Lembo diz que dá lista de mortos a MP ‘sob sigilo’
Sérgio Lima/Folha Imagem
Depois de se reunir com Rodrigo Pinho, procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, o governador Cláudio Lembo informou ao blog que não se opõe a repassar a lista de 109 suspeitos mortos pela polícia nos atentados liderados pelo PCC. Mas quer que os promotores mantenham os nomes sob sigilo até a conclusão dos inquéritos. “Se eu divulgo a lista, estarei agredindo a honra e a imagem dos filhos, das companheiras, das esposas e dos pais dos mortos. Isso vai além dos limites”, disse o governador.
Lembo disse que o governo não tem “nada a esconder”. “Cada cadáver”, disse ele, “vai ter o seu respectivo inquérito policial”. Mas não deseja impingir a todos os mortos a pecha de pertencerem ao PCC antes da conclusão dos inquéritos. Por ora, Rodrigo Pinho não se convenceu. Manteve a exigência de que a lista seja entregue ao Ministério Público em 72 horas, a contar de ontem.
Leia abaixo a entrevista do governador:
-Chegou-se a um acordo na reunião com o procurador-geral Rodrigo Pinho?
Ainda não. Nossa posição é a seguinte: não podemos, antes de concluir o inquérito policial, julgar todos os mortos como sendo do PCC.
- A lista de suspeitos mortos contém mesmo 109 nomes?
Isso mesmo.
- Mas, afinal, a lista será ou não divulgada?
Se eu divulgo, estarei agredindo a honra e a imagem dos filhos, das companheiras, das esposas e dos pais dos mortos. Isso vai além dos limites. Não temos nada a esconder. Cada cadáver vai ter o seu respectivo inquérito policial. Nosso problema é esse. Temos os nomes de todos os que foram mortos em confronto. São, em principio, do PCC. Mas estaríamos fazendo um juízo de exceção se julgássemos antes do inquérito acabar. Não podemos fazer isso.
- O procurador-geral concordou com o raciocínio?
Em tese sim, Mas não aceitou plenamente. Ele quer a lista. Então nós estamos pensando no que fazer dentro do prazo que nos foi dado. Nós não temos nada a esconder. O que a polícia fez é, dramaticamente, correto. Não tem nenhuma violência injustificada. Estamos esperando os três dias que ele nos deu para ver o que fazer. Nós podemos conceder a lista. Porém, não pode ser publicada. Podemos mandar para o Ministério Público, mas em segredo de Justiça.
- O procurador-geral concorda com o segredo de Justiça?
Ele pediu prazo para pensar. Mas acho que ficou sensibilizado com o argumento. Mas não fechou conosco. Teremos uma nova reunião.
- O governo, portanto, não exclui a hipótese de entregar a lista, mesmo antes da conclusão dos inquéritos, desde que ela seja mantida em sigilo?
Minha posição é essa. Estou preocupado em preservar os direitos humanos dos ascendentes e descendentes dos mortos. Imagine um menininho chegando à escola e os coleguinhas chamando o pai de bandido.
- Continua achando que pode ter sido morto algum inocente?
Não posso dizer que não tem nenhum inocente. Se houver inocentes, vamos processar quem matou. Mas como é que o sujeito , no meio da guerra poderia agir de outro modo. Não dá para enviar o cerimonial do Palácio antes e perguntar se era do PCC ou não. Na troca de tiros não existe isso. É uma tragédia.

Leia abaixo a última parte da entrevista do governador Cláudio Lembo ao blog: