Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Entrevistas

Freire: não tenho medo de ruptura

Freire: não tenho medo de ruptura

   Câmara
Candidato do PPS à presidência da República, o deputado Roberto Freire (PE) realiza neste domingo  caminhadas eleitorais no Rio. Ele deu a seguinte entrevista ao blog:

 

- Como analisa a polarização entre PSDB e PT?

Tenta-se impor na política uma hegemonia semelhante à do pensamento único que há na economia, estabelecendo disputas que mudam sem mudar nada no fundamental. Lula foi visto como alternativa. Mas foi domesticado. O PT virou instrumento dessa bipolaridade em que o voto cada vez mais decide menos. Hoje, PT e PSDB são faces de uma mesma moeda. 

 

- O que fazer para romper a bipolaridade?

Nossa participação na eleição passada, com a candidatura Ciro Gomes, já era uma tentativa de fugir disso. Fizemos a crítica a mais contundente ao modelo econômico.

 

- Mas Ciro não é hoje ministro de Lula?

Sim, mas aí é um problema de oportunismo político. Na campanha, não imaginávamos que ele viraria o que virou.

 

- O que sua candidatura propõe de novo?

Há o encerramento do ciclo econômico representado pelo Consenso de Washington. Precisamos voltar a ter políticas nacionais, superando o ciclo de crescimentos ridículos que temos tido nos últimos anos. A Índia, a China e alguns países da América Latina que romperam com os deveres de casa do sistema, vêm tendo melhores resultados. PT e PSDB não são os instrumentos dessa mudança.

 

- O que faria de diferente na economia?

Recuperaria a idéia de que somos uma economia com capacidade de crescer. Não podemos entrar no delírio de nos satisfazermos com 3%. Temos de estabelecer parcerias com o setor produtivo da economia. A política de juros, a política  cambial é, hoje, contra eles. Só contempla o setor financeiro.

 

- Haveria uma ruptura?

Não tenho medo dessa palavra. Haverá ruptura, mas com transição. O setor financeiro não será dominante numa economia como a brasileira. Ele vai exercer o seu papel, que é o de meio. Então, será uma ruptura.

 

- Pretende promover um nacionalismo autárquico?

Não, de jeito nenhum. Não vamos entrar nessa de fora FMI, fora Alca. O processo de integração econômica tem que continuar. Só que o Brasil tem de ter outra posição. Vamos nos integrar e não simplesmente abrir a nossa economia para sermos integrados. Quando necessário, o protecionismo será usado.

 

- Não acha que a condição de ex-comunista assusta a classe média?

Todos sabem que eu, apesar de não renegar o meu passado, reconheço que o comunismo foi superado pela vida. O PPS é um partido democrático de esquerda. Não é mais o Partido Comunista.

 

- Como governar só com o PPS?

Estamos buscando o apoio do PV e do PDT. Mas digo que, seja como for, não haverá relação promíscua com o Legislativo. A relação será política. O governo poderia ser derrotado. Qual é o problema? O presidente da republica do Brasil nunca admite que uma proposta sua seja derrotada. Então corrompe, faz cooptação, usa o aparelho do estado para o fisiologismo, o clientelismo. Vamos fazer o contrario. Faremos política de verdade.

Escrito por Josias de Souza às 11h23

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Aldo: picado de cobra, Congresso engole antídoto

Aldo: picado de cobra, Congresso engole antídoto

  Sérgio Lima/Folha
Em entrevista ao blog, Aldo Rebelo, presidente da Câmara, comparou as críticas ao Congresso a “mordida de cobra”. Uma vez picado, não adianta “ficar reclamando da cobra”. É preciso “tomar o antídoto”. Ele acredita que os congressistas conseguirão reverter o desgaste. Eis a entrevista:

  

- O sr. achou que a reação à convocação extraordinária foi exagerada?

Aldo Rebelo: Essa semana veio aqui uma oficial de Justiça com uma intimação. Muitos disseram: ‘Não assine. É uma interferência indevida’. Eu disse: aqui é uma Casa aberta. Se o juiz quer intervir, tudo bem. Temos de acolher todas as demandas sociais e avaliar o que é plausível.

- A Câmara vai recorrer da decisão judicial?

Rebelo: O mais provável é que a gente recorra. O corte de salários deve ser decisão da Câmara.

- Durante um período não houve controle de presença. Há como cortar?

Rebelo: Estava previsto que, até 14 de janeiro, só funcionariam o Conselho de Ética e as CPIs. Os cortes só podem ser feitos a partir de 15 de janeiro.

- O sr. era contra a convocação, não?

Rebelo: Sim, fui contrário.  

- Pressentia que haveria reação?

Rebelo: Eu levava em conta as opiniões dos líderes. Muitos achavam que a convocação, com os pagamentos extras, ia gerar uma reação muito grande. Tentei um caminho alternativo. Não deu. Desconfiava que a reação viria. Tanto que anunciei de antemão que votaria as propostas da redução do recesso parlamentar e da eliminação dos salários extras.

- Acha que a aprovação dessas propostas reduz o desgaste?

Rebelo: Isso é como mordida de cobra. Depois de picado, não adianta reclamar da cobra. Precisa tomar o antídoto. Esses projetos são como um antídoto. Mas precisamos votar outras matérias: o Fundeb e a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas... A recuperação total virá com essas votações. O esforço será reconhecido. Confio muito nisso.

- Por que decidiu instalar a CPI das Privatizações?

Rebelo: Há uma fila de 29 pedidos de CPI. Pelo regimento, só cinco podem funcionar. Pela ordem, a próxima é essa.

- Se os partidos não indicarem os membros da CPI o sr. irá indicar?

Rebelo: Tenho essa prerrogativa. Vou aguardar o pronunciamento dos líderes dos partidos.

- Ficou a impressão de que a CPI surgiu para funcionar como uma espada sobre a cabeça do PSDB durante as eleições.

Rebelo: Não tem nada disso. As pessoas que me conhecem sabem que eu não funciono desse jeito.

Escrito por Josias de Souza às 01h23

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Veloso: “Não conseguiremos eliminar o caixa dois”

Veloso: “Não conseguiremos eliminar o caixa dois”

  STF
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Veloso, receberá nesta segunda-feira, às 16h, o pacote de regras que irão vigorar nas eleições de 2006. Em entrevista ao blog, ele disse que as normas vão “dificultar” o caixa dois, não “eliminar”. Confirmou que a Receita Federal fiscalizará partidos e empresas. Mas “sob o comando da Justiça Eleitoral”, não do Poder Executivo. Eis a entrevista:

 

*

 

- As novas regras acabarão com o caixa dois?

Carlos Veloso: Não conseguiremos eliminar o caixa dois. Há candidatos honestos e estelionatários também. Mas iremos certamente dificultar essa prática.

- Por que optou-se pela parceria com a Receita?

Veloso: A Receita sempre intimida. Tanto a candidatos quanto a empresas que queiram fazer doações clandestinas. A empresa se sujeitará a uma fiscalização da Receita, que pode conduzir inclusive ao enquadramento em crimes de sonegação fiscal. Isso intimida. É uma intimidação que considero para o bem.

- Não preocupa a subordinação Receita a um governo partidário?

Veloso: Estamos preocupados com isso. Vamos deixar muito claro que todas as ações da Receita serão sob o comando da Justiça Eleitoral. Jamais seria por conta do Poder Executivo. Não, não e não. Assim como combateremos o caixa dois, não admitiremos que um órgão do Executivo represente ameaça à imparcialidade das eleições.

- Haverá inspeções da Receita nas empresas e nos partidos?

Veloso: Sim. Vamos fazer inspeções in loco. Tanto no partido quanto nas empresas doadoras. Empresas que doarem de forma clandestina se sujeitarão às sanções próprias de crime de sonegação fiscal.

- O que o sr. achou das declarações do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de que a Polícia Federal fiscalizará o caixa dois dos partidos?

Veloso: Aceitamos prazerosamente a colaboração, mas sempre sob o comando do juiz eleitoral.

- A PF tem de ser provocada pela Justiça Eleitoral?

Veloso: Claro. A Polícia Federal jamais poderá agir de ofício (por conta própria). Do contrário, estaríamos num Estado fascista. Não admitiríamos isso.

- Os partidos terão de prestar contas quinzenalmente? 

Veloso: Sim. As contas serão expostas na página do TSE na internet. Tudo será muito mais transparente. Os partidos irão se fiscalizar mutuamente, a sociedade e a mídia também. Isso pode dificultar o caixa dois.

- Essas normas serão baixadas quando?

Veloso: Deixo o tribunal em 19 de janeiro (o ministro irá se aposentar). Deixarei tudo pronto. O Tribunal depois adotará as regras, a partir de fevereiro. Darei publicidade às novas normas. O TSE está muito unido nisso, cioso de que é preciso endurecer. Os atos conjuntos com a Receita foram preparados em conversações com o órgão.

Escrito por Josias de Souza às 23h19

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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