Resolução é ilegal, diz autor de ação
Localizado na noite deste sábado pelo blog, em Belo Horizonte (MG), o desembargador Elpídio Donizette, presidente da Anamages (Associação Nacional dos Magistrados), reconhece que há no Judiciário “um número considerável” de parentes nomeados sem concurso. Mas diz que a resolução do Conselho Nacional de Justiça, por “ilegal”, não é o meio adequado para resolver o problema. Donizette é o autor da ação contra a resolução antinepotismo. Abaixo, a entrevista:
- Por que a associação entrou com a ação?
Elpídio Donizette: Não podemos transferir uma atribuição que é de quase 600 congresistas para um órgão como o CNJ, de quinze pessoas.
- Embora a atribuição seja do Congresso, caberia aos tribunais propor o fim do nepotismo, não?
Donizette: É verdade que, em se tratando de lei ordinária que diga respeito exclusivamente à magistratura e aos servidores do Judiciário, o Congresso não tem iniciativa. O Congresso pode, porém, propor emenda constitucional, sobretudo em se tratando dos três poderes.
- Por que nenhum tribunal encaminha ao Congresso a proposta do fim do nepotismo?
Donizette: Não tenho nenhum parente empregado. Mas não quero tapar o Sol com a peneira. A verdade nua e crua é que tem interesses. Nos três poderes. Querem que não se proíba isso. Temos por aí afora, em todo país, parentes empregados.
- Quantos são os parentes empregados no Judiciário?
Donizette: Não tenho esse levantamento, mas posso afirmar que, no Judiciário do Brasil, são muitos. É um número considerável. Essa é a verdade.
- O mesmo ocorre nos tribunais superiores?
Donizette: Conheço apenas a magistratura estadual. Ouço dizer que tem também. E deve ter. Isso se alastra por toda a administração pública, nos três poderes.
- Isso não transforma a vossa causa em algo indefensável?
Donizette: Absolutamente. Nunca aceitaria que viesse um guarda de trânsito, um prefeito legislar. Não admito que se chegue aos fins por quaisquer meios. Isso seria um precedente muito perigoso.
- Se é assim, não seria mais razoável que houvesse, simultaneamente à ação no STF, o encaminhamento ao Congresso de um projeto propondo o fim do nepotismo?
Donizette: Quem tem a iniciativa é a cúpula do Judiciário, representada pelo chamado órgão especial, com os 25 magistrados mais antigos.
- E isso nunca foi feito?
Donizette: Nunca foi feito. E transbordo para outros aspectos. Temos uma luta para que os tribunais estabeleçam critérios de promoção de juízes por merecimento.
- Mas aí fica a impressão de que a ação no STF visa eternizar o nepotismo.
Donizette: Uma ordem ilegal, vinda de um órgão administrativo, não pode ser cumprida. Afrontaria o texto constitucional. O que nós queremos é marcar qual é o território do Conselho Nacional de Justiça. O objetivo não é o nepotismo.
- O sr. não receia ficar contra a opinião pública?
Donizette: Nunca me pautaria por isso. Do contrário eu entregaria a minha toga.

Na liderança de um movimento "Da Indignação à Ação", o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr. diz que a ação do governo para impedir a prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios precipitou a análise do processo contra Lula. Em entrevista ao blog, Reale prevê para “fins de janeiro” a apresentação de uma petição pedindo o impeachment de Lula. Abaixo, a entrevista:
O senador Jefferson Peres (PDT-AM) é o mais novo presidenciável da praça. Lançou sua pré-candidatura na semana passada. Ouvido pelo blog, revelou o seu slogan de campanha: “Política econômica conservadora, para uma política social transformadora”. Planeja fixar diferenças em