Defesa de Dirceu vai de novo ao STF
Sérgio Lima/Folha Imagem
José Luiz Oliveira Lima, 39, advogado de José Dirceu (PT-SP), informa em entrevista a este blog: nos próximos dias, vai protocolar no STF mais dois recursos. Pedirá o seguinte:
* 1) a anulação da reunião que o Conselho de Ética da Câmara programou para esta segunda-feira;
* 2) a extinção do processo de cassação do mandato de Dirceu.
Escolhido a partir de uma indicação de José Carlos Dias, ministro da Justiça sob FHC, Oliveira Lima ainda não salvou o mandato de seu cliente. Mas vem retardando a mais não poder o encontro do ex-chefe da Casa Civil com a guilhotina.
“O Supremo está dizendo ao Congresso o seguinte: cassem politicamente quem vocês quiserem, mas façam dentro da lei, não cedam à condenação da mídia”, diz. Eis a entrevista:
- O sr. baterá de novo às portas do STF?
José Luiz de Oliveira Lima: Sim.
- Vai pedir o quê?
Oliveira Lima: A extinção do processo de cassação.
- Sob que argumentos?
Oliveira Lima: O PTB, partido que o acusou, tirou a representação. O Conselho de Ética da Câmara não tem poderes para dar prosseguimento ao caso.
- Essa tese já foi derrotada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Oliveira Lima: É verdade. Mas a decisão não respeitou a legalidade, foi política.
- Há outras falhas no processo?
Oliveira Lima: Sim. Ao dar entrada na mesa da Câmara, o processo foi despachado por Severino Cavalcanti. Ele escreveu: ‘Encaminhe-se ao Conselho de Ética’. Está errado. A mesa diretora deveria ter aprovado, não o presidente. Aldo Rebelo, sucessor de Severino, agiu corretamente. Submeteu outros 13 processos de cassação à mesa. No caso de José Dirceu o processo está nulo.
- Há como evitar a nova reunião do Conselho de Ética, nesta segunda-feira?
Oliveira Lima: essa reunião, se ocorrer, será nula. Eles têm que refazer tudo. Já avisei ao Ricardo Izar [presidente do Conselho]. Vou ao Supremo de novo.
- Outro recurso?
Oliveira Lima: Sim. No primeiro pediremos a anulação dessa nova sessão do Conselho de Ética. No outro, a extinção do processo. Se ganharmos este, acabou tudo.
- Não acha que seus recursos e as decisões do STF pioram a situação política de seu cliente?
Oliveira Lima: Argumentam que há ingerência de um poder no outro. Esse discurso é de quem quer impor o autoritarismo. O Supremo está dizendo ao Congresso o seguinte: cassem politicamente quem vocês quiserem, mas façam dentro da lei, não cedam à condenação da mídia.
- Como advogado, o sr. consegue enxergar a alegada responsabilidade política de Dirceu na crise?
Oliveira Lima: imaginemos, hipoteticamente, que ele seja cassado. Nas instâncias policiais e judiciais, não tenho dúvida de que o desfecho será favorável ao deputado Dirceu. Não tem prova nenhuma.
