Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Colunas

Serra retarda candidatura para não virar o ‘anti-Lula’

  Marcello Casal/ABr
Além de impor Dilma Rousseff ao PT, Lula passou a dirigir as decisões de José Serra, o presidenciável favorito do PSDB.

 

O presidente está na origem da decisão de Serra de empurrar para março de 2010 a entrada no ringue da sucessão.

 

Vão abaixo os planos desfiados por Serra aos políticos com os quais divide as suas apreensões:

 

1. Serra acha que, se retirar sua candidatura do armário agora, não ganha nada. Pior: pode perder muito.

 

2. Enxerga ao redor uma oposição “desarticulada”. Vem daí, segundo ele, a pressão para que assuma a condição de presidenciável.

 

3. Avalia que, se vestisse as luvas prematuramente, viraria instantaneamente o principal boxeador da oposição.

 

4. Seria empurrado para um bate-boca com Lula, presidente que bóia em mar de popularidade. Atrairia a antipatia do eleitorado que leva o presidente às nuvens.

 

5. Interessa a Serra se contrapor a Dilma, não ao chefe dela. Afirma que, no embate direto com a rival, levará a melhor.

 

6. Para Serra, esse confronto aberto só será travado no instante em que ele deixar o governo e Dilma trocar a Casa Civil pelo palanque.

 

7. Por isso, decidiu empurrar a definição para o final de março, início de abril, prazo legal para a desincompatibilização de ambos.

 

8. Serra se diz convencido de que nada de realmente relevante acontecerá antes disso. Até 3 de abril, só espuma.

 

9. A despeito das reiteradas negativas de Aécio Neves, Serra revela-se convencido de que o rival mineiro aceitará ser o vice dele.

 

10. O argumento de Serra é pueril. Diz que o candidato de Aécio ao governo de Minas, Antonio Anastasia, é um personagem difícil de carregar.

 

11. Afirma que, com os pés no palanque nacional, Aécio teria mais condições de empinar o nome de Anastasia do que se concorresse ao Senado.

 

12. Serra soa como se estivesse convencido de que, ainda que se lance ao Senado, como promete fazer no início do ano, Aécio dará meia-volta em abril.

 

13. Fora do governo de Minas, diz Serra, Aécio se sentiria mais à vontade para protagonizar um gesto pela unidade tucana, incorporando-se à chapa presidencial.

 

14. Serra sonha alto. Compara a situação de Aécio à de Geddel Vieira Lima, com quem conversou reservadamente faz menos de dez dias.

 

15. Ministro de Lula, filiado ao PMDB, Geddel é candidato ao governo da Bahia. Desafia o projeto reeleitoral do governador petista Jaques Wagner.

 

16. Ao discorrer reservadamente sobre o encontro com Geddel, Serra diz ter recolhido da conversa a impressão de que o ministro ainda pode apoiá-lo.

 

17. Algo que só ocorreria, de novo, no início de abril, quando Geddel deixar a Esplanada.

 

18. As impressões de Serra contrastam com o que diz Geddel. Em privado, o ministro refere-se à conversa com o governador como algo desimportante.

 

19. Geddel apressou-se, aliás, em informar a Lula que esteve com Serra. Declara-se de mangas arregaçadas por Dilma.

 

20. Afirma que só uma aversão do PT à sua candidatura e à tática do duplo palanque, que reivindica para a Bahia, o faria analisar alternativas a Dilma.

 

21. Embora fuja da raia oficial, Serra é, hoje, mais candidato do que governador. Dedica pedaços generosos de sua agenda à costura política.

 

22. Traz na cabeça um mapa da eleição. Considera-se bem-posto no Sudeste. Diz que sua relação com Aécio é boa. Não antevê divisões em Minas.

 

23. Declara-se preocupado com o Rio, seu “maior abacaxi”. Investia na candidatura de Fernando Gabeira (PV), que optou pelo Senado. Não enxerga uma alternativa.

 

24. Aposta que prevalecerá sobre Dilma nos Estados do Sul. E se esforça para azeitar pelo menos três palanques no Nordeste.

 

25. Esteve com o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Encareceu-lhe que concorra ao governo pernambucano.

 

26. Jarbas repetiu a Serra o que diz em público: não o anima a idéia disputar o governo. Amarrou o seu calendário ao do interlocutor. Não anunciará nada agora.

 

27. Antes da conversa com Jarbas, Serra reunira-se em segredo com o grão-tucano Tasso Jereissati (PMDB-CE). Pediu-lhe que dispute o governo do Ceará.

 

28. Tasso refugou. Mas prometeu a Serra que vai providenciar-lhe um palanque cearense. Cogita fabricar a candidatura de um empresário.

 

29. Apresentado aos planos de Serra, Garrincha perguntaria: Já combinou com os russos?

 

30. O PSDB arma a escolha do candidato para janeiro. Aécio jura que não será vice. Geddel é governo. Lula arma o “plebiscito”. Serra perde gordura nas pesquisas. E Dilma ganha musculatura.

Escrito por Josias de Souza às 16h28

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Antecipação da sucessão é encenação do país no ‘ão’

 

Esse negócio de palavras terminadas com a desinência ‘ão’ é coisa exclusiva do português. É por isso que os estrangeiros derrapam ao dar de cara com o ‘ão’.

 

Tisnada pelo inusitado desde o tempo da colonização, a vida pública brasileira está, de novo, rendida à lógica do ‘ão’.

 

Nunca antes na história da nação uma sucessão fora deflagrada com tanta antecipação.

 

Proibido pela Constituição de buscar a re-reeleição, Lula viu-se compelido a fabricar uma opção. Recorreu a Dilma, uma novata em eleição.

 

De saída, o petismo flertou com a divisão. Mas, deserto de lideranças, rendeu-se à vontade do eterno patrão.

 

Bafejado por uma popularidade que não encontra termo de comparação, Lula levou sua candidata à vitrine com antecedência de mais de um ano da eleição.

 

Deixou aturdida a oposição. PSDB e DEM foram ao TSE, para pedir punição. Mas a Justiça hesita em impor os rigores da legislação.

 

De mais a mais, os acusadores recorrem à mesma perversão. Serra celebra país afora convênios pseudo-administrativos, acordos de ocasião.

 

Vende-os como meras iniciativas de cooperação. Lorota, embromação. Há um quê de 2010 em toda a movimentação.

 

Quanto a Lula, conduz Dilma pela mão. Para disfarçar a campanha, recorre ao vocábulo da negação.

 

Comício? Não, não e não. Mãe de todas as obras, Dilma tem o direito de fazer inspeção. Não pode se furtar à inauguração.

 

A caravana ao São Francisco? Um esforço pela transposição. E a presença de Ciro? Ora, ele foi ministro da Integração.

 

A candidata só desaparece na hora do apagão. Aí, surpresa (!), assombro (!!), estupefação (!!!), a explicação é delegada ao Lobão.

 

Incomodados com o vaivém, os jornais destilam indignação. Letras vazias. Servem, quando muito, para aumentar a exposição. Mas não levam à punição.

 

De resto, instados a assumir as próprias candidaturas, os candidatos dizem que ainda não são. Lançam mão de sofismas, de muita tergiversação.

 

Sob a camada de desconversa, é intensa a articulação. Os não-candidatos dizem coisas definitivas sem definir o que farão.

 

Dilma almeja reeditar a coalizão. Serra serve-se de Quércia para enfiar uma cunha no centrão. Nada de idéias, de planos. Ao eleitor, só a desatenção.

 

Depois de firmar um acordo pré-nupcial, PT e PMDB criaram uma comissão. Tentam eliminar, nos Estados, a divisão. O diabo é que ninguém abre mão do seu quinhão.

 

Governistas e oposicionistas fazem reunião atrás de reunião. O vazio almoça com o oco, que articula com o ermo, que janta com a indecisão. Um mar de empulhação.

 

O que se tem? Por ora, apenas uma disputa da promessa de continuação contra a volta a um passado que se apresenta como atualizada reedição.

 

Um lero-lero sem qualificação, em palco apinhado de prontuários que, sem voz de prisão, asseguram continuidade à corrupção.

 

Privado do essencial –plano e definição— o eleitor fica com a incômoda impressão de que não elegerá um novo presidente, mas a melhor encenação.

 

Como se fosse pouco, há na praça uma nova opção. O ‘PMDBdoB’ lançou candidato próprio à sucessão. Histrião por histrião, por que não o Requião?

Escrito por Josias de Souza às 21h23

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Sucessor perfeito é forjado a frio no porão do Planalto

Juan Herrero/Efe

 

Desde o ano passado, Lula despacha numa dependência do Banco do Brasil. Deixou o Planalto sob a alegação de que o prédio precisava de reformas.

 

A notícia não saiu na imprensa, mas a verdadeira causa da mudança é outra. Lula abandonou o prédio de Niemeyer para desviar a atenção.

 

Atrás dos tapumes da sede da Presidência desenvolve-se um projeto ultra-secreto. No antigo gabinete de Lula, improvisou-se um laboratório.

 

A coisa começara a ser arquitetada em janeiro de 2007. Ainda se ouviam ao fundo os estampidos dos fogos da reeleição de Lula.

 

O presidente mal triunfara nas urnas e já transbordava inquietação. Dali a quatro anos, seria forçado a voltar para São Bernardo.

 

O que fazer para assegurar a continuidade de sua gestão depois de 2010? Em segredo, Lula convocou a Brasília um grupo de químicos renomados.

 

Reuniu-se com eles de madrugada, no Alvorada. Intimou-os a criar um sucessor. Nas suas ruminações, Lula lembrava-se de Duda Mendonça.

 

Vinha-lhe à mente a essência da fórmula de seu criador. Obrigara-o a adoçar o discurso, renegar o passado, aparar a barba e vestir-se com apuro.

 

Lula disse aos químicos: “O nosso presidenciável, para ser ideal, precisa ser doce como o Aécio. Mas não tão melífluo”.

 

“É recomendável que tenha uma pitada do tecnicismo do Serra. Mas sem aquele ar de arrogância”.

 

Depois de alguma hesitação, os químicos aceitaram a encomenda de Lula. Foram à prancheta. Depois, requisitaram um laboratório.

 

Daí a necessidade de esvaziar o Planalto. Para não chamar a atenção, deu-se ao plano secreto do sucessor perfeito uma sigla manjada: PAC.

 

Significa “Projeto-Água-de-Colônia”. Uma alusão à loção pós-barba que os químicos utilizaram como primeiro reagente, na fase inicial das pesquisas.

 

Despejaram a loção num pote mal lavado de doce. Dissolveram na mistura uma poção de estatísticas e uma foto de jornal em que Aécio e Serra apareciam juntos.

 

Nos primeiros testes de laboratório, o sucessor ideal soou estranho. A voz era de mulher. Efeito dos restos de doce no pote.

 

Mas o discurso era duro, áspero, autoritário, masculino demais. A dose de água-de-colônia revelara-se excessiva. De resto, recitava números em profusão.

 

Os químicos haviam previsto o fim das pesquisas para meados de 2010. Mas Lula pediu pressa. Queria testar o protótipo em condições normais de uso.

 

A mistura foi refeita. Os mesmos ingredientes. Porém, em dosagens recalibradas. Com o experimento pelo meio, Lula decidiu exibir a sucessora ideal em público.

 

Sim, a essa altura já se havia concluído que o candidato ideal era uma mulher: Dilma Rousseff. Para efeitos eleitorais, apenas Dilma.

 

Lula levou-a à vitrine. Exibiu-a em pa©mícios. Viajou com ela para o estrangeiro. Tudo isso sem desativar o laboratório do Planalto.

 

No geral, a sucessora ideal revelou-se adequada. A rispidez inicial foi sendo gradativamente suavizada.

 

Aos poucos, a sucessora ideal foi substituindo Lula nas reuniões com os partidos. Já conseguia conversar com o PMDB sem fechar as narinas.

 

Em público, parecia dotada de dinamismo. Discorria sobre tudo. Trazia na ponta da língua soluções para qualquer tipo de problema.

 

Havia, porém, um último problema a resolver. Em eleições simuladas, chamadas de pesquisas de opinião, a sucessora ideal ainda perdia para Serra.

 

Na última terça-feira, os químicos foram a Lula. Pediram que lhes cedesse três fios de barba. Para quê?, o presidente quis saber.

 

Falta um quê de Lula na mistura, eles responderam. O presidente aquiesceu. E os químicos foram, à noite, para o laboratório secreto do Planalto.

 

No instante em que dissolviam os fios de barba, faltou energia elétrica. Em meio ao breu, um dos químicos esbarrou no pote de doce, que foi ao chão.

 

Os geradores do Planalto foram acionados. Os químicos recolheram a mistura com uma colherinha de café.

 

Na quarta-feira, por precaução, a sucessora ideal foi mantida longe dos holofotes. Os repórteres estranharam o sumiço.

 

Na quinta, a sucessora ideal reapareceu. Instada a comentar o apagão, disse coisas desconexas. O discurso, antes impecável, confundiu-se com o do Edison Lobão.

 

Súbito, a sucessora ideal pôs-se a repetir: Tempestade, ventos, raios. Caso encerrado. Racionamento é barbeiragem. Mas os blecautes podem se repetir.

 

Os químicos receiam que a mistura pode ter desandado. Por ora, não se sabe se a sucessora ideal foi mesmo obtida ou se tudo não passou uma ilusão genética.

Escrito por Josias de Souza às 16h43

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Só um presidente genuíno do PMDB salvaria o Brasil

Alan E. Cober

 

Se a sucessão presidencial de 2010 fosse convertida num campeonato de improbabilidades, o eleitor teria diante de si uma barbada.

 

Entre os eventos mais cotados para não acontecer, uma aposta segura seria a de que o PMDB não vai lançar um presidenciável próprio. Uma pena.

 

Abra-se um parêntese, para informar que surgiu na cena política brasileira um novo herói: Roberto Mangabeira Unger. O repórter decidiu cultuá-lo.

 

Muitos devem estar se perguntando: Quem diabos é Mangabeira? Era ministro de Lula até ontem, mas poucos notaram.

 

Trata-se daquele senhor que fala um português com sotaque americanizado. A mãe é brasileira. O pai, americano. Viveu a maior parte do tempo nos EUA.

 

Como intelectual, é um portento. Aos 22 anos, fez-se professor de Harvard. Ainda hoje é mestre da prestigiosa usina americana de canudos.

 

Fora da academia, Mangabeira frequenta a política brasileira como franco atirador. Dispara a esmo. Jamais acertou o alvo.

 

Foi guru de Leonel Brizola. Enxergava nele o presidente ideal. Deu em fiasco. Tentou uma parceria com Ciro Gomes. E nada.

 

No primeiro reinado de Lula, tornou-se um crítico acerbo. Pespegou no ex-operário a pecha de presidente mais corrupto da história republicana.

 

No segundo reinado, virou ministro do “corrupto”. Deixou pronto um plano de reestruturação das Forças Armadas. E voltou para o refúgio de Harvard.

 

Há coisa de um mês e meio, Mangabeira embrenhou-se numa nova empreitada política. Filiou-se ao PMDB. E corre o país defendendo a candidatura própria.

 

Às turras com o petismo, o governador pemedebê do Paraná, Roberto Requião, comprou a idéia. Convoca o “velho MDB” para a guerra. Fecha parênteses.

 

Retorne-se ao início do texto: o repórter decidiu cultuar Mangabeira Unger. Por quê? Concluiu que só um presidente do PMDB arrumaria a casa.

 

Calma. Antes de apanhar as pedras, reflita sobre o plano de Mangabeira. Não é uma idéia oportunista. Ao contrário. Tem lógica.

 

De um presidente do PMDB jamais se dirá que fez qualquer tipo de acordo com o PMDB. O apoio que o PMDB der a um soberano do PMDB será compreensível.

 

O PMDB é o único partido brasileiro que não pode ser acusado de manter relações suspeitas com José Sarney e Renan Calheiros. Suas ligações já são notórias.

 

O brasileiro não precisará mais pressionar o PMDB com receio de que o partido o decepcione. Já está decepcionado.

 

Há mais e melhor. Como já domina todas as coligações de que participa, o PMDB poderia impor os seus projetos sem precisar terceirizar a presidência.

 

O PT, como se sabe, chegou ao Planalto e está cumprindo fielmente a agenda do PMDB. Encantado com Lula, o PMDB talvez decidisse inovar.

 

A julgar pela ilógica que domina a política brasileira, não seria de espantar que, sob um presidente pemedebê, o governo executasse o programa do PT.

 

Assim, por um governo socialista, pelo fim do coronelismo e do fisiologismo na política, viva Roberto Mangabeira Unger!

 

Nem Serra nem Dilma. Só um presidente do PMDB poderia salvar o Brasil do PMDB. Ele não virá. É uma pena.

Escrito por Josias de Souza às 19h34

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O troca-troca no boteco observado desde o balcão

O botequim vai mudar de dono. O negócio será fechado em outubro de 2010. A nova administração assume em janeiro de 2011.

 

O velho proprietário prefere passar o ponto para sua chefe de cozinha. Negociou com ela a manutenção da estrela na fachada.

 

Como gosta da cozinheira, o dono do boteco tenta familiarizá-la com a clientela. Transferiu-a do fogão para o balcão. Deu-lhe carta branca.

 

Ela mandou pendurar um aviso na parede: “Não fazemos barganha”. Levou um sorriso à antiga carranca. Agora, é sociável a mais não poder.

 

Espero que você continue prestigiando o estabelecimento depois que eu assumir.

 

Depende. Vai oferecer o quê?

 

Vamos manter o cardápio.

 

O cardápio não é ruim, mas pode melhorar.

 

Aceitamos sugestões.

 

Eu frequento essas mesas desde o tempo em que um tucano piscava no letreiro.

 

Bem sei. Mas você há de concordar comigo: depois da estrela, a coisa melhorou.

 

Ruim não está, mas sempre pode ficar melhor.

 

Pois me diga: o que podemos fazer para continuar agradando à clientela?

 

Ouço reclamações nas mesas.

 

Mas, mas...

 

Você não é a única pretendente ao negócio.

 

Como assim?

 

Você sabe, a turma do tempo do tucano quer voltar. Eles estão no pé da gente.

 

Sim, sim, tô sabendo. Mas vocês não estão satisfeitos?

 

Insatisfeita a clientela não está. Mas pode melhorar.

 

Desembucha homem, diga logo. O que pode ficar melhor?

 

Veja bem, o cardápio, de fato, tem de tudo.

 

Pois então...

 

Mas o pessoal já não se contenta com tudo. Quer mais um pouco.

 

Você poderia ser mais específico?

 

Para começar, ajudaria muito se você mandasse arrancar da parede aquele aviso.

 

O velho dono do negócio, que fiscaliza os diálogos à curta distância, puxou um garçom pelo braço. Cochichou-lhe algo.

 

Pouco depois, achegando-se ao cartaz na parede –“Não fazemos barganhas”— o garçom colou uma propaganda de pinga em cima da palavra “não”.

 

A cozinheira fez que não viu. Aprendeu sua primeira lição. O sucesso do negócio não depende da qualidade do cardápio, mas do tamanho do balcão.

Escrito por Josias de Souza às 03h57

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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