Josias de Souza

Bastidores do poder

 

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Cena política de Brasília exala um cheiro de m...

Cena política de Brasília exala um cheiro de m...

Maluquice momentosa. Matriz mal-ajeitada. Mal-amada. Mulher-objeto. Manceba modelada, marota. Machão maduro, malcasado, meia-idade. Mané-modelo. Miolo mole. Maçanetas mal-viradas. Malícia. Maviosidade. Magnetismo. Mel. Maciez. Mais. Muito mais. Matrimônio mambembe. Mancada. Malogro. Martírio. Mortificação. Malmequer, malmequer. Mexericos.

Maquinações malfeitas. Megalomania. Mufunfa malcheirosa. Mãos molhadas. Mordidas milionárias. Mesadas, mordomias, malas, maletas. Maços. Marreteiros. Malversação. Malabarismo. Malandragem. Mal-entendido. Murici. Maceió. Muares malhados. Manada mágica. Milagre. Matemática maluca. Maquiagem malsã. Mugido maroto. Muuuuuuuuuuuu...

 

Moral maculada. Mandato manchado. Musgoso. Mal-de-lázaro. Maioral-mor marcado. Manda-chuva malsinado. Manga-larga mancador. Mala-sem-alça. Mídia maledicente. Manchetes maldosas. Mal-estar. Manobras malévolas. Mais-que-(im)perfeitas. Manjadas. Macetadas. Mentiras mil. Murmúrios. Marolas. Madrugadas mal-dormidas.

 

Movimentação marota. Muvuca. Mapeamento minucioso. Malha macramé. Muita mandinga, manha, mandracarias, mumunhas. Mansidão. Maceração. Mutirão. Milícia militante. Maloqueiros. Malfeitores. Malandrões. Maganões. Matilha mal-intencionada. Mutatis mutandis, mutantes.

 

Muita munição. Mandamento: matarás. Macacas-de-auditório. Marionetes. Marcação. Metros, milímetros. Minutos, milissegundos. Morde-e-assopra. Mau-caratismo. Monstruosidades. Mandíbulas. Mandril. Maçarico. Machadinha. Marreta. Milho-alpiste. Milk-shake. Marshmallow. Maná. Morosidade. Mutismos. Maneirismos. Máscaras. Magistrados manejáveis. Mutilação.

 

Maldição. Mausoléu. Múmias. Mafuá. Manicômio. Maloca maluca. Mãe-joana. Mangue. Maioria mandona. Minoria maleável. Marte. Macrocosmo mal-assombrado. Mal-ajeitado. Macabro. Mafioso. Maçante. Melancólico. Maçaroca mal-assada. Maionese. Malagueta. Mingau. Marmelada. Mozzarèlla. Má-fé. Maçaranduba maciça. Moralidade minúscula.

 

Multidão muda. Malta manobrada. Massa mal-humorada, mas míope. Mauricinhos microcéfalos. Matula malformada, mal-governada. Marmotas. Matutos. Mulatos. Mulatas. Manemolência máxima. Mão-de-obra macilenta. Marmiteiros. Madalenas. Marias-moles. Marquise? Moradia. Mudança? Mal-e-mal. Muxoxo. Mousse marrom. Meio-mole, meio-dura. Muitíssimo malcheirosa. M.........  

Escrito por Josias de Souza às 22h14

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Senado testa vocação do povo de se fingir de bobo

Senado testa vocação do povo de se fingir de bobo

 

Solidário com seu presidente, o Senado decidira enterrar vivo o escândalo que se acercou de Renan Calheiros. O Conselho de Ética encamparia a espantosa conclusão de que o dinheiro entregue à ex-amante viera da venda do gado e pediria aos brasileiros que fizessem como os senadores: se fingissem de bobos pelo bem da República.

 

No fundo, todos sabiam que o parecer de Romeu ‘Quero Absolver’ Tuma fora uma piada e o relatório de Epitácio ‘Não há Provas’ Cafeteira era uma palhaçada. Mas não convinha arriscar a estabilidade do Legislativo em nome de algo tão relativo e politicamente supérfluo como a verdade.

 

Ficara combinado, de antemão, que nada tinha acontecido. Súbito, a inconveniência de uma certa imprensa golpista subverteu o script. E o Senado, Casa de vetustas figuras, viu-se diante de uma situação incômoda: absolvendo Renan antes da investigação, os senadores passariam a conviver com uma boiada de dúvidas.

 

O gado passaria a transitar pelo gabinete da presidência, pelo salão azul, pelo cafezinho, pelo plenário. Poder-se-ia convencionar que as reses não estavam ali. Mas ninguém teria como assegurar que, num momento de distração, um senador mais descuidado pisasse no rabo de uma vaca, arrancando-lhe um mugido.

 

Num laivo de lucidez, o Senado se deu conta de que a combinação de que Renan fora vítima da imprensa golpista e irresponsável perdera um elemento essencial. Os brasileiros já não pareciam dispostos a desempenhar o papel de bobos coniventes, oferecendo em holocausto a inteligência coletiva.

 

As evidências mostraram aos senadores que a irritação da malta cobrava deles alguma atitude, nem que fosse uma cara de nojo. E a semana terminou com a aparente disposição do Conselho de Ética de realizar, finalmente, algo que se pareça minimamente com uma investigação. No momento, integrantes do grupo fiel ao acusado, associados do consórcio governista e até um naco da oposição ainda tentam encontrar uma fórmula que permita levar a apuração do caso só até o limite do conveniente. Antes, havia pressa. Agora, deseja-se refrear as apurações.

 

Renan fez saber aos seus pares que sabe o que eles fizeram no verão passado. Nos subterrâneos, insinuou que a verdade plena destruiria, no limite, a todos. Muitos têm não apenas telhado, mas portas, janelas, ternos, gravatas e até lençóis de vidro. De mansinho, conclama os colegas a retomar o papel de bobos necessários. No âmbito de um Congresso agachado, à espera da próxima bala perdida, o apelo à cumplicidade coletiva não chega a soar estranho. São tantas as histórias mal contadas, é tão grande o rastro de escândalos não-resolvidos, que uma pantomima a mais não chegaria a fazer tanta diferença.

 

O problema é saber de que tamanho precisa ficar o embaraço para que o povo, já tão habituado ao papel de tolo, possa considerá-lo aceitável. A tarefa não é simples. Difícil acomodar uma boiada inteira embaixo de um tapete já tomado por mensaleiros, sanguessugas e outros bichos. A caixa de e-mails dos senadores, abarrotada mensagens mal-humoradas, indica que a paciência tem limites.

Escrito por Josias de Souza às 20h09

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O retrato falado de Vavá, um lambari de mostruário

O retrato falado de Vavá, um lambari de mostruário

1955. Início de expediente. Vavá, à época um carregador de mercado, pegou um carrinho de mão, para transportar mercadorias até as prateleiras. Súbito, avistou, sob folhas de jornal, um “dinheiro que não acabava.” Embatucou-se: “Eu não podia mostrar para minha mãe que ela ia pensar que eu tinha roubado. Eu tinha que falar para alguém que eu tinha achado o dinheiro. Ou dar para o dono do lugar onde eu trabalhava”.

 

Optou por dividir o segredo. “Não senhor, você está em situação difícil, você guarda esse dinheiro. Espera uma semana, se não aparecer o dono você me dá 500 cruzeiros e o resto leva para a tua mãe”, disse-lhe um colega. Decorridos sete dias, nem sinal do dono. Como combinara, Vavá deu ao amigo a quantia solicitada. E embolsou o resto. “Levei em casa, para minha mãe. Expliquei a situação”. [...] “Acho que certos males vêm para bem. Azar de quem perdeu!” A família Silva pagou tudo o que devia. A matriarca Lindu comprou roupas e sapatos para a prole. “A gente passou também a comer melhor do que comia”, relembra Vavá.

 

Estamos folheando as páginas de “Lula, o filho do Brasil”, uma obra que chegou às livrarias em 2002, ano em que o biografado virou presidente. Chama-se Denise Paraná a autora. Sua matéria-prima foram valiosos depoimentos de Lula e dos irmãos dele. O de Vavá, entremeado por falas de Frei Chico, consumiu 41 páginas –da folha 193 até a 234.

 

O dinheiro achado sob jornal –“ 5 contos e 855”, segundo Vavá— foi avaliado pela autora em 34,64 salários mínimos (nota de rodapé à página 207). Coisa de Cr$ 83.136, em 1955. Ou R$ 13.163, em dinheiro de hoje. Nada mal para o Vavá de 52 anos atrás, que recebia menos do que um salário mínimo. Dinheiro graúdo mesmo para o Lambari de 2007, fisgado nos grampos da PF: “Ô, arruma dois pau pra eu”.

 

Vavá era um sujeito desonesto já em 1955, você deve estar julgando. Antes, teste-se a si mesmo. Já achou R$ 13 mil? Devolveu? Ainda não achou? Devolveria? 99,99% dos brasileiros talvez embolsassem a grana. O Vavá que emerge do livro de Denise Paraná é um brasileiro de mostruário, um lambari de pesque-pague, eis o que se deseja realçar.

 

Seu nível de instrução é o primário. Estudou menos do que Lula. Do mercado, transferiu-se para uma tecelagem. Depois, empregou-se em fábricas da Skol e da Coca-Cola. Na Ford, onde permaneceu de 1965 a 1976, pirou. “Eu fiquei trancado no elevador sozinho, três horas preso. A sensação foi uma coisa horrorosa. Era escuro.” Adoeceu. Durante 11 anos, foi de médico em médico. Receitaram-lhe até Gardenal. Curou-se, segundo conta, num balcão de bar: “Eu encontrei um médico amigo meu e ele me falou: ‘Vavá, você não tem nada. Vamos tomar umas cachaças?’ Estranhou. Mas assentiu: “Eu sei que nós tomamos as pingas, depois eu saí e nunca mais precisei ir ao médico”.

 

Em verdade, o que acalmou a alma de Vavá foi uma sinecura que ele cavou na prefeitura petista de São Bernardo. Inquirido por Denise Paraná sobre a perspectiva de ter um irmão no Planalto, disse: “Não tem esse negócio de ajudar parente, não. [...] Do Lula eu só quero só a amizade e o carinho que ele tem pela gente”. Lorota. Deixou-se seduzir por uma mania nacional: a boquinha. Não resistiu às tentações do anzol. De “dois pau” em “dois pau”, beliscou “R$ 14, R$ 15 mil”, queixa-se o chefão dos caça-níqueis, Nilton Cezar Servo, num dos grampos da PF. Em 1955, Vavá achou um lenitivo para futuro imediato sob o jornal. Em 2007, ganhou a primeira página, numa situação que conspurca qualquer passado.

Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Notícia urgente: Juízo Final começou por Brasília

Notícia urgente: Juízo Final começou por Brasília

 El Roto/El Pais
Tudo se passou como planejado na subseção que trata dos destinos do Brasil na DJF (Divisão do Juízo Final). As versões sobre o Apocalipse são ainda desencontradas. Sabe-se que era início de manhã em Brasília. Céu límpido e luzidio.

Súbito, uma nuvem negra invadiu o gabinete de Lula. O presidente assinava um lote de nomeações para o segundo escalão. Quando deu por si, partículas de pó, fumaça e gases já o envolviam. Uma secretária da presidência da República contou, aos soluços, ter presenciado o instante em que Lula foi engolido pelo PMDB.

 

José Alencar aboletou-se, algo esbaforido, na cadeira de presidente. Apressou-se em nomear Mangabeira Unger para a Sealopra. Depois, num discurso transmitido em cadeia nacional de televisão, anunciou o “Programa Juro Zero”. Para tranqüilizar a nação, informou que, em nome da governabilidade, manteria a aliança estratégica com o PMDB. Testemunhas contam que Alencar foi devorado, diante das câmeras, por um PT tomado de cólera inaudita.

 

Antes de ser sugado pelo solo, Henrique Meireles teve tempo de assistir à última edição extraordinária do Jornal Nacional, que se seguiu ao pronunciamento de Alencar. “Um real agora vale cem dólares”, anunciou um Willian Bonner entre atônito e descrente.

 

“O risco país subiu para 59.976.845.165%”, emendou uma Fátima Bernardes de semblante disforme. Enquanto lia as notícias, a apresentadora ia sofrendo um processo de envelhecimento relâmpago. Ao informar que o Banco do Brasil acabara de decretar falência, ela já havia ganhado rugas que lhe conferiram a aparência de uma velha de cem anos.

 

Uma fenda gigantesca abriu-se sob o prédio do Congresso Nacional, sorvendo-o. Um cogumelo típico de explosões atômicas assomou aos céus. Um motorista de táxi disse ter visto Renan Calheiros fugindo em direção ao carro oficial. Uma chuva de extratos bancários despencou sobre o capô do veículo. Aturdido, Renan desembestou em direção à Praça dos Três Poderes. Surgida do nada, uma declaração de Imposto de Renda o perseguiu. Desde então, o senador não foi mais visto.

 

Um deputado contou que Arlindo Chinaglia combateu de forma heróica. Encomendou, a toque de caixa, a elaboração de um decreto legislativo, reajustando a verba indenizatória dos colegas de R$ 15 mil para R$ 55 mil mensais. Manuseava a caneta quando o documento devorou-lhe os dedos, a mão, o braço, o tórax...

 

No STF, uma gang de CDs, entoando diálogos captados em grampos telefônicos, atacou uma força tarefa que, sob a coordenação de Gilmar Mendes, assinava um maço de habeas corpus. Ordenavam a liberação dos mais de 30 ministros de Estado recolhidos ao xadrez no último arrastão da Polícia Federal, a “Operação Juízo Final”.

 

Nas redações dos meios de comunicação, os computadores ganharam vida própria. Passaram a desvir...tuar os textos, acres...cent...an...do, por c...ont...a p...r...ó...p...r...i...a..., expressões des@#$nexas. Os tec¨*+lados arderam como b?#*asa. Ui, ai, ai, ai. Soco#*oooo&+ºººooo@oooooro!!!

Escrito por Josias de Souza às 17h58

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‘Custo pilhagem’ trava o empreendimento brasileiro

‘Custo pilhagem’ trava o empreendimento brasileiro

  Angeli
Em Brasília, como se sabe, tudo está à venda. Excetuando-se a mãe, que não tem valor de mercado, vende-se de emendas ao Orçamento à honra pessoal. Quem desce a Esplanada, rumo à Praça dos Três Poderes, ouve por toda parte o tilintar de verbas. Se há o balcão, existe demanda. Os compradores são, porém, invisíveis. E não há quem queira identificá-los.

Vez por outra, numa ação fortuita do Ministério Público e da Polícia Federal, joga-se um facho de luz sobre um ou outro corruptor pé-de-chinelo. Ora a Planam, dos Vedoin, ora a Gautama, de Zuleido. Sabe-se que, nas profundezas do mar de lama, escondem-se peixões bem mais robustos. Ninguém se dispõe a içá-los para as bordas do lodaçal.

O empresariado nacional reclama do chamado “custo Brasil”. Queixa-se dos portos ineficientes, das estradas esburacadas, da burocracia governamental, disso e daquilo. Mas cultiva um estrepitoso silêncio em relação ao “custo pilhagem”, que inclui, além de propinas e de financiamentos eleitorais obscuros, a sonegação descarada de impostos.

A iniciativa privada sustenta há décadas o conveniente discurso de que o Estado é o grande vilão do descaminho do empreendimento brasileiro. A poderosa Fiesp acaba de divulgar um estudo que estima em R$ 26,2 bilhões o custo médio anual da corrupção no Brasil. É quase o valor do orçamento da pasta da Educação para 2007: R$ 27,6 bilhões. O que a Fiesp exime-se de dizer é que, do outro lado do balcão de malfeitorias, encontra-se a mão do empresariado. E não se diga que são mãos inexpressivas. Nem sempre, nem sempre. Tome-se, por eloqüente, o caso que levou ao impeachment de Fernando Collor.

Abriram-se na Justiça Federal de Brasília sete processos para esquadrinhar as relações financeiras do alto empresariado nacional com a EPC, uma birosca de “consultoria” aberta por PC Farias. Num dos processos, o mais antigo, de 1993, foram acomodados na lista de réus logotipos como Odebrecht, Cetenco, Votorantin, Cimento Portland Itaú, Tratex, etc. Que tipo de consultoria PC proveu a esses gigantes? Desnecessário responder.

Ainda na década de 90, nas pegadas do escândalo dos anões do Orçamento, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), num gesto quixotesco, sugeriu a abertura de uma CPI dos Corruptores. Espera até hoje pela adesão dos colegas. O Congresso é bancado pela grande empreita. Só nas eleições do ano passado, as construtoras injetaram nas campanhas de deputados e senadores, noves fora o caixa dois, R$ 27,3 milhões.

Qualquer análise das estatísticas oficiais sobre educação, saúde e segurança pública permite verificar os efeitos do “custo ladroagem”. Recaem, naturalmente, sobre a malta. Os responsáveis pela rapina matriculam os filhos em escolas privadas, passam longe das macas do SUS e erguem muros altos em torno de seus condomínios fechados. Enquanto os holofotes forem seletivos, toda indignação será à toa. A pilhagem vai continuar.

Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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