Josias de Souza

Bastidores do poder

 

Colunas

Uma pesquisa para saber o que o ex-PT pensa do PT.

Ique
Na oposição, PT especializara-se em tirar gênios da garrafa. No governo, o ex-PT Eesforça-se para fazê-los descer gargalo abaixo.

 

Lula, o petista de mostruário, revelou-se um tucano que ainda não tinha chegado ao poder. Radical, exacerbou a idéia de mudar radicalmente o radicalismo do passado.

 

O velho o PT era o cachorro correndo atrás do carro. Súbito, o automóvel parou. E o ex-PT, em vez de morder os pneus, abana o rabo para tudo o que combatia.

 

Na ante-sala de uma nova eleição, o petismo precisa despertar sua militância. É hora de o partido pôr os pingos nos seus próprios “is”.

 

Na semana passada, depois de mostrar o cartão vermelho para Sarney, Eduardo Suplicy arrostou a falta de educação de Ricardo Berzoini.

 

Em solenidade pública, o senador estendeu a mão para o deputado, presidente do PT. Ficou com a mão pendurada no ar.

 

Depois, Suplicy disse: se fizerem uma pesquisa, vão verificar que o sentimento dos filiados do partido se aproxima do meu.

 

Solidário com Suplicy, o repórter decidiu formular um questionário para a pesquisa que Berzoini não tem a intenção de fazer.

 

Para não embatucar a cabeça da militância, hoje mais preocupada em criar os filhos e encher a geladeira, sugere-se um rol de perguntas de múltipla escolha.

 

Nove questões. Mais ou menos assim:

 

1. O discurso do neo-PT deve:
a) Atacar o que sempre defendeu
b) Defender o que sempre atacou
c) Invocar a governabilidade

 

2. O PMDB é o melhor parceiro de jornada porque:
a) Não há líder mais eficiente do que o Jucá

b) Ruim com o Sarney, pior sem ele
c) Se não cedemos, essa gente fecha com o Serra


3. Aos companheiros que pensam como o Suplicy resta:
a) Pensar dez vezes antes de calar
b) Lembrar que em boca que engole sapo não entra mosquito
c) Tomar suco de maracujá servido pelo ‘demo’ Heráclito

 

4. Aos saudosistas da esquerda recomenda-se que:
a) Vençam na na vida, para virar direita
b) Leiam o Lanterna na Popa, do Roberto Campos
c) Releiam o Roberto Campos

 

5. Sob Dilma, o futuro reserva ao Brasil:
a) Uma Pasárgada com o Sarney de amigo da rainha
b) Uma Pasárgada com Renan na cama escolhida
c) Todas as alternativas anteriores

 

6. A plataforma econômica de 2010 deve:
a) Ficar à direita do Henrique Meirelles
b) Continuar à direita do Meirelles
c) Por que não manter o próprio Meirelles?

 

7. Dilma é a melhor sucessora para Lula da Silva porque:
a) É mais Lula do que o próprio Silva
b) Pensa como Lula e age como Silva

c) Substituirá o Lula guiada pelo Silva

 

8. A Dilma deve se compor com o capital porque:
a) Se bom sentimento é utopia, melhor casar por dinheiro
b) O melhor regime é a comunhão de males
c) Dinheiro não traz felicidade, mas financia a eleição

 

9. O melhor epitáfio para o túmulo do ex-PT é:
a) Fui cobrar de Marx a minha vida eterna;
b) Deixo a ideologia para cair na vida;
c) Não contem mais comigo.

 

- PS.: Ilustração via JB Online.

Escrito por Josias de Souza às 19h05

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Lula tornou-se um presidente terceirizado do PMDB

 Nani

 

O PMDB, como se sabe, é um partido 100% feito de déficit público. Está no poder para fazer negócios.

 

Exerce o comando à sua maneira, delegando tarefas. Introduizu na política uma prática comum às empresas: a terceirização.

 

Hoje, confia os afazeres da Presidência da República a Lula. Reserva para si apenas a tarefa de cobrar resultados.

 

Assim, o PMDB dispõe de mais tempo para mandar e desmandar no país. A estratégia já havia funcionado bem com FHC. 


Sob Lula, o PMDB alcançou a perfeição. O Planalto de fachada vagamente socialista resultou em ótimos negócios. 

 

De olho no mercado futuro de 2010, o PMDB diversifica seus investimentos. O partido já não se contenta com tudo. Quer mais um pouco.

 

Avessa ao risco, a legenda evita colocar todos os ovos num mesmo cesto. Aplicou um Quércia na apólice Serra e um Temer em Dilma.

 

Qualquer que seja o resultado do empreendimento eleitoral, a pantomima estará assegurada.

 

Ao expor os seus produtos na vitrine do horário eleitoral, PSDB e PT atacarão o tipo de política que o PMDB personifica.

 

De certo modo, será o PMDB esculhambando, por meio de seus terceirizados, o PMDB. Será o PMDB prometendo corrigir os erros que o PMDB cometeu.

 

E o país elegerá uma nova encenação. Um executivo do PMDB, que manterá tudo exatamente como está, com ares de quem muda absolutamente tudo.

Rendido à lógica negocial do PMDB, o PT protagoniza o caso mais dramático de flexibilização das fronteiras ideológicas.

 

À medida que Lula foi atualizando o guarda-roupa -do macacão até o Armani-, deslizou, quase sem sentir, para o outro lado.

 

Súbito, acordou de mãos dadas com Sarney e Renan. No princípio, houve certo pejo. Agora, Lula parece confortável no papel de terceirizado.

 

É como se o velho sindicalista tivesse se convencido de que quem ele era no passado não estava preparado para o sucesso.

 

Não tendo escrito nada, Lula esqueceu do que falava. Virou mais tucano que o próprio FHC. Mimetiza a edulcorada retórica do arranjo, do possível.


Lula abandonou as convicções que lhe emprestavam aquele ar de sapo-cururu. Acha que não deve nada ao seu passado, muito menos explicações.


Como administrador do balcão do PMDB, Lula barganhou a própria alma. Vendeu-a, sob a submissão do PT, aos ex-ladrões.

 

Lula esforça-se agora para aniquilar o que parecia restar de sua maior virtude: a presunção da superioridade moral.


Aproveitando-se do pano de fundo da decomposição do Senado, Lula integrou-se por inteiro à baixeza comum a todos os políticos.

 

Lula empenha-se para provar que é capaz de ceder a todas as abjeções políticas, inclusive a rendição às alianças esdrúxulas.


Além de aniquilar o PT, Lula vitimou a semântica. Deu à capitulação o nome de “governabilidade”.

 

A afronta ao léxico é a prova insofismável de que, em política, o cinismo também pode ser uma forma de resignação.

 

Lula tornou-se uma evidência viva de que, com o passar do tempo, qualquer um pode atingir a perfeição da impudência.

 

No mensalão, Lula e o PT haviam perdido a virgindade. No “Fica Sarney”, a ex-virtude prostituiu, no bordel do arcaísmo, o restinho de castidade.

 

O presidente sem-história oferece aos com-nódoas a oportunidade de limpar os prontuários. O passaporte para a remissão é a aliança com Dilma.

 

Incorporando-se à caravana, o PMDB, um partido a favor de tudo e visceralmente contra qualquer coisa, preservará os seus negócios.

 

Sobre a lápide do ex-PT, o velho PMDB manterá o acesso às verbas e aos cargos. A presidência, evidentemente, será mantida como parte da cota do Sarney.

 

- PS.: Ilustração via blog do Nani.

Escrito por Josias de Souza às 20h05

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Teatro do Senado mostra do que é feito um senador

  Lula Marques/Folha
A pesquisa Datafolha veiculada no último final de semana gritara para o Senado: Há uma fome de limpeza no ar.

 

Nada menos que 74% dos brasileiros defendem o afastamento de José Sarney –por renúncia (38%) ou licença (36%).

 

Descobriu-se que, na opinião de 66% dos patrícios, Sarney está envolvido nos malfeitos que o noticiário acomoda sob seu bigode.

 

Nesta quarta (19), nas pegadas do ronco do asfalto, o Conselho de (a)Ética reúne-se para decidir o que fazer com Sarney.

 

Não é uma decisão banal. Os senadores dirão ao país de que matéria-prima eles são feitos. O palco foi armado para o arquivamento.

 

Respirava-se na noite passada uma atmosfera de jogo jogado.

 

Ensaiava-se a manutenção na gaveta de 12 ações –11 contra Sarney e uma contra Arthur Virgílio.  

 

Na época das Diretas-Já, o brasileiro bradava por liberdade.

 

Refeita a democracia, imaginou-se que o voto resolveria tudo. Não resolveu.

 

A reincidência dos escândalos, um se sucedendo ao outro, expôs a cara de um monstro medonho: a impunidade.

 

Mais recentemente, o país animara-se com o STF.

 

Ao arrastar 40 mensaleiros para o banco dos réus, o Supremo parecia informar aos políticos que tentaria fazer da cleptocracia brasileira uma democracia real.

 

Sobreveio novo desalento. O processo se arrasta. Estima-se que não será julgado antes de 2011. Flerta-se com a prescrição.

 

Agora, Sarney. Não é um transgressor original. Apenas mimetiza, com variações, depravações já cometidas.

 

Assemelha-se a Renan ‘Bois Voadores’ Calheiros e a Jader ‘Sudam’ Barbalho. Evoca a imagem de Antônio Carlos ‘Fraude no Painel’ Magalhães.

 

Há uma diferença, contudo. Jader, ACM e Renan optaram por poupar os colegas do enfrentamento da tragédia. Renunciaram à presidência e/ou aos mandatos.

 

Com Sarney é diferente. Ele prefere levar o delírio às suas últimas conseqüências. A renúncia, no seu caso, é carta fora do baralho.

 

Deve-se louvar a teimosia de Sarney. Graças a ela, o país está na bica atestar uma suspeita latente.

 

Confirmando-se a pantomima do arquivamento coletivo, os senadores informarão à nação que eles são feitos de insensatez.

 

O Senado, ficará demonstrado, é feito de uma maçaroca em que se misturam a conivência e o compadrio. Não há culpados no prédio. Só inocentes e cúmplices.

 

No fundo do poço, o Senado decidiu continuar cavando. Lula, salva-vidas de Sarney, festeja a opção pela cova.

 

Enquanto fornece enxadas à bancada do PT, Lula ilude a malta com discursos pseudomoralizadores.

 

Discursos como o que pronunciou nesta terça (18), num pa©mício realizado no Rio. Disse que seu governo está mudando a forma de “fazer política” (assista lá no rodapé).

 

Lula perguntou à platéia: “Vocês sabem por que tem tanta coisa de corrupção na televisão e nos jornais?”

 

Respondeu: “É porque a corrupção só aparece nos jornais quando você está investigando”.

 

Louve-se a esperteza de Lula. Graças a ela, o país dá de cara com a política real de um Brasil gelatinoso.

 

Um país feito de inércia, de bigodes viscosos, da grandeza da vista curta, da sofreguidão dos interesses mesquinhos.

 

Com a ajuda de Lula, o Senado ganha a forma de um estômago gigantesco. É feito de tripas que engolem e digerem a paciência da platéia, saboreando o eterno poder sem propósito.

 

Até bem pouco, o Senado era o império do privado disfarçado de interesse público. Agora, sonega-se à bugrada até a delicadeza da dissimulação.

 

Os senadores já não se preocupam em maneirar.

Escrito por Josias de Souza às 05h52

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Aética do Senado encontra esconderijo insuspeitado

Benett

 

Afastada a possibilidade de o Senado se auto-investigar, resta à platéia confiar no Ministério Público e na Polícia Federal.

 

A Procuradoria e a PF abriram uma dezena de frentes de investigação. Esquadrinham os malfeitos. Procuram o criminoso –ou criminosos.

 

Tomado pela quantidade de liames, o caso parece intrincado. Visto pelo ângulo da lógica, é simples. Suponha uma reunião dos investigadores:

 

- Pessoal, ou recorremos à lógica ou não chegaremos a lugar nenhum. Pra começar, o clássico: policial tem de se colocar no lugar do bandido.

 

- Como assim, senhor?

 

- Ponham-se no lugar do criminoso. Pela lógica, podemos supor que é senador. Deve ser senador. Senadores talvez, no plural.

 

Um dos presentes salta da cadeira. Leva as mãos aos bolsos, protegendo-os.

 

- O que é isso, agente Silva?

 

- Desculpe, delegado, é que o agente Cavalcante me olhou de forma estranha. Esse bigode... Sei não... Vai que leva a sério essa coisa de incorporar um senador!

 

O delegado Sanches, impaciente, soca a mesa:

 

- Por favor, senhores, concentração. Retomando: tentem pensar como os criminosos. Os holofotes no encalço deles. Alvoroços diários. Um esconde-esconde sem fim. Onde buscar refúgio?

 

- Senhor...

 

- Diga, agente Palhares.

 

- O Agaciel fez aquela sala secreta no Senado. Ali, talvez...

 

- Esqueçam o Agaciel. Lógica, pessoal. Usem a lógica. Senador. Ou senadores.

 

- Já sei, delegado Sanches! Os criminosos podem estar escondidos debaixo daquela montanha de atos secretos.

 

- Ora, francamente, agente Silva. Um esconderijo de papel?

 

- Metaforicamente, senhor.

 

- Sem metáforas, por favor. Lógica. Quero a lógica.

 

Súbito, o agente Cavalcante, põe-se a enrolar as pontas do bigode. Os companheiros conheciam o agente Cavalcante. Quando levava as mãos à pelagem cultivada sobre o lábio superior, era batata.

 

- Senhor...

 

- Diga, agente Cavalcante.

 

A reunião dura mais cinco minutos. Tempo suficiente para que o agente Cavalcante despeje sua tese sobre a mesa.

 

Segue-se grande azáfama. Corre-corre. Lufa-lufa. Os policiais descem à garagem. Enfiam-se nas viaturas. Partem cantando os pneus.

 

Decorridos mais 20 minutos, cinco viaturas da PF estacionam defronte do Centro Cultural do Banco do Brasil, sede provisória do governo.

 

Invadem o prédio. Irrompem na sala de Lula. O presidente estava reunido com Sarney e Renan.

 

Lula festejava a rendição dos senadores do PT no Conselho de (a)Ética. Renan mencionava a hipótese de beliscar votos nas fileiras tucanas e ‘demos’. Sarney ria.

 

O agente Cavalcante rejubila-se:

 

- Eu não disse!

 

E o delegado Sanches:

 

- É a lógica!

 

Procuradores e policiais, hoje concentrados no Senado, deveriam voltar os olhos para os arredores de Lula.

 

O presidente, o país já o conhece, nunca sabe de nada. É incapaz de enxergar um suspeito atrás de um aliado. Que refúgio seria mais seguro do que a sala de Lula?

 

- PS.: Ilustração via "Charges do Benett".

Escrito por Josias de Souza às 19h12

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O ‘Fica Sarney’ transformou-se em imperativo cívico

Joedson Alves/Folha

 

Todos os brasileiros de bem, em dia com o pagamento de seus tributos, tem o dever de defender, entusiasticamente, a permanência de Sarney no comando do Senado.

 

A oposição exige que Sarney se abstenha de presidir o Senado até o término das “investigações”. Apurações, assim, conspurcadas pelas aspas.

 

Meio acabrunhado, um pedaço do consórcio governista também defende o pedido de licença do morubixaba do PMDB. Nada feito.

 

Sarney mergulhou o Senado num surto antropofágico. Os senadores estão se comendo uns aos outros. Alvíssaras!

 

Em transe psicótico, o Senado vive uma rotina suicida. Decidiu se autodesmoralizar. Assiste-se a uma espécie de harakiri do patrominialismo secular.

 

Nas crises anteriores, os dramas do Senado foram interrompidos pelo meio. Jader renunciou. ACM caiu fora. Renan bateu em retirada.

 

Sarney é a chance de acabar com a síndrome do quase. A crise ganhou contorno revolucionário. Chegou-se à plenitude do erro. Só a depravação irrestrita salva o Senado.

 

É um dos piores senados da história republicana. Natural que queira atear fogo às vestes. E o suicídio, convenhamos, é coisa íntima.

 

Ninguém tem o direito de se meter na vida –ou na morte— de um suicida. Tome-se o caso de Sarney.

 

Virou uma versão tupiniquim de dom Sebastião, aquele personagem da mitologia portuguesa que se lançou em meio às tropas mouras e sumiu, massacrado.

 

Os defensores da saída de Sarney dizem que ele está rendido aos métodos cangaceiros de Renan, o bárbaro. Volte-se no tempo. Estacione-se em 2007.

 

O Senado teve a chance de devolver Renan a Alagoas. Absolveu-o. Muitos dos que hoje o satanizam ontem ajudaram a salvar Renan.

 

Estão lá, impressas sob a diáfana camada de sigilo do painel eletrônico, as digitais de Lula; dos Silvérios do PSDB, dos quintas-colunas do DEM; das abstenções do PT.

 

Ficou combinado que, para o governo e a maioria dos senadores, nada acontecera. Acertou-se mais:

 

Não valia a pena aviltar o compadrio que permeia as relações políticas em nome de algo tão relativo e politicamente supérfluo como a verdade.

 

Depois, a oposição voltou a se relacionar com Renan. Pior: a tribo ‘demo’, embora soubesse que Sarney é Sarney, viabilizou a vitória dele.

 

No Brasil, o público sempre se confundiu com o privado. Mas, sob Sarney, o Senado expôs as próprias vísceras.

 

Descobriu-se que os sábios da pátria deixaram de atentar para a velha discrição que disfarçava em interesse público os mais escusos benefícios pessoais.

 

Os senadores esqueceram de maneirar, eis o que restou demonstrado. Não há mais espaço para meio-termo. A platéia merece saber até onde o melado vai escorrer.

 

Assim, não resta senão bradar, a plenos pulmões: fica, Sarney; resista, Sarney; não esmoreça, Sarney. Agarre-se a Renan, Sarney. Exija fidelidade de Lula, Sarney.

Escrito por Josias de Souza às 21h04

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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