Josias de Souza

Bastidores do poder

 

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Políticos se empenham para desmoralizar a política

Políticos se empenham para desmoralizar a política

Sérgio Lima/Folha
 

 

O francês Pierre Beaumarchais (1732-1799) foi um ser humano notável. Viveu como poucos os dramas de seu século, o 18. Gravou suas pegadas em muitas áreas –foi da música às letras, com estágios no mundo dos negócios e da política.

 

Escreveu duas peças notáveis: “O Barbeiro de Sevilha” e “As Bodas de Fígaro”. Nesta última, esboçou uma definição precisa de política. Tão certeira que sobrevive aos tempos. Beaumarchais acomodou na voz do personagem Fígaro a fala que nos interessa realçar. Refere-se assim à arte da política:

 

“[...] Fingir ignorar o que se sabe e saber o que se ignora; entender o que não se compreende e não escutar o que se ouve; sobretudo, poder acima de suas forças; ter freqüentemente como grande segredo o esconder que não se têm segredos; fechar-se num quarto para talhar penas, e parecer profundo quando se é apenas, como se diz, oco e vazio; [...] procurar enobrecer a pobreza dos meios pela importância dos objetivos: eis toda a política, ou então morra eu!”

 

Até parece que Fígaro referia-se à Brasília dos dias atuais. Ali, mesmo os desentendidos em política conseguem alcançar as politicagens. Ali, o excesso de cabeças é confrontado com a escassez de miolos. Ali, enfim, armam-se os melhores estratagemas para alcançar os piores subterfúgios.

 

No ermo brasiliense, os políticos esforçam-se para desmoralizar a política. Todas as questões de Estado são submetidas à lógica da política rasa. Tudo se resume a tentativas dos partidos e de seus filiados de ganhar vantagens uns sobre os outros. A ninguém interessa debater, por exemplo, a política energética do país. Deseja-se saber, apenas, a quem o neófito Edison Lobão (PMDB-MA) entregará mais cargos e verbas do setor elétrico. PMDB ou PT? Dilma ou Sarney?

 

A ninguém –ou a bem poucos—interessa examinar a essência dos temas. Tudo vira embate eleitoral. Tudo se converte em Fla-Flu. Ou, por outra, tudo acaba em Lula-FHC. Há desvios no uso dos cartões? Pois que se abra a gincana dos sujos contra os mal lavados. Fulano roubou mais, grita um lado. Quem malversou mais foi beltrano, vocifera o outro. Lance-se toda a roupa suja no palco de uma CPI. Não, não. Para que nada se apure, para que tudo acabe em confusão, melhor duas CPIs.

 

Na semana passada, o Banco Central anunciou ao país um feito inédito: a dívida externa deixou de ser um problema para o Brasil. O Tesouro dispõe, hoje, de US$ 187,5 bilhões em ativos financeiros. Poderia pagar toda a dívida com os credores internacionais e ainda lhe sobrariam US$ 4 bilhões. Deve-se o êxito à política, no sentido mais nobre do termo.

 

A boa nova que o BC pendurou nas manchetes traz as digitais de pelo menos três presidentes da República. Foi construída ao longo de 15 anos e cinco meses –dois anos e três meses de Itamar Franco, oito anos de Fernando Henrique Cardoso e cinco anos e dois meses de Lula.

 

Em 2003, quando assumiu a presidência, Lula fez a opção de sua vida. Poderia ter abraçado as teses históricas do PT. Neste caso, a ortodoxia do BC teria sido mandada às favas e os credores externos arrostariam uma moratória. Preferiu associar-se ao figurino liberal do tucano Henrique Meirelles e à moderação do petista Antonio Palocci. Lula manteve e aprofundou o figurino de responsabilidade inaugurado com o Real.

 

O próximo presidente da República, seja ele quem for, será marcado, na seara fazendária, pelo signo da continuidade. A estabilidade econômica tornou-se um valor caro à sociedade brasileira. Um mínimo de bom senso recomendaria aos políticos uma funda reflexão sobre o tema. Do debate nasceria uma pergunta óbvia: por que o êxito econômico não se reproduz em outros setores –a saúde e a educação, por exemplo? Eis a resposta: faltam empenho e, sobretudo, continuidade.

 

Há uma década e meia a economia vem sendo mantida a salvo da sanha da baixa política. O ministério da Fazenda tornou-se o império da lógica –exercida ora com mais, ora com menos talento. O mesmo não se dá nas outras esferas, subordinadas a interesses de políticos que “fingem ignorar o que se sabe e saber o que se ignora.”

 

São políticos que, no dizer pouco refinado do debate que os senadores Gilvan Borges (PMDB-AC) e Mário Couto (PSDB-PA) travaram há quatro dias, consideram-se uns aos outros “vagabundos” e “safados.” Até quando?

Escrito por Josias de Souza às 19h29

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George Bush começou em vexame e acaba em ruína

George Bush começou em vexame e acaba em ruína

Num instante em que George Bush começa a arrumar as gavetas e a farejar o caminho de volta para casa, é hora de fazer o balanço. Na semana passada, o próprio Bush fez o seu, em entrevista à BBC. Acossado por um presente marcado pela ruína, o presidente dos EUA tentou empurrar o próprio julgamento para a posteridade.

 

Bush disse que “a história vai julgar as decisões” que tomou. Bobagem. Desnecessário esperar tanto. Pode-se avaliá-lo imediatamente. Uma palavra resume-lhe os sete anos de gestão: desastre. Bush começou em vexame, colecionou ultrajes e termina em fracasso.

 

Volte-se ao começo da encrenca. Tendo perdido nas urnas por uma diferença de mais de 500 mil votos, Bush subiu a escadaria da Casa Branca empurrado por uma decisão da Suprema Corte americana. Decisão que parte da sociedade americana não deglutiu até hoje. Imaginava-se que o constrangimento produzisse comedimento. Deu-se o oposto.

 

Nas pegadas da posse, Bush apressou-se em favorecer os interesses que o elegeram. Saiu melhor do que a encomenda. As indústrias petrolífera, química e bélica não esperavam que o retorno do dinheiro investido na eleição começaria a retornar tão rapidamente às suas arcas.

 

De saída, relaxaram-se medidas de proteção ambiental e revisaram-se leis que impunham sanções a conglomerados químicos enrolados em casos de dano à saúde pública. Na seqüência, a indústria do petróleo, da qual vieram Bush e o vice Cheney, foi brindada com o desprezo de Washington à ecologia.

 

Bush tratou logo de informar que não aporia seu jamegão no tratado de Kyoto. Deixou claro que a diminuição da poluição, a proteção da vida no planeta e o apreço ao bom senso não estavam acima do interesse econômico dos EUA e do culto ao lucro sem compromissos.

 

Reconheça-se, porque é de justiça, que nenhum outro presidente americano reagiria a Bin Laden de forma diferente de Bush. Qualquer outro, inclusive o derrotado Al Gore, responderia ao horror com horror. Mas deve-se ao obscurantismo da era em curso a multiplicação do terror. Sob Bush, ruíram, além do World Trade Center, as vigas de uma tradição do sistema judicial dos EUA: o respeito aos direitos individuais.

 

A história está repleta de registros de abusos cometidos pelos EUA nessa matéria. Mas Bush levou o inadmissível longe demais. Incorreu num erro que não é dado aos verdadeiros presidentes cometer: cedeu à histeria coletiva. Pior, aproveitou-se dela. Valendo-se do compreensível pânico da sociedade americana, Bush transformou providências excepcionais de autodefesa em coisas permanentes.

 

Deve-se à gestão Bush o estímulo do Estado à delação, o policiamento de opiniões, o reforço ao preconceito racial, a detenção de suspeitos sem julgamento e a institucionalização da tortura como método de interrogatório. À BBC, um Bush a caminho do ostracismo declarou que, antes de retornar ao Texas, vai vetar o projeto aprovado pelo Congresso americano que torna ilegal uma técnica usada à larga nas inquirições de Guantánamo.

 

Chama-se “waterboarding”. Consiste no seguinte: amarra-se o prisioneiro a uma tábua inclinada e despeja-se água sobre a cabeça dele. A sensação é a de um afogamento. Para Bush, normal. Acha que é preciso “garantir que os profissionais [incumbidos de realizar os interrogatórios] tenham as ferramentas necessárias para proteger” o país.

 

O retrato de messianismo, embuste e despreparo ganhou a moldura da decadência econômica. Dias atrás, discursando para o Congresso dos EUA pela última vez, Bush referira-se assim à crise que nasceu no castelo de cartas do financiamento imobiliário americano e ganhou ares de ameaça planetária: "No longo prazo, os americanos podem confiar no crescimento econômico. No curto prazo, todos podemos ver que o crescimento está diminuindo".

 

Quanto ao curto prazo, é impossível desmentir a platitude pronunciada por Bush. Todos podemos ver que foi mesmo às calendas o vigor da economia americana. O mesmo não se pode dizer do longo prazo. Nem os EUA nem o resto do mundo sabem em quem ou no que acreditar. Sabe-se apenas que o poço é fundo.

 

De resto, não é preciso esperar pela posteridade para declarar o seguinte: o nome do problema é George Bush. Seu governo, que começara em vexame, termina em ruína. Vai aos livros como uma das piores administrações que a Casa Branca já conheceu.

Escrito por Josias de Souza às 20h10

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O governo, os cartões e o 'bom ladrão' de Vieira

O governo, os cartões e o 'bom ladrão' de Vieira

 

Deu-se há 11 dias. O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) concedia uma entrevista coletiva. A alturas tantas, lhe perguntaram o que achava da idéia de instalar uma CPI no Congresso para investigar os cartões do governo.

 

"Com toda a sinceridade, acho que não é o caso. Vai fazer o quê? Convocar um ministro de Estado para explicar o gasto de R$ 8,30 com uma tapioca? Vai virar a CPI da Tapioca?"

 

Em tempos de Carnaval, poder-se-ia levar o comentário do ministro na base da galhofa. Mas não seria educado fazê-lo. Não em respeito a Paulo Bernardo, mas em consideração ao contribuinte, o financiador da tapioca.

 

Assim, pode-se deduzir que o ministro deve ter desejado dizer algo assim: ainda que seja verdadeira, a acusação é uma honra para o governo do companheiro Lula, que, ao praticar desvios, é comedido. Ou, por outra: Sob Lula, se há roubo, rouba-se pouco.

 

A pilhéria de Paulo Bernardo ganha ossatura antropológica quando vista sob a ótica de um clássico: o "Sermão do Bom Ladrão", do padre Antônio Vieira. Deus pôs Adão no paraíso, anotou Vieira, com poder sobre todos os viventes, como senhor absoluto de todas as coisas criadas. Exceção feita a uma árvore. Eis que, com a cumplicidade da mulher, Adão provou do único fruto que não lhe pertencia.


"E quem foi que pagou o furto?", pergunta Vieira. Ninguém menos que Deus, materializado na pele de Jesus. Condenado à cruz, pregado entre ladrões, ofereceu um exemplo aos príncipes. Um sinal de que são, também eles, responsáveis pelo roubo praticado por seus seguidores.


Ao sobrepor a imagem da "tapioca" de um reles ministro à farra global dos cartões, Paulo Bernardo como que contrapôs a periférica pasta dos Esportes ao poderoso Palácio do Planalto, onde os gastos, além de mais portentosos, são secretos. Sem querer, o titular do Planejamento evocou outro trecho do "Sermão do Bom Ladrão".

Conta o padre Antônio Vieira que, navegando em poderosa armada, estava Alexandre Magno a conquistar a Índia quando trouxeram à sua presença um pirata dado a roubar os pescadores. Alexandre repreendeu-o. Atrevido, o pirata replicou: "Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?".

Citando Lucius Annaeus Seneca, um austero filósofo e dramaturgo de origem espanhola, Vieira lapidou o seu raciocínio: se o rei da Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, todos -rei, ladrão e pirata- merecem o mesmo nome.

Assim, a malversação de uma “tapioca” ou o desvio de grandes somas são irrupções de um mesmo fenômeno. O tamanho do desvio importa pouco. De troco em troco também se chega ao milhão. E quem se lambuza na tapioca mais facilmente o fará no grande pote de mel em que se transformaram os cartões corporativos, tão úteis e indispensáveis quanto perigosos.

 

Curiosamente, nas pegadas da entrevista de Paulo Bernardo, o ministro Orlando Silva (Esportes) restituiu à bolsa da viúva R$ 30.870,38. Referem-se à tapioca e a otras cositas más. A ministra Matilde “R$ 171 mil” Ribeiro (Integração Racial) foi levada pelo governo ao microondas. E, não resistindo ao calor, pediu para sair. E o caso dos cartões continua pendurado nas manchetes.

 

A “tapioca” revelou-se mais indigesta do que Paulo Bernardo poderia supor. Tornou-se símbolo de um Éden conspurcado. Em meio ao paraíso dos cartões, os agentes do governo deixam-se seduzir, com inaudita facilidade, pelo fruto proibido. Ou pela "tapioca" alheia.

Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Quando a Igreja pode representar 'riscos' à saúde

Quando a Igreja pode representar 'riscos' à saúde

 

Uma das características da Igreja Católica, como se sabe, é a aversão a mudanças. Isso vem desde sempre. Atravessa a história. No começo do século 16, a Igreja preferiu emagrecer, expelindo fiéis, a atualizar-se. Igrejas cristãs dissidentes submeteram-na a uma lipoaspiração de fiéis.

 

No Brasil, país novidadeiro, o bloqueio da Igreja a tudo que cheire a modernidade está ruindo. O catolicismo experimenta, à revelia de Roma, uma profunda reforma. Ocorre não no templo, mas na alma de seus freqüentadores. Isso ficou bem demonstrado em pesquisa realizada pelo Datafolha há dez anos, em 1997.

 

A serviço do instituto, os pesquisadores foram às portas de igrejas do Rio e de São Paulo. Ouviram os católicos. Só os “praticantes”, como se diz. Confirmou-se o que, intuitivamente, todos já pressentiam: os católicos brasileiros praticam a religião à sua maneira.


O católico seleciona os dogmas que deseja seguir. Fecha os olhos para pontos cruciais da doutrina da Igreja. Há “fiéis” que chegam mesmo a pôr em dúvida a existência do inferno (48% dos entrevistados) e até a virgindade de Maria (6%).

 

Há outros que, contra a pregação do clero, admitem do uso de camisinha (90%). Aceitam com naturalidade o casamento informal –constituído longe do altar (64%). Acham, aliás, que a mulher não precisa casar virgem (55%). No ano passado, o Datafolha voltou às ruas, dessa vez para realizar um levantamento de âmbito nacional. O descasamento entre as posições da Igreja e da sociedade ficou ainda mais evidente.


Foi em meio a esse cenário de reforma invisível que o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, resolveu insurgir-se contra a decisão de prefeituras pernambucanas de distribuir, no Carnaval, a pílula do dia seguinte. Tachou de abortivo um medicamento que os médicos chamam de contraceptivo.

 

O ministro José Gomes Temporão (Saúde) ainda tentou injetar racionalidade na cena: "As prefeituras estão corretas e a Igreja está equivocada, mais uma vez. A pílula do dia seguinte é usada apenas sob prescrição médica. Aí é uma questão de saúde pública e não religiosa." Não é à toa, provocou o ministro, que os jovens estão se afastando das paróquias.

 

O arcebispo não se deu por achado: "Eles estão corrompendo a juventude, desviando a juventude da lei de Deus. Qualquer problema humano é também religioso." Repetiu o que dissera antes: a distribuição da pílula "viola os direitos fundamentais e induz a população a praticar o mal".

 

Poder-se-ia fustigar dom José Sobrinho recorrendo à bíblia. O Livro dos livros anota em Êxodo 21:22-25: "Se alguns homens brigarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte [há traduções em que o vocábulo ‘aborte’ é substituído pela expressão ‘dê a luz antes do tempo’], não resultando, porém, outro dano, este certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e pagará segundo o arbítrio dos juízes; mas se resultar dano, então darás [como pena] vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe".

 

A julgar por esse trecho, a bíblia considera o aborto ou a agressão ao feto –punível com uma simples multa—menos grave que os “outros danos” –esses sim sujeitos aos rigores da Lei de Talião. Mas combater um clérigo com as armas da própria Igreja seria demasiado traiçoeiro.

 

Melhor usar outros argumentos. Argumentos para os quais os “fiéis” da Igreja estão cada vez mais atentos. Estima-se que nascem no Brasil, a cada ano, mais de 2,7 milhões de pessoas. Cerca de 250 mil mulheres internam-se por complicações resultantes de abortos –espontâneos ou voluntários. Nada menos que 50 mil são adolescentes.

 

Cruzando-se as internações por aborto, catalogadas pelo ministério da Saúde, com a taxa bruta de natalidade, captada pelo IBGE, chega-se a um dado alarmante: algo como 1 milhão de abortos inseguros ocorrem anualmente no Brasil.

 

Num ambiente assim, um Estado que negasse assistência às voltas mulheres estaria cometendo um atentado contra a saúde pública. Às voltas com uma gravidez indesejada, a mulher dificilmente irá ajoelhar-se diante do púlpito de dom José Sobrinho. A queixa ao arcebispo não resolve o problema.

 

Se for bem-posta, com dinheiro no banco, a mulher vai à clínica particular, retira o feto e ninguém fica sabendo. Se for pobre, compra uma cartela do abortivo Cytotec no primeiro camelô. Havendo complicações, vai ao matadouro clandestino. E dali, muitas vezes, para o leito do hospital público. Ou, pior, para a cova.

Escrito por Josias de Souza às 19h01

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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