Josias de Souza

Bastidores do poder

 

PMDBdoC faz cara feia e destila veneno em manifesto

  Antônio Cruz/ABr
De pavio aceso desde que foi apeado do posto de relator da reforma do Código de Processo Civil, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) moveu sua infantaria.

Divulgou nesta quarta (31) manifesto do ‘PMDBdoC’. Uma sublegenda do Cunha infiltrada na legenda do vice-presidente Michel Temer.

Assinam a peça os oito deputados federais que integram a bancada pemedebê do Rio de Janeiro –Cunha e mais sete.

Expressando-se em linguagem viperina, os signatários defendem que o PMDB devolva a Dilma Rousseff todas as poltronas que ocupa na máquina do Estado.

Anotam: como “o tamanho do partido não está representado adequadamente” na partilha, “melhor seria estarmos fora de ocupação de cargos públicos”.

Um pemedebê versado no idioma “cunhês” traduz: Dilma baniu Cunha e Cia. de Furnas. O grupo quer voltar a se sentir “representado adequadamente.”

O manifesto fala do “desconforto com as denúncias envolvendo os quadros do partido no governo” em malfeitos “anteriores à gestão comandada pelo PMDB.”

O pemedebê-tradutor explica o que vai nas entrelinhas: o ‘PMDBdoC’ refere-se à pasta do Turismo, comandada pelo colega Pedro Novais (PMDB-MA).

As denúncias que ardem nas manchetes referem-se a um convênio de 2009. Coisa do segundo reinado de Lula. Nessa época, o ministério era feudo do PT.

O raciocínio não é aplicável à pasta da Agricultura. Ali, foi ao asfalto um Wagner Rossi que, apadrinhado por Temer, dava as cartas desde Lula.

O tradutor recorda: Cunha foi empurrado para fora da relatoria do Código de Processo Civil numa conversa conduzida por Temer, no gabinete da vice-presidência.

Na parte final do manifesto, a sublegenda do Cunha mostra os dentes. Diz que o apoio ao governo não é incompatível com a apuração de “qualquer denúncia existente.”

Acrescenta que as investigações podem correr em cia “tradicional” ou na extraordinária trilha de uma “CPI”.

O especialista em tradução do “cunhês” para o português associa esse pedaço do texto a outro parágrafo, no qual o manifesto dos inssurretos menciona a DRU.

A DRU é a ferramenta fiscal que permite ao governo converter em superávit primário 20% da arrecadação tributária com destinação constitucional específica.

A coisa expira em dezembro. E corre na Câmara um projeto no qual Dilma sugere a renovação até 2015.

No manifesto, o PMDBdoC escreve que assunto de tamanha relevância merece ser bem discutido. Por quê?

A prorrogação da DRU “implicará a perda da possibilidade de aumento dos gastos com saúde e educação”, que deveriam ser “prioridades” do PMDB.

E o tradutor: com sua pregação pseudosocial, a tribo do Cunha informa ao Planalto que, desatendida, pode criar estorvos à tramitação da DRU.

No Planalto, os operadores de Dilma enxergaram o documento tóxico como um frasco de veneno fraco.

Cargos? O PMDBdoC já não tem. O pedaço do PMDB que ainda tem não se anima a devolver. Ao contrário, pede mais.

CPI? Um dos signatários do manifesto, o deputado Nelson Bornier, já havia assinado o pedido da oposição.

Se os outros sete integrantes da sublegenda do Cunha resolverem rubricar, a lista da CPI, hoje com 126 rubricas, vai a 133. O número mínimo exigido é 171.

DRU? A turma de Temer não seria maluca de permitir embaraços. O ajuste fiscal iria para o beleléu. Com ele, iria à breca o Tesouro de Dilma, do qual o PMDB é sócio.

De resto, trabalha-se com a perspectiva de que a unidade do PMDBdoC não resiste à tentação das emendas. Liberando meia dúzia, o Planalto deixa Cunha falando sozinho.

No idioma do "cunhês", o vocábulo verbas abre o dicionário.

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Escrito por Josias de Souza às 22h32

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Banco Central reduz a taxa básica de juros para 12%

Em decisão que surpreendeu até o governo, o Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) em meio ponto percentual: de 12,5% para 12% ao ano.

É pouco. Mas a maioria dos operadores do mercado financeiro apostava que a taxa seria mantida.

De resto, é a primeira vez que o BC poda os juros desde que Dilma Rousseff tomou posse, em janeiro.

- Serviço: Aqui, a íntegra da nota divulgada pelo BC.

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Escrito por Josias de Souza às 21h07

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O pós-pizza: ‘Senhores deputados, vão para o inferno’

Alan Marques/Folha

A eleitora Leiliane Rebouças protagonizou um solitário protesto. Vestida de capeta, desfilou pela Câmara portanto um cartaz.

Na peça, uma mensagem: "Senhores (as) deputados (as) que salvaram Jaqueline Roriz, vão para o inferno e que o diabo os carregue."

Leiliane não se deu conta. Mas sua reivindicação já foi atendida. Deus está em toda parte. Mas terceirizou o controle do congresso ao Tinhoso.

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Escrito por Josias de Souza às 20h42

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Turismo: procurador denuncia à Justiça 21 envolvidos

O procurador da República Celso Leal, lotado no Amapá, protocolou na Justiça Eleitoral quatro denúncias referentes ao escândalo do Ministério do Turismo.

No total, foram denunciadas 21 pessoas, entre servidores públicos e empresários. O rol de encrencados inclui a cúpula do ministério.

A lista traz o nome do ex-secretário-executivo Frederico da Silva Costa, que pediu demissão nas pegadas da revelação dos malfeitos.

Anota também o nome do ex-deputado federal Colbert Martins (PMDB-BA), secretário de Programas de Desenvolvimento de Turismo.

Inclui ainda o petista Mário Moyses, levado à pasta do Turismo na gestão da senadora petista Marta Suplicy (PT-SP).

Guiando-se pelos achados do inquérito da Polícia Federal, que resultou na Operação Voucher, o procurador identificou a prática de quatro crimes.

São eles: formação de quadrilha, falsidade ideological, peculato (desvio de verbas praticado por servidor) e uso de documentos falsos.

Celso Leal contabilizou os desvios em R$ 4 milhões. Concluiu que foi malversada a totalidade das verbas repassadas à ONG Ibrasi.

O dinheiro deveria ter custeado cursos profissionalizantes no setor de turismo. Porém, jamais foram realizados.

As verbas desviadas foram acomodadas no Orçamento do Turismo graças a emendas apresentadas pela deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP).

O envolvimento da deputada nos desmandos ficará a cargo da Procuradoria-Geral da república. O procurador do Amapá não tem poderes para denunciar congressistas.

Formalizadas na terça (30), as quatro denuncias da Procuradoria desceram, nesta quarta, à mesa do juiz federal Mauro Henrique Vieira.

Titular da 1ª Vara Federal do Amapá, o magistrado terá de decidir se a denúncia do Ministério Público deve ou não ser recebida pelo Judiciário.

Recebendo-a, o magistrado converterá os denunciados em réus. Abre-se, então, a fase em que os encrencados exercerão o direito ao contraditório.

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Escrito por Josias de Souza às 19h24

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Justiça veta reserva de leitos para os planos de saúde

Shutterstock

Provocado pelo Ministério Público, o Tribunal de Justiça de São Paulo deferiu liminar que barra uma iniciativa do governo tucano de Geraldo Alckmin.

Lei estadual (57.108/2011) autorizava os hospitais públicos a reservar 25% dos seus leitos para a clientela dos planos privados de saúde.

A Justiça considerou que a reserve, prevista em lei e regulamentada por decreto de Alckmin, afronta o “interesse público primário da coletividade".

A liminar deve impeder a repetição de fatos como o relatado pelo reporter Elio Gaspari em sua coluna do ultimo domingo (28).

Para recordar, vale reproduzir o naco final do texto de Gaspari. Anota o seguinte:


“Em hospitais públicos como o Incor e o das Clínicas de São Paulo já existem duas portas, uma para o SUS e outra para os planos. (Quando o Incor quebrou, tentou se internar no CTI financeiro da Viúva do SUS.) O governador Geraldo Alckmin quer privatizar 40% das unidades administradas por organizações sociais.

Na Santa Casa de Sertãozinho (SP), instituição filantrópica que, legitimamente, atende tanto ao SUS quanto aos convênios, deu-se um episódio que pode servir de lição e exemplo.

O médico Paulo Laredo Pinto atendia um paciente de 55 anos, diabético, obeso e hipertenso (como a doutora Dilma), internado há dias.

Ele sentiu dores no peito, e Laredo, cirurgião vascular, diagnosticou um processo de infarto: ‘Ele podia morrer se ficasse mais cinco minutos na enfermaria’.

Diante do quadro, pediu a transferência do paciente para o CTI. Nem pensar. O homem era do SUS e, mesmo havendo vaga no Centro de Terapia Intensiva, estava à espera de algum paciente dos planos privados.

Com o apoio de dois colegas, desconsiderou a negativa e transferiu o doente. Fez mais: chamou a polícia: ‘Registrei um boletim de preservação de direito. Existe o crime de omissão de socorro. O leito não é de ninguém, é de quem precisa’.

O paciente ficou no CTI e, dias depois, seu quadro era estável. Pelo protocolo da privataria, talvez estivesse morto.

Se os médicos começarem a chamar a PM, as coisas ficarão claras. Um caso de polícia, caso de polícia será.


Com a liminar do Tribunal de Jutiça, o doutor Laredo já não precisa desperdiçar o tempo que dedica aos pacientes com telefonemas à polícia.

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Escrito por Josias de Souza às 18h52

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UNE marcha por Brasília com musa estudantil chilena

A União Nacional dos Estudantes marchou pelas ruas de Brasília nesta quarta (31). O périplo foi iniciado na frente da sede do Banco Central.

Num dia em que será divulgada a Selic, a rapaziada cobrou a redução da taxa básica de juros. Promoveu-se a lavagem da entrada do BC (assista no vídeo).

Depois, a marcha desceu a Esplanada, rumo ao Congresso. Pela conta da UNE, foram ao meio-fio 10 mil estudantes. Na contabilidade da PM, 3 mil.

O presidente da UNE, Daniel Lliescu (PCdoB), levava a tiracolo uma bela acompanhante: Camila Vallejo (repare nas imagens abaixo).

Lula Marques/Folha

Camila preside é a FECh (Federação de Estudantes da Universidade do Chile). Ganhou fama mundial por liderar protestos por melhorias na educação chilena.

A visitante testemunhou as diferenças que separam a governista UNE da oposicionista FECh. No Chile, os estudantes lidam com borrachadas e jatos d’água da polícia.

Em Brasília, a polícia limita-se a organizar o trânsito. Água? Só a do “espelho” que circunda o Congresso, convertido em piscina pelos manifestantes.

Lula Marques/Folha

No fim do dia, outra diferença notável. Diferentemente do que ocorre no Chile, onde o governo recusa-se a dialogar, em Brasília a UNE é recebida em palácio.

A manifestação terminou em reunião na Presidência. Acompanhada de ministros, Dilma recebeu uma comitiva dos estudantes.

O aliado Daniel Lliescu, recém-eleito num Congresso custeado por verbas estatais, entregou a Dilma uma pauta com quatro dezenas de reivindicações.

No topo da lista está a “exigencia” de que o governo destine 10% do PIB para a educação. Mais do que os 7% oferecidos pelo MEC.

No fim das contas, as diferenças terminam por igualar os estudantes brasileiros aos chilenos. Cá, como lá, os pedidos da UNE são refugados.

“Hoje, foi o dia em que apresentamos a pauta ao governo”, disse o companheiro Lliescu.

“A presidenta não se posicionou com firmeza na defesa ou negação de nenhum dos itens, mas temos a expectativa de que essa pauta seja bem recebida pelo governo.”

Ah, essas diferenças que os igualam!

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Escrito por Josias de Souza às 17h54

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Bernardo agora diz não lembrar se usou avião privado

  Fábio Pozzebom/ABr

Entre as muitas serventias da memória, uma é especialmente últil. Ela serve para que certas pessoas esqueçam coisas incertas.

Tome-se o caso do ministro Paulo Bernardo. Acusam-no de ter voado em avião da Sanches Triploloni, empreiteira com interesses no PAC.

Na semana passada, ouvido na Câmara, Bernardo disse: "não posso descartar" a hipótese de ter voado. Vai que aparece uma foto!

Nesta quarta (31), no Senado, Bernardo soou diferente. Sua memória revelou-se prodigiosa em relação à campanha eleitoral da mulher:

"Esse avião não foi usado na campanha da Gleisi [Hoffmann].”

A lembrança volta a obscurecer quando o ministro fala de si próprio: “Eu não me recordo de ter andado nesse avião."

A memória, não há dúvida, é relapsa e traiçoeira. Pior: por vezes, é também seletiva.

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Escrito por Josias de Souza às 15h07

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58 do PMDB assinam documento por verbas na Saúde

  José Cruz/ABr
A despeito dos apelos de Dilma Rousseff, corre entre os deputados do PMDB um abaixo assinado em favor do projeto que destina mais verbas para a saúde. Em seis dias, assinaram o documento 58 dos 79 deputados do partido do vice Michel Temer.

Deve-se a iniciativa a dois deputados: Osmar Terra e Darcísio Perondi, ambos do PMDB gaúcho. Presidente da Frente Parlamentar da Saúde, que reúne 229 deputados e 30 senadores, Perondi (na foto) falou ao blog. Abaixo, a entrevista:


- Quais são as chances de a regulamentação da Emenda 29 ser aprovada? Cresceram muito. Queria ver a posição das bancadas depois que a Dilma quebrou o silêncio. Tive grata surpresa na reunião do colégio de líderes da Câmara.

- Por quê? Marcou-se a votação para o dia 28 com o apoio de todos os líderes. A posição do líder do PMDB [Henrique Eduardo Alves] foi muito firme.  Até o PT concordou. O Paulo Teixeira [líder do PT] apenas disse: ‘Nós temos 30 dias para discutir’.

- A posição de Henrique Alves é ‘firme’ também na defesa de aprovação? Sim. Ele compreendeu que na Câmara não dá para fazer mais nada. E a pressão da população está grande sobre os deputados, que estavam levando a culpa.

- Dos 79 deputados do PMDB quantos votarão a favor do projeto? Eu e o deputado Osmar Terra [PMDB-RS] iniciamos na quarta-feira da semana passada a coleta de assinaturas num abaixo assinado. Já temos 58 assinaturas. Creio que vamos chegar aos 79.

- O PMDB é a favor da recriação de novo tributo? Nós já aprovamos o texto base do projeto. Falta votar um destaque que retira do texto a CSS [Contribuição social para a Saúde]. Para manter o tributo, o governo precisaria de 257 votos. Não creio que vá obter. Sinto que há enorme consendo contra a CSS entre os parlamentares. A exceção é o PT. Na bancada petista, cresce a adesão à contribuição.

- Como responder à crítica de que cria-se nova despesa sem definir a fonte? O governo arranjou fonte para o inexequível Trem-Bala. Sem estar no Orçamento, arranjaram-se R$ 50 bilhões. Vai ficar mais caro que isso. Houve fonte para a bolsa empresário...

- Refere-se aos empréstimos subsidiados do BNDES? Exatamente. Essa bolsa empresário, criada pelo Lula, já levou R$ 300 bilhões do Tesouro. Sem passar pelo Orçamento. Tudo com juros subsidiados, para um seleto grupo de empresas. E houve agora o lançamento do Brasil Maior, um programa que concede insenções de impostos e abre mão de uma arrecadação de R$ 20 bilhões. Eu pergunto: por que só não tem dinheiro para a saúde?

- Acha que a queda da CPMF serve de pretexto? Nos primeiros seis meses do governo Dilma, a arrecadação de impostos foi R$ 50 bilhões superior ao mesmo período do ano passado. Nós perdemos a CPMF. Mas a elevação do IOF, feita para compensar a perda, já suplantou os R$ 20 bilhões da CPMF que iriam para a saúde. Acho que chega de dar exemplos, né? Poderia citar ainda a fase dois do Minha Casa Minha Vida, lançado pela Dilma, que tem embutido subsídios de R$ 72 bilhões em quatro anos. Para tudo há dinheiro, menos para a Saúde?

- Aprovando-se a proposta, quanto será carreado para a saúde? Aí o rabo da porca começa a entortar. O projeto que veio do Senado, de autoria do Tião Viana [PT-AC], foi relatado na Câmara pelo deputado Pepe Vargas [PT-RS], que o transfigurou.

- Como assim? A proposta tem dois fundamentos. O primeiro é a definição clara do que é investimento em saúde. Isso não foi alterado. Governadores não vão mais poder usar verbas da saúde para pagar aposentadorias, obras de saneamento e outros desvios. O outro fundamento do projeto é financeiro.

- Nesse ponto é que houve a transfiguração? Sim. Manteve-se o percentual de 12% para os Estados e de 15% para os municípios. Mas retirou-se a previsão de que a União investiria 10% da arrecadação de tributos. Colocou-se no lugar a CSS. Caindo a contribuição, fica valendo para a União a regra atual [tudo o que foi gasto no ano anterior, mas a variaçãoo do PIB nominal]. Isso dá uns 7% da arrecadação, em vez dos 10% pretendidos.

- Portanto, a questão do financiamento não fica equadionada. De fato, vamos mandar para o Senado um projeto ruim. Além de tirar os 10% da União, fez-se uma ferida na parte dos Estados. Por exigência do Cid Gomes [governador do Ceará], no dia da primeira votação retirou-se da base de cálculo dos 12% dos Estados a parte da arrecadação tributária que é destinada ao Fundeb. Com isso, retirou-se da saúde algo como R$ 7 bilhões. Então, o Senado terá de consertar o projeto. Como está, a União não acrescenta nada. E os Estados entram com um acréscimo de uns R$ 5 bilhões.

- Não é pouco? É muito pouco. Os cálculos mais modestos estimam que é preciso levar para a saúde pelo menos mais R$ 30 bilhões anuais. Por isso o Senado tem de consertar. Envolvendo os 10% da União na conta e melhorando a gestão a coisa vai melhorar.

- E se a Dilma vetar? Ela que assuma o ônus.

- O fato de o PMDB ser governo e de ter o vice presidente não constrange o partido? Pelo contrário. Temos de lutar internamente. Se o Palácio insistir, paciência. O Parlamento é um outro Poder. Uma hora temos que agir com independência.

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Escrito por Josias de Souza às 04h59

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Força Sindical e CUT fazem atos por ‘queda dos juros’

  Lula Marques/Folha
O Copom, comitê do Banco Central que calibra os juros, divulga nesta quarta (31) sua decisão sobre a taxa Selic.

A taxa atual é de 12,5% ao ano. Todo mundo –Dilma Rousseff, os empresários e os trabalhadores— gostariam que caísse. Porém...

...Porém, a expectativa da maioria dos operadores do mercado financeiro é a de que o BC vai manter os juros no patamar atual.

Os mais otimistas apostam que, se houver queda, será miúda. No máximo, 0,5 ponto percentual.

Nesta terça, dia em que começou a reunião do Copom, as duas maiores centrais sindicais do país fizeram barulho.

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, levou sua tropa para a frente da sede do BC em Brasília.

Armaram-se na frente do prédio duas churrasqueiras. Distribuiu-se a quem passava sardinha assada (5 quilos) com farofa.

Por que sardinha? Três razões, explicou, em timbre galhofeito, o deputado Paulinho. Primeiro, porque sardinha é “comida de pobre.”

Segundo, porque o pescado serve de alimento também para os “tubarões”, associados pelo deputado à turma do BC e aos beneficiários dos juros lunares.

Por último, o cheiro da sardinha seria forte o bastante para chegar às narinas reunidas na sala do Copom, no oitavo andar do prédio.

Comandada por Artur Henrique, presidente da CUT, os militantes do braço sindical do PT manifestaram-se na Avenida Paulista, defronte do prédio do BC em São Paulo.

Além de verberar contra os juros, a turma da CUT criticou a decisão de Dilma de elevar em R$ 10 bilhões o superávit fiscal, economia destinada à rolagem da dívida pública.

Sob Lula, o governo reagira à crise global de 2008 abrindo os cofres de Brasília. Dilma optou por lidar com a crise que se arma agora de modo diferente.

Em vez da política fiscal expansionista, Dilma acena com a promessa de fechar os cofres.

Imagina que, contendo os gastos, criará um ambiente propício à alteração da política monetária do BC, puxando os juros para baixo.

Submetido a juros menores, prevê Dilma, os empresários elevarão os investimentos, evitando que o PIB vá ao freezer.

Ao discursar na manifestação de São Paulo, o petista Henrique, comandante da CUT, soou como se preferisse a fórmula Lula.

Disse que, na contramão do que faz Dilma-2011 –“austeridade fiscal e redução de gastos”—, o Lula-2008 investiu no fortalecimento do mercado interno.

A saída, disse Henrique, continua sendo o mercado doméstico. Contra a crise, defende mais salário e reforço dos investimentos públicos e das políticas sociais.

A barulheira das centrais sindicais ocorre no rastro de uma reunião na qual Dilma pediu aos presidentes das entidades um voto de confiança.

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Escrito por Josias de Souza às 04h13

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As manchetes desta quarta

- Globo: Dilma pede juros menores; líderes querem 'nova CPMF'

- Folha: Governo reduzirá tributo para elevar produção de álcool

- Estadão: Governo paga por projeto fantasma para a Copa

- Correio: Jaqueline Roriz escapa da cassação

- Valor: Dilma define novas prioridades

- Estado de Minas: Sem licença para dirigir

- Zero Hora: TCE barra reajuste de vereadores na Capital

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h58

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Jaqueline com Orégano!

Regi

- Jornal 'O Tempo', via 'A Charge Online'. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h57

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Freire: pacto sugerido por tucanos ‘beira o adesismo’

Fábio Pozzebom/ABr

A oposição brasileira pode ser acusada de tudo, menos de falta de criatividade.

Na campanha, o tucano José Serra disse que Lula estava “acima do bem e do mal.”

Empossada Dilma Rousseff, a oposição pareceu capaz de tudo, menos de se opor.

Aproveitando-se dos tapetes erguidos pelo noticiário, enrolou-se na bandeira da CPI.

Súbito, quando parecia engatar a primeira marcha, o tucanato levou o pé ao freio.

FHC enxergou na pseudofaxina razões para a busca de “convergências” com Dilma.

Em coro, Aécio Neves insinuou a defesa de um tal “pacto pela governabilidade.”

Incomodado, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), ergueu a lança.

“É um grave equívoco, que beira o adesismo”, espetou Freire, nesta terça (30).

Referindo-se aos comentários de FHC e aécio, Freire lamentou:

“Afirmações como essas expõem a oposição ao ridículo, ao deboche do PT e ao desdém da presidente Dilma.”

Assim, passada a fase do elogio a Lula, do refresco a Dilma, do surto de CPI…

…E das convergências pactuadas, a oposição passa agora opor-se a si mesma.

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Escrito por Josias de Souza às 23h00

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Alfredo Nascimento encontra-se com Ideli no Planalto

Sem alarde, a ministra petê Ideli Salvatti recebeu o ex-ministro pêérre Alfredo Nascimento.

Gestora do balcão, Ideli tenta dissolver a “independência” do PR –dono de 41 votos na Câmara e seis no Senado.

Varrido da pasta dos Transportes, o PR farejou na movimentação do Planalto uma tentativa de cooptação no varejo.

Em reação, a legenda centralizou em Nascimento a gestão do seu atacadão de interesses.

Segundo relato que fez à sua tribo, Nascimento disse a Ideli que a crise dos Transportes deixou feridas profundas no PR.

Condicionou a cicatrização à restauração das biografias que, na expressão dele, o governo jogou no lixo.

Quer dizer: depois de abdicar da vassoura, Dilma pode virar catadora de resíduos. Nesse ritmo, logo será fundada a Reciclobras.

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Escrito por Josias de Souza às 22h26

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Câmara manda ao arquivo cassação da filha de Roriz

Deu-se o previsível. Em votação secreta, os deputados absolveram a colega Joaquim Roriz (PMN-DF) da acusação de quebra de decoro parlamentar.

Para que o mandato da filha de Joaquim Roriz fosse passado na lâmina, 257 deputados teria de votar a favor do pedido formulado pelo PSOL.

Computaram-se escassos 166 votos favoráveis à cassação. Protegidos pela sombra, 265 deputados preferiram absolve-la. Outros 20 escalaram o muro da abstenção.

Jaqueline foi pilhada num vídeo em que aparece recebendo dinheiro sujo das mãos de Durval Barbosa, o delator do mensalão do DEM de Brasília.

A filmagem é de 2006. Mas só ganhou as manhetes cinco meses atrás. Jaqueline alegou que ainda não era deputada federal quando apalpou a verba.

Chorosa, Jaqueline discursou: “Em 2006, eu era uma cidadã comum, não era deputada nem funcionária pública…”

“…Portanto, não estava submetida ao Código de Ética da Câmara.” Queixou-se de suposto cerceamento de defesa. Disse ter sido massacrada pela mídia (sempre ela).

Antes de Jaqueline, discursou Carlos Sampaio (PSDB-SP). Relator do processo, ele tentou desqualificar o argumento de que crimes passados ficam impunes.

Sampaio argumentou que, embora filmado há cinco anos, o flagrante da verba espúria só veio à luz em março, quando Jaqueline já era deputada federal.

Fechando os olhos, disse Sampaio, a Câmara abriria precedente que, no futuro, sujeitaria a Casa a ter de aceitar o convívio com pedófilos, assassinos e estupradores.

“Não estamos falando de caixa dois, mas de dinheiro que veio de um dos maiores esquemas de corrupção do país”, Sampaio enfatizou.

Palavras ao vento. Ficou entendido que, para a maioria dos deputados, o convívio com impudor é natural e aceitável.

Ao absolver Jaqueline, a Câmara informou aos eleitores que, na Legislatura recém-inaugurada, a maioria dos deputados é feita de matéria-prima conhecida: desfaçatez.

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Escrito por Josias de Souza às 21h10

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Contra Dilma, Câmara decide votar emenda da saúde

Folha

Reunido com os líderes partidários nesta terça (30), o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), marcou data para votar o projeto que regulamenta a Emenda 29.

Decidiu-se que a proposta que tonifica o orçamento da saúde vai a voto no dia 28 de setembro. Chegou-se à data por acordo.

A decisão vem à luz um dia depois de Dilma Rousseff ter dirigido um apelo aos presidentes e líderes dos partidos que a apóiam no Congresso.

Dilma rogou aos mandachuvas das legendas governistas, reunidos no Conselho Político, que se abstivessem de votar a proposta da saúde.

Nesta terça, antes de saber que a Câmara remava em direção oposta, Dilma dissera o seguinte numa entrevista dada em Pernambuco:

"Não quero que me deem presentes de grego. Presente de grego eu não quero. Eu quero um presente para a saúde:…”

“…Quero saber como é que todo o investimento necessário para garantir que nosso povo tenha saúde de qualidade vai sair."

Na saída do encontro com Marco Maia, o líder do DEM, ACM Neto, insinuou que o cavalo de Troia que trota na Câmara carrega na barriga uma surpresa para Dilma:

“O governo é contrário à regulamentação, mas muitos partidos da base [governista] estão comprometidos com a matéria e devemos fazer maioria.”

Na entrevista pernambucana, Dilma dissera que os congressistas deveriam ter a "firmeza de aprovar a origem do recurso" que desejam injetar na saúde.

O texto base da proposta que corre na Câmara já foi aprovado. Deu-se numa votação ocorrida em junho de 2008.

Para que a votação seja completada, falta decidir sobre uma emenda que exclui do texto a criação de novo tributo, a CSS (Contribuição Social para a Saúde).

A oposição é contra o tributo, uma reedição da velha CPMF. Expressivos nacos do bloco governista também torcem o nariz para a CSS.

Alheio à pregação de Dilma, ACM Neto disse: “Há recursos de sobra no Orçamento da União e não será preciso criar novos tributos…”

“…Basta o governo economizar e evitar o desperdício em áreas como o trem-bala e os cargos em comissão.”

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Escrito por Josias de Souza às 20h25

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Conflitos da Líbia deixaram pelo menos 50 mil mortos

  Filippo Monteforte/FP
Comandante das tropas rebeldes que prevaleceram em Trípoli há uma semana, o coronel Hisham Buhagiar revelou uma contabilidade macabra.

Disse que os combates entre rebeldes e forças leais ao ditador Muammar Gaddafi, iniciados há seis meses, levaram à cova 50 mil líbios.

A conta do coronel inclui os mortos indubitáveis e também os presumidos (pessoas desaparecidas).

A soma de cadavers pode aumentar. Três cidades da Líbia permanecem sob controle dos homens de Gaddafi. Entre elas Sirte, terra natal do ditador.

Presidente do Conselho Nacional de Transição, o rebelde Mustafa Abdel Jalil pronunciou nesta terça (30) um ultimato.

Deu três dias para que a turma de Gaddafi deponha as armas.

"Até sábado, se não houver indicações pacíficas para implementação disto, decidiremos militarmente. Não desejamos fazer isso, mas não podemos esperar mais."

Mustafa Jalil admitiu que os rebeldes desconhecem o paradeiro do ditador, às voltas com o caso depois de 42 anos de arbítrio.

"Se soubéssemos onde Gaddafi está agora, nossos revolucionários estariam a caminho para capturá-lo...”

“…Não temos informação de que Muammar Gaddafi esteja na Líbia ou em qualquer outro lugar."

Permanece de pé a oferta de US$ 1,7 milhão, mais anistia, a quem se animar a capturar Gaddafi. Vivo ou morto.

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Escrito por Josias de Souza às 18h31

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Decepcionado com Dilma, Cristovam flerta com a CPI

Fábio Pozzebom/ABr

Há duas semanas, um grupo de senadores escalou a tribuna para declarar apoio à “faxina” de Dilma Rousseff nos ministérios.

Um dos integrantes desse grupo, Cristovam Buarque (PDT-DF), disse há pouco que começa a se “decepcionar” com Dilma.

Em aparte ao colega Agripino Maia, líder do DEM, Cristovam insinuou que pode aderir ao pedido de CPI da Corrupção:

“Em relação à CPI, existem os que assinaram, os que não assinaram e os que não assinaram a-i-n-d-a. Eu estou nesse bloco.”

Mas, afinal, vai ou não vai assinar? “Ainda vou dar alguns dias de credibilidade à presidente...”

“...Se a presidente titubear lá, eu não titubearei aqui. Minha posição contrária aos que assinaram a CPI tinha razão de interesse público e de respeito à presidente...”

“...Mas essa razão pode desaparecer se não receber dela um gesto de credibilidade.”

Por ora, assinaram o pedido de CPI apenas 20 senadores. O número mínimo exigido é de 27. Ainda que Cristovam vença suas hesitações, faltarão seis jamegões.

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Escrito por Josias de Souza às 16h48

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Dilma: sem fonte, a Emenda 29 é ‘presente de grego’

Dilma Rousseff visitou Pernambuco. Foi anunciar a construção de barreiras anti-enchentes. Aproveitou para erguer um dique anti-Legislativo.

Ao posar em Caruaru, Dilma falou a emissoras de rádio sobre o risco de o Congresso aprovar propostas gastadoras.

Mencionou a certa altura a Emenda 29, que destina verbas à saúde pública. "Não quero que me dêem presentes de grego. Presente de grego eu não quero…”

“…Eu quero um presente para a saúde: quero saber como é que todo o investimento necessário para garantir que nosso povo tenha saúde de qualidade vai sair."

Deputados e senadores, disse Dilma, deveriam ter a "firmeza de aprovar a origem do recurso." Beleza.

Ao refugar o presente de grego, dona Dilma insinua que a saída para a saúde é um cavalo de madeira que enfie na Troia do contribuinte um novo tributo.

De Caruaru, a presidente foi a Cupira. Ao discursar, Dilma rebatizou a cidade, chamando-a de Curupira. Equívoco providencial. Evoca figura mitológica do folclore brasileiro.

Curupira é o ser das matas que, com os pés virados para trás, dedica-se a desorientar caçadores e lenhadores que atentam contra a fauna e a flora.

Como que incorporando o mito, Dilma discursou em timbre Curupira. A certa altura, falou sobre a melhoria dos serviços públicos no Brasil (assista lá no alto).

“Eu vou dar o melhor de mim. Vou perseguir isso 24 horas por dia.” Mencionou um par de objetivos: “educaçao de qualidade” e um SUS decente.

Nossa saúde, disse Dilma, “é até muito avançada em certos aspectos: quer ser gratuita, universal e de qualidade.”

No arremate: “Queremos e vamos conseguir que esse sistema seja um sistema que nós possamos nos orgulhar dele.”

Dessa vez, não disse palavra sobre o dique que ergue contra a Emenda 29. Nada sobre presentes de grego. Nenhuma insinuação sobre novo tributo.

Materializando-se o milagre do SUS “universal e de qualidade” o mérito será de Dilma ‘Curupira’ Rousseff.

Mantendo-se o sistema que provê à clientela suplício e morte de corridor, a culpa será dos congressistas que vagueiam pela selva com cara de gregos.

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Escrito por Josias de Souza às 15h03

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Parentes de Lu Alckmin ‘frequentam’ novo escândalo

  Folha
A parentela de Lu Alckmin (foto), primeira-dama de São Paulo, proporciona ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) constrangimentos em penca.

Ainda outro dia noticiou-se que um irmão da mulher de Alckmin foi denunciado sob acusação de superfaturar merenda vendida a prefeitura de Pindaminhangaba (SP).

Agora, os repórteres Evandro Spinelli e Giba Bergamim Jr. informam que uma empresa de familiares da primeira dama é suspeita de fraudar a prefeitura de São Paulo.

A empresa é a Wall Street Empreendimentos e Participações Ltda.. Os sócios são Maria Paula Abreu Cesar Ribeiro, Adhemar Cesar Ribeiro Filho e Othon Cesar Ribeiro.

Maria Paula é mulher de Adhemar Cesar Ribeiro, irmão de Lu Alckmin e coletor de fundos eleitorais na campanha presidencial de Alckmin, em 2006.

A Wall Stret é acusada de falsificar documentos para pagar menos do que deveria por autorização da prefeitura para levantar um prédio.

Estima-se que o prejuízo aos cofres municipais foi de R$ 4 milhões. Coisa de 2000, quando respondia pela prefeitura o pós-malufista Celso Pitta.

A prefeitura chegou a reportar os indícios de fraude à Polícia Civil. Na época, Alckmin era vice-governador.

Em 2001, já sob a gestão da então prefeita Marta Suplicy (PT),a prefeitura mandou o caso ao arquivo.

A encrenca foi reaberta na semana passada, graças a uma denúncia anônima encaminhada à Corregedoria do município, agora sob Gilberto Kassab.

Apura-se um esquema de fraude que envolve várias empresas, não apenas a Wall Street. No total, avalia-se que o rombo foi de R$ 41 milhões.

Aos pouquinhos, a árvore genealógica de Lu vai servindo ao marido Gê os seus frutos tóxicos.

O governador não comentou o novo constrangimento. Procurados, os donos da Wall Street tampoco se animaram a devolver as ligações.

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Escrito por Josias de Souza às 07h09

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99% querem a corrupção no rol dos crimes hediondos

Guto Cassiano

Em enquete realizada por meio da internet, o DataSenado pergunta:

“Você é a favor ou contra o projeto que inclui os atos de corrupção na Lei dos Crimes Hediondos, que aplica punições mais severas aos condenados?”

Iniciada na semana passada, a sondagem já havia recolhido a manifestação de 71.775 pessoas até as 5h55 da madrugada desta terça (30).

O resultado parcial é acachapante: 99,01% a favor do projeto. Contra, escassos 0,9%.

De autoria do senador e ex-procurador da República Pedro Taques (PDT-MT), a proposta corre na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Sugere a alteração do inciso 8o do artigo 1o da lei que tipifica os crimes hediondos. Adiciona à lista três delitos:

Concussão (exigir vantagem indevida em razão do cargo), corrupção ativa e corrupção passiva.

Hoje, a pena mínima para esses crimes é de dois anos de cadeia. Aprovando-se o projeto, a punição mais branda passa a ser quatro anos de cana.

A enquete permanecerá no site do Senado até esta quarta (31). Quem quiser votar pode fazê-lo aqui. O resultado obtido até agora revela a inutilidade do levantamento.

Perguntar ao cidadão se é a favor de elevar a pena para os corruptos é o mesmo que inquirir se o sujeito é contra o câncer ou a favor do chope gelado.

Resta saber: a eventual aprovação da proposta vai inibir a prática dos crimes? Improvável.

Quem rouba sob o risco de arrostar prisão de dois anos continuará afanando se a pena subir para quatro anos.

Diz-se que a oportunidade faz o ladrão. No Brasil, soma-se à oportunidade a impunidade. Se a lei velha não é aplicada, por que a nova seria levada a sério?

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Escrito por Josias de Souza às 05h59

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As manchetes desta terça

- Globo: Estado investiu o mínimo no bonde que matou cinco

- Folha: Dilma quer usar 'extra' de R$ l0 bi para pagar juros

- Estadão: Dilma quer economizar mais R$ 10 bi

- Correio: Fazenda faz pressão para BC baixar juros

- Valor: Empresas já notam sinais de desaceleração

- Estado de Minas: Embriaguez ao volante perigo cada vez mais constante

- Jornal do Commercio: Duplicação salva vidas

- Zero Hora: Governo poupa R$ 10 bi como vacina anticrise

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h00

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Papo anti-higiênico!

Nani

- Via 'Nani Humor'. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 02h06

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Livre de Palocci, Mantega se achega a Dilma e cresce

  Sérgio Lima/Folha
A queda de Antonio Palocci, em junho, fez de Guido Mantega um novo ministro. Aproximou a Fazenda do Banco Central, achegou-se ao Planalto e mudou de status.

Um personagem situado em posição que lhe permite observar os movimentos da maçaneta do gabinete presidencial definiu o “novo” Mantega ao repórter:

“A crise econômica fez dele o ministro mais importante do governo. Frequenta mais a sala da presidenta. Há dias em que fala com ela pelo telefone até três vezes.”

Antes, Mantega enfrentava o contraponto de Palocci. Nos subterrâneos, acusava o ex-chefe da Casa Civil de puxar-lhe o tapete.

Na fase de composição do governo, Dilma gostaria de ter acomodado na Fazenda o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Manteve Mantega a pedido de Lula.

Antes de cair, Palocci participava, a convite de Dilma, de todas as audiência concedidas a Mantega. Livre da sombra, o “novo” Mantega agora já conversa a sós com a chefe.

Em matéria econômica, Mantega não é a única voz ouvida por Dilma. A exemplo do que fazia Lula, ela passou a cultivar o hábito de ouvir diferentes economistas.

Consulta-se amiúde com o próprio Coutinho. Recolhe opiniões de gente de fora do governo. Por exemplo: à direita, Delfim Netto; à esquerda, Luiz Gonzaga Belluzzo.

Para elevar o próprio status, Mantega revelou-se um personagem que Lula chamaria de “metamorfose ambulante.”

Na gestão passada, comandou a política de cofres abertos de que tanto se queixava Henrique Meirelles, o comandante do BC na Era Lula.

Sob Dilma, Mantega converteu-se em ferrenho defensor da política fiscal austera. Ironicamente, adere a teses que eram esgrimidas por Palocci.

Antes de cair em ruína política, embrulhado em prosperidade patrimonial, Palocci soprava nos ouvidos de Dilma a tese da austeridade.

Em fase camaleônica, Mantega ajusta-se às diretrizes de Dilma que, diferentemente de Lula, age para acertar o passo das duas pernas da política econômica.

Na inflexão determinada pela presidente, a perna fiscal (gastos públicos) subordina-se, por assim dizer, à perna monetária (juros).

Quer dizer: Dilma deseja oferecer ao Banco Central as condições para a queda dos juros no médio e longo prazos. Retira dos lábios de Tombini o discurso à Meirelles.

Quanto a Mantega, cuida de dançar no ritmo da nova música. Afinando-se com o BC, evita pisar nos calos de Dilma. Por isso ganhou desenvoltura no salão.

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Escrito por Josias de Souza às 23h11

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Sobre as ‘convergências’, o ‘pacto’ e a ‘falta de rumo’

Stock Images

Belo Horizonte foi palco de estranhas manifestações nesta segunda (29). Dois tucanos e um falcão falaram de um tema já remoto: a “faxina”.

De passagem pela capital mineira, FHC reiterou o discurso da busca “convergências” com o governo. “Isso não deve ser confundido com adesão, não pode ser”, disse.

Aécio Neves, grão-duque da pseudo-oposição, enganchou no lero-lero um vocábulo convergente. Falou de pacto:

"Falta ao governo a coragem necessária para chamar as oposições e acertar conosco um pacto de governabilidade…”

“…que impeça que aqueles que querem se locupletar, que queiram se aproveitar do Estado para objetivos menos nobres, tenham o status que estão tendo hoje."

Mas e quanto ao vigor da oposição? "Digo sempre: oposição ao governo, contem comigo. Ao Brasil, jamais."

Também o presidente do PT, Rui Falcão, passou por Belo Horizonte. Instaram-no a comentar a “convergência” e o “pacto”.

Falcão bicou: "Até hoje, nem o PSDB nem DEM e nem o PPS têm apoiado os projetos do Executivo, que é uma condição para sentar e negociar."

Para o mandachuva do petismo, a oposição está mesmo é "sem rumo."

Em Brasília, alheia ao debate mineiro, Dilma Rousseff cuidava de virar a página. Faxina? Coisa do passado. Ela agora só fala de superávit fiscal e de juros.

Quer dizer: o pacto de que falam os tucanatos é a convergência entre uma oposição cega e um governo surdo.

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Escrito por Josias de Souza às 22h10

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Após ouvir Dilma, CUT faz ato contra alta do superávit

Renato Araújo/ABr

A CUT convocou sua militância para uma manifestação na Avenida Paulista, defronte do prédio do Banco Central, em São Paulo. Será nesta terça (29), ao meio-dia.

Braço sindical do petismo, a CUT vai protestar contra a decisão do governo de elevar em R$ 10 bilhões a meta de superávit fiscal de 2011.

A convocação foi feita depois de reunião de Dilma Rousseff com representantes das centrais sindicais. Entre eles Artur Henrique (foto), presidente da CUT.

No encontro, Dilma explicou que decidiu elevar o superávit, contendo gastos, para criar um ambiente propício à queda dos juros.

A CUT “exige” a redução imediata da taxa básica de juros (Selic). Mas pega em lanças contra a mexida na meta de superávit.

“Essa decisão vai contra a visão da CUT de que é preciso fortalecer o mercado interno e manter as políticas públicas e sociais”, disse Artur.

O mandachuva da CUT afirma que deixou claro na conversa com Dilma que a central que dirige não aceita que o superávit vá ao elevador.

Considera que a providência conspira contra a manutenção de políticas públicas e sociais, que dependem do papel do Estado.

“A presidenta acha que as medidas criam as condições para diminuir as taxas de juros e nós achamos que, se não houver mobilização da sociedade, a taxa não cai.”

A manifestação da CUT conincide com o início da reunião de dois dias do Copom, o órgão do BC responsável pela fixação da taxa de juros.

O encontro dos diretores do BC começa nesta terça. Na quarta (30), será divulgado o veredicto sobre os juros, hoje fixados em 12,5 ao ano.

Tomado pelas palavras, o presidente da CUT dá de ombros para as explicações de Dilma.

Além de se opor ao esforço fiscal do governo, Artur Henrique pede o improvável: “Uma redução drástica da taxa de juros.” A poda nos juros, se vier, será miúda.

A despeito da crise que assedia o mundo e rói o PIB brasileiro, a inflação do país ainda roda na casa dos 7%. Muito acima da meta anual de 4,5%.

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Escrito por Josias de Souza às 20h12

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Fome: na África, sensação ocasional tornou-se mortal

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Escrito por Josias de Souza às 19h30

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DEM e PTB tentam impugnar o PSD de Kassab no TSE

  Edson Lopes/Folha
Constituído às pressas, o PSD do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab enfrenta agora o questionamento de duas legendas.

Foram ao TSE contra a criação do novo partido o PTB e o DEM, a antiga agremiação de Kassab.

O PTB alega ter incorporado a sigla PSD em 2003. Em consequência, Kassab não poderia lançar mão da logomarca.

O velho PSD foi fundado em 1945. Por ele, elegeram-se presidentes Eurico Gaspar Dutra e Juscelino Kubitschek.

Extinto em 1965, nas pegadas do golpe militar, o PSD foi reativado na década de 80 por Nabi Abi Chedid. Depois, em 2003, incorporou-se ao PTB.

Para reforçar a suposta ilegalidade praticada por Kassab, o PTB informa ao TSE que teve de arcar inclusive com as dívidas do PSD.

O DEM centra sua argumentação na certificação das assinaturas recolhidas pela turma de Kassab em todo país.

Sustenta que a nova legenda não seguiu o trâmite previsto numa resolução do próprio TSE. Coisa editada em 1995 e ratificada em 2010.

Por essa resolução, argumenta o DEM, as assinaturas teriam de ser certificadas pelos cartórios eleitores dos signatários.

Em seguida, os tribunais regionais eleitorais emitiriam certidões atestando a legalidade do processo. Só então o pedido de registro seria protocolado no TSE.

No caso do PSB, afirma o DEM, saltaram-se estágios. A requisição de registro aportou no TSE, em 23 de agosto, sem que as etapas anteriores estivessem concluídas.

A legenda de Kassab chegou a ajuizar processos de certificação em 22 Estados. Mas só obteve certidões em Santa Catarina e Goiás. Precisaria de pelo menos nove.

O O PSD, no entanto, entrou com o pedido de registro no TSE em 23 de agosto sem ter os registros necessários nos Estados.

O PSD ajuizou 22 pedidos, mas só  tem em mãos duas certidões, de Santa Catarina e Goiânia. São necessárias certidões de, pelo menos, nove Estados.

Nos próximos dias, o TSE vai requerer a manifestação do Ministério Público Eleitoral sobre os dois pedidos de impugnação.

Acionada, a Procuradoria terá dez dias para se manifestar. Depois, o relator do caso no tribunal terá mais 30 dias para instruir o processo.

Só então o caso sera levado ao plenário do TSE. Até lá o PSD, Kassab e as quatro dezenas de políticos que se associaram ao projeto roerão as unhas.

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Escrito por Josias de Souza às 18h44

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Dilma eleva a meta de superávit para reduzir os juros

Sérgio Lima/Folha

As cenas acima foram clicadas em duas reuniões promovidas por Dilma Rousseff nesta segunda (29).

Numa, foram recebidos os dirigentes de centrais sindicais. Noutra, os membros do Conselho Político –líderes e presidentes dos partidos governistas.

Nos dois encontros, Dilma e o ministro Guido Mantega (Fazenda) expuseram aos visitantes uma novidade econômica.

O governo decidiu elevar a meta de superávit primário deste ano em em R$ 10 bilhões. Foi de R$ 81 bilhões R$ 91 bilhões.

O superávit resulta da economia que o governo faz para fazer frente ao pagamento  dos juros de sua dívida.

Ao elevar a meta, Dilma sinaliza a intenção de submeter os gastos públicos a um torniquete maior do pretendia no início do ano.

Por quê? Deseja-se criar condições para que o Banco Central comece a reduzir a taxa básica de juros (Selic), hoje na casa dos 12,5% ao ano.

Para demonstrar que fala sério, o governo formalizará o ajuste na meta de superávit por meio de uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2011.

Significa dizer que o arrocho vai ao Congresso, para que deputados e senadores o transformem de um compromisso de gogó em lei.

O anúncio chega na véspera da reunião do Copom. O comitê do BC que define a taxa de juros vai à mesa nesta terça e quarta.

Em entrevista concedida após as reuniões com sindicalistas e políticos, Mantega explicou que o governo se mexe de olho na crise econômica.

Age preventivamente porque, no dizer de Mantega, a situação inspira cuidados. A perspectiva, disse o ministro, é de recessão nos EUA, Europa e Japão.

Confirmando-se esse cenário, realçou Mantega, o mundo será submetido a uma queda na demanda que acirrará a disputa pela preferência dos consumidores.

Dilma tem declarado que o Brasil está, hoje, mais preparado para lidar com a crise do que estava em 2008.

A resposta à crise será, agora, diferente da que foi adotada sob Lula. Como admitiu Mantega, houve uma mudança na “equação de política fiscal e monetária.”

Na crise global de 2008, em vez de elevar, o governo reduziu a meta de superávit. Estimulou a economia por meio de incentivos fiscais que elevaram os gastos públicos.

Agora, prefere-se “que os estímulos sejam monetários”. Dito de outro modo: imagina-se que a redução dos juros levará as empresas a tirar o pé do freio e investir.

Mantega e Dilma disseram que Brasília não pretende fazer novos cortes de gastos em 2011.

Vai-se apenas direcionar o excesso de arrecadação de tributos para a conta do superávit. Hoje, parte do excedente perde-se no custeio da máquina pública.

Ao expor suas preocupações a sindicalistas e líderes políticos, Dilma como que reforça o apelo para que refreiam a pauta de reivindicações por novos gastos.

Vai funcionar? O tempo dirá. De positivo, por ora, apenas a sensação de que o governo não espera pela crise de braços cruzados.

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Escrito por Josias de Souza às 17h23

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Três filhos e mulher de Gaddafi ‘entraram’ na Argélia

FP

Herói, como se sabe, é quem não teve tempo de fugir. Mártir é o idiota que preferiu ficar.

Sem vocação nem pra uma coisa nem pra outra, a família Gaddafi começa a dar o pé. Um pedaço do clã cruzou a fronteira da Líbia com a Argélia.

Os fujões estão na foto. Da esquerda para a direita: a mulher de Gaddafi, Safia; os filhos Hannibal e Mohammed; e a filha Aisha.

No fim de semana, circularam boatos de que o próprio Gaddafi havia se mandado. Porém…

…Porém, em comunicado official, a chancelaria da Argélia menciona o ingresso no país apenas dos familiares do ditador. O texto não faz menção a Gaddafi.

Continua de pé a oferta dos rebeldes: US$ 1,3 milhão pela captura de Gaddafi, vivo ou morto.

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Escrito por Josias de Souza às 16h54

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Pesquisa mostra que apenas 8% dos presos estudam

Sancionada em junho deste ano, a lei 12.433 introduziu no ambiente carcerário uma novidade alvissareira: a remição da pena pelo estudo.

Funciona –ou deveria funcionar— assim: para cada três dias dedicados ao estudo, o preso reduz sua pena em um dia.

Ilustrando-se, o sujeito teria mais chances de obter uma ocupação depois que ganhasse a liberdade.

Pois bem. Descobriu-se que apenas 8% dos cerca de 500 mil presos do país estudam.

Sobram alunos. Algo como 64% dos presidiários não completaram o ensino fundamental.

Faltam professores. Em 21 Estados, a proporção de presos estudando é inferior a 10% da população carcerária.

O retrato foi desenhado em pesquisa feita com base em dados oficiais, recolhidos no Departamento Penitenciário Nacional.

Tonifica-se a impressão de que, atrás das grades, a única escola que prolifera é a do crime.

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Escrito por Josias de Souza às 15h50

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Roriz volta à ‘vida pública’ em disputa na cidade natal

Antônio Cruz/ABr

Joaquim Roriz (PSC) –ou o que restou dele— está de volta. Prepara-se para retomar a carreira política do zero. Vai disputar a prefeitura de Luziânia (GO), sua cidade natal.

O retorno de Roriz desafia a Lei da Ficha Limpa e o bom senso. Ostenta condições físicas que ornam mais com o pijama do que com os desafios de um prefeito.

Entrado em anos, Roriz, 75, enfrenta um problema renal que o obriga a submeter-se a três sessões semanais de hemodiálise.

Porém, a despeito da saúde frágil e de um pegajoso rastro de processos judiciais, Roriz vestiu-se de candidato, informa o repórter Raphael Di Cunto.

Vizinha do Distrito Federal, a 55 km do centro de Brasília, Luziânia é o berço político de Roriz. Deu-lhe, em 1972, um mandato de vereador, o primeiro de sua carreira.

Depois disso, Roriz foi deputado estadual e deputado federal por Goiás. Fez-se prefeito de Goiânia. Governou Brasília quatro vezes. Elegeu-se senador.

No ano passado, quando tentava retornar ao governo da Capital da República, foi abalroado pela Lei da Ficha Limpa.

A Justiça Eleitoral enquadrou-o no artigo da lei que torna inelegíveis os políticos que renunciaram ao mandato para fugir de processos de cassação.

Em 2007, pilhado num grampo telefônico que revelou diálogos vadios que mantivera com o empresário Nenê Constantino, Roriz renunciara ao mandato de senador.

Em recurso ao STF, tentou livrar-se da lei que exigia dos candidatos prontuário higienizado. O Supremo serviu a Roriz um empate –cinco a cinco.

Antes que o mérito da causa fosse julgado, Roriz renunciou à candidatura. Acomodou na vaga a mulher, Wesley, que se revelou um fiasco.

Nas pegadas do caso Roriz, o STF decidiu que a Lei da Ficha Limpa não valeu para 2010. Há dúvidas quanto à validade para 2012 e 2014.

Jader Barbalho (PMDB-PA), barrado pelo mesmo artigo em que se enroscara Roriz, ganhou do STF o direito de assumir a cadeira de senador conquistada em 2010.

Embora multiprocessado, Roriz não carrega sobre os ombros nenhuma condenação de segunda instância. Por isso, imagina-se em condições de retomar a carreira.

O retorno às origens não parece constrangê-lo. Em entrevista a ‘O Repórter’, diário de Luziânia, Roriz deu a entender que vê na prefeitura local é apenas um novo degrau:

"Ser prefeito da minha cidade natal é o coroamento da minha vida pública. Mas é muito difícil encerrar a política. E eu ainda quero trabalhar para promover uma vida melhor para as pessoas."

Roriz não está só. Longe disso. Apoiam-no Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB) –respectivamente governador e ex-governador de Goiás.

Também dá suporte à pretensão de Roriz o atual prefeito de Luziânia, Célio da Silveira (PSDB). No exercício do segunto mandato, Célio não pode disputar a reeleição.

Considerando-se as origens e a multiplicidade de apoios, a menos que a Justiça Eleitoral o impeça, Roriz vai às urnas municipais com cara de imbatível.

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Escrito por Josias de Souza às 05h16

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As manchetes desta segunda

- Globo: Falha em freio de bonde pode ter causado acidente

- Folha: Banco infla calote para sonegar, afirma Receita

- Estadão: Dilma busca apoio político para vetar novos gastos

- Correio: Jaqueline aposta na impunidade

- Valor: País precisa gastar R$ 4,7 bi para evitar blecaute na Copa

- Estado de Minas: Os excluídos da ascensão social

- Jornal do Commercio: Mais um flanelinha é preso. Agora por furto

- Zero Hora: Risco aéreo força governo a negociar com controladores

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h19

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Últimas palavras!

Benett

- Via 'Gazeta do Povo'. Aqui, notícia sobre a frustrada proposta de Gaddafi de "negociar" com os rebeldes.

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Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Convocados via Facebook 30 mil vão à rua em Brasília

Lula Marques/Folha

A região central de Brasília viveu um domingo atípico. Convocada via Facebook para uma tal “Corrida da Cerveja”, uma multidão foi meio-fio.

A Polícia Militar estima que cerca de 30 mil pessoas passaram pela via batizada de Eixão, no trecho que corta a Asa Norte da Capital.

Muita gente foi à rua fantasiada. Algo que, combinado à euforia proporcionada pelo consumo de cerveja, injetou na azáfama um quê de Carnaval fora de época.

No fim das contas, celebrou-se o nada. Afora o rastro de latinhas que vai infernizar a segunda-feira dos garis, ficou impressa no asfalto uma interrogação.

Num instante em que ministros caem da Esplanada como frutas podres, por que diabos o brasiliense não desperdiça um naco de sua energia num protesto anti-corrupção?

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Escrito por Josias de Souza às 00h31

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Dilma apresenta a partidos aliados o arrocho de 2012

Fábio Pozzebom/ABr

O ministro Guido Mantega (Fazenda) reuniu-se com Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, na noite deste domingo (28).

Na conversa, Mantega expôs à chefe dados que serão exibidos na manhã desta segunda (29) aos presidentes e líderes dos partidos do condomínio governista.

Em reunião do Conselho Político, os mandachuvas das legendas conhecerão em primeira mão detalhes da política fiscal do governo para 2012.

Será uma política de cintos apertados. Ressalvados os investimentos sociais e em infraestrutura, os gastos serão reduzidos ao mínimo necessário.

A meta de superávit fiscal –economia que o governo faz para pagar amortizar os juros de sua dívida— deve ser mantida em 3% do PIB.

Os números que Dilma e Mantega exibirão aos partidos constarão do Orçamento da União, a ser enviado ao Congresso antes do fim de semana.

O Orçamento tem de ser aprovado por deputados e senadores até dezembro. E Dilma espera convencer seus “aliados” da gravidade do momento.

Alega-se que convém ao governo segurar os gastos para lidar adequadamente com a crise econômica. Uma crise que, iniciada nos EUA e na Europa, ecoará no Brasil.

O encontro com os partidos ocorre na véspera do início da reunião de dois dias do Copom, o órgão do Banco Central que define a taxa básica de juros (Selic).

Para evitar que a crise leve a economia ao freezer, deseja-se reduzir os juros. É improvável que a queda comece imediatamente. Porém...

Porém, ao adotar uma política fiscal restritiva, o governo sinaliza a disposição de oferecer ao BC o contraponto necessário para o abrandamento dos rigores monetários.

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Escrito por Josias de Souza às 23h01

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Maluf festeja 80 anos, metade dedicada às ‘malufices’

Ex-governador e ex-prefeito, hoje deputado federal, Paulo Salim Maluf (PP-SP) faz aniversário de 80 anos no próximo sábado.

Mais da metade dessa existência foi dedicada à política. Um período em que Maluf construiu biografia rica, muito rica, riquíssima.

A longevidade de Maluf será celebrada em festa organizada pela mulher, Sylvia. Será na Sala São Paulo. Uma sala de concertos para um personagem sem conserto.

Hoje, a rotina política de Maluf reduziu-se a teatro. Quando alcançado pelos holofotes, ele já não concede entrevistas, simula inocência.

A conversa lá do alto, de março do ano passado, oferece bom exemplo. Maluf acabara de ser incluído na lista de procurados internacionais da Interpol.

Em mais de quadro décadas, Maluf plantou na enciclopédia uma corrente política: malufismo. No dicionário, injetou um verbo: malufar.

Como definir o malufismo? Numa frase de 1986, Maluf disse que “o malufista é igual corintiano. O time pode perder, mas ele será sempre corintiano.”

Sob verniz historiográfico, o malufismo evoca um tipo de populismo que proliferou em São Paulo na fase pós-Revolução de 1930.

Um sentimento 100% feito de demagogia. Teve em Adhemar de Barros e Jânio Quadros dois mestres supremos.

A vitrine do malufismo inclui a fama de administrador arrojado. Coisa construída à base de concreto, muito concreto.

Da verba vertida sobre túneis, viadutos e avenidas veio o verbo malufar, sinônimo de surrupiar. Maluf o renega. Define-se como o político de ficha mais limpa do país.

Uma heresia, considerando-se a ficha corrida do aniversariante. A repórter Tatiana Farah produziu um bom resumo, disponível aqui.

Prisão decretada nos EUA, bens bloqueados no Brasil, Maluf chega aos 80 enganchado noutro vocábulo.

Não foi criado por ele nem inspirado na biografia dele. Mas tem nele um (in)digno representante: I M P U N I D A D E.

Dura tanto tempo que Maluf já não está só. Longe disso. Hoje, as malufices têm infinitas ramificações.

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Escrito por Josias de Souza às 21h57

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Para Vaccarezza, carona aérea não corrompe ninguém

Num instante em que a ‘jatomania’ manda reputações para os ares, o Painel reproduz, na Folha, comentário de Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder de Dilma na Câmara:


"Uma coisa é corrupção, outra é carona em avião de amigo. Não acho que alguém vá se vender porque pegou uma carona."


O problema de acreditar assim, tão piamente, é que depois não dá pra piar.

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Escrito por Josias de Souza às 18h03

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Elio Gaspari: ‘O protocolo antiprivataria do Dr. Laredo’

Além do infortúnio de ter nascido sem berço, o pobre brasileiro, quando levado ao hospital, submete-se ao risco de morrer sem leito.

Deu-se na Santa Casa de Sertãozinho (SP) um caso típico. Cidadão desprovido de pecúnia arrostou um infarto.

O médico que assistia o paciente, Dr. Laredo, mandou que fosse levado ao CTI. Havia cama disponível. Mas estava reservada à clientela dos planos privados de saúde.

Para salvar a vida do desafortunado do SUS, o doutor teve de recorrer a providência extrema.

Num dos textos de sua coluna dominical, disponível na Folha, o repórter Elio Gaspari comenta o que sucedeu e ilumina o pano de fundo. Leia:


“Uma estatística e um incidente expuseram a extensão do ataque da privataria dos planos de saúde contra a rede pública do SUS.

O repórter Antônio Gois mostrou que o mercado das operadoras cresceu 9% entre março de 2010 e março deste ano, incorporando 4 milhões de novos clientes. O faturamento das empresas aumentou em torno de 20%.

Já o número de leitos oferecidos à freguesia cresceu apenas 3%. Basta fazer a conta para que surja a pergunta: para onde vão os clientes dos planos privados? Para a rede pública.

Está em curso um processo de apropriação do bem coletivo pelos interesses privados. Essa tendência se agrava quando se vê que as operadoras oferecem planos baratinhos, sabendo que não podem honrar os serviços que oferecem.

Plano de saúde individual que cobra menos de R$ 500 por mês é administrado por apostadores ou faz os fregueses de bobos.

Em hospitais públicos como o Incor e o das Clínicas de São Paulo já existem duas portas, uma para o SUS e outra para os planos. (Quando o Incor quebrou, tentou se internar no CTI financeiro da Viúva do SUS.) O governador Geraldo Alckmin quer privatizar 40% das unidades administradas por organizações sociais.

Na Santa Casa de Sertãozinho (SP), instituição filantrópica que, legitimamente, atende tanto ao SUS quanto aos convênios, deu-se um episódio que pode servir de lição e exemplo.

O médico Paulo Laredo Pinto atendia um paciente de 55 anos, diabético, obeso e hipertenso (como a doutora Dilma), internado há dias.

Ele sentiu dores no peito, e Laredo, cirurgião vascular, diagnosticou um processo de infarto: ‘Ele podia morrer se ficasse mais cinco minutos na enfermaria’.

Diante do quadro, pediu a transferência do paciente para o CTI. Nem pensar. O homem era do SUS e, mesmo havendo vaga no Centro de Terapia Intensiva, estava à espera de algum paciente dos planos privados.

Com o apoio de dois colegas, desconsiderou a negativa e transferiu o doente. Fez mais: chamou a polícia: ‘Registrei um boletim de preservação de direito. Existe o crime de omissão de socorro. O leito não é de ninguém, é de quem precisa’.

O paciente ficou no CTI e, dias depois, seu quadro era estável. Pelo protocolo da privataria, talvez estivesse morto.

Se os médicos começarem a chamar a PM, as coisas ficarão claras. Um caso de polícia, caso de polícia será.

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Escrito por Josias de Souza às 06h32

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DEM decide lançar candidato em SP e complica PSDB

  José Cruz/ABr
Eterno parceiro eleitoral do PSDB, o DEM decidiu desenvolver um projeto próprio na disputa pela prefeitura de São Paulo, em 2012.

“Nosso candidato será o Rodrigo Garcia”, disse ao repórter o presidente do DEM federal, senador José Agripino Maia (RN).

Deputado licenciado, Rodrigo é, hoje, secretário de Desenvolvimento Social do governo tucano de Geraldo Alckmin.

É a secretaria dele que vai implementar a integração do Bolsa Família federal com a Renda Cidadania estadual.

A junção dos dois programas é parte do pacto “Brasil Sem Miséria”, firmado por Dilma com os governadores do Sudeste, entre eles Alckmin.

Agripino disse ao blog que o DEM só abdicaria da candidatura de Rodrigo Garcia se o candidato do PSDB fosse José Serra, hipótese na qual já não acredita.

“Com o Serra, nossa aliança seria automática”, afirmou o senador. Sem ele, o DEM imagina que o secretário Rodrigo reúne chances análogas à dos pretendentes do PSDB.

São três os tucanos que disputam a vaga de candidato, todos secretários de Alckmin: Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aibal (Energia).

Serra tentou levar ao tabuleiro o nome do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Mas ele refugou: “Estou bem como senador”, disse.

Confirmando-se o plano do DEM de trafegar em via própria, complica-se a vida do tucanato. Sem o parceiro, o PSDB disporá de menos tempo de televisão.

O petismo, principal antagonista dos tucanos em São Paulo, vive um drama semelhante.

A despeito dos esforços de Lula, parceiros tradicionais do PT também anunciam a intenção de levar nomes próprios às urnas eletrônicas de 2012.

O PMDB diz que irá de Gabriel Chalita. O PCdoB confirmou neste sábado (27) a candidatura de Netinho de Paula. O PR negocia com ambos, dando de ombros para o PT.

Mantido esse cenário, alianças que PSDB e PT davam como favas contadas para o primeiro turno serão adiadas para um eventual segundo round.

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Escrito por Josias de Souza às 04h22

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As manchetes deste domingo

- Globo: Falta de cadastro permite até 27 identidades por habitante

- Folha: Embaixada do Brasil nos EUA foi grampeada

- Estadão: Rebeldes avançam para tomar cidade natal de Kadafi

- Correio: Verba federal para empresa de fachada

- Estado de Minas: A nova corrida do ouro

- Jornal do Commercio: Carro invade banca de revista e mata idosa

- Zero Hora: Gosto pelo confronto emperra o Rio Grande

- Veja: O poderoso chefão

- Época: Os últimos dias do tirano

- IstoÉ: Battisti: um cidadão do Brasil

- IstoÉ Dinheiro: Apple sem Steve Jobs

- CartaCapital: O efeito Líbia

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas.

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Escrito por Josias de Souza às 02h54

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Cabra cega!

Regi

- Amazonas Em Tempo, via A Charge Online. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h04

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‘Inferno fora da cadeia’: Battisti prepara livro e ONG

José Cruz/ABr

Libertado há dois meses, o ex-terrorista italiano Cesare Battisti, hoje com 56 anos, revive uma sensação que havia experimentado aos 25.

Já tinha a experiência de cadeia e liberdade”, diz ele. “Sabia que, depois do inferno da prisão, tem outro inferno, fora da cadeia.”

Battisti atravessa o primeiro círculo do seu suplício numa pequena e aprazível cidade do litoral paulista, cujo nome prefere não ver divulgado.

Em vez de labaredas, arrosta baixas temperaturas. Quando a repórter Luiza Villaméa o alcançou, na semana passada, chovia fino. O termômetro marcava 12 graus.

“Nunca gostei de frio”, queixou-se Battisti, temporariamente hospedado na casa de veraneio de um sindicalista amigo, Magno de Carvalho.

Diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo), Magno conta que Battisti ambientou-se muito bem:

“O Cesare se integrou tão bem na cidade que já ganhou presentes dos moradores, como carnes de caça e peixes.”

Em entrevista, Battisti ecoou Magno: “É o máximo. Já me convidaram para pescar, para conhecer a Mata Atlântica…”

“[…] Saio na rua e todo mundo me cumprimenta. Tenho que me cuidar, senão tenho de tomar uma cerveja em cada boteco.”

Chamado de “César” e identificado como “escritor italiano”, Battisti conta: “Boa parte das pessoas com as quais tenho contato sabe quem eu sou…”

“…Só que elas souberam depois de me conhecer. E têm uma relação de simpatia comigo. Se tivesse sido o contrário, talvez fosse mais difícil…”

“…Teve só um morador, que paradoxalmente tem uma história de esquerda, que falou para um amigo, dono de um quiosque, que eu era um assassin…”

“…Depois, esse morador disse ao Magno que havia feito besteira e pediu desculpas.”

Battisti repisa que não participou das quatro mortes que lhe renderam a condenação à prisão perpétua na Itália. Esforça-se para reconstruir a vida:

“Nunca achei que sairia da cadeia e o mundo estaria em minhas mãos. […] Não é igual sair aos 25 anos e aos 56. Aos 56 anos, é mais difícil.”

Sustentado por recursos recolhidos em “vaquinhas”, Battisti gasta o tempo em caminhadas na praia e na Mata Atlântica. Desenvolveu uma rotina:

“Acordo às 6h30. Faço o café, vou comprar jornal. Depois, vou andar. Encontro pescadores voltando da pesca…”

“…Compro peixe. Gosto de cozinhar. Aqui é a zona da tainha.” À tarde, nova caminhada.

Battiste equipa-se para ganhar o próprio dinheiro. Daí a alusão ao “inferno”. Tenta retomar o ritmo de 2007, quando vivia de direitos autorais, antes de ser preso.

Em 15 de agosto, recebeu do Ministério da Justiça a cédula de identidade provisória. Tornou-se oficialmente um estrangeiro legalizado.

Na semana passada, chegou-lhe às mãos o CPF. Nos próximos dias, vai a São Paulo, para abrir uma conta bancária e encontrar-se com seu editor.

Chama-se Evandro Martins Fontes. É dono da Editora Martins Fontes, o selo que levará às prateleiras o próximo livro de Battisti: “Ao Pé do Muro.”

Contará a experiência do ex-prisioneiro no Brasil. Escrito por Battisti na língua francesa, encontra-se em fase de tradução.

Antes de chegar às livrarias, no fim do ano, deve ser lançado na Bienal do Livro do Rio, em setembro. O autor não irá: “Não quero provocar polêmica, me exibir”, diz Battisti.

Além de retomar a carreira de escritor, o ex-preso vai lançar uma ONG. Uma versão nacional da “Literatura Furiosa”, fundada na França pelo brasileiro Luiz Rosas.

Trata-se de entidade voltada à difusão de literatura para analfabetos funcionais. Na França, é custeada com verbas da União Europeia.

Assim que estiver em condições de encher a geladeira com revcursos próprios, Battisti planeja estabelecer-se na capital paulista.

Deseja: “Alugar um apartamento em São Paulo e viver como me permite o Estatuto do Estrangeiro. Não posso votar, mas terei muitos direitos de um cidadão brasileiro.”

Gostaria de avistar-se com o ex-ministro Tarso Genro (Justiça) e com Lula, para “agradecer”. Hoje governador gaucho, Tarso não se opõe. E deseja-lhe sorte:

“Que ele seja um cidadão digno, trabalhe, escreva e respeite o nosso país.”

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Escrito por Josias de Souza às 23h41

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Em SP, PCdoB confirma Netinho como ‘pré-candidato’

  Divulgação
Um encontro municipal do PCdoB
confirmou neste sábado (27) o nome do vereador-pagodeiro Netinho de Paula como pré-candidato da legenda à prefeitura de São Paulo.

A decisão, tomada por unanimidade, ratifica indicação que havia sido feita em abril. Netinho e o partido vão agora negociar com outras legendas.

Netinho vem de uma derrota na corrida para o Senado, no ano passado. Ficou na Terceira colocação, com 7,7 milhões de votos.

Consumada a escolha, Netinho disse que seu principal objetivo passa a ser a costura de uma coligação com outras legendas.

Disse estar dialogando com o PDT, presidido em São Paulo pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da força.

Declarou-se gratamente surpreso com a decisão do PR de distanciar-se do PT e de incluir o seu PCdoB no rol de alternativas de composição.

Netinho contou que, na semana passada, reuniu-se em Brasília com o deputado Valdemar Costa Neto, o célebre secretário-geral do PR.

De resto, Netinho declara que inclui nos seus planos o PSD do atual prefeito Gilberto Kassab.

"Temos realizado com o prefeito um trabalho de renovação na Câmara, que pode ser estendido para um futuro mandato na prefeitura.", disse.

O pré-candidato do PCdoB considera-se uma “alternativa” para romper em São Paulo a polarização entre PT e PSDB.

A novidade constui um novo problema para Lula, que tenta empinar em São Paulo a candidatura do ministro Fernando Haddad.

Tradicional aliado do PT, o PCdoB deseja agora constituir um novo pólo.

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Escrito por Josias de Souza às 20h25

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No AP, médicos decidem paralisar os plantões do SUS

  Divulgação
Uma crise no setor de saúde pode deixar a clientela do SUS sem atendimento nos ponto-socorros do Amapá dentro de cinco dias.

A decisão de paralisar os plantões a partir de 1o de setembro foi tomada em assembléia representativa dos 500 médicos que trabalham para o Estado.

Deu-se há dois dias, na sede do CRM-AP (Conselho Regional de Medicina do Amapá). Uma parte dos médicos decidiu adotar posição ainda mais drástica.

Menos de 24 horas depois da realização da assembléia, cerca de 120 médicos comunicaram ao CRM local a decisão de pedir demissão.

Confirmado-se a dupla ameaça –paralisação e demissões— os hospitais públicos amapaenses evoluirão da precariedade para o caos.

Em texto levado à sua página na web, o CRM do Amapá explica os meandros da crise. Na origem estão: más condições de trabalho, baixa remuneração e uma ilegalidade.

Os médicos que atendem em hospitais públicos do Amapá recebem, em média R$ 3.056 por mês.

É menos da metade do piso recomendado pela Federação Nacional dos Médicos, de R$ 9.188,72.

Para complementar os vencimentos, o Estado recorre a uma ilegalidade. Engorda os contracheques dos médicos com o pagamento de plantões jamais realizados.

Informado sobre o malfeito, o Ministério Público Estadual concluiu o óbvio: pagamento de plantões sem o derramamento de suor, não tem amparo legal.

Em 29 de julho, a Promotoria do Amapá promoveu um encontro de autoridades do governo, do CRM e do sindicatos dos médicos do Amapá.

Firmou-se nessa reunião um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Coisa ambiciosa, destinada a resolver a crise da saúde.

Prevê da compra emergencial de material hospitalar à regularização da escala de plantões.

Quem lê o documento, disponível aqui, fica sabendo que falta de tudo nos hospitais do Amapá –de medicamentos a material descartável como luvas e máscaras.

Em relação aos plantões ilegais, decidiu-se: fazer uma auditoria nas escala, suspender os pagamentos indevidos e enviar à Asembléia Legislativa projeto de regulamentação.

Ficou entendido que o Estado negociaria com os medicos a reformulação da sistemática de trabalho até o dia 31 de agosto.

“Até o momento”, anota o CRM-AP em seu texto, “a classe [médica] não recebeu nenhum posicionamento do órgão [Secretaria de Saúde do Estado.]”

Daí a decisão de paralisar os plantões, seguida da leva de pedidos de demissões. Os demissionários estão ligados ao Estado por contratos administrativos.

Pra tentar se precaver contra eventuais retaliações judiciais, o CRM enviará ao Ministério Público comunicação formal das decisões tomadas pela categoria.

Agendou-se uma nova assembéia dos médicos amapaenses para a próxima terça (30), véspera do vencimento do prazo para a definição da nova sistemática de plantões.

Trava-se no Amapá uma briga em que a clientela pobre dos hospitais públicos entra com a vida.

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Escrito por Josias de Souza às 18h40

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A semana passada a sujo. Mas, calma, vem aí o papa

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Escrito por Josias de Souza às 10h57

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Rui Falcão: a despeito de Lula, ‘Marta não vai desistir’

Ricardo Weg/Divulgação

Presidente do PT federal, Rui Falcão encontra-se em situação incômoda. Ele integra o grupo político de Marta Suplicy. Assessorou-a na prefeitura de São Paulo (2001-2004).

Agora, às voltas com a montagem do palanque municipal de 2012, Falcão assiste aos movimentos de Lula em favor da candidatura de Fernando Haddad.

Em entrevista ao repórter Luiz Maklouf Carvalho, o mandachuva do PT foi instado a comentar o tema.

Falcão se absteve de revelar sua posição pessoal. Mas declarou: “Meu feeling é que ela não vai desistir. Ela tem dito a apoiadores dela que vai continuar.”

Vai abaixo o pedaço da entrevista que girou em torno da disputa paulistana:


– O ex-presidente Lula está “tratorando” o PT ao bancar a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, a prefeito de São Paulo? O Lula é a maior liderança do PT e sempre foi muito ouvido. Essa expressão “tratorando” não se aplica, porque, embora ele argumente e faça manifestar suas preferências, nunca impôs isso ao partido.

– Ele tem dito, referindo-se a Haddad, que São Paulo precisa de algo novo. A senadora Marta Suplicy diz que, se Lula quiser perder, fique com Haddad. Como se resolve esse conflito? O Lula está chamando as pessoas para conversar. Ele não pediu para ninguém retirar sua candidatura. Então nós estamos caminhando para uma prévia, que está prevista no estatuto do PT.

– Dizer que Lula vai perder se for com Haddad não é uma provocação? Não é provocação. Uma frase como essa puxa manchete, mas ela quis dizer o seguinte: “Eu conheço mais a cidade, eu tenho mais diálogo com a população e, portanto, eu sou a candidata favorita. Então, se alguém quer perder, apoie o outro candidato”. É uma avaliação, com base em pesquisa.

– O que vê de novo em Haddad? O argumento da novidade não é bom para qualificar o Haddad, que tem outras qualidades. Novidade são também o Jilmar Tatto e o Carlos Zaratini [deputados petistas que também pleiteiam a vagado PT] porque conhecem a cidade, foram secretários e têm realizações para mostrar. No passado, o Lula já disse que um dos problemas do PT é que ele não repetia candidato.

– Sua candidata é a Marta? Não tenho candidato. Como presidente do PT, não devo manifestar preferência neste momento.

– Marta pode abrir mão de sua pretensão à candidatura? Meu feeling é que ela não vai desistir. Ela tem dito a apoiadores dela que vai continuar.

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Escrito por Josias de Souza às 06h02

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Gleisi trata procurador-geral como ‘consultor-pessoal’

Sérgio Lima/Folha

Os cofres públicos estariam livres de muitos ataques se os responsáveis pelo manuseio das chaves adotassem uma máxima simples: na dúvida, faça o contrário.

Ex-diretora de Itaipu, Gleisi Hoffmann recebeu tratamento e verbas de demitida ao pedir demissão.

Seguindo a máxima do “faça o contrário”, a estatal não teria liberado a grana e a ministra não a teria embolsado.

Como o bom senso foi negligenciado, Gleisi tornou-se devedora de explicações e Itaipu credora de ressarcimento.

Levada às manchetes de ponta-cabeça, a chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff inovou: transformou o procurador-geral em consultor-pessoal.

É o que informa, na Folha, o Painel. Leia:


- De Gleisi para o PGR: Em carta enviada ontem ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, Gleisi Hoffmann pergunta se foi lesiva ao erário a operação que lhe permitiu receber R$ 41 mil de multa ao deixar a diretoria de Itaipu, em 2006, para concorrer pela primeira vez ao Senado pelo Paraná.

O valor, equivalente a 40% do saldo de seu Fundo de Garantia à época, foi liberado embora a petista tenha saído da empresa por iniciativa própria.

Na consulta endereçado ao PGR, a ministra da Casa Civil se declara disposta a devolver o dinheiro, se o Ministério Público entender que houve prejuízo aos cofres públicos. Nesse caso, ela pede ainda que se defina o índice de correção para a restituição.

- Vacina: Com a medida, Gleisi se antecipa à bancada do PSDB na Câmara, que na próxima semana entrará com representação na Procuradoria-Geral acusando a ministra de ter se beneficiado de pagamento indevido.

Para o líder tucano, Duarte Nogueira, a prática configuraria improbidade e peculato.

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Escrito por Josias de Souza às 04h57

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As manchetes deste sábado

- Globo: Interventor encontra ralos para corrupção na Conab

- Folha: Alerta sobre furacão tira 272 mil de casa em NY

- Estadão: Prefeitura de SP sofre fraude recorde

- Correio: Justiça proíbe Câmara de pagar supersalário

- Estado de Minas: 100 anos de perigo

- Zero Hora: Protesto e vandalismo de PMs por salários constrangem quartéis

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h24

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Conexão Líbia-Maranhão!

Paixão

- Via Gazeta do Povo. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h39

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Para FHC, CPI só se for ‘pró-Brasil’, não ‘anti-governo’

  Fotos: Folha e Reuters
Num instante em que o PSDB tenta calibrar suas divergências em relação a Dilma Rousseff, FHC defende em artigo a busca de “convergências em favor da decência.”

Dilma já escondeu a vassoura atrás da porta. Mas Fernando Henrique Cardoso não desistiu de apoiá-la na “faxina”.

“O país cansou da roubalheira”, anota o presidente de honra do tucanato em texto pendurado no blog que mantém no recém-lançado site ‘Observador Político’.

Para FHC, já “não basta denunciar, demitir, prender” os malfeitores. Achegando-se um pouco mais a Dilma, ele defende:

“É preciso buscar convergências em favor da decência nas coisas públicas. Deve-se ir fechando os canais que facilitam a corrupção.”

Sugere “reduzir drasticamente o número de pessoas nomeadas para o exercício de funções públicas sem pertencer ao quadro de funcionários da União.”

Há na máquina federal algo como 22 mil cadeiras cuja ocupação depende mais do padrinho político do que das credenciais do nomeado.

Já era assim quando FHC ocupou a Presidência da República. Em oito anos de reinado tucano, nada se fez. Dilma parece ter reanimado o ex-rival:

“Por que não propor no Congresso algo nesta direção?”, FHC se pergunta. “Não acabaria a corrupção”, ele reconhece.

Mas “resguardaria os partidos e o Congresso do cheiro de podridão que a sociedade não aguenta mais e atribui só a eles e seus apadrinhados os malefícios do Executivo.”

O novo tom de FHC deixa os tucanos de plumas eriçadas. Enquanto o PSDB recolhe assinaturas para abrir uma CPI da corrupção, seu líder máximo leva o pé atrás.

CPI? Sim, claro, escreve FHC. Desde que não venha com a certidão de nascimento “carimbada de anti-governo.” Tem de ser uma CPI “pró-Brasil”.

Na opinião de FHC, Dilma “reagiu” contra alguns dos “desmandos” que herdou. “Importa pouco insistir em que a reação veio tarde, pois antes tarde do que nunca.”

Ele recorda em seu texto que “as pessoas sérias, inclusive no Parlamento, procuram dissociar-se das teias de corrupção.”

Decerto refere-se ao “grupo ético” do Senado, liderado por Pedro Simon (PMDB-RS) –apoiadores que Dilma deixou pendurados na vassoura, falando sozinhos.

Para não dizerem que perdeu o cacoete de oposicionista, FHC bateu em Lula:

“Desde o ‘mensalão’, com a permissividade do próprio presidente da época, a onda de desmandos e as teias de cumplicidade se avolumaram”, anota.

Evoca comentários atribuídos a Lula quando confrontado com casos de corrupção:

“’Não é tão grave assim’ ou então, ‘foi coisa de aloprados’ ou ainda de que se trataria ‘apenas’ de dinheiro para pagar contas de campanha eleitoral.” Acrescenta:

“Com esta leniência compreende-se que pessoas ou setores dos partidos que apóiam o governo se sintam mais à vontade para entoar o cântico do dá-cá-toma-lá.”

Nos seus dois mandatos, FHC também deu e recebeu. Mas ele se esquiva das explicações:

“Menos interessa, a esta altura dos acontecimentos, saber se houve corrupção em outros governos. Malfeitorias sempre houve…”

“…A diferença é que, de uns anos para cá, ela mudou de patamar com o sinal de perdão diante de cada caso denunciado.”

Importante mesmo é considerar que Dilma “reagiu” e perseguir as tais “convergências em favor da decência.”

Na campanha eleitoral, FHC alvejara Dilma com alguma virulência. Tachara-a de “boneca de ventríloquo”, insinuara que era despreparada.

Amoleceu o discurso depois de receber de Dilma uma carta amistosa. A pretexto de cumprimentá-lo pelo aniversário de 80 anos, a ex-boneca afagou FHC.

Chamou-o de "acadêmico inovador", "político habilidoso", "o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica."

O PSDB talvez devesse enviar uma carta ao seu líder. Um texto no qual pedisse perdão por ter escondido seu amor no armário por tantos pleitos e carnavais. Ou isso ou adeus!

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Escrito por Josias de Souza às 00h32

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Emendas de Ideli levaram verbas a ONG de assessor

Antônio Cruz/ABr

A ministra Ideli Salvatti, hoje gestora das verbas e dos cargos, já esteve do outro lado do balcão.

Ao tempo em que era senadora, Ideli valeu-se de duas emendas –uma de 2008, outra de 2010— para destinar R$ 200 mil da Viúva a uma ONG.

Chama-se Cesap (Centro de Elaborações, Assessoria e Desenvolvimento de Projetos). Tem sede em Florianópolis, base eleitoral de Ideli.

Criada em 2003, ano inaugural do primeiro reinado de Lula, a entidade teve como sócio-fundador Claudionor de Macedo.

No ano seguinte, 2004, Claudionor virou assessor parlamentar de Ideli no Senado. Deixou a direção da ONG. Manteve-se como “membro colaborador.”

Graças às emendas de Ideli, o Cesap firmou em Brasília dois convênios. Juntos, somam R$ 268,8 mil, mais do que o esperado.

Um dos convênios, de R$ 158,5 mil, foi beliscado no Ministério do Desenvolvimento Agrário. Outro, de R$ 110,3 mil, na Secretaria de Políticas para Mulheres.

Desses valores, R$ 148 mil já migraram para as arcas da ONG. Como ministra, Ideli tem a oportunidade de apressar a liberação do resto.

Procurada, Ideli manifestou-se sobre o tema por meio de nota. Defendeu a destinação de verbas públicas para a entidade catarinense:

"Com os recursos destinados através das duas emendas foram criados 12 grupos voltados para ajudar mulheres chefes de família na geração de renda…”

“…O trabalho beneficiou indiretamente centenas de famílias das cidades de Itajaí, Tijucas e Palhoça."

Nao se sabe o que consta da prestação de contas da ONG ao ministério agrário e à secretaria de mulheres.

Ainda assim, o repórter suspeita que, tomando emprestado o helicóptero que José Sarney usou para passear no Maranhão…

…E jogando o dinheiro das emendas de Ideli sobre as comunidades pobres de Santa Catarina, as “centenas de famílias” talvez estivessem mais bem servidas.

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Escrito por Josias de Souza às 21h01

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Cartunista do contra tem os dedos quebrados na Síria

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Escrito por Josias de Souza às 20h11

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Dirceu acusa Veja de tentar ‘invadir’ seu apartamento

Folha

Em nota veiculada no seu blog, o ex-ministro José Dirceu (PT-SP) acusa a revista Veja de tentar “invadir” o apartamento que mantém num hotel de Brasília. Cita Gustavo Nogueira Ribeiro. Identifica-o como “repórter da revista”.

A coisa se passou no hotel Naoum Plaza, um dos mais requintados da Capital. Dirceu ocupa dois apartamentos: 1604 e 1606. Locados em nome de uma empresa, a Tessele Madalena Advocados Associados, ficam à disposição de Dirceu em caráter permanente.

Segundo o ex-ministro, fazendo-se passar por hóspede, o suposto repórter de Veja tentou convencer uma camareira do hotel a abrir a porta de seu apartamento. Teria alegado que perdera as chaves.

A camareira recusou-se a abrir o apartamento. E comunicou o fato à direção do hotel. O caso foi reportado à polícia, que o investiga. Dirceu reproduz em seu blog cópia do boletim de ocorrência.

Datado desta quinta (25), foi registrado na 5a Delegacia de Polícia da Asa Norte de Brasília. Informa que a tentativa de “invasão” ocorreu na véspera. Não faz menção à revista Veja. Anota o seguinte:


“Compareceu a esta delegacia o comunicante Gilmar Lima Souza, chefe de segurança e preposto do Naoum Plaza Hotel, informando que, na data e hora supracitadas [entre 13h36 e 14h18 de quarta-feira]…”

“…Gustavo Nogueira Ribeiro, fazendo-se passar por hóspede do referido hotel, tentou entrar nos apartamentos número 1604 e 1606, os quais são locados para a empresa Tessele Madalena Advocados Associados, que os cede para ocupação residencial do sr. José Dirceu de Oliveira e Silva.

Gilmar disse que Gustavo insistiu com a camareira Jôse Maia Medeiros que era hóspede dos apartamentos em questão. Gustavo chegou a alegar que tinha perdido sua chave de acesso, motivo pelo qual queria que a camareira abrisse os apartamentos para retirada de alguns objetos pessoais.

Contudo, a camareira verificou que ele sequer constava na lista de hóspedes do hotel, além de ter conhecimento de que os referidos apartamentos são ocupados pelo sr. José Dirceu.

Após a constatação, Gustavo retirou-se, retornando minutos depois e hospedando-se no apartamento número 1.607, que localiza-se próximo ao que ele queria violar, permanecendo até o fim da diária na presente data, 25/08/2011.

Gilmar Lima Souza [o chefe de segurança do hotel] ficou de forneccer posteriormente imagens gravadas em mídia digital e a ficha nacional de registro de hóspedes que comprovam tais fatos.

No seu relato, Dirceu inverte a ordem da narrativa exposta na ocorrência policial, acrescentando acusações que não constam do documento.

Na versão do grão-petê, Gustavo Ribeiro, o suposto repórter de Veja, hospedou-se no hotel antes de abordar a camareira.

Dirceu acrescenta: “Desmascarado, o infrator saiu às pressas do estabelecimento, sem fazer check-out e dando o calote na diária devida…”

Na descrição do boletim policial, o acusado aborda a camareira, ela se recusa a abrir o apartamento de Dirceu e, só então, Gustavo Ribeiro hospeda-se no hotel.

Não há menção a nenhuma fuga “às pressas”. Tampouco faz-se menção a “calote na diária”. O texto de Dirceu prossegue, em timbe acusatório:

“O jornalista voltou à carga. Fez-se passar por assessor da prefeitura de Varginha [MG], insistindo em deixar no meu quarto ‘documentos relevantes’. Disse que se chamava Roberto, mas utilizou o mesmo número de celular que constava da ficha de entrada [no hotel], que preencheu com seu verdadeiro nome…”

“…O golpe não funcionou porque minha assessoria estranhou o contato e não recebeu os tais ‘documentos’.” De resto, Dirceu anota que recebeu de Veja, por e-mail,  perguntas sobre suas atividades em Brasília.

Como que precavendo-se de uma reportagem que está por vir, Dirceu escreve: “Está evidente evidente a preparação de uma farsa, incluindo recurso à ilegalidade, para novo ataque da revista contra minha honra e meus direitos…”

“…Deixei o governo, não sou mais parlamentar. Sou cidadão brasileiro, militante político e dirigente partidário. Essas atribuições me concedem o dever e a legitimidade de receber companheiros e amigos, ocupem ou não cargos públicos.”

- Atualização feita às 10h06 deste sábado (27): Aqui, o “veneno” contra o qual Dirceu biscava antídoto. Reportagem de Veja apresenta-o como “chefão” da República.

O apartamento de hotel é seu “gabinete”. Autoridades e congressistas fazem “fila” no corredor. A diária do pedaço sai a R$ 500 por dia. Não é Dirceu quem paga!

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Escrito por Josias de Souza às 18h21

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PR ameaça apartar-se do PT na eleição de São Paulo

  Mastrângelo Reino/Folha
Iniciado em Brasília, o ímpeto de “independência” do PR chegou a São Paulo. A legenda ameaça apartar-se do PT na disputa pela principal prefeitura do país.

Dava-se de barato que, na capital paulista, o PR iria às urnas de 2012 enganchado à coligação do PT. Deu-se em maio o último enconto dos operadores das legendas.

Nessa reunião, o PR reivindicou a posição de candidato a vice-prefeito. O PT ficou de dar resposta. Mas não voltou a se manifestar.

Em nota divulgada nesta sexta (26), o PR deu a entender que casou de esperar. “Buscará alternativas”, diz o texto da nota.

Em entrevista, o vereador Antônio Carlos Rodrigues, president do conselho politico do PR federal, disse que o partido agendará reuniões com outros pré-candidatos.

Mencionou Gabriel Chalita (PMDB, na foto) e Netinho de Paula (PCdoB).  “Se [o PT] não têm interesse no nosso apoio, então não temos mais compromisso”, disse.

O movimento do PR ocorre 24 horas depois de uma reunião de Lula com o deputado Chalita, o nome que o PMDB empina em São Paulo.

O ex-soberano tentou atrair Chalita para a candidatura petista de seus sonhos, encabeçada pelo ministro Fernando Haddad (Educação).

À saída da conversa, Chalita negou que Lula tivesse tentado retirá-lo da raia. E declarou:

"Sou amigo do Haddad. Quem quer que seja o candidato do PT, vamos sentar e discutir. Mas o PMDB não vai abrir mão de ter candidato."

Assim, arma-se na capital paulista um cenário complicado para o PT.

Sob o pretexto de que o partido precisa apresentar uma “cara nova”, Lula conspira contra as pretensões de Marta Suplicy, a petista mais bem posta nas pesquisas.

Para vender o “novo”, o PT precisa dispor de uma vitrine larga na propaganda televisiva. Algo que impõe a costura de uma aliança larga.

PMDB e PCdoB, às voltas com a análise de planos próprios, já torciam o nariz para o PT. Agora, o PR.

Ao que parece, o petismo terá de servir aos parceiros algo mais além do propalado charme de Lula.

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Escrito por Josias de Souza às 17h32

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Justiça condena Ciro a indenizar Collor em R$ 100 mil

  Sidinei Lopes/Folha
A história ensina que, em política, ninguém paga pelo que foi, fez e, sobretudo, pelo que falou. Ninguém, exceto Ciro Gomes.

Dono de língua dotada de ignição instantânea, Ciro vai se tornando um colecionador de condenações judiciais.

Na penúltima, de 8 de agosto, o juiz Marcos Roberto de Souza Bernicchi, da 5a Vara Cível de São Paulo, sentenciou-o a indenizar Fernando Collor em R$ 100 mil.

Por quê? Numa entrevista de 1999, Ciro dissera que, na sucessão de 1989, Lula deveria ter chamado Collor de "playboy safado" e "cheirador de cocaína".

Collor, que se apresentava na Presidência como um sujeito com “aquilo roxo”, foi aos tribunais. Ao decidir a querela, o juiz Marcos Bernicchi anotou:

"O fato, incontroverso, é apenas um: o autor [Collor] teve exposta sua honra em razão de declaração do réu que lhe imputou a pecha de cheirador de cocaína e safado."

Se adotar a mesma reação de 2007, quando foi condenado em ação movida por José Serra, Ciro deve recorrer.

No caso do “Coiso”, como Ciro gosta de chamar Serra, o processo foi motivado por declaração feita numa entrevista de 2002.

Então filiado ao PPS, Ciro preparava-se para disputar o Planalto. Instado a comentar a perspectiva de defrontar-se com Serra, candidato do PSDB, ele pespegou:

“Meu adversário é o candidato dos grandes negócios e das negociatas, da manipulação despudorada do espaço público, do dinheiro público para fins eleitorais.”

No julgamento de primeira instância, em 2005, Ciro foi absolvido. Serra recorreu. E o Tribunal de Justiça de São Paulo refomou a decisão.

Condenou-se Ciro foi a pagar a Serra 100 salários mínimos. Coisa de R$ 54,4 mil em valores de hoje. O condenado arrostou até o bloqueio da conta bancária.

Tomado pela língua, Ciro é um político enganchado à dúvida. Autoritário ou enérgico? Arrogante ou determinado? Imprudente ou corajoso?

Considerando-se as sentenças, o Judiciário parece tentado a concluir que as primeiras alternativas é que são as verdadeiras.

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Escrito por Josias de Souza às 15h10

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No twitter, Eduardo Cunha ‘alveja’ o seu PMDB e o PT

  Antônio Cruz/ABr
Desligado a contragosto da tomada da comissão que analisa as mudanças no Código de Processo Civil, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entrou em curto-circuito.

O deputado converteu o seu twitter em plataforma de tiro. Ali, Cunha escreve mensagens no melhor estilo Cunha –grosso modo falando.

Nas últimas horas, elegeu três alvos. Abriu guerra contra o exame da OAB, entidade que se opôs à indicação dele como relator do projeto do novo Código.

Disparou contra o colega de PMDB Danilo Forte (CE), que dissera que a destituição de Cunha “contribuía para melhorar a imagem” do partido.

Revidou: “O que contribuiria para melhorar a imagem do PMDB é o esclarecimento das denúncias de corrupcão da gestão dele na Funasa.”

Avisou que reforçará o paiol: “Vou requerer ao TCU as cópias das auditorias feitas lá [na Funasa] para examinar isso melhor…”

“Apresentarei repto na Comissão de Fiscalizacão e Controle [da Câmara].”

Cunha refutou “notinhas” de jornal que atribuem a ele a indicação do colega Pedro Novais para o posto de ministro do Turismo.

Aproveitou para fustigar o PT: “Acho que tudo que aconteceu naquela pasta é anterior à entrada dele e ele não tem qualquer culpa.”

Deu um conselho tóxico: “O PMDB é que deveria entregar esse ministério e não indicar ninguém para ele… Deixar que quem pariu mateus o embale.”

Integrantes da cúpula do PMDB, à frente os amigos Henrique Eduardo Alves e Michel Temer, devem descer ao front munidos de panos quentes.

À platéia, resta rezar para que Eduardo Cunha não se acalme. Por ora, ficou-se sabendo que o deputado considera:

1. Que um colega de partido, escalado para gerir a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) sob Lula (2007-2010), realizou uma gestão corrupta.

2. Que o DNA do escândalo do Turismo é 100% feito de PT, incluindo a passagem da companheira Marta Suplicy pela pasta.

Inangurou-se um tipo de briga que precisa continuar, gerar consequências, produzir inimizades eternas.

Em nome da moral e dos bons costumes, o alvos de Eduardo Cunha deveriam dizer o que acham do deputado. Ele fala de malfeitos com ares de perito.

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Escrito por Josias de Souza às 06h03

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Marco Maia foi a reuniões do PT em avião da Unimed

Fotos: ABr e Folha

No último sábado (20), o presidente da Câmara, Marco Maia participou de um par de eventos do PT gaúcho –um em Erechim, outro em Gramado. Deslocou-se num avião e num helicóptero da Uniair, braço aéreo da empresa de planos de saúde Unimed-RS.

Deve-se a informação aos repórteres Leandro Cólon e Beto Barata. Nesta quinta (25), Marco Maia (PT-RS) foi ouvido sobre o tema. Cinco dias depois da utilização das aeronaves, o deputado admitiu que a despesa não foi paga. Assegurou, porém, que vai pagar. Eis um trecho da entrevista:

- Quem custeou o voo na semana passada no avião da Uniair? O meu gabinete.

- Foi dinheiro da verba indenizatória [da Câmara]? Não boto essa despesa na verba indenizatória.

- E quem paga então?  Eu.

- Do seu bolso?  Claro.

- Usa dinheiro do seu salário? Poderia pôr na verba de custeio [da Câmara]. Não faço isso justamente para não dar essa especulação. É muito melhor assumir. Eu ganho bem.

Nessa mesma entrevista, Marco Maia declarou: “Foi a primeira vez que utilizei um voo particular.” Lorota. Descobriu-se que, em 4 de junho, o comandante da Câmara viajara em aeronave particular de Brasília para Goiânia.

Foi assistir ao jogo da seleção brasileira de futubel contra o time da Holanda. Depois da partida, voou na mesma aeronave para Porto Alegre. Procurado horas depois do primeiro contato, Marco Maia manifestou-se novamente, dessa vez por meio da assessoria.

“Foi um voo privado dele, como cidadão”, informou-se. Depois de alguma insistência, forneceu-se o nome da empresa que proveu a aeronave: Ícaro Táxi Aéreo. Ouvida, a empresa orçou o deslocamento Brasília-Goiânia-Porto Alegre em valores que variam de R$ 30 mil a R$ 45 mil, dependendo do tipo de avião.

Na declaração de bens que levou aos arquivos da Justiça Eleitoral na eleição do ano passado, Marco Maia informou que seu patrimônio soma R$ 342 mil. Ou seja: apenas o pagamento do avião fretado para assistir à partida da seleção brasileira consumiria algo com 13% do patrimônio do deputado.

Além de Marco Maia, outro petista posou nas manchetes desta sexta (26) enganchado em asas privadas. O repórter Marcos Vinicius Gomes relata episódio envolvendo o ministro Paulo Bernardo (Comunicações).

A coisa aconteceu em 2009, época em que Bernardo respondia, sob Lula, pela pasta do Planejamento.  Em 11 de dezembro daquele ano, o ministro voou de Curitiba para a cidade paranaense de a capital paranaense Guarapuava num avião Seneca.

Chama-se Roque Veviurka um dos donos da aeronave, prefixo PT-WTS. Vem a ser dono da Bravex, empresa que opera nos setores de agronegócio e construção.

Bernardo foi a Guarapuava para participar da entrega de títulos de propriedade de lotes federais a 500 famílias pobres. Organizado pelo prefeito da cidade, Fernando Ribas Carli (PP), o evento teve cara de comínio.

Em discurso, Bernardo prometeu que, se necessário, Brasília mandaria verbas para ajudar o prefeito a asfaltar o bairro. A passagem do ministro por Guarapuava foi registrada em vídeo. Pode ser assistido aqui. O avião aparece nas imagens.

Procurado, o ministro mandou a assessoria dizer que usou a aeronave privada “na condição de convidado da prefeitura de Guarapuava, que viabilizou seu transporte.”

Há dois dias, Bernardo já havia admitido que pode ter usado aeronave de outra empresa paranaense, a empreiteira Sanches Tripoloni, que toca obras do PAC. O Código de Ética da Alta Administração Federal anota em seu artigo 7o:

A “autoridade pública não poderá receber salário ou qualquer remuneração de fonte privada em desacordo com a lei, nem receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre sua probidade ou honorabilidade”.

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Escrito por Josias de Souza às 04h14

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As manchetes desta sexta

- Globo: ONU libera US$ 1,5 bi para governo de rebeldes líbios

- Folha: Incerteza global faz Dilma reduzir previsão do PIB

- Estadão: Entre alunos de 8 anos, metade não sabe o mínimo

- Correio: Blitz nas contas do Turismo

- Valor: Empresas abertas acumulam caixa de R$ 252 bilhões

- Estado de Minas: Empregados do mês

- Jornal do Commercio: Fim de tragédia em família

- Zero Hora: 44% dos alunos chegam ao 4º ano sem saber ler

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h51

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Muarmmey Sarddaf!

Nani

- Via 'Nani Humor'. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h55

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OAB leva à internet o seu ‘Observatório da Corrupção’

Foi à web nesta quinta (25) o “Observatório da Corrupção”, site da Ordem dos Advogados do Brasil.

Destina-se a receber informações sobre a demora na investigação e no julgamento de casos de corrupção.

Uma comissão da OAB fará a triagem das denúncias. Confirmando-se a consistência, serão acionadas as seccionais da entidade nos Estados.

A ideia é que a OAB cobre agilidade de delegados, promotores e juízes que atuam em processos que envolvam desvio de verbas públicas.

Sempre que desatendida, a OAB promete tomar providências. Os denunciantes poderão acompanhar no site o andamento dos casos.

Em mensagem veiculada na página de abertura do site, o presidente da OAB, Ophir Cavalcanti, anota:

“O Observatório da Corrupção será um instrumento para que a sociedade exerça seu insistente interesse no rápido julgamento de casos de corrupção…”

“…Acompanhando os andamentos e pleiteando os julgamentos em todas as instâncias [administrativas ou judiciais].”

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Escrito por Josias de Souza às 23h08

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Vídeo mostra o que seria banheiro da filha de Gaddafi

O fausto da família Gaddafi, insinuado nas imagens acima, contrasta com o massacre que resulta da luta para depor o ditador. Aqui, um bom texto sobre a encrenca.

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Escrito por Josias de Souza às 20h01

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Salvatore Cacciola deixa a prisão sob gritos de 'ladrão'

Paula Giolito/Folha

Brindado com um habeas corpus, o sem-banco Salvatore Cacciola ganhou o meio-fio no final da tarde desta quinta (25).

Deixou o presídio de Bangu 8, no Rio, trajando modelito básico: calça jeans e camiseta branca. Os óculos escuros deram ao personagem um toque de sofisticação.

Protegido por policiais armados e acompanhado pelo advogado, Manoel de Jesus Soares, Cacciola deu de cara com um grupo de manifestantes. Coisa de 30 pessoas.

Gritavam palavras hostis: "Ladrão"… "Cadê meu dinheiro?"… Cacciola preferiu não falar à imprensa. Meteu-se no automóvel que o aguardava e fugiu da algaravia.

Deixou para trás a sensação de que, no Brasil, a punição, quando ocorre, ainda não é proporcional ao crime.

Símbolo da pior fase da Era tucana, o Marka, ex-casa bancária de Cacciola, deixou um buraco de quase R$ 1,7 bilhão na bolsa da Viúva.

Beliscou a grana em 1999, graças à belevolência do Banco Central. Expressa em valores da época, a cifra é passível de atualização monetária.  

O prejuízo ao erário ocorreu quando a gestão FHC se deu conta de que o sonho do dólar barato virara derrapagem, promovendo a desvalirização do Real.

Levado à Justiça pelo Ministério Público Federal, Cacciola foi condenado, em 2005, a 13 anos de cana. A essa altura, já estava longe. Muito longe.

Preso provisoriamente no ano de 2000, Cacciola tivera a prisão relaxada por decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do STF.

Livre, fugiu para a Itália. O Brasil requereu a extradição. Mas o condenado, um ítalo-brasileiro, dispunha de cidadania romana. O pedido foi refugado.

Sentindo-se acima de todas as leis, Cacciola derrapou. Viajou para Mônaco, distanciando-se da proteção italiana. A Interpol o deteve.

Devolvido ao Brasil em setembro de 2007, o ex-banqueiro foi recolhido a uma cela especial de Bangu.

Agora, vê o suplício de 13 anos encurtado antes que a cana completasse aniversário de quatro anos.

Cacciola volta ao conforto do lar sem que haja vestígio de devolução da grana desviada. Não fosse pela fuga, nem teria sido preso.

Condenados junto com ele, outros réus –entre eles Chico Lopes, ex-presidente do BC— não chegaram a conhecer as instalações da hospedaria de Bangu.

Repita-se: acima de um certo nível de renda, a punição, quando ocorre, não é proporcional ao crime.

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Escrito por Josias de Souza às 19h46

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Brasil agora presta ‘solidariedade’ a rebeldes da Líbia

Aos pouquinhos, bem devagarzinho, em ritmo de tartaruga paraplégica, a ficha do Itamaraty vai caindo.

A diplomacia brasileira começa a se dar conta do surto de ridículo que envenena as manifestações oficiais sobre a Líbia.

Nesta quinta (25), dia em que mensagem de Muammar Gaddafi convoca até mulheres e crianças à luta, o chanceler Antonio Patriota referiu-se à encrenca assim:

"Presto solidariedade às aspirações do povo líbio por progressos institucionais, econômicos e sociais, por buscar formas mais modernas de governança…”

“…Nas últimas décadas o país foi submetido a um governo autocrático."

O Brasil ainda não reconhece o Conselho Transitório dos rebeldes como legítimo representante do poder na Líbia. Coisa que já fizeram mais de 30 nações.

Porém, Patriota já toma distância regulamentar de Muammar Gaddafi. Declara que o conselho de rivais do ditador é “interlocutor válido no atual momento.” Alvíssaras!

Entre os olhos e os lábios, há o nariz. Embora ainda meio cego e algo gaguejante, o Itamaraty parece ter recobrado o faro.

É pouco. Mas já é alguma coisa. Sobretudo quando se recorda que, nos seus dois reinados, Lula manteve com o Gaddafi quatro amistosos encontros.

Num deles, ocorrido em 2009, o ex-soberano referiu-se ao chefe do “governo autocrático”, no leme há 42 anos, como “amigo e irmão.”

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Escrito por Josias de Souza às 17h59

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Ensino fundamental: 44% dos alunos não lêem direito

Divulgou-se nesta quinta (25) o resultado de teste realizado no primeiro semestre para aferir a qualidade da alfabetização de crianças no Brasil.

Revela: ao concluir o 3° ano do ensino fundamental, 43,9% dos alunos não têm o aprendizado de leitura exigido para essa etapa.

Significa dizer que, ao final da primeira fase da vida escolar, mais de 40% dos alunos não conseguem, por exemplo, identificar o tema central de uma narrative simples.

Avaliou-se também o nível de aprendizado de matemática. O resultado foi ainda pior: apenas 42,8% dos alunos atingiram o patamar de aprendizado tido como adequado.

A maioria, 57,2%, não se mostrou capaz de resolver problemas envolvendo notas e moedas. Tampouco exibiu domínio satisfatório em operações de soma e subtração.

O teste chama-se “Prova ABC” (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização). Foi aplicado em 6 mil alunos de escolas municipais, estaduais e privadas das capitais.

Deve-se a iniciativa a uma parceria do movimento “Todos Pela Educação” o Instituto Paulo Montenegro, a Fundação Cesgranrio e o Inep (MEC).

Aqui e aqui, você encontra um detalhamento dos dados que expõem as deficiências do ensino fundamental brasileiro.

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Escrito por Josias de Souza às 16h51

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Garotinho: a independência do PR parece 'chantagem'

  José Cruz/ABr
O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), já meio cansado da 'independência' recém-proclamada por sua legenda, foi ao Planalto.

A caminho de um encontro com o ministro Gilberto Carvalho, espécie de faz-tudo de Dilma Rousseff, Garotinho teorizou sobre a existência:

"Existe situação e oposição. Esse negócio de independência não existe, fica parecendo chantagem." Bobagem discutir com Garotinho.

Especialista na matéria, o deputado soara em timbre um tanto molequinho na época em que o petê Antonio Palocci ainda balançava na Casa Civil:

"A gente agora tem uma pedra preciosa, um diamante de R$ 20 milhões, que se chama Antonio Palocci."

Garotinho tem razão. No balcão de Brasília, quando o sujeito não é chantagista, é chato. O primeiro tipo custa caro, mas dá menos trabalho.

Ninguém consegue ser chantagista 24 horas por dia. Sossega no intervalo entre um mimo e outro. Só o chato é full-time.

A propósito, perguntou-se a Garotinho o que diabos foi fazer na sala de Gilbertinho. E ele: assuntos do Rio de Janeiro. Ah, bom!

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Escrito por Josias de Souza às 15h08

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No CE, Sarney também teria helicóptero para passear

- Aqui, a íntegra da entrevista concedida pelo governador cerarense Cid Gomes (PSB) ao repórter Fernando Rodrigues.

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Escrito por Josias de Souza às 08h41

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Contra desejo de Dilma, Câmara debate verba do SUS

Dilma Rousseff encareceu aos “aliados” que, sob crise, se abstivessem de votar propostas com potencial para gerar despesas novas.

A despeito disso, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), está na bica de levar à pauta de votações a Emenda 29, que tonifica o orçamento da Saúde.

Aprovada em 2000, a emenda 29 definiu os percentuais mínimos que cada ente da federação deve destinar ao custeio da rede pública do SUS.

No caso da União, o montante aplicado no ano anterior mais a variação do PIB. Para os Estados, 12% da receita bruta de impostos. Para os municípios, 15%.

O problema é que essa emenda estabeleceu coisas definitivas sem definir muito bem as coisas. Ficou estabelecido que haveria uma regulamentação posterior.

Decorridos 11 anos, nada de definição. Enquanto Executivo e Legislativo administram o problema a golpes de barriga, a clientela do SUS padece.

O vídeo lá do alto, registrado num hospital de Belém (PA), oferece uma ideia do flagelo. Nem mulheres grávidas escapam dos efeitos da leniência de Brasília.

Pois bem. Compelido pelos fatos, um pedaço expressivo da Câmara concluiu que chegou a hora de fazer por pressão o que não foi feito por obrigação.

Pressiona-se Marco Maia a agir como presidente do Legislativo, não como auxiliar do Planalto. Exige-se que leve à pauta de votações a emenda da Saúde.

Nesta quarta (24), reunido com os líderes partidários, o mandachuva da Câmara sugeriu uma data: 28 de setembro.

PSDB e DEM concordam com o mês. Mas querem antecipar o dia para a primeira quinzena de setembro.

Estabelecido o desacordo, tucanos e ‘demos’ mobilizaram sua infantaria para obstruir as votações em plenário.

O azedume contagia nacos expressivos do condomínio governista. A começar do PMDB, sócio majoritário da coligação, ao lado do PT.

Na noite passada, a obstrução ameaçou a aprovação de uma medida provisoria que destina verbas para o custeio de creches.

A matéria só foi a aprovada depois que Marco Maia assumiu um compromisso com os líderes do DEM, ACM Neto; e do PSDB, Duarte Nogueira (SP).

O presidente da Câmara comprometeu-se a negociar com governo e oposição, até a próxima terça (30), um acordo que viabilize a votação da emenda da Saúde.

A proposta que os deputados analisam veio do Senado. Foi aprovada sob Lula, por unanimidade.

Votaram a favor inclusive os senadores do PT. Entre eles Ideli Salvatti (SC), hoje ministra de Dilma, responsável pela coordenação política.

O projeto chegou à Câmara com um defeito: criava despesas sem definir a fonte. Os deputados produziram uma emenda que resultou pior do que o soneto.

Injetou-se na regulamentação da emenda 29 um imposto à moda da CPMF. Deu-se à encrenca o nome de CSS (Contribuição Social para a Saúde).

Como se trata de uma emenda constitucional, a proposta da Saúde tem de ser aprovada em dois turnos de votação.

A Câmara já realizou o primeiro turno. Aprovou-se o texto base, ressalvado um "destaque" do DEM, que exclui da proposta o novo imposto do cheque.

Hoje, nem os governistas que idealizaram a CSS desejam manter o tributo. Algo que deixa em pé os cabelos que escasseiam na calva Cândido Vaccarezza.

"Tem que ser um texto mais equilibrado que, inclusive, diga de onde sai o dinheiro", diz Vaccerezza (PT-SP), líder de Dilma na Câmara.

Empurrado pelo movimento que cresce em sua bancada, Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB, pondera que é possível chegar a termos aceitáveis.

Henrique disse ao repórter que o Congresso produzirá um “avanço” se for capaz de aprovar um texto que deixe claro o que é um investimento em saúde.

Como assim? Hoje, recorda Henrique, os governadores computam como gastos em saúde desde despesas com saneamento básico até a folha de aposentados.

Proibindo esse tipo de desvio, diz o líder pemedebê, o Legislativo forçará os gestores estaduais a ajustar seus orçamentos, destinando à saúde o que hoje é desviado.

O problema, diz Henrique, é que “não há garantias de que o Senado vá manter o que for aprovado na Câmara.” O que pode submeter Dilma a “constrangimento.”

Meia verdade. Assim como na Câmara, a bancada do Planalto é majoritária também no Senado. Bastaria que os governistas de uma Casa se entendessem com os da outra.

Seja como for, com ou sem acordo, o governo não conseguirá mais esquivar-se do tema. “Será votado”, reconhece o próprio Henrique.

O líder PMDB lembra que prefeitos de todo Brasil preparam uma marcha sobre Brasília. “Não temos mais como adiar uma resposta”, diz Henrique.

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Escrito por Josias de Souza às 06h54

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Lula elogia Dilma: ‘Está aprendendo a fazer política...’

Antônio Cruz/ABr

Sete meses, 25 dias e quatro demissões ministeriais depois da posse de sua pupila, Lula está feliz com o desempenho de Dilma Rousseff na Presidência.

Há dois dias, em diálogo privado com um amigo petista, Lula disse que, aos poucos, Dilma agrega à “competência administrativa” o necessário traquejo político.

“Ela está aprendendo a fazer política”, disse o ex-soberano. “Depois de alguns tropeços, está se saindo muito bem.”

As observações de Lula coincidem com a decisão de Dilma de refrear os movimentos da vassoura. Ele, como ela, desenvolveu uma ojeriza pelo vocábulo “faxina.”

Na avaliação de Lula, excetuando-se a crise do Ministério dos Transportes, Dilma “agiu bem” nas outras três: Casa Civil, Defesa e Agricultura.

No caso dos Transportes, disse Lula, houve “açodamento.” Ele credita a saída de Alfredo Nascimento e o abalo nas relações com o PR à “falta de tato” do Planalto.

Preferia que Antonio Palocci (PT) não tivesse deixado a Casa Civil. Mas, em análise retrospectiva, conclui que Dilma “não teve alternativa.”

Desprovida de explicações, a evolução patrimonial do amigo tornou-o um ministro inviável. “Uma hora tem que resolver, senão o governo não governa”, disse.

Atribui a queda de Nelson Jobim ao próprio Jobim. No dizer de Lula, o ex-titular da Defesa “falou demais, disse o que não devia.”

Os elogios a Dilma soaram no instante em que Lula analisou a encrenca da Agricultura. Foi nesse episódio, segundo ele, que a pupila demonstrou seu aprendizado político.

Submetida ao pedido de demissão de Wagner Rossi, Dilma atribuiu ao padrinho dele, o vice-presidente Michel Temer, a missão de cavar um substituto no PMDB.

Sobreveio o nome do deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS), velho conhecido de Dilma da política gaúcha, líder dela na Câmara. Para Lula, “um gol de placa.”

Lula tem conversado amiúde com a sucessora. Pelo telefone, duas ou três vezes por semana. Pessoalmente, pelo menos um encontro por mês. Quando a agenda permite, dois.

Celebra o fato de Dilma estar menos avessa aos políticos. “Ela agora se reúne mais, conversa mais.” Festeja sobretudo a reaproximação com o PMDB. “No PT, eu ajudo.”

Embora não diga, o ex-soberano constrói suas análises a partir de interesses próprios. Gestora de um governo de continuidade, Dilma passeia sobre a herança de Lula.

Por ironia, os quatro ex-ministros de Dilma foram ministros de Lula.

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Escrito por Josias de Souza às 05h18

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‘Detratores terão a resposta’, ameaça Eduardo Cunha

  Antônio Cruz/ABr
Ejetado da cadeira de relator da comissão que vai cuidar da reforma do Código de Processo Civil, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi ao twitter.

Ameaçou: “…Quanto a alguns detratores, no devido tempo, terão a sua resposta e sofrerão as consequências.”

São muitos os “detratores” do deputado. Entre eles: meio PMDB, um Planalto inteiro, ministros do STF e a OAB.

Dado a ameaças, Cunha nem sempre as cumpre. Normalmente, os rivais do deputado não perdem por esperar. Ganham.

Amigo de Cunha, o líder do PMDB Henrique Eduardo Alves tentou mantê-lo na relatoria do Código de Processo Civil além dos limites do razoável.

A insistência ateou fogo à bancada do partido. Mas Henrique atribuiu a meia-volta apenas às “preocupações do meio jurídico.”

Como Cunha resistisse, Henrique levou-o à presença do vice-presidente Michel Temer. Foi uma conversa dura.

Cunha agarrava-se à relatoria na base do “vai ou racha”. Com a amizade já meio cansada, Temer e Henrique entenderam que era melhor ir sem ele.

No microblog, um Cunha rachado fez pose de inteiro: “Para deixar bem claro, não foi um ato de renúncia, não cedi e me sinto perfeitamente capaz de relatar...”

O deputado esquivou-se de nominar todos os “detratores” aos quais reserva uma “resposta.” Concentrou-se na OAB:

“Se fôssemos atender à OAB, o ministro Pedro Novais [Turismo] teria de pedir demissão e o presidente Sarney iria pagar a viagem helicóptero.”

Depois de sugerir duas boas ideias, Cunha acionou o gatilho: “O melhor que a gente pode fazer e debater esse exame da Ordem, que é um dos maiores absurdos que existem.”

Se for essa toda a munição do paiol de Eduardo Cunha, a OAB está mesmo perdida. Haverá na entidade um banho de gargalhada.

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Escrito por Josias de Souza às 04h02

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As manchetes desta quinta

- Globo: Rebeldes ainda combatem, mas já prometem eleições

- Folha: Rebeldes oferecem prêmio por ditador vivo ou até morto

- Estadão: Chanceler de Kadafi admite derrota, mas conflito continua

- Correio: O gênio da Apple sai de cena

- Valor: Crescimento não alivia contas de Estados do NE

- Zero Hora: Uma incursão sob tiros à capital Líbia conflagrada

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h09

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Hó$tia!

Nani

- Via 'Nani Humor'. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h06

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Debate no Senado: ‘Débil mental!’...’E você é safado!’

O Parlamento, como se sabe, é resultado de uma lenta evolução da humanidade rumo à solução negociada e pacífica dos conflitos.

Humberto Costa (PT-PE) e Mario Couto (PSDB-PA) frequentam, em Brasília, o pedaço mais vetusto desse universo, o Senado.

Nesta quarta (24), Costa e Couto –o primeiro líder do PT, o outro líder da minoria— trocaram o “vossa excelência”e o “nobre colega” por tratamentos menos lhanos.

O rififi começou em meio a um discurso do petista. Humberto Costa criticava a intenção da oposição de inaugurar uma CPI.

Em aparte, Mario Couto disse que o colega defendia a corrupção. A temperatura subiu ao ponto de ebulição depois que Costa desceu da tribuna.

Alegando que o líder petê o havia citado de modo atravessado, o tucano requereu o direito de responder. Esculachou o governo e o PT.

Costa reinvidicou o mesmo direito ao microfone. Ao responder, realçou o modo impróprio como Couto costuma se dirigir aos colegas.

Queixou-se da presidência da Casa, que releva as agressões de Couto sob a alegação de que “se trata de um louco ou débil mental.”

Do plenário, Costa foi ao cafezinho do Senado, um ambiente contíguo. Couto foi atrás.

Súbito, sob olhares atônitos de assessores e repórteres, os dois senadores levaram o entrevero à beira do pugilato.

Era como se Costa e Couto, barrigas escostadas no balcão, garrafas de cerveja vazias à frente, estivessem num boteco, não no Senado.

A repórter Adriana Vasconcelos registrou a cena. O tucano Couto bicou: “Débil mental não!”

O petista Costa reiterou: “Débil mental, sim! Você precisa respeitar os outros.” O tempo fechou.

E você é um safado!, Couto retrucou.

Safado é você!, Costa devolveu.

Você é que respondeu processo na Justiça. Da próxima vez, vou dizer isso da tribuna.

Você está pensando que eu sou moleque? Vai ter de aprender a respeitar os outros.

De duas, uma: ou os senadores retomam a linha ou a direção da Casa manda espalhar pelo cafezinho mesas de ferro, com os pés em ‘X’.

Em vez de café, bebidas mais quentes. Entre um trago e outro, o vale-tudo.

- Aqui, um vídeo com o finalzinho do bafafá. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 21h47

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Dilma: Combate ao malfeito ‘não é meta de governo’


No rastro de solenidade realizada no Planalto, Dilma Rousseff esbarrou nas câmeras e nos microfones.

Os repórteres a inquiriram sobre a decisão de acomodar a vassoura atrás da porta para tranqulizar os condôminos do governo.

Dilma respondeu que a pauta das demissões de ministros "não é adequada para um governo." Afirmou que "não se faz escala de demissão."

Declarou que continuará combatendo o malfeito. Mas ponderous: "Não se faz disso meta de governo."

O Brasil, disse ela, "não é a Roma antiga." Quer dizer: não deseja jogar mais cristãos na arena dos leões. 

Refugou o vocábulo “faxina”, encontradiço no noticiário desde que foram ejetadas da pasta dos Transportes 28 pessoas –do ministro a servidores de terceiro escalão.

"O centro do meu governo é fazer esse país crescer e fazer uma faxina contra a pobreza…”

“…O resto, ou seja, tomar providências contra malfeitos, é obrigação na minha condição de presidenta, ossos do ofício da presidenta da República."

Destoando do estilo mata-e-esfola adotado com o PR nos Transportes, Dilma disse que o combate à corrupção tem de levar em conta "a presunção da inocência.”

Evocando o passado de prisioneira da ditadura, a presidente acrescentou:

"É importantíssimo respeitar a dignidade das pessoas, não submetê-las a condições ultrajantes, e eu sei disso porque já passei por isso."

Como se vê, a reação dos partidos que dão suporte congressual ao governo fez nascer na alma de Dilma uma espécie de ‘faxinofobia’.

O diabo é que, à revelia da vontade de Dilma, os tapetes da Esplanada tornaram-se pequenos demais para a quantidade de sujeira.

O grosso do monturo foi formado na gestão Lula. Nessa época, Dilma era a gerente-geral. Chefona da Casa Civil, via passar por sua mesa inclusive as nomeações.

Curiosamente, Dilma dobra os joelhos num instante em que a revista Forbes a acomoda na posição de terceira mulher mais poderosa do planeta.

A exemplo dos antecessores, Dilma chegou à Presidência embalada pela ilusão de que preside. O título da Forbes pode tonificar a quimera.

Em contraposição, o novo lero-lero presidencial, ditado pela conveniência política, faz reluzir uma indicação:

Até que ponto a toda-poderosa está disposta a permitir que o melado escorra?

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Escrito por Josias de Souza às 19h38

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No twitter, Aloysio diz que não vai disputar prefeitura

  Fábio Pozzebom/ABr
O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) disse nesta quarta (24) que não planeja disputar a prefeitura de São Paulo na eleição de 2012.

Respondendo a uma pergunta que lhe chegou pelo twitter, Aloysio anotou no microblog:

Estou muito bem como senador. Não tenho intenção de me candidatar a prefeito de São Paulo.”

A candidatura de Aloysio vinha sendo tratada pelo tucanato como a melhor opção do PSDB-SP depois do ex-presidenciável José Serra.

Ex-chefe da Casa Civil do governo Serra em São Paulo, Aloysio surpreendeu na eleição do ano passado.

Foi mandado a Brasília como o senador mais votado do Estado (11,1 milhões de votos). Daí a cogitação do nome dele para a prefeitura.

Em privado, o governador tucano Geraldo Alckmin chegara a cogitar a hipótese de arquivar a ideia de realizar prévias para a escolha do candidato a prefeito.

Antes, Alckmin só admitia a dispensa das prévias caso o próprio Serra se animasse a concorrer à prefeitura.

Em público, a exemplo de Aloysio, Serra também declara que não cogita disputar a prefeitura paulistana, cargo que já ocupou. Parte da cúpula do PSDB não o leva a sério.

Confirmando-se a exclusão da dupla, restará ao PSDB selecionar um dos pré-candidatos que ambicionam abertamente a vaga.

São quatro: o deputado federal Ricardo Tripoli e uma tróica de secretários da gestão Alckmin –José Aníbal, Bruno Covas e Andrea Matarazzo.

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Escrito por Josias de Souza às 18h07

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Cunhada do vice Michel Temer posará para a Playboy

  Facebook/Reprodução
Nos próximos meses, as rodas de conversa de Brasília terão matéria-prima nova além dos casos de corrupção. Coisa mais eletrizante e menos feia.

Irmã da vice-primeira dama Marcela Temer, 28, a jovem Fernanda Tedeschi, 25, vai posar nua para a “Playboy.”

A assessorial da revista informa que a cunhada do vice-presidente Michel Temer já assinou contrato.

A cifra não foi revelada. Tampouco foram informadas as datas da sessão de fotos e da veiculação das imagens.

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Escrito por Josias de Souza às 17h15

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João Paulo pede para sair da ‘reforma’ do Código Civil

  Sérgio Lima/Folha
O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) pediu pra sair da presidência da comissão especial criada para cuidar da modernização do Código de Processo Civil.

Bom, muito bom, ótimo. Acomodado no banco dos réus do mensalão, à espera do julgamento do STF, Cunha era a pessoa errada na poltrona equivocada.

Para o lugar de Cunha, o PT indicou o deputado do petismo baiano Sérgio Barradas Carneiro. Que talvez não assuma. Alega-se que exerce o mandato como suplente.

Agora, a má notícia: o PMDB decidiu manter na cadeira de relator da reforma do Código Eduardo, o outro Cunha.

Além de ser alvo de inquérito que corre no Supremo, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não é advogado. Não é unanimidade nem no PMDB.

Numa tentativa vã de atenuar a má repercussão da escolha, a cúpula do PMDB decidiu acomodar sob Eduardo um rol de sub-relatores.

- Atualização feita às 19h47 desta quarta (24):  Rendendo-se ao bom senso, o PMDB decidiu retirar a relatoria do Código de Processo Civil das mãos de Eduardo Cunha.

Após reunião com o vice Michel Temer, o líder pemedebê Henrique Eduardo Alves fechou acordo com o PT.

Em vez de indicar o relator, o PMDB nomeará o presidente da comissão que vai destrinchar o código. Vai ao posto Fábio Trad (PMDB-MS), um deputado de primeiro mandato com canudo de advogado.

O relator será Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA), também formado em advocacia.

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Escrito por Josias de Souza às 16h33

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Conselho de Ética instaura processo contra Valdemar

  Ueslei Marcelino/Folha
O deputado Valdemar Costa Neto (SP), todo-poderoso do PR, terá de se defender no Conselho de Ética da Câmara.

Instaurou-se um processo destinado a perscrutar os malfeitos atribuídos a Valdemar no Ministério dos Transportes.

Embora não dispusesse de cargo na pasta, Valdemar revelou-se um parlamentar muito cioso dos negócios rodoviários e ferroviários.

Deve-se ao PPS e ao PSOL a representação contra Valdemar, um dos mensaleiros à espera de julgamento no STF.

Sabe-se que o processo não deve dar em nada. Ainda assim, há quem prefira o papel de bobo ao de cúmplice.

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Escrito por Josias de Souza às 15h46

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Planalto converte Novais num ministro ‘em suspenso’

Fotos: Sérgio Lima/Folha

Dono de estatura física miúda, o ministro pemedebê Pedro Novais (Turismo) perde o chão quando se acomoda numa cadeira.

Nesta terça (23), queixo quase colado à bancada, Novais foi inquirido na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado.

Atribuiu os malfeitos da Operação Voucher a gestões passadas. Não deu nome aos bois. Mas referia-se a Marta Suplicy e Luiz Barretto, dois antecessores do PT.

Absteve-se de recordar que, ao tomar posse, promoveu a segundo da pasta Frederico Silva da Costa, entre todos o mais enrolado no inquérito da PF.

Demostenes Torres (GO), líder do DEM, questionou-o sobre a emenda de R$ 1 milhão que apresentou como deputado e que vai para empresa fantasma maranhense.

O ministro confirmou a autoria da emenda, que prevê a construção de uma ponte. Mas negou que a destinação tenha se consumado.

Excetuando-se Demóstenes, a oposição serviu refresco a Novais. Líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR) disse que o correligionário deu respostas firmes.

Líder do PMDB, Renan Calheiros declarou que Novais dispõe do apoio do partido. Meia verdade. Um pedaço da bancada pemedebê da Câmara prefere que ele peça pra sair.

Antes do depoimento de Novais, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder de Dilma Rousseff na Câmara, informara às legendas aliadas que o Planalto suspendeu a “faxina”.

Segundo Vaccerezza, Dilma não deseja afastar mais nenhum ministro antes do prazo legal de saída daqueles que trocarão a Esplanada pelos palanques municipais de 2012.

No caso de Novais, informa o repórter Caio Junqueira, Dilma decidiu entregar o futuro do ministro ao PMDB.

Vai-se adotar no Turismo a mesma fórmula usada na resolução da encrenca da pasta da Agricultura.

Se Novais for compelido a mimetizar Wagner Rossi, que deixou a Agricultura por conta própria, caberá ao PMDB apontar o substituto.

Assim, em pé ou sentado, Pedro Novais frequenta a equipe ministerial como um personagem “em suspenso.”

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Escrito por Josias de Souza às 05h47

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Em jantar com Dilma, Sarney ‘brinca’ com helicóptero

  Lula Marques/Folha
O tetrapresidente do Senado José Sarney frequenta o noticiário em posição incômoda há três dias. Não parece, porém, incomodado. Ao contrário.

Sarney se diverte com o alarido provocado pela revelação de que usou helicóptero do governo do Maranhão em dois passeios à ilha do Curupu, propriedade familiar.

Brincou com o tema na noite passada, durante jantar em que o PMDB homenageou Dilma Rousseff. Iniciativa do vice-presidente Michel Temer.

O encontro levou ao Palácio do Jaburu mais de uma centena de pessoas (leia texto abaixo). Durou pouco menos de duas horas.

Nesse intervalo, jogou-se conversa fora em várias rodinhas. Numa delas, Sarney contou, entre risos, que recebera um telefonema do senador tucano Aécio Neves (MG).

“O Aécio me disse: ‘Quando precisar de helicóptero, é só me ligar que eu arranjo’.” Abriram-se sorrisos ao redor de Sarney.

Distante, a homenageada Dilma não ouviu. Mas um auxiliar dela, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), testemunhou o chiste.

A governadora Roseana Sarney, que brindou o pai com a cessão do helicóptero, também esteve no jantar.

Saboreou os afagos verbais que Dilma dirigiu a Sarney no rápido discurso pronunciado diante da tribo dos pemedebês.

Servido o jantar, Sarney foi acomodado na mesa principal, ao lado de Dilma. Ali, o senador não se animou a falar de helicópteros.

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Escrito por Josias de Souza às 04h51

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Rodeada de PMDB, Dilma exclama: ‘Me sinto em casa’

  Sérgio Lima/Folha
A presença da vice-primeira-dama Marcela Temer era um prenúncio de que a noite seria de confraternização social, não de articulação política.

Os convidados começaram a chegar ao Palácio do Jaburu às 20h15. O carro que levava Dilma Rousseff cruzou o portão da residência oficial de Michel Temer perto das 20h30.

Juntaram-se no salão principal mais de uma centena de pessoas. Excetuando-se meia dúzia de petistas, todos os demais eram congressistas e ministros do PMDB.

O convite previa que seria servido um jantar. Antes, serviu-se um par de discursos. Primeiro falou o anfitrião. Depois, a convidada de honra. Pronunciamentos ligeiros.

Temer realçou a natureza do encontro: “Uma homenagem do PMDB à presidenta Dilma.” O primeiro encontro do gênero desde a posse, em janeiro.

Embora ciente de que seu partido encontra-se trincado no Senado e na Câmara, Temer escorou-se no número de presentes para exaltar a “unidade” do PMDB.

Ao agradecer, vendo-se cercada de pemedebês por todos os lados, a petista Dilma exclamou: “Ao lado do PMDB, eu me sinto em casa!” Arrancou palmas da audiência.

Elogiou a fidalguia de Marcela. Referiu-se a Temer como “meu vice.” Recobriu José Sarney de afagos. Na pessoa do presidente do Senado, saudou a “todos.”

Disse que PMDB e PT constituem os “pilares” que asseguram a “estabilidade” da aliança governista.

Vaticinou: “Vamos entregar em 2014 um país ainda melhor do que recebemos.” Expressou-se assim, no plural. Ouviram-se novos aplausos.

Encerrou a intervenção com um chiste à Lula: “Nós viemos aqui pra beber, não pra conversar.” E pôs-se a circular entre os convivas.

Os garçons do Jaburu serviram vinho tinto, água e refrigerantes. Destoando da maioria, Dilma encomendou guaraná. “Guaraná diet”, ela enfatizou.

A presidente que desfilou pelo mármore do Jaburu não se parecia com a Dilma dos rompantes, com fama de durona. Era como se estivesse, de fato, “em casa.”

Ao cruzar com Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara, Dilma brincou: “O Henrique não tem o direito de me pedir mais nada. Ganhou um aeroporto.”

Referia-se ao aeroporto potiguar de São Gonçalo do Amarante. Levado ao martelo em leilão da véspera, tornou-se o primeiro terminal do país a atrair investidores privados.

Dilma deu de cara com o ministro Pedro Novais (Turismo), que, horas antes, havia enfrentado uma inquirição no Senado sobre os malfeitos que vicejam em sua pasta.

São problemas “do passado”, dissera Novais aos senadores, apontando para o legado da gestão Lula.

Despida do figurino de “faxineira” que a fez colecionar quatro ex-ministros, Dilma sorriu para Novais. Apertou-lhe a mão.

Falou-se de tudo no encontro do Jaburu, menos de crise. Servido o jantar, os convidados de Temer foram intercambiar amenidades em várias mesas.

Na principal, além dos anfitriões e de Dilma, acomodaram-se:  Sarney; o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS)...

...Os líderes Henrique Alves, Renan Calheiros e Cândido Vaccarezza (PT-SP), o presidente interino do PMDB, Valdir Raupp...

...E dois ministros do PT: José Eduardo Cardoso (Jutiça) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que compareceu sem o marido, o também ministro Paulo Bernardo (Comunicações).

Como que decidido a deixar Dilma à vontade, Temer convidou os ministros petistas com sala no Planalto.

Além de Gleisi, sentados noutras mesas, estavam Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidencia) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

Os senadores Pedro Simon (RS), Roberto Requião (PR) e Jarbas Vasconcelos (PE) não deram as caras. Requião explicou a ausência num telefonema a Temer. Simon, nem isso.

Quanto a Jarbas, ninguém esperava que aparecesse. Ainda mais porque dispunha de um álibi. Festejava seu aniversário. Temer ligou para dar-lhe os parabéns.

No rol dos deputados, fizeram-se representar no Jaburu todos os subgrupos do PMDB. Inclusive a ala que votou no tucano José Serra em 2010.

Lá estavam os ex-serristas gaúchos Osmar Terra, Darcísio Perondi e o suplente Eliseu Padilha, devolvido à Câmara após a transferência de Mendes Ribeiro para a Agricultura.

Mais variado do que o elenco reunido ao redor de Dilma, só o cardápio provido pela cozinha do Jaburu.

Foi um repasto para todos os gostos. Havia salada, peixe (anchovas), carne (filé mignon), arroz (risoto) e massa (rondelli).

Após uma hora e meia de convívio, que incluiu um périplo pelas mesas, fotografias e muito lero-lero, Dilma despediu-se por volta das 22h45.

Deixou atrás de si um rastro de gentilezas que tonificou a sensação de que decidiu seguir os conselhos de Lula, achegando-se de vez ao PMDB.

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Escrito por Josias de Souza às 03h53

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As manchetes desta quarta

- Globo: Rebeldes líbios tomam QG, mas não encontram Kadafi

- Folha: Rebeldes tomam QG de Gadaffi

- Estadão: Rebeldes tomam QG de Kadafi, que fala em lutar até a morte

- Correio: Corrupção no Turismo já avança sobre a Copa

- Valor: Cade admite rever decisão sobre o caso Nestlé-Garoto

- Zero Hora: Sem QG, Kadafi repete ameaças

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

- O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Um refúgio para Gaddafi!

Duke

- Via 'O Tempo'. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h31

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FHC afirma que Lula consolidou ‘corrupção sistêmica’

Leandro Moraes/UOL

Cada vez mais próximo de Dilma Rousseff, Fernando Henrique Cardoso distancia-se o mais que pode de Lula, o patrono dela.

Nesta terça (23), após fazer uma palestra a empresários, FHC conversou rapidamente com os repórteres. Falou sobre corrupção.

Sem citar o nome de Lula, o grão-tucano responsabilizou-o pela sistematização dos malfeitos:

“[É preciso] acabar com a corrupção sistêmica que, na verdade, foi o que foi sendo consolidado no governo anterior [de Lula]. Isso é uma tarefa de todos nós.”

Instado a comentar a ciumeira que sua aproximação com Dilma ateou no tucanato e no petismo, FHC ironizou:

“A essa altura da vida vou despertar ciúmes de alguém? Tá louco? Isso é conversa fiada.”

Disse que mantém com Dilma “uma relação de respeito mútuo, só isso. Uma relação civilizada, como tem que ser. Acho que é uma coisa normal.”

Antes, na palestra aos empresários, FHC também despejara sobre o microfone meia dúzia de palavras sobre corrupção:

“Não se consegue mais exercer o poder sem a corrupção, fruto desse jogo do toma-lá-dá-cá…”

“…Ou me dá isso ou não voto em você. E aí não se discute quais são as políticas para o país.”

FHC se absteve de recordar que, nos seus dois reinados, também vigorou o regime de toma-lá-dá-cá que fomenta a cleptocracia brasileira.

Recorde-se que, sob FHC, Jader Barbalho mandou e, sobretudo, desmandou na $udam. Renan Calheiros foi ministro da Justiça.

Nessa matéria, excetuando-se Tancredo Neves, salvo pela morte, nenhum presidente do Brasil pós-redemocratização livrou-se da lógica franciscana. Dilma mantém a tradição.

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Escrito por Josias de Souza às 21h20

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Bernardo diz não lembrar se usou o avião de empresa

Um dia depois de divulgar nota na qual negou ter voado em aeronave da construtora Sanches Tripoloni, o ministro Paulo Bernardo deu boa tarde à dúvida.

Em depoimento vespertino numa comissão da Câmara, o titular petê da pasta das Comunicações foi inquirido a respeito. Afinal, usou ou não a aeronave?

"Já peguei carona em campanhas mesmo quando não fui candidato. Agora, não tenho menor ideia de qual o prefixo [do avião] da empresa…”

“…Porque, senão, daqui a pouco aparece uma foto que eu andei há oito anos em um avião e não me lembro."

Ok, então ficamos assim: se tiver foto, voou. Se não foi fotografado, não voou.

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Escrito por Josias de Souza às 20h32

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Gaddafi vira estátua chutada, mas Brasil fica no muro

Na Líbia, o ditador Muammar Gaddafi virou, por assim dizer, estátua chutada. No Brasil, ele ainda é reconhecido na prática como líder formal dos líbios.

O ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) disse que o governo brasileiro não reconhecerá a legitimidade dos rebeldes da Líbia antes de uma manifestação da ONU.

Mais de 30 países, entre eles os EUA e as principais nações da Europa, já reconheceram o Conselho dos rebeldes como novo poder legítimo na Líbia.

A ONU só deve se pronunciar em 21 de setembro, antes da Assembléia Geral da entidade.

Segundo Patriota, o Brasil reconhece "Estados, e não governos."

Portanto, disse o chanceler, "não se trata de adotar alguma manifestação a respeito deste ou daquele governo neste momento."

Patriota esmiuçou o raciocínio: "O governo deverá ser de coalizão, sobre todo o território e com legitimidade…”

“…Deve ser feita uma transição democrática. A Líbia deve percorrer um longo percurso em termos de avanços institucionais."

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Escrito por Josias de Souza às 19h59

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Aliado de Sarney: ‘Queriam que ele fosse de jumento?’

  Divulgação
Vice-líder do governo Roseana Sarney na Assembléia Legislativa do Maranhão, o deputado estadual Magno Bacelar (PV) escalou a tribuna nesta terça (23).

O objetivo de Bacelar era o de defender o indefensável: a utilização de helicóptero do Estado em passeios dominicais de José Sarney, pai da governadora.

Ecoando Lula –Sarney “não pode ser tratado como uma pessoa comum”—, o deputado disse que o tetrapresidente do Senado “não é uma pessoa qualquer.”

"Queria que o presidente [do Senado] fosse andar em jumento?”, indagou Bacelar. “Queria o quê? Enfrentar um engarrafamento?”

Não, não. Absolutamente. “Esse helicóptero, é claro, tem que servir os doentes. Mas tem que servir as autoridades, esta é a realidade."

Na opinião do deputado, a "mídia nacional está marcando Sarney." Acha que "grandes jornais sulistas", como a Folha, "discriminam o Maranhão."

Desnecessário contestar Bacelar. Melhor indagar: com defensores como esse, Sarney precisa de inimigos?

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Escrito por Josias de Souza às 19h24

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Dilma deseja evitar novas trocas de ministro, diz líder

Renato Araújo/ABr

Líder de Dilma Rousseff na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi portador de um recado da presidente aos partidos de seu condomínio.

Reunido com os líderes das legendas governistas, Vaccarezza disse que Dilma não quer trocar mais nenhum ministro antes da reforma prevista para 2012.

Por que 2012? Até abril do próximo ano, os ministros que quiserem disputar as eleições municipais terão de deixar a Esplanada.

Além das trocas inevitáveis, Dilma pode aproveitar para mudar ministros que não irão às urnas no ano que vem. Antes disso, segundo Vaccarezza, não.

De passagem por São Paulo, o governador baiano Jaques Wagner (PT) disse algo que ajuda a entender o porquê de Dilma ter aposentado a vassoura.

No dizer de Wagner, Dilma fez um “ajuste de conduta” depois dos ruídos produzidos pela azáfama em que se converteu o desembarque do PR da pasta dos Transportes.

“Na vida, você faz uma ação, avalia o resultado e faz ajustes de conduta”, teorizou o governador.

“Acredito que o problema com o PR foi na forma, não no conteúdo, porque Dilma não chamou o partido para conversar sobre o que faria…”

“…A liturgia poderia ter sido menos traumática, com menos consequências.”

Na opinião de Wagner, o combate à corrupção no Brasil não deve se tornar agenda prioritária do governo. Heimmm?!?!

“Isso seria um desserviço ao Brasil, porque não estamos em patamares que assustem, no mundo todo há esse problema.”

Em menos de oito meses de gestão, Dilma acumula quatro trocas ministeriais. Coisa nunca antes vista na história desse país.

Wagner explica: “Dilma é intolerante com o malfeito, seja corrupção ou má administração. Lula é mais conciliador.” Hummmm!

A despeito da eletricidade que permeia as relações do Planalto com seu consórcio partidário, o governador vê em Dilma uma recandidatura “natural.”

Não exclui, porém, a hipótese de uma re-re-recandidatura de Lula: “Até por isso, não vejo como haver rompimento com a base [governista]…”

“…Porque se o cara se arreta com a Dilma, o outro projeto político em que pode estar é de Lula. Agora, se nenhum dos dois quiser concorrer, eu estou na fila.”

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Escrito por Josias de Souza às 18h25

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Líder do PR na Câmara assina o requerimento de CPI

Sérgio Lima/Folha

O deputado Lincoln Protela, líder do PR na Câmara, assinou há pouco o requerimento da oposição que pede a abertura de uma CPI da Corrupção.

Ao justificar o gesto, Lincoln declarou: “Entendi que essa CPI quer uma investigação limpa, sem querer prejudicar a governabilidade…”

“…Mas trazer luz à sociedade brasileira das coisas que estão acontecendo. Eu seria incoerente se não assinasse.”

A rubrica do líder chega num instante em que a ministra Ideli Salvatti, coordenadora política de Dilma Rousseff, se empenha para trazer o PR de volta para o condomínio.

Lincoln não foi o primeiro pêérre a assinar a CPI. Mas o jamegão dele tem caráter “simbólico”, realçou o líder tucano Duarte Nogueira (PSDB-SP).

Outro tucano, Paulo Aci-Ackel (PSDB-MG), líder da minoria na Câmara, disse acreditar que a adesão de Lincoln estimulará outros governistas a fazerem o mesmo.

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Escrito por Josias de Souza às 17h47

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Mendes Ribeiro assume Agricultura sem definir metas

Convidado há três dias, o deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) foi empossado no Ministério da Agricultura nesta terça (23).

Ao discursar, o novo ministro, advogado de formação, admitiu que vai ao cargo sem definir um “plano de metas”.

Dilma Rousseff também discursou. A alturas tantas, elogiou Wagner Rossi, o pemedebê que foi empurrado para a porta de saída pelas denúncias de malfeitos.

Mendes Ribeiro enunciou intenções. Disse, por exemplo, que não pretende “mudar o que não precisa.” Apostará na “valorização do servidor e no conhecimento técnico.”

Deseja combinar o político e o técnico: "Só gestão sem política implica em emperramento. E só política sem gestão implica em desperdício sem resultados."

Buscará a “melhor equipe disponível”. Vai trocar auxiliares antes mesmo da apuração das denúncias que tisnam a pasta.

Bulirá, por exemplo, no time da Conab: “O ministro da CGU, Jorge Hage, disse que teria entre 30 a 45 dias para completar a tarefa [de auditor os malfeitos]…”

“…Até lá, vou entrar na Conab consciente do grupo técnico que se encontra lá. A Conab é muito importante para a agricultura brasileira. [...[. Se tiver que mudar, eu vou mudra.”

A exemplo de Dilma, o novo ministro elogiou o antecessor. Mencionou a frase que Wagner Rossi lhe dissera em privado:”

“Mendes, faz o que tu tiver que fazer, eu fiz o que pude fazer pela agricultura do Brasil e tô torcendo por ti'. Muito obrigado, Wagner, obrigado mesmo."

Cercado de tantos mimos, não restou a Rossi senão desdobrar-se nos agradecimentos. Quem assistiu teve a impressão  de que a dança de cadeiras foi desnecessária.

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Escrito por Josias de Souza às 16h54

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Líbia vai honrar contratos com Brasil, afirma Patriota

Sergey Ponomarev/AP

Os rebeldes da Líbia ainda não puseram as mãos em Muammar Gaddafi. Mas já tomaram o complexo militar de Bab al-Aziziya, última cidadela do ditador.

Enquanto a ditadura de Trípoli é empurrada para o colapso, a diplomacia de Brasília é confrontada com a interrogação: e agora?

Quando as ruas começaram a roncar na Líbia, o Itamaraty levou o pé atrás. No instante em que a encrenca foi à sorte das armas, o Brasil defendeu negociação.

Na hora em que a ONU aprovou o uso da força para deter os caças de Gaddafi, a representação de Dilma Rousseff se absteve de votar. Daí a dúvida: e agora?

Pelo menos quatro companhias brasileiras têm intere$$es a defender na Líbia: Petrobras, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão.

O chanceler Antonio Patriota acredita que, prevalecendo o rebeldes, os contratos firmados com empresas brasileiras serão respeitados.

"Acho que isso [represálias econômicas] não vai acontecer, porque temos recebido informações de que serão respeitados os contratos mesmo que haja mudanças."

O ministro, por patriota, deve acreditar sinceramente no que diz. Mas é evidente que o risco de retaliação existe.

Até o momento, mais de 30 países, incluindo EUA e os grandes da Europa, já reconheceram o Conselho dos rebeldes como representante legítimo da Líbia.

A bandeira rebelde já tremulou até na embaixada da Líbia em Brasília. Mas o governo Dilma ainda reconhece Gaddafi como líder legítimo da ditadura em ruínas.

Diplomacia sem riscos é como sexo com virgindade. São coisas por inventar.

No papel de ingênuo pacifista, o Brasil desperdiçou sua oportunidade. Agora, a ingenuidade do Brasil é a oportunidade que os outros aproveitam.

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Escrito por Josias de Souza às 15h25

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Anac já apontava uso irregular de helicópteros no MA

Ao utilizar helicóptero da PM do Maranhão em passeios dominicais, José Sarney não afrontou apenas o bom senso e o contribuinte.

O tetrapresidente do Senado sobrevoou também acima do conteúdo de relatório produzido em 2010 pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Datado de outubro de 2010, o texto da agência anota que dois helicópteros do governo maranhense foram utilizados de maneira “inadequada” no transporte de “autoridades.”

A Anac foi a campo movida por denúncias recebidas em 2009 contra o GTA (Grupo Tático Aéreo) do governo maranhense.

Uma das acusações apontava a "descaracterização de aeronaves" que deveriam servir ao “transporte de enfermos.”

Em seu relatório, a agência concluiu que, de fato, foi “constatado” o uso de aeronaves maranhenses no “transporte de autoridades.”

Os nomes das “autoridades” não são mencionados no documento, cujo teor é refugado pela governadora Rosena Sarney (PMDB).

Oito meses após a conclusão da Anac, José Sarney, pai da governadora, usou aeronave  do Estado em pelo menos dois passeios à ilha do Curupu, propriedade da família.

Como se fosse pouco, o relatório da Anac também menciona "indícios" de irregularidade praticada a bordo de aeronave alugada pelo governo do Amapá.

O Amapá, como se sabe, é o Estado que o maranhense Sarney adotou como seu domicílio eleitoral.

De acordo com a Anac, aeronave custeada pelo contribuinte amapaense voava no céu do Maranhão em agosto do ano eleitoral de 2010.

Corre a web vídeo que exibe cena em que eleitores hostilizam Roseana e assessores da campanha dela no momento em que embarcavam num helicóptero.

O prefixo da aeronave é o mesmo que a Anac atribui à aeronave alugada pelo governo do Amapá (aqui, o vídeo).

Procurado, o governo do Maranhão absteve-se de comentar o pedaço do texto da agência que trata do uso impróprio dos seus helicópteros.

Quanto ao naco do texto que menciona os “indícios” de apropriação eleitoral da aeronave amapaense, a reportagem foi aconselhada a procurar o PMDB.

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Escrito por Josias de Souza às 06h53

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Temer intervém para tentar conter a rebelião do PMDB

Sérgio Lima/Folha

Nesta terça (23), Michel Temer ofecerá um jantar no Palácio do Jaburu, a residência oficial dos vice-presidentes da República.

Além do anfitrião, vão à mesa Dilma Rousseff, congressistas e ministros do PMDB. Tenta-se exibir uma unidade que inexiste.

Sócio majoritário do condomínio governista, ao lado do PT, o partido de Temer está trincado. Às rachaduras do Senado, acrescentaram-se as frinchas da Câmara.

Nos dois casos, encontram-se na berlinda os líderes. Renan Calheiros, o líder do Senado, lida há tempos com um grupo de oito senadores “independentes” –o G-8.

A novidade é que também Henrique Eduardo Alves, o líder da Câmara, passou a ser fustigado por cerca de 35 deputados descontentes.

Na noite desta segunda (22), munido de panos quentes, Temer recebeu no gabinete da vice-presidência 12 dos rebelados da Câmara.

Presente ao encontro, Henrique Alves comprometeu-se a afinar os ouvidos. Disse que intensificará os contatos com os “liderados.”

O problema é que o monturo de queixas é do tamanho do PMDB. Tão grande que talvez não caiba no par de tímpanos de que dispõe o líder.

O pequeno grupo reunido ao redor de Temer é retrato da confederação de interesses em que se tornou o PMDB.

Lá estavam, por exemplo, sobrenomes conhecidos: Renan Filho (AL), primogênito de Renan Calheiros; e Lúcio Vieira Lima (BA), irmão de Geddel Vieira Lima.

Renanzinho e Lúcio brigam por influência e espaço –na bancada e no governo. O diabo é que, por vezes, esbarram em interesses do PT.

Por exemplo: o PMDB baiano do deputado Lúcio pega em lanças por um cargo no DNPM da Bahia. O governador petê Jaques Wagner joga contra.

Danilo Forte (CE), outro deputado que despejou críticas na sala de Temer, ressente-se da perda de controle sobre a Funasa, máquina de votos da Saúde.

Rose de Freitas (ES), outra que foi chorar as pintangas na sala de Temer, inserge-se contra Pedro Novais, o amigo de José Sarney que responde pela pasta do Turismo.

Vice-presidente da Câmara, Rose cobra a saída de Novais da poltrona de ministro. Uma encomenda que nem Temer nem Henrique parecem dispostos a entregar.

Havia também na sala de Temer insurretos que dão de ombros para cargos: Osmar Terra e Darcísio Perondi, ambos do PMDB gaúcho.

Terra e Perondi compõem uma dissidência à parte. Integram um grupo de 14 deputados pemedebês que votou no tucano José Serra na eleição presidencial de 2010.

Divergem por achar que Henrique Alves negligencia temas que deveriam ser caros ao PMDB. Exigem, por exemplo, a votação da Emenda 29.

Trata-se daquela proposta que eleva as verbas para a Saúde, contra a qual Dilma Rousseff se bate.

Afora a briga por cargos e por projetos, o motim do PMDB da Câmara é feito de verbas. Deputados de primeiro mandato queixam-se da liberação das célebres emendas.

A esse pedaço do grupo de amotinados, Henrique alves responde que parte dos milhões que o Planalto está na bica de liberar contempla também as emendas dos noviços.

De resto, a rebelião do PMDB é adensada por descontentes com o supostos privilégios patrocinados pelo líder na designação de relatores de MPs e de projetos.

As críticas se avolumaram depois que Henrique indicou o amigo Eduardo Cunha (RJ) para relatar o projeto que vai revisar o Código Civil.

A esses, Henrique responde que respeita a fila. Munido de uma lista de 27 indicações que encaminhou à presidência da Câmara, ele explica que leva quem pede primeiro.

No caso de Eduardo Cunha, o pedido foi feito em fevereiro. As insatisfações ultrapassam as fronteiras do PMDB, chegando às franjas do STF.

É esse PMDB dividido que Michel Temer levará à presença de Dilma na noite desta segunda-feira. É improvável que o repasto resulte em união.

Os desunidos reclamam por certos tipos de alimentos que não cabem num prato de comida.

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Escrito por Josias de Souza às 05h41

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Negromonte: briga interna do PP ‘termina em sangue’

Renato Araújo/ABr

A disputa interna que convulsiona a bancada de 41 deputados fedeais do PP ganhou contornos de um folhetim de capa e espada.

Acusado de converter a pasta das Cidades em bunker partidário e de oferecer mensalão de R$ 30 mil a deputados, o ministro Mário Negromonte levou a mão ao florete.

Após negar as acusações em nota, Negromonte disse o seguinte em entrevista a uma rádio de Salvador:

"Lamento muito que exista uma briga interna. Um lado começa a dizer coisa da vida do outro. Então, vai terminar em sangue e isso é muito ruim."

Rivaliza com Negromonte o grupo de deputados ligado ao antecessor dele, Márcio Fortes, que respondeu pelas Cidades na gestão Lula. 

Na semana passada, o grupo pró-Fortes destituiu o líder da bancada na Câmara, Nelson Meurer (PR), da ala pró-Negromonte. Foi à cadeira de líder Aguinaldo Ribeiro (PB).

Na entrevista radiofônica, Negromonte insinuou que Fortes está por trás das denúncias que o alvejaram.

"Tem gente interna do nosso partido que eu contrario interesse. Tem gente externa, outras pessoas. O Márcio Fortes queria ficar [no ministério]."

Negromonte disse que Dilma Rousseff aconselhou-o a resistir. Recomendou que evite tomar o caminho do pemedebê Wagner Rossi, que se demitiu da Agricultura.

"Estive com a presidente em São José do Rio Preto [na sexta-feira] e ela se posicionou que o Wagner Rossi cedeu às denúncias e que não era para ele ter cedido…”

“…E [Dilma] disse a mim: 'Você, ministro, não dê importância a essas matérias [veiculadas pela imprensa]'."

As palavras de Negromonte contrastam com declarações feitas no Planalto. Em privado, auxiliares de Dilma dizem que ela estaria incomodada com Negromonte.

Ou há duas Dilmas em Brasília ou alguém mente.

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Escrito por Josias de Souza às 04h01

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As manchetes desta terça

- Globo: Otan e rebeldes caçam Kadafi, que ainda resiste

- Folha: Rebeldes celebram, mas Gaddafi não sed entrega

- Estadão: Rebeldes consolidam posição em Trípoli e Kadafi some

- Correio: O tirano que virou fumaça

- Valor: Bancos têm US$ 1,6 trilhão de reservas em excesso nos EUA

- Estado de Minas: Ditadura em escombros

- Zero Hora: Incerteza na Líbia

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h53

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Pássaro? Helicóptero? Não, é o Sarney!

Frank

- Via 'Charge Online'. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h42

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Lula diz a Marta que PT-SP precisa de ‘uma cara nova’

Sérgio Lima/Folha

Auto-convertido em oráculo do PT na preparação de 2012, Lula recebeu quatro dos cinco petês que se engalfinham pela vaga de candidato do partido à prefeitura de São Paulo.

Valendo-se de suas conexões divinas, o ex-soberano move-se em favor do ministro Fernando Haddad (Educação), novato em urnas.

À veterana senadora Marta Suplicy, Lula declarou que o PT tem de apresentar ao eleitor da capital paulista “uma cara nova.”

Na saída do encontro, Marta levou aos holofotes a face que os bisturis e os cosméticos conservam seminova.

“Ouvir a opinião” de Lula é “importante”, disse ela. Mas considera-se “a pessoa com mais condições de disputar.”

Quer dizer que continua candidata? “Candidatíssima”, a senadora não hesitou em responder.

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Escrito por Josias de Souza às 23h00

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Sarney sobre o helicóptero: 'Não prejudicou ninguém'

Alguma coisa subiu à cabeça do tetrapresidente do Senado. José Sarney parece convencido de que Lula falava sério quando disse que ele “não é uma pessoa comum.”

Pilhado utilizando helecóptero da PM do Maranhão para viagens de passeio à ilha de Curupu, de sua propriedade, Sarney reagiu como autêntico incomum.

Absteve-se de dizer se sabia que, numa de suas viagens, o desembarque da bagagem retardou o socorro de um pedreiro com traumatismo craniano e fratura na clavícula.

“Não prejudicou ninguém”, limitou-se a dizer. Em seguida, acrescentou: "Eu estou como chefe do Poder Legislativo…”

Sim, e daí? “Eu tenho direito a transporte e segurança em todo o país; de representação, não somente a serviço."

Heimm!?!?! "O presidente [da República] não é chefe de um poder? Aonde ele vai, ele não tem direito a transporte, segurança pública? Eu também sou chefe."

Político há cinco décadas, Sarney amealhou fortuna. Dinheiro para o aluguel de helicópteros não lhe falta. Sobrevoa o bolso do contribuinte por convicção.

Acha que os brasileiros comuns têm a obrigação de proporcionar-lhe todos os prazeres que o dinheiro público puder proporcionar.

Sarney, por incomum, é 100% bancado pelo deficit público.

- Foto de Fábio Pozzebom, da Agência Brasil.

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Escrito por Josias de Souza às 21h14

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Com seis meses de atraso, Furnas move a ‘vassoura’

Divulgação

Acomodado na presidência de Furnas em fevereiro, Flávio Decat (foto) tinha como missão profissionalizar a estatal, livrando-a do aparelhamento político.

Ligado à família Sarney, Decat parecia o personagem errado na poltrona equivocada. Foi recebido, porém, com certo otimismo.

Por quê? Substituiu Carlos Nadalutti, apadrinhado do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ou seja: ruim com Decat, pior sem ele.

O tempo passou. O “afastado” Nadalutti virou assessor do “novo” presidente Decat. E a despolitização da diretoria de Furnas tornou-se novela.

Súbito, Decat decidiu mover a vassoura. Nesta segunda (22), com atraso de seis meses, o conselho de administração de Furnas aprovou a substituição de três diretores.

Dois eram vinculados ao PMDB: Márcio Antonio Arantes Porto, da área de Construção; e Luiz Henrique Hamann, que escalara a diretoria de Finanças graças a Romero Jucá.

O outro afastado, Mario Márcio Rogar, representava o PR de Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto na diretoria de Engenharia de Furnas.

Decidiu-se unificar Engenharia e Construção sob nova diretoria, a de Expansão. Será chefiada por Márcio Abreu, ex-diretor-técnico de Itaipu.

Criou-se uma diretoria de Planejamento, Gestão de Negócios e Participações, confiada a Olga Simbalista, ex-funcionária da Eletrobras.

Para a diretoria de Finanças, aquela em que dava as cartas o apadrinhado de Jucá (PMDB-RR), foi alçado Nilmar Foletto. É funcionário de carreira de Furnas. Estava cedido à Light.

A vassoura de Furnas, por seletiva, não alcançou Fernando Paroli Santos, diretor de Gestão Corporativa, indicado pelo PT.

Continua no cargo também o diretor de Operação do Sistema e Comercialização de Energia, Cesar Ribeiro Zani, ligado ao PSC.

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Escrito por Josias de Souza às 20h21

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Em vez de CPI, Cristovam deseja dar ‘chance’ a Dilma

  Sérgio Lima/Folha
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) escalou a tribuna para discursar, uma vez mais, sobre a “faxina” moral que ele acredita estar sendo feita por Dilma Rousseff.

A certa altura, tentou explicar por que ainda não acomodou a assinatura no pedido de CPI formulado pela oposição:

Eu vou dar essa chance à presidenta. Pelo menos, enquanto ela demonstrar que está com essa intenção, eu vou dar a ela essa chance, porque é bom para o Brasil.”

Na Câmara, 115 deputados rubriram o pedido de CPI. São necessários 171 jamegões. No Senado, assinaram 20. O número exigido é 27.

“Eu peço que ninguém retire a assinatura”, discursou Cristovam.

“Deixe a assinatura aí, porque esse é um recurso que o Congresso poderá usar, se for necessário, para não fugir da sua responsabilidade.”

Quer dizer: Cristovam confia em Dilma apenas até certo ponto. O ponto de interrogação.

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Escrito por Josias de Souza às 19h30

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OAB: Roseana tem de repor gastos de viagens do pai

Ophir Cavalcante, presidente da OAB federal, acha que Roseana Sarney tem contas a acertar com o Maranhão, Estado que governa.

Para ele, Roseana deve ao contribuinte, além de explicações, o dinheiro gasto nas viagens de helicóptero oficial do pai, José Sarney, para a ilha da família.

"A Ordem espera que a governadora do Estado reponha o que foi gasto ao Estado para que essa situação não se repita mais."

Recomenda-se ao doutor Ophir que puxe uma cadeira. Em pé, vai cansar. Outra alternativa seria a OAB acionar judicialmente os Sarney.

Não dispensa a cadeira. A espera seria longa. Mas o resultado pode ser mais efetivo do que a mera condenação retórica.

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Escrito por Josias de Souza às 19h10

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Bernardo e Gleisi negam uso de avião de empreiteira

  Folha
O casal ministerial Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) veio à boca do palco para negar notícia da revista Época.

Ambos manifestaram-se por meio de notas. Negaram ter voado em aeronave cedida pela empreiteira paranaense Sanches Triploni, que toca obra federal em Maringá (PR).

A nota de Bernardo, disponível aqui, diz:

“Esclareço que jamais solicitei ou me foi oferecido qualquer meio de transporte privado em troca de vantagem na administração pública federal.”

Na sequência, anota uma frase que soa como admissão de que pode ter embarcado em avião da construtora:

“Em 2010, quando era ministro do Planejamento, participei, nos fins de semana, feriados e férias, da campanha eleitoral do meu Estado, Paraná…”

“…Para isso, utilizávamos aviões fretados pela campanha, o que incluiu aeronaves de várias empresas, que receberam pagamento pelo serviço…”

“…Não tenho, porém, condições de lembrar e especificar prefixos e tipos, ou proprietários, dos aviões nas quais voei no período…”

“…Não existe relação entre o exercício do cargo de ministro do Planejamento e fatos decorrentes da execução de obras públicas no estado do Paraná.”

Mais adiante, Bernardo anotou: “[…] Defendi a inclusão [da obra] do Contorno de Maringá no PAC, assim como de outras obras prioritárias em outras regiões do país…”

“…Por uma razão simples: eram importantes para o desenvolvimento daqueles Estados, não porque iriam beneficiar esta ou aquela construtora.”

Eleita senadora na eleição do ano passado, a mulher do ministro escreveu em sua nota, disponível aqui:

“Não usei aviões de particulares/empresas no exercício do cargo público…”

“…Durante minha campanha eleitoral ao Senado, utilizei para deslocamentos avião fretado, com contrato de aluguel firmado.”

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Escrito por Josias de Souza às 18h36

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Como ‘Silvio Santos’, prefeito revela-se ótimo Kassab

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, decidiu enfiar-se nos sapatos de Silvio Santos. Deu-se nesta segunda (22), na entrega de um prêmio criado pela prefeitura.

Em sua terceira edição, o concurso do “Melhor Pastel de Feira da Cidade” teve o próprio Kassab como “animador” de auditório.

A alturas tantas, o prefeito chamou ao palco um japonês. Arriscou: “Cê tem cara de quem faz garapa mesmo, viu! É boa a garapa?”

O interlocutor sapecou: “Ótima, é bem docinha. É o sucuzinho do pau doce.” E Kassab: “Ai, Jesus! Os comerciais, por favor. Chama os comerciais.”

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Escrito por Josias de Souza às 18h07

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Gilberto Carvalho: Governo quer ‘ouvir’ redes sociais

  José Cruz/ABr
Sob Dilma Rousseff, o Planalto deseja aproximar-se das redes sociais que eletrificam a internet.

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) é quem está cuidando do assunto.

Deseja-se, por exemplo, monitorar os temas mais comentados em plataformas como o Twitter e o Facebook.

"A gente vai se dando conta que, ao lado da militância tradicional, hoje tem uma nova militância muito ativa que se faz presente nessas redes", diz Gilbertinho.

"O governo tem a obrigação de ouvir a sociedade, e essas são novas formas de expressão. O governo se deu conta do volume de mobilização existente nessa área."

Valendo-se de ferramentas de busca, o Planalto vai radiografar palavras-chave do seu interesse.

Num segundo momento, devem ser lançados perfis na web para estabelecer um diálogo com os internautas.

Serão perfis de pessoas físicas, não de ministérios ou órgãos públicos. Concluiu-se que os frequentadores da rede preferem se relacionar com gente de carne e osso.

Planeja-se também estimular o uso da internet para debater iniciativas oficiais. De resto, cogita-se inaugurar um portal semelhante ao que foi criado por Tarso Genro.

Governador petista do Rio Grande do Sul, Tarso abriu um portal no qua los internautas são estimulados a comentar as ações do governo e propor soluções alternativas.

No dizer de Gilbertinho, o governo quer "ouvir" os usuários de internet, para  "acolher e estimular" o diálogo.

Segundo o ministro, a própria Dilma Rousseff é “aberta e antenada”. Ela teria se dado conta da importância das redes sociais na campanha presidencial de 2010.

A própria presidente, contou o ministro, é "aberta e antenada" e se deu conta da importância das redes sociais na campanha do ano passado. Lorota.

No curso da campanha, Dilma abriu uma conta no twitter. Hoje, conta com mais de 772 mil seguidores.

A última mensagem veiculada por ela nesse espaço data de 13 de dezembro de 2010. Dilma escreveu:

Amigos, muito legal ser tão lembrada no twitter em 2010. Logo eu, que tive tão pouco tempo para estar aqui com vocês. Vamos conversar mais em 2011.”

Desde então, nenhuma palavra. O “vamos converser mais em 2011” boia na web como uma promessa de campanha descumprida.

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Escrito por Josias de Souza às 16h18

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Mantega e o novo mix:mais austeridade, menos juros

Sérgio Lima/Folha

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o governo "está mudando o mix da política econômica."

Antes, Fazenda e BC falavam línguas diferentes. Hoje, fazem tabelinha. Uma aperta os gastos públicos para que o outro possa aliviar os juros.

Quem entende do riscado leva o pé atrás. Aposta-se que, em 2012, os gastos públicos vão aumentar

Levando-se Mantega ao pé da letra, a resposta do governo Dilma à crise global que se avizinha sera diferente da de Lula:

"Deveremos ter reação mais monetária [redução dos juros] do que fiscal [expansão do gasto]."

Beleza. Mas e se a encrenca for mais grave, com dupla recessão nos EUA e na Europa?

"Temos bala na agulha tanto no monetário quanto no fiscal. Não deixaremos a peteca cair."

Pelo menos no gogó, Kid Mantega revela-se rápido no gatilho.

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Escrito por Josias de Souza às 15h26

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Sarney usou helicóptero do MA em viagem particular

O tetrapresidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) serviu-se de um helicóptero da Polícia Militar do Maranhão para passear na ilha do Curupu, de sua propriedade.

A transgressão ocorreu uma, duas vezes. Ambas em 2011, informam os repórteres Felipe Seligman e João Carlos Magalhães.

Para azar de Sarney, um cinegrafista amador registrou a utilização do bem público com propósitos privados (assista aqui).

O senador e seus acompanhantes foram filmados em trajes de passeio no instante em que desembarcavam no heliponto Polícia Militar em São Luís.

As primeiras imagens foram captadas em 26 de junho. As outras, em 10 de julho. Dois domingos.

Numa das viagens, além da mulher, Marli, acompanhava Sarney um casal de amigos: o empresário Henry Duailibe Filho e a mulher dele, Cláudia.

Henry é primo de Jorge Murad, marido da governadora maranhense Rosenana Sarney (PMDB).

Dono de uma construtora e de uma concessionária de automóveis, Henry mantém com o governo do Maranhão contratos milionários. Coisa de R$ 70 milhões.

O helicóptero usado por Sarney em seus passeios foi comprado no ano passado. Serve –ou deveria servir— para combater o crime e prestar socorro emergências médicas.

Custou R$ 16,5 milhões. Uma parte saiu do bolso do contribuinte do Maranhão. A outra, foi provida pelo contribuinte federal, representado pelo Ministério da Justiça.

Ao discursar na cerimônia de entrega da aeronave, Roseana Sarney jactou-se:

É "uma demonstração [de] que estamos investindo em uma polícia moderna, [...] afastando de vez a bandidagem" do Maranhão.

No dia 10 de julho, um dos domingos em que Sarney foi pilhado desembarcando do helicóptero anti-bandidagem, retardou-se o atendimento a um acidentado.

O pedreiro Anderson Ferreira Pereira acidentara-se gravemente. Sofrera traumatismo craniano. Fraturara a clavícula.

Socorrido por outro helicóptero da PM, Anderson acabara de chegar de Alcântara, cidade distante de São Luís 53 km.

Acompanhado da irmã, Rosângela Pereira, o pedreiro teve de esperar dez minutos para que sua maca fosse acomodada na ambulância que o levaria ao hospital.

  Lula Marques/Folha
O desembarque das malas de Sarney e seus acompanhantes teve preferência sobre o atendimento ao acidentado.

Procurado pela reportagem, Sarney manifestou-se por meio de assessores. Alegou o seguinte:

Tem "direito a transporte de representação e segurança em todo o território nacional, seja no âmbito federal ou estadual, sem restrição às viagens de serviço."

A assessoria senador invocou o artigo 2º da Constituição, cujo conteúdo não parece fazer nexo com o caso.

Nesse trecho, o texto constitucional anota: "São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário."

De resto, a assessoria de Sarney afirmou: "A viagem foi feita à ilha de Curupu a convite da governadora do Maranhão, Roseana Sarney."

Quer dizer: a aeronave do contribuinte levou Sarney até a ilha dos Sarney a convite da Sarney que governa o Estado famoso pelo domínio da família Sarney.

A assessoria do presidente do Senado não disse palavra sobre a presença num dos vôos do empresário que mantém negócios com o Estado.

Nada disse também sobre o retardamento do socorro ao pedreiro acidentado.

A Lei de Improbidade Administrativa sujeita os políticos que usam bens públicos em "obra ou serviço particular" à perda da função e suspensão dos direitos políticos.

Uma lei estadual do Maranhão, de 1993, "a utilização de veículos oficiais em caráter pessoal."

O texto não faz menção aos helicópteros. Mas aeronaves da PM, até prova em contrário, também são “veículos oficiais.”

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Escrito por Josias de Souza às 05h34

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PF cogita intimar Rossi para prestar ‘esclarecimentos’

Sérgio Lima/Folha

A Polícia Federal cogita intimar o ex-ministro Wagner Rossi para depor no inquérito que apura irregularidades no Ministério da Agricultura.

A investigação foi aberta na semana passada, a partir da inquirição de Israel Leonardo Batista, ex-chefe da comissão de licitações do ministério.

Israel reafirmou no depoimento acusações que, levadas ao noticiário, adensaram o caldo de malfeitos que precipitou o pedido de demissão de Rossi, na última quarta-feira (17).

O inquérito da PF entra na segunda fase a partir desta segunda (22). Já intimados, começarão a ser ouvidos os personagens citados por Israel.

Entre eles o lobista Júlio Fróes; a chefe de gabinete da secretaria-executiva Karla França Carvalho; e o ex-segundo do ministério, Milton Ortolan.

Apura-se, entre outros malfeitos, a suspeita de direcionamento de licitações realizadas na gestão de Wagner Rossi, nomeado por Lula e mantido por Dilma Rousseff.

A PF trabalha com a perspectiva de que a oitiva de Rossi pode ser inevitável. O inquérito ficaria capenga sem os “esclarecimentos” do ex-ministro.

Partiu de Rossi, por exemplo, a autorização para que fosse contratada, no ano passado, a Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP.

Em processo preparado pelo lobista Fróes, que dispunha de sala no ministério, a PUC foi contratada para treinar servidores ao preço de R$ 9,1 milhões.

Segundo Israel, Fróes distribuiu dinheiro a servidores após a assinatura do contrato com a PUC. No rastro da saída de Rossi, vieram à luz detalhes que tonificaram as suspeitas.

Descobriu-se que a participação da FGV na pseudolicitação foi fraudada. A proposta era forjada. A assinatura, falsa.

Em nota divulgada na sexta (19), a PUC se dispôs a devolver os cerca de R$ 5 milhões que já recebeu do ministério.

Ao demitir-se da Esplanada, Rossi como que viabilizou a eventual intimação da PF. No cargo, ele só poderia ser chamado a depor mediante autorização do STF.

A condição de ex-ministro privou Rossi da chamada prerrogativa de foro. Ele tampouco dispõe do privilégio como parlamentar. É ex-deputado federal.

Confirmando-se a intimação, a simples presença de Rossi nas dependências da PF representará um constrangimento adicional a Michel Temer.

O vice-presidente da República frequenta a crônica do caso como “padrinho” da nomeação de Rossi.

A cúpula do PMDB respirava aliviada depois que o “apadrinhado” decidiu deixar o governo por conta própria, livrando Temer do embaraço.

Associado a apurações em curso na Controladoria-Geral da União, o inquérito da PF pode prolongar o martírio da vinculação política.

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Escrito por Josias de Souza às 03h37

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As manchetes desta segunda

- Globo: Prisão de filhos de Kadafi põe regime perto do fim

- Folha: Rebeldes acuam Gaddafi na Líbia

- Estadão: Rebeldes já controlam Trípoli e Kadafi 'desmorona', diz Otan

- Correio: Assalto final

- Valor: Mantega diz que governo manterá o controle fiscal

- Zero Hora: Batalha pela capital da Líbia já registra mais de mil mortos

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h53

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'Lulodo'!

Humberto

- Via 'Jornal do Commercio'. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 02h19

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Governo já estuda privatizar estatais do setor elétrico

  Neon Neal/AFP
Tratada como tabu durante os dois reinados de Lula, a privatização vai perdendo sob Dilma Rousseff a pecha de tema proibido.

Autoridades do setor elétrico já admitem, em privado, que o governo pode recorrer à privatização para melhorar os serviços prestados por subsidiárias da Eletrobras.

Deve-se a informação à repórter Josette Goulart. Ouviu seis pessoas. Gente da Agência Nacional de Energia Elétrica, da Eletrobras e do Ministério de Minas e Energia.

Todos os consultados foram unânimes na admissão de que é possível que o governo recorra à venda de ativos de distribuidoras federais de energia.

Não há, por ora, a requisição de um estudo formal. Mas a atração da iniciativa privada é vista como melhor opção em seis Estados das regiões Norte e Nordeste.

Entre as subsidiárias da Eletrobras que podem ir ao martelo estão: Amazonas Energia, Boa Vista Energia, Eletroacre, Ceron (Rondônia), Cepisa (Piauí) e Ceal (Alagoas).

O que inibe o avanço do tema são os embaraços políticos. O discurso anti-privatista foi utilizado como arma nas duas eleições em que Lula prevaleceu sobre rivais tucanos.

O entrave político é atenuado pela decisão já tomada por Dilma de atrair o investidor privado para o negócio dos aeroportos.

Uma das hipóteses cogitadas para o setor elétrico é a chamada PPP (Parceria Público Provada).

Nessa hipótese, o governo venderia ativos das estatais elétricas, mantendo a Eletrobras como sócia.

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Escrito por Josias de Souza às 00h56

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Rebeldes prendem 3 filhos de Gaddafi e tomam Trípoli

Esam Al-Fetori/Reuters

Respira-se na Líbia uma atmosfera com cara de desfecho. Em incursão iniciada no sábado e aprofundada neste domingo (21), os rebeldes avançaram sobre a capital, Trípoli.

À noite, quando o relógio local já havia penetrado a madrugada desta segunda (22), uma multidão celebrava na Praça Verde o avanço das forças anti-Muammar Gaddafi.

Os rebeldes líbios anunciaram a prisão de três filhos de Gaddafi. Entre eles Saif Al-Islam, apontado como potencial sucessor do pai.

- Atualização feita às 23h42 deste domingo (21): em férias com a família na ilha Martha's Vineyard, Barack Obama divulgou um comunicado.

No texto, o presidente dos EUA anota que o desfecho da crise na Líbia depende agora apenas de uma admissão Gaddafi:

"Hoje,a oposição contra o regime de Gaddafi atingiu seu limite. Trípoli está se libertando de uma tirania…”

“…O modo mais certo de dar fim ao derramamento de sangue é simples: Muammar Gaddafi e seu regime precisam admitir que seu governo acabou."

Obama acrescentou que os EUA "continuarão a trabalhar com aliados e com o povo líbio em apoio à democracia."

Mais cedo, instado a comentar a convulsão em Trípoli, Obama dissera:

"Vamos aguardar até que haja confirmação sobre o que aconteceu. Faremos um pronunciamento quando soubermos."

A divulgação posterior do comunicado indica que, aos olhos da Casa Branca, o fim da ditadura Gaddafi é iminente.

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Escrito por Josias de Souza às 23h24

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Suposto acordo devolve Strauss-Kahn ao noticiário

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Escrito por Josias de Souza às 19h43

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Presidente da OAB pede saída do ministro do Turismo

  Sérgio Lima/Folha
O presidente da OAB, Ophir Cavalcanti, veio à boca do palco neste domingo (21) para defender a saída de cena do ministro pemedebê Pedro Novais (Turismo).

"Há um comprometimento muito forte do ministro do Turismo com a estrutura do ministério que está contaminado. O ideal seria que ele se afastasse do cargo", disse.

A manifestação chega no rastro da revelação de que uma emenda de Novais injetou R$ 1 milhão do Turismo em negócio firmado com uma construtora-fantasma.

Foi reaberta em Brasília a temporada de apostas: quanto tempo resistirá Novais?

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Escrito por Josias de Souza às 19h11

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Bernardo também pode ter voado em 'asas privadas'

Marcello Casal/ABr

Em Brasília, o hábito não costuma fazer o monge. Ao contrário, pode desfazer até petistas de boa reputação.

Na semana passada, a notícia de que o pemedebê Wagner Rossi pegara carona em jatinho de uma agro-empresa entornou um caldo que já ia alto na Agricultura.

Surge agora a suspeita de que também o ministro petê Paulo Bernardo (Comunicações) cruzou os céus do país em aeronave privada.

Segundo notícia veiculada por Época, os voos de Bernardo teriam ocorrido no ano passado, quando ele ainda chefiava a pasta do Planejamento, sob Lula.

O avião pertence à Construtora Sanches Tripoloni, empresa de Maringá (PR), reduto eleitoral de Bernardo e da mulher dele Gleisi Hoffmann, que também voou.

Nos últimos 40 dias, Bernardo vem se esquivando de responder a uma pergunta singela: afinal, voou em aeronave de empresa privada?

A pergunta foi formulada a outros 30 ministros –28 responderam que não viajaram em aviões do alheio.

Paulo Passos (Transportes) admitiu ter viajado em aeronaves de empreiteiras para vistoriar obras em pedaços remotos do mapa do país.

Mario Negromonte (Cidades) declarou que costuma fretar aviões por conta própria para viagens dentro da Bahia, seu Estado.

E quanto a Bernardo? Necas de resposta. O avião que teria deixado o hangar para servi-lo é um turboélice King Air.

O prefixo é PR-AJT. As duas primeiras letras evocam uma sigla de triste memória. O PR, como se sabe foi varrido dos Transportes...

...Uma pasta com a qual a Sanches Tripolini mantém contratos milionários. Um deles, referente a obra rodoviária em Maringá.

Ainda no Planejamento, Bernardo, então o Senhor das verbas, foi atencioso com as liberações de Maringá.

Por todas as razões, é estranho, muito estranho, estranhíssimo que o ministro não queira responder à questão singela: Afinal, voou ou não no avião da empreiteira?

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Escrito por Josias de Souza às 06h34

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‘Mortalidade’ no governo de Dilma supera Afeganistão

Angeli

Tomada pelo vaivém da catraca, a Esplanada de Dilma está mais para a azáfama dos moteis de abate ligeiro que do para a modorra das repartições.

Numa das notas levada à sua coluna, disponível na Folha, o repórter Elio Gáspari fez contas e comparações. Repare:


- Mortalidade: Com a demissão do ministro Wagner Rossi a taxa de mortalidade ministerial de Dilma Rousseff chegou a 16,6%.

Passou a da mortalidade infantil do Afeganistão (14,9%) e aproximou-se dos 17,6% do líder, Angola.

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Escrito por Josias de Souza às 04h56

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As manchetes deste domingo

- Globo: Clínicas pagam propina para receber pacientes

- Folha: Planalto poupa o PT e corta verba de áreas de aliados

- Veja: Dor

- Época: Onde estão os melhores Empregos

- IstoÉ: O novo retrato da Fé no Brasil

- IstoÉ Dinheiro: O novo mago do show business

- CartaCapital: O Brasil de Dilma

- Exame: Investimentos pessoais 2011: Um guia para tempos de incerteza

Leia os detaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h57

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Prato do Dia!

Nani

- Via Nani Humor. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h38

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Ministério das Cidades oferece mensalão a deputados

  Elza Fiúza/ABr
Em ritmo de catadupa, surgiu uma novidade na catarata de lodo que jorra da Esplanada dos Ministérios.

Dessa vez, foi às manchetes a pasta das Cidades, chefiada por Mário Negromonte (foto), deputado federal do PP da Bahia.

Em guerra para retomar o controle da bancada de deputados federais do PP, o ministro Negromonte teria convertido o ministério em bunker partidário.

Na última quarta-feira (17), informa a revista Veja, um grupo de deputados levou à ministra Ideli Salvatti uma denúncia cabeluda.

Informou-se à coordenadora política de Dilma Rousseff que Negromonte estaria oferecendo mesada de R$ 30 mil mensais a deputados que o apoiarem.

A central de cooptação monmetária funcionaria numa sala anexa ao gabinete do ministro. Ali foram instalados quatro deputados legais a Negromonte.

São eles: João Pizzolatti, Nelson Meurer, José Otávio Germano e Luiz Fernando Faria. Juntos, operam para persuader colegas a se alinharem ao ministro.

Negromonte mede forças com o antecessor Marcio Fortes, que ocupou a pasta das Cidades na gestão Lula.

Há duas semanas, o grupo ligado ao ex-ministro Fortes logrou destituir da liderança do PP na Câmara o líder Nelson Meurer.

No lugar de Meurer, leal a Negromonte, foi acomodado o deputado Aguinaldo Ribeiro, afinado com Fortes. Daí toda a arenga reação do ministro.

Ouvido sobre a denúncia mensaleira levada à sala de Ideli por colegas de seu partido, Negromonte disse o seguinte:

“Sei que há boatos de que pessoas vieram aqui para fazer isso e aquilo, da mesma forma que o pessoal estava dizendo que o Márcio Fortes foi lá na liderança fazer promessa, comprometer-se na tentativa de arranjar assinatura. Não me cabe ficar comentando boato”.

Procurado Márcio Fortes saiu-se com um comentário lacônico: “No dia 31 de dezembro, deixei o cargo de ministro e me afastei das atividades partidárias”.

O Ministério das Relações Institucionais, a pasta chefiada por Ideli, confirma ter recebido as denúncias de deputados do PP.

Diz-se que a batalha interna da legenda está sob monitoramento do Planalto. O diz-que-diz foi repassado a Dilma Rousseff.

No epicentro do novo quase-escândalo, o PP é o terceiro maior partido do condomínio governista. Soma 41 votos na Câmara e cinco no Senado.

Ideli e, sobretudo, Dilma Rousseff talvez devessem fazer algo mais além de apenas monitorar.

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Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Aécio diz que faxina de Dilma é ‘slogan de campanha’

  Folha
Na contramão de FHC, que defende o apoio do PSDB às ações anticorrupção de Dilma Rousseff, o senador tucano Aécio Neves pôs em dúvida o ímpeto moralizador do governo.

Para Aécio, a propalada faxina de Dilma nos ministérios não passa de um “slogan de campanha”. O senador reiterou críticas que fazia à Era Lula.

Disse que as gestões petistas promoveram um “aparelhamento da máquina pública”. Formaram-se, diz ele, feudos partidários que distorcem a gestão e geram corrupção.

Aécio insinuou que, diferentemente do que tenta fazer crer, Dilma não age contra os malfeitos. Apenas reage ao noticiário.

“O governo acorda todos os dias, deve abrir os jornais quase que como filando uma carta de baralho para saber quem é o próximo denunciado, para a partir daí agir…”

“…Se ninguém denunciou naquela semana, tá muito bom. Para um governo com oito meses apenas de duração, já está muito envelhecido.”

Quatro ministros de Dilma já desceram ao meio-fio. Um, Nelson Jobim (Defesa), caiu por criticar o governo e colegas de Esplanada.

Três –Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes) e Wagner Rossi (Agricultura)— caíram envoltos em suspeições expostas nas manchetes.

Aécio alvejou Dilma num ato promovido pelo tucanato mineiro. Inaugurou-se em Belo Horizonte um “núcleo sindical” do PSDB.

Filiaram-se à legenda cerca de 93 sindicalistas, a maioria vinculada à Força Sindical e à Nova Central Sindical.

As manifestações do senador, hoje a principal alternativo presidencial da oposição, chegam no rastro de notícias que aproximam FHC de Dilma.

Em privado, o antecessor de Lula passou a defender o apoio do PSDB aos esforços de Dilma para “limpar” o governo.

FHC chega mesmo a sugerir que seu partido abandone a ideia de constituir no Congresso uma CPI da Corrupção.

Há dois dias, FHC recepcionou Dilma no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.

Deu-se numa cerimônia em que Dilma firmou com governadores do Sudeste um pacto de combate à miséria.

Entre os signatários estão os tucanos Geraldo Alckmin (SP) e Antonio Anastasia (MG), pupilo de Aécio.

Ao comentar a aproximação de Dilma e FHC, Aécio serviu-se da ironia:

“Acho que a presidente está incomodada com alguns dos seus aliados, talvez tenha buscado estar um pouco mais próxima dos tucanos.”

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Escrito por Josias de Souza às 16h55

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Dúvida: são meio doidos ou espertalhões por inteiro?

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Escrito por Josias de Souza às 12h01

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Emenda de ministro manda R$ 1 mi a firma-fantasma

  Sérgio Lima/Folha
Sempre que instado a comentar o escândalo de sua pasta, o ministro Pedro Novais (Turismo) sapeca: a encrenca é de 2009, antes de eu virar ministro. Como poderia saber?

As explicações de Novais ainda nem sedimentaram e já surge ao redor do ministro um escândalo seminovo.

É muito parecido com o antigo. Envolve emenda de parlamentar, convênio e verba pública desviada. A diferença é que, dessa vez, Novais terá mais dificuldades para dizer que n!ão sabia. 

O autor da emenda que nutre o malfeito é ninguém menos que o deputado Pedro Novais (PMDB-MA).

O caso vem à luz graças ao trabalho de uma tróica de repórtres: Dimmi Amora, Andreza Matais, Felipe Seligman.

Informam, na Folha: antes de virar ministro, Novaes mandou aos cofres do Turismo emendas orçamentárias.

Uma dessas emendas resultou em convênio de R$ 1 milhão assinado com prefeitura dos fundões do Maranhão, Estado de Novais.

Empenhada pelo ministério em dezembro de 2010, a verba está na bica de migrar de Brasília para o Maranhão.

Vai parar nas arcas municipais de Barra do Corda, cuja vocação turística é quase tão imperceptível quanto a vocação de Novais para o ministério.

A emenda prevê que o dinheiro será usado na construção de uma ponte. A prefeitura até já realizou a “licitação”.

"Venceu" a empresa Planmetas Construções e Serviços. Fica na capital maranhense, São Luíz, a 450 km de Barra do Corda.

Munida do endereço que aparece nos registros oficiais da empresa, a reportagem decidiu visitar sua sede. Supresa (!), espanto (!!), estupefação (!!!)…

A firma credenciada para beliscar o R$ 1 milhão provido pela emenda de Novais é “fantasma”. Não existe senão como fraude.

A pseudo-sede da construtora fica na periferia de São Luiz, num conjunto habitacional de baixa renda. O apelido dos prédios dá ideia das condições das moradias: ”Carandiru”.

No suposto endereço da Planmetas, atendeu uma senhora. Identificou-se como Delí. Questionada sobre os pretensos sócios da empresa, ela disse que um deles é seu neto. Mas já não mora no local.

Ouvido, o agora ministro Pedro Novais disse ter direcionado verbas para Barra do Corda por acreditar que o turismo pode se desenvolver na cidade:

"A ponte dará acesso à população e aos turistas, além de permitir que todos conheçam o principal ponto turístico da cidade: o balneário Beira Rio."

O diabo é que, considerando-se o tipo de empresa selecionada, a ponte da emenda do ministro dará acesso apenas à praia dos cofres públicos.

E dessa vez Pedro Novais nem vai poder dizer que não sabia.

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Escrito por Josias de Souza às 05h38

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As manchetes deste sábado

Globo: Denunciados no STF irão revisar processos judiciais

Folha: Quadrilhas já atacaram 500 caixas eletrônicos

Estadão: Ditador sírio desafia Ocidente e volta a reprimir opositores

- Correio: Proposta de reajuste a servidor vai de 2% a 31%

- Estado de Minas: Minas tem 20 juízes ameaçados de morte

- Zero Hora: Piratini vai endurecer punição a quem vender álcool a adilescentes 

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h47

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Câncer!

Duke

- Via O Tempo. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h05

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De um ministro do STF: ‘E o Michel Temer vai deixar?’

  Alan Marques/Folha
Os líderes do PMDB, Henrique Eduardo Alves, e do PT, Paulo Teixeira, criaram uma novidade: comissão parlamentar que já vem com cunhas.

A comissão foi criada para debater e aprovar modificações no Código de Processo Civil. Assunto caro à turma da toga.

Para presidir a comissão, o líder petê indicou o companheiro João Paulo Cunha, réu no processo do mensalão.

Para relator, o líder pemedebê apontou o amigo Eduardo Cunha, alvo de inquérito no STF.

Diz-se que João Paulo é formado em Direito. Desconhece-se qualquer petição que tenha feito. Eduardo nem advogado é.

Nesta sexta (19), um ministro do Supremo tocou o telefone para um senador amigo.

Perguntou: “Ninguém vai fazer nada? O Michel Temer vai permitir?”

Henrique Alves e Eduardo Cunha são, hoje, frequentadores habituais do Palácio do Jaburu, a residência oficial do vice.

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Escrito por Josias de Souza às 20h43

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PUC se dispõe a devolver verba à pasta da Agricultura

Contratada pelo Ministério da Agricultura em processo sob suspeita de fraude, a PUC de São Paulo divulgou uma nota.

Informou que está “colocando à disposição do Ministério da Agricultura, os valores até agora recebidos” –coisa de R$ 5 milhões num contrato de R$ 9 milhões.

Mais cedo, a FGV requisitara a abertua de inquérito policial para apurar o uso indevido de sua logomarca na licitação da pasta da Agricultura.

Conforme já veiculado aqui, há nos arquivos do ministério uma proposta atribuída à FGV. O papelório é fornado e a assinatrua é falsa.

A contratação da PUC, declarada vencedora no certame de fancaria, foi autorizada no ano passado por Wagner Rossi, que se demitiu há dois dias.

Aos pouquinhos vai-se levantando o tapete da gestão Rossi.

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Escrito por Josias de Souza às 18h41

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CNI mostra declínio otimismo da indústria em agosto

  João Wainer/Folha
A CNI (Confederacão Nacional da Indústria) divulgou o seu Icei (Índice de Confiança do empresário Industrial) referente ao mês de agosto.

O resultado mostra um declínio da confiança do setor industrial. Algo que pode envenenar os investimentos.

O indicador da CNI varia de zero a 100. Quanto maior a pontuação, maior a confiança do setor. A média histórica é de 59,6 pontos.

O índice de agosto ficou abaixo desse patamar: 56,4. Caiu 1,5 ponto em relação a julho. Ruiu 7,6 pontos na comparação anual.

O Icei de agosto é o menor desde abril de 2009, quando caíra a 49,4 pontos. Naquela época, o mundo convive com a crise global deflagrada em 2008.

Agora, o industrial brasileiro parece recear os efeitos da nova crise, esboçada nos EUA e na Europa. A atmosfera de borrasca leva ao acionamento dos freios.

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Escrito por Josias de Souza às 16h56

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Dilma: ‘A minha base não concorda com os malfeitos’

Fábio Pozzebom/ABr

A revista ‘The Economist’, uma das mais prestigiosas do mundo, dedicou um pedaço de sua última edição ao Brasil.

A reportagem trata dos escândalos que eletrificam a Esplanada. Anota que Dilma vê-se “sugada pelo pântano político que é Brasília".

Prevê que os casos de corrupção, seguidos do afastamento de servidores de médio e alto escalão, dificulta as relações de Dilma com seu condomínio partidário.

Em consequência, prevê a revista, Dilma terá dificuldades para aprovar no Congresso as reformas necessárias ao enfrentamento da crise global.

De passagem por São José do Rio Preto (SP), Dilma reagiu à notícia: "A minha base de sustentação também não concorda com malfeitos…”

“…E eu não vejo nenhum motivo para isso acontecer, de ter maiores problemas no Congresso…”

“…Agora, onde houve problema de corrupção, nós somos obrigados a tomar posição."

Em parte, Dilma tem razão. Seu condomínio não concorda com os malfeitos. Comete-os. Mas nada faz crer que o governo perderá a maioria no Legislativo.

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Escrito por Josias de Souza às 15h52

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PR leva sua ‘independência’ para passear no Planalto

  Sérgio Lima/Folha
Os deputados Lincoln Portela (foto) e Luciano Castro, respectivamente líder e vice-líder do “independente” PR, foram exercitar a rebeldia partidária no Palácio do Planalto.

A dupla foi recebida na sala de Ideli Salvatti, gestora do balcão. A ministra apelou a Lincoln e Luciano para que o PR retorne ao condomínio governista.

Sensibilizados, os deputados comprometeram-se a levar o pedido da ministra “às bases” do partido. 

Assim, três dias depois de trombeteada, a “independência” do PR subiu no telhado.

Em verdade, os vínculos da legenda com a coroa nem chegaram a ser rompidos.

O PR prometera devolver os cargos que ocupa no governo. Não veio à luz uma mísera carta de demissão.

Os cargos estão “à disposição da presidente”, explicou o líder Lincoln Portela.

Quer dizer: Dilma, se quiser, que demita.

Vice-líder do governo na Câmara, Luciano Castro não se dignou a abrir mão da posição.

Seria “deselegante” com a presidente, ele argumentou.

Segundo Castro, mantendo-se na vice-liderança, ele pode servir como “uma ponte” entre o PR e o Planalto.

Ponte? Shiii… Lembra Dnit! Melhor arrumar outra metáfora.

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Escrito por Josias de Souza às 14h34

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Agricultura: FGV foi usada para fraudar uma ‘licitação’

Georges Rado

Ao demitir-se da Esplanada, o pemedebê Wagner Rossi preencheu com sua ausência uma lacuna na pasta da Agricultura.

Ficou a sensação de que o governo Dilma Rousseff livrou-se de uma encrenca. Falso. Foi-se a causa, ficaram as consequências.

Os repórteres Andreza Matais e José Ernesto Credencio produziram uma notícia que leva ao caldeirão da Agricultura uma novidade.

O caldo de suspeições, já pegajoso, ficou ainda mais viscoso. Descobriu-se que o bom nome da FGV foi usado indevidamente numa pseudolicitação da Agricultura.

A coisa envolve um contrato assinado pelo ex-ministro Rossi em agosto do ano passado. Contratou-se a Fundasp, fundação mantenedora da PUC de São Paulo.

Ao preço de R$ 9,1 milhões, a PUC se dispôs a treinar servidores. Já desceram à caixa da universidade católica R$ 5 milhões.

Até aqui, sabia-se que os documentos que levaram à contratação da PUC haviam sido preparados por um lobista chamado Júlio Fróes. Algo já admitido pelo ministério.

“Doutor Fróes”, como o chamam na Agricultura, é aquele sujeito que dispunha de sala no ministério, trançava negócios e distribuía dinheiro a servidores.

O que se descobriu agora é que há no processo uma proposta atribuída à FGV. O papelório é fornado. A assinatura, falsa.

Antonio Dal Fabbro, o funcionário da FGV que aparece na peça do ministério como signatário declarou: "É um documento apócrifo e minha assinatura foi falsificada."

Grudado aos papéis falsos da FGV há um fax requisitando a pseudoproposta. Assina-o o servidor Felipe de Sousa Freitas.

A FGV informa que jamais recebeu a requisição da Agricultura. O número que aparece no documento é de um telepone comum, sem fax.

Ouvido, o servidor Felipe disse que não lembrar se mandou ou não o fax à FGV. Num primeiro instante, tentou negar que a assinatura fosse sua. Depois, admitiu que assinou.

Os repórteres apuraram que Felipe rubricou o documento a mando de Karla França Carvalho. Vem a ser a atual chefe de gabinete da secretaria executiva do ministério.

Procurada, a contratada expediu uma nota. Escreveu que o contrato é legal e “vem sendo executado com o rigor técnico acadêmico que é próprio da PUC-SP."

No texto, a PUC negou que tenha sido representada no ministério pelo lobista Júlio Fróes. Curioso, muito curioso, curiosíssimo.

Na versão da Agricultura, “doutor Júlio” só havia passado pelo ministério porque era o representante da PUC.

Denunciado por Israel Batista, ex-chefe da comissão de licitações do ministério, o caso virou inquérito da PF no início da semana. Querendo apurar, matéria prima não vai faltar.

Em nota, o ministério informou que irá colaborar com os investigadores. Ah, bom!

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Escrito por Josias de Souza às 06h53

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PMDB tenta conter rebelião na bancada de deputados

  José Cruz/ABr
Líder do PMDB da Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN) jactava-se de ter produzido a união de sua bancada.

Em movimento inverso, o líder do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), passou a conviver com um grupo de “independentes”, logo batizado de G-8.

Pois bem. Para desassossego do Planalto, a unidade trombeteada por Henrique ganhou o adorno de um motim. Mal administrada, a rebelião pode produzir um G-38.

O Painel, editado pela repórter Renata Lo Prete na Folha, esmiúça a encrenca em três notas. Leia:


- Pólvora 1: A cúpula do PMDB tenta conter rebelião de ala da bancada insatisfeita com o líder Henrique Alves (RN).

Os amotinados querem: a) obstrução se não for votada a Emenda 29; b) liberdade para assinar a CPI da Corrupção; c) barrar a escolha de Eduardo Cunha (RJ) para a relatoria da reforma do Código de Processo Civil.

- Pólvora 2: Temer chamou a ala gaúcha, cheia de descontentes, para jantar na segunda. E Alves busca garantir a nomeação de um aliado de José Priante (PA), outro amotinado, à direção do Incra em Santarém.

- Pólvora 3: O líder, porém, diz que não recua da indicação de Eduardo Cunha para relatar a reforma do código. Em tempo: também o Planalto reprova a escolha.


- Em Tempo: quatro dos pemedebês insurretos já assinaram a CPI da Corrupção: Raul Henry (PE), André Zacharow (PR), Nelson Bornier (RJ) e Valdir Colato (SC).

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Escrito por Josias de Souza às 05h01

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As manchetes desta sexta

- Globo: EUA e Europa pedem a saída de ditador sírio; Brasil diverge

- Folha: FGV é usada para fraudar licitação vencida pela PUC

- Estadão: Preocupação com Europa e EUA volta a derrubar bolsas

- Correio: "Quero aprender com Rossi" afirma novo ministro

- Valor: Voltam desconfiança e pessimismo

- Jornal do Commercio: Policiais vão trocar burocracia pela rua

- Zero Hora: O desafio de Mendes - Agronegócio pede seguro e prazo para pagar dívidas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 04h15

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Galeria!

Humberto

- Via 'Jornal do Commercio'. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h39

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PT e assessores de Dilma pregam destituição de Jucá

Marcello Casal/ABr

Informam os dicionários que, numa de suas acepções, Jucá é o nome de uma árvore. Em versão científica: Caesalpinea ferrea. No português das ruas: pau-ferro.

A resistência e a durabilidade insinuadas na denominação da madeira ornam com a biografia do senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Comanda os interesses do Planalto no Senado há tanto tempo que, por vezes, tem-se a impressão de que já nasceu manuseando uma medida provisória.

Sob FHC, Jucá, então um tucano, foi líder do PSDB e vice-líder do governo. Sob Lula, foi líder do Planalto. Empossada, Dilma confirmou-o como seu líder no Senado.

Sem alarde, um pedaço da bancada de senadores do PT e parte da assessoria de Dilma puseram-se a conspirar contra a longevidade do “pau-ferro” do Senado.

Inaugurou-se um tipo de movimento que começa em burburinho e costuma terminar com uma cabeça na bandeja.

Atribui-se a um lance de Jucá o início do processo que arrastou o Ministério da Agricultura para a banda podre do noticiário.

Foi por insistência dele que o irmão Oscar Jucá Neto sentou-se na cadeira de diretor-financeiro da Conab, a estatal vinculada à Agricultura.

A liberação de R$ 8 milhões de um fundo destinado à compra de alimentos para uma distribuidora fantasma levou Jucá Neto às manchetes.

Demitido, o irmão do senador atirou para o alto. Acusou o chefe Wagner Rossi de lhe oferecer dinheiro em troca de silêncio e disse: na Agricultura, “só tem bandido”.

Jucá alegou que não sabia da beligerância do irmão, pediu desculpas a Dilma, se recompôs com Rossi e fez de conta que nada sucedera. Engano.

A encrenca virou munição da infantaria petista. Pior: nos demais partidos do consórcio governista, mesmo no PMDB, escasseiam as vozes pró-Jucá.

Não é a primeira vez que o petismo marcha na direção do líder eterno. Dera-se coisa parecida sob Lula. Antes, porém, havia um argumento que enfraquecia o veneno.

Alegava-se que o trânsito de Jucá junto à oposição era útil no desarme de armadilhas. Além de ex-tucano, Jucá tem vínculos históricos com o grão-demo Marco Maciel.

Pernambucano como Maciel, Jucá foi levado a Brasília pelo grupo político do ex-senador do DEM. Fez-se própero nas franjas da presidência de José Sarney.

Antes de virar congressista, presidiu a Funai. Sarney nomeou-o governador do ex-território de Roraima, de onde Jucá recolhe os seus votos até hoje.

Para desassossego de Jucá, o argumento esgrimido por Lula perdeu a validade. Sob Dilma, o Senado deixou de ser trincheira oposicionista.

Outrora, juntando-se a uns poucos silvérios governistas, PSDB e DEM punham CPIs de pé (ONGs, Correios, Cartões Corporativos, Petrobras…). Em 2007, foi ao lixo a CPMF.

Hoje, a maioria governista no Senado é quase tão poderosa quanto a da Câmara. Diz-se que a proximidade de Jucá com as bancadas inimigas já não é tão essencial.

O diz-que-diz anti-Jucá, por disseminado, migrou dos subterrâneos da Praça dos Três Poderes para os ouvidos de Dilma.

E a presidente não pareceu aos que a ouviram avessa à idéia de trocar Jucá. Nem tão rápido que parereça retaliação nem tão devagar que se confunda com inação.

A saída de Wagner Rossi da Agricultura religou a máquina de moer Jucá. O substituto de Rossi, deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) é líder de Dilma no Congresso.

A cúpula do PMDB apressou-se em espalhar que o vice Michel Temer ouviu de Dilma a promessa de que o partido indicará outro deputado para o posto de líder.

O PT levou o pé atrás. Sob Lula, respondia pela liderança no Congresso a então senadora petê Ideli Salvatti (SC), hoje ministra do balcão. O petismo quer a função de volta.

O PMDB dá de ombros. Já escolheu até um candidato à vaga aberta com a ascensão de Mendes Ribeiro: o deputado piauiense Marcelo Castro.

Confirmando-se a nomeação de Castro, o petismo tende a se concentrar na liderança do governo no Senado.

E o rumor que alveja Romero ‘Pau-ferro’ Jucá pode se converter num barulho ensurdecedor.

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Escrito por Josias de Souza às 23h13

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Para Raupp, ministros do PMDB herdaram problemas

José Cruz/ABr

Presidente interino do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO) saiu-se com uma tese nova sobre o lixo que apareceu sob o tapete dos ministérios confiados ao seu partido.

Disse que Wagner Rossi, recém-saído da Agricultura; e Pedro Novais, ainda acomodado no Turismo, assumiram pastas com problemas.

“O Pedro Novais, assim como o Wagner Rossi, tiveram a infelicidade de assumirem ministérios já com problemas. Esses problemas não começaram agora.”

De fato, os problemas vêm de longe. Raupp se absteve de adjetivar a herança. Mas bem poderia tê-la qualificado de “maldita.”

Ex-ministro de Lula, Rossi nomeou para a Conab Romero ‘Ali só Tem Bandido’ Jucá Neto. De resto, pegava “carona” em jatinho agrocompanheiro desde 2010.

Quer dizer: Rossi foi eletrocutado sob Dilma por problemas que Rossi começara a produzir sob Lula.

No caso de Novais –“muito novo no cargo”, diz Raupp— o principal problema foi a escalação de um “servidor” muito antigo no ministério.

Escalado por Novais para o segundo posto do Turismo, Frederico da Silva Costa frequentava a pasta desde 2003, ano inaugural do primeiro reinado de Lula.

Nos grampus da Operação Voucher, a voz de Frederico soa em timbre vadio –“O importante é a fachada”.

Quer dizer: Novais enfiou dentro de sua equipe o pedaço mais vistoso da encrenca turística que vem de longe.

Repita-se: Raupp tem razão. Os problemas “não começaram agora.” O diabo é que o PMDB não tem cara de solução.

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Escrito por Josias de Souza às 21h02

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Lula diz ser 'imbecilidade' falar de 2014 e critica EUA

  Alan Marques/Folha
Luiz ‘Viajando’ Inácio ‘Pelo País’ da Silva passou por Belo Horizonte nesta quinta (18). Discursou para cerca de 140 políticos reunidos num restaurante.

Os repórteres ficaram de fora. Mas a distância não os impediu de ouvir o orador, que falou por 20 minutos.

Há dois dias, o ministro petê Paulo Bernardo disse, em entrevista ao repórter Fernando Rodrigues: o candidato do PT para 2014 sairá de uma conversa de Lula com Dilma.

Na casa de repasto da capital mineira, sem mencionar o nome do companheiro Bernardo, o ex-soberano disse meia dúzia de palavras sobre o tema:

"Acho uma imbecilidade e loucura falar de 2014 se nem sentamos à mesa para falar de 2012…”

“…Sobre 2014, só tem uma pessoa que pode chamar essa conversa, é a companheira Dilma. Senão começa um debate atravessado."

Para Lula, há temas mais urgentes: "Nosso problema é evitar que Brasil seja arranhado nessa crise irresponsável dos países ricos, sobretudo da Europa e dos EUA."

Na União Europeia, disse ele, a crise decorre de "falta de decisões políticas". Nos EUA, o problema seria outro: política em excesso.

"Estou vendo agora uma campanha nos Estados Unidos, antecipada em quase dois anos enquanto a crise já poderia ter sido resolvida…”

“…Porque a crise não vai se resolver salvando bancos, e sim dando ao povo trabalhador o direito de comprar."

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. A sucessão presidencial americana está marcada para o fim de 2012. Os republicanos mexem-se com desenvoltura.

Em reação, o democorata Barack Obama faz caravanas de re-candidato com um ano e três meses antecedência.

Presidente, Lula levou Dilma Rousseff à vitrine com antecedência de pelo menos dois anos e meio. Quando ardia a crise global de 2008, Dilma já era a “mãe do PAC.”

Súbito, o ex-cara põe-se a defender que Obama observe o vaivém de seus rivais de braços cruzados.

Por sorte, o inquilino da Casa Branca não teve a ventura de conhecer Bussunda. Do contrário, talvez dissesse: “Fala séeeeerio!”

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Escrito por Josias de Souza às 19h30

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Em Minas Gerais, MPF vai à Justiça para pedir esgoto

O Ministério Público Federal ajuizou em Minas Gerais duas ações civis inusitadas. Pede-se à Justiça que obrigue dois municípios mineiros a prover esgoto tratado à população.

Uma das ações refere-se ao município de Conquista. A outra trata da cidade de Fronteira. Foi acionada também a Copasa, estatal mineira de saneamento.

Nas duas cidades, o esgoto vem sendo despejado nas águas do Rio Grande. Em Conquista, há 6.753 habitantes. Em Fronteira, 14.041.

Signatária da ação, a procuradora da República Raquel Silvestre foi à máquina de calcular. Concluiu:

Se cada pessoa produz uma media 120 litros de esgoto por dia, as duas cidades lançam nas águas do rio diariamente 2,4 milhões de litros de esgoto in natura.

“A consequência dessa prática é desastrosa, tanto para a saúde da população quanto para o meio ambiente”, diz a procuradora Raquel.

Citando dados do SUS, ela recorda que 70% dos leitos hospitalares estão ocupados por portadores de “doenças hídricas”.

Dito de outro modo: o brasileiro abarrota os leitos de hospital porque o “poder” publico lhe impõe o contato com água suja.

A Procuradoria pede nas ações de Minas a concessão de liminares judiciais que obriguem as prefeituras a providenciar estações de tratamento de esgoto no praso de um ano.

Reivindica-se também o pagamento ede indenizações por danos ambientais. Bom, muito bom, ótimo.

Se o indispensável não vem por obrigação, talvez chegue por pressão. A Procuradoria-geral da República poderia pensar numa ação do gênero em âmbito nacional.

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Escrito por Josias de Souza às 17h57

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Kassab: ‘Nas crises…, estaremos ao lado do governo’

  Sérgio Lima/Folha
Como previsto, o prefeito paulistano Gilberto Kassab batizou o seu “novo” partido no Palácio do Planalto.

Levou o PSD para passear no gabinete de Dilma Rousseff um dia antes de solicitar ao TSE a expedição da certidão de nascimento da legenda.

Na saída, Kassab definiu o PSD como “independente”. Como assim? "Não faremos parte da base do governo.”

Kassab cuidou de circunscrever a “independência”: “Me referindo às crises, em especial na economia, estaremos ao lado do governo…”

“…O PSD não lhe faltará [à presidente Dilma] nesse momento e em outros onde as medidas sejam compatíveis com o nosso programa, as nossas diretrizes."

Ah, bom!

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Escrito por Josias de Souza às 17h20

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Prioridades de Mendes Ribeiro: ‘Ouvir, ouvir e ouvir…’

Sérgio Lima/Folha

Confirmado na pasta da Agricultura por uma nota da colega Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Mendes Ribeiro (PMDB-RS) anunciou suas prioridades:

“Ouvir, ouvir e ouvir”, disse o novo ministro em entrevista. Perguntaram-lhe se fará “faxina” no ministério.

E ele: "Faxina? Estou chegando agora e meu negócio é agricultura." Meia verdade. O campo não é propriamente a praia de Ribeiro, formdo em advocacia.

“Sou do Rio Grande do Sul”, tenta amenizar o substituto de Wagner Rossi, evocando a vocação rural do seu Estado.

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Escrito por Josias de Souza às 16h28

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Em ninho tucano, Dilma elogia Lula e agradece a FHC

Dilma Rousseff assinou com os governadores do Sudeste um pacto contra a miséria. Deu-se em São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes, um ninho tucano.

Ao lado do governador Geraldo Alckmin, FHC fez as honras da casa. Recepcionou a visitante, abraçou-a.

Ausente, Lula mereceu elogios rasgados de Dilma. Ao discursar, a pupila realçou o legado social do patrono –“herança bendita”, disse.

Dilma voltou-se para FHC a alturas tantas. Só para agradecer-lhe o gesto da presença.

A presidente falou sobre "faxina". Faxina contra a miséria, não essa que você está pensando.

Além do pacto anti-miséria, firmado também por Sérgio Cabral (RJ), Antonio Anastasia (MG) e Renato Casagrnade (ES), Dilma celebrou acordo específico com Alckmin.

Prevê a junção do Bolsa Família com a versao paulista do programa, o Renda Cidadã. Petistas e tucanos receberam a parceria com um pé atrás.

Parte do petismo receia que Dilma acabe por colocar azeitona na empada “social” de Alckmin.

Um pedaço do tucanato teme ser acusado de aderir a uma iniciativa tantas vezes chamada de “assistencialista.” Preocupações edificantes, como se vê.

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Escrito por Josias de Souza às 15h33

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No twitter: Dilma ‘aprovou’ Mendes Ribeiro, diz PMDB

Com as três notas reproduzidas acima, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara, tornou público o desfecho das negociações da noite.

Informada pelo vice Michel Temer sobre a preferência da bancada do PMDB, Dilma Rousseff “aprovou” a indicação de Mendes Ribeiro para o Ministério da Agricultura.

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Escrito por Josias de Souza às 07h29

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Em privado, Rossi atribui ‘onda de denúncias’ a Serra

  Sérgio Lima/Folha
A carta de demissão que Wagner Rossi entregou a Dilma Rousseff contém um trecho enigmático.

No último parágrafo, o agora ex-ministro da Agricultura anotou: “Sei de onde partiu a campanha contra mim…”

“…Só um político brasileiro tem capacidade de pautar ‘Veja’ e ‘Folha’ e de acumular tantas maldades…”

“…Fazendo com que reiterem e requentem mentiras e matérias que não se sustentam por tantos dias. Mas minha família é meu limite. Aos amigos tudo, menos a honra”.

Em diálogos privados que manteve com assessores e integrantes da cúpula do PMDB, Rossi mencionou o nome que preferiu sonegar na carta.

O “político” que o ex-ministro julga estar por trás das denúncias que o levaram a pedir demissão é o ex-presidenciável tucano José Serra.

Na teoria conspiratória que construiu como lenitivo para o cipoal de notícias acerbas que o alvejaram, Rossi sustenta que Serra “manda” nas redações de ‘Veja’ e ‘Folha’.

Na cabeça do afilhado político do vice-presidente Michel Temer, a pseudoconspiração teria propósitos políticos.

Rossi acredita –ou diz acreditar— que o objetivo de Serra seria enfraquecer o PMDB de São Paulo, presidido pelo filho e deputado estadual Baleia Rossi.

Na cabeça de Rossi, Serra será o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo em 2012. E enxergaria no PMDB, que empina a candidatura de Gabriel Chalita, uma ameaça.

Os fatos conspiram contra a conspiração criada por Rossi. Para tomá-lo a sério, seria necessário supor que Serra dispõe de poderes insuspeitados, quase divinos.

Antes de “pautar Veja e Folha”, o grão-tucano precisaria lobotomizar dois dos principais acusadores de Rossi: Oscar Jucá Neto e Israel Leonardo Batista.

Jucá Neto deixou a Conab atirando para o alto: “Ali só tem bandido”, disse o irmão do líder governista Romero Jucá, num inusitado surto pró-Serra.

O lobista Júlio Fróes dispunha de sala no ministério, ajeitava licitações e distribuía dinheiro a servidores, completou o serviço Israel, ex-chefe das licitações da Agricultura.

Rossi se absteve de mencionar. Mas os tentáculos de Serra decerto alcançam a redação do ‘Correio Braziliense’.

Dali partiu a notícia de que Rossi voara nas asas do jatinho de uma agro-empresa de sua cidade, Ribeirão Preto. Uma firma com interesses milionários na Agricultura.

Levando-se o delírio às últimas consequências, Serra talvez tenha sugerido aos donos da empresa que oferecessem o jatinho a Rossi.

Pior: o inimigo tucano pode ter infiltrado um serviçal na casa de R$ 9 milhões sob cujo teto o ministro se abriga em Ribeirão.

À sorrelfa, o espião de Serra teria adicionado substância alucinógena na água de Rossi. Fora de si, o pobre embarcou “três ou quatro vezes” no famigerado jatinho.

Bem verdade que a candidatura do deputado Chalita, temida pelo hipotético rival tucano, não é um portento municipal. Por ora, está mais para piaba do que para baleia.

A despeito das evidências em contrário, convém não descartar a teoria de Rossi. O melhor a fazer é mesmo acreditar que na conspiração de Serra.

Do contrário, alguém poderia ser induzido a supor que um punhado de notícias “falsas” fiz de um político de biografia impecável um ex-ministro indigno.

Não, não. O país não suportaria. Conspiração, claro. Só pode ter sido uma conspiração.

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Escrito por Josias de Souza às 05h10

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As manchetes desta quinta

- Globo: Denúncias derrubam outro ministro, agora do PMDB

- Estado: Quarto ministro de Dilma a cair, Rossi vê complô político

- Correio: Jatinho derruba ministro da Agricultura

- Valor: Empresas ignoram crise e buscam captação externa

- Estado de Minas: Jatinho derruba ministro

- Zero Hora: Dilma perde quarto ministro em oito meses de governo

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h14

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A flauta mágica!

Paixão

- Via 'Gazeta do Povo'. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h37

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Kassab leva seu PSD a Dilma antes de levá-lo ao TSE

Fábio Pozzebom/ABr

O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab desembarcou em Brasília na noite desta quarta (17). Veio à Capital para cuidar da formalização do seu PSD.

Nesta quinta (18), Kassab e uma comitiva do “novo” partido irão ao encontro de Dilma Rousseff, na Presidência da República.

Só depois, na sexta (19), a cúpula do PSD protocolará no Tribunal Superior Eleitoral o pedido de registro provisório da legenda.

Quer dizer: antes de requerer à Justiça Eleitoral a certidão de nascimento, o partido do prefeito receberá os sacramentos governistas na pia batismal do Planalto.

Dilma deve receber Kassab e Cia. na segunda metade do dia. No início da manhã, a presidente viaja para São Paulo. Só retorna a Brasília no meio da tarde.

Kassab e Dilma farão, por assim dizer, o encontro da fome com a vontade de comer.

De olho na candidatura ao governo de São Paulo, em 2014, Kassab tem fome de verbas federais que lhe permitam tonificar a gestão na prefeitura, em baixa nas pesquisas.

A Dilma interessa degustar os votos que o PSD diz que terá na Câmara –42 deputados, segundo alerdeia Kassab. Um a mais que os 41 “neoindependentes” do PR.

Amigo e afilhado político do tucano José Serra, egresso do proto-oposicionista DEM, Kassab exibe o seu salto triplo carpado em Brasília como um ginasta sem passado.

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Escrito por Josias de Souza às 23h57

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PMDB indica Mendes Ribeiro para vaga da Agricultura

  Ag.Câmara
O vice-presidente Michel Temer vai “sugerir” a Dilma Rousseff que nomeie o deputado Mendes Ribeiro (foto) para a vaga de Wagner Rossi no Ministério da Agricultura.

Hoje, Ribeiro (PMDB-RS) responde pela liderança do governo no Congresso Nacional. É formado em área alheia à temática agrícola: advocacia.

Padrinho político de Rossi, que pediu demissão nesta quarta (17), Temer recebeu de Dilma delegação para coordenar no PMDB a escolha de um substituto.

A presidente pediu pressa. Disse que gostaria de dispor de um nome ja na manhã desta quinta (17).

Acionado por Temer, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara, reuniu a bancada do partido.

Participaram cerca de 40 deputados. Chegou-se a cogitar a hipótese de levar três alternativas a Dilma.

No final, preferiu-se apontar apenas um nome. Referendado pela bancada, o nome de Mendes Ribeiro foi levado por Henrique Alves a Michel Temer.

Temer chamou Ribeiro ao Palácio do Jaburu. O líder Henrique Alves também se dirige para a residência oficial do vice.

Ouvido pelo repórter, Henrique Alves confirmou a escolha de Ribeiro. Zeloso, disse que o nome dele vai a Dilma como uma “sugestão” do partido.

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Escrito por Josias de Souza às 23h28

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Dilma chama Queiroz de ‘Rossi’ e Alberto de ‘Alfredo’

Sérgio Lima/Folha

Quando olha ao redor, Dilma Rousseff deve ser assaltada (ops!) por uma sensação insuportável de perda. Nesta quarta (17), perdeu a memória.

Deu-se num encontro com as “margaridas”, trabalhadoras rurais que marcharam sobre a Esplanada carregando uma pauta de 158 reivindicações.

Sob efusivos aplausos, Dilma acomodou o chapéu de “margarida” sobre o penteado e discursou. Como de praxe, saudou as “autoridades” presentes.

Chamou Agnelo Queiroz, o governador de Brasília, de Agnelo ‘Rossi’. E rebatizou Alberto Broch, o presidente da Contag, de ‘Alfredo’ Broch.

Pedaços da herança de Lula, Alfredo Nascimento e Wagner Rossi já não convulsionam a Esplanada. Mas ainda azucrinam os neurônios de Dilma.

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Escrito por Josias de Souza às 22h02

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Em nota, Dilma ‘lamenta’, veja você, a saída de Rossi

Sérgio Lima/Folha

Consumado o pedido de demissão do ministro Wagner Rossi (Agricultura), Dilma Rousseff apressou-se em divulger uma nota.

No texto, a presidente lamentou a saída do auxiliar pemedebê que herdou de Lula. Dilma como que endossou as críticas de Rossi à imprensa.

Além da demissão, lastimou que o agora ex-ministro não tenha “contado com o princípio da presunção da inocência.” Abaixo, a íntegra da nota de Dilma:


"Lamento profundamente a saída do ministro Wagner Rossi, que deu importante contribuição ao governo com projetos de qualidade que fortaleceram a agropecuária brasileira.

Agradeço seu empenho, seu trabalho e sua dedicação. Lamento ainda que o ministro não tenha contado com o princípio da presunção da inocência diante de denúncias contra ele desferidas."


Em diálogo privado que manteve com o vice-presidente Michel Temer, amigo e padrinho político de Rossi, Dilma disse que a vaga continua sendo do PMDB.

Temer discute com a cúpula da legenda opções de nomes para a poltrona.

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Escrito por Josias de Souza às 21h13

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Ministro do Turismo: ‘Admito, algo pode ter havido (!)’

O ministro pemedebê Pedro Novais (Turismo) tenta explicar, em sessão conjunta de três comissões da Câmara, o escândalo que arde em sua pasta.

A despeito da operação da PF, das manifestações do Ministério Público e do noticiário oceânico, Novais reconheceu os malfeitos apenas como vaga possibilidade:

“Se houve deslizes ou irregularidades, eu não sei. Mas admito que algo pode ter havido (!?!). De qualquer maneira, isso está sendo corrigido e será eliminado.”

O principal alvo da investigação que converte o Turismo em escândalo é um convênio de R$ 4,45 milhões.

O dinheiro foi ao orçamento do ministério graças a uma emenda da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP).

Repassada à ONG Ibrasi, a verba deveria ter financiado cursos de profissionalização no setor turístico. Jamais foram ministrados.

Estima-se que pelo menos R$ 3 milhões tenham sido desviados. Os desvios foram detectados, primeiro, por auditors do TCU.

O convênio é de 2009, época em que Lula presidia o país e Novais ainda não era ministro. Porém…

…Porém, a última parcela foi liberada já na administração de Dilma Rousseff, sob Pedro Novais.

Na Câmara, o ministro saiu-se à moda Lula: “Eu não sabia.” Havia na equipe de Novais, contudo, pelo menos um personagem que sabia muito bem o que se passava.

Chama-se Frederico Silva da Costa. Frequentava a pasta do Turismo desde 2003, ano inaugural do primeiro reinado de Lula.

Nomeado ministro na cota do PMDB, Novais promoveu Frederico à Secretaria-geral da pasta, segunda posição na hierarquia da pasta.

Preso pela PF junto com outras 35 pessoas, Frederico demitiu-se depois de deixar a prisão. Inquirido sobre o personagem, Novais defendeu-lhe a competência:

"Ele é um dos funcionários mais conceituados deste ministério. Tanto que passou por diversos cargos e eu o promovi a secretário-executivo…”

“…A escolha coube a mim, porque além da qualidade que mencionei ninguém entende mais do relacionamento com o Ministério do Planejamento…

Ministério “…que é quem disponibiliza recursos. Eu precisava dele naquela função, por isso o nomeei."

Recordou-se a Novais que, antes de ser efetivado como secretário-geral, Frederico já frequentava o noticiário vinculado a outras suspeitas.

Espremido, o ministro saiu-se assim: “É muito fácil a gente julgar depois do acontecido. […] Encaminho a varredura [dos nomes escolhidos’ para a Casa Civil…”

“…O Frederico Costa já vinha sendo funcionário desde 2003. Por que só eu é que tinha a obrigação de conhecer esse fato?...”

“…Se a ficha dele era ótima para todos… Era respeitado no Senado, na Câmara, na Casa Civil, por todos. Não me caberia adivinhar isso.”

Perguntou-se a Novais se cogita pedir demissão. E ele: “Só existem três formas de eu sair do Ministério do Turismo…”

“A primeira é se a presidenta Dilma quiser que eu saia. A segunda, se eu deixar de ter o apoio do meu partido. A terceira é se eu adoecer.”

Dilma já disse e reiterou que confia em Novais. O PMDB e o amigo José Sarney dão-lhe apoio. A despeito da idade avançada (81 anos), o ministro parece vender saúde.

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Escrito por Josias de Souza às 20h40

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Wagner Rossi se demite do Ministério da Agricultura

Sérgio Lima/Folha

Envolto em denúncias, o Ministro Wagner Rossi (Agricultura) pediu demissão nesta quarta (17).

Aqui, a íntegra da carta que Rossi enviou a Dilma Rousseff. Ele ocupava desde a gestão Lula, por indicação do vice-presidente Michel temer.

Rossi empilha na carta de demissão uma série de medidas que, a seu juízo, constituem avanços proporcionados por sua gestão.

Na metade final do texto, o agora ex-ministro dedica-se a atacar a imprensa. Apresenta-se como vítima:

“Durante os últimos 30 dias, tenho enfrentado diariamente uma saraivada de acusações falsas, sem qualquer prova…”

“…Nenhuma delas indicando um só ato meu que pudesse ser acoimado de ilegal ou impróprio no trato com a coisa pública.”

A última notícia que alvejou Rossi deu conta dos vôos do ministro em jatinho de uma agroempresa beneficiada com providências adotadas pelo ministério.

A penúltima trazia entrevista de servidor acusando-o de mentir ao negar que conhecesse o lobista que mantinha sala no ministério, manobrava licitações e distribuía dinheiro.

A antepenúltima levantava dúvidas sobre seu patrimônio. Ilustrava a notícia a casa em que Rossi reside, em Ribeirão Preto, avaliada em R$ 9 milhões.

“Respondi a cada acusação”, anota Rossi na carta a Dilma. “Com documentos comprobatórios que a imprensa solenemente ignorou…”

“…Mesmo rebatida cabalmente, cada acusação era repetida nas notícias dos dias seguintes como se fossem verdades comprovadas”.

A saída do ministro ocorre nas pegadas de reiteradas manifestações de “confiança” de Dilma.

A cartade demissão chega também dois dias depois de a Polícia Federal ter inaugurado um inquérito para apurar as denúncias que pesam contra a Agricultura.

Antes de Rossi, havia sido apeado do cargo o segundo na hierarquia da pasta, o secretário-geral Milton Ortolan, amigo de 25 anos do ex-chefe.

Antes de Rossi e Ortolan, for a mandato ao olho da rua Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado Romero Jucá.

Demitido, Jucá Neto disse, em entrevista sobre o ministério: “Ali só tem bandido”.

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Escrito por Josias de Souza às 19h29

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As imagens da ilha confiscada na ‘Operação Alquimia’

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Escrito por Josias de Souza às 18h28

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Megafraude: firma de pedreiro movimentou R$ 32 mi

Divulgação

No Brasil, nada é mais dinâmico do que o noticiário policial. Relata-se um roubo. O relato nem acabou e surge outro assalto maior.

Nesta quarta (17), entrou em cartaz a Operação Aquiminia. A Polícia Federal já prendeu 18 pessoas. Outras 42 foram detidas para prestar esclarecimentos.

A nova quizumba decorre de investigação iniciada há 11 anos. Envolve um esquema de sonegação de tributos.

Auxiliada pela Receita e monitorada pelo Ministério Público Federal, a PF esquadrinhou um esquema de empresas de fancaria.

Registradas em nome de “laranjas”, 165 firmas burlaram o fisco em 19 Estados. O desvio é estimado em pelo menos R$ 1 bilhão.

Outras 27 empresas, abertas no exterior, cuidavam de gerenciar o pedaço do roubo enviado para fora do país.

A usina de sonegação operava no setor químico. Uma das empresas constituídas para sonegar dá ideia da natureza da encrenca.

Chama-se Zwrox Distribuidora de Produtos Químicos Ltda.. Tinha como sócios um pedreiro e um motorista. Entre 1996 e 2009, movimentou R$ 32 milhões.

Em seguida, os “laranjas” deram lugar no quadro societário da empresa a companhias sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal.

Não foram divulgados, por ora, os nomes dos malfeitores. O chefão do esquema, informa a PF, mantinha uma ilha no litoral baiano, próxima a Salvador (BA).

A Ilha, exibida na foto lá do alto, foi confiscada. Vieram junto carros, embarcações de luxo e etc., que descem à crônica do assalto como símbolos do acinte.

Bons tempos aqueles em que laranja era apenas um fruto saboroso.

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Escrito por Josias de Souza às 17h03

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BC começa a detectar queda da atividade econômica

Em fase de desaceleração, a economia brasileira registrou em junho uma queda de 0,26% em relação ao mês anterior.

Desde dezembro de 2008, é a primeira vez que a economia de um mês fica menor que a do anterior na medição feita pelo Banco Central.

Trata-se de uma espécie de prévia do PIB. Entre outras serventias, ajuda o BC a calibrar o vaivém da taxa de juros.

Comparando-se o primeiro semestre de 2011 com o mesmo período de 2010, a economia brasileira cresceu 3,74%.

Tomando-se o acumulado dos últimos 12 meses, o índice do BC aponta crescimento de 4,89%.

Deve-se o resultado negativo de junho a uma ação deliberada de Brasília. O governo pisa no freio desde o início do ano.

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Escrito por Josias de Souza às 15h40

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Bernardo diz que Dilma e Lula definirão ‘2014’ juntos

O ministro petê Paulo Bernardo (Comunicações) disse sob holofotes o que outros só se animam a declarar no escurinho.

Em entrevista ao repórter Fernando Rodrigues, Bernardo referiu-se à sucessão presidencial de 2014 como um longínquo ponto em aberto no calendário.

Chamou de “natural” a recandidatura de Dilma Rousseff. "Normalmente, quem está no cargo acaba sendo candidato natural."

Para ele, se Dilma "estiver bem e se tiver desejo de concorrer, muito dificilmente ele [Lula] vai se colocar como postulante."

Mas não excluiu a hipótese de Lula se re-re-recandidatar. Disse que, na hora própria, a dupla vai conversar para decidir o nome a ser levado ao partido.

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Escrito por Josias de Souza às 06h55

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Mesmo sem o PR, condomínio pró-Dilma pode crescer

Ali Jarekji/Reuters

Certos partidos políticos enxergam o poder como um pote de mel. No caso do PR, o pote dos Transportes veio com o ferrão da abelha dentro.

Ainda assim, a anunciada “independência” do PR só foi levada a sério até certo ponto. O ponto de interrogação.

Seja como for, mesmo que Nascimentos, Valdemares e outros azares passem a votar contra, é improvável que Dilma passe aperto.

Sempre haverá peças de reposição. Partidos firmes o bastante para defender enfaticamente hoje o que atacavam até ontem.

Duas notas veiculadas pelo Painel, na Folha, ajudam a entender o que se passa. Leia:


- Porto seguro: Apesar das queixas pela falta de pagamento de emendas e da insegurança gerada pelas denúncias na Esplanada, a base de Dilma Rousseff no Congresso pode não sofrer grave abalo numérico e até crescer no curto prazo, contrariando previsões mais apocalípticas.

No PR, magoado pela "faxina" nos Transportes, mesmo a "independência", declarada ontem por Alfredo Nascimento, é objeto de controvérsia interna.

Enquanto isso, o PV dá sinais de que prepara seu retorno ao seio da aliança governista. Para completar, amanhã Gilberto Kassab e correligionários farão um tour por gabinetes de Brasília para deixar claro que o PSD, se vingar, já estreará alinhado ao Planalto

- Em progresso: Segundo o líder do PV na Câmara, Sarney Filho (MA) "a possibilidade [de volta à base] está latente", mas o partido "ainda não tomou decisão".

Ele diz que a posição de Dilma em relação ao Código Florestal e às "questões éticas" contribui para a aproximação. "Mas não queremos cargo."

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Escrito por Josias de Souza às 04h57

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As manchetes desta quarta

- Globo: Ministro da Agricultura considera normal usar jato de agroempresa

- Folha: Tele estrangeira poderá controlar televisão a cabo

- Estadão: Justiça condena 4 dos 5 acusados pelo vazamento do Enem

- Correio: Ministro fere a ética pública e acha pouco

- Valor: Governo decide acabar com fator previdenciário

- Estado de Minas: Ministro infringiu Código de Ética

- Jornal do Commercio: Mutirão vai proteger os caixas eletrônicos

- Zero Hora: Deserção do PR deixa Dilma refém do PMDB

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h01

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Conto sem fadas!

Paixão

- Via Gazeta do Povo. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h06

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Dilma torna-se ‘fiadora’ de acordo do PT com o PMDB

Elza Fiúza/ABr

Dilma Rousseff tornou-se uma espécie de fiadora de acordo celebrado entre o seu PT e o PMDB do vice-presidente Michel Temer.

O acerto prevê o apoio do PT à eleição de um deputado do PMDB para presidir a Câmara no biênio 2013-2014.

Reunida com o comando das legendas, na noite de segunda (15), Dilma foi peremptória ao declarar que os compromissos do petismo com seu parceiro serão honrados.

Entre os presentes estava Henrique Eduardo Alves (RN), o líder que o PMDB já apontou como seu candidato ao comando da Câmara.

Presenciaram a cena também Rui Falcão e Valdir Raupp, presidentes do PT e do PMDB, respectivamente.

O gesto de Dilma inseriu-se no esforço que ela empreende para pacificar as relações do Planalto com as legendas que integram sua coalizão.

Em tese, a reiteração do compromisso seria desnecessária. A união foi celebrada de papel passado.

Assinaram o documento o próprio Michel Temer, hoje presidente licenciado do PMDB, e José Eduardo Dutra, que se afastou da presidência do PT por problemas de saúde.

Porém, ruminava-se no PMDB o receio de que o PT não retribuísse o apoio que resultou na conversão do petista Marco Maia (RS) em mandachuva da Câmara até 2012.

Nesse cenário, as palavras de Dilma como que diluíram os temores. Ficou entendido que, nos dois últimos anos do governo, o PMDB dará as cartas no Congresso.

No Senado, embora não haja acordos prévios, o regimento interno assegura à maior bancada a indicação do presidente.

Trabalha para suceder José Sarney (PMDB-AP) o líder Renan Calheiros (PMDB-AL), também presente à reunião com Dilma.

Um pedaço da bancada do PT gostaria de votar num nome alternativo –o do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), por exemplo.

Porém, se a indicação de Renan vier endossada pela maioria da bancada de senadores do PMDB, como parece provável, o PT deve depor as lanças.

Dilma realçou durante a conversa a importância da preservação da unidade entre os partidos de seu condomínio, em especial PT e PMDB, os dois maiores.

Disse que a união de propósitos tornou-se ainda mais vital no cenário de crise econômica que se desenha nos EUA e na Europa.

A presidente reiterou que sua previsão de que a crise será longeva. O Brasil, ela repisou, está preparado. Porém...

...Porém, o país não deixará de sentir os efeitos da crise. Que serão maiores se for confirmada a pior hipótese: uma recessão dupla –americana e europeia.

Daí, disse Dilma, a importância de os partidos governistas atuarem em harmonia no Legislativo, aprovando o necessário e evitando o indesejável.

Abriu-se um espaço para que todos os líderes presentes –do PT, do PMDB e do governo—dissessem meia dúzia de palavras sobre a conjuntura.

Na sua vez de falar, Temer ecoou Dilma. Pregou a unidade. Considerou importantes as palavras da presidente. Reiterou os compromissos do PMDB com o governo que integra.

Na semana passada, em reunião do conselho político, que congrega os líderes e presidentes de todos os partidos governistas, Dilma abstivera-se de falar de escândalos.

Dessa vez, falando para a audiência mais restrita, a presidente enfrentou o tema. E o fez de uma maneira que encantou os pemedebês presentes. 

Dilma criticou a imprensa, elogiou a tenacidade do ministro Wagner Rossi (Agricultura), apadrinhado de Temer, e isentou de culpas Pedro Novais (Turismo).

Na noite desta terça (16), Dilma voltou a abrir a porta de seu gabinete para políticos. Dessa vez, recebeu dirigentes da ala mais à esquerda: PSB, PCdoB e PDT.

Reiterou o lero-lero que mistura unidade e crise econômica. Nesta quarta (17), deve visitar o gabinete presidencial o pedaço à direita do condomínio: PTB, PP, PRB e PSC.

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Escrito por Josias de Souza às 23h01

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Diluído em escândalo, Novais fala de gestão ‘correta’

Pedro Novais, 81, virou uma espécie de vovô esquisitão do governo. É convidado para reuniões e solenidades. Afinal, é ministro.

Mas ninguém sabe muito bem como tratá-lo. Dilma demorou sete meses para recebê-lo. Os colegas de Esplanada se dividem entre a tolerância e a indiferença.

É como se Novais fosse um daqueles velhinhos que toda família teve, tem ou terá. Sabe-se que vai dormir na poltrona da sala, com a tevê ligada, antes do fim da novela.

O problema é que o PMDB empurrou Novais para a poltrona do Turismo. Ali, ao cochilar, o vovô perde capítulos de um enredo financiado pelo déficit público.

Entre olhares de espanto e de doce condescendência, Novais torna-se personagem de sua própria novela.  Nesta terça (16), protagonizou cenas constrangedoras.

Participou de um seminário sobre a organização e as oportunidades turísticas que a Copa-2014 e as Olimpíadas-2016 poderão proporcionar.

Eis o nome do evento: ‘Infraestrutura Turística, Megaeventos Esportivos e Promoção da Imagem do Brasil no Exterior.’

Quem promove o encontro é, veja você, o TCU. Sim, o mesmo tribunal de contas que produziu as auditorias que iluminaram desvios milionários no Turismo.

Ao discursar, o ministro-vovô disse que sua primeira preocupação desde a posse foi a de “fazer uma administração correta.” Mais que isso: “transparente” (confira no video).

O presidente do TCU, Benjamin Zymler, também foi ao microfone.

“Legalidade, economicidade e eficiência são fundamentais para evitar o desperdício de recursos públicos”, declarou Zymler a certa altura.

Poderia ser apenas uma piada. Mas vovô Novais é uma excentricidade com múltiplos significados. É um parâmetro e um aviso.

Como parâmetro, mede a capacidade do PMDB de exorbitar. Como aviso indica que a submissão de Dilma Rousseff ao parceiro de coalizão chega à fronteira do paroxismo.

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Escrito por Josias de Souza às 22h00

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PSDB pede que MPF apreenda as ‘fitas’ da Agricultura

O PSDB protocolou na Procuradoria-Geral da República uma representação contra o ministro Wagner Rossi (Agricultura).

Na peça, o partido pede ao procurador-geral Roberto Gurgel que requisite a “busca e apreensão” das fitas do circuito interno de câmeras do ministério.

O tucanato escora o pedido na entrevista que o ex-chefe do setor de licitações da Agricultura, Israel Leonardo Batista, concedeu à Folha.

Leonardo sustentou na entrevista que o ministro Rossi “mente” ao dizer que não conhecia o lobista Júlio Fróes, que dispunha de sala no ministério.

A averiguação das imagens, disse Leonardo, comprovaria que Rossi conhece, sim, o lobista que operava na pasta e distribuía dinheiro aos servidores.

Assinam a representação os líderes do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP); e no Senado, Alvaro Dias (PR). Aqui, a íntegra do documento.

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Escrito por Josias de Souza às 20h51

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Boa notícia: PR diz que vai entregar os cargos a Dilma

Valter Campanato/ABr

Presidente do PR, Alfredo Nascimento (AM) escalou a tribuna do Senado para oficalizar a nova posição que seu partido decidiu adotar.

O PR será agora, disse o ex-ministro dos Transportes, “independente.” Aqui, o vídeo com a íntegra do discurso.

Para que não pairem dúvidas, a legenda devolverá ao governo todos os cargos que ainda ocupa.

Alvíssaras! A notícia pode produzir desconforto moderado para o governo. O PR tem 41 votos na Câmara e seis no Senado.

A platéia, porém, ganhou mais de uma dezena de razões para soltar fogos. Muitos fogos. Por precaução, convém adiar os rojões.

Se a promessa de Nascimento for cumprida, a “faxina” dos Transportes pode, finalmente, perder as aspas. Dilma abandonara a limpeza pela metade.

A vassoura não havia alcançado as superintendências do Dnit nos Estados. Torça-se para que o discurso de Nascimento seja seguido pelas cartas de exoneração.

De quebra, o contribuinte brasileiro pode ser brindado com higienizações colaterais. O PR não está sentado apenas nas poltronas dos Transportes.

Pergunta-se: a “independência” do PR inclui a desocupação da diretoria de Engenharia de Furnas, onde o partido acomodou Mário Rogar?

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Escrito por Josias de Souza às 20h03

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Penúltima de Rossi: os vôos em jato de agro-empresa

  Antônio Cruz/ABr
A cada nova notícia veiculada sobre o ministro Wagner Rossi, tornifica-se a impressão de que a pasta da Agricultura é um iceberg com apenas 1% à mostra.

Deve-se à repórter Josie Jeronimo a exposição de mais um pedaço da gestão do pemedebê Rossi que era mantido na invisibilidade.

O ministro e o filho de dele, o deputado estadual Baleia Rossi, utilizam o jatinho da Ourofino Agronegócios, empresa beneficiada por decisões da Agricultura.

O ministro viu-se compelido a divulgar uma nota. Mais uma. Alega que as decisões oficiais que serviram aos interesses da Ourofino foram “técnicas.”

E reconhece: “Em raras ocasiões, utilizei como carona o avião citado na reportage.” A aeronave um Embraer Phenom. Coisa fina, avaliada em US$ 7 milhões.

Noutros tempos, o ex-PT estaria se esgoelando nos microfones da Câmara e do Senado cobrando o escalpo de Rossi.

Hoje, preocupado com a governabilidade provida pelo PMDB, o PT silencia. Quanto a Dilma, mantém a “confiança” no ministro. 

O iceberg faz Esplanada um espaço em que a anormalidade ganha aparência de gélida normalidade.

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Escrito por Josias de Souza às 19h22

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Dilma diz que confia em ‘todos’ os ministros. Humm!

Renato Araújo/ABr

Em cerimônia realizada no Planalto, o Exército apresentou a Dilma Rousseff oficiais que acabam de ser guindados ao generalato.

Terminada a solenidade, a presidente foi assediada pelos repórteres. Sempre incômodos e inconvenientes, perguntaram-lhe se o combate à corrupção é uma meta de governo.

Dilma respondeu que a meta de sua gestão é crescer e distribuir renda. "Do resto, a gente tem que fazer ossos do ofício."

Perguntaram A Dilma, então, se os ministros Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo), personagens do “resto”, contam com o apoio dela.

Virando-se para os inquisidores, a presidente disparou: “Todos.” Mais não disse.

O vice Michel Temer, expoente do PMDB de Rossi e Novais, acompanhou Dilma na solenidade dos novos generais.

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Escrito por Josias de Souza às 18h24

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Passos:‘Auxiliei ministros do PFL, PSDB, PMDB, PR...’

Nomeado ministro dos Transportes em meio à faxina, Paulo Passos eteve na comissão de Infraestrutura do Senado. Foi prestar esclarecimentos.

Servidor público concursado, Passos filiou-se ao PR no ano passado. Varrido do ministério, o partido agora declarar-se "independente".

Instado a comentar o tema, Passos deu de ombros para o PR. Não parece condicionar sua permanência no cargo ao vaivém partidário.

Ex-segundo de Alfredo Nascimento (PR-AM), Passos lembrou que já assessorou ministros de muitos partidos –PFL (hoje DEM), PSDB, PMDB, PR...

Arrematou: “Estarei pronto para servir ao governo da presidenta [Dilma] enquanto ela entender que eu sou a pessoa certa para conduzir o ministério.”

A certa altura, o líder tucano Alvaro Dias (PR) inquiriu: "De onde partiu a voz de comando no esquema de corrupção?"

Passos não levou a mão ao fogo senão por si mesmo: “Quem está lhe falando aqui é um homem honesto, de vida correta.”

De volta ao microfone, Alvaro disse que de nada adianta trocar Nascimento por Passos. Precisa alterar, disse ele, “o modelo existente, que é complexo e corrupto.”

O senador pôs em dúvida a higienização de Dilma, que não admite o detergente de uma CPI. Passos respondeu que uma boa investigação não depende de CPI.

Líder do PT, o senador Humberto Costa (PE) recordou que os governos tucanos de São Paulo e Minas foram alvejados por muitos pedidos de CPI.

Humberto fustigou: “Quantas CPIs aconteceram nos governos de Serra, Alckmin e Aécio?”

Terminada a inquirição de Passos, servidor pluripartidário, ex-assessor de ministros de FHC e de Lula, restou uma sólida impressão:

No conforto dos combates que opõem PSDB e PT, um combatente sempre poderá fustigar o outro. Mas ninguém mata nem esfola.

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Escrito por Josias de Souza às 17h28

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Agricultura teve licitações ‘corrompidas’, diz servidor

Sérgio Lima/Folha

O ministro Wagner Rossi (foto), representante do PMDB na pasta da Agricultura, grudou-se nas manchetes como ímã em chapa de aço.

Se depender do servidor público Israel Leonardo Batista, ex-chefe da comissão de licitações da Agricultura, Rossi não descerá do topo das páginas.

Israel é o personagem que trouxe à luz a revelação de que o lobista Júlio Fróes dispunha de sala no prédio do ministério e distribuía dinheiro a servidores.

Em entrevista aos repórteres José Ernesto Credencio e Andreza Matais, Israel pronunciou frases inquietantes.

Disse que Rossi “desarranjou” o setor de licitações do ministério. Afastou servidores do quadro efetivo e nomeou terceirizados que "vão assinar o que não devem".

Contou que o lobista Fróes, chamado na pasta de “Doutor Júlio”, foi levado à sua presença pelo então número dois do ministério, Milton Ortolan.

Apeado da secretaria-geral da pasta após a denúncia, Ortolan estava acompanhado, segundo Israel, de sua chefe de gabinete, Karla Renata França Carvalho.

Pediram-lhe que providenciasse computador e mesa de trabalho para o lobista. “Entendi que fosse um assessor”, diz Israel.

"Doutor Fróes" redigiu o documento que levou Rossi a autorizar a contratação da fundação mantenedora da PUC-SP, sem licitação. Negócio de R$ 9 milhões.

Depois, reafirma Israel, o lobista distribuiu dinheiro a servidores. Rossi afastou Ortolan, amigo de 25 anos, e declarou que não conhecia Júlio Fróes.

Israel declara que uma singela análise do circuito interno de câmeras do ministério pode demonstrar que Rossi “mente.”

“É fácil o ministro […] chegar lá e dizer: ‘Realmente, não aconteceu nada’. É fácil. Mas realmente aconteceu. Se pegar as filmagens, vão ver tudo que estou falando”.

Israel declara que ele próprio estava entre os servidores aos quais o “doutor Júlio” entregou envelopes com dinheiro. Ouça-se o servidor:


- Poderia descrever como Fróes lhe entregou dinheiro? Me ligaram do 8º andar, eu fui. Me ligou a Isabel [Roxo], chefe de gabinete [da assessoria parlamentar]. Quando eu cheguei lá, ele [Júlio Fróes] me cumprimentou e me entregou.

- Onde ele estava? Ele estava na sala da chefe de gabinete. Cheguei, anunciei e entrei.

- Abriu o envelope na hora? Não.

- O sr. não estranhou? Era um envelope do ministério. Era uma pasta e dentro tinha um envelope. Não sabia o que tinha dentro. Desci e vi o que era. Liguei para ele e ele foi na minha sala. Eu disse que não aceitava.

- Havia várias pastas como a que o sr. recebeu de Fróes? Sim, algumas pastas.

- O que ocorreu quando recusou o dinheiro de Fróes? Ele falou: "Você não quer, tem umas pessoas lá que o Milton [Ortolan] pediu pra ajudar, que é a Karla e a Girleide [dos Santos Sousa, que coordena a administração de material].

- Era muito dinheiro? Não contei.


Israel sustenta que, depois desse episódio, passou a sofrer “perseguições”. Apeado da chefia das licitações, foi mandado à Conab. Refugado, trabalha agora na Telebras.

Procurado, o ministro Rossi manifestou-se por meio de nota. Não comentou as suspeitadas levantadas por Israel. Desafiou-o a apresentar provas.

Disse, de resto, que Israel e as servidoras mencionadas por ele terão de dar explicações à CGU (Controladoria-Geral da União).

No ultimo sábado, depois de ler notícia que levantava dúvidas sobre o patrimônio do ministro, Dilma Rousseff ligou para Rossi e para Temer. Reafirmou sua “confiança.”

Uma pergunta bóia na atmosfera seca de Brasília: por que diabos o governo atribuiu à CGU e não à Polícia Federal a tarefa de esquadrinhar os negócios da Agricultura?

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Escrito por Josias de Souza às 05h46

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Tática de ocupação do PMDB chega à direção da UNE

  Folha
A União Nacional dos Estudantes está cada vez mais parecida com o governo. A semelhança foi tonificada com o reingresso do PMDB na Executiva da entidade.

Ausente da UNE havia duas décadas, o PMDB terá agora um assento no colegiado presidido por Daniel Iliescu (PCdoB), recém-eleito mandachuva dos estudantes.

Membro da Juventude do PMDB, Mark Souza representará o partido na direção da UNE. A novidade foi celebrada em cerimônia realizada na sede do partido, em Brasília.

Presidente interino do PMDB, o senador Valdir Raupp (na foto) soltou fogos:

“O PMDB além de ter uma aliança sólida com o PT e com o governo, tem uma aliança profunda com o povo brasileiro e, em especial, com os jovens do nosso país.”

Presente, Daniel Iliescu, o comunista que preside a UNE, disse que o PMDB é uma “referência” para os jovens. Como assim?

No dizer de Iliescu, o PMDB liderou a luta pela redemocratização do país e ajudou nas “conquistas sociais” obtidas mais recentemente.

Absteve-se de dizer que esse PMDB das lutas democráticas começou a morrer ao admitir em seus quadros, em 1985, o ex-Arena José Sarney, dando-lhe biografia seminova.

O velho PMDB sumiu de vez em 1992. Foi sugado pelas águas frias do mar de Angra dos Reis, a bordo do helicóptero que levava Ulysses Guimarães, jamais resgatado.

Tomado pelas palavras, o jovem Iliescu fala do PMDB do passado de olho do ex-PMDB do presente:

“Temos certeza de que esta agremiação partidária irá fortalecer muito a gestão da UNE junto ao Poder Público.” Ah, bom.

Representante da direção do PCdoB na cerimônia de Brasília, André Tokarski também evocou o passado para justificar o presente:

“Nós no sentimos muito à vontade aqui na sede do PMDB”, discursou Tokarski.

“Na década de 1980, no período de exceção, compusemos esses movimentos e consideremos que esse partido é fundamental para a democracia…”

“…É um grande serviço para a UNE que a Juventude do PMDB integre a Executiva da entidade e isso mostra a pluralidade da instituição…”

“As forças progressistas precisam se unir, essa ampla coalização de forças pode dar contribuições fundamentais para a UNE e para o país.” Hummmm!

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Escrito por Josias de Souza às 04h26

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As manchetes desta terça

- Globo: Dilma veta aumento real já acertado para aposentados

- Folha: Para servidor, ministério de Rossi está corrompido

- Estadão: Governo veta aumento real no valor da aposentadoria

- Correio: Aposentados vão ficar sem ganho real em 2012

- Valor: Bancos públicos voltam a puxar expansão do crédito

- Estado de Minas: Aposentados ficam sem aumento real em 2012

- Zero Hora: Número de mortes no trânsito cai 11% no RS

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h53

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Brasília como álibi!

Nani

- Via 'Nani Humor'. O blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h43

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Dilma dá sopa a PMDB e PT e pede ‘lealdade’ na crise

  Sérgio Lima/Folha
Em mais uma tentativa de desintoxicar as relações com os partidos de sua coligação, Dilma Rousseff recebeu os líderes do PT e do PMDB na Câmara e no Senado.

A conversa começou pouco depois das 20h e terminou perto das 22h. Teve o vice-presidente Michel Temer como testemunha.

Não foram eliminados todos os ruídos. Mas os “aliados” do governo já não podem acusar Dilma de não dar sopa aos congressistas.

A presidente mandou vir da cozinha do Palácio do Planalto justamente uma sopa. Caldo magro, na definição de um dos presentes. “Só tinha legumes.”

O prato principal foi a reiteiração do discurso de Dilma: para evitar que as nuvens que se formam nos EUA e Europa trovejem sobre o Brasil o governo precisa do Legislativo.

O encontro ocorreu na véspera da reabertura do plenário da Câmara, paralisado na semana passada por uma inusitada “greve”. Coisa de governistas, não da oposição.

Dilma espera que, nesta terça (16), seus apoiadores descruzem os braços. Mais: roga para que sejam leais, se abstendo de aprovar projetos que criem novas despesas.

Antes de digerir o palanfrório e a sopa de Dilma, os líderes reuniram-se com a ministra Ideli Salvatti, a coordenadora política do governo.

É na sala de Ideli que funciona o balcão. Ali, o governo dá para depois receber. Falou-se sobre verbas, o tema que leva os aliados a claudicar no apoio.

A conta das emendas que os congressistas injetaram no Orçamento e que o Planalto represou passa dos R$ 7 bilhões.

O governo mandou às calendas o pedaço da cifra que se refere a emendas de deputados e senadores barrados nas urnas de 2010. A conta caiu para cerca de R$ 4 bilhões.

Desse total, Ideli repetiu aos líderes algo que vem informando faz duas semanas: o Ministério da Fazenda autorizou a liberação "imediata" de R$ 1 bilhão.

Os partidos, o PMDB à frente, acham pouco. E exigem a divulgação de um cronograma que fixe prazos para novos desembolsos.

Ideli disse que negocia o calendário com a equipe econômica do governo. Acena com mais R$ 3 bilhões. Não garante a liberação, apenas o empenho (compromisso de pagar).

Aos olhos de pelo menos dois líderes que participaram do encontro, o caldo de emendas de Ideli pareceu ainda mais ralo que a sopa de legumes de Dilma.

Seja como for, festejou-se a aparente disposição de Dilma de dedicar nacos de seu tempo às conversas políticas.

Ela não tem o “charme” do Lula, disse um dos que degustaram a sopa. “Mas alguma conversa é sempre melhor do que conversa nenhuma.”

No Senado, capitaneados por Pedro Simon (PMDB-RS), senadores de diferentes partidos inauguraram um movimento de apoio à “faxina” de Dilma nos ministérios.

Tomada por seus movimentos noturnos, a presidente parece mais preocupada em reacomodar os movéis de sua coligação do que em levantar tapetes.

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Escrito por Josias de Souza às 23h09

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Criado o ‘Instituto Lula’, nova vitrine do ex-presidente

Ricardo Stuckert/Divulgação

Em assembléia adensada por petistas e ex-ministros, Lula fundou em São Paulo o instituto que leva o seu nome.

Será presidido por Paulo Okamotto, ex-tesoureiro do PT e ex-presidente do Sebrae. Lula ostentará o título de presidente de honra.

Ao discursar, o ex-soberano brincou com sua condição de aposentado: “Se eu tivesse juízo, não estaria aqui criando esse instituto.”

Alegou, porém, que não consegue parar de “trabalhar”.

“Fico pensando se é justo parar por aqui ou se devemos levar o acúmulo de experiência que adquirimos para ajudar outros lugares.”

Planeja difundir sua experiência de governo na África e na América Latina.  

“Em todos os debates de que participo, as pessoas querem saber o que nós fizemos para ter 40 milhões de pessoas ascendendo de classe social e para tirar 28 milhões de pessoas da miséria absoluta…”

“…Está provado que um outro mundo é possível, e eu acho que se pode radicalizar mais e fazer mais coisas em menos tempo ainda.”

O mundo, como se vê, não perde por esperar.

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Escrito por Josias de Souza às 20h30

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Planalto convoca 'sócios' majoritários do condomínio

Encontram-se na sala da ministra Ideli Salvatti os líderes do governo e dos dois sócios majoritários do condomínio de Dilma Rousseff: PT e PMDB.

Gestora do balcão, Ideli fala sobre emendas e verbas, antídotos contra o veneno que faz desandar o pudim da maioria governista no Congresso.

Prevê-se que, depois de fazer escala na sala de Ideli, os líderes serão conduzidos ao gabinete presidencial.

Rendida às contingências, Dilma encosta, ela própria, a cintura no balcão.

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Escrito por Josias de Souza às 19h53

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Brasília tem o menor índice de umidade do ano: 10%

Lula Marques/Folha

A atmosfera de Brasília está irrespirável. Não bastasse o fedor que exala da Esplanada dos Ministérios, acirrou-se a secura.

Na tarde desta segunda (15), a umidade relativa do ar caiu a 10% na Capital. Foi o menor índice do ano. 

A Defesa Civil emitiu um alerta. Se a umidade continuar ao redor dos 15% nos próximos dias, será necessário adotar algumas precauções.

Convém umidificar os ambientes e evitar o ar-condicionado. As refeições devem ser leves. A ingestão de líquidos, abundante.

As escolas devem suspender os exercícios físicos e assegurar ventilação maxima nas salas de aula. Alunos abatidos precisam merecer atenção redobrada.

A Defesa Civil não disse. Mas a suspensão das atividades de certos ministérios também seria recomendável. Preservaria a liquidez dos cofres.

Na secura brasiliense só as verbas escorrem. Nesta semana, Dilma Rousseff abrirá as comportas das emendas parlamentares, represadas desde janeiro.

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Escrito por Josias de Souza às 19h34

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Pastor preso ‘pagou’ a fiança com cheque sem fundos

Pastor evangélico e dono da Conectur, Wladimir Furtado (que nome!) foi em cana na terça-feira da semana passada.

Na sexta, o pastor-negociante obteve um habeas corpus. A Justiça determinou que Furtado (ops!) fosse libertado mediante pagamento de fiança de R$ 109 mil.

Na madrugada de sábado, o suspeito cristão ganhou o meio-fio, em Macapá. “Pagou” a fiança com um cheque.

Nesta segunda (15), descobriu-se - espanto (!), surpresa (!!), estupefação (!!!) - que o cheque do discípulo de Cristo não tem fundos.

O borrachudo pode devolver o senhor Furtado ao cárcere.

“Há a possibilidade dele voltar para a prisão. Isso depende do juiz federal”, admtiu o advogado de Furtado, Maurício Pereira.

Ainda em liberdade, o pastor Furtado concedeu uma série de entrevistas a emissoras de rádio e televisão de Macapá.

Fez devotados apelos aos fiéis de sua igreja para que realizem depósitos na conta de sua mulher, para cobrir o cheque frio que o livrou da cana.

A Conectur de Furtado beliscou no Turismo um convênio de R$ 2,2 milhões. De resto, foi subcontratada pela ONG Ibrasi, suspeita de desvios noutro convênio de R$ 4,45 milhões.

Pessoas presas junto com o pastor e inquiridas pela PF e pela Procuradoria disseram que Furtado repassou os valores que amealhou à deputada Fátima Pelas (PMDB-AP).

Furtado nega a relação monetária com a deputada, autora das emendas que forniram os convênios micados do Turismo. Fátima também nega ter recebido as verbas.

Fica boiando na atmosfera a fatídica pergunta: onde foi parar o dinheiro? Só Deus sabe, irmãos.

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Escrito por Josias de Souza às 18h55

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Líder do PMDB acena com ‘manifestações’ dos aliados

Fábio Pozzebom/ABr

Líder do PMDB, o deputado Henrique Eduardo Alves soou enigmático ao cobrar, nesta segunda (15) pressa na divulgação de um calendário de liberação de emendas.

Na semana passada, a atmosfera envenenada produziu uma inusitada “greve” parlamentar. O plenário da Câmara ficou às moscas. Nada foi votado.

Henrique acena com a hipótese de novas “Manifestações.” Disse: "A falta de clareza, de franqueza, de respeito ao Parlamento pode criar insatisfações graves."

A “descontração”, disse o grão-pemedebê, depende da liberação das verbas previstas em emendas penduradas no Orçamento da União pelos congressistas:

"A gente quer a execução da lei orçamentária que nós aprovamos no Congresso Nacional. Não é concessão do governo, não é regalia de parlamentar. É lei."

Candidato à presidência da Câmara na sucessão interna que ocorrerá em 2013, Henrique fala para seus “eleitores”, de costas para o governo.  

Nesta terça (16), os líderes de partidos governistas almoçam com a ministra Ideli Salvatti, gestora do balcão. Esperam receber "boas notícias."  

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Escrito por Josias de Souza às 18h25

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Dilma: malfeitos serão combatidos, mas sem ‘abusos’

Dilma Rousseff discursou nesta segunda (15) na cerimônia de ‘re-posse’ do procurador-geral da República Roberto Gurgel.

Num trecho, disse que seu governo combaterá os “malfeitos” (vídeo do alto). Noutro, disse que vai coibir:

“Abusos, excessos e afrontas à dignidade de qualquer cidadão que venha a ser investigado” (vídeo do rodapé).

As palavras da presidente soaram dias depois de ela ter criticado o uso de algemas nas prisões da Operação Voucher e “inaceitável” o vazamento de fotos de presos.

Dilma não disse palavra sobre o mérito dos achados dos investigadores no inquérito que esquadrinhou os desvios do Ministério do Turismo.

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Escrito por Josias de Souza às 17h55

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Gilmar critica uso de algemas e ‘vazamento’ de fotos

  Folha
O ministro Gilmar Mendes, do STF, juntou-se aos críticos dos “abusos” cometidos na Operação Voucher, que prendeu 36 pessoas por suspeita de malfeitos no Turismo.

"Na presidência do STF, chamei a atenção para os abusos que estavam sendo cometidos nessas várias operações" da PF, disse Gilmar.

Cobrou providências do Ministério da Justiça contra o “abuso que se comete com presos conhecidos e presos anônimos. É preciso realmente encerrar essa quadra no Brasil."

Entre os “abusos” incluiu o vazamento das fotos de seis presos, tiradas no instante da identificação na cadeia de Macapá –peitos nus, segurando cartazes com a identificação.

Incluiu também o uso de algemas em desacordo com súmula aprovada no Supremo em 2008. Essa súmula limita as algemas aos casos em que há risco de fuga ou de agressão.

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Escrito por Josias de Souza às 16h53

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Dilma veta ganho real para os aposentados em 2012

  Valter Campanato/ABr
Dilma Rousseff sancionou a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2012. Impôs 32 vetos ao texto aprovado no mês passado pelo Congresso. 

Num dos vetos, Dilma mandou ao lixo artigo que havia sido inserido na LDO pelo senador Paulo Paim (PT-RS).

Previa a reserva de dinheiro para bancar no ano que vem reajustes reais (acima da inflação) a aposentados e pensionistas que ganham mais de um salário mínimo.

O trecho vetado por Dilma era genérico. Não fixava percentuais. O valor do reajuste seria definido pelo governo, em negociação com sindicalistas e aposentados.

A ideia era forçar o governo a fixar para as aposentadorias uma política de reajuste semelhante à que vigora para o salário mínimo.

Hoje, o mínimo é reajustado anualmente em percentuais que, além de devolver o que a inflação tirou, acrescenta a variação do PIB dos dois anos anteriores.

Num instante em que prega austeridade diante da crise internacional, Dilma não quis conversa. Canetou o artigo.

Aqui e aqui detalhes sobre os outros vetos, publicados nesta segunda (15) no ‘Diário Oficial’.

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Escrito por Josias de Souza às 15h21

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PR vai proclamar ‘independência' em relação a Dilma

Sérgio Lima/Folha

Noutros tempos, a análise política era algo trivial. Havia oposição e governo. A falência das ideologias tornou a coisa ainda mais simples.

Súbito, o PR surge com uma pseudonovidade. Nesta semana, a legenda que dona Dilma “varre” dos Transportes planeja declarar-se “independente.”

Como assim? “Estamos revendo o nosso posicionamento, sem rancor nem revanchismo”, tenta explicar Lincoln Portela (MG), líder do PR na Câmara.

“Caso o partido vá para a independência, haverá um apoio crítico, ele não vai para oposição. O PR não pretende fazer oposição a um governo em que acredita."

Quer dizer: o PR não estará tão distante que amanhã não possa se aproximar das verbas, nem tão próximo que amanhã não possa se distanciar nas votações.

Bons tempos aqueles em que o Congresso era apenas o tempo da política. Hoje, exige-se do analista que entenda também de negócios.

Convertido numa espécie de congregação de homens de bens, o Legislativo subordina tudo à lógica negocial, inclusive os escrúpulos.

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Escrito por Josias de Souza às 07h14

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Dilma começa a liberar emendas, molas da corrupção

Sérgio Lima/Folha

Após resistir por oito meses e meio, o governo Dilma Rousseff começará a liberar as célebres emendas de parlamentares. Num primeiro momento, vai migrar dos cofres de Brasília para as bases eleitorais dos congressistas a quantia de R$ 1 bilhão.

Os aliados do governo acham pouco. Em almoço com os líderes, nesta terça (16), a ministra Ideli Salvatti, gestora do balcão, negociará um cronograma. Por ironia, o dique do Planalto se rompe num instante em que a PF e a Procuradoria da República esquadrinham um escândalo cevado à base de emendas.

Os desvios do Turismo nasceram de emendas plantadas no Orçamento da União pela deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP). Não foi o primeiro caso. Não será o último. Nem toda emenda de parlamentar resulta em corrupção. Mas quase toda a corrupção de Brasília carrega as emendas no DNA.

No dizer do senador Pedro Taques (PDT-MT), ex-procurador da República, “as emendas são o pai e a mãe da corrupção.” A história dá-lhe razão. Algo como 80% dos 513 deputados e dos 81 senadores resumem os seus mandatos a duas tarefas:

A primeira é atender aos interesses dos grupos políticos e econômicos que os elegeram, A segunda, preparar a caixa da próxima reeleição. Esse par de prioridades termina por conduzir os parlamentares para o balcão de negócios com o Executivo.

Em troca de apoio congressual ao governo, exige-se a liberação das emendas e a acomodação de apadrinhados em cargos com poder para virar a chave do cofre. Os brasileiros que chegam à maioridade agora, em 2011, não sabem. Mas a conversão de emenda parlamentar em sinônimo de roubo também faz aniversário de 18 anos.

O primeiro grande escândalo, o caso dos “Anões do Orçamento”, foi pendurado nas manchetes em 1993. O país vinha do impeachment de Fernando Collor. Itamar Franco mal assumira a chefia do Executivo quando se descobriu que também o Legislativo caminhava sobre o pântano.

Deputados cobravam propinas de empreteiras e prefeituras para injetar no Orçamento da União recursos destinados a obras públicas. Criou-se uma CPI. Seis deputados tiveram os mandatos passados na lâmina. Outros quatro renunciaram. Alteraram-se as regras de elaboração do Orçamento.

Há quatro anos, em 2007, alvorecer do segundo reinado de Lula, a “Operação Navalha” demonstrou que a mudança de normas não deteve o assalto. Empurrada pelo Ministério Público e autorizada pela Justiça, a PF gravou 585 diálogos telefônicos. Conversas vadias desnudaram esquema similar ao dos anões.

A transcrição das fitas recheia um processo de 52 mil folhas. Descrevem o modo como o empreiteiro Zuleido Veras e a sua Gautama beliscavam verbas públicas. Numa ponta, compravam-se os políticos com poder para destinar verbas às obras. Noutra, subornavam-se servidores públicos responsáveis pelas liberações.

A navalha correu em quatro ministérios, seis governos de Estados nordestinos, e várias prefeituras. A vítima mais vistosa foi Silas Rondeau. Acomodado por Lula na pasta de Minas e Energia a pedido de José Sarney (PMDB-AP), Rondeau foi acusado de receber propina de R$ 100 mil.

Chefe da Casa Civil, a própria Dilma Rousseff usufruiu sem saber do patrimônio sujo de Zuleido. O governador petista da Bahia, Jaques Wagner, levou Dilma para passear numa lancha do dono da Gautama. Coisa fina: 52 pés, três suites. Depois, Wagner disse que um amigo pedira a embarcação emprestada. Alegou que desconhecia o nome do dono.

Entre os anões e a navalha, houve o caso das “Sanguessugas”. Nasceu em 2001, sob Fernando Henrique Cardoso, e explodiu em 2006, no final do primeiro reinado de Lula. Foi muito parecido com o caso atual, do Turismo. Só que envolvia a pasta da Saúde.

Na Operação Voucher, as emendas da deputada Fátima Pelaes resultaram na prisão de 36 pessoas. O inquérito envolve convênios de cursos e serviços do setor de turismo jamais realizados. Na Operação Sanguessuga, o número de presos foi maior: 47.

Na origem do malfeito, de novo, as famigeradas emendas. Os convênios da Saúde destinavam-se à compra de ambulâncias. A propina aos parlamentares era provida pela empresa Planan, que superfaturava os veículos em até 250%. Uma CPI apontou o envolvimento de 71 congressistas. Nenhum foi cassado. Mas poucos se reelegeram.

Agora, submetida a uma inusitada “greve” que paralisou a Câmara na semana passada, Dilma rende-se à lógica fisiológica que permeou as gestões dos antecessores. Vai liberar as emendas de anos anteriores, que sobrevivem na rubrica “restos a pagar.”

No Orçamento de 2012, a ser aprovado pelo Congresso até dezembro, Dilma será "intimada" a liberar mais R$ 7,7 bilhões. Cada congressista pode pendurar na peça até 25 emendas, num total de R$ 13 milhões. Muitas delas se converterão em novas roubalheiras.

Além da origem parlamentar, os escândalos têm muito em comum: produzem operações espalhafatosas da PF, dezenas de prisões e quantidade idêntica de habeas corpus. Passado o frêmito, as cadeias se esvaziam e os escaninhos do Judiciário ficam apinhados. Não há vestígio de condenação definitiva. Grassa a impunidade.

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Escrito por Josias de Souza às 05h23

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As manchetes desta segunda

- Globo: Máfia do Turismo planejava fraudes em outros setores

- Folha: Sobe total de evangélicos sem vínculos com igrejas

- Estadão: Dono afirma que deputada queria 'ONG como 'laranja'

- Valor: Dilma pede austeridade e cautela para baixar juros

- Estado de Minas: Uma bomba-relógio nos cofres do Estado

- Zero Hora: Susepe projeta mil tornozeleiras até 2012 para desafogar cadeias

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h52

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A revolta dos revoltantes!

Duke

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Escrito por Josias de Souza às 01h35

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De uma víbora do PMDB: ‘se surgir CPI anti-PT, vinga’

Sob crise, tem gente investindo em CDB, outros em RDB. A oposição decidiu aplicar tudo em CPI.

Já são cinco os pedidos em circulação no Congresso. Há a CPI dos Transportes, a da Corrupção, a do BNDES, a do PAC, a da Saúde...

O excesso de tiros denuncia a falta de alvo. Embora todas as letras de ‘possível’ estejam contidas no ‘impossível’, o risco de dar certo é mínimo.

Em minoria, a oposição destila veneno mais fraco que detergente de Dilma. Uma víbora do PMDB observa a cena e vaticina:

“Se aparecer um pedido de CPI contra o PT, vinga. Do contrário, não. A irritação dos partidos da base é grande. Mas o instinto de preservação é muito maior.”

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Escrito por Josias de Souza às 23h22

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Gallup: popularidade de Obama atinge seu pior índice

  Chris Carlson/AP
No meio do cruzamento entre o endividamento desmedido e o risco de recessão, Barack Obama virou uma espécie de guarda sendo dirigido pelo trânsito.

Depois de legar ao democrata Obama um caixa micado, os republicanos fabricaram uma crise política no Congresso na hora de aprovar a rolagem da encrenca.

A platéia observa o teatro republicano com olhos de pascácio. E enxerga em Obama não uma vítima das circunstâncias, mas um vilão.

Em pesquisa divulgada neste domingo (14), o Gallup informa que apenas 39% dos americanos declaram apoiar o modo como Obama se mexe no palco.

Pela primeira vez, o índice de aprovação à presidência de Obama caiu abaixo dos 40%. O índice dos que desaprovam o desempenho do presidente dos EUA foi a 54%.

Candidato à reeleição, Obama terá de rebolar para obter o direito de continuar na função de gerente de crise.

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Escrito por Josias de Souza às 20h39

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Dinheiro não traz felicidade. Manda buscar de jatinho

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Escrito por Josias de Souza às 17h20

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Dilma rebatiza uma unidade do SUS de ‘José Alencar’

  Ricardo Stuckert/PR
Vivo, o companheiro José Alencar guerreou contra o câncer num dos mais renomados hospitais privados da América Latina.

Morto, foi brindado com honraria extravagante. Emprestará o nome a uma unidade hospitalar pública, destinada à clientela do SUS.

Numa das notas servidas em sua coluna, disponível na Folha, o repórter Elio Gaspari dedica meia dúzia de palavras ao contra-senso. Vale a leitura:


- Lema para a fila: A doutora Dilma mudou o título do hospital Instituto Nacional de Câncer, acrescentando-lhe o nome do vice-presidente José Alencar.

Ideia pior seria difícil. Se Alencar fosse um cliente do SUS e recorresse à fila do Inca, esperaria algo como dois meses para a primeira operação e faria uma série de quimioterapia.

Dificilmente faria a segunda cirurgia (fez 13, uma das quais com 17 horas de duração). Também não receberia as drogas que recebeu, nem conseguiria cerca de vinte internações.

José Alencar, como a própria Dilma Rousseff, só recebeu o atendimento que teve porque foi para o Hospital Sírio Libanês, da rede privada. Ambos são exemplos do contrário do que a homenagem pretende.

Restará ao pessoal que ficará na fila do ‘José Alencar’ apenas uma piada: ‘Se nós pudéssemos, faríamos como ele, iríamos para o Sírio’.

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Escrito por Josias de Souza às 05h49

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Agricultura: uma firma de fachada recebeu R$ 6,5 mi

  Sérgio Lima/Folha
Fundada há um ano e dois meses, a empresa Commerce Comércio de Grãos Ltda. tornou-se um portento.

Entre fevereiro e maio deste ano, a firma recebeu R$ 6,5 milhões da Conab, estatal vinculada ao Ministério da Agricultura, gerido por Wagner Rossi (foto).

O dinheiro foi liberado a título de incentivo oficial em negócios que envolveram a aquisição de milho. Trata-se de operação usual.

A Conab premia as empresas para estimulá-las a adquirir grãos nos perídos em que a cotação do mercado cai abaixo dos valores mínimos definidos pelo governo.

O que não é usual é o perfil da Commerce. Em notícia veiculada na Folha, o repórter Breno Costa conta que se trata de uma empresa de fachada.

No registro da Junta Comercial de São Paulo, anotou-se como endereço da sede da Commerce um sobrado residencial.

Fica na cidade de Mogi Mirim, a 164 km da capital paulista. Moram no imóvel um casal e duas crianças. Não há nenhuma placa da Commerce.

Em visita ao local, o repórter foi recepcionado por Rosemary Daniel de Oliveira. Identificou-se como responsável pela “parte fiscal” da empresa.

A despeito disso, Rosemary não soube informar detalhes tão triviais quanto o faturamento da Commerce. Disse desconhecer os repasses da Conab.

O contrato social da empresa anota os nomes de dois sócios: Márcio Maldo de Pinho e Ivanilson Rufino. Ambos residem longe de São Paulo.

Márcio e Ivanilson habitam residências modestas assentadas na periferia de Belo Horizonte, a capital mineira.

O repórter apurou que os dois são, na verdade, empregados de grupo empresarial comandado pelos irmãos Carlos e Cláudio Stein Pena.

Os Stein Pena operam no ramo de grãos. Respondem a processos em Minas Gerais e Mato Grosso.

Num desses processos, os irmãos são acusados pela Procuradoria da República de usar empregados como sócios-laranjas num "grande esquema de sonegação" fiscal.

Durante a visita do repórter ao sobrado de Mogi, havia defronte da casa um automóvel Gol. Rosemary disse que o veículo pertence à empresa.

O carro não está resgistrado, porém, em nome da Commerce, mas da Spasso Empreendimentos, que tem como sócios os irmãos Stein Pena.

Ouviu-se em Belo Horizonte Ivanilson Rufino, um dos empregados que se faz passar por sócio da Commerce.

Ele disse que os R$ 6,5 milhões providos pelo Ministério da Agricultura foram “um achado de Deus.” Declarou que a verba foi obtida por mérito, “com luta, com trabalho.”

É “laranja" dos irmãos Stein Pena? Não, não. Absolutamente. “Faço negócios com eles, só negócios. Quem dera [ser laranja]. Eles são ricos, eu sou pobre."

O repórter insistiu: é sócio da Commerce ou apenas funcionário? E Ivanilson: “Isso não é da sua conta.”

Ouviu-se também, na capital mineira, o segundo pseudosócio da Commerce, Márcio Pinho. Ele também negou a condição de “laranja.”

Curiosamente, Márcio foi alcançado pelo repórter num telepone instalado na Spasso Empreendimentos, a empresa dos Stein Pena.

Contra as evidências, Márcio declarou: "Aqui não exerço função nenhuma, não. Vim aqui para ver coisa comercial."

Com os R$ 6,5 milhões que beliscou na Conab, a Commerce foi à lista de benefeciários dos incentivos do Ministério da Agricultura em posição privilegiada.

Numa relação de 263 empresas, a Commerce ocupa a nona colocação. À sua frente, apenas gigantes do setor graneleiro –Bunge, Cargill e Amaggi, por exemplo.

Chama-se João Paulo de Moraes Filho o responsável pelos pagamentos.

À época em que presidiu a Conab, Wagner Rossi guindou-o ao posto de Superintendente de Operações Comerciais da estatal.

Procurado, João Paulo disse que os repasses à Commerce ocorreram dentro dos conformes. A empresa está “legalmente constituída” e os serviços foram realizados.

Legalmente constituída? Então, tá! Ficamos entendidos assim.

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Escrito por Josias de Souza às 05h14

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As manchetes deste domingo

- Globo: Rede de laranjas e notas frias alimentam fraudes no Turismo

- Folha: Moçambique oferece área de três Sergipes ao Brasil

- Estadão: Efeito da crise sobre a China definirá impacto no Brasil

- Correio: Brasiliense aprende a driblar o trânsito

- Jornal do Commercio: Crise global também chega a seu bolso (Pág. 1)

- Zero Hora: Por que o mundo foi para as ruas

- Veja: A praga da corrupção

- Época: Proteja seu dinheiro do vendaval financeiro

- IstoÉ: Apocalipse não!

- IstoÉ Dinheiro: Fiat : Empresa do ano

- CartaCapital: Dilma exclusivo

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h07

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Dilmanicure!

Duke

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Escrito por Josias de Souza às 01h04

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Turismo: igreja sedia entidade que recebeu R$ 2,5 mi

Orlandeli

Beneficiada com repasse de R$ 2,5 milhões do Ministério do Turismo, a Conectur apresenta em seus registros o endereço de uma igreja.

Chama-se Assembleia de Deus Casa de Oração Betel. O pastor Wladimir Furtado mora no andar de cima do tempo e é dono da Conectur.

Deve-se a revelação ao repórter Leandro Cólon, que visitou o local, em Macapá. Wladimir, o pastor-empresário, foi preso pela PF na terça (9).

Junto com ele, foram em cana um sobrinho e uma cunhada –moradores da periferia da capital amapaense que Wladimir convertera em laranjas na diretoria da Conectur.

Assim como todos os outros 33 detidos na Operação Voucher, a tróica da Conectur já foi posta em liberdade. Antes, prestaram depoimento.

Wladimir definiu-se na inquirição policial como “turismólogo”. Os R$ 2,5 milhões que beliscou num convênio com a pasta do Turismo deveriam custear um estudo.

A coisa se destinava a pesquisar a “logística no turismo no Estado do Amapá.” Encomenda jamais realizada. Liberada pelo ministério, a verba evaporou.

Ao depor, o sobrinho e a cunhada de Wladimir arrastaram para a encrenca a deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP), autora da emenda que acomodou a verba malversada no Orçamento.

A dupla disse ter ouvido do pastor da Conectur que o dinheiro foi repassado para Fátima. Wladimir e a deputada negaram.

Afora os R$ 2,5 milhões que fez sumir sozinho, o pastor Wladimir e sua Conectur foram subcontratados pelo Ibrasi, outra entidade de fancaria que obteve R$ 4,45 milhões.

Nesse caso, a verba do Turismo, levada ao Orçamento de novo graças a uma emenda da deputada Fátima, destinava-se à realização de cursos.

A exemplo da pesquisa da Conectur, os curso do Ibrasi jamais saíram do papel. Na estimativa da PF, viraram pó algo como R$ 3 milhões.

Deus, como se sabe, é brasileiro. Mas a descoberta de uma igreja evangélica no centro da mutreta evidencia que Ele terceirizou os negócios do Turismo ao demônio.

- Ilustração via site do Orlandeli.

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Escrito por Josias de Souza às 23h08

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Dilma liga para Temer e Rossi e reafirma a ‘confiança’

  Sérgio Lima/Folha
Sem agenda a cumprir, Dilma Rousseff passa o fim de semana em Brasília.

Gastou um pedaço deste sábado (13) com o Ministério da Agricultura.

Leu a notícia na qual a ‘Veja’ faz novas denúncias contra o titular da pasta, Wagner Rossi.

Correu os olhos também sobre a resposta do ministro.

Depois, tocou o telefone para Rossi e para o padrinho político dele, o vice-presidente Michel Temer.

Nas duas conversas, Dilma disse ter considerado a reportagem da revista indigna e a réplica do ministro consistente.

Ela reiterou sua “confiança” em Wagner Rossi.

Com essas duas ligações, Dilma atalhou as apreensões do PMDB, partido de Rossi e de Temer.

Mandachuvas da legenda enxergam na presidente uma gestora imprevisível.

Receavam que ela pudesse identificar na notícia elementos para voltar-se contra Rossi.

Dilma, porém, apega-se ao bordão que formulou para situações do gênero: “Não vou transigir com a corrupção, mas não serei pautada pela mídia.”

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Escrito por Josias de Souza às 20h27

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PT vai nacionalizar eleições municipais, diz Rui Falcão

Ricardo Weg/Divulgação

O presidente do PT federal, Rui Falcão, afirma que o partido injetará Lula e Dilma Rousseff nas eleições municipais de 2012.

“Nós queremos dar uma dimensão nacional a essas eleições”, diz ele. Com que propósito?

Segundo Falcão, o PT irá “mostrar quais os efeitos das políticas públicas do governo Lula e da presidenta Dilma no conjunto das cidades e Estados do país.”

Ou seja: o petismo levará aos palanques municipais a mesma matéria-prima que exibiu nos comícios e na propaganda eletrônica da campanha presidencial de 2010.

Voltarão à vitrine eleitoral programas como o Bolsa Família, o Minha Casa…, o PAC e um enorme etcétera.

As declarações de Falcão constam de entrevista exibida no portal do PT na web. Pode ser alcançada aqui.

No dizer do dirigente petista, “onde há uma sintonia entre as políticas locais e a política nacional, a vida melhorou substancialmente.”

Daí a intenção “nacionalizar” a disputa pelas prefeituras, aproximando-a dos programas federais tocados desde Brasília.

Falcão ressuscita uma expressão que caíra em desuso depois do escândalo do mensalão, em 2005: “o modo petista de governar.”

Afirma que, por onde passam –prefeituras, governos estaduais e Presidência— os gestores do PT deixam “uma marca.”

A “marca”, diz ele, já é “nacional”. Sob o PT, trombeteia Falcão, governa-se “para todos”, mas dá-se “prioridade à população mais carente.”

O PT, que outrora vendia-se ao eleitor como detentor do monopólio da ética, deixou outras marcas em suas administrações.

Mimetizando práticas que antes criticava, o partido rendeu-se, por exemplo, à fisiologia. Sobre isso, porém, Falcão não foi inquirido na entrevista companheira.

Em fase de elaboração, a tática eleitoral do PT será aprovada num congresso partidário que ocorrerá entre os dias 2 e 4 de setembro.

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Escrito por Josias de Souza às 19h40

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Pela terceira semana, Rossi é compelido a se explicar

Sérgio Lima/Folha

Virou rotina. Pela terceira semana consecutiva, o ministro Wagner Rossi (Agricultura) viu-se compelido a comparecer à boca de cena para explicar-se.

Em nova reportagem de ‘Veja’, Rossi é apresentado como protagonista de malfeitos em estatais que dirigiu (Conab e Codesp) e no próprio ministério.

Na Conab, diz a revista, Rossi distribuiu alimentos a aliados políticos para uso eleitoral. Na Codesp, pagou com verbas públicas dívidas atribuídas a empresas.

No ministério, foi acusado de cobrar propina de R$ 2 milhões numa licitação que visava contratar uma empresa prestadora de serviços de comunicação.

Por último, a notícia (disponível aqui) insinua que o ministro tem patrimônio incompatível com a renda. Só o imóvel em que reside está avaliado em R$ 9 milhões.

Rossi, que frequenta a Esplanada graças ao apadrinhamento do vice-presidente Michel Temer, pendurou na página do ministério uma nota. Mais uma (pode ser lida aqui).

No documento, Rossi refere-se à revista em termos ácidos: “Isso não é jornalismo. É assassinato de reputação”, escreve. “É campanha orquestrada com interesses políticos.”

Nega irregularidades na distribuição de alimentos feita na época em que mandava na Conab, a Cia Nacional de Abastecimento.

Afirma que a dívida que mandou pagar na Codesp, a Cia Docas de São Paulo, foi objeto de ação popular que a Justiça mandou ao arquivo.

Classifica de ilógica a acusação de que teria exigido propina de R$ 2 milhões na licitação mencionada na notícia.

Sustenta que o contrato era de R$ 2,9 milhões e que a licitação foi cancelada por conta de falha detectada durante sua realização.

Quanto ao patrimônio, o ministro anota:

“Minha família desfruta de situação econômica confortável, fruto do trabalho de gerações, que constituíram um patrimônio considerável…”

“…Pessoalmente, trabalhei durante os últimos 50 anos em diferentes empregos e empreendimentos”.

Rossi diz que seu patrimônio pessoal é inferior a R$ 1 milhão. Diz que, há 17 anos, perdeu a mulher, Liliana Tenuro Rossi. Sem mencionar cifras, acrescenta:

“Parcela importante do patrimônio familiar correspondia a heranças sucessivas recebidas de parentes dela”. Algo que diz ter destinado aos cinco filhos.

O imóvel em que reside –descrito, fotografado e avaliado pela revista em R$ 9 milhões— foi adquirido, segundo Rossi, em 1996. Negócio de R$ 195 mil.

Nessa época, diz o ministro, a propriedade estava assentada em area rural de Ribeirão Preto (SP).

“Pela expansão urbana da cidade, a propriedade passou por um processo de valorização”, afirma Rossi, sem contestar a avaliação milionária.

Nas semanas anteriores, as notícias que alvejaram a Agricultura resultaram num par de demissões.

Primeiro, foi defenestrado da Conab Oscar ‘Ali só Tem Bandido’ Jucá Neto. Irmão do senador Romero Jucá, ele destinara R$ 8 milhões a um armazém fantasma.

Depois, foi ao olho da rua Milton Ortolan, segundo na hierarquia do ministério.

Amigo de 25 anos de Rossi, Ortolan enfiara para dentro de uma sala da Agricultura, um lobista que costurava editais de licitação, fazia negócios e distribuía dinheiro.

Dessa vez, ninguém desceu ao meio-fio. O alvo foi o próprio ministro, que não se animou, por ora, a pedir exoneração.

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Escrito por Josias de Souza às 18h54

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Em semana suja, até o banheiro vira refúgio turístico

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Escrito por Josias de Souza às 07h44

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Dilma: o governo que permite corrupção é ‘ineficiente’

Sérgio Lima/Folha

Em sua edição deste final de semana, a ‘CartaCapital’ traz uma entrevista com Dilma Rousseff.

Ao falar sobre corrupção, ela disse que o governo que se permite conviver com o flagelo “é altamente ineficiente.”

"Por uma questão não só de ética e moral, mas de eficiência, você é obrigado a tomar providência”, declarou.

Noutro trecho: "Não vamos abraçar a corrupção, mas não serei pautada pela mídia."

Afirmou que a demissão de servidores não foi guiada pelas manchetes:

"Nem na história do Transportes, nem no caso da Agricultura ou de qualquer outro caso que por ventura ocorra, não temos o princípio de ficar julgando as pessoas."

Disse que valoriza o trabalho da imprensa, mas insinuou que tem mais a fazer além de manuear a vassoura: "Não vou gastar nisso todo o meu tempo, que é político."

Sobre a demissão de Nelson Jobim: "Nem na época da monarquia o rei era insubstituível…”

“…Havia aquela história dos dois corpos do rei, o divino e o humano. O rei morreu, viva o novo rei."

Sobre o nariz torcido dos militares para Celso Amorim, o “novo rei” da Defesa: "Não estamos mais na época das vivandeiras."

Mas adiante: "O poder militar subordinado ao civil é uma conquista da sociedade."

A Comissão da Verdade: "Queremos que seja unânime nas bancadas do Congresso. Não há motivo nenhum para o PSDB e o DEM não a aprovarem."

O rebaixamento da nota da dívida dos EUA pela Standard & Poor’s: "Não houve nenhuma grande alteração, a não ser política, que justificasse."

A Copa e o calendário das obras: "O problema dos aeroportos não é da Copa, é algo para depois de amanhã. Asseguro que em 2014 estará tudo prontinho."

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Escrito por Josias de Souza às 07h26

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Em versão light, o DEM enaltece cotas e bolsa família

O DEM começa a veicular neste sábado (13), no rádio e na televisão, sua publicidade partidária institucional.

Conhecida pelo radicalismo com que exerce a oposição, a legenda apresenta-se aos eleitores em versão surpreendentemente light.

Na peça lá do alto, protagonizada por um jovem negro, o DEM tenta enrolar-se numa bandeira habitualmente associada à esquerda: as cotas universitárias.

Mais: o partido enaltece o Bolsa Família, programa lançado sob Lula e trombeteado por Dilma Rousseff na campanha presidencial do ano passado.

Na propaganda, defende-se a cota social, não racial. E a menção ao Bolsa Família vem acompanhada de uma ressalva: o benefício não pode ser eterno.

Exibido num cenário de favela, o rapaz da publicidade do DEM declara: “Só porque eu sou jovem e moro na periferia, alguns políticos pensam que tenho que ser de esquerda…”

“...A esquerda não é dona da juventude e nem de quem mora na periferia. Eu sou livre para pensar diferente…”

“…Eu sou a favor das cotas para os pobres, independete da cor. Sou a favor do Bolsa Família, mas as pessoas não podem depender dela para sempre”.

Noutra inserção, disponível aqui, o DEM qualifica o tipo de oposição que se dispõe a fazer.

Em vez de ataques raivosos a Lula, a Dilma e ao PT, a peça contém uma menagem mais sutil. Abre com a imagem de uma maçã. Uma metade sedutora. A outra, podre.

E o locutor: “Olhando por um lado, essa maçã é perfeita. Olhando por outro, não é bem assim. Por isso, é sempre bom ter gente que veja as coisas de maneira diferente…”

“…O Democratas é assim: fiscaliza o governo, aponta os erros, cobra responsabilidades e luta por mais transparência…”

“…Porque pensar diferente, defender novas ideias faz o Brasil avançar e melhorar a vida dos brasileiros.”

Nesse comercial, as estocadas mais incisivas são como que terceirizadas aos jornais, cujas manchetes são exibindas ao fundo.

Para ler, o telespectador precisa aguçar o olhar: “Denúncias derrubam 2o ministro…”, “Petista é preso…”, “Oposição cobra saída de ministro e quer CPI…”

Como se vê, espremido por Lula nas urnas do ano passado e submetido à lipoaspiração do PSD do “desertor” Gilberto Kassab, o DEM se esforça para recalibrar o discurso.

Tomado pela propaganda, pretende retirar a raiva de sua plataforma, incorporando à receita ingredientes de um pudim alheio.

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Escrito por Josias de Souza às 04h13

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As manchetes deste sábado

- Globo: 21 tiros na Justiça

- Folha: 'É pro governo, joga o valor vezes três', diz foragido

- Estadão: Juíza é assassinada no Rio; outros 69 estão ameaçados

- Correio: O dia em que o crime fuzilou a Justiça...

- Estado de Minas: Táxi - Artigo de luxo em BH

- Zero Hora: Juíza especializada no combate ao crime é executada no Rio

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h42

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Corrupto não, simpatizante!

Angeli

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Escrito por Josias de Souza às 01h39

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PT diz a Gleisi e Ideli que é hora de ‘afagar’ os aliados

Folha

A “greve” parlamentar que paralisou o plenário da Câmara nesta semana provocou uma reunião de emergência na Presidência da República.

A convite das ministras Ideli Salvatti (Coordenação Política) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil), foram ao Planalto alguns dos principais nomes do petismo no Congresso.

Longe dos refletores, congressistas e ministras do PT travaram um diálogo franco sobre o curto-circuito que eletrifica o condomínio de 14 partidos governistas.

O repórter ouviu dois participantes da reunião. Um deles empregou vocábulo que resume todo o sentido da conversa: “afago.”

Para pacificar os aliados, o governo precisa acarinhá-los, eis a avaliação unânime dos deputados e senadores que foram ao encontro de Ideli e Gleisi.

Soaram na reunião vozes de peso no PT. Dois ex-presidentes da Câmara: Arlindo Chinaglia e João Paulo Cunha. Um ex-presidente do partido: Ricardo Berzoini.

Dois líderes: o do Senado, Humberto Costa; e o da Câmara, Paulo Teixeira. De resto, o futuro candidato da legenda ao governo do Rio, senador Lindbergh Farias.

Os parlamentares reiteraram às duas operadoras de Dilma Rousseff que o Planalto continua padecendo de um déficit de política. Daí a atmosfera de borrasca.

Ficou entendido que negar aos aliados a liberação de emendas orçamentárias e o provimento de cargos é o mesmo que esmurrar ponta de faca.

Gestora do balcão, Ideli pareceu aos interlocutores rendida ao inevitável. Gleisi, nem tanto.

Senadora de primeiro mandato, içada para a equipe de Dilma depois que Antonio Palocci converteu-se no primeiro escândalo da “nova Era”, Gleisi destoou.

Os partidos precisam discutir a agenda que interessa ao país, prega a chefe da Casa Civil. Uma pregação que foi tomada por parte dos que a ouviram como ingênua.

Dona de perfil técnico que a aproxima de Dilma na mesma proporção em que a afasta da política, Gleisi foi alertada do seguinte:

Na negociação com os partidos, é preciso ceder na miudeza para obter o principal. Ou o governo aceita essa lógica ou terá de lidar com aliados em convulsão permanente.

Afora o destravamento de emendas e cargos, os congressistas do PT aconselharam o uso de ataduras para curar as feridas abertas nas últimas semanas.

Recomendou-se, por exemplo, um repactuação com o PR de Alfredo Nascimento, apeado dos Transportes depois que a pasta se dissolveu em malfeitos.

Avaliou-se também que é preciso negar ao PMDB, tisnado junto com o PT no escândalo do Turismo e sozinho no da Agricultura, pretextos que alimentem o ímpeto de rebeldia da legenda.

É a realpolitk, disse ao repórter um dos interlocutores das ministras, evocando a palavra de origem alemã que expressa a inevitabilidade de fazer política com realismo.

Na prática, Dilma é prisioneira do mesmo paradoxo que condicionou as presidências de seus antecessores.

A Brasília pós-redemocratização firmou-se como templo de um sistema administrativo que gira em torno de privilégios, verbas e empregos.

Tancredo Neves teve a sorte de morrer antes de por em prática a armadilha que engendrara. Herdeiro dos acordos, José Sarney honrou-os.

Acossado pelo impeachment, Fernando Collor renovou-os tarde demais. Itamar Franco preservou-os. E Fernando Henrique Cardoso vestiu-os com traje intelectual.

FHC situou o anômalo num ponto qualquer entre as duas éticas de Max Weber, a da convicção e a da responsabilidade.

Ao chegar à Presidência, em 2003, Lula trazia na face a ilusão da novidade. 
Dizia-se que, menos inepto que Sarney, mais honesto que Collor…

…Menos transitório que Itamar e mais firme que FHC, Lula teria autoridade para deter a sanha fisiológica.
 Deu-se o oposto. Tonificou-a.

O calor de urnas logo se esvaiu no chão frio e escorregadio do dia-a-dia administrativo. A aparência de super-homem derreteu no mensalão.

Dilma vive o mesmo fenômeno. Promote novos padrões morais escorada numa coligação partidária com fins lucrativos, 100% financiada pelo déficit público.

Em essência, o que os congressistas do PT disseram a Ideli e Gleisi é que, esquivando-se de pagar a fatura dos "aliados", o preço é mais alto. Será?

Na próxima terça (16), Ideli almoçará com os líderes governistas de todo o condomínio. Deve levar um cronograma da liberação de emendas. Já dispõe de R$ 1 bilhão.

O governo fará por pressão o que os conselheiros do PT acham que já deveria ter sido feito por conveniência.

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Escrito por Josias de Souza às 23h22

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Lula critica a PF: ‘Estamos cansados de ver injustiças’

De passagem por uma feira literária em São Bernardo do Campo, Lula criticou a ação da PF na operação que levou à prisão de 36 pessoas suspeitas de desvios no Turismo. Disse:

“Não é aceitável que uma pessoa com endereço fixo, RG e CPF seja presa como um bandido qualquer, algemada, como em uma exposição pública. Estamos cansados de ver injustiças nesse país.”

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Escrito por Josias de Souza às 21h03

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Jornal do Amapá veicula fotos de 6 presos do Turismo

Seis dos 36 presos pela Polícia Federal na Operação Voucher foram brindados com uma cota extra de constrangimento.

Depois de submetidos às algemas da PF, tiveram vazadas as fotos tiradas no momento da identificação no Iapen (Instituto de Administração Penitenciária) do Amapá.

As imagens (veja galeria) foram parar na primeira página do diário ‘A Gazeta’, de Macapá. "Dos gabinetes de Brasília às celas do Iapen", eis o título que adorna a notícia.

Os presos são exibidos com o torso nu. Seguram cartazes com a própria identificação.

Entre os detidos cujos rostos foram parar no jornal estão três nomões: O secretário-executivo do ministério, Frederico da Silva Costa...

...o secretário de desenvolvimento de projetos turísticos, Coubert Martins, ex-deputado do PMDB da Bahia...

...E o ex-presidente da Embratur e ex-secretário-executivo do ministério Mário Moyses, petista do grupo da senadora Marta Suplicy (SP).

Se o governo considerava as algemas abusivas, a exibição das fotos há de ser vista como abuso ainda maior.

- Atualização feita às 22h14 desta sexta (13): Dilma Rousseff considerou inaceitável a divulgação das fotos.

O ministro José Eduardo Cardoso (Justiça) pediu providências ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça.   

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Escrito por Josias de Souza às 20h25

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Para deixar cadeia, Fred vai ter de ‘pagar’ R$ 109 mil

  Sérgio Lima/Folha
Frederico Silva da Costa, o Fred, segundo na hierarquia da pasta do Turismo obteve na Justiça liminar que o autoriza a deixar a prisão de Macapá. Porém…

…Porém, o autor do despacho, juiz Guilherme Mendonça, do TRF-1, impôs uma condição monetária ao secretário-executivo do Turismo.

Antes de achegar-se ao meio-fio, Fred terá de pagar 200 salários mínimos. Coisa de R$ 109 mil. Dinheiro de troca se considerados os desvios de que é acusado.

Com o habeas corpus em favor de Fred, já são contados em seis os presos liberados nesta sexta (12).

Mais cedo, ganharam o asfalto Colbert Martins, o ex-deputado pemedebê lotado no Turismo; e Dalmo Queiroz, um dos empresários encrencados no inquérito.

Agora, soube-se que foram foram beneficiadas por liminares libertadoras também duas servidoras do Turismo –Kérima Silva Carvalho e Glaucia Matos…

…e o advogado Jorge Fukuda, diretor-jurídico do Ibrasi, o instituto acusado de malversar as verbas do Turismo.

No caso de Fukuda, a exemplo do despacho que beneficiou Fred, a liberdade foi condicionada ao pedágio da fiança.

Dos 36 presos na terça-feira (2), restam 12 encarcerados. São novos habeas corpus esperando para acontecer. Dezoito já haviam sido libertados na quarta (3), após prestar depoimento.

- Atualização feita à 00h32 deste sábado (13): Frederico Silva da Costa, o segundo da pasta do Turismo deixou a prisão de Macapá pouco antes da meia-noite. Pagou a fiança de R$ 109 mil com um cheque. 

Subiu para 16 a conta dos habeas corpus concedidos ao longo da sexta-feira.  Dos 36 presos da Operação Voucher, restavam dois escassos encarcerados. 

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Escrito por Josias de Souza às 19h46

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MPF denuncia cinco por desvios, dessa vez na Cultura

  João Wainer/Folha
O Ministério Público Federal mandou à Justiça denúncia contra cinco ex-servidores do Ministério da Cultura e da FUB, fundação da Universidade de Brasília.

Acusa-os da prática do crime de improbidade administrativa. A União e a FUB também foram acomodadas no polo passivo do processo.

A encrenca envolve um contrato firmado para organizar evento chamado “Ano do Brasil na França.” Negócio antigo, de 2005, primeiro reinado de Lula.

O contrato custou à Viúva R$ 27,7 milhões. Segundo a Procuradoria, houve dispensa indevida de licitação, desvio de verbas e superfaturamento.

Pela lei, o governo pode se abster de realizar licitações para contratar instituções de ensino e pesquisa sem fins lucrativos.

O problema, sustenta o Ministério Público, é que a fundação da UnB foi utilizada como mero biombo para contratar empresas privadas.

Celebrado o convênio, a FUB subcontratou cinco empresas para realizar os serviços. Tudo sem licitação, realça a denúncia.

Na prática, acusa a Procuradoria, houve uma “simulação”. Coisa urdida na pasta da Cultura com o propósito de dar aparênca legal a um “jogo de cartas marcadas.”

A entidade universitária serviu de intermediária para os repasses de verbas públicas a empresas privadas. Sem o inconveniente da aferição dos preços.

De cara, gastou-se desnecessariamente R$ 230 mil, preço cobrado pela FUB para emprestar sua logomarca à triangulação da Cultura com as empresas.

Por ora, a União, a FUB e os cinco ex-servidores encrencados frequentam o processo na condição de denunciados.

Só virarão réus se a Justiça aceitar os termos da denúncia do Ministério Público, convertendo-a em ação penal.

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Escrito por Josias de Souza às 18h56

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Turismo: Justiça Federal manda ‘soltar’ mais 2 presos

  Fotos: Ag.Câmara e Sérgio Lima/Folha
A Justiça Federal mandou soltar mais dois presos na Operação Voucher, que esquadrinha a malversação de verbas públicas no Ministério do Turismo.

Ganharam o meio-fio Colbert Martins (foto), o ex-deputado do PMDB baiano que trabalha no ministério; e Dalmo Queiroz, sócio de uma das empresas sob investigação.

Deve-se a decisão ao magistrado Carlos Olavo, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1a região, sediado em Brasília.

Em despacho liminar (provisório), Olavo deferiu pedidos de habeas corpus formulados pelos advogados de Colbert e Queiroz.

Com isso, das 36 pessoas presas pela Polícia Federal apenas 16 continuam detidas em Macapá (AP). Há dois dias, 18 já haviam sido liberadas após prestar depoimentos.

Entre todos os encarceramentos, o que mais deu dores de cabeça ao governo foi o do pemedebê Colbert, titular da secretaria do Turismo que libera verbas de convênios.

Nomeado em março, Colbert embarcou num bonde que começara a andar em 2009, bem antes de sua chegada. Liberou a última parcela de um convênio de R$ 4,45 milhões.

Diz ter escorado a assinatura num parecer técnico do ministério, que atestava a regularidade dos cursos profissionalizantes que o dinheiro deveria financiar.

O Ministério Público e a PF informam que o parecer mencionado por Colbert baseava-se em documentos inidôneos. As aulas não foram ministradas. Desviaram-se as verbas. 

Colbert contra-argumenta que procedeu de boa fé. Não poderia imaginar que estava sendo empurrado para dentro de um vagão descarrilado.

A imagem de um Colbert algemado, a caminho do avião da PF que levou os presos de Brasília para Macapá, ateou revolta na tribo pemedebê e nos arredores governistas.

A irritação aumentou há dois dias, depois que o vice-presidente Michel Temer manuseou as folhas do inquérito, em leitura que entrou pela madrugada.

Advogado, Temer concluiu que o pedaço do processo que se refere a Colbert, por frágil, não autorizava a prisão.

As condições da carceragem amapaense injetaram mais veneno na cena. Colbert dividia a cela com presos ditos “comuns”.

Um irmão do ex-deputado viajou da Bahia para Macapá. Tentou refrescar-lhe a cana, enviando para dentro do "inferno" um ventilador.

Antes que Colbert pudesse usufruir dos frescores, um companheiro de cela roubou-lhe o equipamento.

Na Bahia, o PMDB prepara uma recepção de desagravo ao seu filiado. Em Brasília, o partido espera por um pedido de retratação.

O diabo é que, a remissão que importa em casos do gênero é a absolvição judicial.

Se a avaliação do advogado Temer estiver correta, o Ministério Público não encontrará nos autos do inquérito elementos para denunciar Colbert.

Se a Procuradoria discordar do vice-presidente, Colbert continuará na grelha. Nessa hipótese, vai cavalgar a tartaruga manca do Judiciário por tempo indeterminado.

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Escrito por Josias de Souza às 18h02

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Depois de Dilma e Mantega, Tombini prevê crise longa

Wilson Dias/ABr

A banda econômica do governo pode ser criticada por muitos motivos, menos por falta de afinação.

Noutros tempos, Ministério da Fazenda e Banco Central tocavam por partituras diferentes. Hoje, executam a mesma pauta.

Nas pegadas de Dilma Rousseff e de Guido Mantega, Alexandre Tombini, o presidente do BC, veio à boca do palco para falar sobre a crise.

Deu-se num seminário do próprio BC, em São Paulo. Tombini ecoou o resto do governo ao prever que a crise econômica atual será longeva.

Segundo ele, o tipo de encrenca que assedia EUA e Europa, de naturaza fiscal, leva anos para se dissipar. Algo que sujeita as finanças globais a solavancos:

“[A crise da dívida] não é um processo que se resolva da noite para o dia. Na trajetória de resolução, estamos sempre sujeitos a sobressaltos.”

Tombini ecoou Dilma e Mantega também em relação às condições do Brasil. O país está, hoje, mais preparado para a crise do que estava em 2008, disse ele.

As reservas internacionais são maiores. O sistema bancário é sadio e os compulsórios depositados no BC oferecem mais conforto.

“O Brasil tem condições de reagir caso o cenário requeira”, disse Tombini. “O Brasil está preparado para ambiente global mais complexo e difícil”, ele enfatizou.

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Escrito por Josias de Souza às 16h50

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Semana que vem, governo põe pra fora seu ‘toma-lá’

  Alan Marques/Folha
Os mais mocinhos não vão acreditar. Mas houve um tempo em que o toma-lá-dá-cá era uma operação envergonhada. Coisa para o escurinho.

Um Sarney, meio Collor, meio Itamar, um FHC, um Lula e 26 anos depois o Planalto e o Congresso transacionam à luz do Sol.

Nesta sexta (12), o ministro Gilberto ‘Faz-tudo de Dilma’ Carvalho anunciou: na semana que vem, o governo vai pôr pra fora o seu “toma-lá.”

O pressuposto é o de que o Congresso deixe de mumunhas e entregue logo, sob os refletores do plenário, o seu “dá-cá.”

Pretende-se abandonar a fase oral, marcada por promessas que, por descumpridas, empurraram a discussão da relação para a beirada do litígio.

No dizer de Gilbertinho, o Planalto se entrega aos aliados num “processo que já estava previsto.”

Como assim? “O governo foi fazendo estudos internos e percebeu que agora dá para liberar [as emendas].”

Vencidas as preliminares, Gilbertinho esclareceu, "a principal preocupação do governo é cultivar a relação com o Congresso.”

Os ministros, disse ele, foram orientados a receber os parlamentares. Deseja-se que haja “uma relação muito além da troca.” Huummm!?!

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Escrito por Josias de Souza às 15h40

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Ideli compara aliados rebeldes a opositores de Obama

Fábio Pozzebom/ABr

Num instante em que o condomínio governista condiciona o apoio ao Planalto à liberação de verbas e cargos, a ministra Ideli Salvatti serve aos aliados reprimendas e cobranças.

Em conversa com o repórter Gerson Camarotti, a coordenadora política de Dilma Rousseff foi instada a comentar a “greve” que paralisou a Câmara nesta semana.

Comparou os aliados sublevados aos parlamemtares republicanos, rivais do presidente Barack Obama no Congresso dos EUA:

“Com a gravidade da crise econômica internacional, não se pode admitir que o Congresso ouse e tente fazer no Brasil o que o Congresso americano fez diante da crise nos Estados Unidos. Temos que ter responsabilidade…”

“O objetivo é blindar o Brasil. Todas as questões têm importância, mas, neste momento, a prioridade é proteger o emprego e a renda, os interesses do povo brasileiro…”

“…Não podemos gastar energia com outras questões. Os líderes e partidos aliados precisam entender isso.”

A reprovação ao comportamento dos republicanos na votação do projeto que elevou o teto de endividamento dos EUA já havia sido feita por Dilma.

Citou o caso americano em reunião na qual pediu aos presidentes e líderes de legendas aliadas que se abstenham de criar gastos e apoiem as medidas anticrise.

Nos lábios de Dilma, a compração já havia sido recebida pelos aliados como imprópria. Na boca de Ideli, é improvável que soe adequada.

Perguntou-se à ministra o que pode ser feito para convencer os governistas brasileiros de que o figurino de oposicionista americano não lhes cai bem.

Ao responder, Ideli insinuou que os inssurretos arriscam-se a comprar briga com a opinião púclica.

Ouça-se a ministra: “Todos temos que ter responsabilidade com o momento…”

“…A própria opinião pública tem entendimento de que, nesta crise econômica, não é adequado o Congresso ficar paralisado…”

“…As pessoas não vão aceitar esse comportamento. Querer piorar a condição fiscal é inadmissível.”

E quanto à liberação das emendas dos congressistas? “Não vou mais aguardar consenso para empenhar R$ 1 bilhão em emendas, já garantido pela Fazenda…”

“…Vou começar imediatamente a empenhar o que tenho, até para diminuir a insatisfação…”

“…Não vamos desconsiderar pleitos legítimos das emendas e da disputa por espaço no governo [cargos]…”

“…Mas nada pode atrapalhar o foco principal, a blindagem do Brasil frente à crise.”

Recordou-se a Ideli que os apoiadores do governo exigem a apresentação de um calendário de liberações. Ela se defendeu em timbre de ataque:

“Nas negociações, a base escolheu a opção mais difícil: a prorrogação dos restos a pagar [emendas de anos anteriores] de obras não iniciadas…”

“…A presidente resistia. Consegui prorrogar o decreto, mas, pelo acordo, novos empenhos só sairiam em setembro…”

“…Mesmo assim, o ministro Guido Mantega me autorizou R$ 1 bilhão para empenho. Mas eles [parlamentares] não aceitaram. Agora, fazem paralisação de votações!”

Acha que as denúncias em série adensam a atmosfera de reataliação? “Se está sendo difícil para o PR e o PMDB, também está sendo difícil para os demais partidos…”

“…Foi difícil quando o [Antonio] Palocci caiu. Mas o comportamento da presidente Dilma é o mesmo:…”

“…Os ministros têm todo o apoio e são os responsáveis pelas providências e explicações. Foi assim com o Palocci…”

“…Com o Alfredo [Nascimento, ex-Transportes], com o [Wagner] Rossi [Agricultura], o [Mário] Negromonte [Cidades] e o [Pedro] Novais [Turismo].”

Quem ouve Ideli pode concordar ou discordar dela. Mas, num ponto, a ministra inspira uma avaliação muito próxima do consenso:

Para quem precisa lidar com tantos fios desemcapados, parece faltar à caixa de ferramentas de Ideli o essencial: fita isolante.

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Escrito por Josias de Souza às 07h23

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Por verbas, aliados de Dilma fazem ‘chantagem’ fiscal

  Lula Marques/Folha
Entre todos os projetos que tramitam na Câmara, o Planalto elegeu como prioridade a aprovação de uma emenda constitucional de nome esquisito: DRU.

Sob a sigla, há uma ferramenta fiscal nascida em 1994, nas pegadas do Plano Real. Obra do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

Criada como “provisória”, a DRU deveria ter sido extinta em dezembro de 1999. Porém, viciado no mecanismo, o governo obtém no Congresso sucessivas renovações.

Decorridos 17 anos, Dilma Rousseff mimetiza FHC e Lula. Roga aos partidos que apoiam o governo nova prorrogação da DRU, que expira no fim de 2011.

Ao farejar a pressa de Dilma, os partidos do condomínio governista urdiram uma chantagem. Para entregar a DRU ao Planalto, exigem contrapartidas.

O “resgate” inclui as exigências de sempre: liberação das verbas previstas em emendas parlamentares e a retomada das nomeações para poltronas do segundo escalão.

Embora torça o nariz, Dilma é aconselhada a ceder. Argumenta-se que a resistência custaria o desarranjo das contas públicas.

Por quê? A DRU permite ao governo dispor livremente de 20% de receitas tributárias que a Constituição destina a setores pré-determinados. Educação, por exemplo.

As vinculações constitucionais cresceram demasiadamente nos últimos anos, impondo “carimbos” às verbas que a Receita Federal coleta na forma de impostos.

Sem os 20% proporcionados pela DRU, o governo iria à parede: ou teria de cortar despesas além do desejado ou elevaria a dívida pública para custear seus gastos.

Para complicar, o Planalto dormiu no ponto. Demorou a enviar à Câmara a emenda que prorroga a DRU até dezembro de 2015.

Agora, enfrenta a chantagem de seus pseudoaliados num instante em que a ameaça de reedição da crise global de 2008 impõe rigor fiscal ao Estado.

Em conversa com o presidente da Câmara, o petista Marco Maia (RS), Dilma reforçou o caráter prioritário que atribui à DRU.

Maia apresentou aos líderes um cronograma de votações para o segundo semestre legislativo. O calendário não condiz com a pressa de Dilma.

Na peça, a votação da emenda que renova a DRU foi marcada para os dias 28 e 29 de setembro. Por quê? Para dar tempo ao Planalto.

Até lá, esperam os operadores de Dilma no Congresso, a presidente há de se acertar com os partidos que deveriam apoiá-la.

Do contrário, admitem em privado Maia e o líder do governo Cândido Vaccarezza (PT-SP), a DRU terá dificuldades para passar.

Vencida a etapa da Câmara, a encrenca será revivida no Senado, onde os partidos governistas encontram-se também em pé de guerra com o Planalto.

Na próxima terça-feira (16), a ministra Ideli Savatti, operadora do balcão, almoçará com os líderes governistas. Será um repasto indigesto.

Os comensais esperam de Ideli a exibição de um cronograma de liberação de emendas. Algo que contenha valores e datas. Sem isso, a ministra será engolida.

Afora o risco de reiteração da “greve” desta semana, um pedaço do bloco "pró-Dilma" acena com a hipótese de elevar o valor do “resgate.”

Além de verbas e cargos, ameaçam atravessar na traquéia da presidente a chamada emenda 29, que eleva os percentuais de verbas “carimbadas” para a saúde.

No calendário de Marco Maia, a regulamentação da emenda 29 é o último item. Só iria a voto no plenário em 19 de outubro.

A tribo dos insatisfeitos, que inclui o PMDB e até um pedaço do PT, ameaça exigir que a votação da emenda da saúde ocorra antes da apreciação da DRU.

Quer dizer: para obter a emenda que considera essencial à preservação do equilíbrio fiscal, Dilma teria de digerir um tônico dos gastos em saúde.

Nunca é demasiado recordar que as emendas cuja liberação os governistas exigem estão no DNA de 11 de cada dez escândalos que chegam ao noticiário.

O penúltimo caso, que eletrifica a pasta do Turismo, envolve a malversação de verbas providas por emendas de uma deputada: Fátima Pelaes (PMDB-AP).

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Escrito por Josias de Souza às 05h01

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As manchetes desta sexta

- Globo: Toque de recolher virtual - Contra distúrbios, Inglaterra quer censurar redes sociais

- Folha: Dilma congelará em 2012 os gastos não obrigatórios

- Estadão: Deputada do PMDB recebeu dinheiro desviado do Turismo

- Correio: Oitenta mil concursados com vaga garantida

- Valor: Varejo olha crise com cautela e revê estratégias

- Estado de Minas: A farra continua

- Jornal do Commercio: Garantia para concursado

- Zero Hora: PMDB ameaça boicotar Dilma no Congresso

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h59

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Dilema existencial de Dilma!

Nani

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Escrito por Josias de Souza às 00h36

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Turismo: deputada do PMDB ‘recebeu’ verba desviada

  Agência Câmara

A deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP) foi arrastada para o centro do escândalo que arde no Ministério do Turismo.

Fátima é autora das emendas orçamentárias que destinaram verbas da União para convênios turísticos no Estado dela, o Amapá.

Os projetos previstos nos contratos, dizem a Polícia Federal e o Ministério Público, não se materializaram. E o dinheiro foi desviado.

O repórter Lenadro Colon informa: pelo menos quatro das 36 pessoas inquiridas na operação que esquadrinha o caso citaram Fátima como beneficiária dos desvios.

Chama-se Merian Guedes de Oliveira uma das interrogadas que mencionaram o nome da deputada. Ela é secretária da Conectur.

A entidade frequenta o escândalo em duas pontas. Numa, como subcontratada da ONG Ibrasi. De um convênio de R$ 4,45 milhões, amealhou R$ 250 mil.

Na outra ponta, a Conectur aparece como bemeficiária direta de outro convênio celebrado com a pasta do Turismo em 2009. Coisa de R$ 2,5 milhões.

Merian relatou em seu depoimento ter ouvido do patrão, Wladimir Furtado, dono da Conectur, que a deputada Fátima ficaria com “a maior parte” das verbas.

Referia-se, Segundo consta do depoimento, ao convênio de R$ 2,5 milhões. Quanto aos outros repasses, disse Merian “na verdade foram desviados para a deputada…”

Em seu depoimento, Wladimir declarou que "nunca entregou nenhum dinheiro para Fátima Pelaes". Porém…

…Porém, além da secretária, também um sobrinho do dono da Conectur, David Lorrann Silva Teixeria, deixou mal a deputada.

Presente à investigação por ser tesoureiro da Conectur, o sobrinho David disse que “seu tio falava que ganharia 10% do total…”

“…E a deputada federal Fátima Pelaes ficaria com aproximadamente R$ 500.000,00 do total."

Noutro depoimento, Errolflynn de Souza Paixão, ex-sócio da Conectur informou que "Wladimir chegou a dizer que o dinheiro [do Turismo] seria devolvido à deputada."

Outra depoente, identificada no inquérito como Hellen Luana Barbosa da Silva, declarou:

"A deputada Fátima Pelaes indicou o Ibrasi para receber parte do dinheiro, para financiar sua campanha à reeleição."

Desde que os convênios do Turismo foram às manchetes, Fátima Pelaes limitou-se a confirmar a autoria das emendas e a negar participação nos malfeitos.

Nesta quinta (11), depois de vários dias de silêncio, a deputada viu-se compelida a divulgar uma nota.

No texto, ela reitera que não tomou parte dos desvios, tacha de caluniosos os depoimentos…

…Acena com a hipótese de acionar judicialmente os detratores e põe “à disposição” os sigilos bancário, fiscal e telefônico.

Oficialmente, o Ministério Público e a PF afirmam que a deputada não está sob investigação. Mera retórica.

Admitindo o contrário, as autoridades teriam de remeter o inquérito ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Como deputada, Fátima dispõe do chamado privilégio de foro. Só pode ser investigada e processada com a anuência do STF.

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Escrito por Josias de Souza às 23h01

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Operários de Brasília previram futuro que não chegou

Fotos: Sérgio Lima/Folha

Um serviço de rotina –o conserto de um vazamento no teto da Câmara— levou à descoberta de uma preciosidade histórica.

Para detectar a fresta por onde passava a água, foi preciso abrir um buraco na laje que recobre o prédio de Oscar Niemeyer.

A cavidade conduziu a um vão, um espaço entre a superfície externa do prédio e o teto da Câmara. Ali, no oco do vazio, a grande surpresa.

Encontraram-se meia dúzia de mensagens escritas na parede pelos operários que ergueram o Congresso.

No início, Brasília era um canteiro de indícios. O ritmo de toque de caixa, a lama, o vaivém de máquinas pesadas… Nada fazia crer que aquilo acabaria bem.

Porém, como que inspiradas no Nirvana vendido por Juscelino, as mensagens deixadas na “caverna” descoberta na Câmara previam um futuro radioso.

Em português precário, que denuncia a condição dos autores –brasileiros de primeiras letras—, as inscrições falavam de esperança, amor, honestidade e compaixão.

As palavras dos operários são de 1959. No ano seguinte, 1960, Brasília seria inaugurada com pompas que não insinuavam as circunstâncias do porvir.

Decorridos 51 anos, o futuro remoto ansiado pelos candangos mais parece um período histórico incorporado à Idade da Pedra Lascada.

Entre as seis mensagens que se escondiam na “gruta” do Congresso, duas são especialmente emblemáticas. Corrigido o português, anotam:

1. "Que os homens de amanhã que aqui vierem tenham compaixão dos nossos filhos e que a lei se cumpra. José Silva Guerra 22/4/59.”

2. "Se todos os brasileiros fossem dignos de honra e honestidade, teríamos um Brasil bem melhor."

Por um desses caprichos que só a história –viaduto do incompreensível para o insabido— é capaz de prover, as palavras do passado chegam em meio a um presente funesto.

Basta folhear os jornais, impregnados de corrupção, para perceber que aquele amanhã dos operários de ontem não chegou.

Pior: nem se dignou a mandar dizer por que não veio. Limita-se a informar: os que pensavam que o que viria seria diferente eram construtores de uma desilusão.

"Só temos uma esperança, nos brasileiros de amanhã", escreveu um dos desiludidos. “Brasília de hoje, Brasil amanhã”, anotou outro.

“Amor, palavra sublime que domina qualquer ser humano”, gravou na parede um desenganado que se identificou como Nelson.

Avisado sobre a descoberta, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), fez uma visita ao passado que sobrevive nas entranhas do Congresso.

Maia cogita converter o buraco em local aberto à visitação pública. Seria bom, muito bom, seria ótimo.

Permitira aos visitantes constatar que a Brasília idealizada continua sendo uma terra de sonho, perdida entre o passado que já era e o futuro que nunca chega.

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Escrito por Josias de Souza às 22h03

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Com a porta arrombada, o Turismo ‘endurece’ regras

 

O Ministério do Turismo decidiu "endurecer" as regras que norteiam a prestação de contas dos convênios que celebra com ONGs.

O prazo para a prestação de contas será menor. Em vez de 60, apenas 30 dias. Vencido o prazo, ou a entidade presta contas em dez dias ou devolve a grana.

A celebração de convênios novos será condicionada à aprovação das contas do contrato anterior. Beleza.

Agora, só falta alterar o DNA dos operadores dos convênios. Algo que os faça pelo menos errar mais barato.

As investigações demonstram que, nos guichês do Turismo, há uma preferência pelo erro mais rendoso.

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Escrito por Josias de Souza às 20h55

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PF diz a Cardozo que não cometeu abuso ao algemar

Fábio Pozzebom/ABr

Em resposta ao pedido de informações do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), a Polícia Federal sustentou que não cometeu abusos na Operação Voucher.

Cardoso solicitara, “em caráter de urgência”, explicações sobre a utilização de algemas. Acenara com a hipótese de punição em caso de abuso.

De acordo com o ministro, a PF alegou ter seguido norma internacional para o transporte aéreo de presos. Ouça-se Cardozo:

“Segundo me informaram, as regras exigem que, para que uma pessoa seja presa e transportada em voo, ela seja algemada porque os policiais sobem [no avião] desarmados.”

O ministro ainda não se deu por convencido: “Eu vou analisar a reposta, vou verificar os fatos e as evidências…”

“…E garanto que se houve algum abuso por parte de quem quer que seja será punido.”

Sabe-se que Dilma Rousseff ficou irritada com o emprego de algemas na prisão de figurões do Ministério do Turismo. Porém…

...Porém, Cardozo atribui o ofício que remeteu à Polícia Federal a queixas de outra origem:

“Eu recebi vários parlamentares reclamando das algemas e, quando soube disso, pedi esclarecimentos da Polícia Federal, que me foi dado e vou examinar a matéria.”

O ministro da Justiça não disse palavra sobre a profusão de malfeitos que “sua” polícia detectou na pasta do Turismo. Por ora, Cardozo e o governo concentram-se nas algemas.

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Escrito por Josias de Souza às 19h38

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Algemas: ‘Nunca vi ninguém defender um Zé da Silva’

Waldemir Barreto/Ag.Senado

Egresso do Ministério Público Federal, Pedro Taques (PDT-MT) levou à tribuna do Senado o debate sobre a utilização de algemas pela Polícia Federal.

Sem mencionar-lhes os nomes, Taques criticou as críticas dos ministros Marco Aurélio Mello (STF) e José Eduardo Cardoso (Justiça) à ação da PF no Turismo. Disse:

“Quem determina a prisão não é a Polílica Federal. A polícia apenas investiga. O Ministério Público requer a prisão. O Judiciário manda prender…”

“…E, diante de tudo o que foi apurado, estamos aqui a debater a perfumaria. Algemou? Não algemou?...”

“…Quando o assunto abandona a senzala e penetra a Casa Grande, ouvimos ministros do Supremo e autoridades da República dizendo que não pode algemar…”

“…Nunca vi ninguém reclamar que o Zé da Silva das favelas do Brasil foi algemado. Pobre não tem rosto, tem cara. Ninguém diz que não pode ser algemado...”

“…Debatemos a perfumaria. Discutimos o sofá da sala, não o que fizeram sobre esse sofá.”

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Escrito por Josias de Souza às 18h12

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‘Vamos enfrentar a crise gerando emprego’, diz Dilma

De passagem pelo Ceará, Dilma Rousseff discursou na inauguração de um terminal do porto de Pecém. Falou, de novo, sobre a crise econômica que assedia o mundo.

Elogiou o modo como Lula lidou com a turbulência anterior, de 2008. E reiretou que pretende portar-se da mesma maneira.

Para evitar a recessão, disse ela, o governo combaterá a encrenca “gerando empregos” (assista no video). Aqui, mais detalhes.

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Escrito por Josias de Souza às 16h39

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Governo estuda bolsa de benefícios para classe média

Valter Campanato/ABr

Se você não é pobre o bastante para obter o Bolsa Família nem rico o suficiente para desfrutar do 'Bolsa Juros', seus problemas estão prestes a acabar.

Vem aí uma bolsa para a nova classe média. Coisa destinada a evitar que brasileiros recém-promovidos sejam devolvidos à base da pirâmide social.

Quem informa é o ministro pemedebê Moreira Franco (Assuntos Especiais). Ele argumenta que não basta ao governo socorrer os pobres e desempregados.

“Precisamos estimular as pessoas que estão trabalhando”, declara Moreira Franco.

O “apoio ao empregado” visa, segundo ele, garantir a preservação do emprego e “melhorar a qualidade da sua formação profissional.”

As providências encontram-se em fase de negociação com os ministérios da Fazenda, do Trabalho, da Previdência, e da Educação.

“Acredito que dentro de pouco tempo vamos apresentar à presidenta Dilma algumas soluções.”

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Escrito por Josias de Souza às 15h29

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‘A Câmara é uma fábrica de loucos’, constatou Tiririca

Lula Marques/Folha

Candidato, Tiririca (PR-SP) prometera que, eleito, descobriria o que faz um deputado para contar aos donos dos votos.

No usufruto do mandato desde fevereiro, o neoduptado já tem a resposta. A coluna de Mônica Bergamo traz, na Folha, a conclusão:

O deputado, diz Tiririca, "é uma pessoa que trabalha muito e produz muito pouco." A Câmara "é uma fábrica de loucos. Uma fábrica de loucos".

Como assim? No plenário, “ninguém escuta ninguém”, ele explica. “Um deputado fala e nenhum presta atenção nele.”

Exemplifica: “Outro dia mesmo tinha um fazendo um discurso superbacana, sobre educação. Outro pediu a palavra…”

“…E reclamou: 'Já pedimos para instalarem tomadas novas aqui e não instalaram'. É uma coisa de louco."

Tiririca olha ao redor e dá de cara com matéria-prima para uma comédia.

“Seria o maior sucesso. Mas eu nem posso. Porque faço parte daqui. E tem o decoro parlamentar.”

Vai disputar a reeleição em 2014? "Meus assessores dizem que todo mundo, no fim, gosta daqui, quer voltar…”

Dizem que “comigo vai ser assim também. Mas, por enquanto... não sei, não."

E quanto ao escândalo do seu PR, na pasta dos Transportes?

"Graças a Deus, não respingou em mim, não. Também, entramos só agora! As pessoas sabem que não temos nada a ver com isso."

Torça-se para que o autodenominado palhaço consiga manter-se a salvo das palhaçadas.

Você talvez não tenha notado, mas a foto lá do alto exibe um Tiririca novo. Ou quase isso:

"No fim de semana, eu tomei uns conhaques e fui fazer a barba. Aí meu filho disse: 'Olha, pai, teu bigode ficou torto!' Raspei o bigode."

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Escrito por Josias de Souza às 06h28

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Promotoria denuncia cunhado de Alckmin por ‘fraude’

O Ministério Público de São Paulo protocolou na Justiça denúncia que aponta fraude na compra de merenda escolar na cidade de Pindamonhangaba.

Investigado desde 2007, o caso converteu-se em denúncia formal da Promotoria há dois dias, informa o repórter Aguirre Talento, na Folha.

Foram denunciadas 19 pessoas. Entre elas o prefeito João Salgado Ribeiro (PPS) e o cunhado do governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Chama-se Paulo César Ribeiro. É irmão da primeira-dama Lu Alckmin. Acusam-no de direcionar a licitação para a compra de merenda, favorecendo a firma Verdurama.

A concorrência foi feita em 2006. Resultou na celebração de um contrato de R$ 6,8 milhões.

Além do prefeito, do cunhado e da Verdurama, constam do rol de denunciados um sobrinho de Lu Alckmin, Marcelo dos Santos, e ex-servidores do município.

Todos negam participação nos malfeitos. Se a denúncia for aceita pel Justiça, os acusados viram réus. E poderão exercer nos autos o direito ao contraditório.

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Escrito por Josias de Souza às 05h27

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Dilma: crise atual pode durar mais do que a de 2008

Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma Rousseff participou na noite passada de um encontro promovido por empresários da construção civil de São Paulo.

Ao discursar, falou sobre a crise econômica, sua nova obsessão depois da inconclusa faxina nos ministérios.

A voz da presidente trafegou entre o realismo e a confiança. Foi realista ao afirmar que a crise atual pode durar mais do que a anterior (2008-2009).

Acha que faltam aos EUA e à Europa, fornalhas da encrenca, liderança política e vigor administrativo.

Soou confiante ao reafirmar que o Brasil de hoje está economicamente mais bem posto que o país de 2008.

"Nós não entraremos em recessão. Estou dizendo isso não como uma bravata, mas porque nós temos condições de reagir", declarou.

- Aqui, em vídeo, a íntegra do discurso de Dilma. Dois avisos: a peça é longa (32min 14s).

Em compensação, não contém nenhuma expressão que se pareça com a “marolinha” de outros tempos.

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Escrito por Josias de Souza às 05h03

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Grampo: secretário-geral do Turismo orienta a fraude

  Sérgio Lima/Folha
No dia em que o governo mostrou-se incomodado com o uso de algemas na prisão de servidores do Turismo, começaram a soar os grampos da Polícia Federal.

Numa das escutas telefônicas, o secretário-executivo do ministério, Frederico da Costa (na foto), dá orientações a um dos faudadores.

Chama-se Fábio de Mello. É dono de uma das empresas de fachada que receberam repasses do Ibrasi, o instituto em cujas arcas o dinheiro publico aportou.

Gravado com autorização da Justiça, o diálogo vadio foi veiculado pela TV Globo. Pode ser ouvido também aqui.

Aqui, uma transcrição ampliada da conversa. Frederico, o número 2 do Turismo, pede ao “empresário” Fábio que capriche na “fachada”:

- Frederico: Escuta, aquela sede ali, dentro do que tá vindo para cima, não atende, nós temos que fazer um negócio de imediatíssimo, um aluguel de dois, três meses, colocar uma baita placa e mudar o endereço no site urgente, porque possivelmente alguém vai bater foto lá.

- Fábio: Tá bom! Até sexta-feira, combinado isso?

- Frederico: Combinado, mas pega um negócio ai pra chamar a atenção, assim, de porte, por três meses.

- Fábio: Tá bom, mesmo se for por um ano a gente segura, não tem problema não!

- Frederico: Mas é pra ontem! Que se alguém aparecer para tirar uma foto lá nos próximos dois dias, as chances são altas.

- Fábio: Tá! Então vou correr com isso aqui. ()

- Frederico: Pega um prédio moderno aí, meio andar, diz que tá com uma sede que está em construção, mas por enquanto

- Fábio: A gente tem um prédio de três andares, grande ().

- Frederico: Mas o importante é a fachada e tem que ser uma coisa moderna que inspira confiança em relação ao tamanho das coisas que vocês estão fazendo.

- Fábio: Tá bom, tranquilo.

- Frederico: Um abraço.

A dupla integra o grupo de 36 presos da Operação Voucher. Os dois já foram ouvidos pela PF e pelo Ministério Público em Macapá (AP).

Fábio foi liberado após a inquirição. Frederico continua preso. Receia-se que, solto, interfira nas investigações, prejudicando-as.

A defesa de Frederico alega que o diálogo divulgado está fora de contexto e não se refere ao convênio objeto da investigação, no valor de R$ 4,45 milhões.

O Ibrasi, de fato, beliscou outros convênios na pasta do Turismo. No total, amealhou algo como R$ 17 milhões desde 2009.

Frederico aportou no ministério em 2003, no alvorecer do primeiro mandato de Lula. Atravessou as gestões de três ministros, em diferentes cargos.

Nomeado por Walfrido dos Mares Guia (à época no PTB), Frederico foi mantido por Marta Suplicy (PT) e pelo sucessor dela na pasta, Luiz Barretto (PT).

Sob o ministro Pedro Novais (PMDB), ministro de Dilma, Frederico foi alçado ao segundo posto na hierarquia do ministério. Com os aplausos do petismo.

Como se vê, Dilma Rousseff tem motivos de sobra para estender suas preocupações para além do problema do uso de algemas. 

Sob pena de a platéia dar razão a Frederico: "O importante é a fachada." 

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Escrito por Josias de Souza às 04h31

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As manchetes desta quinta

- Globo: Tiros em ônibus eram da PM, que reconhece erro

- Folha: Bancos da França e dos EUA levam bolsas para baixo

- Estadão: Cúpula do Turismo deu aval a fraude em convênios

- Correio: Supremo manda nomear aprovados em concurso

- Valor: Perda de valor de bancos no exterior inquieta o governo

- Estado de Minas: Falta de gasolina fará preço subir em Minas

- Jornal do Commercio: O trânsito do futuro

- Zero Hora: Ministro reabre debate sobre uso de algemas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h50

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Espécie em expansão!

Angeli

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Escrito por Josias de Souza às 01h22

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Dilma se opõe ao reajuste do Judiciário e irrita o STF

Roberto Stuckert Filho/PR

Já às voltas com dificuldades para assegurar a fidelidade de seus aliados no Congresso, Dilma Rousseff comprou uma briga com o Poder Judiciário.

Em reunião com os comandantes dos partidos do condomínio governista, Dilma pediu que evitem aprovar no Legislativo propostas que elevem os gastos públicos.

Mencionou especificamente o pedido de reajuste salarial dos magistrados e servidores do Judiciário, uma demanda do STF.

O blog ouviu dois ministros do Supremo sobre a recomendação da presidente aos partidos. Ambos reagiram com indisfarçável irritação.

Falando para os líderes e presidentes de legendas que integram o conselho político do governo, Dilma evocou a crise econômica.

Disse que o país está preparado para enfrentá-la sem permitir que haja recessão. Mas ressaltou que nada será feito sem sacrifícios.

Declarou que os “Três Poderes precisam colaborar.” Foi nesse ponto que Dilma injetou o Judiciário na conversa. Foi peremptória ao desrecomendar o reajuste salarial.

Afirmou que a concessão do aumento de 14,8% reivindicado pelo Supremo provocaria um indesejável efeito cascata.

Segundo o relato de polítcos presentes ao encontro, a presidente disse que, historicamente, a elevação das despesas salariais do Estado “começam pelo Judiciário.”

Um dos ministros do STF ouvidos pelo repórter afirmou: “A presidente não está agindo de boa fé. Ela sabe que não estamos pedindo reajuste...”

“...Nossa demanda é pela reposição de perdas impostas pela inflação. Uma inflação que o governo dela não vem conseguindo debelar como deveria.”

O outro ministro ironizou: “Com tantos casos de corrupção, parece até brincadeira. O que atrapalha a gestão das finanças não é a folha salarial, mas os ralos.”

Os ministros do Supremo acabam de aprovar, em reunião administrativa, a proposta de orçamento do tribunal para 2012. Prevê gastos de R$ 614 milhões.

A cifra inclui o pagamento de salários reajustados. No caso dos ministros, se o Congresso deixar, o contracheque vai dos atuais R$ 26.723 para R$ 30.675 mensais.

No encontro com os políticos, Dilma foi ecoada pelo ministro Guido Mantega (Fazenda). Também ele rogou aos congressistas que se abstenham de criar despesas novas.

Mantega pregou contra a chamada PEC 300, a proposta de emenda constitucional que cria um piso salarial para bombeiros e PMs de todo país.

De acordo com a reprodução feita por líderes que estiveram no encontro, o ministro soou em timbre próximo do apocalíptico.

Disse que a aprovação da emenda reivindicada por bombeiros e policiais militares empurraria o Brasil para “dentro da crise internacional.”

Mantega repisou algo que dissera na véspera, no plenário da Câmara: a crise iniciada nos EUA e na Europa deve ser duradoura. Emendou: “Não gastem, não gastem.”

Na contramão do discurso da parcimônia, um par de líderes lembrou a Dilma que a demora do governo em liberar as verbas de emendas parlamentares conspurca o ambiente no Congresso.

Presente à reunião, a ministra Ideli Salvatti, gestora do balcão, lembrou que já obteve da Fazenda o compromisso de liberar uma parte.

Dias atrás, Ideli falara em R$ 1 bilhão em emendas, R$ 150 milhões dos quais imediatamente.

Os aliados do governo desejam mais, muito mais. Exigem do Planalto a liberação de algo entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões.

Para não azedar a reunião além do necessário, evitou-se mencionar a sucessão de denúncias que eletrificam a Esplanada dos Ministérios.

Tampouco foi citada a operação deflagrada na véspera pela Polícia Federal, que resultou na prisão de integantes da cúpula do Ministério do Turismo.

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Escrito por Josias de Souza às 23h03

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Liderados por PMDB, aliados de Dilma param Câmara

Wilson Dias/ABr

Em movimento encabeçado pelo PMDB, os partidos do condomínio governista paralisaram a Câmara nesta quarta (10).

Para enviar um "recado" a Dilma Rousseff, os aliados do Planalto decidiram não dar as caras no plenário. Nada foi votado.

Instrumento normalmente utilizado pela oposição, a obstrução da pauta de votações foi urdida na noite da véspera, em reunião da cúpula do PMDB.

Deu-se nas pegadas da operação da PF que levou ao cárcere, junto com outras 35 pessoas, o ex-deputado Colbert Martins, do PMDB da Bahia.

Prisão injustificada, alega o PMDB. Um abuso, já que o escândalo sob investigação é de 2009 e Colbert foi nomeado para o Ministério do Turismo há cinco meses.

Contactados, os líderes de outros partidos governistas aderiram instantaneamente à paralisação. E o plenário converteu-se em território baldio.

O deputado Chico Alencar (RJ), líder do PSOL, ironizou no twitter:

A crise política chegou aqui na Câmara: brigas da base do governo deixam plenário vazio e sem votação em plena quarta-feira.”

Alencar escrachou: "Em casa em que roubam o pão, todo mundo grita e ninguém tem razão. O povo sabe das coisas.”

A adesão à tática do PMDB proliferou contra um pano de fundo que inclui a irritação dos congressistas com a demora do Planalto em liberar suas emendas orçamentárias.

Curiosamente, o grito da tribo aliada foi lançado na direção do Planalto no dia em que Dilma reuniu os líderes e presidentes dos partidos que supostamente a apoiam.

No encontro, a presidente pediu aos “aliados” que se portem com “responsabilidade” diante da crise econômica que vem do exterior. Por ora, não foi atendida.

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Escrito por Josias de Souza às 22h22

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TCU bloqueia conta da ONG dos malfeitos do Turismo

  João Wainer/Folha

Por determinação do ministro Augusto Nardes, do TCU, foi bloqueada na Caixa Econômica Federal a conta do Ibrasi.

Trata-se daquele instituto que se encontra no centro do inquérito que apura desvios no Ministério do Turismo e levou a PF a deflagrar a Operação Voucher.

Na investigação em curso, apura-se a malversação de parte de um convênio de R$ 4,45 milhões. O problema é que há outros.

Sim, caro contribuinte, o governo continua entregando verbas subtraídas do seu bolso ao suspeito Ibrasi.

O caso que está sendo esquadrinhado pelo Ministério Público e pela PF é de 2009. O bloqueio do TCU refere-se a outro convênio, de 2010. Coisa de R$ 5 milhões.

Desse total, R$ 4 milhões já haviam migrado das arcas do Turismo para a conta do Ibrasi na Caixa. Daí o bloqueio ordenado pelo TCU.

O ministro Nardes também ordenou ao ministério que se abstenha de realizar novos repasses.

Nos dois casos, o de 2009 e o de 2010, a verba foi pendurada no Orçamento da União por emendas da deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP).

Verificou-se no Amapá que os cursos de qualificação profissional na área de turismo contratados pelo ministério em 2009 simplesmente não foram ministrados.

Os primeiros R$ 4,45 milhões repassados pelo governo foram carreados pelo Ibrasi a empresas de fancaria. Algumas tinham diretores da ONG como sócios.

A despeito das evidências de malfeito, o ministério liberou as verbas. A última parcela saiu neste ano da graça de 2011, já sob Dilma Rousseff.

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Escrito por Josias de Souza às 20h59

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Cevado pelo BNDES, Friboi fecha 3 unidades e demite

O grupo JBS-Friboi, um dos maiores produtores de carne do mundo, fechou três curtumes –dois em São Paulo, um no Mato Grosso do Sul.

A empresa também reduziu o tamanho de um frigorífico sulmatogrossense. Nos quatro lances, foram ao olho da rua 1.025 trabalhadores.

A responsabilidade pelas demissões foi transferida para o governo. O Friboi alega problemas tributaries. Quais? Não especifica.

Quanta ingratidão! O mesmo Friboi que alveja o fisco mantém com o governo federal, desde 2009, uma próspera parceria.

O velho e bom BNDES borrifou R$ 3,2 bilhões na caixa registradora do Friboi. Injetou mais R$ 2,5 bilhões no frigorífico Bertin, adquirido pelo Friboi.

Quando a empresa estendeu os seus negócios aos EUA, emitiu R$ 3,4 bilhões em debêntures. O BNDES comprou 99,9% do papelório.

Quer dizer: o Estado não é responsável pelas demissões, mas sócio do infortúnio dos 1.025 brasileitos que perderam o contracheque que lhes permitia encher a geladeira.

No mês passado, o empresário José Batista Jr., conhecido como Júnior do Friboi, filiou-se a um partido político. Planeja disputar o governo de Goiás em 2014.

Júnior sentou praça, veja você, no PSB, o partido "socialista" do governador pernambucano Eduardo Campos.

Ou seja: no mundo da política, Júnior do Friboi é um neosocialista. No universo empresarial, é um capitalista à brasileira.

Com uma mão apanha verbas públicas. Com a outra, socializa os prejuízos.

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Escrito por Josias de Souza às 20h19

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Turismo: ouvidos, 18 presos são liberados no Amapá

  Divulgação
Dezoito pessoas presas pela Polícia Federal na Operação Voucher já foram liberadas. Outras 18 permanecerão na cadeia “por tempo indeterminado”.

O grupo que permanece no Iapen (Instituto de Administração Penitenciária do Amapá) inclui integrantes da cúpula da pasta do Turismo.

Entre eles o secretário-executivo Frederico Silva da Costa (na foto); o ex-secretário-executivo Mário Moyses, ligado à senadora petista Marta Sulicy...

...E o secretário Nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Coubert Martins, um ex-deputado do PMDB baiano nomeado em março.

O inquérito corre em segredo. Mas, a pedido do Ministério Público, a Justiça Federal autorizou nesta quarta a divulgação dos nomes dos presos.

A lista foi levada à página da Procuradoria da República no Amapá. Traz apenas os nomes, sem esmiuçar os cargos e atividades exercidas por cada um.

Os presos foram divididos em dois grupos. Num, os 18 que foram alvejados por mandados de prisão temporária. São esses que, ouvidos, foram ao meio-fio.

Noutro grupo, os 18 que tiveram decretada a prisão preventiva. Esses permanecerão em cana mesmo depois de inquiridos. Por quê?

A Procuradoria alega que “a medida é necessária para garantir a manutenção da ordem pública e para que os envolvidos não interfiram nas investigações”.

No total, foram expedidos 38 mandados de prisão. A PF informara na terça (9) que lograra prender 35. A lista divulgada pela Procuradoria atualiza a conta: 36.

As prisões foram efetivadas por cerca de 200 agentes da PF em quatro praças: São Paulo, Brasília,  Curitiba e Macapá.

Os detidos noutras localidades desembarcaram na capital amapaense às 23h de terça (9). Antes de depor, foram submetidos a “exame médico pericial”

Vão abaixo, os nomes divulgados pelo Ministério Público na capital do Amapá.

- Continuam presos: 1) Frederico Silva da Costa, 2) José Carlos Silva Júnior, 3) Colbert Martins da Silva Filho, 4) Dalmo Antônio Tavares Queiroz…

5) Francisca Regina Magalhães Cavalcante, 6) Freda Azevedo Dias, 7) Gláucia de Fátima Matos, 8) Hugo Leonardo Silva Gomes…

9) Kátia Terezinha Patrício da Silva, 10) Kérima Silva Carvalho, 11) Luciano Paixão Costa, 12) Mário Augusto Lopes Moyses…

13) Jorge Kengo Fukuda, 14) Katiana Necchi Vaz Pupo, 15) Maria Helena Necchi, 16) Luiz Gustavo Machado e 17) Sandro Elias Saad e 18) Wladimir Silva Furtado.

- Foram liberados: 1) Hellen Luana Barbosa da Silva, 2) Alberto Luchetti Neto, 3) Dante Torelo Matiussi, 4) Gerusa de Almeida Saad…

5) Irene Silva Dias, 6) Paula Gama Ribeiro Leite Saad, 7) Alexandre Ferreira Cardoso, 8) Antonio dos Santos Junior, 9) Fabiana Lopes de Freitas…

10) Fábio de Mello, 11) Fernando Rwer do Nascimento, 12) Eduardo Alves Fayet, 13) Luiz Fernando Ferreira…

…14) Uyara Débora Schimidtt, 15) David Lorrann Silva Teixeira, 16) Merian Guedes de Oliveira, 17) Errolflyn de Souza Paixão e 18) José Luiz Nogueira Marques.

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Escrito por Josias de Souza às 19h04

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Governo questiona PF por uso de algemas no Turismo

  Sérgio Lima/Folha
Superior hierárquico da Polícia Federal, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) endereçou um ofício ao departamento policial.

No texto, Cardozo pede que lhe sejam enviadas, “em caráter de urgência”, explicações sobre o uso de algemas nas prisões da Operação Voucher.

"Caso constatada qualquer infração às regras em vigor, determino a abertura imediata dos procedimentos disciplinares cabíveis", anotou o ministro.

O governo não gostou do espetáculo da PF. Desgostou sobretudo das cenas em que autoridades do Ministério do Turismo aparecem com algemas nos pulsos.

Na foto acima, por exemplo, aparece o secretário-executivo Frederico Silva da Costa, o segundo do ministro pemedebê Pedro Novais (Turismo).

Em manifestação da véspera, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, já havia considerado inadequado o emprego de algemas.

O Supremo editar, em 2008, uma súmula que disciplina a matéria. Condiciona o uso de algemas à resistência do preso ou ao risco de agressão ao policial.

Bom que o governo se preocupe com os métodos de sua polícia. Melhor ainda se tiver preocupação semelhante com o mérito das suspeitas que levaram às prisões.

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Escrito por Josias de Souza às 18h00

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Rossi atribui livre acesso do lobista Fróes a ‘descuido’

Alan Marques/Folha

Uma semana depois de se explicar na Câmara, o ministro Wagner Rossi falou à comissão de Agricultura do Senado.

No intervalo entre os dois depoimentos, surgiu uma encrenca nova. Antes, a pedra no sapato era Oscar ‘Ali Só Tem Bandido’ Jucá Neto.

Agora, o pedregulho chama-se Júlio Fróes, aquele lobista que, com sala no ministério, fazia e acontecia na comissão de licitação.

Perguntou-se ao ministro por que “doutor Júlio”, como o lobista é conhecido na pasta, tinha livre acesso à entrada privativa de autoridades.

Rossi disse que pode ter havido “descuido”. Que ele atribuiu ao espírito acolhedor de sua equipe. Vale a pena ouvir o ministro:

"Nunca me preocupei com isso [a triagem no acesso]. Tenho uma equipe maravilhosa de pessoas que trabalham lá [na portaria]...”

“…[…] Eles são muito acolhedores, talvez tenha tido esse descuido. Mas eu não posso assumir a responsabilidade de controlar a portaria."

No início da semana, em entrevista, Rossi dissera que também não tem como controlar a turma que trabalha nos andares de cima.

O ministro talvez devesse considerer a hipótese de controlar alguma coisa na pasta que supostamente dirige.

- Em tempo: o lobista Fróes, tão bem acolhido na Agricultura, já puxou três anos de cana por tráfico de drogas.

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Escrito por Josias de Souza às 16h21

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Acha que a sua vida está ruim? Acredite, há bem pior

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Escrito por Josias de Souza às 15h45

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Em palestra, Lula volta a falar em '8 anos' para Dilma

  Marcello Casal/ABr
Luiz ‘Viajando’ Inácio ‘Palestrante’ da Silva passou pelo Rio de Janeiro na noite passada.

Proferiu palestra –dessa vez sem remuneração— na celebração dos 30 anos do Ibase, o instituto fundado por Betinho.

Lero vai, lero vem Lula, que costuma enxergar hostilidade nas vírgulas do noticiário, disse que Dilma Rousseff é elogiada hoje por quem a criticava ontem:

"Tem muita gente hoje elogiando a Dilma, mas que outro dia dizia que ela não podia ser presidenta porque ela nunca tinha feito política…”

“…Dizem: ela é boa. Eu já sabia que ela é boa. Dizem que ela é diferente do Lula. Eu também já sabia. Nós convivemos oito anos."

A alturas tantas, o personagem cuja movimentação confunde-se com o desejo de retorno, deu a entender que torce pela reedição de Dilma.

Sem mencionar especificamente a reeleição, Lula disse esperar que “os oito anos” de Dilma sejam melhores que os seus dois reinados.

Jactou-se, como de hábito, de ter sido o presidente que mais abriu universidades e escolas técnicas.

Porém, sempre magnânimo, declarou que deseja ser batido: "Espero que a Dilma me derrote logo."

Terminado o encontro com o microfone, o ex-soberano esbarrou com a imprensa. Foi inquirido sobre o escândalo do dia, agora na pasta do Turismo.

Tomado pelas palavras, não gostou do espetáculo provido horas antes pelas duas centenas de agentes que a Polícia Federal mandou às ruas:

"Na medida em que você tem uma denúncia, você investiga. A única coisa que eu me queixava quando era presidente, e eu me queixo agora, é o seguinte:…”

“…Tem dez acusados, tem oito culpados e dois são inocentes, você diga que tem dois inocentes e condene os oito culpados…”

“…Muitas vezes, a devassa é feita antes de provar se as pessoas cometeram todos os delitos."

Presidente, Lula espinafrava o TCU. Enxergava os auditores do tribunal de contas como empata-obras. A profusão de escândalos produziu uma metamorfose:

"Eu acho que o Tribunal de Contas age com seriedade, que a Controladoria Geral da União age com seriedade, que a Polícia Federal age com seriedade…”

“…E acho que as pessoas têm que botar na cabeça definitivamente uma coisa:…”

“…A única chance que você tem de não ser investigado no Brasil é você não cometer nenhum delito."

Poderia ter acrescentado: se os governos sonegassem aos malfeitores o acesso ao cofre, a tentação de cometer o delito seria bem menor.

O malfeito sob investigação no Turismo, a propósito, é de 2009, penúltimo ano do segundo reinado.

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Escrito por Josias de Souza às 06h27

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Ministro Marco Aurélio, do STF, critica uso de algemas

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, criticou a utilização de algemas na operação da Polícia Federal que alvejou o Ministério do Turismo.

Em comentário reproduzido na Folha, lembrou: o STF decidira, em 2008, que o adereço só deve ser usado nos casos em que houver risco de fuga ou de agressão.

Fora disso, as algemas representam o que o ministro chama de "pena moral". Embora se declare um “entusiasta das ações da PF, Marco Aurélio pondera:

"Nada justifica tal extravagância." O ministro tem razão. Porém…

…Porém, conviria estender a crítica a PMs e policiais civis. No Brasil sem pedigree, a “pena moral” das algemas é regra, não exceção.

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Escrito por Josias de Souza às 05h20

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Dilma Rousseff é inquilina de um Planalto terceirizado

Lula Marques/Folha

Inaugurado junto com a redemocratização do país, em 1985, o modelo que prevê a troca de governabilidade por favores políticos e monetários faliu.

Em 26 anos, o fisiologismo patrimonial evoluiu da conveniência momentânea para um sistema político que pode ser definido como presidencialismo cleptocrata.

Todos os governos que vieram depois da ditadura serviram-se do modelo. Algo que fez de Brasília uma cidade sem culpados. Na capital, só há inocentes e cúmplices.

Na letra fria da Constituição, Dilma Rousseff é presidente da República. Na prática, é mera inquilina de um Planalto terceirizado, sob consentimento do sistema.

Improvisada na política, dona de perfil técnico, Dilma faz cara de nojo. Embora pareça sincero, o asco da presidente converte-se rapidamente em pantomima.

Por razões diversas, Fernando Collor também torcera o nariz para o sistema. Quis monopolizar o resultado dos malfeitos para si e para seu grupo. Foi derrubado.

Em oito meses, Dilma assistiu à conversão de seis ministérios em escândalo. De início, simulou rigor. Conteve o ímpeto quando a sujeira achegou-se ao PMDB.

O último presidente a negligenciar o PMDB havia sido Lula. Produziu-se um escândalo maior: o mensalão. No segundo mandato, o patrono de Dilma rendeu-se à sigla.

O penúltimo escândalo que chega às manchetes carrega peculiaridades que ajudam a entender a metástase que faz o melado escorrer a céu aberto.

No centro da encrenca seminova está o Ministério do Turismo. Uma pasta chefiada por Pedro Novais, um obscuro deputado federal do PMDB do Maranhão.

Novais integra o grupo do senador José Sarney (PMDB-AP). O mesmo Sarney que, em 1985, herdou os compromissos políticos de Tancredo Neves, implementando-os.

Hoje, Sarney opera do outro lado do balcão. Defende Novais, embora diga que não tem a ver com sua nomeação.

O ministro alega que tampouco ele tem a ver com os desvios.O Palácio do Planalto dá razão a Novais. O convênio tóxico é de 2009. Nessa época, o PT dava as cartas no Turismo.

Parte dos presos da Polícia Federal foi empurrada para dentro da equipe de Novais por Antonio Palocci (Casa Civil), à época um escândalo esperando para acontecer.

Como já mencionado, não há culpados em Brasília. A própria Dilma, ex-gerente de toda a gestão Lula conhece a metástase por dentro. Mas é inocente. Ou cúmplice.

Ela talvez preferisse chamar a cleptocracia criada pelos antecessores de herança maldita. A conveniência e a passagem pelo governo Lula a impedem de fazê-lo.

- Em tempo: O texto acima, do signatário do blog, está publicado na Folha desta quarta (10).

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Escrito por Josias de Souza às 04h27

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As manchetes desta quarta

- Globo: PF prende 35 no Turismo, e governo reclama de 'abuso'

- Folha: Devassa no Turismo leva PF a prender 35 pessoas

- Estadão: PF prende 35 em escândalo no Ministério do Turismo

- Correio: Turismo atrás das grades

- Valor: Pânico cria 'pechinchas' na bolsa

- Estado de Minas: Dia de faxina em Brasília

- Zero Hora: Abalo global - Dilma pede a aliados ajuda contra crise

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h53

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Reunião Ministerial!

Sinfrônio

- Via 'Diário do Nordeste'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h01

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Ideli: aliança PMDB-PT é ‘espinha dorsal do governo’

Fotos: Sérgio Lima/Folha e Fábio Pozzebom/ABr

Ao acionar seus agentes para cumprir mandados de prisão no Ministério do Turismo, a Polícia Federal não recebeu uma mísera palavra de estímulo do governo.

O Planalto peocupou-se em prestigiar o principal parceiro político de sua coligação. Batizada de Operação Voucher, a ação policial inspirou uma iniciativa paralela.

Após reunião palaciana conduzida por Dilma Rousseff, o governo deflagrou o que um auxiliar da presidente chamou de “Operação Amansa PMDB.”

Enviada ao Senado, a ministra Ideli Salvatti, operadora do balcão, reuniu-se com os senadores do PMDB.

Apressou-se em avisar que a solidariedade de Dilma com a legenda, no comando da pasta do Turismo, é “irrestrita.”

Ideli ouviu dos senadores, entre eles o líder Renan Calheiros (PMDB-AL), críticas ao suposto "abuso" da Polícia Federal.

Munida de panos quentes, Ideli disse a ação da PT surpreendera a própria Dilma. Segundo a versão da ministra, o Planalto não foi informado da ação.

Dilma só soube do que estava por vir no início da manhã. Quando o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) lhe contou, já estavam em campo os 200 agentes que a PF destacou para realizar as prisões. 

À saída do encontro com os senadores, Ideli declarou que o governo não toleraria eventuais excessos da Polícia Federal.

Antes, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), petista como Ideli, havia tocado o telefone para o colega Pedro Novais (Turismo).

Gleisi disse ao ministro pemedebê que a ação da PF não o tinha como alvo. Referia-se a convênio celebrado em 2009, ainda na gestão Lula.

Comandate licenciado do PMDB, o vice-presidente Michel Temer obtivera a mesma informação numa conversa telefônica com o ministro Cardozo.

Superior hierárquico da PF, o petista da Justiça dissera a Temer que, além de ser de 2009, a encrenca envolvia gente do PT.

Em telefonemas a lideranças do PMDB, Temer cuidou de calibrar-lhes a reação. Até então, a atmosfera era de franca animosidade.

A tribo dos pemedebê tomava as prisões do Turismo como um plano do Planalto para adensar a atmosfera de desgaste iniciada com as denúncias da Agricultura.

Na Agricultura, alvejaram-se dois expoentes do partido: Romero Jucá, que teve o irmão Oscar Jucá Neto demitido da Conab; e Temer, padrinho do ministro Wagner Rossi.

No Turismo, imaginava o PMDB, desceria à vala comum José Sarney, que endossou a indicação do deputado maranhense Pedro Novais para a posição de ministro.

Desfeito o mal-estar, os líderes do PMDB puseram-se a realçar que a investigação se referia a uma fase em que o PT dava as cartas no Turismo.

O problema é que há entre os 35 presos um ex-deputado do PMDB baiano, Colbert Martins, secretário Nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo.

Embora nomeado em março de 2011, Colbert foi recolhido ao `PF's Inn' por conta da encrenca de 2009. Liberou a última parcela de um convênio micado de R$ 4,45 milhões.

Havia pareceres técnicos recomendando a liberação, alerdeou a cúpula do PMDB. A prisão seria parte do abuso de que falaram os senadores a Ideli. Porém...

...Porém, afagado pelas ministras petistas de Dilma e orientado por Temer, o PMDB passou a atribuir o suposto excesso ao Ministério Público e à Justiça, não mais ao Planalto.

À noite, como lhe pedira Gleisi mais cedo, Pedro Novais divulgou nota na qual informa sobre a suspensão de convênios e a requisição de auditoria da CGU.

Parte dos presos foi transferida de Brasília para Macapá, onde corre o inquérito que apura os malfeitos do Turismo.

A imagem de um Colbert algemado (lá no alto, na foto do centro), sendo conduzido ao avião que levou os presos à capital do Amapá, voltou a acender o pavio do PMDB.

Para os líderes do partido, a cena injetou humilhação no abuso. As primeiras críticas, porém, soaram em privado.

Ao final do dia, a “Operação Amansa PMDB” revelou-se um sucesso. O episódio expôs, contudo, a tensão e a desconfiança que permeiam as relações do partido de Temer com a legenda de Dilma.

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Escrito por Josias de Souza às 23h18

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Mantega aos deputados: ‘Crise deve durar dois anos’

- Aqui, mais detalhes do debate ocorrido no plenário da Câmara. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 22h09

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Bovespa sobe 5,10% e recupera um naco das perdas

O mundo é o mesmo. A crise não se alterou. EUA e Europa continuam às voltas com suas encrencas econômicas.

A despeito de tudo, as bolsas de valores do Ocidente fecharam em alta nesta terça (9). Na de São Paulo, a subida foi de 5,10%. A maior desde outubro de 2009.

Embora alvissareira, a elevação não cobriu os prejuízos dos investidores. A queda da véspera fora de 8%. No mês, o prejuízo soma 13%.

Houve alívio também nos EUA. O Dow Jones, principal índice da bolsa de Nova York, subiu 3,98%.

Considerando-se a (i)lógica que norteia os negócios em bolsa, as altas momentâneas não podem ser tomadas senão como espasmos.

Aproveitando-se da corrosão que levou ações de empresas sadias à bacia das almas, os investidores foram às compras.

Nos EUA, a redução da nota da dívida decretada pela agência Standard & Poor’s, não impediu que o papelório americano fosse visto como porto seguro.

Como sempre, quem fugiu das bolsas aportou recursos preferencialmente nos títulos americanos e no dólar. Sinal de que o mote que motivara o pânico era frágil.

No Brasil, não havia razões para a queda. Ainda assim, a bolsa entrou em surto. Quer dizer: nada impede que volte a surtar.

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Escrito por Josias de Souza às 20h28

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Ideli sai em defesa do ministro do Turismo, do PMDB

Antonio Cruz/ABr

A exemplo do que fizera com o ministro Wagner Rossi (Agricultura), o Planalto apressou-se em defender o Pedro Novais (Turismo).

Rossi e Novais têm em comum a filiação ao PMDB, sócio majoritário do condomínio governista, ao lado do PT.

Coube à ministra petê Ideli Salvatti, gestora do balcão, excluir Novais da fogueira que começou a arder no Turismo nesta terça (9):

“Até onde sabemos a operação teve como origem um convênio de 2009, portanto, o ministro Pedro Novais não teria tido qualquer participação.”

Em 2009, governo Lula, respondia pela pasta o sociólogo Luiz Eduardo Pereira Barreto Filho. Era o secretário-executivo da petista Marta Suplicy. Herdou-lhe a cadeira.

O convênio que resultou em escândalo foi firmado pela Secretaria Nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo.

Chefiava o órgão Frederico Silva da Costa. Nomeado ministro por Dilma, o pemdebê Novais acomodou-o na secretaria-executiva do ministério. Hoje, é um dos presos.

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Escrito por Josias de Souza às 18h19

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Nomeado há 5 meses, ex-deputado termina na cadeia

  Ag.Câmara
A ocupação de cargos públicos tornou-se atividade de alto risco. O ex-deputado federal Colbert Martins (PMDB-BA) se deu conta dessa evidência da pior forma.

Barrado nas urnas de 2010, Colbert foi indicado pela bancada de seu Estado para a Secretaria Nacional do Desenvolvimento de Programas de Turismo.

Foi nomeado, sob Dilma Rousseff, em 9 de março. Nesta terça (9), Colbert “celebra” na cadeia o aniversário de cinco meses de exercício do cargo federal.

Colbert frequenta a lista dos 38 detidos pela Polícia Federal como um ponto fora da curva. Foi à garra por conta de um convênio celebrado em 2009, so Lula.

Por quê? Alcançado por um amigo do PMDB no ‘PF’s Inn’, onde se encontra, Colbert disse ter assinado a liberação da última parcela do convênio. Coisa de R$ 800 mil.

O pedido de liberação chegou-lhe à mesa instruído. Trazia parecer da consultoria jurídica do Ministério do Turismo, autorizando o pagamento. E Colbert rubricou.

Graças a esse jamegão, teve a prisão requerida pelo Ministério Público Federal, deferida pela Justiça Federal e executada pela Polícia Federal.

A presença de Colbert no rol dos presos ateou revolta no consórcio partidário que dá suporte congressual ao governo Dilma Rousseff.

Até o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), protestou: "Acho que houve abuso de poder do Judiciário e do Ministério Público."

Herique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB, ecoou: "Isso é um absurdo. Ele foi preso sem nem saber o porquê, sem nem ter sido ouvido…”

“…Esse procedimento não é correto, não faz parte do Estado democrático de direito."

Colega de Colbert no PMDB baiano, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, hoje vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, recolhe um paralelo nos EUA.

“Se forem corretos”, diz Geddel, “o procurador e o juiz fariam com Colbert o que foi feito com o Strauss-Kahn em Nova York.”

Refere-se ao caso do ex-mandachuva do FMI. Acusado de estuprar uma camareira, ele teve a prisão relaxada depois que a acusação revelou-se frágil.

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Escrito por Josias de Souza às 17h13

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Desvios no Turismo são estimados em ‘R$ 4 milhões’

Chama-se Celso Leal o procurador que representa o Ministério Público Federal no caso que arrastou o Minitério do Turismo para o noticiário dos escândalos.

Lotado no Amapá, o procurador informou que os desvios sob investigação são estimados em R$ 4 milhões.

Deve-se ao TCU, segundo Leal, a descoberta dos indícios de malfeito. Envolvem um convênio celebrado em 2009, ainda sob Lula.

Numa ponta, a pasta do Turismo. Na outra, o Ibrasi, instituto sediado em São Paulo. Entre os dois, a Viúva.

Liberou-se a verba da veneranda e desprotegida Senhora a pretexto de financiar cursos profissionalizantes no setor turístico.

Segundo o procurador, o dinheiro foi direcionado por emendas de parlamentares e os cursos jamais ocorreram.

O convênio foi "uma grande fraude para desviar dinheiro do ministério", diz Leal.

Daí a Operação Voucher, levada ao asfalto pela Polícia Federal nesta terça (9), com a execução de 38 ordens de prisão.

O procurador Celso Leal avalia que, tomados os depoimentos dos presos, o inquérito da PF sera concluído em duas semanas.

Depois, serão protocoladas na Justiça as ações penais e por improbidade administrativa contra os envolvidos.

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Escrito por Josias de Souza às 15h06

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PF prende o ‘segundo’ da pasta do Turismo e mais 37

 

Num instante em que Brasília vive em ritmo de escândalo –o de ontem atropelando o de anteontem—, a Polícia Federal prendeu 35 pessoas (há mais três mandados de prisão por cumprir).

Encabeça a lista o secretario-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, o segundo do ministro Pedro Novais (PMDB).

Foi à garra também o ex-secretário-executivo Mário Moyses. Ligado ao PT, foi o segundo da pasta na gestão de Marta Suplicy, sob Lula.

O rol de detidos inclui ainda o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo. Chama-se Colbert Martins. É ex-deputado do PMDB da Bahia.

Em operação batizada de Voucher, a PF enviou ao asfalto 200 agentes. Portavam 19 mandados de prisão preventiva e outros 19 de prisão temporária.

A encrenca tem origem no Amapá. Envolve a malversação de verbas liberadas por meio de emendas penduradas no Orçamento por congressistas.

Dinheiro supostamente destinado ao treinamento de mão-de-obra.

Além dos figurões do Turismo, há entre os presos empresários e diretores do Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável).

O Ibrasi recebia verbas do Turismo para, em tese, ministrar cursos de qualificação profissional.Recebia as verbas.

Esse penúltimo escândalo chega às manchetes numa fase em que Brasília ainda tentava responder: que sabão lava mais branco, o dos Transportes ou o da Agricultura?

Súbito, o ministro Pedro Novais, que se encontrava em São Paulo, foi chamado à Capital para explicar a sujeira do Turismo.

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Escrito por Josias de Souza às 11h24

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TCU diz que comandante do Exército favoreceu firmas

  Leonardo Carvalho/Folha
Relatório do TCU elaborado em junho afirma que o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, favoreceu empresas ligadas a militates.

De acordo com o documento, os contratos foram celebrados sem licitação à época em que Enzo respondia pelo departamento de Engenharia do Exército (2003-2007).

Auditores do tribunal varejaram 200 contratos. Envolvem obras rodoviárias, tocadas pelo Exército com verbas do Dnit, o famigerado órgão da pasta dos Transportes.

Detectaram-se 27 convênios firmados pelo Exército com a Fundação Ricardo Franco. Coube à entidade subcontratar as empresas que tocaram as obras.

No total, R$ 85 milhões em quatro anos. Pelas contas do TCU, pelo menos R$ 15 milhões desceram irregularmente à caixa registradora das firmas de militares.

Há casos de obras contratadas e não entregues. Há também duplicidade de pagamentos (empresas diferentes receberam pela mesma obra).

Ouvido, o Comando do Exército informou que será instaurada uma “tomada de contas especial" para verificar se houve dano à bolsa da Viúva.

A atuação do comandante Enzo no setor de engenharia é perscrutada também em inquérito aberto pela procuradora Cláudia Luz.

Nesse processo, o general frequenta a grelha na companhia de outros sete oficiais.

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Escrito por Josias de Souza às 06h58

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Para Roberto Jefferson, Jobim virou um presidenciável

  Capa do CD de Jefferson
Maior partido do Brasil, o PMDB está sempre nos subúrbios da plenitude. Nunca chega à Presidência da República. Prefere terceirizar o poder.

Presidente do PTB, o deputado cassado Roberto Jefferson, náufrago da canoa Serra-2010, começou a prospectar alternativas para 2014.

A julgar pelo que disse à coluna de Mônica Bergamo, na Folha, Jefferson viu nascer no PMDB uma alternativa. Leia:


- Jobim 2014: O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, acha que, com a crise que o derrubou do Ministério da Defesa, Nelson Jobim se torna "um nomão para disputar a eleição presidencial em 2014 pelo PMDB".

- Elle de volta? Jefferson também diz não acreditar que seu PTB consiga viabilizar um nome para tentar a Presidência. E emenda: "Eu gostaria que o Collor disputasse, mas ele não se anima. Quer ficar senador. Já disse a ele: 'A hora que você quiser, é seu'".

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Escrito por Josias de Souza às 05h36

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Para exibir força, PMDB leva 1.200 prefeitos a Brasília

Alan Marques/Folha

Temido pelo tamanho de suas bancadas no Congresso, o PMDB prepara-se para exibir em Brasília sua musculatura nacional.

O partido do vice-presidente Michel Temer levará à Capital os seus prefeitos e veradores. Só os prefeitos são contados em cerca de 1.200.

O encontro deve ocorrer em 15 de outubro. Vinha sendo organizado com o propósito de discutir a estratégia da legenda para as eleições municipais de 2012.

Ganhou nova serventia depois que o Ministério da Agricultura, controlado pelo PMDB, escalou o noticiário nas páginas dedicadas aos escândalos.

Ao expor em vitrine nacional sua força municipal, o PMDB relembra aos interessados que continua sendo um parceiro atraente para a sucessão presidencial de 2014.

Sócio majoritário do condomínio governista, ao lado do PT de Dilma Rousseff, o PMDB fixou uma meta para o ano que vem.

Deseja reter as 1.200 prefeituras que amealhou em 2008 e conquistar outras 200. Se for bem sucedido, vai a 1.400.

Afora a intenção de elevar o número de candidatos próprios, o partido deseja ampliar o leque de suas alianças.

Diferentemente do PT, que proíbe a associação com legendas de oposição, o PMDB não fará restrições às coligações com PSDB e DEM.

No gogó, as lideranças do partido dizem que darão prioridade às parcerias com o PT.

Longe dos refletores, flerta-se com a oposição. De resto, Temer achega-se ao PSB do governador pernambucano Eduardo Campos.

Amigo de Lula, Campos olha para 2014 como uma janela de oportunidades. Sonha com uma candidatura presidencial. Na pior hipótese, uma vice.

Noutros tempos, Campos questionava a hegemonia exercida por PMDB e PT no consórcio que dá suporte ao governo. Hoje, faz mais ressalvas ao petismo.

Em São Paulo, a cidade mais cobiçada, Lula tenta atrair o PMDB para um projeto conjunto com o PT, de preferência liderado pelo ministro Fernando Haddad (Educação).

A depender de Temer e seu grupo, não haverá acerto. O PMDB oferecerá ao eleitor paulistano o nome do recém-filiado Gabriel Chalita, ex-PSB.

Ainda que as pesquisas indiquem a fragilidade da opção, o PMDB avalia que precisa expor suas alternativas. Em São Paulo e alhures.

Na Bahia, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, hoje vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, tricota com o PSDB de Antonio Inbassahy e o DEM de ACM Neto.

Junta-se à oposição para medir forças com o nome a ser apresentado em Salvador pelo PT do governador Jaques Wagner. Não exclui a hipótese de apoiar o neto de ACM.

No Rio Grande do Norte, o ministro pemedebê Garibaldi Alves (Previdência) negocia alianças municipais com o presidente do DEM federal, José Agripino Maia.

São evidências que atestam a flexibilidade com que o PMDB esboça 2012. Uma maleabilidade que sinaliza para 2014.

Hoje, um pedaço expressivo da cúpula do PMDB enxerga em Dilma Rousseff uma presidente de mandato único.

Se a conjuntura favorecer Dilma, pode-se reeditar a aliança de 2010. Se a conveniência recomendar o contrário, o PMDB quer estar bem posto para se reposicionar.

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Escrito por Josias de Souza às 05h11

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As manchetes desta terça

- Globo: Alerta global - Bolsas assombram mundo

- Folha: Investidor foge para papéis dos EUA e derruba Bolsas

- Estadão: Bolsas repetem queda de 2008 e Brasil promete aperto fiscal

- Correio: Crise atinge bolsas, servidor e ameaça Natal do brasileiro

- Valor: Resposta inicial à crise no país deve ser monetária, e não fiscal

- Estado de Minas: Por que a crise nos EUA assusta tanto

- Jornal do Commercio: Fiat vai gerar 4.500 empregos em Goiana

- Zero Hora: Bolsas têm pior dia desde crise de 2008

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h19

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Corredor da morte!

Humberto

- Via 'Jornal do Commercio'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h51

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Alckmin: Serra ‘é o meu candidato’ à prefeitura de SP

  Gabo Morales/Folha
Berço do tucanato, a cidade de São Paulo tornou-se uma espécie de elefante do PSDB. Para as eleições de 2012, falta-lhe um rajá que o monte.

O governador Geraldo Alckmin disse meia dúzia de palavras sobre o tema no programa de Hebe Camargo. Expressou-se assim:

"Se o Serra quiser ser candidato, é o meu candidato, acho preparadíssimo. Mas isso é uma decisão pessoal, tem que deixar as pessoas decidirem."

Além de Alckmin, a candidatura municipal de José Serra dispõe do efusivo apoio do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Alckmin é ardoroso defensor da realização de prévias. Mas avisa: Se o Serra quiser ser [o candidato], não há necessidade.”

A sinceridade do apoio revela: Serra tornou-se muito impopular entre os partidários de Serra. Derrotado em duas jornadas presidenciais, almeja uma terceira.

E os amigos: não, não, de jeito nenhum. A prefeitura, concentre-se na prefeitura. Esqueça o país, pense no município.

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Escrito por Josias de Souza às 23h03

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Lula critica países ricos e volta a defender o consumo

  Lula Marques/Folha
Lula ‘Viajante’ da Silva passou por Recife nesta segunda (8). Foi ao microfone num encontro de empresários do setor atacadista.

No discurso e em entrevistas, o ex-soberano falou sobre a crise econômica. A exemplo do que fizera em 2008, defendeu o consumo como remédio.

"Confio muito no mercado interno brasileiro e acho que as pessoas devem continuar consumindo…”

“…Claro que consumindo com responsabilidade, sem gastar mais do que podem e, se possível, fazendo uma poupancinha para ajudar no desenvolvimento desse país."

Para Lula, os países ricos cometem grave equívoco ao priorizar os bancos em detrimento de seus mercados:

"É importante que o consumo seja reativado nesses países, porque até agora eu só tenho visto discutirem como salvar os bancos…”

“…E do consumo, que é o que vai girar a economia, está-se falando muito pouco."

Lula serviu-se do discurso a empresários pernambucanos para fustigar Barack Obama. Fez chacota sobre o drama dos EUA:

"Quando eu me reunia com os economistas, eles [os EUA] diziam que a gente ia entrar em default [calote]…”

“…Eu nem sabia que desgraça era default. Agora, eu acho que não é uma coisa boa, pois os Estados Unidos estão pra entrar em default." Ouviram-se risos.

Os repórteres arrastaram Lula para outro tema da moda: a corrupção e o vaivém de ministros. "Isso aí você tem que perguntar pra presidente da República”, fugiu.

Alguém recordou que a oposição atrbui as crises que resultaram na troca de três ministros à herança deixada por Lula à sucessora.

E ele: "Eu acho que a oposição precisa passar por um processo de terapia para poder se encontrar consigo mesma."

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Escrito por Josias de Souza às 20h23

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Mantega admite que a crise pode roer o PIB do Brasil

Na saída de uma reunião da coordenação de governo com Dilma Rousseff, o ministro Guido Mantega (Fazenda) afagou o óbvio.

Admitiu que a crise que infelicita EUA e Europa deve ser longeva e pode levar à revisão da meta de crescimento do Brasil. Para baixo.

Para 2011, a Fazenda trabalhava com a previsão de um PIB no mínimo 4,5% maior. Agora, Mantega recolhe o otimismo: “Não podemos fazer milagre.”

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Escrito por Josias de Souza às 19h45

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Violência se espalha em bairros periféricos de Londres

- O vídeo acima decorre de atualização feita às 22h05. A peça veiculada anteriormente trazia apenas os conflitos ocorridos à luz do Sol.

Aqui, detalhes dessa primeira fase. Aqui e aqui, notícias que incluem os desdobramentos noturnos da onda de violência deflagrada no sábado.

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Escrito por Josias de Souza às 19h20

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Bovespa tem maior tombo desde o fim de 2008: 8,08%

A Bolsa de Valores de São Paulo fechou o pregão desta segunda com uma expressiva queda de 8,08%.

O Ibovespa, índice que mede o volume de negócios, fechou em 48.668. Tombo dessa magnitude não se via desde outubro de 2008, ano da crise global.

Deve-se o infortúnio ao medo que se espraiou pelas bolsas do mundo no primeiro dia de negócios depois que a S&P (Standard & Poor's) rebaixou a nota da dívida dos EUA.

No instante em que a cotação das ações derretia, Dilma Rousseff almoçava no Itamaraty com o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.

Depois do repasto, a presidente foi ao microfone. Ao lado de Harper, repisou a tese segundo a qual o Brasil de 2011 está mais preparado para a crise que o de 2008.

Dilma tachou de precipitada a decisão da agência que rebaixou de AAA para AA+ a nota dos títulos da dívida americana (veja no vídeo lá do alto).

O pânico que pôs a Bovespa de joelhos apenas levou às penúltimas consequências o drama de uma semana que começara mais cedo.

Esta segunda-feira havia sido desenhada na noite de sexta, quando a Standard & Poor's borrifou gasolina na fogueira que arde nos EUA e na Europa.

A crônica do declínio anunciado materializou-se já no fim de semana, no fechamento das bolsas do Oriente Médio.

De madrugada, quando o Brasil ainda dormia, a encrenca deu as caras nas bolsas da Ásia. Como pedras de um dominó macabro, caíram as bolsas da Europa.

Nos EUA, o índice Dow Jones arrostou erosão de 5,5%. A maior queda desde dezembro do fatídico ano de 2008.

Considerando-se a (i)lógica que guia os mercados, não é despropositado supor que, nos próximos dias, aqui e ali, os negócios experimentem alguma recuperação.

Com as ações de grandes companhias ao rés do chão, sempre haverá investidores dispostos a comprar.

Porém, a despeito de eventuais espasmos de alta, o termômetro das bolsas informa que a economia global está mais para o fundo do que para a beira do poço.

Para que o movimento se inverta, os governos dos EUA e Europa terão de se provar capazes de evitar que os dois principais mercados do mundo entrem em recessão.

Por ora, não foram convincentes. Daí o fato de a decisão de uma agência de risco que errou em todas as previsões que fez em 2008 ter virado as bolsas de ponta-cabeça.

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Escrito por Josias de Souza às 18h07

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Rossi atribui denúncias a ‘disputas entre grupos rivais’

Valter Campanato/ABr

O ministro pemedebê Wagner Rossi (Agricultura) concedeu nesta segunda (8) uma concorrida entrevista. Falou sobre as denúncias de corrupção que mantêm sua pasta, antes obscura, pendurada nas manchetes há duas semanas.

Rossi disse que não é “homem de teorias conspiratórias.” Mas não pode se furtar (ops!) de levar em conta a hipótese de a onda de denúncias ser decorrência de uma disputa entre grupos rivais de seu ministério e da Conab, a estatal vinculada à pasta.

"Quem conhece a administração pública sabe que às vezes você muda a equipe, e a equipe anterior e a equipe atual se hostilizam, por baixo do pano. Isso acontece." Antes de virar ministro, sob Lula, Rossi presidira a Conab.

Recordou-se ao ministro que sua equipe é um consórcio partidário. A diretoria da Conab, por exemplo, é coabitada por PMDB, PTB e PT. E Rossi: "Na Conab tem diretores de vários partidos. Isso tem criado problemas, eu não vou negar."

Em 50 minutos de entrevista, o afilhado do vice-presidente Michel Temer esforçou-se para tomar distância dos malfeitos. Eles ocorrem, segundo disse, abaixo do gabinete do ministro: “Eu não tenho como controlar tudo.”

Rossi chegou mesmo a rogar aos jornalistas que, descobrindo irregularidades, informem a ele: "Nós enfrentamos as pessoas que agem para lesar o erário." E quanto à parentela pendurada na folha da Cobab? Para o ministro, a árvore genealógica "não credencia nem descredencia ninguém."

Talvez por falta de tempo, o ministro não chegou a esmiuçar aos repórteres as credenciais do filho do senador Renan Calheiros, da ex-mulher do deputado Henrique Eduardo Alves, do neto do deputado Mauro Benevides, do sobrinho do morto Orestes Quércia.

Absteve-se de repisar as explicações sobre o irmão do senador Romero Jucá. Natural. Já havia declarado, na semana passada, que Oscar Jucá Neto, afastado após liberar R$ 8 milhões a um armazém fantasma, é um “despreparado.”

Sobre o lobista Júlio Fróes, que mantinha sala no andar da comissão de licitação do ministério, Rossi reiterou que não é seu amigo. Disse tê-lo cumprimentado uma mísera vez, ao avistar-se com ele na saída do gabinete ministerial. “Se ele entrar aqui, eu não conheço”, exagerou.

O ministro não declarou, mas, decerto, o lobista que os servidores chamam de “doutor Fróes” saía da sala do secretário-geral quando deu de cara com o titular. Milton Ortolan, o segundo na hierarquia do ministério, amigo de 25 anos de Rossi, demitiu-se no sábado (6).

Saiu depois que o repórter Rodrigo Rangel noticiou que, em conversa gravada, ouviu do “doutor Fróes” a seguinte frase: “Eu tenho gravações que comprometem o Ortolan. Quanto você me paga?”

Rossi alegou que o amigo Ortolan relacionava-se com o lobista porque “doutor Fróes” representava no ministério a Fundasp, fundação mantenedora da PUC-SP. Foi contratada pelo ministério no ano passado. Contrato de R$ 9 milhões, sem licitação.

Embora fosse o representante da contratada, coube ao “doutor Fróes” preparar, em 48 horas, a documentação que instruiu o processo. O caso parece requerer a presença da Polícia Federal. Mas Rossi anunciou a instauração de mera sindicância interna.

Será presidida, segundo disse, por Hélio Saraiva França, corregedor-adjunto da AGU (Advocacia-Geral da União).

Como se vê, a entrevista do ministro foi elucidativa. Ficou-se sabendo que, a exemplo do que sucede nos morros cariocas, há na Agricultura uma disputa de grupos rivais.

O rateio partidário dos cargos “tem criado problemas”. Mas o ministro, que diabos, não tem como “controlar tudo.” Impossível controlar até mesmo o que se passa na sala ao lado, que vinha sendo ocupada pelo amigo Ortolan.

Ficou entendido também que o ministro não é “homem de teorias conspiratórias.” Mas o melhor a fazer é acreditar que está em curso uma grande conspiração. Não ficaria bem para o PMDB, para o padrinho Temer e para o governo a impressão de que foi acomodado na poltrona de ministro da Agricultura um cidadão, no mínimo, atoleimado. Conspiração, só pode ser uma conspiração. 

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Escrito por Josias de Souza às 16h15

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Dilma repete Lula: ‘Não temos de parar de consumir’

Sérgio Lima/Folha

Num instante em que a economia global parece marchar para trás, rumo a 2008, Dilma Rousseff soou como Lula. Pediu aos brasileiros que consumam.

Para que o Brasil se mantenha imune à nova crise, disse Dilma, “é preciso a ação do governo, dos empresários e da sociedade.”

Prosseguiu: “Não podemos brincar, sair por aí gastando o que não temos.” Porém, de olho nas caldeiras do Mercado interno, ponderou:

“Temos que continuar consumindo o que estamos consumindo. Não temos de parar de consumir, porque não passamos por nenhuma ameaça."

O cheiro de Lula era tão forte que um repórter perguntou a Dilma se a crise que assedia 2011 também chegaria ao Brasil como uma marolinha.

Dilma sorriu e disse que não se deixaria levar por provocações.

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Escrito por Josias de Souza às 15h16

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FHC: o ‘dilema’ de Dilma é parecido com o de Obama

Leandro Moraes/UOL

Fernando Henrique Cardoso estabelece, em artigo, uma conexão entre o drama político de Dilma Rousseff e a encrenca econômica de Barack Obama.

Acha que “Dilma está aprisionada em um dilemma do gênero daquele que agarrou Obama.” Com uma diferença:

“Se no caso americano a crise apareceu como econômica para depois se tornar política, em nosso caso ela surgiu como política, mas poderá se tornar econômica.”

Aqui, você encontra a íntegra do artigo do grão-tucano. No arremate, FHC insinua que Dilma precisaria “refazer os sistemas de alianças”.

Qem lê fica com a impressão de que o autor do texto oferece parceria. Vai abaixo a metade final do texto:


…Mal comparando, a presidenta Dilma está aprisionada em um dilema do gênero daquele que agarrou Obama

E nós aqui nesta periferia gloriosa a quantas andamos? Longe do olho do furacão cantamos glória pelo que fizemos, pelo que de errado os outros fizeram e pelo que não fizemos, mas, pensamos, pouco importa, o vendaval do mundo varreu a riqueza de uma parte do globo para outra e nos beneficiou.

Será que é assim mesmo? Será que a proeza de evitar as ondas do tsunami impede que a malignidade do resto do mundo nos alcance? Tenho minhas dúvidas.

Falta-nos, como impuseram os reacionários americanos a Obama, uma agenda, mas que seja nova e não a desgastada do “clube do chá” americano.

A nova agenda existe, está exposta cotidianamente pela mídia e não é propriedade de um partido ou de um governo.

Mas onde está a argamassa, como o antigo ideal americano, para conter as divergências, o choque de interesses, e guiar-nos para um patamar mais seguro, mais próspero e mais coeso como nação?

Mal comparando, a presidenta Dilma está aprisionada em um dilema do gênero daquele que agarrou Obama. Só que, se no caso americano a crise apareceu como econômica para depois se tornar política, em nosso caso ela surgiu como política, mas poderá se tornar econômica.

Explico-me: a presidenta é herdeira de um sistema, como dizíamos no período do autoritarismo militar.

Este funciona solidificando interesses do grande capital, das estatais, dos fundos de pensão, dos sindicatos e de um conjunto desordenado de atores políticos que passaram a se legitimar como se expressassem um presidencialismo de coalizão no qual troca-se governabilidade por favores, cargos e tudo mais que se junta a isso.

Esta tendência não é nova. Ela foi-se constituindo à medida em que o capitalismo burocrático (ou de estado, ou como se o queira qualificar) amealhou apoios amplos entre sindicalistas, funcionários e empresários sedentos por contratos e passou a conviver com o capitalismo de mercado, mais competitivo.

Na onda do crescimento econômico as acomodações foram se tornando mais fáceis, tanto entre interesses econômicos quanto políticos (incluindo-se neles os “fisiológicos” e a corrupção).

No início parecia fenômeno normal das épocas de prosperidade capitalista que seria passageiro. Pouco a pouco se foi vendo que era mais do que isso: cada parte do sistema precisa da outra para funcionar e o próprio sistema necessita da anuência dos cooptáveis pelas bolsas e empregos de baixo salários e precisa de símbolos e de voz. Esta veio com o “predestinado”: o lulismo anestesiou qualquer crítica não só ao sistema mas a suas partes constitutivas.

É neste ponto que o bicho pega. A presidenta é menos leniente com certas práticas condenáveis do sistema. Entretanto, quando começa a fazer uma faxina quebram-se as peças da engrenagem toda.

Sem leniências e cumplicidades entre as várias partes, como obter apoios para a agenda necessária à modernização do país?

E sem ela, como fazer frente à concorrência da China, à relativa desindustrialização, ou melhor, ‘desprodutividade’ da economia e como arbitrar entre interesses legítimos ou não dos que precisam de mais apoio do governo, advenham eles de setores populares ou empresariais?

É cedo para prever o curso dessa história, que apenas começa. Mas não há dúvidas que para se desfazer da herança recebida será preciso não só ‘vontade política’ como, o que é tão difícil quanto, refazer os sistemas de alianças. É luta para Davis e, no caso, Golias é pai de Davi.

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Escrito por Josias de Souza às 06h07

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Impopular, Evo diz que, por ele, ‘deixaria’ presidência

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Escrito por Josias de Souza às 05h14

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Na abertura dos pregões, bolsas asiáticas despencam

Itsuo Inouye/AP

Para o mercado financeiro global, a semana começou mais cedo, na noite da última sexta-feira (5).

Deve-se a subversão do calendário ao rebaixamento da nota que mede o risco da dívida dos EUA. De AAA (risco zero) passou a AA+ na aferição da Standard & Poor's.

Dava-se de barato que a novidade envenenaria as bolsas de valores na abertura dos pregões desta segunda (8).

Ao longo de um fim de semana convertido num par de dias úteis, o G20, o G7 e o BC europeu adularam o mercado com notícias benfazejas. Esforço vão.

Consumando o movimento esboçado com antecedência de dois dias e meio, o mercado de ações foi ao desfiladeiro.

As bolsas do Oriente Médio e da Ásia, condenadas pelo expediente local e pelo fuso horário a trovejar antes das demais, inauguraram a tempestade.

Já no sábado, a bolsa da Arábia Saudita despencou 5%. No domingo, a de Israel levou tombo de 7%. Caíram também Abu Dhabi (2,53%), Dubai (3,69%), e Omã (2,08%).

As bolsas da Ásia, abertas quando você dormia no Brasil, seguiram o efeito dominó. No alvorecer dos negócios, Tóquio arrostava declínio de 2%.

Em Xangai, a perda parecia modesta: 0,82%. Súbito, quando os relógios do Brasil marcavam meia-noite, a bolsa chinesa mergullhou para 4,78%.

No mesmo horário, o pregão de Hong Kong exibia um declínio de 4,07%. Entre todas as bolsas de olho puxado, a de Seul era a que registrava a maior queda: 6,3%.

Tudo isso depois dos extintores manuseados pelo G7, G20 (Brasil inclusive) e BC europeu. A semana de nove dias, como se vê, promete fortes emoções.

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Escrito por Josias de Souza às 03h56

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As manchetes desta segunda

- Globo: G-7 acena com dinheiro para acalmar as bolsas

- Folha: Países do G20 decidem manter títulos dos EUA

- Estadão: BC europeu decide comprar títulos para evitar contágio

- Correio: BC da Europa intervém para evitar sangria global

- Valor: CNJ enfrenta esquemas de corrupção nos Estados

- Jornal do Commercio: Prova de fogo para a Zona Sul

- Zero Hora: BC europeu intervém para tentar estancar crise na Zona do Euro

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h49

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Na coleira!

Paixão

- Via 'Gazeta do Povo'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 00h32

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Dilma trata o PMDB com suavidade que negou ao PR

Alan Marques/Folha

Para evitar problemas com o PMDB, Dilma Rousseff encomendou à Secretaria de Comunicação da Presidência a divulgação de uma nota.

O texto veio à luz neste domingo (7). É curto e peremptório. Uma única frase. Diz o seguinte:

“A presidente Dilma Rousseff reitera a sua confiança no ministro da Agricultura, Wagner Rossi, que está tomando todas as providências necessárias.”

Ex-deputado federal, Rossi (foto) comanda a Agricultura por indicação do vice-presidente Michel Temer, hoje a liderança que personifica os interesses do PMDB.

As “providências” mencionadas na nota do Planalto referem-se à mais recente denúncia contra a gestão do apadrinhado de Temer.

Descobriu-se que um lobista com sala no ministério preparava editais de licitação, intermediava negócios e distribuía propinas.

Tudo com o suposto conhecimento do secretário-geral Milton Ortolan, o segundo na hierarquia da pasta, amigo de 25 anos do ministro Rossi.

Em combinação com o Planalto, Rossi viu-se compelido a entregar a cabeça de Ortolan, que se demitiu no sábado (6).

No mesmo dia, o ministro anunciou, em nota, a abertura de processos administrativos contra servidores e a requisição de auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União).

A reiteração da “confiança” de Dilma no pemedebê Rossi contrasta com o tratamento dado ao senador Alfredo Nascimento (PR-AM), ejetado da pasta dos Transportes.

No caso do PR, sócio minoritário do condomínio governista, utilizou-se um detergente forte. Para o PMDB, gigante da coligação, um sabão fraquinho.

O repórter conversou com um integrante da equipe de Dilma sobre a diferença de tratamento. “Não há diferença”, respondeu o auxiliar da presidente.

Sustenta-se que Nascimento também havia recebido de Dilma um “voto de confiança.” Mas, para "surpresa" da presidente, demitiu-se dos Transportes. "Saiu porque quis".

Meia-verdade, segundo a versão de Nascimento. O ex-ministro pêérre alega que, no caso dele, a manifestação de confiança ficou no campo da retórica.

Como assim? Nascimento diz que seu pedido de demissão foi motivado por dois fatos:

1. Em reunião com deputados do PR, a ministra Ideli Salvatti, coordenadora política de Dilma, dissera que a situação de Nascimento ficara “muito difícil.”

Por quê? Os deputados contaram a Nascimento que Ideli fizera referência à notícia sobre a evolução patrimonial da firma do filho dele –86.400% em dois anos.

Nascimento afirma que, se o Planalto o tivesse chamado para explicar, teria verificado que a notícia é "mentirosa." Coisa urdida, segundo ele, por um inimigo amazonense. 

2. Depois, Nascimento diz ter recebido um telefonema de Paulo Passos, o secretário-executivo que viria a ocupar a poltrona de titular dos Transportes.

Passos disse a Nascimento que acabara de ser convocado por Dilma para uma reunião sobre obras do PAC. Citou a Transnordestina.

“Ora, se sou o titular da pasta e estou conduzindo a investigação, qual é o sentido de fazer uma reunião sem a minha presença?”, indaga o agora ex-ministro.

“Não pensei duas vezes. Fiz a minha carta de demissão e mandei entregar para a presidente da República.”

Quer dizer: o senador Nascimento, presidente nacional do PR, acha que foi como que empurrado para fora do ministério.

Nesta segunda (8), a cúpula do PMDB (líderes e ministros) deve se reunir no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice Temer.

Vai-se discutir a encrenca da Agricultura. Uma pasta onde, no dizer do ex-diretor da Conab Oscar Jucá Neto, “só tem bandido.”

Para a cúpula do PMDB, o caso de Wagner Rossi não difere apenas do de Alfredo Nascimento.

A encrenca da Agricultura seria dessemelhante também do episódio que resultou na demissão de Nelson Jobim do Ministério da Defesa.

Embora filiado ao PMDB, Jobim não virara ministro por indicação partidária. De resto, a legenda enxerga a Defesa como ministério técnico, não político.

A Agricultura, essa sim, é tida pelo PMDB como parte de sua cota na Esplanada. Uma faxina ali levaria o principal sócio do PT às lanças.

Daí a pressa de Dilma em prestigiar Rossi, o ministro de Temer, antes do nascer do Sol de segunda-feira.

Ficou entendido que, por ora, a pseudofaxina de Dilma não é indiscriminada. Para os pequenos, a vassoura de piaçaba. Para os grandões, no máximo um espanador.

Imagina-se que, administrando-se a sujeira atribuída ao PMDB, o governo impede a oposição de reunir as assinaturas necessárias à abertura de uma CPI.

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Escrito por Josias de Souza às 23h04

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Na periferia de Londres, protesto vira ato de violência

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Escrito por Josias de Souza às 22h26

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Serra abre em São Paulo uma empresa de consultoria

  Folha
Um ano depois de deixar o governo de São Paulo, José Serra tornou-se empresário. Fundou a consultoria Apecs (Análise Perspectiva Econômica e Social) Ltda..

A empresa foi aberta em 12 de abril –quase um mês depois da fundação, em 18 de março, da LILS (Luiz Inácio Lula da Silva) Ltda..

Tomada pelo registro da Junta Comercial, a firma de Serra vai fornecer, além de palestras e artigos do dono: consultoria em gestão empresarial, edição de livros…

…Organização de feiras, congressos, exposições e festas; e apoio a atividades educacionais.

A LILS concorre com a Apecs no ramo das palestras e na organização de feiras, congressos e exposições. Não edita livros, apenas revistas.

O capital social da empresa de Serra é de R$ 10 mil. Sócio majoritário, o ex-governador tucano participa com R$ 9,9 mil.

O sócio minoritário, com participação simbólica de R$ 100, é o economista Gesner Oliveira –ex-presidente da Sabesp (gestão Serra) e do Cade (governo FHC).

O capital social da firma de Lula é maior: R$ 100 mil. Majoritário, o ex-soberano detém 98% da sociedade. Tem como sócio minoritário (2%) Paulo Okamotto.

Na Apecs, é Serra quem responde pela administração. Na LILS, quem administra é Okamotto, ex-tesoureiro do PT e ex-presidente do Sebrae.

Procurado, Serra disse, por meio de assessores, que precisava de uma empresa para receber honorários por sua produção intelectual.

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Escrito por Josias de Souza às 21h07

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PMDB transforma Agricultura em cabide da parentela

Nem só de Jucá é feito o quadro da Conab. A folha salarial da estatal vinculada ao Ministério da Agricultura abriga também:

Um filho do senador Renan Calheiros, uma ex-mulher do deputado Henrique Eduardo Alves, um neto do deputado Mauro Benevides,  um sobrinho do morto Orestes Quércia...

Parte da parentela foi nomeada sob Lula. Outra parte, sob Dilma Rousseff. Tudo sob o pemedebê Wagner Rossi, ex-presidente da Conab e atual ministro da Agricultura.

A árvore genealógica do PMDB começou a ser sacudida por Oscar Jucá Neto. Pilhado em malfeitos, caiu disparando para o alto: “Ali só tem bandido.”

O lodo que escorreu da horta levou a fina flor do PMDB a meter-se num exercício de retórica. Construíram-se sinuosas teorias sobre o nepotismo.

Para Romero Jucá, irmão do acusado/acusador, quem indica não tem nada a ver com o comportamento do indicado:

Jucazão pediu “desculpas” a Dilma, lavou as mãos e saiu de fininho: "A oposição vai fazer uma onda por motivação política. Mas a presidente entendeu minha posição.”

O morubixaba José Sarney deu bom dia ao óbvio: “Parentes no governo sempre criam problemas, seja para o governo ou para o parente.”

Depois, serviu refresco a Jucazão: “No caso do senador Jucá, ele pediu desculpas porque as declarações não eram dele.”

Acusado de chefiar uma usina de desvios, o ministro Rossi, plantado no governo pelo vice Michel Temer, desancou Jucazinho.

Se é calúnia, porque não processa o detrator? “Não quero agravar as circunstâncias desagradáveis para o irmão de Jucá Neto ou para sua família.”

Sobre Jucazão, Rossi disse: “Não somos responsáveis pelo que nossos parentes fazem.”

De fato, levando-se o PMDB ao pé da letra, ninguém é responsável por coisa nenhuma. Longe disso.

A conversão da Agricultura em horta caseira decorre da ação de um bando de irresponsáveis.

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Escrito por Josias de Souza às 09h25

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PT prevê para Dilma fim de gestão sob jugo do PMDB

Miran

A cúpula do PT prevê dias difíceis para Dilma Rousseff no Congresso. Estima que o acúmulo de contenciosos deve resultar em tempestade nos dois últimos anos de mandato.

Hoje, PT e PMDB dividem o comando do Congresso. Marco Maia (PT-RS) na Câmara. José Sarney (PMDB-AP) no Senado. A partir de 2013, desaparecerá o equilíbrio.

O PMDB deve dar as cartas nas duas Casas legislativas. Na Câmara, um acordo escrito abre espaço para a eleição do líder pemedebê Henrique Eduardo Alves para o biênio 2013-2014.

No Senado, Sarney não poderá disputar sua pentapresidência. Mas o regimento assegura a vaga ao PMDB, dono da maior bancada.

Sem alarde, move-se em direção à cadeira o líder Renan Calheiros (PMDB-AL). O mesmo Renan que renunciou ao posto, em 2007, para salvar o mandato.

No Congresso, um presidente não pode tudo. Mas pode muito. Inclui e exclui projetos na pauta. Indica relatores. Interpreta o regimento. Se quiser, ajuda o governo. Se preferir, inferniza-o. 

Em conversa com o repórter, uma liderança do PT fez piada sobre a perspectiva de um ocaso de Dilma sob jugo do PMDB. Algo que considera trágico.

Brincou: hoje, se algo acontecesse com Dilma, seria preciso ordenar à segurança do Planalto que desse cabo do vice. Michel Temer na Presidência seria “impensável”.

Prosseguiu: A eleição de Henrique para dirigir a Câmara e Renan para o Senado –o que os coloca em terceiro e quarto lugar na linha sucessória— torna a medida impraticável.

Impedido aquele que o petismo considera “impensável”, assumiria o “inaceitável”, cujo sucessor direto seria o “absurdo”.

O líder petista arrematou o chiste: Em vez de uma solitária medida radical, seria necessário produzir um massacre. “Talvez seja mais fácil a gente se suicidar.”

Sob a pilhéria esconde-se o pânico do petismo. Avalia-se que, em escassos oito meses de gestão, Dilma converteu uma maioria congressual sólida em apoio volátil.

A encrenca foi insinuada na lista de apoios à CPI urdida pela oposição no Senado. Embora em franca minoria, os rivais do governo lograram recolher as 27 assinaturas exigidas.

O Planalto viu-se compelido a acionar sua infantaria para arrancar duas rubricas do requerimento. Algo inimaginável para um governo em início de jornada.

Dissemina-se no PT a avaliação de que há um déficit de política na Presidência da República.

Num primeiro momento, o problema espantou as legendas que integram o condomínio governista. O espanto evolui para a irritação, num movimento que costuma desaguar em conspiração.

No momento, Dilma é vista por um pedaço expressivo do seu bloco partidário como uma presidente de mandato único.

Considerando-se o raciocínio atribuído à raposa mineira Magalhaes Pinto –“política é como nuvem...”— ela pode impor a recandidatura pelo eventual êxito administrativo.

Porém, a aposta que parte dos “aliados” faz é a de que os ventos que sopram dos EUA e da Europa tendem a empurrar a nuvem-Dilma para longe do segundo mandato.

A associação da atmosfera de crise econômica com o estilo político “tempestuoso” da presidente fez de 2014 uma porta escancarada para a dúvida.

No dizer de um dirigente do PMDB, a relação do partido com Lula era baseada em interesse político e na “benquerença” que o ex-presidente inspirava.

Com Dilma, declarou, desapareceu a “afeição”. A relação sustenta-se apenas em "frágeis" liames de conveniência.

Retomando-se a analogia da nuvem: hoje, você olha e vê um formato que torna a resolução drástica inconveniente. Amanhã, olha de novo e a forma pode ser outra.

- Ilustração via Miran Cartum.

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Escrito por Josias de Souza às 07h57

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Palestras de Lula lá fora já valem o dobro das de FHC

Ricardo Stuckert/PR

O palestrante Lula cobra como um Bill Clinton e exige como um ‘pop star’. O repórter Gilberto Scofield Jr. fez um balanço do negócio.

Em sete meses de usufruto da ex-presidência, Lula proferiu 15 palestras a soldo –seis no Brasil e nove no estrangeiro.

Pelo ar, desloca-se em jatinhos executivos. Por terra, move-se em automóveis blindados. Exigências da assessoria.

O ex-soberano não abre mão do séquito. Acompanham-no oito servidores que a lei lhe assegura (quatro seguranças, dois motoristas e um par de assessores).

Nos compromissos internacionais, a comitiva engorda. Vai junto o tradutor Sérgio Ferreira, que atendia Lula no Planalto. Por vezes, vai também Marisa Letícia.

Desde o início, o lero-lero remunerado de Lula rende mais que o de FHC. Na cotação internacional, uma audição do grão-tucano custa US$ 150 mil.

O grão-petê começou cobrando US$ 200 mil. Hoje, não move os lábios por menos de US$ 300 mil. Equiparou-se ao norte-americano Clinton e ao britânico Tony Blair.

Noutros tempos, Lula falava da diferença entre pobres e ricos escorado no passado de retirante. Agora, conhece os dois lados do flagelo.

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Escrito por Josias de Souza às 06h04

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Elio Gaspari: ‘Barraco na secretaria do Moreira Franco’

Nos últimas semanas, não há reunião do PMDB sem que um naco da conversa seja reservado à sessão de descarrego. A caciquia do partido aproveita a ausência de refletores para descarregar críticas ao estilo que Dilma Rousseff impõe ao governo.

Duas passagens ocorridas no Jaburu, a casa do vice Michel Temer, dão ideia do fenômeno. Numa, Wagner Rossi (Agricultura) relatou descompostura aplicada por Dilma no companheiro Afonso Florence (Reforma Agrária). Humilhou-o, segredou Rossi.

Noutra, Nelson Jobim (ex-Defesa) discorreu sobre infortúnio vivido pela companheira Maria do Rosário (Direitos Humanos). Em reunião sobre a ‘Comissão da Verdade’, Dilma ordenou à ministra que se calasse.

Na expressão de Jobim, Dilma tornou-se uma “presidente-lobisomem”. Súbito, transforma-se. Aparece quando quer, para quem quer. Terminou aparecendo para o próprio Jobim, demitindo-o.

Pois bem. Qualquer um pode dizer qualquer coisa sobre os destampatórios de Dilma. Mas há que reconhecer: quando expõe suas trevas interiores, a “lobisomem” o faz pela frente, mirando o olho da vítima. Dá-se coisa diversa com o PMDB.

Na abertura da coluna que serve aos leitores neste domingo (7), o repórter Elio Gaspari relata os detalhes de um barraco ocorrido na SAE, pedaço da máquina pública submetido à “chefia” do ministro Moreira Franco (PMDB-RJ).

Foi uma encrenca sui generis. Pugilato eletrônico. Iniciado por e-mail, terminou no ringue do cristal líquido, sem um olho-no-olho saneador do comandante da birosca. Vai abaixo o texto de Gaspari, disponível na Folha:


A Secretaria de Assuntos Estratégicos do ministro Moreira Franco está com dificuldades táticas. Num clima de beligerância burocrática, seu secretário-executivo, Roger Leal, provocou um barraco com a simples convocação de uma reunião de trabalho.

No dia 27 de julho, às 16h20, ele convocou cinco funcionários da Subsecretaria de Desenvolvimento Sustentável para uma reunião, por meio de uma mensagem copiada para o titular do serviço, Eustáquio Reis.

Mensagem esquisita. Não dizia dia, hora nem agenda. Esquisita porque a reunião seria no dia seguinte, às 15h. (Um dos cinco nem na SAE trabalhava, pois deixara-a havia pouco tempo.)

Com 36 anos de serviço público na escola de rigor funcional do Ipea, o economista Eustáquio Reis nunca vira convocação de subordinados sem algum tipo de discussão com a chefia. Como não era a primeira vez, negou autorização para que dois dos subordinados imediatos fossem à reunião.

Ele já havia se queixado com Moreira Franco desse tipo de conduta. No dia seguinte, às 12h48min, escreveu ao secretário Roger Leal que havia ali questão de hierarquia e conteúdo técnico, colocando-se à disposição para tratar do caso. Nada. No dia 31, Leal escreveu a Moreira Franco, acusando de "indisciplina e desobediência" e agressão ao Código de Ética dos Agentes Públicos.

Em qualquer loja de eletrodomésticos, um conflito do subgerente com um chefe de seção seria resolvido com uma conversa. Se eles não se entendessem, o gerente entraria, pacificando os ânimos ou mandando embora quem estivesse encrencando. Adotou-se o modelo do comissariado, onde misturam-se acusações e silêncios que terminam com alguém, desmoralizado, indo para o canil.

Eustáquio esperou uma semana por uma resposta de Moreira Franco. Nada. Na sexta-feira, escreveu a Leal desafiando-o a denunciá-lo por má conduta, acusou Moreira de ‘omissão e negligência’, mandou-lhe uma carta de demissão e foi-se embora."

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Escrito por Josias de Souza às 05h22

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As manchetes deste domingo

- Globo: Bancos separam R$ 64 bi contra a onda de calotes

- Folha: Ministério vira cabide de emprego familiar do PMDB

- Estadão: Líderes temem rebaixamento em cadeia das notas na Europa

- Correio: Cresce o medo da recessão global

- Zero Hora: 77 cidades do RS ainda estão à espera de asfalto

- Jornal do Commercio: A guerra por uma UTI (Pág. 1)

- Veja: Pânico nas Bolsas

- Época: Crack - Internar à força resolve?

- IstoÉ: Alimentos que emagrecem

- IstoÉ Dinheiro: Força para a Indústria

- CartaCapital: Demitido

- Exame: O consumidor no vermelho

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais e revistas do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h59

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Ministro de elite!

Aroeira

- Via O Dia. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 03h00

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Em SP, Lula tenta ‘impor’ Haddad ao PT, contra Marta

No PT-SP, qualquer um pode ser candidato. Porém, para disputar qualquer coisa, mesmo um campeonato de cuspe à distância, um petista precisa do apoio de Lula.

Na capital paulista, por exemplo, Marta Suplicy considera-se a “candidata natural” da legenda à prefeitura da capital. Falta-lhe, porém, a concordância do soba.

O ex-soberano proclamou que o candidato será Fernando Haddad. Assim mesmo, na base do vai ou racha. Se preciso, vai rachado.

Neste sábado, o PT iniciou um ciclo de mais de três dezenas de plenárias nas quais os pré-candidatos venderão o seu peixe nos fundões paulistanos.

A coisa começou pelo bairro de São Miguel Paulista. Lá estavam, além de Marta e Haddad, outros três postulantes: Eduardo Suplicy, Carlos Zarattini e Jilmar Tatto.

Os rivais de Haddad defendem a realização de prévias. Para Lula, a prévia que interessa é a opinião dele.

Marta foi a mais aplaudida pelas cerca de 200 pessoas que assistiram às exposições. Instado a comparar o apoio de Lula à “natural” postulação da senadora, Haddad disse:

O Lula “tem acertado ultimamente.” Contou que entrou na refrega porque "houve uma sondagem da parte dele.”

O Senhor da legenda Lula entende que convém "lançar um nome novo”. Haddad topou por considerar a proposta “quase que irresistível."

Quer dizer: ou Marta e os demais coadjuvantes aceitam a tese segundo a qual o PT é um partido na coleira ou terão de vencer Lula antes de triunfar na eleição.

Tudo muito democrático, como se vê.

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Escrito por Josias de Souza às 23h02

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Amorim diz a militares que não vai ‘reinventar a roda’

Fotos: Lula Marques/Folha

Dois dias antes de tomar posse como ministro da Defesa, o ex-chanceler Celso Amorim desembarcou em Brasília neste sábado (6).

Avistou-se com Dilma Dilma Rousseff no Alvorada. Na véspera, a presidente reunira-se com os comandantes militares para preparar a recepção a Amorim.

A escolha do substituto de Nelson Jobim ateou insatisfação na caserna, sobretudo no Exército. Daí a preocupação de Dilma.

Orientado pela chefe, Amorim foi ao encontro dos novos subordinados, já decidamente amaciados. Encontraram-se no Planalto (veja foto abaixo).

A assessoria da Defesa informou que Amorim ouviu dos comandates do Exército, da Aeronáutica, da Marinha e do Estado Maior um relato sobre as prioridades de cada um.

Como que decidido a apresentar-se como mero continuador, Amorim declarou aos militares que não deseja “reinventar a roda”. Ah, bom.

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Escrito por Josias de Souza às 21h09

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Escândalo seminovo derruba número 2 da Agricultura

Divulgação/Câmara Municipal de Americana

Em pleno sábado (6) desceu ao meio-fio o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Milton Ortolan (foto). É o número dois da pasta. Acima dele, apenas o ministro pemedebê Wagner Rossi. Por que saiu Ortolan? O de sempre: suspeita de corrupção.

No miolo da nova encrenca está um personagem chamado Júlio Fróes. Frequenta o submundo do ministério. “Doutor Júlio”, como é chamado pelos servidores da Agricultura, foi içado à superfície em notícia produzida pelo repórter Rodrigo Rangel.

Descobriu-se que, embora não tenha vínculo funcional com o ministério, “doutor Júlio” dispõe de uma sala no prédio. Com telefone, computador e secretária, o “doutor” trabalha na sobreloja. É nesse piso que funciona a comissão de licitações.

Levado ao ministério por Milton Ortolan, o subministro, “doutor Julio” opera nos dois lados do balcão. Num, ele prepara editais e analisa processos de licitação. Noutro, zela pelos interesses  das empresas que disputam as verbas fedeais –R$ 1,5 bilhão só em 2011.

Celebrou-se no ano passado o negócio inaugural do “doutor”. Envolveu a contratação de serviços da Fundasp (Fundação São Paulo). Trata-se da mantenedora da Pontifícia Universidade Católica. Servindo-se da estrutura do ministério, o “doutor” levou 48 horas para preparar o processo.

O ministro Wagner Rossi autorizou a contratação da Fundasp. Negócio de R$ 9 milhões. Sem licitação. Representava a fundação o mesmo “doutor Júlio” que instruiu o processo.

Meses depois, informa o repórter, produziu-se uma cena constrangedoramente inusitada. “Doutor Júlio” marcou uma reunião com os servidores da Agricultura que o auxiliaram na elaboração do material.

Deu-se no oitavo andar do ministério, numa sala onde funciona a Assessoria Parlamentar. Ao chegar, os servidores recebiam uma pasta. Dentro, dinheiro.

“Doutro Júlio” diz ser amigo do ministro Rossi. Apresenta-se aos fornecedores da Agricultura como representante do ministério. Servidores contaram ao repórter ter ouvido do “doutor” o relato de um caso cabeludo.

Ele pediu “gratificação” de 10% para obter a renovação do contrato de uma empresa. Chama-se Gráfica Brasil. O “doutor” disse ter procurado o fornecedor em nome de Milton Ortolan.

Ouvido, um representantes da área comercial da gráfica declarou: "Realmente essa proposta nos foi feita por alguém que se apresentava em nome do ministro." Procurado, “doutor Júlio” encontrou-se com o repórter num restaurante. A conversa foi gravada. Ele confirmou conhecer o ministro Rossi e o subministro Ortolan.

Negou que frequentasse o ministério. Há fotos que atestam o contrário. Negou que tenha atuado como representante da Fundasp. O próprio ministério confirma. A alturas tantas, “doutor Júlio” saiu-se com a seguinte declaração: “Eu tenho gravações que comprometem o Ortolan. Quanto você me paga?”

O repórter decidiu dar a conversa por encerrada no instante em que o interlocutor lhe perguntou se tinha mulher e filhos. Ao se levantar da mesa, foi agredido pelo “doutor”. Aplicou-lhe uma gravata. Desferiu joelhadas no estômago e no rosto. Quebrou um dente do interlocutor.

Submetido à reportagem, o ministro Rossi emitiu uma nota. Mais uma. No texto, negou que seja amigo do “doutor”. Disse que jamais se reuniu com ele. Anunciou que vai acionar a CGU (Controladoria-Geral da União). Por que não a Polícia Federal?

Ortolan também expediu uma nota. Informou sobre o pedido de demissão, repudiou sua vinculação com malfeitos. Colocou-se à disposição das autoridades. Disse que provará sua inocência.

Na semana passada, Oscar Jucá Neto dissera, em entrevista, que funcionava na Agricultura uma central de desvios. Afastado da diretoria financeira da Conab após liberar R$ 8 milhões a um armazém fantasma, aitrou para o alto.

Irmão do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR), Jucazinho disse que o ministro Rossi tentou comprar o seu silêncio. E pronunciou a fatídica frase: “Ali só tem bandido.” Em depoimento na Câmara, Rossi negou que seja gestor de uma usina de malfeitos.

Irregularidades? Nem na Conab, disse o ministro. No máximo, “imperfeições.” As novas revelações converteram as palavras do ministro em pó. Rossi, como se save, é apadrinhado do vice Michel Temer.

Por ora, Dilma Rousseff não se animou a estender a pseudofaxina dos Transportes à pasta da Agricultura. Para o Planalto, o PMDB não merece um tratamento de PR.

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Escrito por Josias de Souza às 18h13

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A semana: sincericídio, desejo de (re)nascimento e lixo

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Escrito por Josias de Souza às 07h22

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Dilma reúne militares para atenuar reação a Amorim

  Nacho Doce/Reuters
Seguindo conselho de Lula, Dilma Rousseff chamou para conversar os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

A reunião ocorreu no Palácio da Alvorada, nesta sexta (5). Teve o propósito de atenuar o mal-estar causado pela substituição de Nelson Jobim por Celso Amorim.

A repórter Eliane Cantanhede informa que Dilma convidou a permanecerem nos cargos Enzo Peri (Exército), Juniti Saito (Aeronáutica)…

…Júlio Soares de Moura Neto (Marinha) e José Carlos De Nardi (Estado Maior Conjunto das Forças Armadas).

Pediu aos militares que contenham manifestações da tropa sobre a troca de comando no Ministério da Defesa.

As repórteres Tânia Monteiro e Vera Rosa contam que a presidente tranquilizou os comandantes quanto à chegada do ex-chanceler Celso Amorim, à esquerda de Jobim.

Embora não tenha feito referência explícita à lei de anistia, Dilma disse que, no seu governo, não há espaço para revanchismo.

Ficou entendido que não haverá tentativas de modificar a Lei de Anistia, que perdoou os crimes da ditadura e de seus opositores.

Evocando um princípio caro aos quartéis, Dilma disse que afastou Jobim porque, a exemplo dos militares, a presidente não pode tolerar a insubordinação.

Uma referências às críticas públicas que Jobim dirigiu ao governo e às recém-nomeadas Ideli Salvatti (Coordenação Política) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

A despeito do pedido de silêncio feito pela presidente, o general Augusto Heleno, espécie de porta-voz informal do Exército, manifestou-se sobre a mudança.

Disse que a substituição de Jobim por Amorim "não tem impacto nem trauma, porque troca de comando é rotina para nós."

Mas não resistiu à emissão de recados: "Lembro ao [novo] ministro que as Forças Armadas são instituições de Estado, apolíticas e apartidárias…”

“…Comprometimento ideológico tem repercussão altamente negativa no meio militar."

A reunião com Dilma ocorreu antes do primeiro encontro dos comandantes com o novo ministro, previsto para a tarde deste sábado, no Planalto.

Amorim tomará posse na segunda (8). Não deve haver cerimônia de transmissão de cargo.

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Escrito por Josias de Souza às 06h36

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Governo prevê arrocho fiscal e juros altos para 2012

Angeli

Sob Dilma Rousseff, o governo trabalha com a perspectiva de enfrentar, na economia, um segundo ano mais difícil do que o primeiro.

Em conversa com o repórter, na noite desta sexta (5), um ministro de Dilma disse: a conjuntura aponta para um recrudescimento do aperto fiscal, com juros altos.

Afirmou que a política de cintos apertados para 2012 já vinha sendo tratada como favas contadas. Solidificou-se com o agravamento da crise nos EUA e na Europa.

Esclareceu que, na hipótese de repetição de um cenário internacional parecido com o de 2008, forçará o governo a “sofisticar” sua estratégia econômica.

Nas palavras do ministro, será necessário “assobiar e chupar cana ao mesmo tempo, combinando estímulos à atividade econômica com rigor fiscal e monetário.”

Realçou que o próximo ano começa com um complicador imutável: em janeiro de 2012, o salário mínimo terá reajuste de pelo menos 14%.

Fruto da política de recuperação do mínimo inaugurada sob Lula e convertida em lei no início da gestão Dilma.

Atrelou-se o mínimo –pago a metade da população economicamente ativa e a 8 milhões de aposentados— à inflação passada e à variação do PIB de dois anos anteriores.

Embora festejada pelos sindicatos e pelo próprio governo, a indexação que assegura aumentos reais ao mínimo tem efeitos inflacionários.

O tônico salarial servido a esse contingente de trabalhadores e pensionistas do INSS, disse o ministro, é bom por um lado e ruim por outro.

Bom porque mantém vivo o mercado interno de consumo popular. Ruim porque pressiona o IPCA, índice oficial de inflação. Sobretudo no item relativo aos serviços.

Ecoando o ministro Guido Mantega (Fazenda) e Dilma, o interlocutor do repórter recitou a tese de que o Brasil está preparado para lidar com uma nova crise global.

A ideia é adotar fórmula inversa à que vem sendo insinuada pelos EUA. Como assim?

Washington corta os gastos públicos embalado pela “esperança vã” de que a iniciativa privada irá prover sozinha os investimentos necessários à reativação da economia.

Brasília trabalha com a hipótese de reeditar, se necessário, providências adotadas no enfrentamento da crise de 2008. Entre garantia de crédito e medidas tributárias. 

Na prática, disse o ministro, o governo brasileiro já sinalizou suas intenções ao lançar, nesta semana, medidas de estímulo à indústria baseadas em incentivos fiscais.

A perda de receita impõe o manuseio da tesoura. Daí a previsão de um 2012 de absoluto rigor fiscal. Eventuais gorduras no custeio da máquina irão “ao osso”.

Qual será o tamanho do talho? É cedo para dizer, esquivou-se o ministro. Disse apenas que, afora os investimentos sociais e em infraestrutura, nenhuma rubrica está a salvo.

Nem as emendas de parlamentares? “Infelizmente, não.”

Dilma não abre mão de entregar um PIB de pelo menos 4% no ano que vem.

Por isso, pretende-se manter em 2012 a tática que condiciona a meta de juros à manutenção dos sinais vitais da atividade econômica.

Nesta sexta, o IBGE informou que o IPCA de julho foi de 0,16%. Manteve-se estável em relação ao índice de junho: 0,15%.

O problema reside na taxa acumulada dos últimos 12 meses: 6,87%. Ainda acima do teto da meta anual de inflação, que é de 6,5%.

O governo alega que não abandonou o objetivo de trazer o índice para as cercanias do centro da meta (4,5%). Mas não o fará em velocidade que leve a economia ao freezer.

Significa dizer que as taxas de juros permanecerão altas o bastante para segurar a inflação, mas em patamares que não derrubem o crescimento abaixo dos 4%.

De resto, constam do arsenal que o governo alega ter à disposição medidas de proteção contra a invasão de produtos estrangeiros e a “enxurrada” de dólares.

Que providências são essas? Não são coisas que possam ser anunciadas com antecedência, esquivou-se, de novo, a autoridade que falou ao blog.

Limitou-se a declarar que o governo já deu demonstrações de que não ficará inerte.

Citou a medida provisória que instituiu o IOF de 1% para os derivativos de câmbio (posições vendidas no mercado futuro).

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Escrito por Josias de Souza às 04h08

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As manchetes deste sábado

- Globo: Agência de risco rebaixa EUA e aumenta incerteza na economia

- Folha: Agência rebaixa nota dos EUA

- Estadão: Dilma tenta acalmar militares após nomeação de Amorim

- Correio: Divórcio Capital Brasília

- Jornal do Commercio: Muitas queixas e pouca colaboração no trânsito

- Zero Hora: Economia dos EUA sofre rebaixamento histórico

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h48

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Alta rotatividade!

Nani

- Via 'Nani Humor'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h07

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Agência de risco reduz nota da dívida dos EUA: ‘AA+’

A agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor's) rebaixou a nota da dívida americana em um ponto. Passou de ‘AAA’ para ‘AA+’.

Com isso, os EUA foram excluídos do seleto grupo de países cujo papelório oferece aos investidores a menor taxa de risco do mercado.

O rebaixamento dos EUA é algo inédito na histária. Os títulos da dívida americana recebiam a avaliação máxima (triplo A) desde 1917.

Divulgada na noite desta sexta (5), após o fechamento dos mercados, a novidade cairá sobre as bolsas de valores, na segunda (8), como gasolina em incêndio.

Borrifa-se combustível sobre as chamas num instante em que as ações já queimam a mão dos operadores, receosos de que 2011 repita a crise de 2008 (veja no vídeo).

Em nota, a Standard & Poor's alegou que o pacote fiscal anticalote aprovado pelo Congresso e sancionado por Barack Obama no início da semana é inconsistente.

"[…] Não atende ao que, em nossa opinião, seria necessário para estabilizar a dinâmica da dívida do governo no médio prazo", escreveu a agência de risco.

A lei resultante do acordo firmado entre a Casa Branca e o Congresso prevê cortes de R$ 2,1 trilhões em dez anos. Para a S&P a facada teria que dobrar: R$ 4 trilhões.

O rebaixamento da S&P aguça a curiosidade dos mercados globais em relação à avaliação das outras duas grandes agências de risco.

A Moody’s já havia informado que, por ora, mantém os EUA no patamar ‘AAA’. A Fitch Ratings disse que refaz suas contas. Divulgará o resultado até o fim do mês.

Tomadas pelo desempenho que exibiram na crise global de 2008, essa tróica de agências merece tanto crédito quanto um babalorixá de quinta.

Escoradas em seus departamentos de quiromancia econômica, serviram prognósticos técnicos que a realidade converteu em chutes.

Para que fossem levadas a sério, teriam de anexar aos novos relatórios uma tabela com a relação de suas últimas e penúltimas apostas. Num anexo, explicariam os equívocos.

O problema é que, a despeito do histórico inconfiável, as agências são levadas em conta pelos agentes econômicos. Se não acertam, pelo menos açulam as dúvidas.

E, nos mercados, quem tem dúvidas esparsas receia. Quem duvida um pouco mais teme. Quem duvida muito tranca-se no cofre, em pânico.

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Escrito por Josias de Souza às 23h14

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Celso Amorim também é um crítico de Dilma Rousseff

  Jamil Bittar/Reuters
Ejetado do Ministério da Defesa por conta de críticas feitas a colegas e ao governo, Nelson Jobim será substituído por outro crítico da gestão Dilma Rousseff.

Celso Amorim, o novo titular da pasta, discorda de um dos mais significativos lances da política de direitos humanos adotada por Dilma.

Em artigo veiculado no dia 1o de abril (íntegra aqui), Amorim discordou da decisão que levou o Brasil a se posicionar contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU.

Com o endosso da delegação brasileira, aprovou-se em 24 de março o envio de um relator especial da ONU para investigar violações aos direitos humanos no Irã.

Em seu artigo, Amorim anota que esse tipo de providência “implica, na prática, colocar o país no banco dos réus.”

“Que eu me recorde, o Irã é o único país que poderia ser classificado como uma potência média que está sujeita a esse tipo de escrutínio”, anotou Amorim.

Ex-chanceler de Lula, Amorim tratou a posição adotada sob Dilma como um retrocesso em relação a supostos avanços obtidos na gestão anterior.

Entusiasta do diálogo que se estabelecera entre Brasília e Teerã, Amorim recordou:

“O Brasil participou de várias ações ou empreendeu gestões que resultaram na libertação de pessoas detidas pelo governo iraniano.”

Citou três casos em que a interferência do Brasil –com maior ou menor grau de importância— ajudou a abrir as portas dos cárceres iranianos.

Mencionou também o caso de Sakineh Ashtiani, a iraniana cuja condenação à morte por apedrejamento Dilma criticou em termos ácidos.

“Os apelos do nosso presidente [Lula], seguidos de várias gestões no meu nível junto ao ministro do Exterior iraniano e ao próprio presidente Ahmadinejad…”

“…Certamente contribuíram para que aquela pena bárbara não tenha se concretizado”, escreveu Amorim.

Na conclusão de seu artigo, Amorim sustentou: o Brasil teve como agir “porque havia um certo grau de confiança na relação entre Brasília e Teerã.”

Acrescentou: “Parece-me muito improvável que o governo brasileiro se sinta à vontade para esse tipo de démarche depois do voto do dia 24” na ONU.

Prosseguiu: “Muito menos terá o Brasil condições de participar de um esforço de mediação como o que empreendemos com a Turquia…”

“…Em busca de uma solução pacífica e negociada para a questão do programa nuclear iraniano.”

Para Amorim, o fechamento do canal de diálogo com o Irã “certamente fará a alegria daqueles que desejam ver o Brasil pequeno e sem projeção internacional”.

Quer dizer: foi à cadeira de Jobim um substituto que acredita na seguinte tese: sob Dilma, adotam-se providências que apequenam o Brasil que Lula agigantara.

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Escrito por Josias de Souza às 20h58

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Na sua pior semana desde 2008, Bovespa perde 10%

Reuters

No fechamento de um dia que começou nervoso, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou com leve alta: 0,26%. Porém...

...Porém, levando-se à balança todos dados, verifica-se que a Bovespa amarga nesta sexta (5), sua pior semana desde novembro de 2008.

No acumulado da semana, a queda foi de 10%. No ano, tombo de 23,6%. O Ibovespa bateu em 52.949 pontos. Em meados do ano passado, roçava os 70 mil pontos.

A coisa só não foi pior por conta de dois refrescos, ambos servidos ao mercado nesta sexta –um nos EUA, outro na Europa.

O refresco americano foi a divulgação da taxa de desemprego. Recuou de 9,2% para 9,1%. Esperava-se por coisa muito pior.

Coube ao primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi anunciar o refrigério europeu. Ele prometeu acelerar a execução de um plano fiscal anunciado no mês passado.

Sob ameaça de iliquidez, a Itália, terceira maior economia da Europa, esforça-se para convencer seus credores de que não levará sua dívida no beiço.

Daí o plano fiscal. A novidade anunciada por Berlusconi foi a antecipação em um ano –de 2014 para 2013— do calendário do programa concebido para reequilibrar as contas.

Berlusconi disse que enviará ao Congresso proposta de emenda constitucional que transformará o aperto de cintos em algo mandatório.

Por ora, mero lero-lero. Mas os operadores do mercado, movidos a vagas intuições e sólidos intere$$es, vivem uma quadra em que qualquer ripa parece tábua de salvação.

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Escrito por Josias de Souza às 18h57

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Nelson Jobim é 'página virada', afirma Dilma Rousseff

Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma Rousseff divide-se nesta sexta (5) entre os Estados da Bahia e de Pernambuco. Em solo baiano, lançou o programa ‘Vida Melhor’. É parte do ‘Brasil sem Miséria.’

Destina R$ 1,2 bilhão a famílias pobres, com renda de até meio salário mínimo. Depois, entregou 1,5 mil chaves a beneficiários do ‘Minha Casa, Minha vida’.

Ao desembarcar no aeroporto da pernambucana Petrolina, falou a radios locais. Perguntaram-lhe sobre Nelson Jobim. E Dilma:

"Eu reconheço o trabalho que ele [Jobim] deu ao país. Infelizmente, nós esgotamos uma etapa e, por isso, passamos e viramos a página."

Muita gente acha que, ao trocar Jobim pelo ex-chanceler Celso Amorim, Dilma pode ter virado a página para trás. Ela, naturalmente, discorda:

"O Amorim assume o Ministério da Defesa porque ele já deu mostras de ser um brasileiro muito dedicado ao Brasil..."

"…Tenho certeza de que ele vai prosseguir no trabalho importante realizado pelo ex-ministro Jobim…”

“…E vai acrescentar um reforço especial, na medida em que a gente sempre tem que melhorar. A gente não pode nunca se contentar com o que conquistou."

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Escrito por Josias de Souza às 18h26

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Sarney e EUA: Obama? Fraco. Políticos? A pior classe

  Fábio Pozzebom/ABr
Em artigo veiculado na Folha e reproduzido no portal do Senado, José Sarney fala sobre o alvoroço da elevação do teto da dívida dos EUA.

Como se sabe, a coisa foi aprovada no Congresso americano às vésperas da data-limite para o calote. Sarney anota:

“Se o Partido Republicano não ganhou votos com essa luta vazia, por outro lado, Obama perdeu com a demonstração de ser líder vacilante e fraco.”

Mais adiante: “O exemplo que deram ao mundo inteiro foi o de que a maior nação do mundo tem a pior classe política que se pode imaginar...”

“…Um episódio rotineiro, o aumento do teto de sua dívida, que durante os últimos 50 anos foi feito 74 vezes, […] foi transformado num butim político.”

Se Sarney diz que a Casa Branca é habitada por um “fraco” e o Congresso americano abriga o “pior”, resta dar-lhe crédito. Não se deve discutir com especialistas.

Obama deveria encomendar à sua assessoria um estudo sobre o Legislativo do Brasil. Descobriria que o butim monetário tem vantagens sobre o butim político.

Melhor: Obama poderia tocar o telefone para Sarney. O diálogo transcorreria assim:

– Li seu artigo, senador. Não sou um fraco. É que temos aqui algo que não existe aí: republicanos insanos, que sabotam todos os projetos do governo.

– Engano seu, mister Obama. Isso existe também aqui. Só que tem outro nome. Chamamos de base aliada.

– Como vocês lidam com o problema?

– Na época em que fui presidente da República, inventamos um esquema chamado ‘take-there-and-give-here’…

– What?

– Peça ajuda ao tradutor. É o nosso toma-lá-dá-cá. A gente…

– Calma, deixa eu tomar nota: take-there-and-give-here. Mas me diga, Sarney, essa coisa funciona de verdade?

– Eu sou suspeito pra falar. Liga pro Lula. Ele vai te contar.

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Escrito por Josias de Souza às 17h38

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Dilma e a crise: país está ‘mais forte’ do que em 2008

Crises são como Átila. Assim como o rei dos hunos, as encrencas econômicas sempre passam. O difícil é saber o que vai ser do gramado.

De passagem pela Bahia, Dilma Rousseff disse que a cerca do jardim brasileiro é, hoje, mais resistente do que era em 2008:

“O Brasil está ainda mais forte do que estava em 2008. Em 2008, nós tínhamos condição de enfrentar a crise quando ela veio. Hoje temos mais condições.”

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Escrito por Josias de Souza às 16h14

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Ideli anuncia R$ 150 mi para as ‘emendas’ de aliados

Em entrevista ao repórter Fernando Rodrigues, a ministra Ideli Salvatti, gestora do balcão, anunciou a liberação imediata de R$ 150 milhões em emendas.

A cifra soma-se aos R$ 770 bilhões que, segundo Ideli, já foram liberados no primeiro semestre de 2011.

Aos olhos do contribuinte, é muito. Mas, considerando-se o apetite dos congressistas que dão suporte congressual ao governo, é pouco, muito pouco, pouquíssimo.

Como que decidida a atenuar a decepção, irmã gêmea da traição, Ideli informa que já dispõe do compromisso da Fazenda de liberar algo como R$ 1 bilhão.

Ainda é pouco, gritam os “aliados” do Planalto. E a ministra acena com a hipótese de “empenhar” algo como R$ 5 bilhões até o final do ano.

O “empenho” é mero compromisso de gastar. O desembolso pode engordar a rubrica de “restos a pagar” no orçamento de 2012.

Instada a comentar a fama de durona da chefe, Ideli disse que todos os ministros já levaram broncas de Dilma (veja abaixo).

Quanto à alegada inapetência da presidente para os contatos com polítíticos, a ministra disse que se trata de “mera lenda urbana”.

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Escrito por Josias de Souza às 07h18

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Bolsas voltam a operar em em queda na Ásia e Europa

  AP
Nas pegadas da onda de pessimismo que varreu o mercado na véspera, as principais bolsas de valores asiáticas e euorpeias operam em queda nesta sexta (5).

Na Ásia, os mercados fecharam enquanto você dormia. Registraram-se tombos em Tóquio (3,72%), Coreia do Sul (3,70%), Austrália (4%) e Taiwan (5,58%).

Na Europa, as bolsas abriram em declínio. Prenúncio de mais um dia nervoso. Aos números:

Londres (queda de 2,73%), Frankfurt (2,21%), Paris (2,74%) , Milão (3,71%) e Madri (2%).

Os negócios em bolsa se movem para baixo por medo. Receio de que a economia mundial mergulhe num ciclo de recessão.

Quem tem ações vende. O excesso de oferta avilta as cotações. Mesmo os papéis de logomarcas vistosas perdem valor. E as bolsas despencam.

A (i)lógica que guia os mercados pode produzir soluços de alta em meio à especulação. De tão baixas, as ações tornam-se convidativas para parte dos investidores.

Porém, a despeito de eventuais espasmos, generalizou-se a impressão de que a economia mundial flerta com uma crise semelhante à de 2008.

Embora errático, o vaivém das bolsas serve de termômetro. Os negócios esfriam porque os negociantes de papéis apostam na tempestade.

Se a aposta estiver certa, o ruim se converterá em muito pior. De onde vem o bicho-papão que amedronta o dinheiro das bolsas?

Ele dá as caras nos EUA. Ali, farejou-se no recém aprovado pacote anticalote uma camisa de força que imobiliza a administração Barack Obama.

Por ora, os EUA exibem índices medíocres de crescimento. Imagina-se que, sem bala na agulha para estimular os investimentos, Washington logo dará bom dia à recessão.

Como se fosse pouco, o bicho-papão se insunua também na Europa. Ali, a crise da dívida migra perigosamente da periferia (Grécia) para o centro (Espanha e Itália).

Enquanto assediava Atenas, o risco de moratoria provocava um frio na espinha. Ao achegar-se a Madri e Roma, faz tremer toda a estrutura financeira da Europa.

No velho continente, o risco de recessão tem companhia. Chega de mãos dadas com o receio de uma quebradeira de bancos.

Por quê? As casas bancárias guardam em suas arcas o papelório da dívida soberana dos Estados.

O ensaio de um grande beiço rói as ações dos bancos. Deteriorando-se o quadro, as instituições vão à breca.

No caso da Grécia, a cavalaria do pedaço desenvolvido da Europa providenciou dois pacotes de socorro.

Será possível socorrer países de economia mais robusta como Espanha e Itália?, eis a pergunta que se esconde atrás dos painéis eletrônicos das bolsas mundiais.

Uma dupla recessão –EUA e Europa— dobraria os joelhos da economia de todo o planeta. Não há China que consiga atenuar a encrenca.

E o Brasil com isso? Nesta quinta (5), o ministro Guido Mantega evitou trocar socos com o óbvio:

“Houve um agravamento da situação internacional, que tem atingido as bolsas do mundo todo, inclusive aqui no Brasil”, Mantega reconheceu.

“Isso reflete o enfraquecimento dos EUA e a situação europeia, que não está sendo resolvida", ele diagnosticou.

Otimista a mais não poder, Mantega disse esperar que a temperatura esfrie “nos próximos dias”. E se o micro-ondas continuar acionado?

Bem, neste caso, disse o ministro, "o Brasil nunca esteve tão bem preparado para enfrentar as consequências dessa crise, ou de uma nova crise."

Considerando-se o modo como a economia brasileira reagiu à crise de 2008, seria precipitado desqualificar as palavras de Mantega. Porém…

…Porém, o ministro, como os operadores de bolsa, move-se num pântano em que a realidade de hoje pode ser a ficção de amanhã.

Dito de outro modo: considerando-se as incertezas que permeiam o cenário, Mantega não faz senão uma aposta. Reze. Ou economize para os dias piores.

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Escrito por Josias de Souza às 06h46

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PMDB acha saída de Jobim ‘inevitável’ e não cria caso

Stock Images

Em telefonemas trocados na noite passada, integrantes da cúpula do PMDB avaliaram a demissão de Nelson Jobim do Ministério da Defesa.

O partido do ex-ministro considerou que a saída dele do governo foi “inevitável.” Decidiu-se que o PMDB não esboçará nenhum tipo de reação.

Primeiro porque, conforme conclusão generalizada, as críticas públicas de Jobim não deixaram alternativa a Dilma Rousseff.

Segundo porque, a despeito da filiação de Jobim, o PMDB jamais considerou a Defesa como uma pasta de sua cota.

Jobim foi à poltrona por escolha de Lula, não por indicação partidária. Sob Dilma, manteve-se no posto, de novo, graças a Lula.

Deu-se com Jobim coisa diversa do que ocorreu com o ministro Wagner Rossi (Agricultura).

Avejado por denúncias de Oscar ‘Ali só Tem Bandido’ Jucá Neto, Rossi mereceu a solidariedade instantânea do PMDB.

Antes de se fixar no nome do ex-chanceler Celso Amorim, Dilma cogitara substituir Jobim pelo vice Michel Temer.

Foi informada de que Temer preferia se abster da incumbência. Não considera apropriado que um vice, indemissível, ocupe cargo passível de demissão.

Amigo de Temer, o ministro Moreira Franco (Assuntos Extraordinários) acalentou vãs expectativas de migrar para a Defesa. Coisa que jamais passou pela cabeça de Dilma.

Afora Moreira, o PMDB enxerga a Defesa como fonte de problemas, não de dividendos políticos.

No mais, foi unânime entre os grão-pemedebês a avaliação segundo a qual Jobim não saiu do governo pela porta da frente.

Tentou desdizer declarações públicas que soaram até amenas quando comparadas ao que dizia em privado.

Ouvido pelo repórter, um dos mandachuvas do partido disse: “Se Jobim tinha divergências administrativas –e ele as tinha— deveria ter sustentado…”

“…O pedido de demissão, do modo como ocorreu, não faz sentido. Não é feio ser demitido por divergir. Jobim não foi acusado de corrupção. Que fosse demitido!”

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Escrito por Josias de Souza às 04h30

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As manchetes desta sexta

- Globo: Dilma troca ministro de Lula por ministro de Lula

- Folha: Bolsas desabam e cresce medo de recess mundial

- Estadão: Mercado global derrete por temor nos EUA e na Europa

- Correio: Dilma demite mais um ministro da era Lula...

- Valor: O pior dia desde a crise de 2008

- Jornal do Commercio: Lua de mel vira tragédia em Porto

- Zero Hora: Críticas à equipe de Dilma derrubam Jobim

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h18

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Sincericídio!

Humberto

- Via 'Jornal do Commercio'. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 01h59

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Jobim dizia cobras, lagartos e lobisomens da ex-chefe

  Antônio Cruz/ABr
Nelson Jobim dispunha, no Ministério da Defesa, de uma espécie de casamata particular.

Uma saleta contígua ao gabinete, com jogo de sofás e banheiro privativo.

Enfurnava-se nesse ambiente sempre que desejava degustar charutos e boas conversas.

No início do ano, após ser reempossado no cargo por Dilma Rousseff, Jobim conduziu um amigo ao refúgio ministerial.

Cubano entre os dedos, o legado de Lula discorreu sobre seu futuro na gestão Dilma. Jobim soprava fumaça e dúvidas.

Disse que se autoconcederia um prazo de seis meses. Nesse período, veria se seria possível estreitar a inimizade com Dilma.

Nas últimas semanas, à medida que o calendário achegava-se à data-limite, Jobim foi se tornando um subordinado de linguajar insubordinado.

Reaproximou-se da caciquia do PMDB, da qual se distanciara na Era Lula. Voltou a frequentar as reuniões de seu partido.

Nas conversas, dizia cobras e lagartos de Dilma.

Num dos encontros, ocorrido no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice Michel Temer, Jobim chamou a pseudochefe de “presidente-lobisomem”.

De vez em quando, disse Jobim, ela se transforma. Aparece para quem quer e quando quer. Espanta até gente do seu próprio partido, o PT.

Jobim contou ter testemunhado algumas aparições. Relatou, por exemplo, reunião em que se discutia a tramitação legislativa do projeto que cria a “Comissão da Verdade”.

Presente, a ministra petista Maria do Rosário (Direitos Humanos) teria manifestado dúvidas quanto à contribuição dela no processo.

Segundo o relato de Jobim, a presidente-lobisomem teria dito à companheira: ”Você fica calada, que é pra não atrapalhar.”

Tomado pelo que dizia de Dilma longe dos refletores, Jobim tornara-se uma demissão esperando para acontecer.

Súbito, a língua de Jobim, antes viperina apenas longe dos refletores, pôs-se a destilar veneno também em público.

O desfecho demorou mais do que o previsto. Em vez dos seis meses que mencionara no alvorecer do novo governo, Jobim durou sete meses e quatro dias.

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Escrito por Josias de Souza às 23h17

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Bovespa registra sua maior queda desde 2008: 5,72%

  Stan Honda/FP
Engolfada por uma onda de medo que vem dos EUA e da Europa, a Bolsa de Valores de São Paulo despencou 5,72% nesta quinta (4).

Foi a maior tombo desde novembro de 2008. Os operadores do mercado já contavam com um declínio. Porém...

...Porém, imaginavam que o “piso” do índice que mede os negócios da Bovespa não baixaria além dos 53 mil pontos.

Com o giro de negócios desta quinta (R$ 9,64 bilhões), o índice foi a 52.811 pontos. Agora, imagina-se que o ruim pode ficar muito pior:

"Está com toda a cara de que agora vai a 48 mil pontos, é o próximo piso do mercado", diz Gilberto Coelho, analista da XP Investimentos.

Outro operador, Carlos Augusto Nielebock, da Icap Brasil, soou em timbre parecido: "O primeiro piso que o mercado tinha era de 55 mil pontos para o Ibovespa…”

“…Mas o mercado lá fora não parou de cair, e não adianta acreditar que aqui parou se lá fora continuar caindo."

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Escrito por Josias de Souza às 21h29

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Jobim ‘pede’ demissão e Celso Amorim é o substituto

José Cruz/ABr

Convidado por Dilma Rousseff, o ex-chanceler Celso Amorim (PT) aceitou o cargo de ministro da Defesa. Falta só marcar o dia da posse.

Como previsto, Nelson Jobim (PMDB) foi à presença de Dilma logo que pousou em Brasília, procedente do Amazonas.

Jobim entrou no gabinete presidencial já na condição de ex-ministro. O encontro foi rápido. Menos de cinco minutos. Não havia muito o que conversar.

Atendendo à recomendação que a ex-chefe lhe fizera mais cedo, pelo telephone, Jobim entregou sua carta de demissão. Saiu para não ser “saído.”

Agora, precedido pelo sufixo “ex”, Jobim está livre para acionar a língua quando e como bem entender.

Se Jobim repetir em público o que diz privadamente sobre Dilma, a platéia vai perguntar: por que diabos não saiu antes, pela porta da frente?

A escolha de Amorim reforça a impressão de que a ascendência de Lula sobre Dilma é ilimitada. Ela trocou um ministro de Lula por outro ministro de Lula.

O ex-chanceler mantém com o ex-soberano uma relação do tipo unha e cutícula. 

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Escrito por Josias de Souza às 20h39

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Piauí ‘vende’ Jobim na web: ‘Perfil completo, nesta 6a’

Revista Piauí

Na conversa que terá com Dilma Rousseff, Nelson Jobim deveria substituir a língua por uma fita métrica.

Tudo o que disser poderá ser desdito em menos de 24 horas. Antecipado por Mônica Bergamo, o inferno do gaúcho Jobim mora nas páginas de ‘Piauí’.

Embalada pela polêmica, a revista levou à web uma foto de Jobim. Sobre a imagem, um badalo: "Nesta sexta-feira nas bancas, o perfil completo de Nelson Jobim".

Mais cedo, antes de tomar o avião do Amazonas para Brasília, Jobim dissera que suas declarações à revista foram retiradas do contexto.

Dilma levou-o tão a sério que o aconselhou a pedir pra sair.

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Escrito por Josias de Souza às 20h02

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Ideli faz pose para Nelson Jobim:‘Não fiquei chateada’

  Joedson Alves/Folha
Chamada de “fraquinha” por Nelson Jobim, Ideli Salvatti pendurou no blog que mantém na internet uma pose de superior.

Para um ministro da Defesa é desnecessário”, anotou Ideli, pronunciar “determinados ataques”.

A coordenação política, escreveu a alvejada, “não é assunto relacionado à pasta dele.” Ideli simulou descaso:

“Não fiquei chateada, até porque eu tenho clareza das minhas qualidades, das minhas potencialidades e das minhas dificuldades…”

“…Me esforço muito para corresponder à honra que a presidenta me deu de estar neste momento respondendo pela secretaria das Relações Institucionais.”

De fato, o esforço de Ideli é notável. Noutros tempos, já teria mandado Jobim para lugares impublicáveis.

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Escrito por Josias de Souza às 19h37

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Lula jogando pá de terra sobre Jobim: ‘Até o Pelé sai’

Joel Saget/FP

Depois de tachar de incompreensíveis as penúltimas declarações de Nelson Jobim, Lula jogou, por assim dizer, uma pá de terra sobre o esquife do quase ex-ministro.

Disse que, se verdadeiros, os comentários atribuídos a Jobim pela revista Piauí “criam uma situação constrangedora.”

O ex-soberano construiu uma analogia futebolística para dizer, à sua maneira, que as caneladas de Jobim justificam a substituição iminente:

"O ministro Jobim é o homem que tem conduzido o Ministério da Defesa com muita grandeza. Um trabalho excepcional…”

“…O programa estratégico de defesa é muito importante. Mas se até o Pelé não estiver jogando bem, o técnico tira..."

"…De qualquer forma, é ela [Dilma] quem vai conversar com ele. Dois gaúchos se entendem. Ou não se entendem."

Embora tenha feito carreira política em Porto Alegre, Dilma não é gaúcha. Nasceu em Minas.

Seja como for, Lula fez bem em evocar o Rio Grande. Por ordem de Dilma, Jobim encurtou a agenda que cumpria no Amazonas.

Retorna a Brasília antes da hora para avistar-se com a chefe. Tomada pelo que disse ao longo do dia, Dilma o aguarda de bombachas, com a faca entre os dentes.

O ministro Paulo Bernardo (Planejamento), que acompanha Lula em evento na Colômbia, voltou a ironizar Jobim.

Mais cedo, dissera: "O Jobim quer uma queda de braço com a Ideli. Ele é mais forte do que ela, grandão.”

Depois, declarou: "Como um daqueles gaúchos empedernidos do interior, talvez ele tenha uma arraigada insatisfação em ser comandado por mulheres."

Bernardo é marido de Gleisi Hoffmann, a outra ministra alvejada por Jobim. Chefe da Casa Civil, Gleisi tem a atribuição de coordenar as outras pastas. Inclusive a da Defesa.

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Escrito por Josias de Souza às 19h16

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Dilma dormiria ex-presidente se não reagisse a Jobim

  Sérgio Lima/Folha
Ainda na fase de transição de governo, Lula usou dois argumentos para convencer Dilma Rousseff a manter Nelson Jobim no Ministério da Defesa.

1. Disse que havia temas delicados a tratar com os militares. Entre eles a Comissão da Verdade, destinada a passar a limpo a sujeita dos porões da ditadura.

2. Argumentou: de todos os ministros que passaram pela pasta da Defesa desde que foi criada por FHC, Jobim era o mais talhado para o cargo. Sobrava-lhe autoridade.

Embora torcesse o nariz para Jobim, a ex-guerrilheira Dilma assentiu. Sabia que, havendo comando, não há crise em quartel.

Súbito, a língua de Nelson ‘Eu Votei no Serra’ Jobim revelou-se maior do que a boca. Desqualificou duas nomeadas da chefe: Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann.

Pior: na passagem da revista Piauí em que comenta a escolha do petê José Genoíno para sua assessoria, Jobim acomodou-se acima da própria chefe.

"Mas será que ele pode ser útil?", teria perguntado Dilma segundo o relato de Jobim à revista.

Ele conta que respondeu assim: "Presidenta, quem sabe se ele pode ou não ser útil sou eu."

Reza a Constituição que o inquilino do Planalto é “comandante em chefe das Forças Armadas.” 

A ser verdadeiro o relato do ministro, embora versado nas letras jurídicas, Jobim considerava-se o chefe da chefa.

Prevalecendo o acinte, Dilma não poderia se queixar se os comandantes militares passassem a sonegar-lhe a continência.

Jobim tentou alterar o resultado do jogo no replay. Disse que suas declarações à 'Piauí' foram retiradas do contexto. Não colou. 

O pefelê Antonio Carlos Magalhães, figura execrada por Dilma, gostava de rodar um outro replay, mais condizente com a cena atual.

Governador da Bahia em tempos de ditadura, ACM demitiu um secretário de segurança nomeado pelos militares. Por quê? Desobedecera-lhe uma ordem.

O ministro do Exército tocou o telepone para ACM. Cobrou explicações.

E o morubixaba baiano: “General, hoje, ou eu não dormiria governador ou ele não dormiria secretário.”

Se não reagisse a Nelson Jobim, Dilma Rousseff iria ao encontro com os travesseiros na condição de ex-presidente da República.

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Escrito por Josias de Souza às 18h24

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Sarney: Fraquinha? Não, não, a Ideli ‘é bem gordinha’

  Lula Marques/Folha
O tetrapresidente do Senado, José Sarney, saiu em defesa do companheiro de PMDB Nelson Jobim.

Disse descrer que Jobim, "muito experiente” e “muito equilibrado”, tenha feito comentários que pudessem atingir colegas de Esplanada e o governo.

A pretexto de reforçar os argumentos, o imortal Sarney produziu uma emenda pior que o soneto de Jobim.

O ministro da Defesa chamara Ideli Salvatti de “fraquinha.”

E Sarney: “Eu acho até que esta [declaração] não combina com a ministra Ideli porque a Ideli é até bem gordinha, não é bem fraquinha."

Cabe perguntar: com o PMDB do seu lado, por que Dilma precisaria de inimigos?

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Escrito por Josias de Souza às 17h31

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Lula jogando Jobim ao mar:‘Coisas incompreensíveis’

  Alan Marques/Folha
De passagem por Bogotá, Lula foi instado a comentar as críticas feitas por Nelson Jobim às colegas Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann.

Na semana passada, quando a polêmica se restringia à declaração de voto de Jobim –“Eu votei no Serra”— Lula defendera a permanência dele no governo.

Dessa vez, soou como se jogasse ao mar o ministro que legou à sucessora, o ex-soberano preferiu virar as costas para Jobim:

"Tem coisas que a gente não compreende…"

“…Por que falar de outros ministros? É tão mais fácil falar bem das pessoas, tão mais tranquilo."

Ao lado de Lula, o ministro Paulo Bernardo. Marido de Gleisi, ele preferiu citar apenas Ideli na ironia que dirigiu a Jobim:

"O Jobim quer uma queda de braço com a Ideli. Ele é mais forte que ela, grandão."

Perguntou-se a Lula se Jobim chegou ao fim da linha. E ele: "É um problema da presidente Dilma. Não posso falar aqui na Colômbia]."

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Escrito por Josias de Souza às 17h11

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Dilma dá alternativas a Jobim: ou sai ou vai ser saído

Dilma Rousseff já procura o nome de um substituto para o ministro Nelson Jobim (Defesa).

Em conversa telefônica com Jobim, que se encontra no Amazonas, Dilma aconselhou-o a pedir demissão.

Do contrário, diante das novas declarações do auxiliar, não lhe restará senão a alternativa de exonerá-lo.

Jobim tentou negar o publicado. Disse que as declarações que fez à revista Piauí, antecipadas por Mônica Bergamo, foram retiradas do contexto.

Não colou. Dilma, que já estava pelas tampas com Nelson ‘Eu Votei no Serra’ Jobim, transbordou.

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Escrito por Josias de Souza às 16h21

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PT de Ribeirão Preto filia um ex-juiz ‘algoz’ de Palocci

  Fábio Pozzebom/ABr
Com a lealdade a Antonio Palocci já bem cansada, o PT de Ribeirão Preto, berço político do afortunado ex-ministro, abrigou em seus quadros João Agnaldo Donizeti Gandini.

Vem a ser um juiz aposentado. Na ativa, ele presidiu o processo em que o ex-prefeito Palocci foi acusado de direcionar uma licitação para a compra de molho de tomate.

Deve-se a informação à repórter Leila Suwwan. Ela conta que, além de filiar o algoz de Palocci, o PT local cogita lançá-lo à prefeitura da cidade nma eleição de 2012.

O caso do molho de tomate, que na licitação urdida sob Palocci tinha que vir com ervilhas, rendeu duas ações contra o ex-Todo-Poderoso da Casa Civil.

Numa, penal e mais antiga, Palocci foi retirado do espeto pelo STF. Noutra, por improbidade e mais recente, o ex-prefeito continua na grelha da Justiça Federal.

Ouvido, o presidente do PT-Ribeirão, Pedro Sampaio, disse: “Esse processo não criou nenhum incômodo entre petistas.”

Como assim? “Temos clareza que ele [Gandini] exerceu a função dele. Não é isso que está em discussão agora…”

“…O juiz teve uma atuação profissional, e isso não atrapalha a trajetória política.”

Sampaio procurou Palocci. Queria saber se ele seria candidato a prefeito de Ribeirão. Não o encontrou:

“Tentei falar com o Palocci, mas a informação que tive é que ele não tem intenções de entrar na política eleitoral.” Ah, bom!

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Escrito por Josias de Souza às 07h15

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Livre do calote, Obama testa prestígio em lanchonete

- Aqui, os detalhes. Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 06h15

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Nelson Jobim sobre Ideli Salvatti: ‘É muito fraquinha’

Patricia Santos/Folha

Alguma coisa subiu à cabeça do ministro Nelson Jobim (Defesa). Não se sabe o que é. Mas tem mais cara de soberba do que de bom senso.

Nas pegadas da entrevista em que disse ter votado no tucano José Serra, contra Dilma Rousseff, vem à luz uma nova tentativa de ‘sincericídio’ de Jobim.

Em conversa com a repórter Consuelo Dieguez, Jobim desqualifica duas colegas de ministério quem nem esquentaram a cadeira: Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann.

Mais: insinua que, na pasta da Defesa, quem decide sobre nomeações é o ministro, não a presidente da República.

O novo flerte de Jobim com a porta de saída foi impresso nas páginas da última edição revista “Piauí”.

Num par de notas, a coluna de Mônica Bergamo antecipa alguns dos pedaços tóxicos da conversa. Leia:


- CENSURA: O ministro Nelson Jobim, da Defesa, solta o verbo mais uma vez, agora na revista "Piauí" que chega às bancas amanhã.

Ao se referir às negociações sobre o sigilo eterno de documentos, ele atira no núcleo do governo de Dilma Rousseff. "É muita trapalhada", afirma.

"A [ministra] Ideli [Salvatti, das Relações Institucionais] é muito fraquinha". Já Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, "nem sequer conhece Brasília".

- QUEM MANDA: Jobim conta também que, ao convidar José Genoino para trabalhar na Defesa, ouviu de Dilma: "Mas será que ele pode ser útil?".

Jobim diz que respondeu: "Presidenta, quem sabe se ele pode ou não ser útil sou eu."

O ministro diz ainda que FHC e Lula são sedutores. "Só que de maneiras diferentes. O Lula diz palavrão, o Fernando é um lorde".


Os novos disparos chegam ao noticiário horas depois de o ministro ter sido recebido por Dilma. Saiu da audiência com a cabeça ainda sobre o pescoço.

Se Dilma queria motivos adicionais para levar à bandeja o escalpo do ministro que Lula lhe impôs, dispõe agora de farto material.   

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Escrito por Josias de Souza às 04h06

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As manchetes desta quinta

- Globo: Impasse nos EUA já custou US$ 2,6 trilhões às bolsas

- Folha: Dilma reduz o IPI de carro nacional e sobe o de cigarro

- Estadão: Governo zera IPI de carro que privilegiar peça nacional

- Correio: Brasileiro perde com a crise aqui e lá fora

- Valor: Bancos blindam carteiras contra inadimplências

- Estado de Minas: Cada vez mais salgada

- Jornal do Commercio: Recife vai liberar sinais após às 22h

- Zero Hora: Hackers derrubam site da Assembleia em apoio a músico

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h48

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(Re)Nascimento!

Regi

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Escrito por Josias de Souza às 01h02

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Com pesquisa e seminário, Dilma mira a classe média

  José Cruz/ABr
Desde que tomou posse, em janeiro, Dilma Rousseff cultiva uma obsessão: quer aproximar seu governo da chamada nova classe média, seduzindo-a.

Reitera aos ministros a orientação para que ajustem as ações de suas pastas aos cerca de 30 milhões de brasileiros que ascederam à faixa média da pirâmide social.

Para converter vagas intenções em providências concretas, o governo encomendou uma pesquisa para perscrutar o perfil do novo nicho social.

Os dados serão esmiuçados em seminário marcado para segunda-feira (8). Será aberto com um discurso de Dilma.

O nome do encontro fala por si: “Políticas Públicas para a Nova Classe Média Brasileira.”

Foi organizado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, em cooperação com a Secretaria de Políticas Econômicas do Ministério da Fazenda.

O objetivo é compor um “retrato” do alvo de Dilma, subsidiando os técnicos do governo na elaboração de políticas direcionadas ao novo personagem.

A pesquisa que municia o Planalto foi encomendada ao instituto Data Popular, especializado na aferição dos hábitos e gostos do “mercado popular”.

Chefiada pelo ministro Moreira Franco (PMDB), a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) levou à web o site “Nova Classe Média”.

Vai transmitir o seminário e abrigar as informações coletadas na pesquisa. No final do ano, provavelmente em novembro, o debate desaguará num forum: “Novo Brasil.”

A nova página pendurada pela SAE na internet traz uma janela na qual são mencionadas “45 curiosidades” sobre a nova classe média.

No item de número três, a nova classe media é estimada em 32 milhões de pessoas. Afirma-se que outras 19,3 milhões deixaram a pobreza absoluta.

O número quatro ajuda a entender a preocupação obsessive de Dilma. Engordada pelos ex-pobres, a classe média somaria, hoje, 94,9 milhões de brasileiros.

O equivalente a 50,5% da população do país. Um contingente ”dominante do ponto de vista eleitoral e do ponto de vista econômico”, anota o site.

Antecipam-se algumas informações colecionadas pelo Data Popular. Por exemplo: “A classe C é responsável por 78% do que é comprado em supermercados.”

Nesse universo, “60% das mulheres” frequentam o salão de beleza. A nova classe manuseia “70% dos cartões de crédito no Brasil.”

Responderia por “80% das pessoas que acessam a internet”, movimentando na rede “R$ 273 bilhões” por ano.

Isso se forem levados em conta apenas os gastos feitos com o salário. “Se considerarmos o crédito” concedido à nova classe média, “esse montante dobra”.

Dilma não é a única a levar a classe media à alça de mira. Em abril, o grão-tucano FHC veiculou artigo no qual defendia que PSDB e aliados se voltassem para esse nicho.

A peça foi diluída em polêmica, contudo. A oposição pôs-se a debater com os rivais governista o pedaço do texto em que FHC anotou o seguinte:

“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os ‘movimentos sociais’ ou o ‘povão’ isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos”.

A tropa governista pespegou em FHC a pecha de “elitista.” O tucanato mordeu a isca. E o miolo do artigo (releia aqui) não alcançou os objetivos pretendidos pelo autor.

Dilma tenta ser mais efetiva. Esforça-se para passar da teoria à prática.

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Escrito por Josias de Souza às 23h03

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Jobim vai a Dilma e sai com a cabeça sobre o pescoço

  Folha
O ministro Nelson ‘Eu Votei no Serra’ Jobim (Defesa) foi recebido nesta quarta (3) por Dilma Rousseff.

Foi o primeiro despacho da dupla depois que Jobim explicitou ao repórter Fernando Rodrigues sua preferência eleitoral.

Em Brasília, três pessoas são capazes de guardar um segredo apenas se duas estiverem mortas.

Assim, afora os muitos que já sabiam, todo mundo intuía que Jobim não votara em Dilma.

A despeito disso, a entourage do Planalto cuidou de alardear que Dilma, irritada com a indiscrição, cogitava demitir Jobim.

Se cogitou a sério, é difícil saber. De concreto, apenas as evidências. Depois da reunião, Jobim tomou um avião da FAB rumo à fronteira com a Colômbia.

Foi fechar com autoridades colombianos convênios de segurança que um um ministro-sem-cabeça não poderia assinar.

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Escrito por Josias de Souza às 22h06

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‘Não somos responsáveis pelo que os parentes fazem’

Alan Marques/Folha

Sob Dilma Rousseff, a expressão “laços de família” ganhou nova utilidade. Serve para atar a parentela do alheio ao bolso do contribuinte.

Tome-se o caso de Oscar Jucá Neto. Há dois dias, o Painel informou, na 'Folha': o irmão de Romero Jucá geria no Recife o restaurante Assucar. Foi à breca.

Da ruína, Jucazinho foi alçado à Infraero, na Era Lula. Em 2009, uma faxina encomendada pelo ministro Nelson Jobim (Defesa) acomodou-o no olho da rua.

Içado do meio-fio pelo irmão ilustre, Jucazinho chegou, sob Dilma, à diretoria financeira da Conab. Ali, virou notícia instantânea ao desviar R$ 8 milhões para um armazém fantasma.

De volta ao asfalto, Jucazinho perdeu a pose numa entrevista: “Ali [na pasta da Agricultura] só tem bandido.” Alvejado, o ministro Wagner Rossi tenta se explicar.

Nesta quarta (3), falando à comissão de Agricultura da Câmara, Rossi disse que as denúncias de Jucazinho, por “vazias”, não merecem crédito.

O deputado Ônyx Lorenzoni (DEM-RS) quis saber do ministro: vai processar o caluniador?

E Rossi: “Não quero agravar as circunstâncias desagradáveis para o irmão de Jucá Neto ou para a sua família, embora tenha todos os elementos para processá-lo.”

Apenas para confirmar, perguntou-se ao ministro quem indicou Jucazinho. Ele ratificou: foi Romero Jucá.

No dizer de Rossi, Jucazão portou-se com “lisura",  foi "correto”. Heimmm!? “Não somos responsáveis pelo que nossos parentes fazem.”

De fato, seria um despropósito responsabilizar o PMDB, o ministro do PMDB ou o líder do PMDB por qualquer coisa. São todos, como se sabe, grandes irresponsáveis.

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Escrito por Josias de Souza às 20h21

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Senado: CCJ aprova a recondução de Roberto Gurgel

Lia de Paula/Ag.Senado

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta (30) a recondução de Roberto Gurgel à cadeira de procurador-geral da República.

A votação foi precedida de sabatina. A inquirição teve rigor inusual. Mas, embora imprensado, Gurgel foi brindado com aprovação folgada: 21 votos contra 1.

Coube a uma tróica de oposicionistas –Demóstenes Torres (DEM-GO), Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Alvaro Dias (PSDB-PR) —fazer as perguntas mais incômodas.

Gurgel foi especialmente questionado sobre a decisão de arquivar a representação levada à Procuradoria contra o ex-ministro petê Antonio Palacci.

Os oposicionistas recordaram a Gurgel que havia 20 milhõe$ de razões para submeter a bonança patrimonial de Palocci a uma investigação. Por que aquivou?

O procurador-geral alegou que não enxergou no caso indícios de crime. Expressou-se assim:

"O que sustentei, essencialmente, foi que a lei penal não tipifica como crime a incompatibilidade entre o patrimônio e a renda declarada."

Como assim? "No caso específico, não havia qualquer indício que a renda tivesse sido advinda de crimes…"

"…Sequer se podia cogitar de crime de sonegação fiscal já que os valores tinham sido declarados."

Quanto à insinuação de que serviu refresco a Palocci para adular Dilma Rousseff, dona da caneta que assinou a sua recondução, Gurgel disse:

“Teria sido uma burrice, uma canalhice imensa [arquivar as investigações] para agradar a um ministro que já estava na porta de saída."

Mesmo o senador Pedro Taques (PDT-MT), ex-procurador da República e amigo de Gurgel, fez restrições ao arquivamento da investigação contra Palocci.

Taques reconheceu que Gurgel tem a prerrogativa de abriu ou não procedimentos do gênero. Porém…

…Porém, declarou que, em relação a Palocci, o procurador-geral “poderia procurar mais do que fez no caso”.

Aprovado na comissão, o nome de Gurgel seguiu para o plenário do Senado. Ali, sera referendada a recondução dele para o novo mandato de dois anos.

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Escrito por Josias de Souza às 18h26

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Vaivém de rubricas em pedidos de CPI é caso de CPI

Angeli

Ao ordenar o cerco de Samos, Péricles propiciou bons lucros às prostitutas de Atenas. Elas seguiram a tropa. E serviram os soldados durante o sítio demorado.

Com sua tentativa de cercar o governo no Senado, a oposição azeitou transações de certos senhores. Eles assinaram a CPI. E serviram o Planalto retirando-se do sítio.

Ao abrir a sessão vespertina desta quarta (3), o tetrapresidente José Sarney mandou às calendas gregas o pedido de CPI protocolado na véspera.

No intervalo de uma Lua, desembarcaram do requerimento três senhores: o pedetê João Durval (BA), o pepê Reditario Cassol (RO) e até o tucano Ataídes Oliveira (TO).

Pressionado, Ataídes se deu conta de que a rendição não ornava com o bico e as plumas. Restituiu a assinatura.

O vaivém dos jamegões oferece duas evidências: 1) a política é a segunda profissão mais antiga do mundo. 2) pedidos de CPI viraram caso de CPI.

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Escrito por Josias de Souza às 16h43

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Em matéria de obras, Dilma chefia gestão de 2 gumes

Vendida na campanha eleitoral como gerente impecável, Dilma Rousseff tornou-se uma presidente temerária.

Em resposta ao descalabro dos Transportes, Dilma decidiu condicionar a contratação das obras do ministério à elaboração de “projetos executivos”.

São estudos mais detalhados do que os “projetos básicos”. Em tese, servem de antídoto contra o veneno dos aditivos contratuais que encarecem as obras.

Há seis dias, ao expor o último balanço dos empreendimentos do PAC, a ministra Miriam Belchior (Planejamento) anunciou uma novidade.

Os “projetos básicos” serão banidos de todas as grandes licitações do governo, não apenas as da pasta dos Transportes.

A companheira Belchior soou assim: “O PAC 1 mostrou uma dificuldade, que é essa ausência de projeto executivo…”

“…O que levou à contratação de obras com projetos básicos insuficientes, que levou a uma série de aditivos. No PAC 2, vamos contratar só com projetos executivos."

Afora a exposição de uma armadilha que Dilma não teve a perspicácia de desarmar na época em que era “mãe” da encrenca, ficou boiando na atmosfera uma contradição.

Os tais “projetos executivos”, agora tidos como vitais no âmbito do PAC, não serão exigidos nas obras bilionárias da Copa-2014 e das Olimpíadas-2016.

Sob Dilma, o governo acionou sua maioria no Congresso para aprovar o RDC (Regime Diferenciado de Contratação).

Trata-se de mandracaria concebida na gestão Lula para permitir que as obras dos mega-eventos esportivos sejam erigidas a toque de caixa.

No RDC, flexibiliza-se tudo. Dispensam-se até os “projetos básicos”, aqueles que a ministra Belchior agora tacha de “insuficientes.”

Uma criança de cinco anos, com os neurônios em formação, perguntaria:

Que mágica será feita para evitar que a reiteração do flagelo do PAC 1 –“a dificuldade da ausência de projetos executivos”— resulte em escândalos olímpicos –“uma série de aditivos”.

Na fase de votação do RDC, os operadores do Planalto diziam que o novo regime de obras, por vantajoso, seria o projeto-piloto de uma mudança mais ampla.

No futuro, apregoavam os governistas, sumiria do mapa a Lei de Licitações (8666). Junto com ela, desapareceriam as ranhetices dos empata-obras do TCU.

Com o escândalo dos Transportes, sumiram os defensores do RDC. A julgar pelo que se passa noutras pastas, talvez não reapareçam tão cedo.

Mencione-se o caso do Ministério da Integração Nacional. Toca uma das jóias da coroa do PAC: a transposição das águas do São Francisco.

Participam do empreendimento 12 consórcios de empreiteiras. Sob Dilma, os operários sumiram dos canteiros.

Os construtores condicionam a retomada das obras à celebração de aditivos. Passam de quatro dezenas os pedidos de elevação de preço.

Há mais: alguns dos aditivos elevam em cerca de 70% o preço original das obras licitadas na época em que Dilma era “mãe” da coisa toda.

Há pior: orçada em R$ 5 bilhões, a conta da transposição tornou-se um borderô em aberto.

No oficial, o ministro Fernando Bezerra, acomodado na Integração pelo PSB do governador pernambucano Eduardo Campos, estima o acréscimo em R$ 1,8 bilhão.

No paralelo, integrantes da equipe do ministro sopram que o preço final não ficará abaixo dos R$ 7 bilhões. Adicional de R$ 2 bilhões.  

Não é só: reza a lei que nenhum aditivo pode ultrapassar a casa dos 25%. No caso do São Francisco, há pelo menos 11 pedidos acima desse patamar.

Significa dizer que o governo terá de relicitar as obras. Levando-se Miriam Belchior a sério, dessa vez haverá “projetos executivos”.

Algo que vai tonificar os orçamentos e aviltar o calendário. Antes, previa-se que, na pior das hipóteses, a obra ficaria pronta em 2014.

Hoje, estima-se que, na melhor das hipóteses, a transposição terminará um dia. Tudo isso em meio à grande contradição.

Em matéria de obras, Dilma tornou-se presidente de um governo de dois gumes: para o PAC, o rigor dos projetos executivos.

Para Copa e Olimpíadas, a frouxidão que conduz ao aditivo, espécie de bolsa-empreiteira.

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Escrito por Josias de Souza às 06h50

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Elio Gaspari: ‘Os Estados Unidos iam acabar em 1861’

Susan Walsh/AP

Além de eletrificar os mercados, a crise econômico-legislativa da rolagem da dívida americana produziu um surto de ‘nostradamismo’.

No geral, esboçou-se um cenário de início do fim do império. Em artigo levado às páginas desta quarta (3), o repórter Elio Gaspari destoa da multidão.

Na peça, encontravável na Folha, Gaspari recorda: no último século e meio, quem jogou as fichas na derrocada perdeu a aposta.

Em vez dos EUA, acabaram a escravidão, o fascismo e o comunismo. Vai abaixo o artigo:


Os Estados Unidos iam acabar. Não nesta semana, mas há exatos 150 anos, depois que as tropas do Sul venceram em Manassas a primeira grande batalha da Guerra Civil.

Grandes políticos ingleses, bem como ‘The Economist’ e ‘The Times’ (pré-Murdoch), achavam que o presidente Lincoln forçara a mão com o Sul. Quatro anos e 620 mil mortos depois, a União foi preservada e acabou-se a escravidão.

Passou pouco mais de meio século e, de novo, os Estados Unidos iam acabar. A Depressão desempregou 25% de sua mão de obra e contraiu a produção do país em 47%. A crise transformou fascismo e nazismo em poderosas utopias reacionárias.

De Henry Ford a Cole Porter, muita gente se encantou com o ditador italiano Benito Mussolini. Dezesseis anos depois, as tropas americanas entraram em Roma, Berlim e Tóquio.

Em 1961, quando os soviéticos mostraram Yuri Gagarin voando em órbita sobre a Terra, voltou-se a pensar que os Estados Unidos iam se acabar. Em 1989, acabou-se o comunismo.

A decadência americana foi decretada novamente em 1971, quando Richard Nixon desvalorizou o dólar, ou em 1975, quando suas tropas deixaram o Vietnã. O dólar continua sendo a moeda do mundo, inclusive para os vietnamitas.

A última agonia, provocada pela exigência constitucional da aprovação, pelo Congresso, do teto da dívida do país, foi uma crise séria, porém apenas uma crise parlamentar.

Para o bem de todos e felicidade geral das nações, não só os Estados Unidos não se acabam, mas o que se acaba são os modelos que se opõem ao seu sistema de organização social e política.

No cenário de hoje, o ocaso americano coincidiria com a alvorada de progresso e eficácia da China. Lá, o teto da dívida jamais será um problema. Basta que o governo decida. Como lá quem decide é o governo, nos últimos cem anos o Império do Meio passou por dois períodos de fome que geraram episódios de antropofagia.

Hoje a China não tem os problemas dos Estados Unidos, afinal, nem desastre de trem pode ser discutido pela população.

Guardadas as proporções, o sistema político brasileiro seria melhor que o americano, porque não haveria aqui a crise parlamentar provocada pelo teto da dívida. Se houvesse, o Brasil não teria quebrado nos anos 80 por ter tomado empréstimos dos banqueiros que ajudaram a criar a encrenca que hoje atormenta Washington.

Aquilo que parece uma crise da decadência é uma simples e saudável manifestação do regime democrático.

Quando os negros americanos foram para as ruas, marchando em paz ou queimando quarteirões, também temeu-se pelo futuro do país. O que acabou foi a segregação racial.

Se hoje há uma crise nos Estados Unidos, ela não está nas bancadas republicanas ou mesmo na influência parlamentar do movimento Tea Party. Eles defendem o que julgam ser o melhor caminho para o país.

A crise está em outro lugar, na negação, por um tipo de conservadorismo extremado, dos valores que fizeram da nação americana o que ela é.

Quando o governo Bush sequestrou suspeitos pelo mundo afora, levando-os para centros de tortura, e viu-se obrigado a soltar alguns deles porque não eram o que se pensava, aí sim, os Estados Unidos estavam em perigo.

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Escrito por Josias de Souza às 04h26

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As manchetes desta quarta

- Globo: Governo vai gastar até 25% mais para proteger indústria

- Folha: EUA e pessimismo global fazem mercados desabar

- Estadão: 'É só primeiro passo', diz Obama após evitar calote

- Correio: Indústria terá ajuda para enfrentar crise

- Valor: Governo anuncia renúncia fiscal de R$ 24 bi para ajudar indústria

- Estado de Minas: Pacote de Dilma tenta reaquecer indústria

- Jornal do Commercio: Mais imposto para cartões de crédito

- Zero Hora: Plano socorre móveis e calçados gaúchos

- Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 03h15

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Arte pós-tudo!

Angeli

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Escrito por Josias de Souza às 00h38

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Na sala de Temer, PMDB se une para não virar ‘um PR’

Sérgio Lima/Folha

A cúpula do PMDB -líderes e ministros- reuniu-se no gabinete do vice-presidente Michel Temer na noite desta terca (2).

Alinhavou-se uma estratégia para impedir que Dilma Rousseff fique tentada a estender a sua “faxina” ao Ministério da Agricultura.

Ouvido pelo repórter, um dos participantes do encontro disse:

“O PMDB não participa do governo, é governo. E não seria aceitável que o PMDB fosse tratado como um PR.”

Arrematada na sala de Temer, a tática do PMDB foi costurada nas últimas 48 horas. Consiste no seguinte:

1. Nesta quarta (3), o ministro Wagner Rossi (Agricultura), apadrinhado de Temer, prestará esclarecimentos na Comissão de Agricultura da Câmara.

2. Deve-se a presença do ministro a um requerimento de deputado do próprio PMDB, Moacir Micheletto (PR). Apresentou-o a pedido do líder Henrique Eduardo Alves (RN).

3. Com esse gesto, o partido e o ministro de Temer desejam sinalizar que não têm nada a esconder.

4. Segue-se trilha inversa à de Antonio Palocci, que caiu da Casa Civil sem dar as caras no Legislativo. “Nós fazemos questão de esclarecer”, disse o cacique pemedebê.

5. Para não pôr em risco os dedos, o PMDB entregará o “anel” Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR).

6. Afastado da diretoria financeira da Conab após liberar R$ 8 milhões para um armazém fantasma, Jucazinho não será defendido pela legenda do irmão.

7. Ao contrário, Rossi repisará a tese segundo a qual Jucazinho atirou contra a Agricultura –“Ali só tem bandido”— em razão de ter sido demitido.

8. Dotado de um instinto de sobrevivência que o fez líder de três governos –desde FHC— Jucá aceitou que Jucazinho seja tratado como "problema familiar", não político.

9. Mais cedo, em entrevista, o morubixaba pemedebê dera o tom: "Parentes no governo sempre criam problemas, seja para o governo ou para o parente.” Para o PMDB, necas.

10. Em troca do bom comportamento partidário, Jucá não ouvirá críticas dos correligionários. Nem mesmo do ministro Rossi.

11. Em cerimônia no Planalto, Jucá foi afagado por todos, inclusive por Dilma. Abraçou Temer e Sarney. Confraternizou-se com Rossi. Travou com o alvo de Jucazinho um amistoso diálogo (repare nas imagens lá do alto).

12. Por ora, o PMDB considera “adequadas” as providências adotadas por Dilma. Abriu-se na CGU uma auditoria.

13. “A CGU teve a delicadeza de informar que o procedimento foi requisitado pelo próprio ministro Wagner Rossi”, realçou o pemedebê que conversou com o blog.

14. Ele acrescentou: “Até aí, normal. Fazemos questão de que tudo seja esclarecido. O que não aceitamos é o julgamento sumário de gente honrada.”

15. De novo, depreende-se da frase a aversão do PMDB ao modelo de demissões em série adotado por Dilma na pasta dos Transportes, da cota do PR.

16. De resto, a turma do PMDB decidiu reagir a eventuais “ataques oportunistas” da oposição e de parceiros governistas. Sobretudo do PT.

17. Concluiu-se que as “armas” da legenda são: tamanho e unidade. “Somos quase dois PRs na Câmara; três PRs e meio no Senado”, contabilizou o interlocutor do repórter.

18. Dilma Rousseff parece não ignorar as contas. Aceitou um “pedido de desculpas” de Jucá. E não mandou ao 'Diário Oficial' nenhuma demissão na Agricultura.

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Escrito por Josias de Souza às 22h59

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Pressionados, 2 senadores retiram assinaturas de CPI

  Folha
Durou pouco o entusiasmo da oposição. Pressionados pelo governo, dois senadores governistas já se dispuseram a retirar suas assinaturas do pedido de CPI.

João Durval (PDT-BA) foi o primeiro a dobrar os joelhos. Reditario Cassol (PP-RO) sinalizou a disposição de fazer o mesmo.

Assim, em vez de 27 rubricas, mínimo necessário para a instalação de uma CPI, a oposição passará a disport de 25.

O líder tucano Alvaro Dias (PSDB-PR, na foto), que centraliza a coleta de assinaturas, espanta-se com a pressa do Planalto.

O prazo para a retirada de assinaturas venceria à meia-noite desta quarta (3).

“A correria deles mostra o medo do governo”, disse Dias ao repórter. “A propalada faxina da Dilma é uma falácia. Não querem apurar coisa nenhuma.”

Dias disse que ter ouvido de colegas que até Dilma ligou para pedir a senadores que desembarcassem da CPI.

Além da presidente, mobilizaram-se os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Ideli Salvatti (Coordenação Política).

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Escrito por Josias de Souza às 22h12

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Sem romper com Dilma, PR abandona o ‘bloco’ do PT

  Folha
O PR, partido do ex-ministro Alfredo Nascimento (AM), decidiu abandonar o bloco liderado pelo PT no Senado.

O gesto não significa um rompimento com o governo Dilma Rousseff. Porém, Magno Malta (ES), líder do PR, adjetivou o suporte. “Será um apoio crítico.”

Na prática, o PR deixa de seguir a orientação da liderança do bloco governista, acumulada por Humberto Costa (PE), líder também da bancada do PT.

Em aparte ao colega Nascimento, que discursava no plenário, o senador Blairo Maggi (PR-MT) deu ideia do sentimento que se alastra pela tribo dos pêérre:

“A presidente Dilma deve um esclarecimento ao PR. […] Nós viramos lixo, a escória da política…”

“…Desejo que a presidente, assim que concluir o levatamento [no Ministério dos Transportes], venha a publico…”

“…Que condene quem deve ser condenado e absolva quem não tem culpa.”

Maggi realçou: “Depois do PR, dois partidos sofreram denúncias [PMDB, na Agricultura; e PP, nas Cidades]. E nada foi feito...”

“…Por que só o PR? Espero da Presidência o mesmo tratamento, a mesma rapidez, o mesmo jeito. Afaste as pessoas, veja se tem problema.”

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Escrito por Josias de Souza às 21h04

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Oposição alcança o número de assinaturas para a CPI

ShutterStock

No segundo dia de trabalho depois do recesso, a oposição impôs a Dilma Rousseff a primeira derrota do último semestre legislativo de 2011.

Atingiu-se o número mínimo de assinaturas para a instalação no Senado de uma CPI para escarafunchar as denúncias de corrupção que vicejam no noticiário.

O líder tucano Alvaro Dias (PR) voltara do recesso com 23 assinaturas no bolso do colete. Faltavam quatro para atingir os 27 jamegões exigidos pelo regimento.

Iniciada pela manhã, a coleta foi concluída no instante em que o ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) se defendia no plenário das acusações que lhe custaram o cargo.

Em aparte a Nascimento, Aécio Neves (PSDB-MG) anunciou: “Falta uma assinatura.” O tucano convidou o ex-ministro a completar, ele próprio, a lista.

Nascimento não se animou a atender ao pedido. Mas outro senador governista, Reditario Cassol (PP-RO) deu à oposição a assinatura que faltava.

Antes dele, levaram a rubrica ao requerimento João Durval (PDT-BA), Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e Zezé Perrella (PDT-MG). Todos de legendas governistas.

Alvaro Dias já encaminhou o pedido de CPI à Mesa diretora do Senado. Para que a coisa vire realidade, é precico que nenhum dos signatários recue do apoio.

Se a pressão do Planalto não fizer minguar a lista, o presidente do Senado, José Sarney sera compelido a requerer aos partidos a indicação dos representantes na CPI.

Escolhidos os membros, restará marcar a data de abertura da CPI. Começará pelos Transportes. Se depender da oposição se estenderá a outros escaninhos.

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Escrito por Josias de Souza às 20h09

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Nascimento acomoda Lula e Dilma no centro da crise

Como previsto, o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) escalou a tribuna para falar sobre a crise moral que o ejetou da poltrona de ministro dos Transportes.

Ao se defender, Nascimento terminou por arrastar Lula e a própria Dilma para o epicentro da crise.

Por quê? Segundo o ex-ministro, o orçamento das obras do PAC confiadas à pasta dos Transportes foi engordado em R$ 14 bilhões no ano eleitoral de 2010.

“O Ministério dos Transportes já era uma das pastas com o maior volume de investimentos do PAC”, disse Nascimento.

“E, para o período aberto em 2011, registrava um aumento significativo em todos os seus projetos”, prosseguiu o orador.

“Quando saí [31 de maço de 2010], o PAC do ministério significava investimentos da ordem de R$ 58 bilhões. Quando retornei, já estava em R$ 72 bilhões.”

Diante do que chamou de “disparada dos gastos”, Nascimento disse ter determinado, em fevereiro, um “pente fino” nos contratos.

“Nos primeiros dias de março”, disse Nascimento, “levei minhas preocupações sobre o que me pareceu um grande salto e descontrole no orçamento” a Miriam Belchior.

Sob Dilma, a ministra Belchior (Planejamento) é a responsável pelo PAC. Segundo Nascimento, ela concordou com a necessidade de rever os projetos.

O ex-ministro disse ter levado a encrenca, dias depois, à própria Dilma. Acertou com ela uma data para a adoção de providências saneadoras: 15 de julho.

Considerando-se o quadro apresentado por Nascimento, na época em que Lula era presidente e Dilma candidata, o PAC tornara-se um programa de fancaria.

Nas palavras de Nascimento: “Significava que a nova administração não teria recursos necessários para iniciar nenhuma nova ação […] Não haveria o PAC 2.”

O orçamento engordou no período em que respondia pelo Ministério dos Transportes o atual ministro, Paulo Passos, nomeado por Dilma para fazer a “faxina.”

Nascimento cuidou, porém, de atenuar a responsabilidade de Passos. Quem define o orçamento, disse ele, é o Comitê Gestor do PAC.

Quem integrava o comitê? Casa Civil [Erenice Guerra, ex-segunda de Dilma], Planejamento [Paulo Bernardo] e Fazenda [Guido Mantega].

Quer dizer: embora Nascimento tenha se esquivado de dizer com todas as letras, o sobrepreço das obras, origem da “faxina”, nasceu sob Lula.

No DNA da encrenca está a manobra do ex-soberano para adensar a vitrine eleitoral na qual Dilma foi exposta.

Nascimento teve o cuidado de enfatizar: Dilma, como ele, estava fora do governo. Era candidata, não ministra. Porém…

…Porém, embora informada por ele acerca da gordura orçamentária, Dilma comandou, em 24 de junho, uma reunião para a qual Nascimento não foi convidado.

Nesse encontro, vazado para a revista 'Veja', Dilma passou uma carraspana na equipe de Nascimento. Munida de planilhas e documentos, disse coisas assim:

“Vocês ficam insuflando o valor das obras. Não há orçamento fiscal que resista […]. Eu teria de dobrar a carga tributária do país.”

Ou assim: “Vocês precisam de babá. E terão três a partir de agora, a Miriam [Belchior], a Gleisi [Hoffmann] e eu.”

Nascimento insinuou que o teor da reunião ganhou as ruas com o propósito de desgastá-lo. “Não foi desmentido”, ele realçou.

Ficou entendido que Dilma injetou teatro no lodo. A presidente reclamou de gastos criados sob Lula para vitaminar a candidatura dela.

Simulou surpresa diante de um cenário de “descontrole” que Nascimento diz ter, ele próprio, levado ao gabinete presidencial.

"Eu não sou lixo, o meu partido não é lixo, nossos sete senadores não são lixo”, disse Nascimento a certa altura.

O ex-ministro disse que não foi varrido. Pediu para sair porque não obteve de Dilma o apoio que ela lhe prometera.

À medida que Nascimento discursava, a oposição coletava assinaturas para uma CPI. Ao final do discurso, atingiu-se o patamar mínimo exigido: 27 rubricas.

Mesmo no Senado, templo de farsas e dissimulações, cresce o número dos que desejam abrir as cortinas diáfanas que ocultam o que se passa sobre o palco.  

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Escrito por Josias de Souza às 18h40

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Sarney:‘Parentes no governo sempre criam problema’

Fábio Pozzebom/ABr

Nelson Rodrigues dizia: “A família é o inferno de todos nós.”

Ao indicar o irmão Oscar 'Ali só Tem Bandido' Jucá Neto para a diretoria financeira da Conab, Romero Jucá como que arrastou para dentro do seu inferno o contribuinte brasileiro.

Nesta terça (2), o tetrapresidente do Senado, José Sarney, pajé da tribo em que Jucá milita como cacique, comentou:

"Parentes no governo sempre criam problemas, seja para o governo ou para o parente…”

“…No caso do senador Jucá, ele pediu desculpas [à presidente Dilma] porque as declarações não eram dele. Todas as denúncias, o governo deve mandar investigar."

Certo, muito certo, certíssimo. Parente no governo é sempre um problema esperando para acontecer.

O que Sarney não disse é que parente fora do governo tampouco está livre de se converter em encrenca.

Fernando Sarney, filho de Sua Excelência, gestor dos negócios da família, encontra-se sob investigação da Polícia Federal.

No ano passado, após perscrutar inclusive a movimentação do primogênito de Sarney no setor elétrico do governo, a PF indiciou-o por crimes variados -de formação de quadrilha a evasão de divisas.

Sarney renderia homenagens à lógica se aditasse aos comentários sobre Jucazinho meia dúzia de palavras sobre os achados que a PF colecionou contra Fernando.

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Escrito por Josias de Souza às 16h28

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Socorro a exportador resulta em renúncia de R$ 25 bi

Dilma lançou o programa ‘Brasil Maior’. Vendido como política industrial, não chega a tanto. Em verdade, é um pacote de socorro a exportadores.

O embrulho contém refresco tributário, desoneração da folha e dinheiro do BNDES. Aqui, os detalhes.

A renúncia fiscal embutida no pacote privará a Receita da coleta de R$ 25 bilhões até 2012.

Apresentadas ao pacote pouco antes do lançamento, as centrais sindicais não gostaram do que viram. E boicotaram a cerimônia (veja no vídeo lá do alto). 

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Escrito por Josias de Souza às 15h18

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TCU detecta descontrole em operações da Agricultura

Levado ao notíciario como novo foco de corrupção, o Ministério da Agricultura, da cota do PMDB, mereceu de Dilma Rousseff um tratamento diferenciado.

Ao contrário da reação que teve no caso das denúncias de cobrança de propinas nos Transportes, da cota do PR, a presidente dessa vez não levou a mão à vassoura.

Uma auditoria concluída pelo TCU farejou práticas que submetem o contribuinte ao risco de desvios e sujeitam Dilma ao arrependimento.

O relatório do tribunal de contas anota que a Agricultura não exerce controle eficaz sobre as operações milionárias que correm pelos seus escaninhos.

Para o TCU, o ministério convive com brechas que podem servir de escoadouro de verbas públicas.

Deve-se ao repórter Breno Costa a revelação do conteúdo do relatório do TCU.

Numa das passagens, lê-se o seguinte: Verifica-se "a inexistência de uma sistemática efetiva de controles internos no ministério…”

“…O que se mostra temerário por tratar-se de um órgão que exerce a fiscalização de transações de grande valor econômico…”

“…Com poderes de aplicação de multas, apreensão de mercadorias, interdição de estabelecimentos."

O mais grave, informa o TCU, é que o descontrole se estende às operações de fiscalização do ministério e da Conab (Cia Nacional de Abastecimento).

A mesma Conab de cujo organograma acaba de ser ejetado Oscar Jucá Neto, o Jucazinho.

Irmão de Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Dilma no Senado, Jucazinho deixou a diretoria financeira da Conab sob estrépito.

Pilhado na liberação irregular de R$ 8 milhões a um armazem que tem dois laranjas como sócios, o irmão de Jucazão trovejou para o alto.

Denunciou a existência de um esquema de desvios na Conab, acusou o ministro Wagner Rossi de tentar silenciá-lo com dinheiro e proclamou: “Ali só tem bandido”.

Jucazão desculpou-se com Dilma, Rossi pespegou em Jucazinho a pecha de “despreparado” e o Planalto a serviu ao PMDB um refresco que negara ao PR.

E o TCU: "A insipiência na área de controles internos do ministério é particularmente preocupante no que se refere a atividades de fiscalização”.

Um setor, realçam os auditores, “em que existe contato direto entre servidores do ministério e os fiscalizados."

Só neste ano, as operações de fiscalização da Agricultura resultaram na aplicação de R$ 17,6 milhões em multas.

Entre as atribuições da pasta está o controle dos estoques privados de alimentos e dos negócios de importação e exportação de alimentos.

O trabalho do TCU conduz à conclusão de que o ministério, por “descontrolado”, não tem como assegurar, por exemplo, a inexistência de acertos entre fiscais e fiscalizados.

Apadrinhado do vice-presidente Michel Temer, Wagner Rossi, um ex-deputado do PMDB de São Paulo, foi à cadeira de ministro em abril de 2010, sob Lula.

Eleita, Dilma o manteve no cargo. Antes, Rossi presidira a Conab (junho de 2007 a março de 2010).

Procurado, o Ministério da Agricultura pronunciou-se sobre a auditoria do TCU por meio de uma nota official.

O texto anota que o ministro Rossi determinou “às áreas pertinentes a máxima atenção para o cumprimento das determinações” do TCU.

Informou-se que “estão sendo executadas” ações para dotar a pasta de capacidade de “mapeamento e automação dos processos internos.”

A ordem para a adoção das providências consta de memorando do secretário-executivo do ministério, Milton Elias Ortolan. Coisa de 13 de julho, 21 dias atrás.

Um brasileiro em dia com seus tributos pode ser tentado a exclamar: Demorooooou! Para Dilma, nada que justifique submeter o PMDB a uma “faxina” à moda do PR.

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Escrito por Josias de Souza às 04h44

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As manchetes desta terça

- Globo: Na Câmara, Obama aprova o acordo com aliados divididos

- Folha: Sob crítica, plano anticalote dos EUA passa na Câmara

- Estadão: Acordo nos EUA indica fragilidade e derruba bolsas

- Valor: Plano Brasil Maior sai e desonera folha de salários

- Estado de Minas: Dívida de Minas vira bomba-relógio

- Zero Hora: Triplica devolução de armas no Estado

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h59

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Contra crises, Vaselulina!

Benett

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Escrito por Josias de Souza às 01h08

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Nascimento cancela a reunião do PR e fala no Senado

Marcelo Camargo/Folha

Vinte e sete dias depois de deixar o Ministério dos Transportes, o senador Alfredo Nacimento (PR-AM) vai quebrar o silêncio.

Ele escalará a tribuna do Senado às 15h45 desta terça (2) para falar sobre a crise moral que o ejetou da cadeira que ocupava desde a gestão Lula.

Nos últimos dias, lideranças do PR insinuavam que Nascimento, magoado com Dilma Rousseff, usaria o discurso para acionar o ventilador.

Porém, a julgar pelo que disse o ex-ministro aos correligionários, em privado, a montanha deve parir um rato, como se diz.

O pronunciamento seria precedido de reunião da Executiva do PR. Um encontro no qual a caciquia da legenda discutiria sua relação com o governo.

Presidente nacional do partido, Nascimento cuidou de cancelar a reunião. Mandou a assessoria do PR veicular um texto na internet.

A peça confirma o discurso e descarta o encontro de caciques. Além do texto, há um vídeo.

Entre as imagens, uma cena em que Dilma dá um afetuoso abraço em Nascimento (Veja aqui).

O vídeo termina com uma frase ditada pelo locutor: “Partido da República, política passada a limpo. De verdade”.

Vivo, o humorista Bussunda observaria o rascunho dos Transportes, passado a sujo, e diria: “Fala séeeeerio!”

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Escrito por Josias de Souza às 23h21

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Dilma lista 7 prioridades. Portanto, não tem prioridade

Dilma Rousseff reuniu-se com ministros e mandachuvas das bancadas dos partidos de seu condomínio.

Um dos presentes saiu do encontro aturdido. Até onde sua paciência resistiu, anotou sete “prioridades” legislativas listadas por Dilma.

Vão da garantia de verbas para a construção de creches à aprovação da "política industrial" que será anunciada nesta terça (2).

A lista inclui ainda: marcos legais para a mineração e a internet; dinheiro para o Bolsa Família e o Brasil sem Miséria.

Contempla até a renovação de uma mandracaria orçamentária criada sob FHC como temporária e eternizada por sucessivas renovações: a DRU.

Nada sobre a emenda que regula os gastos da saúde. Nem sinal do piso salarial de PMs e bombeiros. Necas da redivisão dos royalties do petróleo.

“Quem tem sete prioridades não tem nenhuma prioridade”, disse o líder partidário ao repórter. “Como não há vazio em política, o Congresso vai impor sua agenda.”

Tremei, contribuinte!

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Escrito por Josias de Souza às 22h14

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Jucazinho é ‘despreparado’, diz ministro que nomeou

  Sérgio Lima/Folha
O ministro Wagner Rossi (Agricultura) veio à boca de cena para rebater Oscar ‘Ali só Tem Bandido’ Jucá Neto.

Segundo Rossi, apadrinhado do vice-presisente Michel Temer, o único malfeito detectado na pasta foi praticado pelo próprio Jucazinho.

Referia-se aos R$ 8 milhões que o irmão de Romero Jucá transferiu das arcas da Conab para a caixa registradora de uma empresa que tem como sócios dois laranjas.

No dizer de Rossi, Jucazinho foi pilhado "numa flagrante ilegalidade e agora quer criar uma crise política ao tentar colocar todo mundo no mesmo saco."

Acrescentou: "Foram contrariadas todas as normas, sem passar por diretorias. Ele mesmo entrou no sistema e pegou um recurso que não pode ser manejado."

A verba estava alocada num fundo que só pode ser usado na aquisição de alimentos. Ao servir-se do fundo, disse Rossi, Jucazinho revelou-se "despreparado para o cargo".

Afora a afronta ao léxico –desonestidade agora é despreparo!— o ministro suscitou uma interrogação:

Por que diabos acomodou na diretoria financeira de uma estatal um despreparado? Rossi admitiu ter atendido a um pedido de Jucazão. Acha que se redimiu:

"Não vou dizer que não tenho parcela de culpa na escolha, mas eu cumpri minha responsabilidade ao colocá-lo para fora."

Faxina? O ministro acha que não é necessário: "É um caso isolado, não há faxina ou crise. A única irregularidade detectada foi feita pelo Oscar…”

“…Estamos passando todos os pagamentos em revista e informamos a CGU [Controladoria Geral da União]".

Segundo Rossi, Jucazão lhe fez um pedido: “minimizar os danos” impostos a Jucazinho. Coisa natural, na avaliação do ministro:

"Acho absolutamente normal que um irmão peça isso, eu respeito isso porque família tem muito valor para mim…”

“…Não é conveniente esse tipo de coisa [indicar irmão], olha que situação difícil que fica o irmão que indicou."

Em verdade, mais inconveniente do que a indicação e a nomeação de um diretor financeiro cuja única credencial é a árvore genealógica.

Mais difícil do que a situação do irmão-senador é a posição do contribuinte, que financia a bilheteria do circo de horrore$.

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Escrito por Josias de Souza às 20h40

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Jucazão pede perdão a Dilma por frases de Jucazinho

Ag.Senado

A exemplo de outros de sua espécie, Romero Jucá (PMDB-RR) dedica-se à arte de ocupar posições na máquina pública. 

Jucá ocupa porque a apropriação de pedaços do Estado lhe é politicamente lucrativa. Como deixam que ocupe, fez da ocupação uma terapia ocupacional.

O senador poderia ser chamado de Vício. Mas todo mundo o chama, carinhosamente, de líder do governo –outro de seus hábitos orgânicos e consentidos.

Nesta segunda (1o), o Vício foi à presença de Dilma Rousseff. Desculpou-se pelo comportamento do irmão Oscar Jucá Neto, o Jucazinho.

"Foi um absurdo o que ele fez, eu desaprovei a sua conduta”, disse Jucazão aos jornalistas, na saída do Planalto.

“Pedi desculpas à presidente e já tinha também conversado com o ministro Wagner Rossi [Agricultura]”.

Jucazinho foi desaprovado por Jucazão pelas palavras, não pelos atos que levaram à sua demissão da Conab, a estatal alimentícia de abastecimento.

O irmão do eterno líder estava lotado na diretoria financeira da Conab (o Vício é vidrado nessas cadeiras próximas dos cofres).

Foi mandado ao olho da rua depois de ser pendurado nas manchetes de ponta-cabeça. Liberou R$ 8 milhões a uma empresa que tem como sócios um par de laranjas.

Até aí, nada que inspirasse em Jucazão reparos à conduta. O problema é que, levado ao meio-fio, Jucazinho levou os lábios ao trombone.

Em timbre de denúncia, referiu-se à Conab como centro de malfeitos. Insinuou que o ministro Rossi, um chegado de Michel Temer, tentara comprar o seu silêncio.

Como se fosse pouco, pronunciou a fatídica frase sobre a pasta à qual estava vinculado: “Ali só tem bandido”, disse, referindo-se ao Ministério da  Agricultura.

Jucazão, que pegara em lanças contra o afastamento de Jucazinho, jura que o irmão acionou o trombone por conta própria.

Em plena Era da tecnologia, os Jucá se desencontraram: “Ele viajou, eu não sabia que ele daria entrevista. Tenho que discordar da sua postura."

Consumado o pedido de desculpas, Jucazão acredita que as denúncias de Jucazinho não farão do PMDB um PR. A faxina dos Transportes não chegará à Agricultura.

"A oposição vai tentar fazer uma onda por motivação política”, afirmou o Vício.

“Mas a presidente entendeu minha posição, disse que o [ministro] Wagner está averiguando as acusações."

Beleza. O ministro que Jucazinho apresentou como comandante virtual do “esquema” é quem vai verificar se há “bandido” no organograma da Agricultura.

Quer dizer: afora o constrangimento causado ao irmão, as palavras de Jucazinho resultarão em nada.

Nesse ritmo, Romero Jucá acaba se cansando de sua própria influência. Não aguenta a liderança do governo nem mais dez anos.

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Escrito por Josias de Souza às 19h38

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Jobim elogia Dilma e nega desejo de deixar o governo

Mari Nogueira/Folha

O ministro Nelson ‘Eu Votei no Serra’ Jobim gravou na tarde desta segunda (1o) a entrevista ao programa ‘Roda Viva’, que vai ao ar à noite, na TV Cultura.

Seis dias depois de pronunciar a declaração de voto que ateou em Dilma Rousseff o desejo de apeá-lo da pasta da Defesa, Jobim cuidou de não dar mais motivos.

Caprichou nos elogios à chefe: "A presidente Dilma é extraordinária. Minha relação com ela é ótima. Ela tem uma grande visão de Estado, uma visão de futuro."

Refutou a versão segundo estaria desconfortável na poltrona:

"Eu estou no governo porque me dá prazer. Sou ministro por prazer. Tenho desejo de continuar a fazer aquilo que estou fazendo."

Não quer mesmo deixar a Esplanada? "Não. Absolutamente. Não mesmo. Eu tenho um projeto para tocar."

Jobim reafirmou que deu ciência a Lula sobre o voto no tucano José Serra, seu padrinho de casamento, amigo de três décadas.

Repetiu também que não ludibriou Dilma: "Alguém pode não acreditar, mas eu não sou dissumulado. Sempre fui assim."

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Escrito por Josias de Souza às 18h09

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Hugo Chávez apareceu careca em posse de ministros

AP

Num instante em que nega carregar células cancerosas no corpo e tenta reconstituir a auto-imagem de imortal, Hugo Chávez apareceu aos venezuelanos careca.

Deu-se numa cerimônia de posse de novos ministros, transmitida pela TV estatal nesta segunda-feira.

Em interpretação particular dos compêndios de medicina, Chávez disse que a queda de cabelos é evidência de que a quimioterapia está “funcionando.”

"É meu new look", disse Chávez, assim mesmo, no idioma do império. Ele explicou que decidiu antecipar-se ao inevitável:

"Ontem à noite tive que chamar o barbeiro e lhe disse: 'olha, meu cabelo está caindo'. Fui tomar banho, ia por o shampoo como sempre e senti que caiu um pedaço."

Como se tivesse escolha, afirmou que fez a opção pelo corte “militar”.

Afora os ajustes na aparência, Chávez remodelou a retórica. Antes, seu lema era “patria socialista ou morte.” Agora, é “vencer e viver.”

O diabo é que a morte se alimenta do ato de viver. Democrática, ela iguala todos os seres humanos. Mesmo aqueles que, por autocratas, imaginam-se imortais.

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Escrito por Josias de Souza às 17h38

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Cuba vai autorizar compra e venda de casas e carros!

- Atualização feita às 19h02 desta segunda (1): Aqui, a notícia sobre o lote de reformas aprovado pela Assembléia Nacional cubana. 

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Escrito por Josias de Souza às 16h59

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Até Dirceu defende redução do índice de ‘fisiologismo’

  Folha
A situação é de tamanha indignidade que até pessoas tidas pelo Ministério Público como indignas começam a se indignar. É o caso do grão-petê Jose Dirceu.

Mentor da política de alianças que levou o ex-PT chamar Sarney de companheiro, Dirceu agora quer reduzir o índice de fisiologismo.

Continua achando natural que "os partidos indiquem os ministros e o seu entorno.” Porém, agora acha que “o resto deve ser da burocracia, servidores concursados."

Diz Dirceu: "Os partidos têm direito de participar do governo, mas não de lotear, fazer fisiologismo e muito menos corrupção."

Demitido em 2005, nas pegadas do mensalão, o ex-chefão da Casa Civil evoca o seu próprio exemplo para tranquilizar a companheirada.

"O PMDB não está amuado e nem o PR está dizendo que vai sair do governo. […] Não é porque fui afastado do governo que o Lula estava contra mim e o PT estava contra mim."

É..., faz sentido. Nos partidos, ninguém é contra ninguém por razões morais. Todo mundo peca, menos o político. Na política, todos são iinocentes. Ou cúmplices.

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Escrito por Josias de Souza às 15h15

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Jucazinho, a pasta dos ‘bandidos’ e o dilema de Dilma

Sérgio Lima/Folha

Submetida a denúncias em série, Dilma Rousseff parece viver um dilema. A coisa pode ser resumida assim:

Ela não sabe se tem coragem suficiente para enfrentar. Mas não quer parecer covarde o bastante para correr.

Entre as encrencas penduradas nas manchetes, a mais espinhosa é a da Agricultura, a pasta em que, segundo Jucazinho, “só tem bandido”.

Considerando-se um par de notas veiculadas no Painel da Folha, Dilma tende a deixar como está pra ver como é que fica. Leia:

 


- No aguardo 1: Integrantes do Planalto diziam ontem que a metralhadora disparada por Oscar Jucá Neto contra o ministro Wagner Rossi (Agricultura) aparenta esperneio de um recém-demitido, sem maiores consequências. Salvo, ressalvavam, "fato novo".

Hoje, a presidente Dilma Rousseff ouvirá o relato da história da boca do irmão do denunciante, seu líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

- No aguardo 2: Ao PMDB, Jucá já vem se explicando. Assegurou não corroborar a atitude do irmão, com quem não teria conseguido falar no sábado.

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Escrito por Josias de Souza às 06h02

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Congresso vai impor a Dilma um semestre turbulento

Lula Marques/Folha

Após duas semanas de recesso, o Congresso volta ao “trabalho” nesta semana com a disposição de submeter Dilma Rousseff a um segundo semestre turbulento. Ausentes de Brasília, deputados e senadores assistiram ao jogo solitário de Dilma. Disseminou-se a impressão de que a presidente jogou para a platéia.

Os governistas ficaram entre apreensivos e irritados com o que viram. Os oposicionistas animaram-se com a perspectiva de elevação da temperatura. Em 15 dias, esvaiu-se a atmosfera benfazeja que se estabelecera entre o Planalto e o Legislativo nos dias que antecederam o recesso.

Ao nomear a petista Ideli Salvatti (PT-SC) para gerenciar o balcão, Dilma sinalizara a intenção de acelerar o conta-gotas dos cargos. Ao assinar o decreto que prorrogou a liberação de emendas orçamentárias velhas, os “restos a pagar”, a presidente acenara com a desobstrução do duto das verbas.

Por ora, não foi empenhado um mísero centavo do bolo de emendas de parlamentares. Quanto aos cargos, foram ao 'Diário Oficial' apenas demissões. Desalojado do Ministério dos Transportes, um ninho de corrupção do qual foram desalojadas 22 pessoas, o PR lidera o bloco dos irritados.

Nesta terça (2), a caciquia do partido do senador Alfredo Nascimento (PR-AM) e do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) deve se reunir em Brasília. Antes do recesso, o PR era festejado no Planalto como uma das legendas mais fieis ao governo. Agora, o partido quer discutir a relação.

“Fomos tratados de forma indigna”, disse um líder do PR ao repórter, indignado com o método adotado por Dilma na “limpeza” dos Transportes.

O mandachuva pêérre estranha: “Agora, há notícias de corrupção na Agricultura (PMDB e PTB), nas Cidades (PP) e na ANP (PCdoB). Para ser coerente, a presidente teria de demitir todo mundo. Se usar peso diferente, tem de nos dar explicações. Se usar a mesma balança, vai terminar sozinha.”

Na ala dos apreensivos encontram-se todos os outros partidos que compõem o consórcio governista. Ruminam dúvidas quanto aos métodos de Dilma. No grupo dos revigorados,  os oposicionistas PSDB, DEM e PPS enxergam no excesso de eletricidade a oportunidade para produzir um curto-circuito.

Com 23 assinaturas já coletadas, a CPI do Dnit depende de quatro jamegões para virar realidade no Senado.

Nesta semana, além de reforçar a coleta, a oposição vai protocolar nas comissões das duas Casas legislativas requerimentos de convocação de autoridades. Entre elas o diretor-geral da ANP (Haroldo Lima) e três ministros: Paulo Passos (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura) e Mário Negromonte (Cidades).

Em conversa com o repórter, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB, deu uma ideia das complicações que estão por vir. “Vamos ter um semestre difícil”, disse ele. “Há muitos projetos polêmicos à espera de votação”. Citou quatro: a divisão dos royalties do petróleo, o reajuste dos salários de magistrados e promotores, a regulação dos gastos da saúde e a criação do piso salarial de bombeiros e policiais militares.

Mencionou um complicador: em 2012 haverá eleições municipais. Sindicatos e corporações sabem que, em ano eleitoral, é mais difícil aprovar novas despesas. Assim, conclui Henrique, “toda a pressão sobre o Congresso será concentrada neste último semestre de 2011. E o nosso papel é decidir”.

Para que as decisões não trombem com a política anti-inflacionária e o rigor fiscal do governo, disse Henrique, “a base [governista] não pode estar estressada.” Recorda que “é a primeira vez em dez anos que se chega ao meio do ano sem que nenhuma emenda [de parlamentar] tenha sido empenhada.”

“A ministra Ideli disse que, em agosto, apresentaria uma solução. É preciso que apareça o resultado. Tem que haver um cronograma de liberações”, disse o deputado. Sobre o estresse que envolve o PR, Henrique comentou:

“Houve consenso de que as práticas [nos Transportes] eram indevidas. Foram corrigidas. Vamos fazer o que com o PR? Vai ficar fora do governo? Será condenado à pena perpétua de não indicar mais ninguém? São indagações que estão no ar.”

Henrique conversou com o repórter antes do noticiário do sábado, que trouxe adicionou novas encrencas. Entre elas as denúncias de Oscar Jucá Neto, o Jucazinho, para quem a pasta da Agricultura, cota do PMDB, “só tem bandido”.

Seja qual for, a reação de Dilma elevará o “estresse”. Se servir refresco aos novos encrencados, açulará o PR. Se passar o rodo, fica bem com a platéia. Mas arrisca-se à solidão legislativa.

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Escrito por Josias de Souza às 05h17

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As manchetes desta segunda

- Globo: EUA:Obama anuncia acordo que evita calote

- Folha: Obama anuncia acordo que evita calote nos EUA

- Estadão: Concessionárias públicas lideram queixas no Procon

- Correio: Obama fecha acordo para evitar calote

- Valor: Só o projeto do trem-bala custa R$ 1 milhão por km

- Estado de Minas: Impunidade à vista

- Jornal do Commercio: Volta às aulas exigirá paciência no trânsito

- Zero Hora: Colapso no Central força ida de presos para Charqueadas

Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

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Escrito por Josias de Souza às 02h28

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Com vista para a crise!

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Escrito por Josias de Souza às 00h53

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Josias de Souza Josias de Souza, 46, é colunista da Folha da S.Paulo.

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