mandela. E Mandela não fez revolução na economia. A gente tem é que acabar o apartheid social. E o caminho é a educação.

Escrito por Josias de Souza às 20h38

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‘Não serei captador de recursos’, diz Reale Júnior

‘Não serei captador de recursos’, diz Reale Júnior

  Alan Marques/F.Imagem
Convidado a integrar o comitê financeiro da campanha presidencial do PSDB, o advogado Miguel Reale Júnior diz que não será nem tesoureiro nem coletor de verbas eleitorais. “Serei uma espécie de auditor”, afirmou.

 

Ao convidá-lo, Geraldo Alckmin lhe assegurou que não fará caixa dois. “A credibilidade em relação aos gastos eleitorais passou a ser um valor de campanha. Isso é fruto da crise”, disse Reale. Leia abaixo a entrevista que ele concedeu ao blog:  

 

- Já aceitou o convite?

Aceitei.

- E o risco do caixa dois?

Na conversa que teve comigo, o Geraldo (Alckmin) disse que não fará, em nenhuma hipótese, caixa dois. Não se vai comprar, na expressão do Geraldo, nem um grampo que seja pelo caixa dois. Será tudo pela contabilidade oficial, devidamente registrada.

- Como garantir que isso ocorra?

Todos os gastos, qualquer que seja a natureza, mesmo o pagamento de uma pessoa, só serão feitos com nota fiscal ou com recibo. São cuidados mínimos. E se não houver saída por fora, não há justificativa para ter entrada por fora.

- Já tem noção do custo da campanha?

Não. O partido só deve fixar esse montante quando requerer o registro da candidatura.

- Vai atuar como tesoureiro?

Não. Haverá um grupo de técnicos que fará esse trabalho de contabilidade.

- Vai captar recursos para a campanha?

Não serei captador de recursos. Serei uma espécie de auditor. Vou supervisionar as contas.

- Vai pôr as contas da campanha na internet?

Tem que colocar, até porque a lei exige.

- Mas a lei exige apenas duas prestações de contas.

Se houver condições técnicas gostaria de ter uma periodicidade menor.

- Diária?

Acho que isso é tecnicamente difícil de ser viabilizado. Ma se puder ter uma prestação de contas quinzenal seria conveniente.

- Ao aceitar a incumbência, não receia legitimar a acusação de que pregou o impeachment de Lula apenas para servir à causa do PSDB?

Não. Chega um momento que há uma opção eleitoral a ser feita. Se nosso movimento luta por transparência nas eleições, no momento em que aparece uma oportunidade de dar efetividade a isso, seria contraditório que eu me abstivesse. Seria uma covardia.

- A crise serviu para alguma coisa?

A credibilidade em relação aos gastos eleitorais passou a ser um valor de campanha. Isso é fruto da crise. A crise gera, de um lado, a impunidade do presidente. Mas, de outro, gera comportamentos positivos. A crise tem dois lados.

Escrito por Josias de Souza às 19h20

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‘Não quero que Geraldo Alckmin perca’, diz Aécio

‘Não quero que Geraldo Alckmin perca’, diz Aécio

  Leonardo Wen/Folha Imagem
Anfitrião da convenção que irá oficializar a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin, no próximo domingo, Aécio Neves, governador tucano de Minas Gerais, convive com a suspeita de que, de olho na sucessão de 2010, estaria conspirando contra o colega de partido. Ele enxerga “patrulhamento” por trás da acusação. E reage com desdém.

 

“Não quero que o Geraldo (Alckmin) perca. Quem quiser acreditar em mim, muito bem. É só observar a minha atuação. Quem não quiser acreditar, paciência. Não posso fazer nada”, disse Aécio em entrevista ao blog. Leia abaixo as principais declarações de Aécio:

 

- De onde vem a suspeita de conspiração contra Alckmin? As pessoas vêem o Geraldo em dificuldades e raciocinam de modo cartesiano. Dizem: ‘O Aécio e o (José) Serra estão bem nas pesquisas. Podem ser candidatos (à presidência) em 2010. Portanto, não interessa a eles que o Alckmin vença’. O raciocínio é até lógico, Mas, no que me diz respeito, não tem o menor fundamento. Há um certo patrulhamento de pessoas que temem movimentos que eu possa fazer. Essas pessoas podem ficar tranqüilas. Não tenho essa obsessão pela presidência.     

 

- Não vai ser candidato em 2010? Sou muito diferente do Serra. Não tenho a menor obsessão de ser presidente da República. Acho que, se isso tiver de acontecer comigo um dia, será preciso que as circunstâncias sejam muito favoráveis. Não vejo a presidência como um privilégio. É um ônus.

 

- Por que as suspeitas de traição são improcedentes? Se eu tivesse esse projeto de ser presidente em 2010, eu podia ter forçado a barra para o Serra ser candidato agora. Era mais lógico pra mim. O Geraldo saía naturalmente do processo. O Serra podia ganhar a eleição ou perder. Não importava. Até porque ele já tinha assumido o compromisso de acabar com o instituto da reeleição. Além disso, se eu tivesse forçado uma disputa dentro do partido para ser o candidato (à presidência) não sei se ganharia, mas teria dado muito trabalho. Fui presidente da Câmara. Os parlamentares tinham relação comigo, não com o Geraldo. Se fosse obcecado pela presidência, teria feito um movimento agora. E não faltou estímulo para isso.

 

- Que estímulo? Quando (Miguel) Arraes ainda era vivo, me fez um convite para que eu fosse candidato (à presidência) nessa eleição, pelo PSB. O Eduardo (Campos, atual presidente do PSB) estava do lado. O Renan (Calheiros) me chamou várias vezes, com o (José) Sarney, para eu ser candidato pelo PMDB esse ano também. Não fui porque não faço política para chegar à presidência. Se isso acontecer é porque criaram-se as condições.

 

- Pode mudar de partido? Toda hora tem uma plantação. Hoje mesmo (terça-feira) li duas coisas engraçadas. Uma dizia que eu estava pronto para ir para o PMDB. Outra, que estou fundando um novo partido. Sou neto do doutor Tancredo (Neves). Vi ele fundando o PP. Sei como é isso. Quero distância disso. Acho que, amanhã, se houver a perspectiva de uma candidatura nacional, pode acontecer dentro do próprio PSDB. Não temo disputa. Se alguém estiver na frente, se quiser muito, se tiver mais condições, será candidato com o meu apoio. Não tenho essa angústia.

 

(Continua abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 01h12

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‘Quem ganha eleição no Brasil é o candidato’

‘Quem ganha eleição no Brasil é o candidato’

Com índices superiores a 70% nas pesquisas de opinião, Aécio Neves é franco favorito na campanha à reeleição para o Palácio da Liberdade. E ele se diz empenhado em transferir parte do seu prestígio para Geraldo Alckmin. Mas avalia que a estratégia tem limites.

 

- Acha que consegue transferir votos para Alckmin? Nosso empenho é total. Não tem nenhum Estado que o Geraldo tenha visitado mais do que Minas. E não tem ninguém no partido trabalhando mais para ajudar do que eu. Qual é o problema do Geraldo? Ele veio para a campanha solitário. Só ele e mala de viagem. Para a coisa engrenar leva tempo. Vamos fazer aqui uma grande manifestação (no domingo), tentando colar ao máximo as nossas candidaturas. Mas tudo isso tem um limite. Quem tem uma grande aprovação não transfere tudo para o outro. Não tenho a ilusão de que o Geraldo vai ter (em Minas) a votação que eu vou ter. Mas acho que ele vai melhorar.

 

- Fazer a convenção em Minas ajuda? Estou me matando para fazer uma boa convenção. Para mim, do ponto de vista da política mineira, o ideal é que a convenção fosse feita no finzinho de junho. A minha convenção seria no dia 30, no último dia, depois que todos os partidos tivessem resolvido a vida. A maioria viria para mim por gravidade. Estou antecipando a minha convenção também para o dia 11. Não daria para fazer duas em 15 dias. Estou violentando a minha estratégia porque, para o Geraldo, é melhor fazer logo, para solidificar a candidatura nacional.

 

- É verdade que disse que Alckmin precisa chegar a 30% até 15 de agosto? Falei isso numa conversa interna. Vazou. E estão me cobrando isso. Reafirmo o que disse. Acho que se chegarmos próximos disso em meados de agosto –e estamos falando de sair de 23% para algo em torno de 28%, 30%, não é possível que a gente não consiga isso em um mês e meio de campanha—não estaremos distantes de entrar no páreo. Hoje, na cabeça de muita gente, nós estamos fora do páreo. Se conseguirmos chegar próximos dos 30% e o Lula se mantiver num patamar em torno dos 40% em agosto, nós estamos no páreo. A análise é racional. O Lula é conhecido por 100% das pessoas. E tem em torno de 40%, 45%. Os governadores que estão bem, são igualmente conhecidos nos seus Estados. E estão acima de 60% de intenção de voto. Evidentemente que 40% é um percentual expressivo. Sobretudo para quem passou pelo que o Lula passou. Mas não é um número que dá conforto para ninguém. Candidatos à reeleição, sejam prefeitos, governadores ou presidentes, para estar tranqüilos, têm que ter acima de 60%. Governantes não são dardos, são alvos. E perdem gordura na campanha. Então, acho que, se chegarmos próximos de 30% e recuperarmos a energia, a vitalidade interna de campanha, com os palanques regionais montados, é só ir para o embate. Aí é com o candidato. O Fernando Henrique tem uma frase com a qual eu concordo: 'No Brasil, quem ganha eleição é o candidato'. Não tem apoio de ‘A’ ou ‘B’. É o candidato falando direto para as pessoas. A gente pode ajudar o Geraldo a chegar aos 30%, mas daí por diante é com ele, na televisão.

 

- De onde vem o neologismo ‘Lulécio’, que identifica o eleitor que vota em Lula para presidente e em Aécio para governador?  Nasceu na cabeça do Walfrido (Mares Guia, ministro do Turismo). Ele queria que o PTB mineiro apoiasse o Lula. Só que o PTB de Minas, com exceção do Walfrido, participa da minha base e vota em mim. Vai se coligar conosco. E o Walfrido surgiu com esse negócio, como uma forma de se justificar com o Lula.

Escrito por Josias de Souza às 01h11

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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