'Sucessivos casos de absolvição ocorrerão'
Promotor de Justiça há 19 anos, Carlos Sampaio (PSDB-SP), deputado federal e membro do Conselho de Ética da Câmara, diz: o comportamento do plenário da Casa “leva a crer que sucessivos casos de absolvição ocorrerão” no julgamento dos deputados envolvidos no escândalo do mensalão. Abaixo, a entrevista:
- Pode haver a renúncia do Conselho de Ética?
Nunca ouvi essa posição de renúncia coletiva. O que há é indignação coletiva. Enquanto aprofundamos a análise dos casos concretos, o plenário vota com base no relacionamento.
- Como promotor, sua revolta é maior?
Fui relator do caso do deputado Pedro Correia, presidente do PP. Todas as provas foram reunidas. A cassação foi aprovada no Conselho por 11 a 3. No caso do deputado Pedro Henry, também do PP, fiz um voto em separado contrário à cassação. Não se tinha uma única prova, exceto a acusação do Roberto Jefferson. Ele foi absolvido no Conselho por nove a cinco. Uma evidência de que não agimos partidariamente.
- Há partidarismo no plenário?
No caso do (Roberto) Brant, as pessoas me diziam: ‘Você não o conhece, o Brant é gente boa’. De fato, não o conheço. Mas não estamos julgando se ele é gente boa ou não. Julgo pelas provas dos autos. Daí a indignação.
- Seu partido, o PSDB, também votou pela absolvição, não?
Sem dúvida. Meu partido agiu mal. Expressou o seu voto tendo como fundamento a biografia do Brant. O fundamento deveria ser a análise do processo.
- O que fazer para evitar novas absolvições?
Esse episódio envolvendo o Brant acabou ditando a ocorrência de conversas de bastidores entre PT e PFL. Seria leviandade dizer que isso não ocorreu. Tenho a impressão de que, nos outros casos, que envolvem PT, PP e PL, não haverá interferência em relação à amizade. O plenário tem de se pautar pelos relatórios do Conselho, que analisa com profundidade os casos. Do contrário, que se extinga o Conselho de Ética.
- Mas os relatórios do Conselho têm sido lidos em plenário.
Nos casos do Brant e do (Professor) Luizinho, não tinha ninguém ouvindo. Foram lidos por mera obrigação regimental. Na hora dos discursos de defesa dos deputados, fez-se silêncio e houve aplausos. Ninguém bate palmas para a conduta do Conselho.
- Não lhe parece que há um movimento para a absolvição generalizada?
