Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Entrevistas

Marco Aurélio vê confissão em frase de Lula

Marco Aurélio vê confissão em frase de Lula

  Sérgio Lima/Folha Imagem
O ministro Marco Aurélio Mello, que estará na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) durante a campanha eleitoral deste ano, acha que Lula pode ter ultrapassado a fronteira que separa a gestão pública da campanha eleitoral no discurso que fez em Parnaíba (PI), na última quarta-feira. Em entrevista ao blog, o ministro afirmou: A levar a sério o que ele disse, que faz campanha 365 dias no ano, é uma confissão (....). A sinceridade é elogiável, mas ela tem limites. Dá impressão aos leigos de que ele tudo pode. Não é assim. A lei submete a todos.” Abaixo, a entrevista:  

- Cumprindo uma programação oficial no Nordeste, o presidente Lula disse que, com ou sem eleição, "um homem público faz campanha da hora em que acorda à hora em que dorme, 365 dias por ano”. Passou dos limites?

O dirigente que caminha para a reeleição tem de estar, mais do que qualquer outro candidato, atento. As coisas são muito fronteiriças -a publicidade educativa, que está prevista a Constituição federal, e a propaganda eleitoral. Acredito que o presidente tenha dito isso sem atentar para a formalidade técnica. Meu Deus do céu, o mandatário maior não poderia simplesmente dizer eu faço campanha eleitoral 365 dias por ano. A lei é categórica, propaganda só será autorizada a partir de 5 de julho. Campanha também.

- Do ponto de vista da Justiça Eleitoral, o presidente está correndo riscos?

Eu, no lugar dele, teria um cuidado maior. Sempre se aguarda aquele denominado jeitinho brasileiro, que o dito fique pelo não dito. Mas a quadra vivida pelo país é uma quadra alvissareira, em que se está procurando o aprimoramento da cultura. Não dá para transigir.

- A prática de inaugurar obras em solenidades seguidas de discursos, que vem sendo adotada pelo presidente, é abusiva?

Quase sempre, quando ele sai do script, ele parte para, meu Deus Céu, veiculação de idéias objetivando o êxito em outubro.

- O que pode o tribunal fazer?

Por ora, quando configurada a transgressão à lei, apenas impor multas. Quando já estivermos naquele espaço de tempo em que haverá candidaturas formalizadas, as conseqüências são muito mais sérias, podendo levar à cassação do registro do candidato.

-O PSDB já formalizou sete representações contra o presidente.  Esse tipo de ação terá tratamento prioritário?

Quando se trata de propaganda, até para exercer um papel pedagógico e inibidor, nós estamos dando preferência.

- A legislação que permite a presidentes, governadores e prefeitos concorrer à reeleição  sem deixar o cargo não é imperfeita?

Sim. Mas teria de haver modificação da própria Constituição. Está lá no artigo 14 parágrafo 5o. Considero que o sistema ficou capenga com essa permanência no cargo. É incoerente.

- Isso vem causando problemas?

As paixões prevalecem. A pessoa acaba exorbitando e indo alem do que pode ir. O presidente mesmo, nesse discurso. A levar a sério o que ele disse, que faz campanha 365 dias no ano, é uma confissão. E olha que ele tem dito que ainda não decidiu se vai ser candidato à reeleição. A sinceridade é elogiável, mas ela tem limites. Dá impressão aos leigos de que ele tudo pode. Não é assim. A lei submete a todos.  (Continua abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 00h08

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Ministro já impôs multa a Lula

Ministro já impôs multa a Lula

- O sr. diz que o país vive uma quadra de aprimoramento. Como vem se comportando o TSE?

Temos analisado as representações com rigor. Houve uma, ajuizada pelo PSDB, da qual fui relator, que resultou na imposição de multa de R$ 30 mil para o presidente da República. Foi veiculada propaganda em horário nobre, na Globo, que continha até o chavão da campanha que o levou ao cargo. E ele fazia um apelo dizendo que havia muito mais coisas a realizar no Brasil e que ele precisava do apoio dos cidadãos, diga-se dos eleitores. E nos glosamos.

- O problema se restringe ao presidente Lula?

O tribunal está rigoroso com tudo o que lhe é apresentado. Agora mesmo analisamos uma questão envolvendo o Partido dos Aposentados do Brasil. Fez propaganda pró-Garotinho no horário gratuito em que deveria divulgar o programa partidário. Costumávamos impor como pena o corte de horário em tempo compatível ao da veiculação. Neste caso, chegamos à cassação de todo o tempo do partido no primeiro semestre de 2007, porque não havia mais propaganda em 2006. Ontem, também, dei uma liminar contra o Garotinho porque, lá perto de Maricá, no Rio, andaram colocando outdoor dizendo que o município apóia Garotinho para presidente. Não dizia presidente de quê. Mas, embaixo, tinha a sigla do PMDB. Dei liminar mandando tirar.

- As outras representações do PSDB contra Lula já estão em pauta?

Há um segundo caso que deve entrar em pauta. Hoje, me trouxeram uma fita, estou examinando para ver se pode haver a juntada agora. A representação trata de  propaganda eleitoral temporã.

- E  quanto a essa  frase polêmica do presidente?

Quanto a esse caso não sei se já está aqui. Mas vamos ouvir o representado (Lula) e a Procurador-Geral Eleitoral. Só então vai a julgamento.

- A tendência de sanções rigorosas é extensiva a todo o tribunal?

Sem dúvida nenhuma, hoje é uma tendência do tribunal. Principalmente em termos de propaganda eleitoral extemporânea. O que se busca é equilíbrio na disputa. Já há essa maior valia, porque, com a reeleição, se permanece no cargo. Que não descambe para o uso da máquina.

- Neste novo caso envolvendo Lula o julgamento será do plenário do tribunal?

Sim. Não irá a julgamento apenas pelo que ele disse que está em campanha 365 dias por ano. A análise será do fato completo: o discurso que ele fez, as palavras veiculadas, se teve simples inauguração de obras sem o objetivo de enaltecer a figura daquele que se apresentará como candidato. O partido que é antagônico trará, certamente, os dados.

- A defesa do presidente é feita pela Advocacia da União?

Ai está outra coisa que precisa ser questionada. Até aqui, quem vem defendendo o presidente nas representações é o advogado-geral da União. Isso aí, para mim, também é algo nebuloso. Não faz sentido. Uma coisa é defender o presidente em ato que ele haja praticado na atividade própria da presidência. Aí, muito bem, ele não tem que contratar um advogado particular. Agora, meu Deus do céu, se ele pratica um ato extravasando os limites da lei, na caminhada para uma eleição, por que o erário deve viabilizar essa defesa? Até aqui tem sido aceito. Não sei se continuará assim. Deve ser suscitada a questão para uma discussão maior.

Escrito por Josias de Souza às 23h55

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Relatório final da CPI diz que mensalão existiu

Relatório final da CPI diz que mensalão existiu

Contrariando o que afirmam Lula e o PT, o relatório final da CPI dos Correios irá sustentar a tese de que o mensalão existiu. Em entrevista ao blog, o relator da comissão, Osmar Serraglio (PMDB-PR), diz que já redigiu 60% do texto. “Ficou muito clara a existência do mensalão”, afirma. Abaixo, a entrevista:

 

- O relatório final fica pronto até 20 de março?

Sim. Entregaremos o relatório até esse dia para discussão dos membros da CPI.

Até o dia 11 de abril, tem que estar votado, para que a comissão não passe uma vergonha nacional.

- A redação do relatório final já está avançada?

O trabalho está bastante avançado. Diria que já preparamos uns 60% do texto.

- Já dá para dizer que a CPI não passará vergonha?

Tenho convicção disso. Vamos apresentar inclusive um histórico de fatos ocorridos em conseqüência da criação da CPI. Vamos arrolar contratos milionários que foram rescindidos, as licitações que foram suspensas no âmbito daquilo que estávamos investigando.

- Evitou-se o desvio de mais dinheiro?

Exatamente. Valores significativos. Tentaremos mensurar isso no relatório.

- Já há como dizer onde começou a promiscuidade?

Ela era produzida pelo Executivo. Para cooptar o Congresso, ele o corrompia.

- O governo diz que não houve mensalão, só caixa dois.  Seu relatório entra nessa questão?

Sim.

- Houve mensalão?

Sim. Era um sistema para irrigar o congresso. Os saques estão lá, os nomes também.

- Como vai provar o mensalão?

A CPI não foi constituída para investigar o mensalão, mas os Correios. Depois foi criada a CPI do Mensalão. Aí ficou carimbado que éramos incompetentes para isso. Então as pessoas perguntam: como é que se prova que houve mensalão? Muito recentemente, o Congresso contratou o sistema I-2, uma ferramenta de alta tecnologia usada em investigações complexas nos EUA e na Inglaterra. Esse sistema, alimentado por todos os dados que nós tínhamos, possibilitou a realização de cruzamentos. Ficou muito clara a existência do mensalão. Há pagamentos de valores até semanais, mas que, somados, resultam em importâncias mensais idênticas. São quantias redondas, claras, na seqüência de meses. Tem mensalão.

- Os R$ 55 milhões dos supostos empréstimos bancários foram para isso?

A soma das liberações creditadas nas contas de Marcos Valério dá R$ 51 milhões. Ele apresentou uma relação de pagamentos no total de R$ 55 milhões. Portanto, há outros valores que não correspondem apenas a esses supostos empréstimos. Além dos pagamentos a parlamentares, pelo menos R$ 10,5 milhões foram para a conta Dusseldorf, de Duda Mendonça.

- Relatório terá mais de 500 páginas?

Já está com mais de 500 páginas. vai chegar próximo de mil. Talvez tenhamos que enxugar.

 

(Continua abaixo...).

Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Lula pediu para ser excluído, mas será citado

Lula pediu para ser excluído, mas será citado

- A movimentação do esquema se limita a esses R$ 55 milhões?

Não. Quando você pega o sistema Visanet, a isso se acrescentam pelo menos R$ 20 milhões – R$ 10 milhões em 2004 e quantia idêntica em 2005. Só aí temos R$ 75 milhões.

- E ficou nesses R$ 75 milhões?

Não. Há outros detalhes que vamos acrescentar ao final. Mas não posso adiantar.

- Passa dos R$ 100 milhões?

Não posso falar em valores porque vira manchete. Tenho medo disso.

- E quanto às propostas de indiciamento, a lista  passa de cem pessoas?

Uma vez eu falei que daria mais de 50 indiciados. Virou manchete. Não entendo como pode chamar tanta atenção. Só no episódio ao transporte Aéreo Noturno dos Correios, dá mais de 20 pessoas. E estamos examinando mais de 50 contratos. Ora, é natural que dê mais de 100 indiciados.

- A lista de indiciados pessoas incluirá os parlamentares?

Sim. Parlamentares, empresas prestadoras de serviço, políticos, etc.

- O sr. disse que citaria Lula no relatório. O presidente chamou Delcídio Amaral. Depois, o presidente da CPI falou com o sr. e houve um recuo...

Não recuei um milímetro. Evidente que vou mencionar o presidente. Vou inserir no relatório a referencia testemunhal do Roberto jhefferson de que levou em duas oportunidades ao presidente a existência do mensalão.

- Ao mencionar o presidente não seria razoável que sugerisse providências?

O juízo que cheguei a fazer em publico foi o de que eu acho que o presidente chegou muito próximo da negligência. Depois se afirmou que eu dissera que ele era negligente. Se digo que ele está próximo, não digo que ele é.

- O sr. continua achando que Lula chegou próximo da negligência?

Sim.

- Isso não é como no caso da virgindade? Acha que pode haver meia negligência?

Por isso que eu não falei que ele é negligente. Eu disse que ele chegou próximo. Ele não é.

- Não que há que falar, portanto, em responsabilidade do presidente?

Não posso chegar a tanto por uma razão: não tenho condições jurídicas de exigir dele que ele me diga as providências que tomou. O relacionamento entre Executivo e Legislativo não permitem isso. Se fosse um ministro, eu teria condições inclusive de convocar para depor. Tenho referências de que ele determinou que o Aldo Rebelo (então Coordenador Político do governo) verificasse. Por isso digo que chegou próximo. Minimamente, alguma coisa ele fez. Pelo menos em uma das oportunidades. Na outra eu não sei.

- Não pode argüir o presidente por escrito?

Não. O que se pode fazer é, na seqüência da CPI, a partir dos dados que nós temos, se alguém que tenha legitimidade política -partidos políticos, por exemplo- entender que há a configuração da negligência, aí pode propor a abertura de um processo de impeachment. Ai sim, se pode ir às últimas conseqüências e exigir esclarecimentos.

- Esse passo então não será dado pela CPI?

Ela não tem competência.

 

(Continua abaixo...)

Escrito por Josias de Souza às 18h53

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Caixa dois do PSDB também estará no relatório

Caixa dois do PSDB também estará no relatório

- Em que medida os dados bancários de Duda Mendonça são essenciais à CPI?

Esses dados, que já se encontram no Brasil, ainda não foram disponibilizados para a CPI. O que se vai dizer depois, que não temos prova. Do ponto de vista fático, já temos os elementos. Precisamos apenas da inserção disso dentro do relatório da CPI.

-Seu relatório trará novidades em relação ao que já foi divulgado?

Alguma novidade vai ter.

- Pode contar alguma?

Não. Temos que tratar isso com responsabilidade, o que implica o sigilo. Mas os cruzamentos que estamos fazendo podem surpreender.

- Podem surgir novos parlamentares?

Sim.

- E quanto ao caso Furnas, será investigado?

A deputada Almerinda de Carvalho, do Rio, está coletando assinaturas para a constituição da CPI de furnas. Espero que isso aconteça, para que não se diga que a gente fugiu. Estamos há um mês do encerramento dos trabalhos. Se eu quebrar sigilos, entrar com tudo, não vou chegar a lugar nenhum dos mesmo jeito. Quebra há quebra de sigilos, não chega nada com menos de um mês.

- Mas não é estranho deixar algo no ar, sem investigação?

É claro que o caso vai constar do relatório. Diremos que tivemos a tal lista de Furnas, ouvimos fulano e beltrano. Aquele cidadão, o Nilton Monteiro, diz que quer ser ouvido. Põe nos jornais que tem recibos. Se tiver documentos, que apresente. Eu chamo em seguida. No instante em que uma autoridade constituída disser que a lista é verdadeira, eu parto para a pesada. Mas não posso investigar uma lista para macular as pessoas e depois dizer que não tinha consistência.

- O caixa dois de Eduardo Azeredo, na campanha de 2002, vai ao relatório?

Claro que sim. Não há hipótese de excluir. As pessoas dizem que está prescrito. Não é problema meu. O Ministério Público vai decidir sobre isso.

- Fará concessões ao PMDB, seu partido?

Também não. Tanto é que coloquei na lista o meu líder, o José Borba, que é do meu Estado (Paraná) e foi quem me indicou para relator da CPI.

- Não receia que um embate PT-PSDB inviabilize a votação do relatório?

Se eu fizer constar algum fato que não seja verdadeiro, me curvo e faço a correção. Mas não deixarei de mencionar nada. É o caso da citação ao presidente Lula, feita pelo Roberto Jefferson. Como posso excluir? Não vou fazer juízo de seleção, botar um, excluir outro. Jamais. Quem quiser votar contra, que vote. Depois arque com as conseqüências na eleição de outubro. O povo não é bobo.

Escrito por Josias de Souza às 18h51

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PT do Rio aprova acordo de Lula com Crivella

PT do Rio aprova acordo de Lula com Crivella

Vladimir Palmeira, candidato do PT ao governo do Rio, disse ao blog que foi consultado e aprovou os entendimentos de Lula com Marcelo Crivella (PRB), seu adversário na eleição estadual. Na campanha presidencial, Lula terá “dois palanques” no Estado. Eis a entrevista:  

 

- Quando sua candidatura será oficializada?

Temos convenção em abril. Em novembro, o diretório me lançou por aclamação. Não vai haver problema.

- O acerto de Lula com Marcelo Crivella (PRB) não atrapalha?

Sempre defendemos que a prioridade é a eleição do presidente. Não vemos problema em que ele tenha dois palanques no Rio.

- Não teme a repetição de 98, quando sua candidatura foi vetada?

Não há o menor risco. Em 98, a direção nacional procurava impor uma política de alianças, nos obrigando a ter só uma candidatura no Rio (de Anthony Garotinho, então no PDT). A diferença agora é que é do interesse de Lula que haja mais de um palanque.

- O sr. foi consultado sobre os entendimentos com Crivella?

Fui avisado.

- Quem avisou?

Prefiro não dizer. Fui consultado sobre se haveria problemas. Respondi que não.

- Como se dará essa campanha de duplo palanque?

Não sei. Nunca tivemos essa experiência. Sabemos apenas que o presidente, aqui, vai ter dois palanques. Como vai ser, ainda não discutimos.

- O acerto com Crivella pressupõe compromisso para o segundo turno?

Bom, isso não está acordado.

- Pode vir a ser acordado?

Não sei. Não houve discussão sobre isso. Vamos ver qual vai ser a política de alianças do Lula. Vai depender de arranjos nacionais, que não dependem de nós.

- Como fará para sair das últimas colocações nas pesquisas?

Quando fui convidado para ser candidato, disse que só queria saber de pesquisas em setembro. Sem o horário eleitoral não tem graça. A campanha não começou.

- Como fará para lidar com a exploração da crise nacional do PT?

Se chamado a debater a questão federal, farei com prazer. Não vou negar o óbvio. Houve crise moral no partido? Sim, todo mundo sabe. Houve caixa dois? Claro. Teve problemas graves de corrupção? Claro, tá lá provado. Mas o governo tem que ser julgado pelo conjunto da obra. Lula está senso o melhor presidente dos últimos 50 anos.

- Não receia ser vinculado a José Dirceu, companheiro de  movimento estudantil?

Não tem como. Sempre fomos adversários dentro do PT, a despeito da amizade. Vão fazer um ataque generalizado ao PT. Mas se centrarem o debate nisso, vão perder. No Rio, o que vai definir a eleição é a questão estadual.

- Que proposta tem para a área da segurança?

A sociedade vê a polícia como mais uma quadrilha. Vou limpar a polícia. Não será de forma radical, mas tem que limpar. E vou preparar uma polícia mais centrada na investigação. Hoje, botam a PM para subir o morro, pegam uma maconha, uma pistola velha. E a quadrilha fica lá. Nosso problema é desmontar o governo paralelo exercido por grupos armados que controlam bairros pobres do Rio. Meu compromisso é começar a quebrar a espinha dorsal do crime organizado, para que o Estado volte a ter condições de prestar serviço público.

Escrito por Josias de Souza às 13h47

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Jefferson: Dimas ofereceu R$ 1,5 milhão ao PTB

Jefferson: Dimas ofereceu R$ 1,5 milhão ao PTB

  Wilson Dias/ABr
Falando ao blog, o deputado cassado Roberto Jefferson (RJ) disse que, em abril de 2005, Dimas Toledo esteve em sua casa. Ofereceu uma mesada de R$ 1,5 milhão do caixa dois de Furnas para o PTB. Quantia idêntica seria entregue ao PT. O “esquema” de Dimas, que já operava durante a gestão de FHC, foi “herdado” pelo ex-ministro José Dirceu. Eis a entrevista:

 

- O sr. disse que, ao tentar substituir o Dimas, vários políticos da lista de Furnas lhe telefonaram. Quem ligou?

Não vou dar nomes, mas metade da lista ligou. Me ligaram uns 40 deputados e senadores. Diziam: ‘Roberto, o Dimas é uma boa pessoa. Quero te aproximar dele. O que teve de gente querendo me aproximar do Dimas foi uma grandeza (risos).

- De onde vinha a influência de Dimas Toledo?

Ele cobria o PSDB. O PSDB mineiro inteiro, o PFL mineiro inteiro, o PMDB mineiro inteiro. A pressão que eu recebi, até do... Não vou falar. Mas foi muita pressão que eu recebi.

- Mas a lista contém vários nomes de São Paulo.

Claro, São Paulo também é coberto por Furnas. São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás...

- As cifras mencionadas na lista têm lógica política?

Não vou acusar amigos. No que me toca (R$ 75 mil), a lista é verdadeira. No resto, ela tem total lógica política e se assemelha à verdade.

- Quem era o padrinho de Dimas Toledo?

O Dimas não tinha um controlador. Ele não trabalhava com grupo pequeno, só com grupo grande. Três, quatro governadores poderosos. Aquela cadeira era forte demais para um só. Ela foi o principal motivo para o Zé Dirceu botar a Abin no meu calcanhar.

- O José Dirceu herdou o esquema?

Herdou. Eu já falei sobre isso à Folha e à CPI (dos Correios). Aquela era uma cadeira muito poderosa.

- O Dirceu chegou a propor uma partilha ao senhor?

Dava R$ 4 milhões – R$ 1 milhão ficaria para despesas de diretoria que o Dimas teria,  R$ 1,5 milhão iria para o PTB e R$ 1,5 milhão para o PT todo mês. Fora os grandes contratos que, sempre que assinados, teria uma parcela.

- O sr. chegou a conversar sobre isso com o próprio Dimas?

Sim. Ele esteve em minha casa entre meia noite e meia e uma da madrugada, em abril do ano passado, a pedido do Zé Dirceu.

- Ele queria o quê?

Formalizar o acordo da partilha. Me disse que ficaria para o PTB R$ 1,5 milhão por mês e para o PT R$ 1,5 milhão. Ele reforçou a conversa que o Zé Dirceu já havia acertado. Eu voltei ao Zé, contei os termos e perguntei: tá fechado? Ele disse: ‘Fechado’. Foi quando o Lula deu pra trás. Disse: não, esse cara é um traidor. Ele é tucano. Batamos R$ 1,5 milhão na Cemig, para fazer o Programa Luz para Todos nas favelas e ele só botou placa do governo do Aécio (Neves).   

- A proposta de partilha foi feita para que o sr. concordasse com a manutenção do Dimas?

Exato. Quem ficava com tudo naquela época era o Delúbio (Soares, ex-tesoureiro do PT). Tinha também um ‘grupo dos 12’, do PSDB, que ficava com R$ 600 mil por mês. Três eu sei com certeza: (Luiz) Pihayilino (PE), Osmânio Pereira (MG) e Salvador Zimbaud (SP) [ex-integrantes do PSDB, os três estão hoje respectivamente no PDT, PTB e PSB].

- Um grupo do PSDB continuou recebendo sob o PT?

Sim. Houve acordo. O Zé Dirceu montou uma série de grupinhos.

Escrito por Josias de Souza às 17h07

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Se for candidato, Jobim deve deixar STF já, diz OAB

Se for candidato, Jobim deve deixar STF já, diz OAB

  OAB
Em entrevista ao blog, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, defendeu a saída imediata de Nelson Jobim do STF. “
Seria recomendável, mesmo para a biografia do ministro que, se ele for candidato a alguma coisa, se afastasse de imediato.” Eis a entrevista:

 

- Sendo candidato, o ministro Jobim cria problemas para o STF?

Sem dúvida nenhuma. O problema é a boca torta pelo uso do cachimbo. O Jobim sempre foi um ser político por excelência. Ele entrou no Supremo já como um ente político. Por isso as pessoas sempre se perguntam qual é o interesse político que ele tem ao dar determinada decisão.

- O sr. acha que ele deveria se afastar imediatamente?

Seria recomendável, mesmo para a biografia do ministro que, se ele for candidato a alguma coisa, se afastasse de imediato. Mesmo porque as eleições desse ano se precipitaram. E o Supremo é o grande guardião das eleições. É evidente que é incompatível o exercício da presidência do tribunal com a pretensão política.

- Já falou com o ministro Jobim sobre isso?

O que o ministro me disse é que sairia antecipadamente, em março, para advogar, não para exercer um cargo da vida pública.

- Se ele tiver mudado de idéia, insiste em que  deve sair já?

Entendo que deveria deixar já. Quanto antes ele deixasse, estaria preservando não só o tribunal, mas até mesmo a sua integridade moral e política.

- A permanência dele no Supremo traz que tipo de prejuízo?

O prejuízo da suspeição de que o presidente do Supremo não está agindo com a isenção que o cargo exige. O julgador suspeito não é um bom julgador. Esse prejuízo é devastador.

- Acha que o ministro Jobim deveria ter compartilhado a decisão que levou à suspensão da quebra de sugilos de Paulo Okamoto com os demais ministros do Supremo?

Entendo que sim. Estamos falando de um cidadão que declarou que pagou contas para o presidente da República com dinheiro que não se sabe de onde veio. Ele disse que era uma pequena importância. Mas R$ 30 mil, para o brasileiro, é uma soma expressiva. Acredito que, pela gravidade e pela relevância da matéria o assunto deveria ter sido discutido pelo pleno do tribunal.

- A decisão tomada foi correta?

A meu juízo foi incorreta. A causa envolve a vida financeira do presidente da República. E se envolve o presidente envolve a nação. Há o interesse de que haja transparência na investigação. A CPI não pecaria se tivesse acesso aos dados. Ao contrário, mostraria a preocupação de tratar com transparência a vida do presidente da República.

- Não o sensibiliza o argumento de que o pedido estava tecnicamente mal formulado?

Temos, de fato, que tomar cuidado com esse ponto. Não conheço o processo. Daí a dificuldade de analisar tecnicamente a decisão.

Escrito por Josias de Souza às 19h29

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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