Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Entrevistas

Deputado recusa salário e vira alvo de piadas

Deputado recusa salário e vira alvo de piadas

   Câmara
Florisvaldo Fier, o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), recusa-se a receber os dois salários adicionais (R$ 25.600) da convocação extraordinária. Ele contou ao blog que se tornou alvo de piadas no Congresso Nacional.

 

- Por que o sr. recusou os dois salários  adicionais?

Doutor Rosinha: Nunca recebi. É questão de princípio. Mando ofício pedindo que não seja feito o depósito.

- Todos poderiam fazer o mesmo?

Rosinha: Sim. Todos, sem exceção. A coisa é legal, mas entendo que é imoral. Por isso não recebo.

- Por que é imoral?

Rosinha: Já temos salários demais.

- Quantos salários recebe um deputado?

Rosinha: Doze, mais o 13o salário. Há mais uma coisa chamada convocação e desconvocação do período ordinário. Vai para 15. Com a convocação extraordinária, são mais dois salários. Vai para 17. Se houver convocação no meio do ano, sobe para 19.

-Não acha que os extras deveriam acabar?

Rosinha: Tem um projeto tramitando. O Aldo Rebelo (presidente da Câmara) disse que colocará em votação. Espero que coloque.

- Acha que vai ser aprovado?

Rosinha: Se tiver mobilização da imprensa e da sociedade civil há chances.

- O sr. comunicou à liderança do PT que não iria receber?

Rosinha: Na primeira vez, em 99, pedi reunião da bancada. Não convenci ninguém. Depois disso, nem comunico.

- O sr. se sente como um corpo estranho no Congresso?

Rosinha: Sim. Alguns fazem piada. Nessa semana mesmo, dois deputado vieram brincar. Dizem assim: 'Ah, você não quer? Dou o número da minha conta pra você depositar'. Não gostei.

- Quem brincou?

Rosinha: Não vou falar os nomes. Mas são deputados com certa liderança na Câmara.   

Escrito por Josias de Souza às 19h34

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Economia pode reeleger Lula, diz Mercadante

Economia pode reeleger Lula, diz Mercadante

Em entrevista ao blog, Aloizio Mercadante concordou com Lula: a economia pode, sim, crescer 5% do PIB em 2006. O que recolocaria o presidente no páreo para um segundo mandato. Quanto à sua campanha para o governo de São Paulo, o líder do governo no Senado segue buscando o consenso com Marta Suplicy. E se não der? “Vou trabalhar para vencer”.

*

- O sr. defende que Lula se candidate à reeleição?

Aloizio Mercadante: Sim. Ele é um candidato muito forte.

- A crise não o enfraqueceu?

Mercadante: Trouxe prejuízos, mas em pouco tempo é possível virar um quadro a partir de poucas variáveis: o crescimento, com inflação baixa e aumento da oferta de emprego. Com esses fatores é possivel chegar à reeleição.

- Lula prevê crescimento de 5% em 2006. É possível?

Mercadante: Em 2004, crescemos 4,9%. Não há porque não repetir. Há desafios a vencer, mas os cenários interno e externo são muito favoráveis.

-Abandonou a idéia da candidatura de consenso em São Paulo?

Mercadante- Vou continuar trabalhando para isso.

- E se a unidade com Marta Suplicy não for possível?

Mercadante: Tem uma prévia marcada para 7 de maio. Vou trabalhar para vencer. Tive 10,5 milhões de votos, três milhões a mais que o Alckmin. É um patrimônio do partido que me coloca em posição muito competitiva.

- Não pensa em deixar a liderança do governo para fazer campanha?

Mercadante: À medida que a eleição se aproxima, vou ter que me desvincular. Mas enquanto o presidente precisar de mim, estarei lá. São Paulo tem um papel importante para o PT e para a eventual campanha à reeleição. Mas o prazo é do presidente, que ainda não me liberou.

- Como vai enfrentar a baixaria de campanha?

Mercadante: Minha vida é o meu patrimônio. No mais, estou preparado para defender o governo e o PT. O que implica reconhecer que erramos onde não podíamos, na ética, e devemos pedir desculpas.

- Como vai manter o caixa limpo?

Mercadante: Defendo que receitas e despesas sejam colocadas em tempo real na internet. Espero fazer tudo com transparência e com muito mais austeridade. O maior custo é o de TV. É preciso reduzir os gastos nessa área, usando mais a criativide

- Vai aceitar ajuda do caixa presidencial, como em 2002?

Mercadante: Acho possível que a campanha presidencial ajude as estaduais. Mas agora quero acompanhar diretamente todas as despesas que digam respeito à minha campanha. A gente aprende.

- Lula disse que José Dirceu pode subir no palanque dele. No seu também?

Mercadante:O Zé Dirceu tem história no PT. Acho que no processo dele, a política prevaleceu sobre o devido processo legal. A militância dele está assegurada. Ele pode contribuir para a campanha. E espero que o faça.

- Qual será a sua plataforma de campanha?

Mercadante: Darei prioridade ao desenvolvimento econômico, emprego, segurança pública e políticas sociais vinculadas à educação e saúde.

Escrito por Josias de Souza às 00h27

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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