Josias de Souza - Nos bastidores do poder
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Entrevistas

PMDB agora exige dividir com PT o plano de governo

Lucio Távora

 

Reeleito presidente do PMDB, Michel Temer traduz em números a coesão do partido. Estima que a unidade atinge, hoje, 93% da legenda.

 

A harmonização de propósitos anima o deputado a declarar: “O PMDB pode ser parceiro num projeto presidencial, mas jamais será subalterno”.

 

Afirma que a aliança com o PT não depende apenas da indicação do vice. Em entrevista ao blog, diz que a aliança PMDB-PT terá de ser precedida da elaboração de um programa de governo.

 

O repórter lembrou a Temer que o PT já aprontou o seu esboço de plano de governo. O deputado respondeu que terá de haver uma “fusão”.

 

E quanto à intenção do PT de tonificar a participação do Estado na economia? “Teremos que encontrar um meio-termo”, diz Temer.

 

Será mesmo o vice de Dilma? “É o que o PMDB fala [...]. Todos falam que eu posso representar adequadamente o partido nessa parceria com o PT”. Vai abaixo a entrevista:

 

 

- Como traduzir em percentual a unidade do PMDB?

Creio que está em torno de 93%.

- Não é um contrasenso que esse PMDB tão forte não tenha seu próprio candidato à Presidência?

A demonstração de unidade nos autoriza a dizer que o PMDB pode ser parceiro num projeto presidencial, mas jamais será subalterno. Parceiro vem de par. Portanto, trabalhamos com a perspectiva de uma parceria entre iguais.

- Refere-se à coligação com o PT?

Exato. O que digo é que tanto podemos ter um candidato próprio como fazer essa parceria entre iguais, para governar juntos.

- Falta um nome ao PMDB para pôr em pé uma candidatura própria?

Talvez falte um nome. Reconheço que a tendência mais forte é a de fazermos a aliança. Mas pode aparecer um nome até junho. A nossa convenção, que teve a participação de mais de mil pessoas de todo país, demonstra que há uma vibração interna no partido.

- Por que a tendência mais forte é pela aliança?

Embora as coalizões sejam típicas dos sistemas parlamentaristas, é interessante notar como é indispensável que haja no Brasil uma coalizão, embora o regime seja presidencialista.

- Em que termos se dará a aliança em torno de Dilma Rousseff?

Digamos que seja feita a aliança. Nesse caso, tem que passar por um programa de governo do qual o PMDB terá de ser parte atuante.

- Mas o PT já tem esboço de programa pronto. Vai aprová-lo num Congresso em 20 de fevereiro.

Em primeiro lugar, trata-se de um esboço. Em segundo lugar, o que há de ser feito é o seguinte: o PT faz o seu programa, o PMDB fará o dele. Outros partidos aliados, eventualmente, farão os seus programas. Depois promoveremos uma junção de programas. Essa é a idéia.

- Qual é o programa do PMDB?

Vou designar uma comissão, já na semana que vem, para elaborar um plano de governo. O documento dirá o que o PMDB pensa sobre o Brasil. Depois, havendo a aliança, nós teremos que fundir esses programas.

- Não será uma fusão esdrúxula? O plano do PT prevê presença maior do Estado na economia. Esse não parece ser o viés predominante no PMDB.

Teremos que encontrar um meio-termo. No instante em que o PMDB tiver o seu projeto, essa aliança terá de levar em conta o programa, não apenas a vice-presidência e a participação no governo.

- Como compatibilizar as diferenças?

 É claro que ambas as partes terão de abrir mão de um ou outro conceito para que, dessa fusão, resulte um conceito único.

- A presença do PMDB na vice de Dilma é coisa líquida e certa?

Não há a menor dúvida. Temos até um pré-compromisso escrito com o PT.

- Passada a convenção, o sr. já se sente à vontade para se apresentar como alternativa à vaga de vice de Dilma?

Prefiro manter aquela fórmula segundo a qual a vice é do PMDB e, no momento certo, nós escolheremos o nome. E veja que digo que nós, do PMDB, escolheremos o vice. É claro que vamos dialogar com a candidata, com o PT, mas a escolha será do PMDB. Não sei se serei eu ou outro. Vai depender das circusntâncias políticas.

- É correto dizer que, hoje, o vosso nome é o mais forte?

É o que o PMDB fala. O partido desejou que eu ficasse na presidência do partido por mais um período de dois anos para manter a unidade. E, evidentemente, todos falam que eu posso representar adequadamente o partido nessa parceria com o PT.

- Causa-lhe incômodo o noticiário que apresenta o presidente do BC, Henrique Meirelles, como nome preferido de Lula para vice de Dilma?

De jeito nenhum. Ele pode ser um dos nomes cogitados. Ele está, hoje, no PMDB. Não sei se o PMDB vai achar que ele é o melhor representante. Haverá um momento em que o PMDB dirá qual é o seu melhor representante.

- A palavra do presidente Lula não terá um peso?

Tomei conhecimento de declarações do Gilberto Carvalho [chefe-de-gabinete de Lula], uma das pessoas mais próximas do presidente, dizendo que não há, em absoluto, veto ao meu nome. Ele declara que o presidente Lula aceitará quem vier do PMDB. Diz que jamais vetaria nenhum nome do PMDB, muito menos o meu.

- Está superado aquele mal-estar gerado pela declaração do presidente de que conviria ao PMDB indicar uma lista tríplice de vices?

Isso está superadíssimo. Não vejo mais como falar nesse assunto.

- Quando se dará a definição do nome?

Creio que os meses de março e abril serão decisivos. Até lá, essas coisas estarão pré-definidas. O mês de abril é, para nós, um marco. Mas, em termos legais, a definição virá com a realização da convenção, em junho.

- As pendências estaduais com o PT estão superadas?

Há o caso de Minas Gerais. E precisamos definir bem como se dará a campanha nos Estados em que já foi aceita a hipótese do palanque duplo. Será necessário definir o que significa isso. O presidente e a candidata vão aos dois palanques, não vão a nenhum... Tudo precisa ficar muito bem delineado.

- Acha possível evoluir para uma candidatura do vice-presidente José Alencar ao governo de Minas Gerais?

Não passou por nós ainda essa articulação. Mas existe a idéia de que o José Alencar possa ser candidato a governador com um vice do PT. O Fernando Pimentel [ex-prefeito petista de Belo Horizonte] viria para a coordenação da campanha da Dilma. E ficaria uma vaga ao Senado para o Hélio Costa [ministro peemedebista das Comunicações].

- Acha essa costura viável?

Como não discutimos o assunto no PMDB, prefiro não opinar. Mas lembro que o Hélio Costa reiterou na nossa convenção o desejo de ser candidato ao governo de Minas.

- A velha divisão entre os grupos do PMDB do Senado e da Câmara acabou?

Não se fala mais em grupo. Agora, fala-se apenas num único PMDB. Isso ficou muito bem definido na convenção.

Escrito por Josias de Souza às 03h29

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Stédile: ‘Hoje, ocupação de terra não interessa mais’

  Antônio Cruz/ABr
O MST está na muda. Nas palavras de seu principal mandachuva e ideólogo, João Pedro Stédile, o movimento vive “um momento de reflexão”.

 

Busca “um novo modelo para seguir”. A julgar pelo novo discurso de Stédile, vão escassear as invasões de terra.

 

No lugar da derrubada de cercas, surgirá a abertura de portas que conduzam a alianças com os “trabalhadores da cidade”.

 

Ouça-se Stédile: “Nos anos 70 e 80, bastava ocupar terras e se conseguia apoios que resultavam em pressão política...”

 

“...Hoje, a ocupação de terra não soma aliados. Portanto, não interessa mais...”

 

“...Estamos buscando novas alternativas para fazer aliados. E a que está se mostrando mais compatível é a aliança com trabalhadores da cidade”.

 

Stédile participa do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Foi entrevistado pelo repórter Carlos Wagner.

 

Instado a discorrer sobre 2010, atenuou a importância da eleição. “Não terá influência porque não irá mudar o modelo”.

 

A sucessão se resumirá, segundo ele, a “uma polarização entre Dilma Rousseff e José Serra”. Quem o MST apoia? “Somos contra o Serra”, disse Stédile.

 

Vão abaixo os principais trechos da entrevista:

 

 


– O que mudou no MST?
Não foi o movimento que mudou. Foi a luta pela terra. Nos anos 70 e 80, uma parcela da burguesia nos apoiava porque apostava em um modelo de desenvolvimento industrial que precisava de mercado interno para vender os seus produtos. Cito como prova desse apoio o plano de reforma agrária de Sarney [José Sarney, presidente do Brasil entre 1985 a 1990], que pretendia assentar 1,4 milhão de famílias. Isso mudou com a implantação do modelo neoliberal que consolidou o agronegócio, que depende do capital financeiro e das empresas transnacionais.
– Qual a reflexão desse momento na política interna do MST?
Estamos em um momento de reflexão, pensando em um novo modelo para seguir. Nos anos 70 e 80, bastava ocupar terras e se conseguia apoios que resultavam em pressão política. Hoje, a ocupação de terra não soma aliados. Portanto, não interessa mais. Estamos buscando novas alternativas para fazer aliados. E a que está se mostrando mais compatível é a aliança com trabalhadores da cidade.
– Como fazer alianças se o movimento enfrenta uma onda de antipatia na opinião pública?
É manipulação da mídia. Temos o apoio do povão do interior. Antipatia é de classe. Antes falavam mal do Lula.
– Mas o presidente Lula mudou. É possível que a necessidade de aliança leve o MST a repensar estratégias de luta, hoje consideradas antipáticas pela população, como o fechamento de estradas?
Tudo está sendo repensado com a finalidade de dar prioridade às alianças políticas, para somar forças na luta contra o inimigo atual: o modelo de desenvolvimento.

[...]

– Há uma década o movimento vem incluindo em suas fileiras pessoas de vilas urbanas. Que influência eles têm hoje no MST?
Esse pessoal representa uns 15% do contingente dos sem-terra aqui. Ainda é cedo para fazer uma avaliação.
– Qual a importância da eleição presidencial na arquitetura de alianças que está sendo gestada pelo movimento?
Não terá influência, porque não irá mudar o modelo. Vai ser apenas uma polarização entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).
– Qual candidato o movimento apoia?
Somos contra o Serra.

Escrito por Josias de Souza às 18h17

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Plebiscito visa ‘esconder Dilma’, afirma Sérgio Guerra

  José Cruz/ABr
Em viagem aos EUA, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), tornou-se o centro de uma polêmica que descambou para a troca de ofensas.

 

Chamou Dilma de “mentirosa” e “dissimulada”. Foi chamado de jagunço a serviço de José Serra por dirigentes do PT. Sentiu-se “caluniado”. E vai à Justiça.

 

Em entrevista ao repórter Josué Nogueira, Sérgio fez jus ao sobrenome. Revelou-se pronto para a guerra.

 

Disse que a tática plebiscitária do governo –Lula X FHC— visa, em verdade, “esconder a Dilma”, uma candidata que “não tem sustentação”.

 

Vai abaixo a entrevista:

 

 

- Por que o PSDB reagiu com tanta dureza às declarações de Dilma?
Porque o PT descumpre a lei eleitoral toda hora, todo dia. O próprio presidente, quando diz que não pode se fazer campanha eleitoral rasteira, ele está dizendo que faz campanha eleitoral fora do prazo legal. Isso é proibido. A lei não permite. Rasteiro é o PT.
- A virulência dos ataques cresceu com a nota do PSDB [em que Guerra chamou Dilma de ‘mentirosa]. Esse é o tom que será visto na campanha?
Eu só disse a verdade.
- Não acha que o tom foi agressivo?
Não. Acho que foi impositivo. Ela [Dilma] não pode ficar fazendo campanha em prol dela com esses argumentos. Isso é campanha pura. Como que se vai fazer inauguração de obras para combater a oposição? Isso não é campanha? Ela é candidata?
- O PSDB não está entrando no jogo plebiscitário que o PT tanto quer?
O PT é que está saindo [do debate]. Eles não querem colocar Dilma na discussão.

- Correligionários seus avaliam que o sr. conseguiu, finalmente, chamá-la para o debate...

Eles não querem o debate. Querem é esconder a Dilma.
- Acha que a aspereza observada na nota do PSDB interessa ao eleitor?
Não é questão de eleitor, é questão da lei. Ela não pode fazer campanha agora. Mas é que o tom foi pessoal demais. Foi bem além da questão do PAC... E essa história de dizer que o PSDB quer parar as obras do PAC não é mentira? Nós não queremos desenvolver as obras irregulares. Somente essas. As regulares não têm problema algum.
- Em 2006, o PT afirmava que o PSDB, se vencesse as eleições, iria acabar com o Bolsa Família...

Da outra vez, eles usaram isso no segundo turno, esse terrorismo de que a gente ia acabar com o Bolsa Família e ia privatizar o Banco do Nordeste. Dessa vez, estão usando na pré-campanha.
- Por que, na sua avaliação, o PT está recorrendo a essa prática de novo?
Porque a candidata deles não tem sustentação.
- O PSDB demonstra que vai reagir com dureza sempre que achar que deve. É isso?
É isso mesmo. Teve uma nota deles me chamando de jagunço. Estou entrando na Justiça contra eles. Vamos enfrentar isso desde agora. Eles sempre terão uma resposta à altura.

Escrito por Josias de Souza às 03h53

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Alencar põe em dúvida entrada de Serra na sucessão

Alan Marques/Folha

 

Na opinião do vice-presidente José Alencar, permanece abolutamente indefinido o papel que o PSDB vai jogar na sucessão presidencial de 2010.

 

Mineiro, Alencar põe em dúvida a retirada da candidatura de Aécio Neves ao Planalto:

 

“Ninguém toma qualquer decisão, assim peremptória, muito antes numa campanha eleitoral. Tem muita água para passar”.

 

Leva o pé atrás também ao discorrer sobre a convicção de José Serra quanto à conveniência de subir no ringue nacional:

 

“Ele possui um pássaro na mão gigantesco, que é uma candidatura à reeleicão de São Paulo, e ele sabe disso”.

 

Confirmando-se a candidatura Serra, não acha que seja certa a ausência de Aécio como vice na chapa da oposição:

 

“Política é dinâmica. Nenhum de nós pode dizer com absoluta segurança o que vai acontecer amanhã”.

 

Afirma que Lula imprimirá as digitais nas alianças políticas regionais pró-Dilma Rousseff: “Quem preside a eleição é ele”.

 

As declarações de Alencar constam de entrevista feita pelos repórteres Baptista Chagas de Almeida e Alana Rizzo.

 

Vão abaixo alguns dos principais trechos:

 

 

- A desistência de Aécio: A gente ainda não pode fazer uma avaliação porque as coisas estão por acontecer. Ninguém toma qualquer decisão, assim peremptória, muito antes numa campanha eleitoral. Tem muita água para passar.

 

- A candidatura Serra: Ninguém pode afirmar, por exemplo, que o Serra será o candidato. Ele possui um pássaro na mão gigantesco, que é uma candidatura à reeleicão de São Paulo, e ele sabe disso. Está consciente e vai depender do andar da carruagem. Como dizia Neném Prancha: ‘Em sendo redonda a bola, tudo pode acontecer’.

 

- Aécio pode ser vice de Serra? Política é dinâmica. Nenhum de nós pode dizer com absoluta segurança o que vai acontecer amanhã. As coisas acontecem independentemente da vontade da gente. Podem acontecer para favorecer uma candidatura ou para desaconselhá-la, mas temos que esperar o tempo passar.

- O vice de Dilma: Também está cedo. O caso de um candidato de um partido, seja ele qual for, pressupõe uma aliança nacional e, aí, é preciso consultar o interesse em todos os estados. Porque há determinados lugares em que os líderes são contra a aliança. Não porque sejam contra o candidato, mas é que a aliança não o ajuda nas eleições de seu estado. É hora de paciência.

- A candidatura de Marina: Sou suspeito para falar da Marina porque fomos colegas no Senado e ela sempre me prestigiou muito nas minhas colocações e vice-versa. Nós somos amigos e tenho o maior apreço por ela, que é uma mulher muito séria e de uma origem muito humilde. Cresceu, estudou e é uma moça preparada, dedicada, um colosso. Acho que o Brasil está de parabéns. Desta vez, tem muitos bons candidatos.

- A aliança PMDB-PT pró-Dilma em Minas: O palanque tem que ser inteligível. As alianças que estão ali têm que ter sentido. O ruim numa campanha é quando o eleitor não entende. Havendo uma aliança do PMDB com o PT, alcançará Minas.

- O papel de Lula: Quem preside a eleição é ele. Não é nem o candidato. E se você puder ter um cenário parecido no nacional e nos estados, ajuda muito. Há estados com muita complicação. Em outros, essas alianças são naturais porque as pessoas que participam da eleições são aliadas.

- A economia será decisiva para Dilma? A economia vai muito bem. Então, será sim. Mas não graças à política monetária. Vai bem graças à responsabilidade fiscal, aos investimentos que são objeto de estímulo e às políticas anticíclicas para combater a crise. A economia vai bem apesar da política monetária. A rubrica mais pesada é relativa aos juros com que rolamos nossa dívida, e eles provocaram um desequilíbrio no nosso Orçamento. Ogrande vilão foram as taxas altas de juros. Me refiro à Selic, que vai levar R$ 1,2 trilhão dos cofres públicos. É um abuso.

- O desafio do próximo presidente: Dar prosseguimento ao trabalho do presidente Lula no concerto internacional. Pode separar antes e depois do Lula. Em toda parte que você vai, a pergunta não é mais sobre o Pelé, de quem temos orgulho. O Brasil é conhecido como um país que dá exemplo. Lula surpreendeu em quase tudo. A mim, nesse trabalho admirável que ele faz lá fora. É um colosso. A liderança e a personalidade dele são admiráveis. Para conversar com a Rainha, no Palácio de Buckingham, ele conversa de igual para igual. Eu falei: ‘Lula, você fez mal. Na hora que cumprimentou a rainha, você bateu na barriga dela’. E ele falou assim : ‘Ela é minha chapa’. Eles gostam demais dele. Outra coisa, ele não tem complexo. Fala em português mesmo e eles que se danem. Tem um tradutor que explica. Sujeito pegou uma parte, não pegou, ele sai. Não fala nenhuma palavra em inglês e também não entende. Fala o português desembaraçado e eles se viram para traduzir.

- Será candidato ao Senado? Se Deus me curar, levo meu nome a uma disputa para um cargo no Legislativo. Não penso no Executivo porque tenho 78 anos. No fim das eleições, já terei 79. Acho que posso ser muito útil, levando minha experiência muito grande do setor privado, do sindicato patronal, de senador e de vice-presidente. Portanto, posso dar uma grande contribuição. Até para merecer esse apoio que tenho recebido. Mas só me candidato se estiver curado, porque considero até uma desonestidade apresentar um nome, ser eleito, sabendo que posso não exercer o mandato.

Escrito por Josias de Souza às 03h45

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PP janta com Dilma, mas não formaliza o apoio a ela

José Cruz/ABr

 

Nos últimos dias, os partidários de Dilma Rousseff venderam a tese de que a candidata já dispõe do apoio de sete partidos governistas. Não é bem assim.

 

Pelo menos um dos partidos incluídos na lista de supostos apoiadores da candidata oficial informa que sua decisão não está tomada.

 

Trata-se do PP, cujos congressistas participam de um jantar com Dilma na noite desta quarta (28).

 

Em entrevista ao blog, o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), definiu assim o jantar:

 

“É um encontro político e social com a Dilma. Nem ela está esperando que o partido vá declarar apoio a ela. Isso não está na agenda do partido”.

 

Segundo Dornelles, a deliberação final do PP sobre a sucessão de Lula só será tomada em convenção, marcada para junho de 2010. Vai abaixo a entrevista:

 

 

- Está confirmado o jantar com a ministra Dilma?

Sim, está confirmado.

- O encontro pode resultar em apoio à candidata?

É um encontro político e social com a Dilma. Nem ela está esperando que o partido vá declarar apoio a ela. Isso não está na agenda do partido.

- O PP não tem posição sobre 2010?

Se tivéssemos que tomar uma decisão hoje, algo como 18 diretórios iriam. Outros não iriam. Então, é preciso dar tempo ao tempo. Mesmo porque o país é, hoje, do ponto de vista político, uma confederação. Os problemas estaduais tem um reflexo muito grande sobre o quadro federal.

- Portanto, o jantar não significará declaração de apoio.

Vamos reiterar à Dilma a nossa maior admiração, o nosso respeito e a nossa satisfação de fazer parte da base de apoio ao governo. Mas diremos que ainda não estamos discutindo sucessão presidencial.

- Quando o partido vai tomar uma decisão a respeito?

Você só pode tomar uma posição definitiva do partido em convenção. No momento, alguns grupos podem até fazer uma proposta ou outra. Mas quem decide é a convenção.

- PMDB e PT, que firmaram um pré-acordo de apoio a Dilma, tem a intenção de constituir com os demais partidos do governo, um grupo para participar, desde logo, da elaboração do programa da candidata. O PP não vai participar?

Não, não vai participar. O PP não pode se incorporar a nenhum grupo que vá fazer o programa da candidata antes de definir o apoio a ela.  

Escrito por Josias de Souza às 19h58

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Geddel convida oposição a repetir a caravana de Lula

Valter Campanato/ABr
Geddel sobre caravana do São Francisco: 'Todo ato público gera dividendo eleitoral'

 

O ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) fará um convite aos líderes da oposição. Coisa formal, por escrito.

 

Deseja levar congressistas do PSDB e do DEM às obras da transposição das águas do Rio São Francisco. “O presidente Lula me deu carta branca”, diz.

 

Geddel concedeu entrevista ao blog na noite deste domingo (18). Respondeu à crítica de que Lula foi à obra para fazer campanha, não para vistoriá-las.

 

Disse que a viagem foi “de trabalho”. E enxergou um quê de hipocrisia na gritaria da oposição:

 

“Todo ato público, administrativo, sempre vai gerar dividendo eleitoral. Vamos rasgar a fantasia da hipocrisia...”

 

“...Quem está na vida pública e participa de eleições evidentemente deseja que seus atos administrativos caiam no gosto da população”. Vai abaixo a entrevista:

 

 

- O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, diz ter feito em 40 minutos o trajeto que Lula fez em três dias. Por que tanto tempo?

Sérgio Guerra, como senador da oposição, deveria percorrer a obra com mais tempo, para fiscalizá-la. O presidente Lula passou um dia verificando as obras de revitalização do rio, um dia visitando o eixo norte da obra e outro dia para o eixo leste. Foi correta a programação de três dias.

- A viagem teve propósitos eleitorais?

Não vejo assim. O presidente foi vistoriar obras. Não se pode imaginar que um presidente da República, sobretudo com a popularidade do presidente Lula, possa passar em qualquer evento sem ser chamado a se manifestar.

- O que houve de técnico na viagem?

Houve reuniões com engenheiros, técnicos e empresários. Foi uma viagem de trabalho.

- Essas reuniões não poderiam ter sido feitas em Brasília?

Não. Na visita às obras, o presidente viu que é razoável a nossa cobrança para que o Ministério da Integração disponha de mais engenheiros. Ele verificou onde é preciso reforçar a estrutura, para que as obras tenham sequência. Vislumbrou, in loco, a necessidade de desapropriações de terras em volta da obra...  

- E quanto às manifestações políticas do presidente?

Na medida em que o calendário vai avançando e fica mais próximo da eleição, toda participação do presidente vai gerar essa interpretação de que se trata de algo eleitoral. Mas note que os próprios jornalistas se encarregaram de priorizar a política em detrimento dos aspectos técnicos da obra. Eles fizeram perguntas políticas. Quem estava lá viu. Ninguém perguntou o que ele achou da obra. As perguntas eram: Dilma é candidata? O que o Ciro está fazendo aqui? Ou o presidente faz uma grosseria ou responde. Ele respondeu. No dia seguinte, o administrativo dava lugar ao eleitoral no noticiário. A cobertura da mídia sinalizou para a política.

- Havia palanques ao longo do trajeto. Na primeira cidade, Buritizeiro (MG), Lula disse que, embora não estivesse previsto ‘fazer comício’, ele falaria mesmo assim. Comício é coisa de campanha, não?

A palavra pode ter sido mal colocada. O presidente poderia ter dito que não estava prevista aquela reunião. Mas onde o presidente vai, em torno dele junta-se uma multidão. Há naquelas obras quase 8.500 trabalhadores. Quando o presidente chegava, as pessoas pediam que ele se manifestasse. Sem exagero, diria que o presidente Lula virou um astro pop. O que fazer numa situação como essa? Ele termina tendo que falar. Não tem jeito.      

- O que acha dos protestos da oposição?

Acho absolutamente natural. É o papel da oposição. Se a oposição, por estar fora do governo, não tem obras para vistoriar, só resta criticar. É o papel dela. Já vivi os dois papéis. Fui oposição. Agora sou governo.

- O presidente disse que governos anteriores não fizeram obras. Como ex-aliado do governo FHC, concorda com a crítica?

Creio que o presidente Lula não se referia a Fernando Henrique. Ele defende a tese de que a última vez que o governo teve um amplo programa de obras foi na gestão de Ernesto Geisel. Depois disso, por uma série de circunstâncias, não houve um grande programa de realizações na área de infra-estrutura. Nunca vi ele se referir especificamente a Fernando Henrique. Ele fala dos últimos 25 anos.  

- Num dos pernoites do presidente e de sua comitiva, havia no canteiro de obras coisas como bufê francês e camas king size. Não houve exagero?

Não. Estamos falando do presidente da República do Brasil. Não poderiam querer que nós o acomodássemos numa rede. Quando Juscelino Kubitscheck foi fazer Brasília, construiu-se no cerrado o Catetinho, com tudo o que havia de mais confortável naquela época. Se você recebe uma visita na sua casa, você a prepara melhor. Se eu o convidar para jantar na minha casa, não vou lhe oferecer um cardápio trivial do dia-a-dia. Será um cardápio especial. É natural isso.

- Quanto custou a viagem?

Não tenho idéia. Era uma comitiva presidencial. O Centro de custo é a Presidência, não o ministério.

- A oposição pretende recorrer ao TSE. Acha que a ação prospera?

Tenho convicção de que não prospera. Do contrário, o presidente e seus ministros teriam de ficar ilhados dentro do Palácio e dos ministérios. Inadmissível.

- A oposição exagera?

Vejo tudo com naturalidade. O raciocínio vale para os dois lados. Quando senadores como Sérgio Guerra e José Agripino criticam o governo, estão adotando uma atitude que, aos olhos deles, terá uma repercussão eleitoral. Tudo na vida pública tem repercussão eleitoral, negativa ou positiva. Nesta semana, vou formalizar, por escrito, um convite a todos os líderes da oposição para que me acompanhem numa viagem ao São Francisco.

- Consultou o presidente?

Comuniquei a ele, que me deu carta branca para fazer. Chegando a Brasília, na terça-feira, formalizarei o convite, por escrito, aos meus amigos Sérgio Guerra, José Agripino e a todos os líderes da oposição na Câmara e no Senado. Eu os convidarei a fazer o mesmo roteiro que o presidente fez. Três dias. Se aceitarem, pedirei à presidência da República que disponibilize os meios. Não há o que esconder.

- A presença da candidata Dilma na viagem, resultou em benefício eleitoral?

Todo ato público, administrativo, sempre vai gerar dividendo eleitoral. Vamos rasgar a fantasia da hipocrisia. Quem está na vida pública e participa de eleições, evidentemente deseja que seus atos administrativos caiam no gosto da população. É assim que se vence uma eleição. Do mesmo modo, quando os seus atos administrativos são reprovados pela população, perde-se uma eleição. Portanto, qualquer atitude das pessoas públicas cuja sobrevivência depende do voto tem apelo eleitoral. Vale para quem governa e também para quem faz oposição. Do contrário, teríamos de admitir como aceitável o paradoxo de trancar quem governa nos palácios e impedir a oposição de usar a tribuna do Parlamento.

- A participação da ministra Dilma na viagem foi administrativa ou eleitoral?

Ela é a chefe da Casa Civil, publicamente reconhecida como gestora do PAC. Ali está uma das obras mais significativas do programa. É absolutamente legítimo que lá ela estivesse. Em todo o roteiro, a ministra só se manifestou uma vez, já na despedida da viagem, em Pernambuco.

Escrito por Josias de Souza às 03h11

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Governo vai editar 'compêndio' dos direitos sociais

Fábio Pozzebom/Folha

 

O governo recolhe dados para editar uma obra destinada a conscientizar os brasileiros pobres acerca dos seus direitos sociais.

 

Será, nas palavras do ministro Tarso Genro (Justiça), um “vade mecum das leis sociais do Brasil”.

 

Vade Mecum é uma expressão latina. Siginifica “vem comigo”. No Direito, é usada para designar os compêndios de leis.

 

São, normalmente, obras de fácil consulta. Reúnem toda a legislação existentente sobre determinada matéria –direito trabalhista ou previdenciário, por exemplo.

 

Afora essa publicação, foi ao forno um lote de projetos. Destinam-se a transformar em lei programas sociais hoje escorados apenas em decretos e portarias.

 

Por último, prepara-se um roteiro para reunir todas as leis sociais num único diploma legal, a CSL (Consolidação das Leis Sociais).

 

Na última quinta (8), Lula delegou essas tarefas a dois ministros petistas. Além de Tarso Genro, Luiz Dulci (Secretaria-geral da Presidência da República).

 

Em entrevista ao blog, Tarso esmiuçou as iniciativas. Leia abaixo:

 

 

- O que pretende o governo?

O presidente Lula tem uma preocupação. Receia que alguns programas sociais do governo, ainda não fundamentados em lei, possam deixar de ser vistos como programas de Estado porque não tem a garantia de permanência. Então, ele fala em consolidação das leis sociais.

- Como será feito o trabalho?

Primeiro, estamos fazendo levantamento para identificar todos os programas sociais. Do nosso governo ou não, desde a Constituição de 88.

- Mas esses programas já não estão previstos em lei?

Alguns deles já são previstos em lei. Por exemplo: ProJovem, ProUni, Bolsa Familía, Minha Casa, Minha Vida, Pronasci e outros. Como já constam de leis, são programas de Estado, não de governo. Mas há outros que se baseiam em decretos ou portarias.

- Quais?

Nós ainda estamos fazendo o levantamento. Não tenmos a lista completa. Mas são programas criados por decreto ou portaria. Para esses casos, vamos propor iniciativas legislativas. Projetos que vão transformar esses programas sociais em obrigação legal para os próximos governos.

- É esse conjunto de leis que o presidente chama de CSL?

Não. Esse é outro estágio do nosso trabalho. Estamos verificando se há a possibilidade de constituirmos uma lei geral, para abrigar todos os programas sociais. A idéia é configurar um sistema de proteção social para as classes menos favorecidas. Não estamos tratando de trabalhadores formais, já protegidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

- Essa consolidação vai ao Congresso quando?

Esse é um estudo de fôlego, de mais longo prazo. Exige consultas à academia e a juristas das mais diversas formações.

- É coisa que possa ser feita antes do término do governo Lula?

Na minha avaliação, não. Vamos cumprir etapas, sem a preocupação de prestigiar qualquer governo. Vamos iniciar um processo, fixar um roteiro de consolidação de leis sociais que, em ultima análise, foram conquistas obtidas a partir da Constituição de 88. Deixaremos um roteiro.

- Não se está chovendo no molhado, uma vez que as leis já existem?

Não. Esse trabalho de longo prazo envolve a compatibilização das leis existentes, integrando-as numa visão de sistema de proteção social ampliado. Seria um plano infra-constitucional de tudo o que já foi produzido até agora. É uma iniciativa complementar, que não exclui as outras.

- Os senhores tem prazo para concluir o trabalho?

Sim. Em 45 dias apresentaremos um diagnóstico ao presidente. Estamos encarregados, eu e o Dulci, de consultar os outros ministérios. O Ipea vai trabalhar conosco. Nesse prazo, levaremos ao presidente o conjunto de iniciativas legislativas que se destinam a transformar em lei os programas hoje previstos em decretos e portarias. Caberá ao presidente decidir sobre a oportunidade de submetê-las à deliberação soberana do Congresso.

- Por que a CSL, mais abrangente, ficará só no esboço?

Essa parte do trabalho é de médio e longo prazo porque envolve uma proposta de maior abrangência. Note que a gênese da CLT começou em leis de 1930 e terminou com a edição da Consolidação das Leis do Trabalho, já na década de 40. Avançaremos no estudo. É um degrau que não exclui os outros. Vamos propor ao presidente que determine, por meio de decreto, desde logo, a publicação de um volume em que estejam contidas as leis sociais mais importantes, inclusive as que precedem a Constituição de 88.

- Será uma cartilha?

Na verdade, será uma publicação de conscientização de direitos. Um compêndio, um vade mecum das leis sociais do Brasil. Serão publicadas como fundamentação dos direitos da cidadania. Algo que servirá para dar visibilidade às conquistas que vieram da Constituição de 88 e antes dela. O segundo movimento, que não exclui o primeiro, é conjunto de projetos de lei que teriam o objetivo de fundamentar legalmetne programas sociais que são de iniciativas de vários governos e que ainda não ainda estão abrigados em lei. E a terceira iniciativa, mais complexa, é a análise da consolidação das leis sociais, que, na formulação do presidente, visa dar um sentido de permanência às conquistas sociais que ocorreram no país, evitando-se eventuais retrocessos.

- Há um cheiro de getulismo nessas iniciativas, não acha?

Olha, não creio. A época é outra. A CLT foi produto de um projeto não democrático, ditatorial, que deu uma enorme força pessoal ao presidente. Isso numa época em que não precisava fazer consultas à sociedade ou articulações com os meios juridico e parlamentar. As leis sociais que resultaram na CLT começaram a surgir antes da Revolução de 30. Não acho que estejamos agora incorrendo em nenhum tipo de getulismo. O que move o presidente Lula é uma preocupação social-democrata moderna de fazer essa consolidação das leis sociais. Transformar políticas de governo em políticas de Estado. É essa a preocupação do presidente.

- É final de governo. Estamos na ante-sala da sucessão. Não receia que o movimento seja interpretado como algo meramente eleitoral?

Não receio isso porque estamos lidando com conquistas universais. Não são conquistas do presidente Lula ou do PT. Cito o exemplo do Pronasci. Foi aprovado por unanimidade na Câmara e no Senado. Portanto, é uma conquista de todos os partidos. Seria difícil vincular isso a um partido ou a um governante. Não creio que seja sensata uma análise que reduza tudo a um pretenso objetivo eleitoral.

Escrito por Josias de Souza às 06h45

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Quércia: ‘PMDB não vai entregar a mercadoria a Lula’

  José Cruz/ABr
Orestes Quércia classifica de “arbitrária” a decisão da cúpula do PMDB de firmar um pré-acordo nupcial com a presidenciável petista Dilma Rousseff.

 

“Estão fazendo uma pressão sobre os diretórios estaduais, de cima pra baixo, uma coisa arbitrária. Mesmo assim, eles vão perder na convenção”.

 

Presidente diretório do PMDB de São Paulo, Quércia falou ao blog. Disse que a direção do PMDB mercadeja algo que não está disponível na gôndola.

 

Fechado com a candidatura presidencial do tucano José Serra , Quércia declarou: “Eles estão vendendo para o Lula uma mercadoria que não vão entregar”.

 

Há 18 dias, Quércia reunira-se, em Brasília, com Michel Temer (SP), presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB.

 

Fora a Temer acompanhado de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Ibsen Pinheiro (PMDB-RS). Pregaram contra a formalização do “noivado” com Dilma.

 

Foram desatendidos. Estima-se que o acordo será celebrado dentro de duas semanas, com as bênçãos de Lula, padrinho da união.

 

Quércia atribui a pressa a dois grão-pemedebês: José Sarney e Renan Calheiros. Vai abaixo a entrevista:

 

 

- Michel Temer não atendeu ao vosso apelo. Por quê?

Estivemos com ele –o Jarbas, o Ibsen e eu. Dissemos que a antecipação do processo era um erro, uma precipitação. Ficou combinado que haveria outra reunião, mais ampla.

- Por que não houve a segunda conversa?

Eles estão fazendo uma pressão sobre os diretórios estaduais, de cima pra baixo, uma coisa arbitrária. Mesmo assim, eles vão perder na convenção. Não estão ouvindo a base do partido.

- Por que chama a decisão de arbitrária?

Isso nunca aconteceu no PMDB. Mesmo no tempo do doutor Ulysses [Guimarães]. Por isso conversamos com o Michel. Nós dissemos: ‘Michel, é preciso ouvir os Estados. Não se pode simplesmente fazer o jogo do governo’. Eu sou membro da Executiva do partido. A Executiva nunca discutiu isso. Mas há toda essa pressão.

- Quem faz a pressão?

Essa pressão é coisa do Renan e do Sarney.

- Temer lidera o movimento, não?

Sim, claro, porque ele está com a expectativa de ser o vice da Dilma. O Sarney e o Renan se aproveitam disso.

- Eles afirmam que a maioria da convenção é pró-Dilma.

Não podem dizer o contrário. Mas tenho sérias dúvidas disso. Eles estão vendendo para o Lula uma mercadoria que não vão entregar.

- O apoio a Dilma não virá por conta da dificuldade de decolar nas pesquisas?

Também por isso, mas não é só isso. O quadro de alguns Estados deverá se definir numa posição contra o PT.

- Que Estados são esses?

São Estados importantes, com muito peso na convenção nacional: São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pernambuco e outros do Nordeste. Há dificuldades no Mato Grosso do Sul, em Minas Gerais...

- Crê que será possível formar uma maioria pró-Serra?

Muitos companheiros acham que eles já perderiam na convenção agora. Pessoalmente, acho que, hoje, eles podem até ganhar. Mas esse quadro vai mudar. Vários diretórios ainda não querem mostrar a cara. Têm interesses a defender no governo. Acham que o Lula vai atender o que eles querem. Mais à frente essa coisa muda.

- Em que momento o PMDB deveria tomar uma decisão?

A decisão final só ocorrerá em junho, na convenção. Acho que tudo deve ser muito bem discutido. Deveríamos começar a preparar a convenção no início do ano que vem.

- O PMDB tem seis ministérios. Não deveria deixar o governo?

Se ficar decidido que o partido ficará com o governo, pode conservar os ministérios. Se o partido decidir apoiar o Serra, aí deve sair do governo. Isso a partir do momento da definição, que não é agora. É na convenção.

- Acha que o PMDB, dividido, pode não fechar com nenhum candidato?

Existe essa possibilidade de ocorrer um impasse. É uma hipótese possível. Eu trabalho pela formalização do apoio ao Serra.

- Por que Serra e não Dilma?

O Serra tem condições de governar melhor o país. Tem um projeto de crescimento econômico para o Brasil, coisa que o Lula não fez. A continuidade desse governo não seria boa para o país.

- Por quê?

Porque é um governo que não fez nada.

- Como explica a popularidade do presidente?

A situação do Lula é muito boa não porque ele está governando bem, mas porque as coisas vão indo bem a despeito do governo. Aquilo que o governo tinha que fazer não fez. O PAC, a grande proposta do governo, eles só conseguiram fazer 7% até hoje. O governo não está investindo nada.

- Não vê méritos na área social?

Houve uma ampliação do orçamento social, uma coisa positiva. Mas a questão fundamental para o crescimento são as obras de infraestrutra. Qual é a obra importante que o Lula fez depois de sete anos? Nenhuma.

- O governo não se portou bem na crise?

O Lula teve muita sorte. O mundo inteiro cresceu, não foi só o Brasil. Depois, houve essa crise. O Brasil não foi muito atingido. Mas outros países também não foram. A China e a Índia, por exemplo.

- O bom desempenho veio por inércia?

Isso se deve à política econômica, que foi herdada do governo anterior. O mérito do Lula foi o de ter aproveitado essa política econômica. Manteve a macroeconomia, o combate à inflação. Isso foi positivo. Mas são coisas que ele apenas deu continuidade. Outras coisas, que o governo deveria ter feito, ele não fez.

- O que não foi feito?

As reformas política, tributária e previdenciária não foram feitas. Ele não melhorou os portos, os aeroportos, as estradas. Não fez nada na infraestrutura. É um governo completamente inábil. Não tem projeto. O Serra, por sua experiência, pela forma como vem governando São Paulo, por ter sido ministro, tem condições de fazer.

- Apoia o Serra por que deseja disputar uma cadeira no Senado?

Essa questão de ser candidato ao Senado é relativa.

- Não Há um acordo?

Tem um acordo de o PMDB lançar o candidato. O meu nome é o que mais surge. Mas o que eu quero mesmo é evitar a continuidade do PT no governo.

- Que candidato vai apoiar para o governo de São Paulo?

Sou amigo do Aloisio [Nunes Ferreira]. Me dou bem com o [Geraldo] Alckmin também. Mas quem vai decidir isso é o PSDB e o Serra. Aquele que for o escolhido nós estaremos junto. Por ora, existem duas candidaturas.

Escrito por Josias de Souza às 04h12

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Alencar: ‘Estou preparado para a morte como nunca’

Fábio Pozzebom/ABr

 

Às voltas com a 11ª tentativa de tratar o câncer que carrega na região abdominal, o vice-presidente José Alencar confessa: “Ando cansado”.

 

Ele lança mão de uma expressão mineira para resumir sua situação clínica: “O trem está ficando feio para o meu lado”.

 

Sem meias palavras, Alencar declara: “Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio”.

 

“Isso não significa”, Alencar esclarece, “que tenha desistido de lutar pela vida. A luta é um princípio cristão, inclusive”.

 

O vice-presidente falou à repórter Adriana Dias Lopes. Em uma hora, chorou duas vezes. A entrevista foi às páginas de Veja. Pode ser lida abaixo:

 

 

- Como o senhor está se sentindo?
Está tudo ótimo: pressão, temperatura, coração e memória. Tenho apetite, inclusive – só não como torresmo porque não me servem. O meu problema é o tumor. Tenho consciência de que o quadro é, no mínimo, dificílimo – para não dizer impossível, sob o ponto de vista médico. Mas, como para Deus nada é impossível, estou entregue em Suas mãos.

- Desde quando o senhor sabe que, do ponto de vista médico, sua doença é incurável?
Os médicos chegaram a essa conclusão há uns dois anos e logo me contaram. E não poderia ser diferente, pois sempre pedi para estar plenamente informado. A informação me tranquiliza. Ela me dá armas para lutar. Sinto a obrigação de ser absolutamente transparente quando me refiro à doença em público – ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar, mas com o câncer do vice-presidente, sim. Um homem público com cargo eletivo não se pertence.

- O senhor costuma usar o futebol como metáfora para explicar a sua luta contra a doença. Certa vez, disse que estava ganhando de 1 a 0. De outra, que estava empatado. E, agora, qual é o placar?
Olha, depois de todas as cirurgias pelas quais passei nos últimos anos, agora me sinto debilitado para viver o momento mais prazeroso de uma partida: vibrar quando faço um gol. Não tenho mais forças para subir no alambrado e festejar.

- Como a doença alterou a sua rotina?
Mineiro costuma avaliar uma determinada situação dizendo que "o trem está bom ou ruim". O trem está ficando feio para o meu lado. Minha vida começou a mudar nos últimos meses. Ando cansado. O tratamento que eu fiz nos Estados Unidos me deu essa canseira. Ando um pouco e já me canso. Outro fato que mudou drasticamente minha rotina foi a colostomia (desvio do intestino para uma saída aberta na lateral da barriga, onde são colocadas bolsas plásticas), herança da última cirurgia, em julho. Faço o máximo de esforço para trabalhar normalmente. O trabalho me dá a sensação de cumprir com meu dever. Mas, às vezes, preciso de ajuda. Tenho a minha mulher, Mariza, e a Jaciara (enfermeira da Presidência da República) para me auxiliarem com a colostomia. Quando, por algum motivo, elas não podem me acompanhar, recorro a outros dois enfermeiros, o Márcio e o Dirceu. Sou atendido por eles no próprio gabinete. Se estou em uma reunião, por exemplo, digo que vou ao banheiro, chamo um deles e o que tem de ser feito é feito e pronto. Sem drama nenhum.

- O senhor não passa por momentos de angústia?
Você deveria me perguntar se eu sei o que é angústia. Eu lhe responderia o seguinte: desconheço esse sentimento. Nunca tive isso. Desde pequeno sou assim, e não é a doença que vai mudar isso.

- O agravamento da doença lhe trouxe algum tipo de reflexão?
A doença me ensinou a ser mais humilde. Especialmente, depois da colostomia. A todo momento, peço a Deus para me conceder a graça da humildade. E Ele tem sido generoso comigo. Eu precisava disso em minha vida. Sempre fui um atrevido. Se não o fosse, não teria construído o que construí e não teria entrado na política.

- É penoso para o senhor praticar a humildade?
Não, porque a humildade se desenvolve naturalmente no sofrimento. Sou obrigado a me adaptar a uma realidade em que dependo de outras pessoas para executar tarefas básicas. Pouco adianta eu ficar nervoso com determinadas limitações. Uma das lições da humildade foi perceber que existem pessoas muito mais elevadas do que eu, como os profissionais de saúde que cuidam de mim. Isso vale tanto para os médicos Paulo Hoff, Roberto Kalil, Raul Cutait e Miguel Srougi quanto para os enfermeiros e auxiliares de enfermagem anônimos que me assistem. Cheguei à conclusão de que o que eu faço profissionalmente tem menos importância do que o que eles fazem. Isso porque meu trabalho quase não tem efeito direto sobre o próximo. Pensando bem, o sofrimento é enriquecedor.

- Essa sua consideração não seria uma forma de se preparar para a morte?
Provavelmente, sim. Quando eu era menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração: "Livrai-nos da morte repentina". O que significa isso? Significa que a morte consciente é melhor do que a repentina. Ela nos dá a oportunidade de refletir.

- O senhor tem medo da morte?
Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio. Tornei-me uma pessoa muito melhor. Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida. A luta é um princípio cristão, inclusive. Vivo dia após dia de forma plena. Até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente.

- O senhor se deu conta da comoção nacional que tem provocado?
Não há fortuna no mundo capaz de retribuir o carinho dos brasileiros. Sou um privilegiado. Você não imagina a quantidade de manifestações afetuosas que tenho recebido. Um dia desses me disseram que, ao morrer, iria encontrar meu pai, falecido há mais de cinquenta anos. Aquilo me emocionou profundamente. Se for para me encontrar com mamãe e papai, quero morrer agora. A esperança de encontrar pessoas queridas é um alento muito grande – e uma grande razão para não ter medo do momento da morte.

- O senhor se tornou mais devoto com a doença?
Sou de família católica, mas nunca fui de ir à missa. Nem agora faço isso. Quando a coisa aperta, rezo o pai-nosso. Ultimamente, tenho rezado umas duas, três vezes ao dia.

- Se recebesse a notícia de que foi curado, o que faria primeiro?
Abraçaria a Mariza e diria: "Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".

Escrito por Josias de Souza às 03h15

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Jarbas: grupo anti-Sarney ‘pode ser reduzido a dez’

José Cruz/ABr

 

Dissidente do PMDB e ferrenho opositor de José Sarney, Jarbas Vasconcelos (PE) ruminava na noite passada “o gosto amargo da derrota”.

 

Em entrevista ao blog, revelou-se decepcionado com o esfriamento dos ânimos da oposição. “É claro que o arrefecimento é ruim. Pode levar à desmotivação”.

 

De sua parte, diz que vai “continuar falando”. Acha que não ficará só. Mas reconhece:

 

“Pode ser reduzido a algo como dez senadores” o grupo disposto a continuar deblaterando conta o bloqueio às investigações no Senado.

 

“O importante é que esse grupo, ainda que não chegue a uma dezena, vai fazer tudo para que as coisas não passem em branco”.

 

Abaixo, a entrevista:

 

 

- Houve acordo?

Até onde pude acompanhar o processo, não vi acordo. Até porque havia uma consciência de que isso levaria a oposição à desmoralização.

- Mas houve um recuo no discurso, não?

Houve. Atribuo esse recuo à desarticulação da oposição. Temos uma organicidade reduzida demais.

- Se não houve acordo, o que aconteceu?

A gente ficou na dependência do PT, que ziguezagueou o tempo todo. A vitória de Sarney deve ser creditada ao PMDB e a Lula. O PMDB fez ameaças a Lula, que interveio no PT.

- E quanto ao comportamento da oposição?

Ela continua tímida e desorganizada. Isso também influenciou muito. Essa onda de acordão não surgiu do nada. A oposição deu ensejo a isso quando arrefeceu e permitiu que fossem criados hiatos no processo. O esforço precisa ser contínuo.

- Que análise faz do resultado?

Com esse Conselho de Ética, estava claro que a gente não conseguiria nada. Tínhamos cinco votos num universo de 15. E do lado de Sarney havia uma tropa de choque agindo fora de todos os limites.

- A ação da tropa de choque levou à contemporização, não?

Tive essa impressão também. Mas a nossa desorganização contribuiu muito para o desfecho. E veio a tibieza do PT. Hora nenhuma o PT deixou claro que se insubordinaria às ordens de Lula. O PT jogou muito mal.

- Poderia ter jogado de outro jeito?

Claro que sim. Veja a situação da bancada do PT. Ficou em frangalhos. A manifestação do senador Flávio Arns [PT-PR], homem tradicionalmente moderado, diz tudo. Ele não suportou o quadro que viu.

- A crise vai murchar?

Não. Esse resultado expôs ainda mais as entranhas do Senado. A estratégia de Sarney pode dar a ele alguma sobrevida, não vida eterna.

- Por que não?

As denúncias não vão parar. Boa parte das notícias foi feita com base em investigação da Polícia Federal. Não foi a oposição que inventou. Mantendo-se esse quadro de denúncias, o Senado ficará em situação mais vexatória.

- Acha que a oposição está disposta a esticar a corda?

Não creio. O DEM, para chegar onde chegou, não foi fácil. O Agripino [Maia] fez das tripas coração. O partido tem muitas pessoas ligadas a Sarney.

- Não se sente frustrado?

Muito frustrado. É uma decepção profunda. Um gosto amargo de derrota. Mas tenho a consciência de que estamos contribuindo para expor o que é o Senado, uma Casa que clama por reformulação.

- Não receia ficar falando sozinho?

Vou continuar falando. Acho que sozinho eu não fico. Mas mesmo que fique com alguns poucos, acho que é importante a gente continuar falando. Isso não é ser cavalo do cão nem dom Quixote. É claro que o arrefecimento é ruim. Pode levar à desmotivação. Mas não creio que um pequeno grupo continuará na briga.

- Vai assinar o recurso contra o arquivamento das ações?

Já assinei. Seria muito importante que DEM e PSDB também assinassem. Mesmo que não fossem todos, mas a maioria das duas bancadas.

- Não acha curioso que a iniciativa do recurso tenha partido do PSOL?

O ideal era que não fosse comandado pelo PSOL. A iniciativa deveria ter sido de um grande partido.

- Fica claro o arrefecimento da oposição, não?

Sim, claramente. O que é uma pena. Sempre externei esse receio nas nossas minhas conversas. Disse que, se a leitura da imprensa fosse a de que tinha havido um acordo, isso nos desmoralizaria. Se a gente não tivesse jogado todas as fichas no PT, esse cheiro de acordão não teria chegado perto da oposição. Perdemos porque o PT, sob ordens de Lula, negou seus três votos no conselho.

- Não lhe parece que o cheiro de acordo se deve ao recuo da oposição diante das ameaças do PMDB de Renan Calheiros?

Ficou, de fato essa impressão. O próprio discurso de Tasso Jereissati, feito há 15 dias, deixou essa impressão. Ele foi à tribuna para pedir desculpas. Chegaram a noticiar que tinha se desculpado com Renan. Uma inverdade. Ele se desculpou à sociedade por ter se deixado envolver num episódio lamentável. A investida de Renan e Collor contra Simon também deixou amedrontada muita gente. Tudo isso somado à nossa desorganização e às intervenções antiéticas de Lula levaram a esse resultado desastroso.

- Sarney disse que o Senado voltará ao normal. Concorda?

O Sarney diz cada coisa! É claro que não vai voltar ao normal. Não creio que ele vá presidir a Casa como se nada tivesse acontecido. As denúncias não vão estancar.

- Que tamanho terá agora a bancada anti-Sarney?

Nesse ‘day after’, não podemos fingir que nada aconteceu. Pode ser que alguém desapareça do processo. Certamente teremos perdas. Mas não creio que haja recuo de pessoas como Demóstenes Torres, eu e Pedro Simon, Tião Viana, Cristovam Buarque, Álvaro Dias, José Nery e outros.

- Sua lista traz sete nomes. Não é pouca gente?

Torço para que o grupo seja maior, mas reconheço que pode ser reduzido a algo como dez senadores. O importante é que esse grupo, ainda que não chegue a uma dezena, vai fazer tudo para que as coisas não passem em branco. Insisto: Não se pode fingir que nada aconteceu.

Escrito por Josias de Souza às 04h44

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha de S.Paulo.

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