Josias de Souza

Bastidores do poder

 

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PSDB olha para 2010 e vê pudim onde só há veneno

PSDB olha para 2010 e vê pudim onde só há veneno

Diz o senso comum que “errando é que se aprende”. O PSDB, que não gosta do brocardo, adaptou-o. Um tucano diz: “Errando é que se aprende... A errar.” Com dois fracassos presidenciais a pesar-lhe sobre os ombros (2002 e 2006), o partido da pseudo-social-democracia decidiu apostar, de novo, no erro. Achou que poderia congelar a sucessão presidencial. Não deu. E voltou a exercitar o seu passatempo predileto: briga consigo mesmo, bica a si próprio.

 

Recorde-se, por elucidativo, um barraco de 2002. Presidindo a escassez –faltava luz, dinheiro, emprego e dólar barato—, FHC escolhia um nome para sucedê-lo. Oscilava entre Tasso Jereissati e José Serra. Pendia para o segundo. Numa certa noite, o príncipe recebeu no Alvorada um grupo de grão-duques tucanos: Tasso, Aloysio Nunes Ferreira, Pimenta da Veiga e Almir Gabriel.

 

Tasso exalava tensão. Acabara de chegar dos EUA. Fora a Cleveland, para checar as coronárias, como faz todos os anos. Ausentara-se do país por dez dias. Nesse período, não conversara com jornalistas. A despeito disso, os jornais estavam apinhados de notícias acerca de articulações e queixumes que não fizera nem vocalizara.

 

Abespinhado, Tasso derramou sua insatisfação sobre o tapete da sala contígua à biblioteca do Alvorada. Disse que não faria papel de bobo. Além do noticiário falso, irritara-se com a ajuda que o então ministro Serra dava a Sérgio Machado, seu inimigo na província cearense.

 

A certa altura, Aloysio Nunes, hoje membro do secretariado do governador Serra, interveio. Tentou pôr panos quentes. Tasso saltou da cadeira: “O senhor, meu caro Aloysio, não venha aqui posar de estadista francês. Você não é. (...) Safadeza. Molecagem. Você diz que não toma partido na minha disputa com o Serra, mas passa o dia no Palácio do Planalto plantando notinhas em coluna de jornal a favor dele e contra mim.”

 

Aloysio não se deu por achado: “Você me respeite. Eu tenho história...” E Tasso: “Eu sei bem qual é a sua história. Enquanto eu fazia das tripas coração para eleger este aqui presidente (apontou para FHC), em 1994, você rodava o Brasil de braços dados com o Quércia.”

 

Deve-se ao repórter Luiz Costa Pinto o relato do diálogo reproduzido acima. Jamais foi desmentido pelos protagonistas. O resto é história. FHC foi de Serra. Tasso e seu grupo conspiraram contra. Quando a canoa fez água, meio PSDB –FHC inclusive— fez corpo mole. Dessa divisão e da avidez do eleitorado por mudanças nasceu o primeiro triunfo presidencial de Lula.

 

Em 2006, coube a Geraldo Alckmin o papel de Tasso. Prevaleceu sobre Serra (ele, de novo), aos trancos e barrancos. Graças à tenacidade pessoal e à sensação do rival de que, com Lula praticamente reeleito, o melhor era estocar munição para a disputa seguinte.

 

Cavalgando uma legenda eternamente dividida, Alckmin não fez feio. Abandonado pelos seus, foi ao segundo turno com a ajuda dos aloprados do PT. Surrado por Lula, viu Serra (sempre ele) esmigalhar os aliados que deixara na máquina estatal paulista. Agora, tenta manter sob os pés um tapete municipal que Serra (ele novamente) esmera-se em puxar.

 

Já se pode sentir o cheiro de 2010. Odor de queimado. Agora, é em Aécio Neves que Serra (olha ele aí de novo) tenta vestir a fantasia de neo-Tasso, a roupagem de Alckmin pós-pós. No meio do caminho, graças à refrega da CPMF, Serra ganhou um novo contendor: Arthur Virgílio. Dotado de fome presidencial inaudita e bem-posto nas pesquisas, o governador paulista vai à luta interna com bom cacife. Mas já não pode simplesmente arrastar as fichas. Terá de submeter-se ao pôquer das prévias, num pano verde conflagrado.

 

A julgar pela popularidade de Lula, ninguém se fará na próxima sucessão falando mal do governo. Ou vende esperança semelhante à que FHC, graças ao Real, levou aos seus dois palanques ou se arrisca a tropeçar num presidente de bem com a bugrada e decidido a acomodar no Planalto alguém que lhe facilite a vida em 2014.

 

Inebriado pelo veto legal à tripla eleição de Lula, o tucanato olha para 2010 e enxerga um pudim. Engano. O que o aguarda é um pote de veneno. O veneno de sua própria divisão. O PSDB nao tem do que se queixar. Sobram-lhe candidatos. Mas terá de domar e adoçar o bico. Faltam-lhe mensagem e método.

Escrito por Josias de Souza às 20h17

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Petrobras conspira contra o seu próprio ‘êxito’

Petrobras conspira contra o seu próprio ‘êxito’

  Divulgação
O excesso de esperteza intoxicou a Petrobras. De petroleira, a estatal converteu-se em agência de publicidade. É, hoje, a principal provedora de “boas notícias” do Palácio do Planalto.

O governo está em apuros? O noticiário azedou? Acalme-se. Seus problemas acabaram! A Petro-Tabajara News tem uma novidade para pendurar nas manchetes. Tupi já deu pro gasto? Recorra-se a Júpiter.

 

Em novembro do ano passado, Lula estava acossado pela crise do gás. A Petrobras saiu-se com Tupi, um campo capaz de tonificar as reservas nacionais de óleo em 50%. Nos dias seguintes, viriam os detalhes.

 

Nada pra já, o país saberia nos dias seguintes. A Petrobras extraíra amostras de petróleo de boa qualidade em alto mar, a 7.000 metros de profundidade, em reserva distante da costa de Santos 180 km. Um feito notável.

 

Mas a viabilidade comercial do empreendimento depende de estudos adicionais e novos investimentos. Dinheiro em volume ainda não esclarecido. Sabe-se apenas que não será pouca grana. Longe disso.

 

Com alguma sorte, o país conhecerá a extensão real da jazida de Tupi num par de anos. Com mais sorte, saberá, em quatro ou cinco anos, se a extração de óleo em valores comerciais é ou não viável. Coisa para 2013 ou 2014.

 

Agora, com Edison Lobão atravessado na traquéia dos brasileiros e o fantasma da crise energética a sacudir o lençol sobre o Planalto, a Petrobras traz à tona o gás de Júpiter. E o faz, de novo, em timbre grandiloqüente.

 

Vizinha de Tupi, Júpiter pode tornar o Brasil auto-suficiente na produção de gás natural, informa a estatal. Quando? Daqui a seis anos. O gás está situado abaixo da camada de sal, sob rochas, a 5.252 metros de profundidade e a 290 km da costa. Ou seja: mais estudos e novos investimentos.

 

O Brasil poderá dar uma banana para a Bolívia? Impossível dizer a essa altura. A exemplo do petróleo de Tupi, o tempo dirá se o gás de Júpiter chegará ao continente em valores comerciais.

 

A petrolífera brasileira foi a primeira companhia a dominar a tecnologia de prospecção em águas profundas (2.000 metros). Dá gosto saber que começa a equipar-se também para a exploração em superprofundidade (até 7.000 metros).

 

A estatal não deveria permitir que seus êxitos sejam intoxicados pela esperteza política. O excesso de marquetagem retira do espetáculo o prazer que o brasileiro tem de festejar as poucas coisas boas que lhe chegam.

Escrito por Josias de Souza às 00h49

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Velho de 90 anos, Jeca Tatu sobrevive rijo e forte

Velho de 90 anos, Jeca Tatu sobrevive rijo e forte

Ele é “incapaz de evolução, impenetrável ao progresso”. Dispensa cadeiras. A natureza dotou-o “de sólidos, rachados calcanhares sobre os quais se senta.” Porta-se de modo peculiar. “Antes de agir, acocora-se.” Traz enterrado na alma o germe da mansidão. “Seu grande cuidado é espremer todas as conseqüências da lei do menor esforço - e nisso vai longe.”

Está-se falando, o leitor mais arguto já há de ter notado, de um personagem bem conhecido: o Jeca Tatu. Criado por Monteiro Lobato em 1918, ainda sobrevive. Rijo e forte, a despeito da aparência anêmica. Ressurgiu, impávido, nas dobras de um levantamento que a Justiça Eleitoral acaba de divulgar.

 

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mais da metade (51,5%) dos 127,4 milhões de eleitores brasileiros, tem baixa escolaridade. São patrícios que não lograram concluir o ensino fundamental. Sabem, mal e mal, ler e escrever. Soma-se a esse contingente um naco de 6,46% de eleitores analfabetos. Coisa de 8,2 milhões de pessoas.

 

Juntos, os subeducados e os iletrados compõem 57,98% dos portadores de títulos de eleitor. Uma impressionante massa de neo-Jecas. Brasileiros com pouca ou nenhuma capacidade de resistência à esperteza, à hipocrisia e à marquetagem eleitoral. Algo preocupante num instante em que o país está na bica de escolher novos prefeitos e vereadores.

 

Lobato trouxera Jeca Tatu ao mundo nas páginas do célebre Urupês, livro de contos editado em 1918. Mas só no ano seguinte o personagem foi, de fato, notado. Deve o segundo nascimento a Rui Barbosa. Em 1919, em meio a uma malsucedida campanha à presidência da República, o Águia de Haia guindou Jeca Tatu à condição de símbolo do descaso dos governos com os brasileiros humildes.

 

Seguiu-se uma renhida polêmica. Até de impatriótico Monteiro Lobato foi acusado. Os ataques mais vigorosos vieram de dois autores: Leônidas Loiola, do Paraná, e Ildefonso Albano, do Ceará. Leônidas escreveu que Lobato fazia “campanha sistemática de depreciação e ridículo do homem e das coisas do Brasil.” Ildefonso criou Mané Chique-chique, o avesso de Jeca Tatu.

 

A polêmica ganhou tal vulto que o escritor Lima Barreto sentiu-se compelido a produzir uma crônica em defesa de Monteiro Lobato. “A Obra do Criador de Jeca Tatu” foi publicada no então Diário de Notícias, em maio de 1921. No texto, Barreto enxergou na obra literária de Lobato “um arco de horizonte muito mais amplo do que o do comum dos nossos escritores”.

 

“O que emana de suas palavras não é ódio, não é rancor, não é desprezo, apesar da ironia e da troça; é amor, é piedade, é tristeza de não ver o Jeca em condições melhores”, anotou Lima Barreto. A julgar pelos dados armazenados nos computadores do TSE, as condições do Jeca não se alteraram substancialmente.

 

O neo-Jeca já não é aquele caboclo rural de 1918. Muitos se mudaram para as periferias urbanas. Trocaram o arcaísmo da enxada pela modernidade do subemprego. Mas a descrição de Monteiro Lobato, tão cruel quanto atual, vem a calhar. Expressivo número de eleitores ainda “vegeta de cócoras.” Sobrevive sob densas camadas de ignorância e hipocrisia. Até quando?

Escrito por Josias de Souza às 20h44

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Garibaldi compara Edison Lobão a Winston Churchill

Garibaldi compara Edison Lobão a Winston Churchill

No afã de defender o companheiro de partido da acusação de inépcia elétrica, o presidente do Senado torturou a lógica com um curto-circuito. Garibaldi Alves guindou Edison Lobão, veja você, ao mesmo patamar em que se encontra Sir Winston Churchill.

Ouça-se Garibaldi: “Churchill ganhou a guerra e não era general. Era um grande estrategista, um estadista, não era general. Portanto, Lobão pode ser um grande ministro de Minas e Energia. O José Serra não foi um grande ministro da Saúde?”

 

As palavras de Garibaldi são de calar um Maracanã lotado em dia de Fla-Flu. Mas deixar um presidente do Senado falando sozinho seria uma descortesia indesculpável. Assim, melhor aceitar a provocação. Lobão e Churchill...

 

Desprezem-se, por desnecessários, os detalhes. Acentue-se apenas o essencial. Lobão caminhou até o ministério de Lula com os pés de José Sarney. Deixou pelo caminho a convicção de despreparo e um filho-suplente com muito a explicar.

 

Churchill foi ao posto de primeiro-ministro da Grã-Bretanha equilibrando-se nos próprios sapatos. Chamavam-no de bêbado, oportunista e pé-frio. Pisou o preconceito e esmigalhou o favoritismo de um amigo do rei –Lord Halifax.

 

Lobão chega ao primeiro escalão para prover ao PMDB cargos nas estatais do sistema Eletrobras e na Petrobras. À malta, oferece a perspectiva de um reajuste da conta de luz. Churchill tinha ambições mais modestas e menos a ofertar: "Não tenho nada a oferecer, senão sangue, suor, trabalho duro e lágrimas".

 

O adversário de Lobão é a ameaça de racionamento de energia. No ano passado, valorizava-o. Discursou sobre ele duas vezes –primeiro, em abril; depois, em julho. Nas duas ocasiões, falou do “risco muito alto de apagão.” Foi mudando de opinião à medida que se aproximava da Esplanada. Até se desdizer integralmente. Agora, agarrado a São Pedro, afirma que as chuvas de verão derrotarão o fantasma.

 

O inimigo de Churcill chamava-se Adolf Hitler. Concentrou-se nele. Jamais o menosprezou. Quando Hitler marchava sobre Paris -a Bélgica já de joelhos, o exército britânico encurralado no porto de Dunquerque-, disse: "Ofereço visão, valentia e vitória". Quando a Europa parecia à mercê do Füher, reforçou a dose: "Vamos defender nossa ilha a qualquer custo, vamos lutar nas praias, vamos lutar nos campos e nas ruas, vamos lutar nas montanhas; nós nunca nos renderemos".

Lobão se autoconcedeu o prazo de 30 dias para concluir as nomeações de sua pasta. "Vou ouvir o PMDB e outros partidos aliados. Tanto quanto for possível, vou [atender às reivindicações do PMDB]. Desde que sejam boas, vou atendê-las", avisou. O triunfo do PMDB e demais "aliados" corresponderá, neste caso, a mais uma derrota dos bons costumes e a uma nova invasão do Tesouro Nacional.

 

Em período mais curto, Churchill cavou um lugar na historiografia. Seu apogeu encontra-se magnificamente descrito no livro “Cinco Dias em Londres: Negociações que Mudaram o Rumo da 2ª Guerra", do historiador norte-americano John Lukacs. Conta como Churchill preservou a Grã-Bretanha, acudiu a Europa e começou a livrar o mundo civilizado do nazi-fascismo. Tudo entre os dias 24 e 28 de maio de 1940.

 

No dia em que a folhinha alcançar 31 de dezembro de 2010, Lobão, Garibaldi e o PMDB de ambos serão notas de rodapé no capítulo dedicado à fisiologia que infelicitou a era Lula. Filhos de uma cruza do instante com o circunstante, não terão lugar na estante. Esse barulho que se ouve ao fundo é Sir Churchill revirando no túmulo. Revoltou-se com a afronta de uma comparação despropositada. Julga-se merecedor de companhias mais edificantes.

Escrito por Josias de Souza às 00h54

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Previsões para um 2008 repleto de imprevisíveis

Previsões para um 2008 repleto de imprevisíveis

  Alan E. Cober
Janeiro: A essa altura, sabe-se que a liberdade do “contribuinte” para comemorar o fim de um tributo termina onde começa o arbítrio do governo de aumentar outros impostos. Pena. O sistema econômico começava a se organizar. Nem socialismo nem capitalismo. Rumava-se para a República Federativa do Crediário. Só duas classes sociais: credores, poucos, e devedores, muitos, muitíssimos. Dizia-se ‘sem entrada’ e o brasileiro já entrava. A festa acabou, irmão. O aumento do IOF soou como a badalada da meia-noite. O carro novo que você planejava comprar a prazo virou abóbora. Ou abacaxi. Tá com raiva? Experimente praguejar o Adão. Se o maldito tivesse recusado a fruta da Eva, ainda estaríamos no paraíso. Livres da indústria –da do vestuário à automobilística—e dos impostos. A oposição ainda fará cara feia por algum tempo. O PMDB, mais safo, continuará fazendo cara de bobo. “Estou preocupada com o PMDB”, dirá Dilma a Lula. “Mas o PMDB não está nos dando nenhum motivo de preocupação!”, dará de ombros o presidente. E Dilma: “É isso que me preocupa...” Prepare-se. Depois da febre amarela, vem aí o ministro Edison Lobão e o fantasma do racionamento de energia.

 

Fevereiro: Pouco a pouco, o barulho do surdo se transferirá para Brasília, sede de todos os blocos de sujos. A folhinha traz um quadradinho a mais. Normalmente, serviria apenas para compensar a defasagem acumulada entre os períodos de translação e rotação da Terra. Neste 2008 providencialmente bissexto, porém, o 29º dia terá outras serventias. Os pais –e as mães— das despesas vão dispor de 24 horas extras para conspirar contra a promessa de passar R$ 20 bilhões na faca. E o “contribuinte”, órfão, será intimado pelos tics e tacs adicionais a refletir sobre uma evidência insofismável: no escurinho das dobras do Orçamento, todos os gastos são pardos.

 

Março: Os jornais pendurarão a reforma tributária nas manchetes. Ninguém será contra. Mas os fatos desvirtuarão, de novo, as boas intenções. E a reforma sobreviverá como mero ideal retórico. O “contribuinte”, qual um neo-Prometeu, acorrentado à promessa jamais cumprida, continuará à espera de um Hércules que o liberte das bicadas que o fisco, abutre pós-pós, lhe desfere no fígado.

 

Abril: Os partidos definirão as regras para a escolha, em convenção, dos candidatos a prefeito. Das provetas partidárias começarão a saltar os pré-candidatos ideais. Em condições de laboratório, terão respostas para tudo. Com o correr das semanas, o eleitor se dará conta de que os “salvadores” não passam de ilusões fabricadas a frio.

 

Maio: A proximidade do meio do ano provocará comichões nos economistas. A partir de fatos e números inexplicáveis, tentarão explicar por que o PIB de 2008 crescerá menos que o de 2007. O debate conduzirá a um oxímoro –a figura de retórica que combina dois termos antagônicos, para chegar a um terceiro. Algo como a “inocente culpa”, cunhada por Cecília Meireles. No caso do PIB, teremos o “crescimento anão.” O tamanho do gnomo dependerá da musculatura da economia do gigante norte-americano.

 

Junho: Os partidos vão formalizar na Justiça Eleitoral as coligações para o pleito municipal. Em centenas de municípios, a Vovozinha irá para a cama com o Lobo Mau, sob os olhares atônitos de Chapeuzinho Vermelho. Do cruzamento nascerão inúmeros sacos de gatos. Ou, pior, centenas de sacos de ratos.  

 

Julho: Começarão os comícios. Os carros de som vão às ruas. Em discursos claros e diretos, os guias do povo darão pseudônimo aos bois.

 

Agosto: O início da novela será retardado pela propaganda eleitoral televisiva. Candidatos de “Duas Caras” cacarejarão os ovos que jamais serão botados.

 

Setembro: O eleitor, tomado de dúvida canina, hesitará entre morder ou abanar o rabo.  

 

Outubro: Abertas as urnas municipais, a democracia exibirá, ressalvadas as exceções, aquela velha vocação para levar a estupidez às extremas conseqüências.

 

Novembro: Sob o impacto do penúltimo atentado no Iraque, os EUA elegerão o novo síndico do mundo. O planeta vai trocar de perna. Sairá das coxas do republicano George Bush para um novo colinho, provavelmente democrata.

 

Dezembro: A dois anos da abertura das cortinas de 2010, a platéia começará a ouvir o barulho da montagem do cenário e o burburinho dos atores se posicionando em cena, para disputar o amor da República. Se ouvir uma batida de porta, é o Serra trancafiando o Aécio nos camarins de 2014. Se escutar um bate-boca é o PT se desentendendo consigo mesmo antes de se fixar em Dilma, único petista macho o bastante para arrostar o desafio da ausência de Lula na cédula.

 

PS.: Ilustração via sítio Artist Gallery.

Escrito por Josias de Souza às 04h02

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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